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18.11.20

Indulto de Natal pode provocar uma “rebelião” no CNPCP

O indulto de Natal ameaça desencadear uma crise dentro do aparelho de Justiça. Segundo o RR apurou junto a um dos integrantes do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), ao menos quatro dos 13 membros do colegiado ameaçam renunciar ao cargo. De acordo com a mesma fonte, o CNPCP, vinculado ao Ministério da Justiça, tem sido pressionado pelo governo a beneficiar policiais nas regras a serem estabelecidas para o perdão natalino deste ano. A questão já foi objeto de polêmica no ano passado.

Na última hora, Bolsonaro assinou na marra um decreto estendendo o indulto a agentes policiais condenados por crime culposo no exercício da sua função, sem que tal critério tivesse sido previamente aprovado pelo colegiado. Em tese cabe ao Conselho estabelecer as regras para o perdão e encaminhar a proposta para o Presidente da República, dono da palavra final. Bolsonaro estaria tentando pressionar o CNPCP a sancionar a medida, de forma a dar ainda mais legitimidade ao indulto natalino a agentes da área de segurança. A proposta é questionada por importantes juristas; muitos a consideram inconstitucional. Em tempo: não custa lembrar que o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária tem um histórico recente de se rebelar contra interferências do governo: em abril deste ano, oito conselheiros renunciaram ao cargo após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

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18.11.20

Família rachada

A eleição do último domingo reavivou velhas feridas no clã Bolsonaro. Rogéria Bolsonaro propaga aos quatro cantos que o ex-marido Jair Bolsonaro e os próprios filhos, Carlos, Eduardo e Flávio, trabalharam contra a sua candidatura a vereadora. Mas, quando perguntado, o 02 diz que não tem nada a ver com isso. É a segunda vez em 20 anos que Rogéria se candidata, contra a vontade da família, e perde a eleição.

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08.05.20

Lockdowns no horizonte

Termômetro

PSICOSSOCIAL

Lockdowns no horizonte

Diante da curva crescente do coronavírus no país (751 mortes registradas nas últimas 24 horas) e, em especial, em algumas regiões e capitais, vão evoluir nos próximos dias as ilações – e possivelmente anúncios – de lockdowns em grandes centros, totais ou parciais. Tudo indica, tanto por declarações do governador quanto pelo resultados de estudos e grupos de trabalho, que o estado do Rio de Janeiro capitaneará o processo. O estado se aproxima do colapso no sistema de saúde e pode ver cenas na linha do que tem ocorrido em Manaus.

As iniciativas nesse sentido – que também já são aventadas em São Paulo – vão alimentar o conflito político com o presidente Bolsonaro, mas o cenário no Rio será desafiador para o presidente, já que o lockdown, ao que tudo indica, terá o apoio do Prefeito Crivella, seu aliado. A possibilidade de ampliação de restrições também deve gerar novas manifestações por parte do setor empresarial.

Não se pode descartar, ainda, entreveros com o STF e mesmo protestos de apoiadores do presidente  no Rio. A situação trará constrangimento ao ministério da Saúde, que tem indicado apoio ao reforço do isolamento social  em regiões mais atingidas pelo coronavíus.

POLÍTICA

Os cargos para o Centrão, o vídeo de Moro e o exame do presidente

Para sustentar sua posição no Congresso, o presidente deve ampliar a negociação de cargos com o Centrão. Após ceder a diretoria do Departamento Nacional de Obras Contra Secas (Dnocs) e da Secretaria de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, especula-se que o grupo político assumirá o Instituto Nacional de Colonização e

Reforma Agrária (Incra) e o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit).

Paralelamente, deve se intensificar o embate em torno de denúncias do ministro Moro. No centro da polêmica estará a possibilidade de divulgação do vídeo da reunião ministerial na qual o presidente teria tentado intervir na PF. Se tornado público, o conteúdo promete gerar desgaste e, consequentemente, reação enfática do presidente Bolsonaro, de acordo com seu padrão de atuação política.

A manifestação da Justiça Federal de São Paulo, determinando que a União entregue com urgência os exames realizados pelo presidente para verificar a contaminação por coronavírus, também trará novas turbulências ao ambiente em Brasilia.

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16.04.20

Novo ministro, mesma política?

Termômetro

INSTITUCIONAL

Novo ministro, mesma política?

A primeira impressão é de que o presidente Bolsonaro sairá enfraquecido com a substituição do ministro Mandetta pelo oncologista Nelson Teich. Em pronunciamento no qual deixou claro que buscará atribuir a governadores a responsabilidade pela recessão econômica que advirá do coronavírus, o presidente não conseguiu anunciar, na realidade, nenhuma mudança concreta na política de saúde.

Apesar da retórica crítica ao isolamento, tanto Bolsonaro quanto Teich mencionaram transição gradual e sem data específica, além de ampliação de testes. Nada muito diferente do que vinha sendo afirmado pelo antigo ministro.

A grande questão nesta sexta será a atitude concreta de Teich a frente de decisões diárias do ministério e recomendações a governadores. Sua posição não será fácil. Se tomar medidas imediatas de afrouxamento no isolamento social, sem massificação prévia de testes, fortalecerá a autoridade de Bolsonaro, mas aprofundará o embate com o Congresso, o STF e os estados.

Se, por outro lado, mantiver a política anterior, ainda que com o horizonte de abertura a partir de aumento de testes, ficará a percepção de que Bolsonaro, mesmo trocado o ministro, não tem poder para mudar a política de saúde. O que exigirá do presidente novos malabarismos retóricos.

Dois pontos, no entanto, são certos: continuará o o conflito entre o Planalto e a maioria dos governadores; qualquer retomada mais forte da atividade econômica estará ligada a enorme ampliação na capacidade de se testar a população para mapear a contaminação pelo coronavírus.

POLÍTICA

A ampliação do “coronavoucher” e a relação entre Câmara e Senado

Em relação a medidas econômicas, destaque amanhã para o resultado de votação na Câmara, hoje, de projeto que aumenta o auxílio para trabalhadores formais. Expectativa é de que o texto que veio do Senado, que previa ampliação para até três salários mínimos, sofra desidratação. Mas ainda está em aberto alteração nos critérios para concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O resultado da votação indicará, ainda, se haverá maior ou menor possibilidade de composição com o Senado no que se refere a pacote de auxílio a estados, no qual há disputa aberta entre propostas da Câmara e do governo federal.

ECONOMIA

Inflação e rivalidade China X EUA

No Brasil, sai amanhã o IGP-M Segundo Decêndio (FGV). O índice apresentou aceleração no início do mês, com destaque para alimentação. No exterior, aumenta preocupação com embate entre EUA e China, sob o pano de fundo do coronavírus e da exportação de insumos médicos.

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06.04.20

No embate com Mandetta, Bolsonaro pode arriscar demais

Termômetro

POLÍTICA

No embate com Mandetta, Bolsonaro pode arriscar demais

 

O grande fato desta terça feira, na política, na saúde e mesmo na economia, será o resultado da quebra de braço entre o presidente Bolsonaro e o ministro Mandetta. A não ser que haja uma conciliação real – que parece inviável – nenhum cenário será positivo para o presidente.

Se Mandetta for demitido em meio a período decisivo no combate ao coronavírus, haverá uma pesada reação institucional, que envolveria o Congresso, o STF, o mercado e até parte do governo. As consequências seriam imprevisíveis. Afetariam a votação de medidas econômicas e não se pode descartar que voltem a ganhar corpo movimentações pelo impeachment.

Se Bolsonaro recuar, após a dimensão que o caso tomou, alimentará a impressão de que não tem poder para demitir o ministro e, consequentemente, de que não conseguirá determinar a política de saúde. Ficará, cada vez mais, a imagem de um presidente que não governa. É uma percepção que, por seu estilo, Bolsonaro dificilmente aceitará por muito tempo, ainda mais diante do embate lançado com o governador João Doria, que hoje ampliou até o dia 22 de abril a quarentena no estado.

INSTITUCIONAL

Calendário para trabalhadores informais

 

Expectativa é de que seja anunciado pelo governo federal, entre hoje e amanhã, o calendário de pagamento do voucher de R$ 600 para os trabalhadores formais e, sobretudo, os informais. Nesse último caso o formato para recebimento, através de um aplicativo, ainda parece muito incerto.

ECONOMIA

Curva do emprego e dados de fevereiro (no Brasil e nos EUA)

No Brasil, saem amanhã o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) e o  Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) de março, ambos da FGV. os índices, que já apresentaram curva negativa em fevereiro, devem aprofundar o recuo. Também nesta terça será divulgada a Pesquisa Mensal do Comércio (IBGE) de fevereiro. O número vai impactar a percepção sobre a tendência da economia pré coronavirus – o que pode ou não enfraquecer o discurso da equipe econômica e do presidente -, mas terá pouca influencia sobre projeções futuras.

No exterior, processo similar com o Número de Empregos criados em fevereiro (JOLT), nos EUA.

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19.03.20

O presidente X o governo?

Termômetro

INSTITUCIONAL

O presidente X o governo?

 

Um fenômeno já em curso pode se consolidar nos próximos dias: o divórcio entre o presidente e os ministérios da Economia e da Saúde, os quais, nas próximas semanas –  talvez meses – serão o núcleo de enfrentamento ao coronavírus, e, paralelamente, o crescimento da liderança nacional dos governadores João Doria e Wilson Witzel, cujos estados (São Paulo e Rio de Janeiro) são, simultaneamente, os mais afetados e os mais mobilizados.

É o que projeta a reação do mercado, dos agentes produtivos e da opinião pública, hoje. Ainda que com diversos questionamentos e críticas, o Ministério da Economia começa a transmitir algum alento com medidas de estímulo e diálogo  ao menos aparente  com o Congresso.

ECONOMIA

Guedes, EUA e os Bancos Centrais

 

Para além das iniciativas em si, ganha mais força a percepção de que não se deixará o setor de serviços simplesmente quebrar, como indica, por exemplo, o compromisso em pagar os primeiros 15 dias de salários de trabalhadores que estiverem com a Covid-19. Essa imagem, longe de consolidada, precisará ser sustentada diariamente. E implicará um cavalo de pau na ortodoxia liberal do ministro Guedes. Mas criou-se um caminho.

Mais importante, no entanto, é o início mais efetivo de uma cooperação global, baseada nos bancos centrais e capitaneada pelo FED  que pode significar a injeção de até US$ 60 bilhões na economia brasileira. Os EUA parecem pôr em marcha um verdadeiro esforço de guerra, e esse movimento tem enorme poder de estímulo. Resta saber se o presidente Trump, que passou a contar com o apoio da oposição para seu plano emergencial, conseguirá conter a retórica e evitar conflito com a China. Que pode ser um ponto decisivo de apoio, não apenas econômico como, sobretudo, na área de saúde, pela experiência adquirida, capacidade de produção e pelo fato de que avança para o controle da epidemia em seu território.

Trata-se, no entanto, de um horizonte, que, se mantido, como tudo indica, vai diminuir o pânico generalizado. Mas não evitará forte volatilidade.

Nos próximos dias começarão a aumentar os dados e projeções econômicas que já evidenciam o impacto global do coronavírus na produção e nos serviços. Avançará o consenso em que o mundo  e o Brasil  passarão por recessão em 2020.

No pontual, destaque nesta sexta para a prévia da Sondagem da Indústria de março (FGV). Dados negativos não surpreenderão, mas a depender do grau podem ser um fator, secundário, de volatilidade.

PSICOSSOCIAL

A paralisação global e a curva do coronavírus

 

O cenário de saúde é impressionante, com estimativas de contaminação e mortes em escala inédita desde a Segunda Guerra Mundial, caso não sejam implementadas pesadas medidas de restrição à circulação de pessoas. Salvo a descoberta de uma vacina ou de um medicamento extremamente eficaz (possibilidade que começa a ganhar mais corpo com anúncio hoje de utilização de remédio contra a malária para o combate à Covid-19, nos EUA, mas cuja eficácia ainda parece limitada), o Brasil e o mundo vão evoluir, diariamente, para uma quase paralisação econômica. Rio e São Paulo vão, paulatinamente, fechar ou controlar duramente os shoppings, os transportes e todos os serviços não essenciais. Serão acompanhados por outros estados, mais cedo ou mais tarde. Lojistas já começam a pedir isenção de aluguéis, e esse processo tende a se aprofundar.

Além de tudo isso, o cenário de saúde apenas começa a se delinear. Crescerão amanhã, por exemplo, os questionamentos no Ministério da Saúde sobre a curva de contaminação no país, que, até o momento, pela velocidade, parece se aproximar mais dos países europeus do que dos modelos de sucesso asiáticos (como Coreia e Cingapura).

Ainda que as bolsas já precifiquem esse processo, novas quedas são dadas como certas.

POLÍTICA

Linha de confronto não será suficiente

 

É nesse contexto que o modelo de conflito permanente do presidente Bolsonaro encontrará um prazo de validade. Seria muito precipitado apostar em uma perda imediata de sustentação, já que ele mantém uma forte base de apoio. Se não mudar o estilo, no entanto, será engolido pelos acontecimentos, como ocorreu hoje com o deputado Eduardo Bolsonaro e suas críticas à China.

A politizarão da saúde, por exemplo, repetindo a prática de fritar um ministro em benefício de uma autoridade do setor próximo a ele – no caso o diretor da Anvisa – não tem chances de prosperar. Mas pode ser nova fonte de desgaste.

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18.03.20

Copom e coletiva: sentido de urgência

Termômetro

ECONOMIA

Copom e coletiva: sentido de urgência

A decisão do Copom de baixar em 0,5% (para 3,75%) a taxa de juros e a entrevista coletiva dada pelo presidente Bolsonaro, ao lado dos ministros da saúde, economia e infra-estrutura, transmitiram, pela primeira vez desde o início da crise do coronavírus, um sentido de urgência. A partir daí, se delineia uma agenda a ser apoiada pelo Congresso e a se desenvolver nos próximos dias, criando um polo de ação coordenada – e de “boas notícias” – a ser implementado ao longo da semana.

Destaques serão o auxílio a trabalhadores informais, apoio a companhias aéreas e a micro e pequenas empresas (que poderão ter parte dos salários pagos pelo governo), linha de crédito no Banco do Brasil e possibilidade de se reduzir jornada e salário de funcionários (mais controversa).

POLÍTICA E PSICOSSOCIAL

Calamidade pública e guerra política

Esse conjunto de medidas começará a ser implementado amanhã em um contexto político que envolverá, espera-se, a aprovação hoje à noite, pelo Congresso, do estado de calamidade pública, que vai liberar recursos para o governo federal. E mandar mensagem de que é possível uma ação coordenada entre o Planalto e o Parlamento. O movimento – de ambas as Casas – será alimentado pela notícia de que o presidente do senado, Davi Alcolumbre, está com coronavírus

Outro ponto muito importante é a mensagem mais enfática – de um ministro Guedes mais calmo – de que a cada 48 horas serão avaliadas novas medidas a serem tomadas, de acordo com o avanço da situação. Pode ser chave para dissipar a imagem de paralisia ou dificuldade de reagir à gravidade do momento.

A guerra política, no entanto, continuará – mesmo que em paralelo a algum tipo de colaboração. A questão será em qual grau. O presidente adotou tom menos agressivo, apesar de criticas a imprensa, procurou mostrar maior alinhamento com seu ministro da saúde e, sobretudo, fez acenos a Câmara e ao Senado. Tudo isso indica certa pacificação, só que, até o momento, apenas retórica. E a desconfiança entre os poderes é total.

Também ficou para ser definido se o governo federal adotará linha fortemente restritiva à circulação de pessoas, como vinha indicando o ministro Mandeta e estão implementando os estados, ou se tentará uma mitigação, sob a alegação de não paralisar a economia. Novas mortes, hoje, vão aumentar o medo da população e, consequentemente, a cobrança da mídia por iniciativas mais duras.

Essas duas questões – relação pratica com o Congresso e direção da política de sanitária – serão respondidas, parcialmente, nesta quinta, com movimentações da articulação política, do próprio presidente e do ministro da saúde. Bem como em reações de Rodrigo Maia e Alcolumbre.

Um ponto no entanto parece claro: os próximos passos de Bolsonaro serão fortemente influenciados pelo resultados de manifestações (“panelaços”) – contra e a favor – marcadas para hoje à noite.

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09.03.20

Bolsonaro, as reformas e o mercado

Termômetro

POLÍTICA 

Bolsonaro, as reformas e o mercado

O presidente Bolsonaro passará, amanhã, pelo maior teste do seu governo junto a forças produtivas e do mercado, que garantem sustentação à política econômica e ao governo. A debandada de hoje nas bolsas globais, em meio ao surto de coronavírus, que gera medo de recessão mundial, vai levar a forte clamor por iniciativa do Planalto em relação às reformas, em acordo com o Congresso Nacional, bem como por medidas de estímulo econômico. Paralelamente, haverá cobranças por política de preços que crie alguma proteção à Petrobrás – há especulação generalizada sobre aumento da Cide.

O ministro Paulo Guedes já deu o mote inicial e, se o governo mostrar agilidade, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre terão que responder positivamente, já que também sofrem pressão. Nesse contexto, seria possível uma aceleração das reformas tributária e administrativa (em qualquer roupagem que assuma). Faltariam as iniciativas mais imediatas, sobre as quais o ministro ainda não deu sinalização.

O maior risco, no entanto, é que o presidente mantenha agenda de campanha, falando para setores como o dos caminhoneiros e os apoiadores que organizam manifestações no dia 15. Se o fizer, pode assegurar popularidade localizada, mas verá sua imagem junto aos agentes econômicos derreter. E Guedes perderá autoridade.

A margem para erros reduziu-se decisivamente – se é que ainda existe.

PSICOSSOCIAL

O jogo do petróleo

O jogo do petróleo é tanto econômico quanto geopolítico – daí a dificuldade em se prever a possibilidade de algum tipo de acordo entre a Rússia e a Arábia Saudita. Além do conflito entre os dois países, está a concorrência com o shale gás norte-americano, cuja produção aumentou exponencialmente nos últimos anos, mas tem um custo mais alto. A Rússia quer testar o mercado, enquanto a Arábia Saudita pretende deixar inequívoca a liderança que exerce na formulação da política de preços para o setor.

A incógnita, até o momento, e que pode ser o fiel da balança, será a atitude dos EUA. O presidente Trump tentará surfar na redução de preços, de olho na popularidade interna, ou agirá para estabilizar o cenário, diante das incertezas geradas pelo coronavírus? As quais ainda vão aumentar, amanhã, com a OMS admitindo risco de pandemia e a decisão da Itália de declarar quarentena em todo o país.

Se decidir intervir, os EUA têm capacidade de influir nas decisões da Arábia Saudita.

ECONOMIA

A indústria brasileira

O principal número a ser divulgado nesta terça-feira será a Produção Industrial de janeiro, para a qual se prevê retração de 1,2%, em termos anualizados, e crescimento de 0,6% frente ao mês anterior. O número vai contribuir para o panorama negativo, mas, se confirmado nesse patamar, não causará surpresa.

No exterior, sai amanhã para o PIB na zona do Euro (deve ficar na faixa de 0,9%, na taxa anualizada). Há, ainda, expectativa – nesta terça e nos próximos dias – de medidas de estímulo econômico dos bancos centrais dos EUA, Japão e União Europeia.

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05.02.20

Bolsonaro X Governadores: a guerra do ICMS

Termômetro

O novo capítulo do embate entre o presidente e grupo de governadores acerca de impostos que incidem sobre os combustíveis trará consequências delicadas – e com forte potencial negativo – amanhã:

1) Continuidade de troca de farpas – que já envolve governadores de São Paulo, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, sem mencionar desgaste anterior com governadores do Nordeste – pode desaguar em declarações na mídia e articulações no Senado que contaminem a reforma tributária;

2) “Saia justa” entre o presidente e o ministro Paulo Guedes, já que a proposta de zerar impostos federais – mesmo que seja retórica – atropela o planejamento da equipe econômica;

3) Antecipação do cenário eleitoral, que já aparece na reação do governador João Dória.

Os efeitos do Copom

Decisão do Copom, ao baixar novamente a taxa de juros, agora para 4,25%, terá amplo impacto no noticiário econômico amanhã. Estarão em pauta: 1) A sinalização de fim do ciclo de cortes em 2020; 2) O significado da decisão no contexto da recuperação econômica; 3) O efeito sobre as projeções de inflação e do câmbio; 3) A relação com o cenário externo, visto pelo BC como instável – e que embute preocupação com efeitos do coronavírus; 5)Os reflexos nos investimentos e no mercado de crédito brasileiros.

Terras indígenas: nova polêmica internacional

Texto do governo para regulamentação de terras indígenas, entregue hoje ao Congresso, provocará polêmica amanhã, nacional e internacionalmente.

A abertura de espaço para a mineração e exploração de recursos levará a fortes ilações sobre desmonte de legislação ambiental e risco tanto de desmatamento quanto para as populações indígenas. Ainda mais em função da nomeação do ex-missionário e pastor evangélico Ricardo Lopes Dias para o cargo de coordenador-geral de Índios Isolados da Funai.

O combate ao coronavírus

Com aprovação na Câmara e no Senado de Projeto de Lei sobre quarentena, voltado para repatriados da China em função do coronavírus, haverá amplo destaque, amanhã: 1) Para a estrutura montada para recebê-los, em Anápolis; 2) Para o início de implantação de medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde para enfrentar a entrada do vírus no país (material, novos leitos).

Tentáculos na PGR?

Podem-se esperar, amanhã, questionamentos da mídia e manifestação do Procurador Geral da República, Augusto Aras, sobre interrupção, decidida por ele, dos mandatos em exercício de 16 conselheiros e coordenadores de ensino da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU). Iniciativa é avaliada como tentativa de controlar a instituição.

Bolsonaro e Weintraub

Iniciativa de deputados pedindo o impeachment do ministro Weintraub chamará atenção, amanhã, para problemas no MEC, bem como para dificuldades na implantação de projeto – novo balão de ensaio da Pasta – de profundas mudanças no Enem. Mas tende a fortalecer a resolução do presidente em manter Weintraub, evitando, nesta quinta, sinais de enfraquecimento do ministro.

Do impeachment para a reeleição

Absolvição de Donald Trump em processo de impeachment deve levar a ofensiva política do presidente norte-americano amanhã. Trump tende agora a aprofundar o estilo agressivo de atuação frente ao partido Democrata, entrando definitivamente na disputa eleitoral.

Emprego e setor automotivo

Saem amanhã o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) e o Indicador Coincidente de Emprego (ICD) de janeiro, da FGV, e a produção total de veículos  de janeiro (Anfavea).

Números do emprego vem de curva positiva em dezembro, com a melhor leitura para o IAEmp desde abril de 2019 (crescimento de 1,5 ponto). O movimento indicava avanço nas perspectivas do mercado de trabalho, a ser confirmado amanhã.

Já no que se refere à Anfavea, números terão papel importante para projetar os resultados do setor automotivo no ano. A Anfavea estima aumento de 7,3% na produção e de 9,4% nas vendas no mercado interno, em 2020, mas a crise no mercado argentino, que levou à queda de 31,9% nas exportações em 2019, deve se manter como gargalo importante.

O desemprego nos EUA e a indústria alemã

No exterior, destaque para os Pedidos Iniciais de Auxílio Desemprego nos EUA em janeiro, que devem se manter estáveis, e para as Encomendas à Indústria na Alemanha, em dezembro, para a qual se prevê crescimento de 6%, após queda de 1,3% em novembro.

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Decisão do ministro Fux, suspendendo de maneira indeterminada a implantação do Juiz de garantias até que o plenário do STF decida sobre a constitucionalidade da medida, lançará nova polêmica no Congresso e entre ministros do próprio Tribunal, amanhã.

Pode haver reações, mesmo que contidas, dos presidentes da Câmara e do Senado, assim como do ministro Dias Toffoli, que havia determinado uma espécie de regulamentação para a iniciativa, responsável por certa pacificação dos ânimos. Por outro lado, a chamada ala lavajatista do Senado bem como diversos grupos organizados em redes sociais alimentarão forte apoio à decisão de Fux.

O coronavírus e o Ministério da Saúde

A preocupação com a chegada do coronavírus – que já alimenta o noticiário internacional, com desgaste para a China, ponto de origem da nova doença – crescerá amanhã no Brasil, com suspeita de primeiro caso no país, em Minas Gerais. Embora já tenha reagido hoje, negando entrada do vírus no país, o Ministério da Saúde começará a ser mais cobrado, amanhã, por planejamento para enfrentar possibilidade de contágio.

Guedes: sucesso em Davos

Com percepção de intensa atuação em Davos, ministro Paulo Guedes deve ter espaço positivo no noticiário amanhã. Diretamente ou através de informações de bastidores e ilações de analistas sobre resultados auferidos.

Tendência é que comece a se formar, nesta quinta, consenso indicando que presença de Guedes no Fórum foi pragmática e bem-sucedida. E que o ministro voltará ao Brasil, ainda mais forte, internamente, e com nova dimensão, externamente.

O MEC em foco

Iniciativa do Ministério Público Federal, que recomendou ao governo a suspensão de inscrições no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) em função de problemas no Enem pode gerar crise no MEC, amanhã. O ministro Weintraub terá de sustentar equilíbrio delicado, evitando tanto imagem de falta de transparência quanto de falha de gestão.

Popularidade e equilíbrio de poder no Planalto

Pesquisa CNT/MDA indicando aumento de popularidade do presidente Bolsonaro (de 29,4% para 34,5%), bem como liderança na corrida para a reeleição (seguido pelo ex-presidente Lula) vai gerar diversas análises amanhã, além de alimentar nova correlação de forças no Planalto.

Ainda que, em termos eleitorais, os números tenham significado relativo, movimentações de bastidores indicarão, nesta quinta, fortalecimento do presidente diante do ministro Moro. Especulado como adversário potencial no campo da centro-direita, o ministro da Justiça teve apenas 2,5% de intenções de voto (pouco acima de Fernando Haddad).

A pesquisa também lançará especulações sobre: 1) As razões para o crescimento da popularidade. Enquanto alas vistas como mais radicais do bolsonarismo tentarão valorizar a “guerra cultural” e pautas ideológicas, na mídia prevalecerá a imagem de que a melhora em números do presidente se deve à economia. E, consequentemente, ao ministro Paulo Guedes; 2) Atuação do presidente em eleições municipais de 2020; 3) A situação da oposição e do ex-presidente Lula.

Os planos na cultura

Haverá novos capítulos da novela Regina Duarte, amanhã. Apesar de não ter confirmado hoje que assumirá a Secretaria de Cultura, sinais são de que prevalecerá um final feliz. Caso aceite o cargo em definitivo nesta quinta, criará fato positivo para o governo. E enfrentará, de imediato, perguntas sobre formação de sua equipe.

O irmão do presidente

Atuação do irmão do presidente Bolsonaro na intermediação informal de demandas de Prefeituras de São Paulo vai gerar questionamentos ao presidente e prováveis desdobramentos amanhã, especialmente na Folha de São Paulo.

As expectativas do empresariado industrial e a inflação

Destaque amanhã para o Índice de Expectativa de Inflação dos Consumidores (FGV), o IPCA 15 (IBGE); o Índice de Confiança do Empresariado Industrial (CNI) de janeiro; e o Relatório Mensal da Dívida Pública de dezembro (Tesouro).

Quanto à inflação, projeções indicam desaceleração, em linha com os números já divulgados no início do ano.  Já no que se refere ao ICEI, que vem de resultado forte em dezembro (subiu 1,8 ponto), expectativa também é positiva, especialmente após a alta (de 1,1 ponto) registrada na Prévia da Sondagem da Indústria da FGV, divulgada hoje. Já no caso da dívida pública, que teve trajetória oscilante nos meses de setembro e novembro, estimativas estão em aberto.

A taxa de juros na Zona do Euro

Internacionalmente, ênfase no anúncio da taxa de juros e comunicado do Banco Central Europeu (BCE). Não se espera alteração do BCE.

Também amanhã, serão divulgados os pedidos de auxílio desemprego em janeiro nos EUA (deve haver leve aumento, com tendência ao equilíbrio) e o Índice de Confiança do Consumidor na Zona do Euro, que deve vir em torno de –7 pontos, após resultado ainda mais negativo de dezembro ( –8,1).

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