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26.07.18
ED. 5918

O Bem-amado Ilan Goldfajn

Já somam três os presidenciáveis favoráveis à manutenção de Ilan Goldfajn à frente do Banco Central. Integram o bloco pró-Ilan Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Jair Bolsonaro – apud Paulo Guedes. A permanência do atual presidente do BC se encaixaria também nos planos de Marina, o “poste de Lula” e Ciro Gomes, em ordem decrescente de entusiasmo com a ideia.

Os três candidatos da centro-esquerda utilizariam o prosseguimento do mandato de Ilan como um recado ao mercado sobre a disposição de dar continuidade à política monetária de ancoragem da inflação. É difícil Ilan aceitar a proposta dos candidatos da direita. É dificílimo topar qualquer convite da esquerda. No entanto, não se pode desprezar fatores como ambição, vaidade e vontade de poder na combinação de elementos que levarão à escolha.

A princípio Ilan quer cumprir a quarentena e retornar ao seu cantinho de economista-chefe do Banco Itaú, certamente com o passe mais valorizado. O presidente do BC é extremamente bem visto pelo mercado. Mas não é consenso entre os economistas. Há uma corrente que o crítica por ter sido hawkish em um momento desnecessário, quando a inflação já embicava para baixo. Alguma parcela da lentidão da recuperação econômica estaria debitada na sua conta. Ilan foi responsável pela ancoragem firme das expectativas e manutenção implacável da inflação dentro da meta. Com a sua política de juros foi também causador de alguns milhões de desempregados que vagam desesperançosos à procura de uma ocupação. A história julgará se suas decisões foram acertadas.

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28.06.18
ED. 5898

Esclarecimento

Na edição de ontem, o RR atribuiu um papel superior ao presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, nas decisões do Conselho Monetário Nacional (CMN). Foi um ato falho. Os ministros da Fazenda e do Planejamento, respectivamente Eduardo Guardia e Esteves Colnago, também dão seus palpites no CMN. Mas, na prática, é Ilan quem conduz o barco. Todo mundo sabe.

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27.06.18
ED. 5897

Conselho Monetário Nacional empurra redução da meta de inflação para a campanha eleitoral

O Conselho Monetário Nacional (CMN) achou por bem intervir no governo prestes a se iniciar e criou um fato mais político do que monetário, na reunião de ontem: reduziu a meta de inflação para 3,75%, em 2021. A medida não tem impacto na inflação do curto prazo – pressionada pela paralisação dos caminhoneiros -, e pouco altera as expectativas, já que o Banco Central não é formalmente independente e daqui a seis meses terá outro presidente, com poder para detonar o novo centro da meta. Mas sinaliza para uma até
então improvável elevação da Selic na próxima reunião do Copom, que ocorre nos dias 31 de julho e 1o de agosto.

Os juros poderiam subir de 6,5% para 6,75%. O BC em seu último comunicado deixou aberta essa possibilidade, ao não se pronunciar sobre nenhum caminho. Os juros futuros projetam 69% de probabilidade desse cenário acontecer. As chances da Selic aumentar para 7% seriam de 31%, ainda de acordo com o mercado futuro. Ilan Goldfajn e seus bluecaps vêm promovendo reduções consecutivas da meta inflacionária. O objetivo anunciado é trazer a meta para 3%, que seria o padrão internacional.

A proposta foi devidamente metralhada por economistas pesos-pesados. O argumento contra a mudança é que o patamar mais baixo poderia instar mais facilmente o BC a levantar os juros. O melhor para o manejo das políticas fiscal e monetária seria a manutenção da meta atual de 4,5% até 2021 – o governo já tinha alterado esse percentual para 4,25%, em 2019, e 4%, em 2020. Para Ilan, um conservador exacerbado, o preço de esticar o elástico do inflation target vale a pena. A medida é uma resposta de Ilan à corrente contrária, que torce por um pouco menos de juros e um tiquinho mais de inflação, dentro da faixa de tolerância, é claro.

O grupo pró-inflação quase que festeja a greve dos caminhoneiros. A paralisação e o câmbio puxarão os preços um ponto percentual para cima – a taxa anualizada deverá ficar em torno de 4%, talvez um pouquinho mais – o que ajudará a equilibrar as contas públicas, ainda que de forma farisaica. Mas a atividade produtiva sofrerá na carne e o desemprego mais uma vez pagará o pato da história.

Menos juros teria mitigado essa parte mais sofrida.Ilan Goldfajn voltará para casa com a dúvida dolorosa de que poderia ter poupado milhões de empregos se não fosse tão renitente com a Selic alta quando a inflação já embicava para abaixo do piso da meta, um mergulho enxergado por todo o mercado. Ah, mas o presidente do BC poderia dizer que sua política de austeridade com os juros e a obsessão com uma inflação demasiadamente baixa permitiram enfrentar uma repentina pressão sobre os preços sem que ter de elevar os juros. A próxima reunião do Copom dirá se o argumento é honesto e de boa cepa. Por enquanto, o que existe de mais concreto são os 12,5% de desemprego,cevados com uma política monetária de arrocho. É com esse número de desesperados que Ilan terá de dormir todas as noites.

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26.06.18
ED. 5896

BC dá linha nos swaps e segura reservas cambiais de olho na eleições

O Banco Central está pronto para superar a venda de US$ 115 bilhões de swaps cambiais, realizada na gestão anterior, de Alexandre Tombini. Até agora, já foram ofertados US$ 43 bilhões de swaps. Com os dólares das reservas, contudo, as vendas serão aconta-gotas. Segundo uma fonte do RR, o BC se dispõe informalmente a leiloar até US$ 10 bilhões das reservas cambiais, sempre com compromisso de recompra.

A combinação é brandir o porrete com os swaps e calibrar o mercado com os leilões de linha, podendo aumentar um pouco este último, caso haja uma pressão para a venda. Por enquanto, os sinais em relação à demanda por dólar a vista estão confusos. No leilão de linha de ontem, o BC esperava ter uma procura maior pelos US$ 3 bilhões colocados à disposição do mercado. Vendeu somente US$ 500 milhões, ou seja, 17% do total.

A impressão é que os investidores e empresas que buscavam dólares para remeter ao exterior fugiram. Ou, então, apostam em uma alta do dólar, na próxima reunião do Copom. De qualquer forma, há uma expectativa de um mercado pressionado devido ao andamento da disputa eleitoral. As reservas cambiais fecharam em US$ 382 bilhões, na última sexta-feira. Mesmo com essa montanha de dólares e a possibilidade teórica de usar os swaps cambiais em valor acima das reservas, o BC tem medo de que o país sofra um ataque especulativo. Basta que Ciro Gomes suba nas pesquisas e insista no discurso de desapropriação das áreas vendidas do pré-sal para que os abutres do mercado de derivativos façam o dólar subir para patamares inéditos.

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11.06.18
ED. 5885

Risco de ataque ao real deixa BC em estado de alerta máximo

O Banco Central não diz e nem vai dizer, mas está preocupadíssimo com a possibilidade de um ataque especulativo ao real. Os principais motivos, igualmente inconfessáveis, são o avançar da campanha eleitoral – na qual os candidatos vão apresentando seus programas de governo, que simplesmente desmontam a gestão Temer –, e as trapalhadas do atual mandatário e equipe, que perderam o controle das reformas, das medidas microeconômicas e das negociações com as entidades de classe. Existem ainda as externalidades, tais como um inconveniente rebaixamento da nota do Brasil pelas três irmãs – Fitch, S&P e Moody’s –, algum relatório de análise de uma dessas pitonisas do mercado de capitais, e ,um default mais grave desses países que estão com a corda no pescoço.

O BC tem munição pesada, não há dúvida, mas o mundo é um oceano de liquidez. Nunca foi tão perigoso dar brechas para o capital internacional. E o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, está cansado de saber desses perigos. As casas bancárias e o noticiário estão tratando o risco da disparada do dólar como algo corriqueiro, “coisas do câmbio flutuante”. Em ordem de artilharia, Ilan lançaria mão de uma bateria intensa de swaps – a despeito do previsível custo fiscal da medida e das críticas esperadas que a iniciativa vai lhe custar –, elevação dos juros Selic, imposto fiscal nas remessas para o exterior (o presidente do BC já ensaiou a mordida, aumentando a cunha fiscal de 0,38% para 1,1%), e, finalmente, a venda à vista de dólares das reservas internacionais.

Na visão do BC, apesar de o Brasil ter uma batelada de reservas, a última medida é a venda do lastro cambial. Ela sinalizaria uma enorme fragilidade do país. Seria como se uma pessoa vendesse o seguro do carro – ou abrisse mão de parte do seu valor – justamente quando sabe que vai irreversivelmente bater com ele. A compreensão é que a situação está pior porque ela tem de vender hedge na “hora da morte”.

É possível que nada aconteça, que as irrigações com swaps no mercado cambial sejam suficientes, que o câmbio seja só um espirro. Ou não. Para todos os efeitos, é preciso desviar a ideia de que a política monetária do BC está mais voltada para os juros do que para os preços. E que as decisões do Copom priorizarão os perigos de desvalorização da moeda. Seria uma confissão do que o BC não quer confessar sob risco de que o que não é pareça que é e se torne o que não deve ser. A questão é como administrar esse “coeficiente de Pinóquio” na condução das expectativas.

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21.05.18
ED. 5871

Contagem regressiva

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e seus bluecaps do Copom ainda têm cinco reuniões em 2018 para mostrar se houve coerência na decisão de manter os juros da taxa Selic. É o prazo para se saber se haverá ou não a necessidade de uma nova carta envergonhada da autoridade monetária, justificando-se pela inflação abaixo do piso da meta.

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10.05.18
ED. 5864

Mutirão da fé

O ex-ministro da Indústria, Marcos Pereira, ligado à Igreja Universal, e líderes da bancada evangélica estariam intercedendo junto ao governo para que o Banco Central autorize a transferência do controle do Banco Renner para Edir Macedo. O fundador da Universal tem hoje 49% da instituição.

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18.04.18
ED. 5849

O Dom Casmurro do Banco Central

Com eleições presidenciais, o Congresso Nacional travado e o empresariado inseguro, não há muita coisa que os ministros substitutos da Fazenda, Eduardo Guardia, e do Planejamento, Esteves Colnago, possam fazer neste ano. Mas o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem a força. Não fosse a conhecida teimosia, já no mês de maio, na próxima reunião do Copom, Ilan poderia fazer História. Se trouxer a taxa Selic dos atuais 6,50% para 6%, estará injetando um pouco mais de gás em uma economia que insiste em andar de lado. Ilan tem dito ao mercado que o ciclo de flexibilização monetária deverá ser interrompido após uma redução da taxa em 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic a 6,25%.

A partir daí, o BC se recolheria em prudente expectativa, observando o resultado da política monetária. Em outras palavras, Ilan congelaria a Selic em 2018. Os juros do resto do ano seriam os da próxima reunião do Copom. O presidente do BC teme que uma redução um pouco mais ousada da taxa carregue o risco de um aumento de juros mais à frente. Ilan Goldfajn mira nos juros americanos, na guerra, no câmbio e na ascensão de um presidente populista.

No caso de uma descolada do real, já anunciou que tem farta munição de swaps cambiais para desovar no mercado. Quanto à possibilidade do futuro mandatário ter uma visão divergente da economia, não há política monetária que se interponha à vontade soberana do povo. E durma-se com uma Selic ainda elevada, ignorando a queda da inflação abaixo do piso da meta (3,5%); a vampirização da economia resultante da capacidade ociosa; a resiliência do desemprego em 12,4%; o recuo das previsões do crescimento do PIB para o intervalo entre 2,6% e 2,4% (o governo cravava 3%); e a oportunidade histórica de pressionar para baixo os juros bancários, com um argumento da maior solidez.

O fato, repita-se, é que só o BC tem a força nesse momento. E sendo verdade, está à frente o risco de mais desaquecimento da economia e desemprego. Com um peteleco, puxando mais 0,25 ponto percentual e deixando a Selic em históricos 6%, Ilan reverteria essa entortada macroeconômica. Ou, no mínimo, colaboraria efetivamente para uma melhoria no ambiente econômico. Como alterações nos juros têm uma inércia de cinco a seis meses para locomover a economia, a hora seria agora. Com a vantagem adicional de ainda contribuir para uma desaceleração na relação dívida bruta/PIB.

Quem sabe teríamos um fim de ano um pouco melhor? A birra foi má conselheira do presidente do BC em seu ciclo anterior  de manutenção dos juros em um nível astronômico, quando o IPCA já indicava uma descida ladeira abaixo. Ilan Goldfajn teve de sair baixando os juros em desabalada carreira para reduzir o prejuízo na economia. Repetir o erro com o sinal trocado levaria Ilan à galeria das autoridades monetárias que mais desprezaram os agentes produtores e o tecido social do país. Tudo por pura teimosia.

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08.02.18
ED. 5804

Grito de independência

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem discutido com seus diretores a oportunidade e o timing para a regulamentação da independência da autoridade monetária. Seria uma forma fácil de dar um recado para o mercado sobre o fortalecimento institucional do banco, e reforçar a ancoragem das expectativas. O complicador é o excesso de assuntos na pauta do Congresso. Para o seu público interno, Ilan diz que aprova inteiramente a medida, desde que ele não esteja mais à frente da instituição. Imagine, o titular do BC pular fora logo após a aprovação do projeto que garante sua permanência por um período mais longo.

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19.01.18
ED. 5790

Uma mensagem de alerta para o BC e a CVM

A notícia de que o Telegram vai lançar sua própria moeda virtual já mobiliza o Banco Central e a CVM. Tudo indica que a criptonovidade não tardará a chegar ao Brasil, dada a importância do mercado para o negócio – estima-se que o país concentre algo em torno de 20% dos usuários do aplicativo de mensagens em todo o mundo. O poder de alcance da nova moeda é justamente uma das questões que preocupam as autoridades e tornam o trabalho de fiscalização ainda mais complexo. Calcula-se que o Telegram tenha de 15 milhões a 20 milhões de usuários cadastrados no Brasil, todos potenciais investidores da futura divisa eletrônica. Ressalte se ainda que o aplicativo russo é conhecido por ser uma muralha inviolável, com um grau de sigilo das mensagens superior ao de seus congêneres, como o próprio WhatsApp. Tem a fama de ser o preferido daqueles que não querem ser lidos e vistos em hipótese alguma – segundo investigações, terroristas utilizaram o Telegram para organizar o atentado ao metrô de São Petersburgo, em abril do ano passado, que deixou 15 mortos.

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21.12.17
ED. 5771

Independência do BC

Voltou a ser comentada nos círculos econômicos brasilienses a proposta de instituir a independência do BC. Não é uma medida com objetivos eleitoreiros e tampouco tem importância para o ajuste fiscal. Ela mira as agências de rating, que já começaram a mostrar suas garras com o adiamento da votação da Previdência.

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12.12.17
ED. 5764

Debate eleitoral promete quebrar o tabu sobre as reservas cambiais

O uso de reservas cambiais para aditivar os investimentos e melhorar a situação fiscal, medida que já foi classificada como uma panaceia das esquerdas, será trazida para o centro do debate em 2018. De acordo com a mais recente edição de Insight-Prospectiva, boletim informativo da Insight Comunicação distribuído aos assinantes no último dia 5, Lula tem esmiuçado o assunto com os economistas do PT, tais como Nelson Barbosa, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marcio Pochmann e Ricardo Carneiro. Duas propostas são lapidadas.

A primeira passaria pelo BNDES e envolveria um encontro de contas. Banco Central e Tesouro, por meio das devidas transferências, capitalizariam a agência de fomento, de forma que ela não precisasse devolver os R$ 130 bilhões de empréstimos para cumprir a chamada “regra de ouro” – norma que proíbe o financiamento dos gastos de custeio do governo por intermédio da emissão de títulos públicos. Como o país carrega US$ 380 bilhões em reservas, o uso de US$ 50 bilhões do lastro cambial capitalizaria o BNDES acima dos 100% do que ele está escalado para devolver.

Uma das formas para a execução dessa operação seria por meio de recebíveis da disponibilidade do Tesouro Nacional depositadas em sua conta única no Banco Central. De janeiro a novembro, essa fonte, que somente está sendo utilizada para o gasto de despesas de custeio, financiou despesas de R$ 92,2 bilhões. Desde 2014, a conta única cresceu R$ 433 bilhões. A explicação seria a política de câmbio combinada com o alto valor das reservas.

No presente, essa fonte de financiamento está sendo utilizada pelo governo para evitar que ele quebre a “regra de ouro” e seja decretado como incapacitado. O saldo dessas tecnicalidades é que o BNDES teria mais recursos para fazer políticas proativas de fomento. Outro caminho cogitado nas conversas entre Lula e os economistas do PT envolveria o aumento do crédito interno por intermédio do Banco Central, medida, por sinal, que tem defensores fora das hostes petistas, caso do sócio da consultoria Tendências, Nathan Blanche. Nesta hipótese, o BC abriria linhas de crédito aos bancos públicos e privados, com base nas reservas.

As instituições financeiras, por sua vez, ofertariam os recursos às empresas para investimentos em concessões, privatizações ou mesmo greenfield. O BC teria uma remuneração maior para as reservas do que a obtida com o investimento em ativos no exterior – quase a totalidade do lastro cambial do país. E se o BC transferisse recursos das reservas diretamente para o BNDES, substituindo os aportes de recursos feitos pelo Tesouro, essa operação também teria o efeito líquido de rebaixar a dívida bruta.

Para Lula, empunhar a bandeira do uso das reservas cambiais traria um paradoxo que nenhum outro candidato precisaria enfrentar. A proposta exigiria do petista um contrapeso, com o anúncio de medidas conservadoras. Diminuir as reservas cambiais em um ambiente de insegurança internacional pediria um discurso antagônico à agenda de desconstrução das reformas liberais do governo de Michel Temer. Trata-se do corner imposto por Temer, sua maldição a quem se afastar demais da sua agenda.

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10.10.17
ED. 5722

Criptoproblema

Os especialistas do Banco Central que estão debruçados no acompanhamento das criptomoedas ficaram ouriçados com a experiência de Dubai. O emirado árabe lançou seu Bitcoin oficial. Ao invés de circular em um mercado livre, a moeda pertence ao governo. É o avesso do avesso do avesso.

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26.09.17
ED. 5712

BC independente é o estepe da reforma da Previdência

O secretário-geral da Presidência da República, Moreira Franco, é hoje o maior entusiasta junto a Michel Temer da aprovação formal da independência do Banco Central. Moreira não está deixando momentaneamente seu monopólio das decisões governamentais sobre concessões e privatizações por veleidades monetaristas. Suas motivações são eminentemente políticas.

O “Maquiavel platinado” do Planalto sabe que a reforma da Previdência foi para o brejo e é preciso substituí-la por outra medida de forte impacto sobre as expectativas inflacionárias. Hoje, o único ativo do mais impopular dos governos junto às massas é a queda dos preços em geral, que vem desanuviando o mal-estar produzido pelas mazelas do desemprego e da redução do salário real. Moreira acredita que, na atual circunstância, o projeto de lei da criação do Banco Central independente será aprovado de roldão no Congresso.

Portanto, sairia de cena a reforma da Previdência e ingressaria no centro das atenções o BC todo pomposo e descolado dos desígnios do governo. A história do BC independente já atravessou muitas das esquinas políticas do país. Fernando Henrique Cardoso e Lula não lhe deram maior atenção – este último, contudo, tentou posteriormente aprovar a medida em manobra com Renan Calheiros. Dilma Rousseff tripudiou sobre a ideia: “O BC não é a Santa Sé”.

Aécio Neves desdenhou da proposta. Marina Silva incorporou-a ao seu programa de campanha, assumidamente aconselhada pela sua assessora “geneticamente banqueira”, Neca Setubal. Curiosa é a postura blasé do “bambino do BC” Arminio Fraga, que não considera este um assunto de maior importância. Pois, ao contrário de Fraga, dezenas de economistas se esgoelam em favor da medida.

O BC independente funcionaria como um seguro contra o populismo garantindo as condições para que a política monetária fosse implementada com consistência, sabendo-se que háum delay entre a adoção de juros mais elevados e a queda da inflação, que, muitas vezes, perpassa a duração de um governo. No mundo pululam os exemplos de BCs independentes, a exemplo dos Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Alemanha e Banco Central Europeu, só para citar os mais votados. E Henrique Meirelles? Por que não lidera a tropa de apoio à iniciativa? Quando era presidente do Banco Central – na gestão de Lula –, Meirelles desfiava com vigor argumentos favoráveis ao BC independente.

E o que mudou? Acredita-se que seja a indisposição de ter uma sombra que ameace seu estrelato absoluto na área econômica. Meirelles, segundo um amigo seu, é a versão masculina da diva Maria Callas: vaidoso, altivo, onipresente em cena. Na atual conjuntura, onde o protagonismo político lhe favorece, melhor que Ilan Goldfajn permaneça como um “subalterno autônomo”. Poder não se divide; poder se toma.

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20.09.17
ED. 5708

Ilan Goldfajn volta a azedar a festinha da Selic

A ida a público do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, para antecipar os próximos passos da política monetária – ritmo de queda da taxa Selic moderadamente menor – reflete uma divisão entre o núcleo duro do Palácio do Planalto e a equipe econômica. Os cardeais Moreira Franco e Eliseu Padilha são favoráveis à manutenção ou mesmo a precipitação do afrouxamento monetário. Segundo a dupla, não haveria justificativa para um recuo no percentual de redução da Selic.

O argumento contra a diminuição do ritmo de declínio das taxas de juros, paradoxalmente, é dado pelo próprio Ilan: o risco de desancoramento da inflação é baixo. Com o desemprego prosseguindo em patamar elevado, o câmbio cadente e o ritmo anêmico da atividade econômica, a taxa de inflação deverá seguir até o fim de 2018 na fronteira dos 4%, provavelmente pulando a cerca para a casa dos 3%. Ilan espera uma baixa do índice de preços mais sustentável, até porque o nível de capacidade ociosa da economia é grande, e a velocidade de aquecimento da atividade produtiva não seria suficiente para conter o flerte com o piso da meta. A hora seria de dar um gás no consumo.

Até pouco tempo atrás, Ilan foi triturado entre os seus pares porque não teria tido a sensibilidade de baixar os juros quando a inflação já havia embicado para baixo e a recessão sacrificava o país. Parece estar obcecado com essa receita. O “custo Ilan” não é bem absorvido no Palácio do Planalto. Fica na conta de Henrique Meirelles. O ministro está alinhado com o presidente do BC; é o seu escudo de proteção. Meirelles acha que a prudência é sempre a medida do acerto na política econômica, mesmo que seu preço seja a revelação futura de que a autoridade monetária foi lenta ou não entendeu os sinais da conjuntura.

A entrevista atípica de Ilan foi combinada com Meirelles. Ela cria um fait accompli com o BC e antecipa o comportamento futuro da Selic, praticamente ditando o corte da taxa que será aprovado na reunião do Copom de outubro (0,75 ponto percentual). O ministro também se arroga a falar da política monetária, como se fosse o condutor do BC. Ele justifica a falta de ousadia com variáveis que não parecem tão determinantes para formação da taxa na circunstância: contenção da liquidez nos Estados Unidos, o destempero nuclear da Coreia do Norte e os efeitos sobre o câmbio. Faltou só a Lava Jato.

O que Meirelles realmente não quer é baixar a taxa de juros para ter que levantá-la logo depois com várias altas sucessivas. Ou seja: a Selic agora vai cair devagarinho para não ter de voltar a subir novamente em futuro breve, com maior intensidade e rapidez. As raposas do Palácio, contudo, não se conformam. Com o aumento da renda das famílias decorrente da brutal correção dos preços, uma ajuda a mais dos juros é o que falta para lambuzar as expectativas de mel e puxar o consumo nos meses natalinos.

O discurso de Ilan teria de ser exatamente o contrário. Por enquanto Meirelles reina e Ilan é independente. Que seja. Até 24 de outubro, quando se realiza a penúltima reunião do Copom no ano, pipocarão de todas as partes pleitos para que a política monetária mude; que a queda dos juros seja mantida no patamar de um ponto percentual ou eventualmente um pouco além, atingindo 1,25 ponto; e que o BC ouse um piso da Selic na faixa de 6% – atualmente as previsões do mercado são de uma taxa de 7,25% no início de 2018 – acelerando o ritmo de correções para baixo da taxa básica. Moreira Franco e Eliseu Padilha, é claro, não terão nada a ver com isso. Coisa do mercado. Ou da mídia. Seja lá o que for, o script está dado.

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15.09.17
ED. 5705

Banco Central e CVM estão de olho no mercado de bitcoins

Os órgãos reguladores, notadamente Banco Central e CVM, estão atentos ao crescimento do mercado de bitcoins e outras moedas digitais no país. Ambos criaram grupos de trabalho para acompanhamento e estudo destes novos ativos monetários. A CVM, inclusive, tem promovido encontros com agentes financeiros para debater o tema. O RR não conseguiu apurar se a Polícia Federal também está debruçada sobre o assunto.

Nos Estados Unidos, as questões criminais que assolam esse mercado são tratadas pelo FBI. Os riscos vêm dos mais diversos lados: ausência de regulação, falta de lastro físico, esquemas de pirâmides, bolsas falsas, ataques cibernéticos, roubo de dados. Procurada pelo RR, a CVM fez questão de deixar claro que não é de sua competência “a regulamentação de moedas”. Mas que é da sua alçada “atuar sempre que houver ofertas públicas de valores mobiliários ligados ou relacionados, de alguma forma, à aplicação em moedas”.

Consultada se já existe algum processo em tramitação ou análise referente a aplicações em bitcoins, a autarquia não se pronunciou. Estima-se que o total de moedas digitais em circulação no país passe de R$ 1 bilhão. A “olho nu”, trata-se de uma fatia pequena do bolo global: mais de US$ 140 bilhões. No entanto, o Brasil já é o quarto maior mercado do mundo em volume negociado, segundo dados do Bitcoin Average. A FoxBit, a maior bolsa local, tem mais de 50 mil registros de investidores – em seu site, é possível acompanhar em tempo real o frenético ritmo de compra e venda de moedas, com a “identificação” dos negociantes.

As autoridades reguladoras têm monitorado as empresas de investimento, corretoras e consultorias que estão invadindo a internet com propostas de intermediação ou “aconselhamento” para aplicações em bitcoins e congêneres. A mais conhecida é a Empiricus, pertencente à norte-americana Agora. A empresa diz possuir, “entre outros conteúdos, um estudo sobre cripto-moedas em que apresenta aos seus assinantes o potencial e os riscos deste novo mercado”.

E os órgãos reguladores, perguntou o RR? A Empiricus garante “ainda não ter recebido qualquer consulta sobre o tema”. O bitcoin é apresentado como se fosse o mercado mais seguro do mundo, embora seja uma terra de ninguém. Volta e meia surgem casos de assaltantes dos ativos digitais. Um dos episódios mais famosos foi o roubo de 96 mil bitcoins, avaliadas em US$ 56 milhões, realizado por hackers no site Sheep Marketplace. Mais recentemente, uma casa de câmbio de Hong Kong, a Bitfinex, foi furtada em moedas digitais no valor equivalente a US$ 72 milhões.

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28.07.17
ED. 5671

Fado da despedida

O Banif já dispensou boa parte dos funcionários e vendeu seus imóveis no Brasil. Até o início de setembro, deverá encerrar suas operações no país, dentro do plano acordado com o Banco Central. No início do ano, o BTG chegou a negociar a compra das operações do banco português no Brasil, mas recuou. O Banif deixa o mercado brasileiro manchado pelos escândalos na matriz, que levaram à sua intervenção.

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06.07.17
ED. 5655

O sistema de bandas da gasolina

Um suelto para pensar sobre a nova política de preços da Petrobras, que lembra as bandas diagonais exógenas e endógenas adotadas pelo professor Francisco Lopes quando presidente do Banco Central. Como gasolina e derivados estão na matriz de preços de “decilhões” de setores da economia, o que farão eles? Vão ficar também subindo e descendo seus preços conforme o ioiô da Petrobras? Corrigirão diariamente os preços tal e qual estatal? Ou tascarão logo 10% de aumento para se proteger das mudanças de humor da petroleira? Quem acertar a resposta ganha um estágio na Ipiranga.

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29.06.17
ED. 5650

É muito cacique para pouca leniência

Uma das questões sensíveis da MP 784, o sigilo das informações nos acordos de leniência firmados com o Banco Central, ainda carece de regulamentação adicional. Existe uma bola dividida com o Ministério Público, que pode eventualmente estar investigando o mesmo caso. No convênio firmado entre ambos e a CVM, esse assunto ficou de ser mais bem detalhado. A princípio sigilo é sigilo. Contudo, quando se trata do MPF, todo cuidado é pouco, vide a notória prática de vazamentos seletivos.

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19.05.17
ED. 5622

Sob medida

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que vinha se caracterizando por aparecer suado, ofegante e amarfanhado, falou ontem com a imprensa na porta da autoridade monetária, em Brasília, com o terno impecável, descansado e o rosto fresquinho feito bumbum de bebê. A exposição pública de Ilan é contracíclica.

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02.03.17
ED. 5569

BNDES asperge tristeza sobre um governo carente de contentamento

Um relatório sobre a geração de boas notícias na área econômica, com base em anotações de clipping, foi enviado para poderosas salas da Esplanada dos Ministérios. A conclusão não insinua qualquer dúvida: as notícias que emanam do BNDES são espartanas, rigorosas, sob medida para nutricionistas adeptos da dieta da inanição. O banco se vestiu de cinza quando o Ministério da Fazenda, do Dr. Meirelles e o Banco Central, do Dr. Ilan, baluartes do mau humor monetário, se esforçam para espremer do limão da ortodoxia uma limonada de medidas microeconômica e abençoar as reduções da taxa básica de juros.

O BNDES dinamitou sua ponte com o empresariado, talvez o grupo que mais decididamente tenha apoiado o presidente Michel Temer. Com a sensibilidade à flor da pele, Maria Sílvia Bastos Marques fez, na terça-feira pré-carnavalesca, uma tour de force em Brasília, com uma providencial reunião com Temer seguida de entrevista pré-combinada para divulgar o que foi dito no encontro. Os dirigentes privados, não é de hoje, reclamam que o crédito se tornou mais seletivo, burocrático e com custos mais altos, justamente quando os potenciais investidores ardem sedentos de liquidez.

A direção do banco diz que está aberta a bons projetos, mas o empresário, elevadamente endividado, operando com capacidade ociosa, com os pátios cheios de estoques e ainda com uma ponta de dúvida sobre as reformas, se ressente dos maus tratos nesse momento de calvário. Um não leva projetos porque não se sente acolhido; o outro não empresta porque não recebe projetos. Há bons argumentos para ambos os lados. O BNDES, sem dúvida, teve de limpar a casa do tsunami da gestão anterior. No entanto, parece que se empenha em demasia na cruzada contra o crédito direcionado, que precisa ser reduzido, mas sem fúria religiosa.

Caso o seu mais longevo presidente, Marcos Vianna, estivesse vivo, desempataria a questão: “Se o BNDES estiver com o caixa cheio significa que não cumpriu sua missão. Se tiver lucro maior, tem que trocar a gestão”. Não falta quem reclame que o banco, em vez de caçar empreendedores de boa cepa, preferiu adotar o discurso da opção pelo saneamento, que não cria empregos no curto prazo, só atrai empresas periféricas – que não agregam valor frente ao eleitorado – e do mesmo modo que os governantes de entes federativos vai ter de justificar a venda de ativos em condições pouco transparentes.

Talvez mais recomendável fosse a agência de fomento sair garimpando projetos de engenharia básica para congregar os empresários reclusos em torno deles. O BNDES tem R$ 100 bilhões parados em caixa, e está lá aguardando, funéreo, que algum endinheirado com um “bom projeto” o convide para empinar a pipa. Gente que normalmente não precisaria do BNDES. Maria Silvia Bastos é uma pessoa solar. Por onde passa, deixa fileiras de sorrisos. Imagina-se que ela seja detentora de segredos, que o seu timing seja diferente, que dentro das paredes envidraçados da instituição ela esteja ultimando uma reviravolta para sacudir esse banco melancólico e fomentador do desânimo. Definitivamente, não combina ver Maria Silvia comandando o órgão mais triste do país.

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06.02.17
ED. 5554

A minirreforma nas mídias sociais

A reforma microeconômica ou “minirreforma monetária” que o BC está implantando, com medidas no compulsório bancário, crédito direcionado, mudanças nas regras dos cartões de crédito etc. vai chegar às novelas de TV. Até aí, morreu Neves, porque Ilan Goldfajn já anunciou, e a TV Globo agradece encarecida. Mas a agenda da “cidadania e educação financeira” será estendida também para as redes sociais. A compreensão no BC é que hoje as redes são o veículo que melhor atinge a população em uma campanha como a pretendida. Entretanto, há problemas de comunicação a serem enfrentados: como ensinar o cidadão a reduzir o spread bancário sem culpabilizar as instituições financeiras por se apoderarem deles? E pior: como se proteger dos hackers, que podem colocar como postagem do Banco Central recomendações capazes de levar o sistema, no limite do paroxismo, a uma crise bancária? Todo cuidado é pouco com essa mídia.

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03.02.17
ED. 5553

Meta de inflação é um rio que divide o BC

O Banco Central é um coração partido quando se trata da redução da meta de inflação. Dois diretores defendem radicalmente a manutenção da meta de 4,5% pelo menos durante os próximos três anos. Um deles, inclusive, é autor de paper acadêmico sobre o assunto em parceria com ilustre professor, na qual se posiciona abertamente pró manutenção da meta. Os demais se dividem entre os hawkish (os “falcões”, radicais da política monetária) e os dovish.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, tateia com cuidado a questão. É dele a opinião de maior peso na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) programada para junho deste ano, quando será decidido, entre outros temas, o inflation target para 2019 – ou 2018, se os “falcões” atraírem Ilan para o lado negro da força. Ilan é o divisor de águas do CMN. Primeiramente, porque o BC será o operador da meta; segundo, porque os demais membros do Conselho, os ministros Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, reconhecem que Ilan entende muito mais do assunto. Até por dever de ofício, quando a reunião se aproximar ele já terá estressado o tema com os técnicos do BC, no ambiente mais abalizado para discutir o inflation target.

O lobby que ganha corpo, como sempre, é o do mercado financeiro, o mais beneficiado com a redução da meta. Mas, mesmo os “piranhas” do mercado, como diz a professora Maria da Conceição Tavares, estão parcimoniosos em relação ao target. Pedem 3% para ganhar 3,5%, com a manutenção dos intervalos de segurança. O BC projeta uma taxa de inflação de 3,4% em 2018. Uma das ideias discutidas pela autoridade monetária é reduzir em meio ponto percentual a meta, com base nas projeções de junho para a taxa de dezembro de 2017.

Se o cálculo fosse feito neste mês, quando as projeções de inflação convergem para 4,4%, o novo target seria de 3,9%. A meta mais baixa traz um potencial efeito colateral: o BC, por cautela, tenderia a reduzir o ritmo de queda da taxa de juros. As instituições financeiras agradecem. Mas do que a economia precisa no momento é exatamente de queda dos juros. Além do mais, uma diminuição brusca da meta, para 3% em 2019, ou mesmo antecipada para 2018, por exemplo, deixaria sua sustentabilidade mais frágil, na medida em que qualquer imprevisto externo ou choque nas variáveis de preços jogaria a inflação para fora do centro, suscitando nova elevação dos juros. Há ainda a questão da dominância fiscal.

Seria recomendável concluir o ajuste para, aí sim, ancorar a expectativa inflacionária em outro patamar mais consistente. E como lidar com uma inflação mais baixa do que a meta? Afinal, meta é algo a ser superado. Os agentes econômicos teriam o intervalo mais baixo, com gosto de meta, traduzindo igualmente o sucesso da política monetária. E uma oscilação pequena em torno do target não chega a ser um desarranjo, nem desancora as expectativas. O mais provável é que Ilan tope um aumento suave da meta para 3,9%, mas só a partir de 2019, conforme o calendário original do CMN. E redirecione o BC para o foco na atividade econômica e, por conseguinte, para a redução do desemprego. O lado solar da força, onde o BC há muito tempo não se faz presente.

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03.01.17
ED. 5530

BB dança seu último tango no Banco Patagonia

O Banco do Brasil pretende vender integralmente a sua participação de 58% no bloco de controle do argentino Banco Patagonia. A direção do BB trabalha com dois modelos para a operação. O primeiro deles é uma oferta de ações na Bolsa de Buenos Aires em conjunto com os demais sócios relevantes, notadamente a família Stuart Milne, dona de aproximadamente 21% do capital.

A segunda possibilidade sobre a mesa é a venda direta da sua participação. Os espanhóis do Santander e BBVA, que têm uma expressiva presença no mercado bancário argentino, surgem como potenciais candidatos ao negócio. Procurado, o BB confirmou que, “em conjunto com alguns acionistas, avalia a possibilidade de, eventualmente, propor a realização de uma oferta pública de ações” do Banco Patagonia. Consultado sobre eventuais tratativas com o Santander e o BBVA, o banco não se pronunciou.

A venda da participação no Banco Patagonia está relacionada à necessidade do BB de melhorar os níveis de capitalização para atender às novas regras de Basileia 3. Seu índice de capital próprio é de 9,07%, segundo o balanço do terceiro trimestre. A partir de 2019, o Banco Central exigirá um patamar mínimo de 10,5%. Se não partir para a desmobilização de ativos, dificilmente o BB conseguirá atingir este piso sem um aporte do Tesouro, fato, inclusive, asseverado por recente avaliação da Fitch Ratings.

Tomando-se como base o atual valor de mercado da instituição, a participação total do Banco do Brasil equivale a algo em torno de R$ 3 bilhões. O Banco Patagonia tem o correspondente a R$ 13,2 bilhões em ativos e uma rentabilidade bastante expressiva. Os números de janeiro a setembro indicam um retorno anualizado sobre o patrimônio da ordem de 38%. Para efeito de comparação, o índice de rentabilidade do BB projetado para 2016 é de 15%.

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03.01.17
ED. 5530

Dono da Qualicorp esbanja saúde no réveillon

O sócio fundador da empresa de planos de saúde Qualicorp, José Seripieri Junior, comemorou a passagem do Ano Novo como se não houvesse outra. Júnior, como é mais conhecido, comandou uma queima de fogos na praia privê do condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, de nove minutos. Foi de tirar o fôlego!

Cada um dos condôminos locais entrou com um dízimo para fazer as festas nos céus de Angra. Entre os doadores estavam ainda o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni e o ex-presidente do Banco Safra Carlos Alberto “Bigode” Vieira. Junior foi o grande contribuidor da vaquinha fogueteira: pagou o sétuplo de cada um dos nobres vizinhos, fração correspondente às sete casas de sua propriedade no condomínio.

Todas estão à venda, pela bagatela de US$ 2 milhões, em média, cada uma. Junior deve ter rezado com fé à Iansã para que ela ajude a transformar logo seus imóveis em liquidez, proteja seu compadre Lula e espante esse encosto curitibano para bem longe. Eparrêi!

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30.12.16
ED. 5528

As variáveis que a econometria não pega

Os laboratórios de pesquisas dos grandes bancos de investimentos, independentes ou vinculados à área de research do Banco Central, em Brasília, e os nerds da academia deveriam empreender uma tour de force para testar modelos sobre as duas variáveis que podem jogar por terra a produção de cenários econômicos no Brasil. Uma delas é a crise política, um vetor nos dias de hoje completamente fora de controle. Não há econometria que consiga matematizar e capturar a dinâmica e os efeitos do Lava Jato.

Outra variável imprevisível é o impacto que as instituições “grandes demais para quebrar” – importantes empresas, estados, municípios etc. – podem ter na economia. Até há indicadores antecedentes da probabilidade de quebra, a exemplo do ocorrido com as unidades federativas, mas inexistem modelos econométricos que precisem o timing e seus efeitos macroeconômicos. O mais provável, como têm feito historicamente os economistas, é que o “too big to fail” seja sublimado dos cenários econômicos.

Haveria uma terceira variável permanentemente fora dos modelos: a hipótese do trabalhador não concordar, como um boi de orelha murcha, com certos experimentos macro e microeconômicos que lhe retiram a capacidade de pagar a escola do filho, quitar o aluguel e manter a alimentação da família. Os modelos não levam em consideração a indignação do povo.

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29.09.16
ED. 5465

Reservas cambiais ganham nova função

 O Banco Central e o BNDES estão acertando os ponteiros para utilizar parcela das reservas do país como hedge cambial. O mecanismo cambial seria restrito aos investimentos de capital estrangeiro, notadamente de infraestrutura. O governo destinaria US$ 100 bilhões para operações de hedge nos aportes de capital em projetos de economia física.  Essa medida é vista como a manifestação mais firme de estímulo aos investimentos externos em infraestrutura, ou seja, o Brasil pretende tomar riscos junto com o capital estrangeiro. A decisão também define uma antiga questão conceitual: as reservas cambiais – da ordem de US$ 376 bilhões, com um custo de financiamento elevadíssimo – devem ou não ter qualquer outra função? O hedge cambial para os investimentos estrangeiros em capital fixo é a resposta.

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30.08.16
ED. 5444

Informe

 O BC trabalha com um piso cambial informal de R$ 3,15. A partir daí, intervém.

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04.08.16
ED. 5426

Ilan Goldfajn tira uma onda com Meirelles

 Henrique Meirelles é o primeiro ministro da Fazenda em décadas a colocar o galho dentro diante do presidente do Banco Central. Ilan Goldfajn deixou claro, na ata da última reunião do Copom, que é ele quem manda na política monetária. Já na política fiscal? Grosso modo, o titular do BC disse que Meirelles fizesse o seu dever de casa, pois não se sentia confortável em sinalizar com a redução da taxa de juros enquanto medidas mais robustas não forem adotadas na direção do ajuste fiscal. Meirelles já esteve sentado na cadeira de Ilan e pertenceu à dinastia rara dos comandantes do BC que tiveram status de ministro. Ele sabe o que significa o recado de “segura que o filho é teu, que o meu filho está sob meus cuidados”.  Meirelles voltou ao governo para enfeixar toda a administração da política econômica. Agora mesmo pediu para que a Secretaria do Orçamento seja transferida para sua alçada. Colocou debaixo da asa, inclusive, a gestão da Previdência Social. Quando achava que iria fazer barba, cabelo e bigode na área sob seu domínio, defrontou-se com a dura realidade: promessas poderia fazer as pencas, mas a aprovação que são elas. A PEC do Teto, tirada da cartola como solução universal, já está prevista para o primeiro trimestre de 2017, podendo ser votada apenas no segundo trimestre. A reforma da previdência é uma incógnita, até para o próprio governo. As concessões e privatizações carecem de resposta às perguntas iniciais do jornalista iniciante: O que? Onde? Quando? Como? Por que? A repatriação deve dar um caraminguá, devido a intransigências em não fazer mudanças no texto legislativo e uma comunicação inspirada nos tempos de Dilma Rousseff.  Ilan Goldfajn é um sujeito dócil. Meirelles, não. De repente pode estar enxergando que o presidente do BC é a âncora, sentado em juros absolutamente absurdos, que são vendidos como mercadoria de combate à inflação. O mercado aplaude a coerência. A outra face dos juros siderais é a insolvência do país, devido ao inchaço da dívida bruta interna que cresce na velocidade da luz – aliás, na velocidade dos juros. Para Ilan, fica fácil dizer que a insolvência à brasileira não se deve à Selic, mas, sim, aos déficits primários monumentais sob gestão da Fazenda. Meirelles diria o mesmo. Os juros não seriam causa, mas consequência. Aliás, alguém explique, neste caso, o que é causa e o que é consequência.  Dizem as najas do Planalto que a estranha intervenção do presidente interino, Michel Temer, na política do BC, afirmando que iria defender a queda dos juros, foi feita frente ao rosto escanhoado de Meirelles. Em condições de clima e temperatura diferente, o ministro da Fazenda corre o risco de encarnar um Guido Mantega soft em sua relação com Alexandre Tombini. A comparação é maldosa, pois tanto Meirelles quanto Ilan pensam muito diferente. Mas, na selva da política econômica, só há lugar para vitorioso.

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20.07.16
ED. 5415

Jurisprudência no mercador de prebendas públicas

 Enigma do mercador de prebendas públicas: se os juízes, desembargadores e ministros podem receber uma graninha para darem suas palestras sem revelar o valor, porque o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central não podem também? Há quem diga que o Judiciário está criando uma espécie de inimputabilidade branca. Segundo o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, grande patrono da medida, a divulgação de valores coloca em risco a segurança dos magistrados. Ou seja: seguindo a lógica quantitativa, quanto maior o estipêndio, maior o cuidado com a revelação das cifras. Na visão da sociedade, essa opacidade deliberada pode acabar sendo considerada um “caixa 4”.

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15.06.16
ED. 5390

Goldfajn dá de ombros à dominância da meta

 Se o presidente do BC, Ilan Goldfajn, inverter o sinal e topar uma meta ajustada da inflação, estará andando meio que de costas para os defensores do estado de dominância fiscal que assola a economia. E olha que é gente íntima, da sua turma. Reza o credo da dominância que a partir de certo ponto é o desajuste fiscal, com seu impacto sobre a perspectiva de solvência, quem rege as expectativas. Nessa fase, elevar as taxas de juros acaba tendo um efeito contrário do ponto de vista da política monetária, colocando mais lenha na fogueira da expectativa inflacionária. Recomenda a bula que, nesse cenário, a meta deve ser mantida ou reduzida e não ajustada para cima ou tendo o seu horizonte de tempo ampliado. O ajuste fiscal severo seria o condutor das expectativas. Os juros, inclusive, poderiam ter uma queda mais acentuada.  Ilan Goldfajn parece achar o contrário: afrouxar a meta a tornaria crível e, assim, o BC poderia aliviar nos juros, mesmo que o aperto fiscal não seja essa Coca-Cola toda. O que torna a medida mais discutível, a despeito das considerações macroeconômicas, é o dilema de Tostines criado a partir da sua aplicação: a meta não é crível porque o presidente do BC não é crível ou ela não é crível em qualquer hipótese e o presidente do BC é crível porque vai mudá-la? Se a meta é inatingível, o ex-presidente do BC Alexandre Tombini vai para o index prohibitorum das autoridades monetárias. Ilan e Armínio Fraga têm uma antiga parceria idílica com a proposta de ajuste da meta. Mas a Casa das Garças está dividida.

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10.06.16
ED. 5387

Pneumotórax

 Chamou a atenção dos presentes à posse de Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central a respiração do economista. Ilan arfava. “Parece o Darth Vader”, comentou um financista.

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11.05.16
ED. 5366

O shampoo do Tartufo e a espuma do fiscal

 O anunciado corte de 10 ministérios no governo Michel Temer é uma “moreirice”, substantivo derivado do verbo “moreirar”. Trata-se de medida cosmética, aventada diversas vezes por Dilma Rousseff – em todas elas, a proposta foi crucificada como uma enganação. A eminência parda Wellington Moreira Franco, a quem é atribuída a feitura do hipermercado de medidas “Uma ponte para o futuro”, teria sido o mentor da estratégia de que “sendo pouco, melhor ser muito”. É uma adequação à política da prática useira e vezeira adotada por muitos pais no Natal: na falta de maiores recursos para um presente de arromba, compensa-se os filhos com um monte de bugigangas. Os ministérios de Temer já subiram, já desceram, já subiram, já desceram e pode ser que subam novamente. Tanto faz, porque o impacto no gasto público é perfunctório. Mas, pela ótica do pensamento “moreirista”, conta como uma quinquilharia a mais.  O governo Temer não vai apresentar muito mais do que aquilo formulado por Dilma – limite para gastos públicos, reforma previdenciária por idade, revisão tributária (projeto Joaquim Levy). “Uma ponte para o futuro”, elaborado como um programa para um longínquo porvir, vai se tornar uma gambiarra para o presente. Então, é preciso juntar caquinhos para que, na entrada de Temer, esse amontoado pareça um projeto épico de governo. Tudo que  parada, o RR volta atrás em tudo o que disse e ajoelha em altar para o culto do inconcluso e incumprível “Uma ponte para o futuro”. Por enquanto, Moreira vai “moreirando”. Algumas incorporações óbvias de ministérios aqui e ali, tais como Desenvolvimento Agrário e Desenvolvimento Social, para lidar com “assuntos de esquerda”, e Igualdade Racial, Direitos Humanos, Mulher e Justiça, questões que acabam desaguando no mesmo tribunal. Trocar o nome “concessão” para “privatização”, com a desmobilização efetiva de alguns ativos e entrega permanente da propriedade para os concessionários, é uma medida que não engana nem os tucanos, para quem aparentemente ela foi bolada. E retirar o status de ministro do presidente do BC é um kryptomaquiavelismo. Ah, faltou a criação de uma pasta de Moreira para Moreira, o estratego. Repita-se, portanto, o mantra: enquanto o ajuste fiscal não for ungido pela água benta do voto, ele será insuficiente. No máximo, será uma “moreirada”.

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05.05.16
ED. 5362

Fora de hora

 Primeira bobagem do autodeclarado presidente Michel Temer: anunciar que trocará os presidentes do BC, do BB e da Petrobras, “um daqui a um mês, outro um pouquinho mais”. Com a declaração, ele desautoriza os atuais executivos e deixa a gestão meio acéfala. E fica sempre a dúvida se um mês pode virar dois meses, e um pouquinho mais um tempinho.

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18.03.16
ED. 5330

Tombini

 Na última quarta-feira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, garantiu a sua diretoria que se houvesse uma decisão de venda das reservas cambiais abandonaria o cargo. Mas não precisou nem se mexer na cadeira. No mesmo dia, Dilma Rousseff assegurou que as reservas não seriam usadas e confirmou que Tombini permaneceria no posto.

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17.02.16
ED. 5308

Zelotes trisca nos calcanhares de André Esteves

  O banqueiro André Esteves corre o risco de sentir saudades da Lava Jato. No lugar desta primeira experiência supostamente criminal da sua vida, entraria a Operação Zelotes, com muito mais nitroglicerina do que a antecedente, responsável pela temporada de Esteves no cárcere. A fonte do RR é um lobista que tem colaborado com a Zelotes. Segundo o informante, o balcão de interesses do ex-dono do BTG seria amplo. Nele caberiam medidas provisórias sob encomenda, incluindo setores diversos além da área bancária, facilidades para a compra do Bamerindus e um balaio de créditos podres carregados pelo Banco Central. Os procedimentos incestuosos incluiriam até o Banco Pan, uma aquisição que não se revelou um bom negócio, mas vinha indexada a um pacote de futuras oportunidades. Esteves era somente a ponta financeira dessa ramificação da Zelotes. A carta que fechava a canastra na partida seria o ex-ministro Guido Mantega, principal interlocutor, confidente e, digamos assim, facilitador do ex-todo-poderoso banqueiro.  Não é de hoje que Mantega vem sendo cozido em banho-maria pelos procuradores e policiais. Ele tem ligações com vários casos, ainda em fase de investigação. Mas, quando se fala em André Esteves, dificilmente as linhas de um e de outro deixam de estar embaraçadas. Uma dessas simbióticas operações é um fundo aparentemente prosaico criado pelo Ministério da Fazenda para investimento nos países da África, cuja exigência para sua criação era a presença do BTG como gestor. O caso está sob investigação.  Em um tempo de impunidade, no qual o limite da separação entre os interesses do setor público e do privado era extremamente flexível, as relações entre Esteves e Mantega até podiam ser compreendidas como uma assessoria informal visando à colaboração com o Estado. Sob esse prisma não haveria nada de mais na frequência exagerada de encontros entre ambos, inicialmente, em restaurantes discretos, mas depois abertamente, inclusive no badalado Fasano. Ocorre que essa licorosa versão não era verdadeira. Esteves não era um generoso assessor de Mantega. E Mantega não estava somente em busca de bons conselhos. O sumo dos interesses entre ambos é o que a Operação Zelotes está tentando espremer com suas averiguações.

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22.01.16
ED. 5293

O dia em que o Banco Central virou Geni

 O Banco Central só é autônomo quando joga a taxa de juros para cima ou faz o que o mercado quer. O comentário de véspera de Alexandre Tombini sobre as projeções do FMI foi tido como heresia. Ele sinalizou a manutenção das taxas, atirando uma boia salva vidas para que todos se socorressem. Talvez fosse melhor que a autoridade monetária fizesse como em muitas outras gestões e apostasse contra o mercado. Mesmo salvando a pele dos rentistas, levou pedrada. O BC foi também chamado de ginasiano e mentecapto. Ora, não é o departamento econômico do Banco Central que é incompetente porque não acompanhou as projeções do FMI. O Fundo, como se sabe, já errou previsões a dar com pau, e até pode fracassar nessas também. Mas o fato gerador de expectativas – números muito ruins e, afinal, o FMI tem lá sua importância para os formadores de preço – forçou o BC a se expor antes do Copom. Foi essa partitura de desarranjo econômico que levou a instituição a alterar os sinais anteriores dados através do seu relatório de inflação e da carta ao ministro da Fazenda.  Mau que o comunicado tenha sido um dia antes da reunião do anúncio da decisão do Copom. Mas não tinha jeito: foi nessa data que o Fundo divulgou seu relatório, e é nessa data que o comentário teria de ser feito. Noves fora o FMI, o BC considerou que elevar a taxa de juros nesse ambiente recessivo seria uma roleta russa. Com a política fiscal ainda frouxa, câmbio em alta e o componente inercial que segura a queda da inflação, a autoridade monetária corria o seguinte risco: jogar os juros em 14,75% e o PIB cair 3,8% neste ano; depois, na reunião do Copom, em março, subir para 15,25%, e o PIB cair mais de 4%. E neca da inflação descer. Ocorre que a Selic atual, mesmo mantida, ainda aprofundará a recessão. Portanto, há uma enorme probabilidade de os preços se retraírem com esses juros que estão aí, ou – por que não? – ainda menores. A banda de música do Focus sabe disso. Só fez chororô porque foi contrariada. E a pedra já tinha sido cantada pelo RR, nas edições de 5 e 12 de janeiro. Não custa lembrar que, no dia 6 de janeiro, o jornal Valor Econômico, porta voz qualificado do “mercado”, publicou em larga manchete de primeira página que o BC poderia dar um cavalo de pau nos juros, aumentando a Selic em somente 0,25 ponto percentual ou estacionando a taxa. A inflação, como diria Friedman, é, sem dúvida, um problema monetário. Mas os juros são que nem a saúva: destroem tudo. O BC agiu de forma gradualista e oportuna. Ponto para Tombini.  Obs: O RR acha o cúmulo do provincianismo uns homens adultos, de barba e terno e gravata, se referindo às decisões do BC como Hawkish ou Dovish, como se estivessem brincando de Wall Street.

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12.01.16
ED. 5285

Libações monetárias e obsessões perigosas

 Em um ambiente de desequilíbrio político-institucional, a autonomia preconizada para o Banco Central e o próprio regime de “expectativas racionais” – principal sustentação do inflation target – ficam parecendo a quadratura do círculo. Ao que consta, o BC “bravateiro” e dogmático funciona bem em situações de ditadura e ciclos de boom das commodities. Recomenda a sabedoria que a comunicação da autoridade econômica deve considerar que o racional precisa ser crível. A política monetária que vem sendo praticada pelo BC é o que se poderia chamar de contrafactual. Para maior efeito do discurso, seria necessário compatibilizar a história virtual com os fatos presentes. Não se trata de julgar se a autonomia do guardião da moeda é boa ou má, mas se ela é possível nas condições atuais. Ninguém defende um BC desautorizado pelo ministro da Fazenda ou pelo próprio presidente da República, mas, sim, em harmonia com as linhas gerais das políticas de governo e sintonizado com a realidade psicossocial do país.  O Federal Reserve, referência permanente do nosso complexo de vira lata, considera o emprego uma variável a ser buscada pari passu com a queda da inflação. É bem verdade que a estrutura de controle monetário dos norteamericanos é completamente diferente: existem os FEDs regionais, privados e controlados por banqueiros. Mas, no final, embrulhados os secos e molhados, tudo se reflete no nível da taxa de juros. Há vasta literatura sobre o poder de fogo dos juros elevados no combate à carestia. Genocídio, epidemias, recessões brutais e arrocho salarial também reduzem a inflação.  Exageros à parte, é sobejamente conhecida na academia a tese de que há momentos em que a teoria monetária é dominada por determinado quadro sistêmico. Um dos mais festejados artigos do papa das expectativas racionais Thomas Sargent, a “Aritmética perversa da política monetária”, teoriza sobre situações extremas, em que a política monetária se torna inócua, quando os juros acabam pressionando ou a base monetária ou o déficit fiscal. Nesse contexto, os relatórios criptografados do Copom ou mesmo o truísmo de que o BC tem sob seu controle a taxa de juros e fará o que for possível para trazer a inflação para a meta padecem de um certo autismo, na medida em que o cenário político-institucional e o ambiente social são os verdadeiros agentes das expectativas racionais. Imaginar que o BC fará o que diz a ferro e fogo, pelo menos neste momento, é semelhante a apostar no poder da Igreja de determinar o credo de toda a sociedade. É plausível que a inflação de 10,6% caia sem pirotecnias com a Selic, devido aos efeitos dolorosos da recessão e à queda do salário real. É desejável que a histeria com o repique inflacionário até certo ponto esperado – alinhamento dos preços administrados, indexação, câmbio, inércia etc – não seja aplacada com tautologias e nem combatida com a borduna da taxa de juros. É apetecível pensar que os juros serão mantidos ou mesmo reduzidos na reunião do Copom da próxima semana. É provável que o BC explique com os contorcionismos técnicos de praxe a mudança de rota. Já estaria de bom tamanho.

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16.12.15
ED. 5270

Diogo Mainardi

 Ricardo Amorim, conhecido por sua participação no programa Manhattan Connection, levou às raias da indignação a comunidade de economistas da PUC-RJ. Colocou no mesmo balaio o ex-presidente do BC Chico Lopes e o bandido Francisco Lopes, o “Nem” da Rocinha. Amorim espezinha covardemente as vozes discordantes, protegido por sua bancada televisiva. Qualquer dia, alguém muda o canal.   Em tempo: se o puquiano Gustavo Franco soubesse da maledicência antes de publicar “Antologia da Maldade”, repleto de citações do ramo, talvez arrumasse um pé de página para Amorim.

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12.11.15
ED. 5246

Novo BC

 Em meio à febre em torno da possível nomeação de Henrique Meirelles para a Fazenda, já estão sendo feitas as apostas sobre quem vai ocupar a presidência do Banco Central, no lugar de Alexandre Tombini. O economista Eduardo Loyo, atualmente no BTG, está na pole position. Loyo ocupou a diretoria de estudos especiais do BC e sempre foi tido como os quindins de Meirelles. Para todos os efeitos, Tombini tem dito aos stakeholders que pretende se aposentar.

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11.11.15
ED. 5245

Nelson Barbosa é o ministro da dissimulação

 O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, desde sempre considera que o timing do ajuste econômico é devagar, é devagar, devagarinho, como na canção do sambista lusófono Martinho da Vila. Quando do ingresso retumbante de Joaquim Levy na Fazenda, Barbosa conspirou com Lula sobre o desgaste desnecessário de tentar fazer a toque de caixa um superávit primário de quase 2% em 2015. Não havia condições políticas nem econômicas, pois a crise internacional permanecia freando o país, o “petrolão” bombando e a arrecadação já tinha embicado para baixo. Levy, com o aplauso das primeiras horas, insistiu na tese do ajuste rápido para comemorar uma recuperação da economia igualmente rápida. Foi perdendo em todas as rodadas. Barbosa ganhou na redução do primário. Depois, venceu com a controversa cláusula de abatimento, com previsão de déficit primário. O ministro do Planejamento tem trabalhado incessantemente pela criação das bandas fiscais, o que mudaria todo o balizamento do programa de estabilização de Levy.  O fato é que Barbosa acredita piamente em uma das máximas de Mario Henrique Simonsen: não se formam expectativas racionais se as premissas, racionais ou não, carecem de credibilidade. O ajuste lento, com metas razoáveis, machuca menos e é mais crível. É nesse contexto que o ministro tem comemorado intramuros o Nelson Barbosa é o ministro da dissimulação documento/programa do PMDB, “Uma Ponte para o futuro”. O arrazoado de ideias detona com a CLT, artigos da Constituição, a garantia de que as verbas da educação e saúde não ficarão à mercê de um Eduardo Cunha da vida, a relativa independência do BC, torna o superávit fiscal permanente, desindexa o salário mínimo e deixa as políticas sociais na corda bamba ao invés de institucionalizá-las.  Barbosa acha que os mandamentos do PMDB terão o efeito de reforçar a condenação de outros ajustes épicos. Não há PMDB que aprove um moinho de insatisfações desse. E o regra-três oficial Henrique Meirelles assopra na mesma direção árida, regida pela vontade dos ativos, não obstante o marketing de que trará o maná para o povo e os estados através de crédito popular e empréstimos externos. Aos poucos, segundo Barbosa, o mercado perceberá que a marolinha vai sacudindo lentamente o mar. E o câmbio, os juros e até um pouquinho de inflação vão promovendo algum ajuste. Neste cenário, os mais descrentes vão enxergar somente um deserto na economia, sem ver que a água já estará no tornozelo da população. Nelson Barbosa quer ser ministro da Fazenda deste país devagar, devagar, devagarinho. Obs: Barbosa tem convidado, com a maior discrição, economistas próximos a ele para conversar com Dilma Rousseff.

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 São cada vez maiores as chances de que o Credit Suisse assuma a gestão dos ativos do Banco Santos. O Centrus, um dos principais credores da antiga casa bancária de Edemar Cid Ferreira, já sinalizou ser favorável à proposta apresentada pelos suíços em julho. A posição do fundo de pensão do BC , inclusive, causou estremecimento nas relações com outros dois credores do Banco Santos, o Real Grandeza e o Postalis, ambos contrários à proposta do Credit Suisse. Desde a liquidação, os três fundos de pensão sempre votaram juntos. Pelo jeito, o pacto informal acabou

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22.10.15
ED. 5232

Moreira Salles é o fiel da balança da Parnaíba Gás Natural

  O presidente do Conselho de Administração do Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles, utiliza hoje as instalações do banco mais para tratar dos seus negócios pessoais do que para qualquer outra coisa. Com a discrição que lhe é peculiar, o banqueiro está debruçado sobre uma articulação para a saída da Eneva da Parnaíba Gás Natural , empresa que controla por meio da Cambuhy Investimentos. A operação permitiria a chegada da franco-belga Engie, antiga GDF Suez. A própria Cambuhy abriria mão de parte de suas ações, passando a dividir o controle da Parnaíba com a Engie.  O ímpeto de Moreira Salles em desalojar a Eneva é proporcional à inapetência dos alemães, leia-se o Grupo E.On, em aportar novos recursos no negócio. A chegada da Engie traz a reboque a promessa de uma substancial capitalização da companhia. A injeção financeira é fundamental para a Parnaí- ba cumprir seu programa de investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão. A maior parte desta cifra se refere à exploração dos blocos na Bacia do Parnaíba, considerado o eldorado do gás natural. Moreira Salles quer reduzir a exposição da Cambuhy a um negócio de alto risco. Seus sócios na companhia de investimentos criada em 2011, com capital de US$ 1 bilhão – entre eles o ex-BC Pedro Bodin – agradecem.

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19.10.15
ED. 5229

Porta de saída

  O fechamento às pressas do Royal Bank of Canada em 2013 ainda causa burburinhos no BC. Os correntistas tiveram apenas um dia para encerrar as contas. O caso está servindo de base para mudanças em normas que tratam do encerramento de operações de bancos no país.

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14.10.15
ED. 5226

O terrorismo da dominância fiscal

Os tucanos vão dizer que é mais uma fantasia conspiratória, no entanto a teoria da dominância fiscal é em tudo parecida com as macarronadas acadêmicas grudentas que a Casa das Garças lança no ventilador. A grosso modo, a dominância fiscal se caracteriza por uma circunstância em que a fragilidade da política fiscal e o crescimento acentuado da dívida pública fazem os agentes econômicos preverem que o Banco Central chegou ao seu limite para promover uma política monetária ativa. Nesse momento, o mercado anteciparia a inflação a cada rodada de aumento de juros. Se o BC continuar o receituário clássico de subir os juros, teríamos a hiperinflação. Não há concordância em relação à tese de que o Brasil está dominado nem na PUC-RJ, bunker dos economistas emplumados.O Banco Central e a Fazenda, mesmo reconhecendo o astucioso pensamento dos defensores da dominância, discordam que a situação tenha chegado a esse ponto. Aliás, a sacada maior é ter feito desse espaguete teórico uma nova forma para excitar as expectativas do mercado. A técnica dos tucanos é jogar a pensata enlouquecidamente na mídia e, a partir daí, encurralar o governo, obrigando-o a responder overnight se estamos ou não em dominância fiscal. Diria o coro dos ingênuos: “Ó, descrente newsletter, não estariam os melhores entre os melhores da oposição querendo ajudar o ministro Joaquim Levy, descortinando a dramaticidade da situação e facilitando a aprovação das duras medidas do ajuste? Não estariam abrindo os olhos do presidente Alexandre Tombini sobre o limite do regime de metas e a urgência de bandas cambiais?” Se houvesse qualquer interesse cooperativo, ele se daria em outros foros, nos quais a oposição exerce seu papel de retaliar, dificultar e buscar o impedimento do governo. A maior disseminação da dominância provém da incansável economista Monica De Bolle, um híbrido de pavão com garça,cercada de nuvens de mídia por todos os lados. Monica tem o luxuoso auxílio intelectual de Gustavo Franco, o economista tucano mais bem aquinhoado encefalicamente. Até prova em contrário, não está nada dominado. Os economistas da oposição ignoram as reservas cambiais, acham um ajuste patrimonial desimportante e o superávit primário impossível ainda por um longo tempo. A dominância fiscal está mais para conversa fiada, com objetivo claro de desestabilizar a política econômica, fazendo terrorismo com a hiperinflação

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02.10.15
ED. 5219

Sapatos novos na chuva

Há algo errado em um país onde os “especialistas” e o próprio presidente do Banco Central insistem que o outro lado da moeda dos gastos estratosféricos dos swaps é a valorização das reservas cambiais. Ora, o swap impacta como um morteiro fiscal a dívida bruta. E a rentabilidade das reservas atinge a dívida líquida. É como se um sapato novo fosse posto a andar na chuva. Ao sair dela, estaria todo enlameado, sujo, molhado. Moral da historia: aquele sapato todo arrasado é a dívida bruta. Outro sapato, o novinho em folha, é a dívida líquida. Só que esse conceito não é usado. Trata-se tão somente de uma “pedalada” métrica fiscal.

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22.09.15
ED. 5211

Uma ficção na fronteira de uma realidade repetida

Era noite aberta quando o engenheiro Henrique Meirelles adentrou no seu closet. A sua frente dezenas de ternos de fino corte luzidios, praticamente todos da cor cinza-chumbo, sua marca registrada. Queria escolher com calma qual deles iria vestir em sua posse. Em meio ao passar de vista, deparou-se com o costume que usou ao entrar pela primeira vez no Banco Central como presidente da instituição. Alisou a manga do paletó repleto de pensamentos. O desafio agora seria bem maior. Meirelles assumiria o Ministério da Fazenda com a responsabilidade de ancorar as expectativas de toda a nação. Tinha a palavra da presidente Dilma Rousseff de que receberia carta-branca para tomar as decisões necessárias ao ajuste. A fricção mais grave entre ambos, ocorrida no fim do governo Lula em função de um telefonema não respondido, tinha sido superada pela gravidade das circunstâncias. Meirelles gesticulou como se estivesse com uma batuta entre os dedos, regendo uma orquestra. Parte do receituário já tinha sido proposta por seu antecessor, Joaquim Levy. Outra parcela encontrava-se nos escaninhos da Fazenda pronta para ser implementada. Levy havia cumprido a tarefa de elaborar e anunciar as medidas mais desgastantes e vê-las serem torpedeadas pelos grupos de interesse e pelo Congresso Nacional. Em nove meses, tornara-se titular da “Pasta do Sacrifício”. Renunciara ao Ministério por vontade própria. Tinha chegado ao seu limite. O ex-presidente do BC se tornaria ministro com o waver das metas descumpridas em 2015. Isso também ficaria na conta de Levy. A extensão da crise econômica chegara a um ponto em que medidas antes politicamente inviáveis passaram a ser palatáveis. Todas as reformas – da Previdência, tributária, administrativa – ingressaram na agenda da estabilização. Meirelles lembrou-se da voz roufenha do padrinho. Lula tinha indicado alguns atalhos, tais como os impostos sobre heranças e doações e sobre fortunas. O futuro ministro sorriu com a ideia de que um banqueiro anunciaria medidas para taxar os ricos. Dos pobres, Levy e Alexandre Tombini já tinham se encarregado. Quanto às futuras decisões para o aumento da austeridade, que deixassem com ele. A crise engendraria uma maior tolerância dos empresários e dos políticos com Meirelles. E a mídia? Como se sabe, ele tiraria de letra. O novo ministro da Fazenda antecipava em suas elucubrações o roteiro da mudança de expectativas. Após cumprir a liturgia da posse no novo cargo e desfilar com sua voz de barítono velhas medidas como se fossem novas, Meirelles partiria para Nova York. Na Meca dos banqueiros, reuniria financistas de todas as estirpes para ser celebrado como filho pródigo e arauto da mudança. Sorriu ainda mais largo ao imaginar as manchetes do Wall Street Journal, The Economist, Financial Times, entre outros, saudando sua nomeação. Pelo menos naquele salão do Plaza Hotel o Brasil já tinha recuperado seu investment grade.

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16.09.15
ED. 5207

Ladeira acima

O Banco Central vai anunciar no fim deste mês um déficit nominal para os últimos 12 meses de 9,45% do PIB. O número está praticamente cravado. Se mudar algo, é por centésimos.

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09.09.15
ED. 5202

Serpros é um processador de prejuízos

O buraco nas contas do Serpros é muito mais embaixo. A dois meses do fim da intervenção de 180 dias decretada em maio deste ano, a direção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) já discute a possibilidade de prorrogação do regime especial. A situação no fundo de pensão dos funcionários do Serviço Federal de Processamento de Dados seria mais delicada do que supunha o próprio órgão regulador. Segundo o RR apurou, o interventor Walter de Carvalho Parente teria encontrado mais ossadas na contabilidade da fundação, incluindo novos prejuízos decorrentes de aplicações no Banco BVA, liquidado pelo BC. Apenas neste caso, as perdas, inicialmente estimadas em R$ 130 milhões, chegariam à casa dos R$ 200 milhões, ou 5% do patrimônio total do Serpros, em torno de R$ 4 bilhões. Onde tem denúncia, suspeita de irregularidade e escândalo, o Serpros está por perto. A entidade é citada na Lava Jato como um dos fundos de pensão que teria sido usado por Alberto Youssef para movimentar recursos desviados da Petrobras. O Serpros também é investigado no âmbito da CPI dos Fundos de Pensão. Os parlamentares já requisitaram à fundação todas as suas apresentações contábeis e demonstrativos de investimento referentes ao período entre 2003 e 2015. A CPI pretende ouvir também uma boa parte dos 17 ex-dirigentes e conselheiros do fundo que tiveram seus bens pessoais bloqueados por determinação da própria Previc. * Procurada, a Previc não nos retornou.

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O próximo alvo a ser desconstruído no governo Dilma Rousseff é o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Vão tentar tirá-lo do cargo de qualquer maneira. Mas quem quer afastar Tombini da autoridade monetária? A maior central de boatos do país opera ao lado da própria presidente. Tem nome, sobrenome e bigode.

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04.08.14
ED. 4927

Abu Dhabi

 O National Bank of Abu Dhabi (NBAD), que acaba de receber o imprimatur do Banco Central, tem como meta movimentar cerca de US$ 1,5 bilhão em seu primeiro ano de operação no Brasil. A maior parte desta cifra se refere a financiamentos para empresas de comércio exterior.

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06.01.14
ED. 4810

Centrus

 O Centrus, o discretíssimo fundo de pensão do BC, deverá investir algumas fichas no setor hoteleiro. Estuda, inclusive, se associar a  Accor na construção de um resort no Nordeste. Procurados, Centrus e Accor negaram a operação.

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