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17.09.19

BC mira juros reais de 1% no fim deste ano

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que tem início hoje, promete surpresa. Segundo o informante do RR, ao contrário da aposta do mercado, que está lacrando uma redução de 0,5 ponto percentual para a taxa Selic, o Banco Central baixaria os juros em 0,75 ponto. A medida seria tomada apesar das incertezas globais causadas pelo ataque a instalações de processamento de petróleo da Aramco na Arábia Saudita. Dessa forma, o BC reduziria a pressão sobre reuniões futuras do Comitê, antecipando, desde já, um corte maior da taxa.

A meta seria levar a taxa de juros real a 1% nos encontros de outubro e dezembro. Trata-se de um feito em termos de política monetária, mesmo levando-se em consideração que a conjuntura deixa poucas alternativas a não ser acelerar a queda do juro real. O aumento da aversão ao risco decorrente das rusgas entre Estados Unidos e China, a decisão do BCE de aprofundar a política de estímulo monetário, a situação dramática da Argentina, a resiliência das projeções do PIB em baixa e o efeito antecipado da disputa pela presidência em 2022 contrário a uma postura “hawkish” são algumas das peças do tabuleiro da política monetária. Existe no mercado, inclusive, quem acredite em uma taxa real de zero no início do ano que vem, medida draconiana que tanto pode ser compreendida com o propósito de estímulo monetário, como o de antever uma crise de grande proporção.

Neste ano, a meta de inflação é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%. Em julho, a Selic caiu para o patamar de 6%, o mais baixo da sua história. Até o final do ano, os juros desceriam em 1,25 ponto, com a Selic chegando a 4,75%, o que corresponderia a uma taxa real de 1,2%, no fim deste ano, e de 0,93%, no término de 2020, confirmadas as previsões do Copom para um IPCA, respectivamente, de 3,54% e 3,82%. Se for confirmada a aterrisagem bem mais suave do BC, duas boas notícias podem ser dadas simultaneamente. A primeira seria o fim da era do “ilanismo” – neologismo alusivo ao ex-presidente do BC Ilan Goldfajn, que define uma política monetária com atraso para redução das taxas de juros. Ao mesmo tempo, o mago da ortodoxia, Paulo Guedes, que paira como um espectro sobre todas as áreas da política econômica, ressurgiria como a versão “dovish” da Escola de Chicago, ceifando os juros, por trás do biombo do BC autônomo.

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