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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, estuda a criação de uma cota mínima para a venda de carne bovina no front doméstico, que teria de ser cumprida pelos pecuaristas. Trata-se de uma medida polêmica, devido ao seu caráter intervencionista. Mas, seria uma trava de segurança. No ano passado, as exportações de carne subiram quase 20%, puxadas principalmente pela demanda chinesa. Resultado: redução da oferta interna e aumentos de preços de até 30%.

O Ministério da Agricultura cogita a retomada dos estoques oficiais de grãos, política abandonada pelo governo Bolsonaro. A proposta sobre a mesa passa pela concessão de subsídios a agricultores que venderem uma parcela da sua produção para o Ministério. Os estoques passariam a ter um papel importante para regular os preços dos produtos agrícolas, amortecendo, por exemplo, o impacto de variáveis climáticas. É o que está acontecendo com o milho. Os preços ao consumidor subiram quase 50% ao longo de 2020 por conta da forte estiagem na Região Sul, que provocou a quebra de aproximadamente 20% da safra.

Em tempo: a ministra Tereza Cristina tenta arrancar do Ministério da Economia crédito suplementar para repassar aos produtores de milho do sul do país, atingidos pelas secas. Tarefa difícil. A equipe econômica entende que já irrigou suficientemente o agronegócio com a prorrogação do pagamento das operações de crédito rural de custeio.

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01.12.20

Recuperação judicial

A bancada ruralista trabalha na criação de uma lei específica para recuperações judiciais no agronegócio. Na falta de uma legislação própria, multiplicam-se as denúncias de que produtores rurais pessoas físicas estão usando de empresas fantasmas para entrar em recuperação judicial.

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02.10.20

Governo Bolsonaro engasga com as tarifas do arroz

No que seria uma súbita confissão de fracasso, o governo já cogita dar meia volta, volver e suspender a isenção temporária das tarifas para a importação de arroz – a princípio idealizada para durar até dezembro. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a medida foi um tiro no pé. Gerou forte insatisfação dos produtores nacionais, colocou a bancada ruralista na contramão do governo e tudo isso sem entregar o principal: frear a alta dos preços do cereal no mercado interno.

As razões fogem ao controle dos tecnocratas de Brasília. Os estoques mundiais de arroz estão baixos. Até o momento as cargas importadas, notadamente dos Estados Unidos, Guiana e Índia foram pequenas e não tiveram impacto no mercado brasileiro. A solução natural seria buscar arroz no mercado asiático – maior produtor global.

No entanto, a grande parcela da safra local está sendo literalmente devorada pela China, que, de janeiro a agosto, aumentou as compras da commodity em 60% na comparação com igual período em 2019. Em tempo: se os preços do arroz não subiram ainda mais, o consumidor pode agradecer principalmente ao contrabando vindo da Argentina, Uruguai e Paraguai. No próprio Ministério da Agricultura esse comércio paralelo já ganhou o apelido de “passeio noturno”. Normalmente, a mercadoria entra no país durante a madrugada, sobretudo por meio de barcaças. No mesmo dia, na parte da tarde, já está no pátio de alguma indústria brasileira.

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25.08.20

Agronegócio brasileiro fica ainda mais dependente dos chineses

Um motivo a mais para Jair Bolsonaro rever sua postura belicosa em relação à China: a indexação do agronegócio brasileiro aos chineses tende a crescer consideravelmente nos próximos meses. A Ásia, de um modo geral, desponta como a única grande alternativa ao vazio que a Europa começa a deixar no mercado global de commodities agrícolas. Importantes bancos europeus, a exemplo do ABN
Amro, BNP Paribas e Société Generale, já anunciaram o fade out de seus financiamentos para contratos de compra e venda de açúcar, grãos, café, entre outros, tanto a futuro quanto à vista.

Essas instituições respeitarão acordos em vigor, mas não vão disponibilizar novas linhas de crédito. A decisão afeta, sobretudo, as principais tradings europeias, como Louis Dreyfus, Glencore e EDF Man, todas com significativa exposição no Brasil. ABN, BNP e Société respondem por quase 30% de todo o credit finance – o mecanismo que faz a roda do agronegócio global girar. O movimento dos europeus aumenta a sino-dependência do agronegócio brasileiro. Somente uma maior participação dos asiáticos, tanto na concessão de financiamentos quanto na ponta compradora, será capaz de amortecer o impacto da escassez de crédito europeu sobre a cadeia agrícola.

A expectativa no setor é que parte desse vazio venha a ser ocupada pela chinesa Cofco, que traz a reboque dinheiro a perder de vista de bancos conterrâneos e do próprio Estado chinês. O mesmo se aplica a outros mercados players asiáticos, que não apenas a China. É o caso da Olam, maior trading de commodities agrícolas de Cingapura, vinculada ao GIC, o fundo soberano daquele país. O recuo das instituições financeiras da Europa já começa a provocar soluções na liquidez do mercado de commodities agrícolas.

Na semana passada, a própria EDF Man recorreu à Justiça para refinanciar créditos da ordem de US$ 1 bilhão, alegando que seu plano de venda de ativos para reduzir o endividamento foi dizimado pela pandemia e pela consequente depreciação do valor de seu patrimônio. O grupo inglês opera no Brasil principalmente em contratos de açúcar e de café, neste último com a marca Volcafé. A cadeia cafeeira, por sinal, é um dos setores que mais deverá acusar o golpe do movimento feito pelas instituições financeiras europeias. O Brasil já estava vendendo contrato de café a futuro para o prazo de três anos. Esses prazos deverão encurtar drasticamente até o mercado global encaixar o novo cenário e recalibrar suas taxas de juros.

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13.08.20

Mourão é o novo “embaixador” do Brasil na China

As relações entre Brasil e China tornaram-se um item relevante da pauta de assuntos estratégicos do Alto Comando do Exército. Até então, via-se protagonistas do governo, tresloucados, tratando a China como inimigo n°1. Eram os donos da narrativa. E conduziam a questão estratégica conforme suas idiossincrasias, na maioria das vezes à revelia do interesse nacional. A definição do vice-presidente Hamilton Mourão como responsável sobre esse tema no governo é uma mudança fundamental para que o assunto possa ser tratado com lucidez. No caso, Mourão é a ponte palaciana com os militares para tratar da questão sino-brasileira.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, também faz parte dessa força tarefa. A ideia dos militares é serem mais proativos no debate sobre os prós e contras de uma maior ou menor aproximação com os chineses, incluindo a eventual costura de um acordo bilateral. Sempre, é claro, tratando da questão intramuros. Em outras palavras, vão fazer o contraponto do Itamaraty, que tem na gestão do chanceler Ernesto Araújo uma visão radical contrária à ampliação da agenda de interesses com a China. Ou seja: espera-se dos generais mais isenção, subsídios técnicos e um compromisso com a visão estratégica nacional.

Os militares sabem que há vantagens estratégicas na melhoria da qualidade do relacionamento com os chineses, tais como a absorção de novas tecnologias – os setores digital e de defesa são alguns exemplos – e mais investimentos na área de infraestrutura. A área de logística, particularmente, sensibiliza os chineses, devido à sinergia com o agrobusiness, segmento que os orientais prezam como estratégico. Quanto maior a produtividade nesse setor, maior a abundância a preços baratos dos alimentos made in Brazil. Os generais, contudo, colocam na balança questões delicadas, tais como o risco do país ser capturado na rede do “novo imperialismo sino asiático”.

Alguns pontos lembram os tempos da guerra fria, a exemplo da espionagem, ocupação de território e outras afrontas à soberania. Seja qual for o desfecho, o fato é que a transmissão para o general Mourão da responsabilidade sobre esse tema é um alento. E também é extremamente positiva a maior atenção do Exército ao assunto, dando um chega para lá no inacreditável Ernesto Araújo. A conjugação das duas situações sopra como um vento de esperança para todos aqueles de bom senso, que sabem que o futuro do Brasil está indexado à China. O que o vice -presidente, os senhores generais e coadjuvantes precisam definir é até onde vai essa aderência.

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27.11.19

Os novos “incêndios” da Amazônia

A moratória da soja está se transformando em um contencioso corporativo de razoável proporção no agronegócio brasileiro, insuflado pelo próprio governo Bolsonaro. Com o apoio do Palácio do Planalto e do Ministério da Agricultura, a Aprosoja (Associação Brasileira de Produtores de Soja) vai descarregar munição de grosso calibre nos tribunais. De acordo com a fonte do RR, um cardeal da bancada ruralista no Senado, a entidade acionará a Justiça para derrubar as restrições à compra de soja produzida em áreas de desmatamento na Amazônia.

Do outro lado da mesa, estão grandes tradings agrícolas como ADM, Cargill e Louis Dreyfus, reunidas sob a égide da Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais). Segundo a mesma fonte, os produtores acusam as tradings internacionais de distorcer deliberadamente indicadores do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) utilizados como base para classificar áreas de cultivo na Amazônia. Os ruralistas defendem o uso como parâmetro do Cadastro Ambiental Rural (CRA).

Elaborado com base em dados do Ministério da Agricultura, o Cadastro é tido, digamos assim, como mais benevolente no tratamento de informações ambientais. Procurada, a Aprosoja não quis se pronunciar. Por sua vez, a Abiove não comentou sobre o possível enfrentamento na Justiça. Disse que “defende a moratória com objetivo de preservar os mercados consumidores da soja brasileira conquistados ao longo de uma década”.

A confirmação da presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (CoP-25), em Madri, está longe de tranquilizar os governadores da Amazônia, principais interessados no assunto. Pelo contrário. Salles recebeu do Palácio do Planalto a missão de, mais uma vez, bater duro contra as tentativas de interferência de governos internacionais e ambientalistas na Região Amazônica. Guardadas as devidas proporções, os governadores temem uma reedição do discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU. O receio é que o Brasil receba apenas farelos da partilha dos US$ 100 bilhões que a CoP-25 promete dividir entre os países em desenvolvimento.

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11.11.19

O agronegócio precisa ficar atento às movimentações globais

Observatório

Por Francisco Ourique, economista e especialista em comércio exterior.

Todos os produtos do agronegócio brasileiro correm o risco de sofrerem uma nova onda de restrição não tarifária por parte de países europeus e asiáticos. Quer seja pela origem territorial da sua produção, pelo rigor fitossanitário ou mesmo pela aplicação de agrotóxicos, os ventos começam a soprar com maior rigidez.

Fora a soja, em meio à polêmica envolvendo entidades representativas do segmento, empresas comerciais e tradings, fora a bancada do agronegócio na Câmara dos Deputados, o café entrou na agenda.

A Federação Europeia de Café emitiu carta alertando as empresas industriais do setor, países produtores e exportadores que o produto está sendo analisado para detecção de resíduos do herbicida glifosato, usado para matar ervas daninhas ou outros concorrentes com a cultura.

Até final de 2021, em qualquer momento, o martelo vai ser batido e será proibido o consumo de café com traço do herbicida em níveis a serem definidos. A União Europeia está seguindo o que o Japão já fez, e a Coréia do Sul já sinalizou que vai seguir a mesma rota.

O que as autoridades brasileiras ainda não entenderam é que esse processo em marcha tem origem na pressão de consumidores e está sendo absorvido por fundos, bancos, organizações não governamentais e governos – e tem o Brasil como foco.

Algumas grandes casas comerciais com operações globais vão entrando nesse jogo também por outros motivos, principalmente pelo receio com a escala e dependência que têm do Brasil para suas operações de soja e café. 

No caso do café, em estudo encomendado por algumas organizações e publicado em outubro pelo economista americano Jeffery Sachs, é proposta a criação de um fundo de US$ 10 bilhões por ano, sendo 25% deste montante bancado pelas indústrias do ramo, para subsidiar produtores de café mundo afora, utilizando como referência o preço de fazendas brasileiras mais competitivas – as mecanizadas. Diz o professor que o mundo do café não pode ficar dependente da atual escala do fornecimento brasileiro. E como o Brasil, segundo Sachs, consegue sobreviver com preços do produto mais baixos do que dos demais países produtores, a concentração não vai ceder.

Seja por custo de produção, eficiência, herbicidas, bioma amazônico, do cerrado ou matérias de toda ordem, o agronegócio precisa acordar. Vem chumbo grosso!

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14.10.19

Sustentabilidade cada vez mais presente no campo

Observatório

Por Francisco Ourique, economista e especialista em comércio exterior

A dinâmica e futuro do agronegócio brasileiro vão continuar dependentes da produtividade do agricultor produzir ao menor custo possível, na esperança de que os preços internacionais, formados por mercados futuros, com a crescente dominância de investidores utilizando modelos algoritmos, gerem algum caixa. As mudanças em marcha no mercado mundial não sopram a favor da evolução do Brasil de mero fornecedor de matéria-prima para player capaz de capturar parcelas na cadeia de geração de valor.  

A concentração em marcha nos canais de comercialização, as chamadas “trading companies”, cujas margens de rentabilidade estão ladeira abaixo, vem sendo comandada pela aliança do sistema mundial de crédito com os industriais.

Os industriais passaram a comprar de seus fornecedores a prazo; e os bancos financiadores das empresas comerciais globais querem que seus clientes estejam fortemente instalados nos países produtores das respectivas matérias-primas. Novas linhas de crédito estão sendo negociadas nas principais praças mundiais, obrigando empresas globais de commodities agrícolas terem rastreabilidade de fornecedores, informações da cadeia de suprimento, infraestrutura própria, entre outras exigências. O não cumprimento dos termos acordados entre o agente financeiro e a companhia comercial implica penalidades de alguns pontos e a revisão da taxa de juros para mais, devidamente pactuado no contrato original. E tudo isso empacotado em projetos de sustentabilidade. 

Para aqueles não familiarizados com o conceito do ecologicamente correto, esse tema, em suas faces econômica, social e ambiental, vem ganhando poder desde que a “consciência” de consumidores, investidores e governos de países importadores, particularmente da Europa, Japão e além-mar, descobriram o potencial não tarifário da ferramenta. Mais recentemente os bancos globais embarcaram na mesma canoa, mas com objetivo bem distinto e com propósitos de concentrar as chamadas “trading companies”.  

Há poucas semanas atrás a empresa Cofco Internacional, operadora da Corporação Cofco chinesa, anunciou a obtenção de uma linha de crédito de U$ 2,1 bilhões para projetos sustentáveis na soja. A Mercon, com sede na Holanda, cerca de U$ 450 milhões; a suíça Sucafina S.A., outro pacote. 

A taxa de juros básica de cada projeto varia de 1,75% a 2,75% ao ano, com prazos variados, mas nenhum inferior a 18 meses, com renovação automática se o tomador executar o acordo de crédito nos quesitos de operações de originação sustentável da matéria-prima em questão. As empresas globais de commodities agrícolas não têm outra saída que a de aceitarem a regra do jogo dos agentes financeiros na busca de linhas e mais linhas de crédito para sustentar a ampliação da escala de suas transações comerciais de baixa margem. É correr para os bancos com suas ofertas e ampliarem sua presença física e estratégica nos países produtores, concretamente com os produtores propriamente.

As empresas comerciais agrícolas formadas em países exportadores, ainda confinadas em vendas para embarque em seus respectivos portos – sujeitas a segmento de crédito com altas taxas de juros, de 150% a 400% acima das concorrentes globais, e custos de entrega nos portos e de emissão de documentos que as congêneres globais nem sempre estão sujeitas – não têm futuro promissor à vista. 

Os principais clientes das exportadoras agrícolas brasileiras, ou as de qualquer outro país exportador de matéria-prima, são justamente as empresas globais. O fato de a raposa estar sendo empurrada para o galinheiro pelos bancos e pelos setores industriais de cada segmento de negócio poderia até ser considerado a eliminação de intermediários, o que em tese daria maior margem aos agentes comerciais globais de pagarem melhores preços diretamente aos fornecedores, milhares de produtores espalhados em uma penca de países. 

Lamentavelmente o objetivo e a evolução do agronegócio na comercialização têm sido na direção oposta. 

No caso brasileiro, as portas estão escancaradas.

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25.10.18

Proposta de tributação da água traz risco à competitividade do agronegócio brasileiro

Um dos principais fatores de competitividade do agronegócio brasileiro está na mira de Fernando Haddad. Segundo o RR apurou, se eleito o petista pretende instituir um imposto sobre o uso da água. A ideia seria taxar as exportações de commodities agrícolas entre 2,5% a 3%, com a reversão dos recursos arrecadados para um fundo voltado ao setor de saneamento. A premissa do candidato petista é que a cadeia do agribusiness não paga pelo uso do seu mais importante insumo.

Seria uma forma de “devolver” para a sociedade a parcela expressiva das reservas aquíferas nacionais usadas sem custo na agricultura, mediante o financiamento de políticas públicas para a área de saneamento. Hoje, o Brasil é um dos cinco maiores exportadores de “água virtual” do mundo, conceito que mede a quantidade de recursos hídricos utilizada e absorvida na produção de commodities agrícolas. Segundo dados da Unesco, o país envia para o exterior mais de 112 trilhões de litros, ou algo como 45 milhões de piscinas olímpicas, por ano sob a forma de proteína animal ou vegetal. A tarifação das commodities agrícolas seria uma maneira indireta de promover uma redistribuição dos recursos hídricos. A agricultura é responsável por quase 70% do consumo de água no Brasil.

A indústria responde por pouco menos de 20%. Já o consumo doméstico mal chega aos 10%. A produção de uma tonelada de milho, por exemplo, requer 917 metros cúbicos de água. Uma tonelada de soja exige mais: 2,2 mil metros cúbicos. No caso da proteína animal, o consumo é ainda mais expressivo. Para cada tonelada de carne bovina, por exemplo, são necessários quase 20 mil metros cúbicos de água. A folgada liderança de Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais não é o suficiente para o agronegócio respirar aliviado. Mesmo com a iminente eleição do Capitão, o risco não some de vez.

Nesta campanha, não foram poucas as propostas que atravessaram a avenida que separa Bolsonaro de Haddad e migraram do programa de governo de um candidato para o outro. A proposta é uma ameaça à competividade do agribusiness brasileiro e carrega em si um razoável potencial de prejudicar as exportações e consequentemente a balança comercial. Vide o caso da Argentina. A tarifação das exportações de soja levou à redução da área plantada do produto em detrimento do milho e do trigo, que eram livres de tributação, mas também passaram a ser taxados pelo novo regime instituído em setembro pelo governo Macri.

Segundo estimativas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), entre as safras 2015/16 e 2017/18 a soja perdeu 2,1 milhões de hectares na Argentina, uma queda de cerca de 10,4%. Ao mesmo tempo, a instituição de um gravame sobre a água provavelmente chamaria a atenção dos órgãos internacionais da área de comércio para algo que não precisa de ribalta: a abundância aquífera do Brasil e seu uso sem qualquer tarifação não deixam de ser uma espécie de subsídio indireto à cadeia do agronegócio no país. Para se ter uma ideia de como o insumo é uma vantagem competitiva – e gratuita – do agronegócio brasileiro, basta dizer que o país detém 12% das reservas de água doce do Planeta. Trata-se do dobro do que tem a China.

O país asiático é justamente um dos maiores importadores da “água virtual” brasileira, com mais de 70 bilhões de metros cúbicos por ano. A proposta de Haddad baseia-se também no que pode ser chamado de um déficit aquífero gerado pelo agronegócio. O setor retira mais água do que consegue devolver ao solo. O resultado é o avanço da seca em algumas regiões do país. Um dos exemplos mais usados por especialistas são as áreas de plantio de eucalipto no norte do Espírito Santo e no sul da Bahia, responsáveis por exaurir muitos mananciais de água que atendiam pequenos produtores rurais.

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29.09.16

Cofco transforma o Brasil em epicentro da sua operação global

 O mercado brasileiro será o centro das operações da Cofco International, o braço agrícola do grupo chinês que arrematou os ativos da Noble Group e assumiu o controle integral da trading holandesa Nidera. Apesar de a Bovespa estar fora da lista de bolsas que o grupo estuda para abrir o capital da controlada, o Brasil deverá ser a sede mundial da Cofco International e beneficiário de 40% dos investimentos de US$ 3 bilhões previstos para serem feitos até 2017 no mundo. Segundo a fonte do RR, que conhece bem o plano, a maior parte dos recursos será direcionada à instalação de plantas industriais da Cofco. Nada de aquisições. Na ponta do lápis, sai mais barato importar os equipamentos da China do que comprar ativos prontos.  Será construída uma unidade de processamento de soja no Mato Grosso, a segunda no estado, o que aumentará em 60% a capacidade produtiva da companhia no país. Serão 30 milhões de toneladas de grãos por ano, um terço do que o grupo processa no mundo. A Cofco vai ainda ampliar de 15 milhões para 20 milhões de toneladas a moagem de cana de açúcar no mercado brasileiro com a instalação de sua quinta usina sucroalcooleira no estado de São Paulo.  Ainda neste ano, a operação brasileira passará a representar 15% da receita mundial de US$ 40 bilhões da Cofco International. Será um aumento de 40% no faturamento da filial. É o melhor resultado entre os 29 países onde a companhia asiática atua. Por essas e outras que os chineses escolheram Matt Jansen para ser o CEO da Cofco International. O executivo atuou aqui por sete anos e foi o principal defensor da ideia de que o Brasil se tornasse quartel general do grupo chinês. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Cofco.

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