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Eike 2.0: André Esteves reencarna o mito do empresário absoluto
27/02/2026Se orange is the new black, André Esteves é o novo Eike Batista. O dono do BTG desponta como o que existe de mais próximo do que um dia o Mr. X representou para o capitalismo brasileiro. A semelhança passa pela disposição quase química para o risco, pela agressividade nos negócios, pela competência de venda e pelo acesso privilegiado a autoridades das mais diversas áreas, fundamental para desobstruir caminhos e fazer valer seus interesses – o que, em mais uma similaridade, acabou custando a ambos o dissabor de um par de algemas, coincidência que certamente os dois preferem esquecer. Entre tantos pontos em comum, talvez a diferença mais aguda esteja no método: se Eike era um “labrador farejador de trufas”, como ele mesmo gostava de se definir, Esteves é um caçador-coletador. O dono do antigo Conglomerado X se notabilizou por começar projetos greenfield – e fazer IPOs bilionários de maquetes; já o banqueiro, assim como os humanos predadores do Paleolítico, tem se notabilizado pela capacidade de identificar fragilidades em suas presas e pela voracidade cada vez maior ao atacá-las.
Eike Batista almejava erguer impérios do zero. Almejava, não, almeja. Tem propalado que sua próxima aventura será na área de minerais críticos, para não falar da supercana (a estimativa é produzir até três vezes mais etanol do que a convencional), com a qual promete voltar ao mercado de capitais ao lado de investidores sauditas. É melhor que ninguém duvide. Já André Esteves compra pedaços de territórios decadentes e trincados. É o anti-Warren Buffett. Mas não deixa de ser um oráculo. Suas movimentações normalmente sinalizam para uma segunda, terceira, quarta casa do xadrez. Se Eike encarnou o capitalismo da promessa e da oportunidade, Esteves opera no capitalismo da captura.
Neste momento, Esteves dá novas e inequívocas amostras de que é um Eike com outro estilo, avançando sobre domínios empresariais de terceiros. O banqueiro se movimenta em duas direções. Como um lobo em pele de credor, tomou ações da Light e da Alliança. Ao mesmo tempo, lança suas garras sobre a Raízen. Segundo informações que circulam no mercado, o BTG estaria disposto a colocar até R$ 10 bilhões no negócio, seja por meio de aporte direto, seja mediante a compra e a consequente conversão de créditos contra a empresa. De acordo com uma fonte ouvida pelo RR e ligada a um dos bancos credores, a instituição financeira de Esteves vem comprando dívidas da Raízen em mercado, aumentando seu poder de fogo para uma eventual troca de debt por equity. A depender da engenharia financeira da capitalização, o BTG poderia, inclusive, preparar o terreno para se tornar o principal acionista do grupo a médio prazo, com uma participação superior à dos atuais controladores, Cosan e Shell. Seria algo similar ao gatilho incluído no aporte de capital na própria Cosan. Pelo acordo firmado com Rubens Ometto, o BTG poderá assumir o controle da empresa dentro de cinco anos. Consultado sobre as tratativas para o aporte na Raízen, o BTG não quis comentar o assunto.
Onde a maioria não quer pisar aí mesmo é que André Esteves tem se refestelado. Em uma sequência impressionante, o banqueiro-coletador tem enfileirado aquisições de ativos tratados por muitos como moedas podres. Em maio de 2025, por exemplo, o BTG comprou um pacote de ativos de participações de Daniel Vorcaro, ao valor de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. No lote estavam 15,17% da própria Light e de 8,12% na Méliuz, além de outros direitos e ativos financeiros. Também no ano passado, assumiu 49,71% da Veste, holding do varejo de moda dona de marcas como Dudalina e Le Lis. O BTG adquiriu recentemente créditos contra a Invepar, a endividada holding de infraestrutura controlada por Previ, Petros e Funcef, e também vislumbra a possibilidade de entrar em seu capital – como informou o RR. Nesta semana, o banco de Esteves anunciou também a compra de uma participação no Banamex, ao lado de uma série de outros investidores – entre os quais General Atlantic, Blackstone; Liberty Strategic Capital e Qatar Investment Authority (QIA). O padrão se repete: ativos pressionados por dívida, empresas em reorganização, estruturas societárias tensionadas. Onde o mercado vê contágio, o BTG vê desconto. Onde há desconfiança, ele enxerga assimetrias que lhe são favoráveis. Se Esteves não repete o exibicionismo histriônico quase caricato de Eike, tem sua boa dose vaidade e regozijo em relação ao seu modus operandi.
O BTG é também um devorador de precatórios, títulos podres, carteiras de crédito estressado, recebíveis inadimplentes, enfim junk bonds das mais diversas espécies. Sabe-se lá o que Esteves enxerga em tanta moeda putrefata – teriam elas algum valor, por exemplo, para a compra de concessões de infraestrutura em um futuro não muito distante? O fato é que nos últimos anos calcula-se que o banco tenha adquirido mais de R$ 20 bilhões desses papéis em special situation.
Como se vê, raspas e restos interessam ao predador André Esteves. Mas o banqueiro não se limita a eles, vide uma série de outras aquisições colecionadas por ele. Em julho de 2024, por exemplo, o BTG comprou 100% da Sertrading, criando uma frente estruturada em comércio exterior. Em janeiro de 2025, fechou a aquisição do negócio brasileiro do Julius Baer por cerca de R$ 615 milhões, incorporando aproximadamente R$ 61 bilhões em ativos sob gestão. Poucos meses depois, em abril de 2025, adquiriu 100% da área de wealth management da JGP, agregando cerca de R$ 18 bilhões em ativos sob gestão ao seu braço de gestão de fortunas. Em julho de 2025, anunciou a compra das operações do HSBC no Uruguai por US$ 175 milhões, reforçando sua presença regional na América do Sul. Mais recentemente, em janeiro, concluiu a incorporação do M.Y. Safra Bank, passando a ter uma licença bancária para operar nos Estados Unidos. No setor real, associou-se à família Maluf na Eucatex, tornando-se o segundo maior acionista da companhia. Se Eike buscava ser o maior empresário do Brasil e um dos maiores do mundo, Esteves parece satisfeito em ser “apenas” o maior financiador do Brasil — o que o deixa em posições privilegiadas e poderosas para impor seus interesses. Eike é um megalômano; Esteves, um very smart business man.
O que emerge dessa comparação não é uma coleção de investimentos dispersos, mas um desenho coerente: controlar fluxos financeiros, ocupar espaços em empresas descapitalizadas e posicionar-se como credor decisivo em setores estratégicos — energia, infraestrutura, varejo, agronegócio. Esteves não compra apenas ativos – ou os arranca do chão. Compra influência, domínio e poder. Como um caçador-coletador moderno, circunda o alvo, espera o momento certo e aplica o bote. É assim que tem recolhido participações, créditos, direitos, fatias societárias — pedaços que, isoladamente, parecem restos; juntos, formam território. No capitalismo brasileiro, enquanto muitos disputam as clareiras mais iluminadas, Esteves prefere a borda da floresta. É ali que ele caça. O Mr. X construiu seu espetáculo em torno da promessa de grandeza global na economia real – chegou a ser a quarta maior fortuna do mundo -, ao passo que o dono do BTG ergue um projeto de poder a partir de engrenagens financeiras. Eike quase matou banqueiros de raiva, entre os quais o próprio Esteves – existem processos judiciais de um contra o outro. Essas diferenças, dependendo do ângulo, mais os aproximam do que os distanciam. André Esteves é a reencarnação de Eike Batista no mito do empresário absoluto. Poder é a palavra que mais os une. Até mais do que dinheiro. Ambos causam medo, espanto e comparação inevitável. Mas não se iludam, Eike já morreu e ressuscitou várias vezes. Quem não se lembra das aventuras no garimpo, da TermoCeará, que ficou conhecida como “Termoluma, e do potentado do Porto do Açu. É uma competição de alta voltagem e velocidade. A ver o que vem por aí.
Destaque
Invepar é a nova presa na mira do irrefreável André Esteves
20/01/2026O BTG prepara o bote sobre a Invepar. Segundo o RR apurou, a instituição financeira mantém tratativas com o Banco do Brasil e o Itaú para adquirir seus créditos contra a holding de infraestrutura – cerca de R$ 446 milhões no total. Ressalte-se que o BTG já comprou R$ 200 milhões em recebíveis junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Significa dizer que, caso feche a aquisição dos títulos em poder do BB e do Itaú, o banco de André Esteves se tornará o maior credor individual da Invepar, concentrando o equivalente a 45% da dívida total da empresa (R$ 1,5 bilhão).
Essa consolidação de créditos coloca o BTG em uma posição privilegiada e potencialmente dominante à mesa de negociação. O banco terá o poder de ditar os termos de qualquer plano de reestruturação da companhia. E, como sempre, quando mexe uma peça no tabuleiro, Esteves já mapeou todos os movimentos até o xeque-mate. Nesse caso, a jogada final pode vir de duas maneiras. Uma delas é a troca da dívida por ativos do portfólio da Invepar. Não é de hoje que há especulações sobre o interesse do BTG em assumir a concessão do aeroporto de Guarulhos. Outra possibilidade é a conversão de debt em equity, com a diluição da participação dos atuais acionistas – Previ, Petros, Funcef e fundo Yosemite – e a transferência do controle para o banco. O RR fez seguidos contatos com o BTG, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também consultados, Banco do Brasil e Itaú não quiseram se pronunciar.
Já há algum tempo o BTG ensaia uma investida mais firme em concessões de infraestrutura. De outubro de 2024 para cá, participou dos leilões da Rota do Zebu (BR-262/MG), da Rota Verde (BRs-060/452/GO) e da Rota da Celulose (MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267). Foi derrotado em todas – o que, diga-se de passagem, até causou certa estranheza no setor, tratando-se de quem se trata. O fato é que a Invepar se apresenta como uma porta entreaberta para os interesses de André Esteves na área de infraestrutura. É mais um dos tantos territórios sobre os quais o banqueiro avança. Ao lado dos irmãos Batista, Joesley e Wesley, Esteves compõe o que existe de mais poderoso e agressivo no capitalismo brasileiro contemporâneo. Por vezes, pode-se questionar o modus operandi, mas jamais os resultados, vide a sequência e a diversidade de negócios bem-sucedidos comandados por Esteves.
No wealth management, o BTG consolidou sua liderança ao comprar o Julius Baer Brasil por cerca de R$ 615 milhões, incorporando uma base de mais de R$ 60 bilhões em ativos sob gestão e milhares de clientes de altíssima renda. Em seguida, avançou sobre a JGP Wealth, trazendo para dentro do banco aproximadamente R$ 18 bilhões adicionais em recursos administrados. Antes disso, a aquisição da Necton, anunciada em 2020, já havia agregado cerca de R$ 16 bilhões em ativos sob custódia, reforçando a musculatura do BTG na distribuição de investimentos para o público de renda média-alta e alta.
Na área de equity, um dos movimentos mais agudos de Esteves foi a recente entrada no capital da Cosan, praticamente no âmbito de uma operação de salvação do grupo. O BTG aportou R$ 4,5 bilhões no conglomerado de energia de Rubens Ometto. E, pelos termos do acordo, Esteves pode vir a se tornar controlador em seis anos, assumindo o lugar de Ometto. Não é só. O BTG tem interesse também em esticar seus tentáculos sobre a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, em uma operação bastante similar que envolveria uma injeção de capital para reduzir a alavancagem da companhia – conforme antecipou o RR. Ainda no setor de energia, a atuação na Eneva virou um caso clássico de engenharia financeira: o banco estruturou conversões de dívida em ações, comprou ativos térmicos, reorganizou o balanço e ajudou a viabilizar operações de mercado que somaram mais de R$ 10 bilhões entre aquisições de ativos, follow-ons e emissões. Hoje, o BTG figura como maior acionista individual da Eneva.
Em special situations, o banco montou uma frenética linha de montagem. O BTG é comprador recorrente de carteiras de crédito estressado, precatórios, recebíveis inadimplentes e títulos podres, operações que frequentemente envolvem cifras de centenas de milhões ou bilhões de reais por transação. Apenas nos últimos anos, participou de aquisições de carteiras bancárias e ativos problemáticos que, somados, ultrapassam R$ 20 bilhões, seja por meio de FIDCs, fundos exclusivos ou compras diretas de crédito. A Invepar é mais um tijolinho nessa épica construção de André Esteves.
Empresa
Cosan não consegue zarpar do Porto São Luís
5/01/2026A Cosan tem encontrado dificuldades para se desfazer do projeto do Porto São Luís, no Maranhão. As negociações esbarram no principal: o fator preço. Segundo o RR apurou, as ofertas apresentadas até o momento estão abaixo, inclusive, do valor que o grupo desembolsou para comprar o ativo em 2021 – R$ 720 milhões. O principal candidato é a trading chinesa Cofco, que enxerga no empreendimento uma saída logística para o escoamento de grãos, notadamente da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins Piauí e Bahia). No entanto, os asiáticos têm sido um osso duro de roer à mesa de negociações, aproveitando-se da complexa situação financeira da Cosan para achatar os valores da operação. A venda do projeto é mais um capítulo do plano de alienação de ativos do grupo de Rubens Ometto para o abatimento do seu passivo – a dívida líquida é de R$ 18 bilhões. Além de utilizar os recursos para o pagamento de obrigações financeiras, a Cosan se livraria da necessidade de construção do porto, orçada em aproximadamente R$ 1 bilhão. Procurada pelo RR, a empresa não quis se pronunciar.
Destaque
André Esteves mira na Raízen para montar seu quebra-cabeças energético
19/11/2025
Infraestrutura
Cofco entra na disputa por porto da Cosan no Maranhão
8/09/2025A chinesa Cofco desponta como candidata à compra do projeto do Porto São Luís, colocado à venda pela Cosan. O pacote envolve o terreno e uma área já licenciada para a implantação de um terminal de uso privado (TUP), com capacidade para a movimentação de mais de oito milhões de toneladas de grãos. O investimento total para a construção do empreendimento gira em torno de R$ 1 bilhão. Com a aquisição, a Cofco – uma das maiores tradings agrícolas do mundo, com faturamento de US$ 40 bilhões no ano passado – reduziria sua dependência em relação ao Porto de Santos e passaria a ter uma estrutura própria para o escoamento de grãos do Centro-Oeste. Ressalte-se que a empresa tem feito pesados investimentos em logística no Brasil. No início do ano, anunciou o desembolso de R$ 1,2 bilhão na compra de quase mil vagões e 23 locomotivas em parceria com a Rumo Logística. Em tempo: curiosamente, a eventual venda do Porto São Luís para a Cofco representaria uma volta ao passado, com o regresso do empreendimento a mãos chinesas. O projeto foi idealizado pela CCCC (China Communications Construction Company). Em 2021, acabou vendido para a Cosan por R$ 720 milhões. Eram tempos de vacas mais gordas na empresa de Rubens Ometto, hoje às voltas com uma dívida elevada e um processo de venda de ativos.
Destaque
Itaú quer riscar o “Risco Raízen” da sua carteira
30/04/2025
Destaque
Pressionada por dívidas, Raízen esvazia seu tanque no Paraguai
19/03/2025O RR apurou que a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, busca um comprador para a sua operação no Paraguai. O negócio envolve a venda da sua participação de 50% na Barcos y Rodados, maior distribuidora de combustíveis do país vizinho, com mais de 300 postos. A Raízen se associou à empresa em 2021, ao custo de US$ 130 milhões.
Há fortes motivos que empurram o grupo para fora do Paraguai. A começar por uma questão de ordem legiferante, o decreto 1.952, assinado pelo presidente Santiago Peña no ano passado. A medida obriga todos os revendedores de combustíveis a terem tanques com capacidade para o armazenamento de 16 milhões de litros.
A canetada beneficiou diretamente a estatal Petropar, “coincidentemente” a única empresa do setor a atender à cláusula de barreira. Assim como todas as demais distribuidoras, a Raízen terá de fazer pesados investimentos em estrutura para cumprir a nova regra. A conta não fecha. Tanto que, no ano passado, a companhia informou ao mercado o plano de reduzir sua posição no capital da Barcos y Rodados para 27,4%.
O que mudou desde então para a dobradinha Cosan e Shell fazer um movimento ainda mais drástico e deixar o Paraguai? O principal motivo para a guinada é a premência da Raízen em se desfazer de ativos para reduzir seu endividamento. Em dezembro, a companhia levantou R$ 475 milhões com a transferência de 31 projetos de geração solar distribuída para a Brasol, uma sociedade entre a BlackRock e a Siemens.
Há pouco mais de um mês, colocou à venda suas operações na Argentina – a refinaria Dock Sud, em Buenos Aires, e uma rede de 700 postos da bandeira Shell – conforme a Bloomberg noticiou. No setor, há informações sobre a disposição da Raízen vender também usinas de álcool e açúcar. Procurada pelo RR, a empresa não quis se pronunciar.
“Desculpe o francês, mas estamos ferrados”.
A frase foi disparada por Rubens Ometto ao então diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, em novembro do ano passado, durante um evento em São Paulo, Na ocasião, para todos os efeitos, Ometto fazia uma alusão à condução da política econômica. Mas talvez já fosse uma referência ao que estava por vir em suas empresas. Dizer que Cosan e Raízen estão “ferradas” pode ser um tanto quanto exagerado, a depender do peso que se dê à palavra.
Mas ambas entraram em uma espiral de desmobilização de ativos pressionada pelo seu desconfortável nível de alavancagem. A Raízen encerrou o terceiro trimestre da safra 2024/25 com uma relação dívida líquida/Ebitda de três vezes. Um ano antes, esse índice era de 1,9 vez.
A Cosan, por sua vez, fechou 2024 com uma alavancagem de 2,9 vezes, contra 2,4 vezes em dezembro do ano anterior. A subida forçou a empresa a negociar sua participação de 9% na Vale. Além disso, já colocou à venda sua participação na comercializadora de energia Raízen Power. E quer ser desfazer também do projeto de construção do Porto de São Luís – informação antecipada pelo RR (https://relatorioreservado.com.br/?s=porto+cosan&search-type=normal&post_type=post).
Destaque
Cosan desmonta seu quebra-cabeças na área de mineração
21/01/2025A venda da participação da Cosan na Vale vai além de uma “mera” operação de portfólio. No mercado, a decisão está sendo interpretada como a evidência mais forte de que Rubens Ometto praticamente virou as costas ao projeto de investir no setor de minério de ferro. Em 2021, a Cosan anunciou, com a devida pompa, a criação da JV Mineração, joint venture com o empresário Paulo Brito, fundador da Aura Minerals.
O plano original previa o início da produção em Parauapebas (PA) neste ano, com a extração de dez milhões de toneladas. No entanto, sem a interseção societária com a Vale, o empreendimento não para em pé. A posição acionária da Cosan na mineradora era uma peça estratégica em toda a engrenagem, fundamental para viabilizar a logística, leia-se o uso da estrada de ferro de Carajás.
Sem a Vale, o quebra-cabeças se desmonta. No setor, já se fala, inclusive, da disposição da Cosan de passar adiante o projeto de construção do Porto de São Luis, terminal de uso privativo, comprado junto à
CCCC (China Communications Construction Company), em 2021, por R$ 720 milhões.
Em fevereiro do ano passado, surgiram notícias de que a própria Vale estaria interessada em comprar o empreendimento, o que foi negado pela companhia. Procurada pelo RR, a Cosan não quis se pronunciar. Rubens Ometto pensou grande, como de hábito: mina, ferrovia e um terminal próprio, tudo amarrado a uma participação acionária na maior produtora de minério de ferro do mundo.
No entanto, de lá para cá, a realidade mudou. Premida pelo aumento da sua dívida de curto prazo, a Cosan vem se desfazendo de ativos para trazer sua alavancagem a níveis mais confortáveis. Além da posição na Vale, o grupo já se desfez de distribuidoras de gás e avalia novos movimentos, como a venda de uma fatia da Moove, seu braço de lubrificantes – conforme informou o RR.
Destaque
Bamin busca um sócio para investimentos de R$ 20 bilhões no Brasil
3/06/2024
Empresa
Suzano e Rumo Logística ensaiam dobradinha em nova ferrovia
22/03/2024O RR apurou que Suzano e Rumo Logística, leia-se Cosan, têm conversado em torno de uma possível parceria para a construção de um ramal ferroviário de aproximadamente 50 km entre as cidades de Três Lagoas e Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul. Essa é uma peça razoavelmente importante no quebra-cabeças logístico da região – e das duas empresas. A Rumo está construindo a Ferrovia de Integração Estadual da vizinha Mato Grosso, uma linha de 700 km que passará por Aparecida do Taboado, ligando Rondonópolis ao Porto de Santos.
Para a Suzano, o novo trecho seria de grande valia para o escoamento de sua produção no Mato Grosso do Sul. E não estamos falando de uma operação qualquer, mas do Projeto Cerrado. Trata-se da mega fábrica que a Suzano está construindo na cidade de Ribas do Rio Pardo, um investimento de mais de R$ 20 bilhões que dará forma à maior linha única de produção de celulose do mundo.
Curiosamente, a Suzano acaba de tirar o CEO da Rumo, João Alberto Abreu, para ser seu novo presidente em substituição a Walter Schalka. A eventual parceria na construção do pequeno trecho de 70 km no Mato Grosso do Sul chama a atenção também pela possibilidade de uma dupla de peso – são dois dos maiores conglomerados empresariais do país – dar as mãos em outros projetos ferroviários. Como diria o personagem de Humphrey Bogart na cena final de Casablanca, pode ser o início de uma bela amizade.
Empresa
Cosan desiste de construir porto do Maranhão sozinha
5/03/2024A Cosan busca um sócio para o projeto de construção do terminal de uso privado de São Luís, empreendimento orçado em mais de US$ 700 milhões. O grupo de Rubens Ometto arrematou integralmente o negócio junto à chinesa CCCC (China Communications Construction Company, em 2021, por US$ 800 milhões. Até o momento, no entanto, o projeto não saiu do papel.
Empresa
Cosan reserva lugar para um sócio em futuro porto de São Luís
29/09/2023Mudança de rota na Cosan: segundo o RR apurou, a empresa de Rubens Ometto pretende buscar um parceiro para tirar do papel a construção do Porto de São Luis (MA), um investimento de quase R$ 4 bilhões apenas em sua primeira etapa. O grupo sucroalcooleiro comprou o projeto da chinesa CCCC no fim de 2021 e, desde então, deixou o empreendimento em stand by. A busca por um sócio lança dúvidas sobre a possível associação com a Aura Minerals. A Cosan assinou um memorando de entendimentos com a mineradora de Paulo Brito para a montagem de um joint venture que assumiria o próprio porto e três reservas de minério de ferro no Pará. No entanto, de acordo com a fonte do RR, as tratativas estão devagar, quase parando.
Empresa
Cosan pretende disputar arrendamento de terminal em Itaguaí
19/06/2023A Cosan avalia disputar o arrendamento do novo terminal de granéis sólidos minerais do Porto de Itaguaí (RJ), área conhecida ITG-02. Uma das hipóteses é entrar na licitação em parceria com a Vale, da qual é acionista. A mineradora, ressalte-se, já opera no Porto de Itaguaí por meio da Companhia Portuária de Sepetiba (CPSB). O arrendamento do terminal é uma peça que se encaixa na crescente atuação da Cosan na área de mineração. Além da posição estratégica no capital da Vale, a companhia de Rubens Ometto mantém uma joint venture com o empresário Paulo Britto, fundador da Aura Minerals, para atuar no segmento de minério de ferro. De mãos dadas ou cada qual separadamente, Cosan e Vale deverão enfrentar a concorrência da CSN no leilão. A siderúrgica também já atua em Itaguaí, por meio da Sepetiba Tecon.
Empresa
Compass busca uma rota de escape da Petrobras
21/03/2023A Compass, leia-se Cosan, quer reduzir sua dependência do gás boliviano e, consequentemente, da Petrobras. A estratégia da companhia criar alternativas às amarras de preço impostas pela estatal, que concentra a maior parte das importações do insumo da Bolívia. A Compass pretende aumentar gradativamente a compra de gás da Argentina. A Sulgás, uma das controladas do grupo, já tem feito gestões neste sentido. Segundo a mesma fonte, há projetos, inclusive, de investimentos no porto de Rio Grande (RS) para o armazenamento do combustível.
Trata-se de um movimento de razoável peso no tabuleiro do setor. A Compass, de Rubens Ometto, reúne o maior portfólio de distribuidoras de gás do país. Além da Sulgás, controla a Comgás e a Gas Brasiliano, gigantes do mercado paulista, e tem participações em outras nove empresas por meio da Commit, a antiga Gaspetro, comprada junto à própria Petrobras.
De volta ao mar
3/08/2022A China Communications Construction Company (CCCC) tem projetos para o Porto de Suape (PE). Trata-se de uma espécie de meia-volta, volver. No ano passado, a CCCC vendeu para a Cosan um terminal de uso privado no Porto de São Luís.
J&F Investimentos avança sobre os trilhos da Malha Oeste
29/07/2022O RR apurou que a J&F Investimentos, dona da JBS, pretende entrar no setor ferroviário. Trata-se de um passo a mais no processo de diversificação do grupo conduzido pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. O objetivo é ter uma logística própria para o escoamento do minério de ferro e do manganês produzidos nas minas compradas recentemente junto à Vale, no Mato Grosso do Sul.
De acordo com a mesma fonte, a J&F avalia disputar a relicitação da Malha Oeste, incluída no PPI (Programa de Parcerias de Investimento). O governo Bolsonaro corre contra o relógio para leiloar a concessão ainda neste ano – a Rumo Logística (Cosan) devolveu a licença à União. Estima-se que a revitalização dos quase dois mil quilômetros da Malha Oeste exigirá quase R$ 15 bilhões em investimentos. A operação daria ao braço de mineração da J&F uma saída estratégica pelo Porto de Santos, a partir da ligação da Malha Oeste com a Malha Sul.
A disposição da J&F de investir em logística ferroviária reforça que a compra das minas da Vale em Corumbá foi só um aquecimento. Os irmãos Batista vão partir para a aquisição de mais ativos em mineração. O que não falta à J&F é caixa para entrar em novos negócios. Somente no ano passado, a holding embolsou mais de R$ 7 bilhões em dividendos da JBS.
Raízen em alta voltagem
31/05/2022A Raízen – leia-se Cosan e Shell – planeja entrar em geração eólica e solar. De acordo com informações apuradas pelo RR, o grupo pretende investir tanto em projetos greenfield quanto na aquisição de empreendimentos já maduros. Trata-se de um movimento fundamental na estratégia do grupo de verticalizar sua operação e se tornar um grande conglomerado na área de energia verde. A Raízen já tem negócios em etanol, etanol de segunda geração e biogás. Ou seja: aos poucos, a distribuição de derivados de petróleo, que motivou a joint venture, vai se tornar um negócio “menor” no portfólio. O investimento corrobora a disposição da Shell de transformar o Brasil em um de seus principais centros na produção de energia renovável. Os anglo-holandeses jogam com duas peças: além da Raízen, lançaram no ano passado a Shell Energy. A subsidiária pretende investir R$ 3 bilhões no país até 2025. Um dos primeiros projetos previstos, da ordem de R$ 200 milhões, é a instalação de uma unidade de hidrogênio verde no Porto do Açu (RJ).
Pé no freio
21/03/2022A Cosan está revendo seu plano de investimentos na área de mineração, leia-se a JV, joint venture com o empresário Paulo Brito. A empresa de Rubens Ometto anda mais conservadora: recentemente, suspendeu a criação da Mobitech, que seria uma associação com a Porto Seguro.
Todo o gás
18/02/2022Além do projeto já anunciado para o Porto de Santos, a Compass, leia-se Cosan, estuda construir um terminal de regaseificação de GNL no Nordeste. Um dos locais avaliados é o porto de Pecém, no Ceará.
Operação cruzada
10/01/2022A Raízen enxerga segundas intenções na ação movida pela Gran Petro na Justiça holandesa contra a Shell. A empresa de origem mato grossense cobra uma indenização financeira alegando que a multinacional criou dificuldades para a sua entrada no mercado de combustível de aviação no Brasil. No entanto, o que se diz nos bastidores é que a Gran Petro quer mesmo é fechar um acordo e receber em troca bases operacionais da própria Raízen – joint venture entre a Shell e a Cosan – em aeroportos brasileiros. Procuradas, Raízen e Gran Petro não se pronunciaram.
Cosan e Âmbar de braços dados
28/12/2021A Cosan está negociando uma parceria com a Âmbar, leia-se J&F Investimentos, para a construção de um gasoduto entre Uruguaiana e Porto Alegre. O pipeline abasteceria a Sulgás, comprada pelo grupo sucroalcooleiro. A princípio, segundo o RR apurou, Rubens Ometto teria manifestado internamente alguma resistência à ideia de se associar aos irmãos Joesley e Wesley Batista. Mas foi convencido de que ambos, agora, são “ficha limpa”.
Acervo RR
Novos mares
1/10/2021A venda do projeto do terminal privado de São Luís para a Cosan não significou o adeus da CCCC ao setor portuário no Brasil. O RR apurou que a gigante chinesa estaria em conversações com o governo de Pernambuco em torno da construção do segundo terminal de contêineres do porto de Suape, orçada em mais de R$ 2 bilhões.
Âncora ao mar
10/09/2021Estão bem adiantadas as negociações para a Cosan compra os 51% da chinesa CCCC no projeto de construção de um terminal privado no Porto de São Luís (MA). A empresa de Rubens Ometto já é dona dos outros 49%.
Louis Dreyfus cansou de perder
25/01/2019Acabou-se o que quase nunca foi doce: a Louis Dreyfus Commodities (LDC) prepara sua saída do mercado sucroalcooleiro no Brasil. Os franceses teriam colocado à venda todas as dez usinas da subsidiária Biosev localizadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Norte, com capacidade total de moagem da ordem de 35 milhões de toneladas. A operação inclui ainda um terminal no Porto de Santos.
Segundo o RR apurou, o pacote já teria sido oferecido à Raízen, a joint venture entre Cosan e Shell. No ano passado, a LDC negociou uma planta sucroalcooleira no Rio Grande Norte e chegou a colocar à venda outra usina, na Paraíba. O intuito do grupo, àquela altura, era se livrar do bagaço e permanecer apenas com as unidades mais rentáveis. Mas cadê que elas existem? Nos últimos meses, as perdas da Biosev se agravaram.
Com isso, cresceu também a pressão dos acionistas da LDC em Paris pela saída definitiva do negócio, após uma série de aportes que viraram pó. A empresa fechou o primeiro semestre da atual safra com um prejuízo de aproximadamente R$ 660 milhões, um déficit 20% maior do que o registrado em igual período no exercício passado. Anualizado, o rombo passa de R$ 1,3 bilhão. Nas últimas duas safras, os franceses perderam mais de R$ 1,8 bilhão com a sua operação sucroalcooleira. É uma rotina que, no ano passado, custou a cabeça do então CEO da Biosev, Rui Chammas.
Raízen raspa o tacho da indústria sucroalcooleira
18/11/2016A Raízen, associação entre a Cosan, de Rubens Ometto, e a Shell, lançou uma blitzkrieg sobre empresas sucroalcooleiras em recuperação judicial. Logo na primeira colheita, a companhia pretende adquirir quatro usinas de três grandes grupos do setor, todos em RJ, a saber: Tonon Bioenergia, Abengoa Bioenergia e Unialco. No primeiro caso, o ativo sobre o balcão é a Usina Paraíso, localizada em Brotas (SP). A planta tem capacidade para processar 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Seu maior atrativo está na geografia: fica próxima ao polo petroquímico de Paulínia e ao Porto de Santos. Por sua vez, as conversações com a Abengoa envolvem a aquisição das duas usinas que os espanhóis colocaram à venda nas cidades de Pirassununga e São João da Boa Vista, em São Paulo. Ambas somam uma capacidade de moagem de sete milhões de toneladas por ano. Em relação à Unialco, a Raízen vai participar do leilão que o grupo pretende promover ainda neste ano para a venda da Usina Guararapes, também no interior paulista. As negociações, ressalte-se, passam não apenas pela oferta de uma quantia em dinheiro, mas também pela renegociação das dívidas das usinas com um expressivo deságio. Um fator é fundamental para a investida da Raízen: os respectivos credores da Tonon, da Abengoa e da Unialco, especialmente os bancos, não só pressionam as empresas a se desfazer de seus ativos como aceitam achatar o valor de face dos débitos. No caso da Unialco, por exemplo, estima-se que a dívida da Usina Guararapes (acima dos R$ 800 milhões) possa sofrer um desconto superior a 70%. Tomando-se como base os números, o caso mais urgente é o da Tonon, que tem um passivo total de quase R$ 3 bilhões.
• A seguintes empresa não retornaram ou não comentaram o assunto: Raízen, Tonon, Unialco, Abengoa.
Acervo RR
ALL dá um bilhete só de ida para as concessões deficitárias
6/12/2012A carga é pesada, e os trilhos, cada vez mais sinuosos. A América Latina Logística (ALL) vive um momento de alta tensão, marcado por uma combinação de mudanças e decisões estratégicas bastante delicadas. Além das complexas articulações para a entrada da Cosan em seu capital, que se arrastam desde o início do ano, a empresa está envolvida em uma intrincada negociação com o governo, que poderá ter impacto direto sobre seus resultados e seu plano de investimentos em 2013. A companhia costura a devolução de trechos pouco rentáveis de sua malha ferroviária, que seriam relicitados no âmbito do PAC das concessões. O primeiro da lista é a linha entre Porto Alegre e São Paulo, que, além de deficitária, tornou-se sinônimo de desgaste institucional para a ALL, devido a s cobranças por aumento dos investimentos feitas recorrentemente pelas autoridades da área de transporte. Outra concessão no índex da companhia é a ligação ferroviária entre uma série de cidades na região do Alto Uruguai (RS). Alguns trechos estão paralisados. A ALL promete retomar as operações no primeiro trimestre de 2013. Segundo informações filtradas junto a empresa, seria puro jogo de cena. Sua intenção é a devolução da concessão, vista como um ativo de difícil rentabilização. Procurada, a ALL não quis comentar o assunto. Esta é uma agenda extremamente sensível, ao mesmo tempo com contornos políticos, regulatórios, jurídicos e financeiros. A ALL está no meio de um contencioso com a ANTT. Ela questiona na Justiça a recente redução do teto tarifário das concessões ferroviárias. Na média do setor, os cortes chegaram a 25%. Mas, em alguns trechos, a ALL foi obrigada a reduzir os valores em até 47%. A empresa chegou a obter uma liminar suspendendo a redução dos preços. Apesar da vitória jurídica pontual, a empresa trabalha com o pior cenário. Sua percepção é de que dificilmente será possível reverter a nova política tarifária imposta pelo governo. A iminente perda de receita só acentua a necessidade da ALL de devolver concessões deficitárias, o que pressupõe um acordo com o governo. Para isso, a empresa usa todas as armas que tem. Já sinalizou que, se não cortar estas gorduras, dificilmente conseguirá cumprir o plano de investimentos previsto para 2013, da ordem de R$ 700 milhões.
Acervo RR
Tegram navega em meio a um maremoto societário
22/05/2012O futuro Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), em Itaqui, é um porto nada seguro. O projeto parece uma traineira a deriva, diante dos conflitos entre os sócios – um cardume da maior biodiversidade, que inclui Pátria Investimentos, Promon Engenharia, Glencore, CGG Trading e o Consórcio Crescimento (Louis Dreyfus e AMaggi). Os desentendimentos começam na própria modelagem da holding que está sendo criada para administrar o terminal e – pelo menos assim reza o figurino original – investir em outras concessões portuárias. As partes não se entendem quanto a divisão do bolo. Glencore, Louis Dreyfus e AMaggi, que são do ramo, disputam o controle do capital e o direito de operar o terminal. Apenas Pátria e Promon, reunidos na gestora de recursos P2 Brasil, estão fora dessa briga. A dupla está no barco como investidora institucional e deverá ter uma participação de até 10%. Louis Dreyfus e AMaggi chegaram a propor a partilha do restante das ações por quatro. No entanto, como não abriram mão da operação do empreendimento, a proposta bateu no paredão da Glencore e voltou feito um eco. Procuradas pelo RR, Glencore e Louis Dreyfus não quiseram se manifestar. A AMaggi não retornou até o fechamento desta edição. A desarmonia envolve também a escolha da estrutura de gestão do Tegram. Originalmente, estava definido que cada um dos acionistas indicaria um diretor. Este formato, no entanto, naufragou, até como reflexo da disputa de poder e da consequente falta de acordo em relação a divisão societária. Os investidores discutem agora a possibilidade de contratação de gestores independentes. Ainda assim, nada andará enquanto perdurar o impasse em torno da composição acionária do consórcio. Parafraseando o dito popular, projeto que nasce torto cresce torto. O Tegram parece fadado a navegar por mares bravios e inóspitos. Os problemas começaram já na licitação. Derrotadas no leilão, Cargill, Bunge e Cosan questionaram a capacidade financeira do consórcio vencedor. Estas duas últimas chegaram a entrar na Justiça, mas desistiram no meio do caminho. A Cargill, no entanto, deu sequência ao contencioso. Em meio aos estilhaços internos, os integrantes do consórcio vencedor garantem ter bala na agulha pra tocar o projeto. Além dos R$ 143 milhões pagos na concessão, terão de investir algo próximo de R$ 350 milhões na construção da infraestrutura necessária para o escoamento de grãos. Isso quando se entenderem
Acervo RR
ANP demarca a construção de alcooldutos
24/01/2012A ANP vai tentar colocar melodia e rima no samba do crioulo doido em que se transformou a construção de alcooldutos no país. A agência pretende lançar ainda neste semestre uma série de regras para normatizar a implantação de novos projetos no setor. A principal mudança diz respeito ao modelo legal para a execução de futuros empreendimentos. Hoje, os critérios são absolutamente difusos. Os projetos de construção são, caso a caso, avaliados e aprovados ou não pela ANP. A entidade pretende instituir leilões de concessão para a implantação de novos dutos. Além disso, a ANP quer replicar o direito de passagem adotado no transporte de gás. Ou seja: os investidores serão obrigados a abrir o duto para terceiros em caso de subutilização do pipeline. A percepção da ANP é que o atual modelo de autorização caducou e não atende mais a s necessidades logísticas do país para o transporte de etanol. Com o sistema de concessão, a agência pretende estipular critérios geoeconômicos para a construção dos pipelines. O objetivo é evitar sobreposições de traçados, o que aumenta o risco de subaproveitamento dos dutos. Em tempo: ciente das intenções da ANP, a Petrobras não perdeu tempo. Tem feito lobby para que o seu projeto de construção de um alcoolduto entre Goiás e o Porto de Santos, um investimento de US$ 2 bilhões tocado em parceria com Cosan, Copersucar, Camargo Corrêa, OTP e Uniduto, seja totalmente aprovado pela agência antes da entrada em vigor das novas regras .
Acervo RR
Ometto se contenta com as sobras da Cerradinho
28/10/2011A trajetória sucroalcooleira da família Fernandes, sobrenome tradicional no setor, está com os dias contados. Pelo menos no que depender do apetite da Raízen. A joint venture entre a Cosan e a Shell promete artilharia pesada para comprar a usina Porto das aguas, em Chapadão do Céu (GO), com capacidade de moagem de 3,5 milhões de toneladas de cana-deaçúcar por safra. Quer também ficar com as plantações de cana da família na região. Para Rubens Ometto, a aquisição é uma questão de honra – embora a concorrência certamente prefira usar o termo -prêmio de consolação-. No fim do ano passado, a Cosan fez uma oferta pelo controle da Cerradinho, holding que, até então, reunia todas as operações da família Fernandes na área sucroalcooleira. O clã, no entanto, recusou a proposta e esquartejou seus ativos. Vendeu as usinas de Catanduva e Potirendaba, em São Paulo, para o chinês Noble Group e ficou com a planta de Goiás. Rubens Ometto jamais engoliu a perda do negócio. Na primeira quinzena de dezembro, após se reunir com integrantes da família Fernandes, o empresário deu a compra da Cerradinho como favas contadas. No entanto, o Noble Group atravessou as negociações e em apenas dois dias fechou a compra das usinas de São Paulo. Não obstante ter perdido a melhor fatia da Cerradinho, justamente as plantas paulistas, a Raízen tem interesse, sobretudo, nas plantações da família em Goiás, terras com ótimos índices de produtividade.
Valec
31/01/2011A Valec está formatando um entusiasmante projeto logístico que prevê o uso de ferrovias para o transporte de etanol entre o Centro- Oeste e o Porto de Santos. Grupos privados, leiase concessionárias ferroviárias e indústrias sucroalcooleiras, serão chamados para o projeto. Cosan e ALL estão na primeira fila.
Acervo RR
Duto furado
10/12/2010Está difícil para a Petrobras combinar os interesses dos diversos grupos privados _ Cosan, Copersucar, Bunge, entre outros _ com quem negocia a construção de um alcoolduto entre o Centro-Oeste e o Porto de Santos. As principais divergências dizem respeito ao financiamento e a composição societária.
Acervo RR
Alcoolduto da Petrobras já nasce em chamas
9/11/2010Incensada como um dos grandes projetos de logística do Brasil, a construção do alcoolduto entre o Centro-Oeste e o porto de Santos ainda tem arestas a serem aparadas. A recém-anunciada associação entre Petrobras, Cosan e Copersucar já nasceu sob o signo da discórdia. Há desavenças quanto ao aporte que caberá a cada acionista o projeto está avaliado em US$ 2 bilhões. Cosan e Copersucar estariam tentando jogar para cima da Petrobras uma fatia maior da fatura, não obstante o modelo inicial prever participações societárias isonômicas. Cada uma delas deverá ter algo entre 20% ou 25% do capital. O argumento é que a estatal poderá se valer do alcoolduto para transportar etanol produzido por usinas associadas a Petrobras Biocombustíveis a empresa é acionista da Açúcar Guarani e da São Martinho. A saída da Mitsui do projeto também ajudou a embaralhar o quebra-cabeças, notadamente no que diz respeito ao funding. A trading trazia a reboque a promessa de financiamento de um pool de bancos japoneses. Como não poderia deixar de ser, o nome do BNDES já foi entoado na mesa de negociações. Ele entraria no projeto, não apenas como financiador, mas também como acionista, de forma a garantir o project finance. Entende-se também que a presença do banco, aliada a da própria Petrobras, servirá de chamariz para a entrada de outros grupos privados. Até porque há um risco intrínseco ao projeto que nem explica a própria retração da Copersucar e da Cosan. O empreendimento, que estava engavetado há mais de dois anos, surge justamente no momento em que as exportações brasileiras de etanol evaporam. Em 2008, o país comercializou quase seis bilhões de litros do combustível no mercado internacional. Neste ano, o volume não deverá passar de 1,6 bilhão. A projeção para 2011 é semelhante.