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786  resultados para lula

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17.06.19
ED. 6137

Telefone satelital é o escudo do GSI contra hackers

A recente invasão do celular de Sergio Moro e o vazamento de mensagens trocadas entre o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol reacenderam no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) a disposição de resgatar um projeto engavetado desde os tempos do general Sergio Etchegoyen. Trata-se da disponibilização de um sistema de telefonia satelital para a Presidência da República, ministros de Estado e outros integrantes do primeiro escalão. Além de criptografados, os aparelhos seriam linkados ao Sistema Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), satélite desenvolvido em parceria entre a Agência Espacial Brasileira (AEB), a Telebrás e a França.

A operação dos telefones ficaria concentrada na Banda X do SGDC, frequência exclusiva do Ministério da Defesa e, por extensão, das Forças Armadas – a chamada Banda Ka, de uso civil, foi concedida à norte-americana Viasat. As comunicações telefônicas dos integrantes de postos chaves da República passariam ao largo do sistema convencional das operadoras celulares. O telefone satelital é considerado um sistema com maior grau de proteção do que os aparelhos convencionais criptografados, incluindo os Terminais de Comunicação Segura (TCSs) que a Abin deverá disponibilizar à Presidência da República e aos Ministérios nos próximos dias. Procurado, o GSI disse que “o TCS utiliza criptografia de Estado e só permite comunicação criptografada com outro TCS”.

Consultada especificamente sobre a possibilidade de uso de aparelhos satelitais ligados ao SGDC, a Pasta não se pronunciou. Independentemente do sistema adotado, a sensação é que qualquer medida será tardia. A culpa, ressaltese, não deve ser jogada na conta do GSI. A recomendação do Gabinete para o uso de comunicação por satélite foi desprezada pelo então presidente Michel Temer. Não foi a única. O general Sergio Etchegoyen, à época, ministro chefe do GSI, sugeriu a instalação de equipamentos capazes de interferir na frequência de dispositivos eletrônicos, como celulares e gravadores dentro dos Palácios do Planalto e do Jaburu – ver RR edição de 18 de maio de 2017. Temer não seguiu a recomendação. Acabaria flagrado na indiscreta conversa com o empresário Joesley Batista.

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12.06.19
ED. 6134

“Moro Leaks”: cenários do day after

O RR teve acesso a um paper feito por encomenda de entidade empresarial sobre os cenários políticos previsíveis depois do “Moro Leaks” promovido pelo The Intercept. A síntese do documento é “que vai ter guerra, sim”. Alguns pontos mais instigantes são os seguintes:

O The Intercept faz um jornalismo profissional, mas tem um viés de esquerda. Assumiu um compromisso de divulgar lotes de gravações e vai cumpri-lo. A julgar pelo que recomendam as melhores práticas da imprensa, o conteúdo a ser divulgado será ainda mais “quente”.

  • Quanto mais explosivo for o material em poder do The Intercept, maior o nível de beligerância na sociedade, que tende a se dividir entre os “Lava Toga” e os defensores do “Lava Jato”. Os jornalistas teriam “bom conteúdo” para pelo menos dois meses de divulgação.
  • O PT vai se apoderar de duas bandeiras: a da perseguição e a da injustiça. Serão cristãos na arena, mas sem nenhuma docilidade. Pelo contrário. Aguarda-se estridência, movimentos de rua e ataques nas redes, em um crescendo no ritmo da divulgação dos grampos.
  • Lula é um dos principais beneficiados pelo “Moro Leaks”. Sua imagem estava sendo corroída pela pecha de meliante. Reassume uma condição de mártir e pode até virar símbolo pop, ao melhor estilo de Che Guevara, com seu rosto estampado em T-shirts.
  • Bolsonaro disputa com Lula o panteão de vencedor com o “Moro Leaks”. O presidente está sempre sedento por guerra. Esse é o ambiente que o justifica. Vai surfar no ódio que deverá assolar o país. E deslizará em uma espuma de ira e rancor.
  • Retornam à ribalta Olavo de Carvalho, “Carlucho”, Eduardo “03”, Alexandre Frota, Janaina Paschoal, Kim Kataguiri, Lobão, Luiz Felipe Pondé e demais influenciadores, aliados e dissidentes, que voltam a ter um inimigo comum.
  • Apesar do regozijo com o anfiteatro de guerra, Bolsonaro pode acusar uma perda: o atraso das reformas. Mas sempre terá o álibi de atribuí-las ao PT, na medida que The Intercept pode muito bem ser chamado de braço midiático da esquerda.
  • O acalorado ambiente político poderá lascar o posicionamento granítico do ministro da Economia, Paulo Guedes, que teria de abrir mão da sua avareza em termos fiscais. Guedes seria levado a seguir o dito romano e distribuir pão às massas. Medidas de caráter emergencial pró-consumo e emprego seriam adotadas.
  • O Supremo fará malabarismos para mostrar que questiona os procedimentos dos “Lava Jatos” à luz dos novos fatos, mas não mudará nenhuma das decisões já tomadas. No final, o “Moro Leaks” pode se transformar em marketing para o STF.
  • O ministro da Justiça, Sérgio Moro, é o grande perdedor com os vazamentos. Com ele, perde também a “República de Curitiba”. Bolsonaro pode até segurar Moro, trazendo-o para a sua trincheira como vítima do petismo. Mas os projetos do ministro e mesmo sua nomeação para o STF ficam “sub Intercept”.

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12.06.19
ED. 6134

Um aço

Lula recebeu ontem vasto material de briefing para a entrevista que concederá hoje a Juca Kfouri e José Trajano. Não bastasse a intuição natural, o ex-presidente quer estar um aço.

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10.06.19
ED. 6132

Longo inverno

Pelo sim, pelo não, os organizadores do Lula Livre, em Curitiba, estão recolhendo agasalhos para os manifestantes que acampam próximo à sede da Polícia Federal. Pelo jeito, não levam muita fé na possível passagem de Lula para o regime semiaberto até o fim do inverno.

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07.06.19
ED. 6131

Lula e Ciro podem reeditar Frente Ampla

Há uma articulação em curso para reaproximar Lula e Ciro Gomes. O encontro dos dois bicudos estaria condicionado à sentença favorável do STJ ao pedido do ex-presidente para cumprir o resto da pena em regime domiciliar. A decisão pode ocorrer em junho, antes do recesso do Judiciário. Os dois líderes políticos fariam as pazes publicamente em nome da “salvação nacional”. Ou melhor, resumindo, com uma palavra de ordem: “Só a união das esquerdas é capaz de deter o bolsonarismo e o projeto da direita de controle prolongado do poder”. O alcoviteiro do encontro é o ex-ministro Jaques Wagner, que foi favorável, na eleição presidencial passada, à candidatura de Ciro pelo campo da esquerda. Na visão de Wagner, a oposição não dispõe de qualquer outro fato político tão forte. Há lógica no raciocínio. A questão é como combinar chumbo quente com gelo seco. Os dois políticos não se topam. Ciro Gomes, em particular, tem dado declarações tenebrosas sobre o líder do PT. No discurso, estaria tudo resolvido, inclusive com menção à Frente Ampla, que reuniu os adversários figadais Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek, nos anos 60, contra a ditadura militar. Se Lacerda e Jango, antípodas radicais, podiam marchar juntos contra o inimigo comum, porque Lula e Ciro não poderiam fazer o mesmo. Estariam, no mínimo, escrevendo uma página da História. Mas no discurso tudo é mais fácil. As idiossincrasias têm sido a saúva da esquerda. Para as oposições, “União” é uma palavra fácil de proclamar somente nos palanques.

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03.06.19
ED. 6127

Saraiva deixa credores com um pé atrás

Em recuperação judicial, a Saraiva tem encontrado séries restrições para repor seus estoques. As editoras adotaram o expediente de cortar, em média, um terço dos pedidos feitos pela rede varejista para reduzir seu risco. Além disso, novas encomendas estão sendo condicionadas ao pagamento integral da remessa anterior. Fabricantes de celulares já haviam adotado prática similar, o que forçou a Saraiva a encerrar a venda de smartphones em suas lojas físicas. Consultada, a empresa disse que “não comenta tratativas comerciais”.

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22.05.19
ED. 6119

Palocci ataca novamente

O juiz Luiz Antonio Bonat, substituto de Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, estaria prestes a autorizar a publicação de mais trechos da delação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. O alvo prioritário seria o ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel, com novas denúncias sobre o esquema de propinas para a compra de Medidas Provisórias no governo Lula.

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21.05.19
ED. 6118

Os vários enterros da Codomar

O ministro da Infraestrutura, Tarcisio Freitas, trabalha para colocar um ponto final no processo de liquidação da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) em setembro. A empresa é um morto-vivo da administração federal. Decretada há 11 anos, a extinção da Codomar atravessou o fim do governo Lula e os mandatos de Dilma Rousseff e Michel Temer. Ainda há imóveis a serem vendidos e dívidas trabalhistas à espera de acordo.

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08.05.19
ED. 6109

Disque-crédito

Além de aumentar seu market share na telefonia celular em aproximadamente 1,5%, a Claro vislumbra um ganho adicional na compra da Nextel. Tratase de um crédito tributário potencial da ordem de R$ 1 bilhão caso o STF confirme a decisão de excluir o ICMS da base de cálculo de PIS e Cofins.

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07.05.19
ED. 6108

Monsieur Lulá

Vai dar no Le Figaro: depois do El País e da Folha de S. Paulo, agora é o jornal francês que negocia uma entrevista com o ex-presidente Lula.

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03.05.19
ED. 6106

O mentor da “nova Codesp”

O executivo Marcelo Araujo, ex-CSN, Camargo Corrêa, Marisa, antes de deixar a presidência do Grupo Libra apresentou uma série de propostas às agências reguladoras para dinamização da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A empresa excretava corrupção desde sempre. Entre as opções apresentadas estavam governança profissional, abertura de capital e privatização. Corria o calendário do governo Dilma Rousseff. Como hoje é fácil imaginar, ninguém deu bola para as medidas. Araújo saiu do Libra antes que estourassem os escândalos envolvendo o Grupo. Se agora for aprovado o plano para um futuro underwriting da Codesp, os méritos serão atribuídos ao novo presidente, Casemiro Tercio Carvalho, ao ministro da Infraestrutura,Tarcísio Gomes Freitas, e, quiçá, até ao ministro Paulo Guedes, que irradia privatização por todas as células. A contribuição de Araújo vai para a gaveta de inéditos da história. Mas, se alguém remexer lá, vai encontrar outras propostas aproveitáveis.

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02.05.19
ED. 6105

FHC é o maior conspirador da República

Fernando Henrique Cardoso é igual ao vinho: quanto mais o tempo passa maior a sua capacidade de fazer da política a arte da intriga e da conjuração. FHC não para de conspirar. No momento seu alvo é o governo Jair Bolsonaro – nas suas próprias palavras,alguém que não nasceu para ser presidente da República. O ex-presidente está a mil por hora. No próximo dia 14 de maio, por exemplo, vai se reunir com o presidente da Força Sindical, Miguel Torres. A aproximação não é um ato isolado nesse universo: estão sendo costurados encontros com outras lideranças da área sindical. FHC também conspira para empurrar o PSDB para a esquerda.

Na semana passada, teve uma longa conversa com Ciro Gomes. Pelas costas, como se sabe, os dois se desprezam. FHC conspira com Gilmar Mendes, velho parceiro de maledicências. Ambos chegam a ficar de orelha quente de tantos e de tão longos os diálogos ao telefone. Bolsonaro é o assunto invariável. Mas não raramente o personagem central das maquinações entre FHC e Gilmar é Lula. O tucano chegou a cogitar até uma visita ao ex-presidente em Curitiba, que seria justificada como um ato humanitário. Certamente, ao sair do encontro, metralharia seu sucessor, ao melhor estilo dele próprio.

FHC busca a conspiração até com os militares, grupo que não se encontra na sua esfera de maior proximidade. Ele costura para breve um novo evento no Instituto Fernando Henrique Cardoso que contemple a presença de generais. Além da relação amistosa com o ex-Comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, FHC mantém um canal aberto com o seu ex-ministro-chefe do Gabinete Militar, general Alberto Mendes Cardoso, que atua como um interlocutor privilegiado do ex-presidente com o generalato. O “Príncipe dos Sociólogos” estaria comprando uma opção de que um dos principais grupos de apoio ao governo Bolsonaro venha a se afastar gradativamente do presidente e passe a ser um opositor da sua gestão. Até porque ele acredita que as Forças Armadas entraram na política para não sair tão cedo. Quando se trata do notável conspirador, entretanto, as brumas mais o revelam do que o ocultam.

O Palácio do Planalto inteiro identifica Fernando Henrique Cardoso como uma espécie de galvanizador “secreto” das oposições contra o presidente da República. A falta de simpatia com Bolsonaro sempre foi explícita. Basta observar a linha do tempo. O tucano mal esperou uma quinzena para o primeiro sopro: no dia 15 de janeiro, disse ser oposição ao governo. Em 15 de fevereiro, declarou que Bolsonaro “está abusando da desordem”. Os refrãos de Fernando Henrique contra Jair Bolsonaro subiriam de tom nas semanas seguintes. No dia 27 de fevereiro, FHC disse que o governo Bolsonaro não tem coerência. No dia 17 de março, um ataque não apenas ao presidente, mas ao seu clã: FHC se referiu à presença dos Bolsonaro em Brasília como o “renascimento da família imperial”.

Em 24 de março, Fernando Henrique verbalizou a percepção de que o mandato de Bolsonaro pode terminar antes do tempo regulamentar: “Presidente que não entende a força do Congresso cai”. Jair Bolsonaro é o alvo prioritário de Fernando Henrique Cardoso, mas não o único. No meio do caminho há outra pedra a ser chutada: o governador João Dória. Quando se trata de jogar cascas de banana na frente de Dória, FHC não titubeia. Sempre que pode trabalha pelo escorregão do governador junto ao PSDB. São vários os interlocutores quando o assunto é Dória, mas o mais assíduo é Tasso Jereissati.

Já foi o tempo de José Serra, Aloysio Nunes Ferreira e – imagine só – Aécio Neves. O apartamento de 450 metros na Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, e o Instituto homônimo, no Centro velho de São Paulo, têm recebido a visitação de novos tricotadores. A fonte que contou várias histórias de FHC para o RR disse que a última do Príncipe é o discurso de que Dória e Bolsonaro aparentam ser muito diferentes, mas têm o mesmo DNA. São irmãos Corsos, só que um baila em salões, e o outro limpa o chão dos quartéis. O relato pode não ser verdadeiro, mas quem conhece o personagem sabe que é, no mínimo, ben trovato.

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02/05/19 8:14h

Cheid

disse:

A maconha que ele fumou quando jovem está fazendo efeito agora. Só abre a boca para falar besteira.

30.04.19
ED. 6104

No radar de Moro

Sabe-se lá o que Sérgio Moro está buscando na Jordânia. Mas o fato é que, somente agora, dez anos após a sua assinatura, o Ministério da Justiça colocou em pleno vigor um acordo de cooperação firmado com o país asiático ainda no governo Lula. O convênio bilateral prevê a troca de informações e documentos no âmbito jurídico, rastreamento e bloqueio de bens e repatriação de ativos mantidos irregularmente.

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25.04.19
ED. 6101

Roman à clef sobre o perdão que talvez salve a todos

As noites secas de Brasília estimulam sonos voltívolos e insônia. Cabe nesses interstícios da quietação receber os duendes da incerteza. O ministro Gilmar Mendes tem sido visitado por esses pequenos seres. Mendes se considera um estadista. Talvez seja. Em plena madrugada suas meditações se entrecruzam: o julgamento da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a estabilidade da Nação e a integridade do Judiciário. Mendes pensa em Jair Bolsonaro. Pensa em Lula. Na finitude. Na interseção da dor com o derrocamento. A lembrança de Lula é cara ao ministro. Mendes sabe que a culpabilidade do ex-presidente é relativa. Sabe igualmente que o Judiciário racionaliza os indícios na direção que as circunstâncias determinam. E as circunstâncias mudam.

O Judiciário cumpriu sua missão em relação ao ex-presidente. A Justiça, não. O episódio da morte do neto de Lula poderia ter sido o timing adequado para o início de uma distensão. Ao inverso, ficou a memória da intolerância, da vista cega da Justiça; e seu choro convulsivo de homem, despido do manto da autoridade, ao falar pelo telefone com um Lula dilacerado aos pés do esquife. Lembrança dolorida à parte, Gilmar não se deixa adocicar. E a responsabilidade do Supremo pelo bem maior do país? E o Estado da ordem? E o compromisso com a segurança nacional? O magistrado se lembra de Getúlio Vargas vilipendiado; Vargas tornou-se mártir em um átimo. Em uma bala. Imaginem se Lula adoece e queda-se na prisão, um tombo que seja, sem o direito de viver seus dias, talvez os últimos, dignamente em prisão semiaberta ou – por que não? – domiciliar, sendo visitado por entes queridos, respirando ao menos a liberdade vigiada.

Seria um risco minúsculo frente à inundação de raiva e protesto que tomariam o país se o ex-presidente fosse vítima de um infortúnio nesses dias sombrios de impopularidade e descontentamento dos brasileiros com os homens togados e circunspectos. Mendes, parafraseando o príncipe, sussurra para si mesmo: “Que o bem seja como o mal; que seja feito de uma só vez. Até porque precisamos todos, todos mesmo, nos proteger”. Os duendes persistem bailando nos cantos do cômodo, como travessos portadores de pensamentos indesejáveis. Gilmar Mendes persegue o sono, se é que existe um alívio possível.

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15.04.19
ED. 6094

Grupo Caoa enxerga o Ministério Público no retrovisor

Como se não bastassem as acusações de Antonio Palocci de que o Grupo Caoa repassou propina ao filho de Lula, o Ministério Público de Goiás também está no encalço da montadora. Segundo informações filtradas do próprio MP-GO, os procuradores reuniram evidências de que a montadora, representante da marca Hyundai no Brasil, teria transferido recursos ilegais ao ex-governador Marconi Perillo em contrapartida à concessão de incentivos fiscais. De acordo com a fonte do RR, os supostos pagamentos teriam se intensificado em 2017, quando a Caoa anunciou um novo pacote de investimentos no estado para a produção de veículos da marca Chery.

O RR enviou uma sériemde perguntas à Caoa, mas a empresa não quis se pronunciar. O MP-GO informou que “Como desdobramento da ação já protocolada questionando a concessão de benefícios fiscais por lei de 2014, há algumas investigações em andamento, que tramitam em sigilo”. Disse ainda “que não há como confirmar o nome de nenhum investigado bem como o objeto da investigação”. O caso Caoa é um combustível a mais nas investigações contra Marconi Perillo por suposto favorecimento a empresas mediante renúncia fiscal.

Em fevereiro, o MP-GO pediu à Justiça o bloqueio de R$ 3,9 bilhões em bens de Perillo para cobrir supostos prejuízos causados aos cofres públicos ao isentar mais de mil companhias de pagar juros  dívidas com o próprio estado. Por meio de sua assessoria, o exgovernador Marconi Perillo informou que o “Programa de Recuperação Fiscal – Regulariza 2014 foi rigorosamente amparado pelas decisões do Confaz”. Afirmou ainda que todos os seus bens “estão devidamente declarados em seu Imposto de Renda, com valor total de R$ 6 milhões”. Em relação à Caoa, Perillo diz que a relação do estado de Goiás com a companhia “sempre se deu no nível institucional”.

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10.04.19
ED. 6091

Curto-circuito em Itaipu

A intrincada renegociação do Tratado de Itaipu vai ganhar ainda mais voltagem nesta semana. O governo Bolsonaro oficializará a sua posição de romper o acordo firmado em 2009 pelos então presidentes Lula e Fernando Lugo. O tema será levado para a reunião de amanhã, em Assunção, entre dirigentes de Itaipu e da ANDE, empresa pública paraguaia do setor elétrico. A cláusula em questão permite ao Paraguai comprar o excedente de energia da hidrelétrica ao preço subsidiado de US$ 6 por MWh. Procurada pelo RR, Itaipu informou que “o resultado da reunião será divulgado a posteriori”. Caso o acordo seja revisto, na prática o Paraguai terá de voltar a arcar integralmente com os custos financeiros referentes à construção da hidrelétrica. Estas despesas foram excluídas da base de cálculo dessa tranche adicional de energia comprada pelos paraguaios. Trata-se apenas de um dos pontos de fricção entre os dois países, numa renegociação bilateral que tem tudo para se arrastar 2019 adentro. O Brasil defende também um reajuste na tarifa cheia que o Paraguai paga pela energia de Itaipu– o valor médio atual é de US$ 54 o MWh. O aumento, neste caso, poderia chegar a 50%.

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09.04.19
ED. 6090

Itamaraty mira em representações na África e no Caribe

O Ministério das Relações Exteriores, com o apoio integral do Palácio do Planalto, planeja fechar algo em torno de 15 representações diplomáticas na África e no Caribe ao longo deste ano. Os cortes atingiriam, entre outras nações, Burkina Faso, Mali, Mauritânia, Serra Leoa, Antígua e Barbuda e  Dominica. A medida envolveria a desativação de escritórios e mesmo de embaixadas menores.

Não é de hoje que esta medida vem sendo cotejada no Itamaraty – diga-se de passagem, sem que exista um consenso dentro da própria Pasta. Em 2017, um estudo da Comissão de Relações Exteriores do Senado apontou que as representações diplomáticas abertas entre 2003 e 2016 – nas gestões de Lula e Dilma Rousseff – somavam um gasto de aproximadamente R$ 380 milhões por ano, sem as devidas contrapartidas comerciais ou políticas. Com base nos números, o governo Temer chegou a iniciar preparativos para desativar boa parte delas.

No entanto, o então chanceler Aloysio Nunes Ferreira, que, curiosamente, havia sido presidente da Comissão no Senado, foi demovido pelo corpo diplomático do Itamaraty. O RR entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores, que preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Caso se confirme, o fechamento de representações do Itamaraty em países da África e do Caribe será uma medida carregada de simbologia. Na prática, funcionaria como mais um gesto do presidente Jair Bolsonaro de distanciamento da política externa do PT. Os governos de Lula e de Dilma Rousseff, notadamente o primeiro, deram uma atenção especial a nações que nunca estiveram no eixo central da diplomacia brasileira. Nesse período, o Itamaraty ganhou embaixadas e escritórios em 44 países da África e do Caribe.

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05.04.19
ED. 6088

Reality show

A convocação de Antônio Palocci e Guido Mantega é apenas um aquecimento. O presidente da CPI do BNDES, o deputado tucano Vanderlei Macris, guarda no bolso do colete um pedido de acareação entre os dois ministros da Fazenda do governo Lula.

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20.03.19
ED. 6076

Reprise

Ao menos uma das pautas da viagem de Jair Bolsonaro ao Chile, a partir de amanhã, tem gosto de refogado. O “anúncio” do fim da cobrança de roaming nas ligações celulares entre os dois países já foi “anunciado” por Michel Temer em novembro do ano passado, durante encontro com o presidente Sebastian Piñera.

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28.02.19
ED. 6065

Queda da Selic é o cartão de visita de Campos Neto

Os pronunciamentos dos presidentes do Banco Central em suas sabatinas no Senado Federal são exercícios de redundância e repetição. O novo comandante do BC, Roberto Campos Neto, defendeu com ênfase a linha mestra da sua gestão: cautela, serenidade e perseverança. Ora, como se Campos Neto pudesse propor ousadia, exacerbação e precipitação. Todos os presidentes do BC entoam o mesmo mantra. Mas nem todos copiam a política monetária do(s) antecessor(es).

Campos Neto promete ser um desses casos. Uma fonte próxima a Paulo Guedes ouviu do ministro que, ao contrário das gestões Alexandre Tombini e Ilan Goldfajn, a seta dos juros está apontando na direção de baixa. Esse seria o consenso do núcleo central da equipe econômica, da qual Campos Neto faz parte. Ao contrário de Henrique Meirelles, no governo Lula, Tombini, no governo Dilma, e Ilan, no governo Temer, o novo presidente do BC foi escolhido diretamente por Paulo Guedes, que tem ascendência intelectual sobre o financista. Os juros não caem por bonapartismo monetário.

A redução depende da ocorrência de outras variáveis em um processo no qual são observados diversos fatores. Campos Neto não decidiu baixar as taxas e ponto final, mas ausculta probabilidades e evidências. Se a inflação der sinais de cair dos já reduzidos 3,75% para 3,50% ou 3,25%, bem abaixo da meta de 4,25%; se a atividade econômica continuar constipada, com a indicação de um PIB de 2% ou até mesmo 1,5%, conforme já projetam algumas casas bancárias; com o Federal Reserve antecipando a suspensão do ciclo de alta dos juros; Neto vai muito, muito provavelmente reduzir a taxa Selic.

Por mais que o fiscal possa fazer pela economia, todas as medidas serão contracionistas. Mesmo o efeito expectativa da reforma da Previdência pode tomar um banho de água morna se a aprovação for sendo atrasada até o fim do ano. A queda dos juros seria um fato novo, auspicioso como toda vez que acontece. O espaço para a redução é largo. Vai de 6,25% a 5,75% – uma Selic de 5,50% seria azarão. Façam suas apostas.

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22.02.19
ED. 6061

Bolsonaro desmoraliza o GSI com o seu celular

Até que ponto a incontinência verbal de Jair Bolsonaro é um assunto de foro privado ou uma questão de Estado? A pergunta é feita recorrentemente no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), sem que haja uma resposta sobre que tipo de providência de ordem técnica poderia ser adotada para o controle do uso das mensagens do presidente pelo WhatsApp. A premissa é que é inadministrável a disposição de Bolsonaro para utilizar o celular pessoal. Contrariando recomendações, ele teima em não recorrer a aparelhos criptografados.

Um áudio ou mensagem de texto transmitido por WhatsApp pode ser reencaminhado para terceiros e rapidamente viralizado sem que o seu remetente original tome conhecimento de quem e muito menos quantas pessoas receberam – ainda que existam aplicativos que se dizem capazes de rastrear essa comunicação, como Mac Spoofing e Spyzie. O próprio WhatsApp está longe de ser conhecido como o mais seguro dos dispositivos entre seus congêneres. Ao melhor estilo “Missão Impossível”, o concorrente Telegram, por exemplo, permite que as mensagens sejam automaticamente apagadas em um tempo pré-determinado, como cinco segundos. Não por acaso, era o preferido de Eduardo Cunha.

Pressionado pela viralização das fake news, o próprio WhatsApp já anunciou que está testando novos recursos capazes de identificar todo o caminho percorrido por uma determinada postagem e chegar ao seu remetente original. A resistência de Bolsonaro, de certa forma, desmoraliza o GSI. E pior: coloca uma espada sobre a cabeça da República. A busca de um dispositivo legal contra vazamentos, a exemplo da conversa entre Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno, encontra um obstáculo aparentemente irremovível no fato de que ninguém sabe quem copiou para quem. O compartilhamento, sem autorização, de mensagens é crime previsto no artigo 153 do Código Penal.

“Divulgar a alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem” é passível de detenção de um a quatro anos, além do pagamento de multa. No entanto, a punição não é imediatamente aplicável. A interpretação da lei é dúbia. Há controvérsias em relação ao que configura um “documento particular” e mesmo à caracterização ou não do dano. Entre os juristas, existe também uma corrente que defende não haver delito se um dos participantes da conversa ou da troca de mensagens for o responsável por torná-las públicas. Trata-se da mesma premissa relativa à gravação e divulgação de ligações telefônicas.

O RR encaminhou ao Gabinete de Segurança Institucional uma série de perguntas relacionadas à proteção das comunicações da Presidência da República, seja por celular ou e-mail. O GSI, no entanto, não quis se pronunciar. Em 2017, o General Sergio Etchegoyen, então ministro-chefe do Gabinete, recomendou ao Palácio do Planalto à aquisição de equipamentos capazes de interferir no funcionamento de dispositivos eletrônicos, de celulares a câmeras fotográficas ou gravadores.

O presidente Michel Temer vetou a compra – ver RR de 18 de maio de 2017. Não se tem notícia de que os aparelhos tenham sido comprados posteriormente. Entre tantas interrogações, uma certeza: o caso Bebianno expõe um problema não apenas a futuro, mas, sobretudo, pelo passado. Pode se imaginar o volume de mensagens escritas ou de viva-voz disparadas por Bolsonaro e seus rebentos durante a campanha eleitoral e mesmo em suas primeiras semanas no Palácio do Planalto. Muito provavelmente, há um razoável estoque de missivas, sobre os mais diversos assuntos, armazenadas em celulares de terceiros, que copiaram para terceiros, que copiaram para terceiros… A voz de Bolsonaro tornou-se um risco de resultar em um “Zapgate”, ameaçando a governabilidade do país.

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14.02.19
ED. 6055

Luta inglória

A defesa de Lula tenta anular a convocação de Antonio Palocci como testemunha de acusação do processo que apura possível tráfico de influência do ex-presidente na compra dos caças da Força Aérea. Os advogados levantam a suspeição de Palocci devido aos acordos de delação premiada que ele fechou em ações no âmbito da Lava Jato – nos dois casos usando acusações a Lula como moeda de troca.

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11.02.19
ED. 6052

Crônica do adeus ao “lobisomem” brasileiro

Morreu aos 96 anos, um velho amigo do RR, Jorge Serpa, provavelmente o mais culto e longevo lobista e advogado de negócios do Brasil. Serpa não operava congressistas ou parlamentares, mas, sim, os donos da mídia e os presidentes da República. Verdade seja dita, tinha também uma queda pelos fundos de pensão e pela Petrobras. Foi a sombra de JK, Jango, todos os generais de 64 e Fernando Henrique Cardoso. “Parei no Lula”, dizia. Recebia os clientes e amigos em um escritório com grossas paredes à prova de som e sem móveis, que ficava em cima do restaurante Mosteiro, nas cercanias da Praça Mauá, Centro do Rio.

Era a toca do “lobisomem”, apelido do nosso parceiro licantropo. O único cômodo mobiliado dos três quartos era o do seu escritório, soturno como um velório na madrugada. Em qualquer conversa Serpa dizia: “Você quer saber isso? Já entendi, meu bem. Deixe comigo, vou falar com ele. Deixa que eu te volto”. E falava mesmo, e voltava mesmo. Tinha talento nato para se fazer despercebido, um personagem muitas léguas aquém do seu folclore. Quase fez Antônio Ermírio de Moraes presidente da República em conspiração com Roberto Marinho, na sucessão de José Sarney.

No início do governo militar, na gestão do general Costa Silva, o ex-vice governador da Guanabara Raphael de Almeida Magalhães foi avisado que Jorge Serpa estava tiritando de frio em uma banheira cheia de gelo, sendo torturado nas instalações da Aeronáutica. Raphael já ia sair correndo quando chegou Walther Moreira Salles ao escritório e estranhou, dizendo que tinha passado no local havia pouco e Serpa estava rindo muito e conversando com três oficiais. Quase ato contínuo entrou um empresário do setor de engenharia de projetos gritando esbaforido: “O Serpa está no pau de arara, está no pau de arara!” Moral da historia: três é o mínimo de versões sobre qualquer episódio envolvendo o lobisomem.

Jorge Serpa terminou ghost writer de todos os presidentes, o que todos suspeitavam, mas ninguém tinha certeza. O que se tinha absoluta certeza era que escrevia os editoriais de Roberto Marinho. Serpa fez muito bem a quem serviu. Pouco mal a quem atravessou o seu caminho. Daria umas das mais apetitosas biografias da República de todos os tempos. Em seu apartamento na Zona Sul mantinha um garrafão cheio de notas e moedas de dólar. Colocava ali para enfeitar.

Mas alguns amigos de passagem, partindo para o exterior, se acostumaram a pegar algum dinheiro para despesas rápidas na chegada da viagem. Outros viam a cena e achavam que era uma brincadeira do dono da casa. Pegavam também uma nota, criando um hábito. Virou um patuá. No que o lobisomem falava: “Veja só… Agora eu ainda tenho que ficar repondo dólares para os outros pegarem.” Jorge Serpa morreu pobre. Foi amigo do RR até o fim.

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08.02.19
ED. 6051

Rolam os dados na sucessão da PGR

A disputa pela sucessão de Raquel Dodge na PGR, prevista para setembro, está a pleno vapor. Desde já, o procurador Deltan Dellagnol, que conta com o valioso apoio de Sergio Moro, é tido como pule de dez. No entanto, começa a ganhar corpo no MPF uma
candidatura mais moderada: a do procurador Vladimir Aras. Sua base de apoio está concentrada entre procuradores de perfil mais acadêmico. Antes, Aras deverá disputar a presidência da Associação Nacional dos Procuradores da República. Seria uma espécie de prévia. Uma vitória no pleito aumentaria o cacife de Aras para brigar por uma vaga na lista tríplice que o MPF terá de enviar ao Palácio do Planalto. Dado o favoritismo de Dellagnol, a presença de Aras serviria ao menos para dar um molho na campanha eleitoral no MPF. Integrante da força-tarefa da Lava Jato, já chegou a defender que o TSE deveria acatar a liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU, determinando a preservação dos direitos políticos de Lula e consequentemente sua candidatura à Presidência.

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07.02.19
ED. 6050

“Segunda instância”

Entre as 250 páginas da sentença de condenação de Lula no caso do sítio de Atibaia, um dos trechos que mais chamou a atenção de seus advogados é quando a juíza Gabriela Hardt afirma que não foi instada por “qualquer tribunal internacional para suspender o trâmite desta ação penal”. Aos olhos da defesa, a magistrada quis esfriar, desde já, a possibilidade de recurso ao Tribunal Penal Internacional.

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05.02.19
ED. 6048

Bolsonaro deve ir às ruas para recuperar a sua voz

Jair Bolsonaro está muito distante e ao mesmo tempo perto de Lula. Esclareça-se desde logo o mistério. Está a mil anos luz de afastamento da visão do mundo do ex-presidente, mas pode se considerar próximo de um expediente que foi muito útil a Lula em momentos de pressão. Parafraseando James Carville, o marqueteiro de Bill Clinton, “chame o povo, estúpido!” Foi levada a Bolsonaro a ideia de convocar sua base de apoiadores para dois showmícios em duas capitais.

O presidente diria aos seus eleitores que quer agradecer a eles e que se manterá perto deles. Bolsonaro teria a oportunidade de olhá-los nos olhos. A comunicação pela televisão e a internet é fria. Na rua se mede o comparecimento, se constata a vibração. Por trás desse projeto de ir aonde o povo está, o presidente quer recapturar sua voz, roubada pelo seu vice, general Hamilton Mourão, e silenciar até mesmo os sussurros dos conspiradores contra o seu governo.

Iria para as ruas, nas quais tem vantagem comparativa, mostrar que permanece acompanhado. O mito está vivo. O raciocínio é que o “Bolsonaro in concert” facilitaria tudo, da redução do foco sobre as complicações do filho Flávio até a aprovação das reformas. Uma fonte com trânsito notório entre as hostes bolsonaristas confidencia que o maior defensor da ideia é o filho Eduardo. A inspiração teria vindo do indefectível Doctor Olavo de Carvalho, o mesmo que criticou, na semana passada, em seu blog, as Forças Armadas por estarem deixando que a imprensanoticie o noticiável. Fica registrada a dúvida do RR sobre a participação de Carvalho na trama. Do jeito que a coisa vai, ele está se tornando onipresente. Mas digamos que Bolsonaro concorde com a estratégia e busque proteção popular. Esta será, então, a primeira vez que um presidente voltará a fazer campanha eleitoral um mês após a posse.

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05.02.19
ED. 6048

Réu famoso

Às vésperas de Lula completar um ano de prisão, em abril, outra ação avançará contra o ex-presidente. Na segunda quinzena de março, os ex-ministros Antonio Palocci e Nelson Jobim serão ouvidos como testemunhas no processo que investiga a compra de caças suecos pelo Brasil, avalizada pelo ex-presidente. Nesse período, o juiz Vallisney de Souza Oliveira espera receber dados do Reino Unido e informações do governo da Suécia e de dirigentes da Saab, fabricante dos aviões. O Ministério Público Federal acusa Lula de ter feito tráfico de influência no negócio de US$ 5,4 bilhões.

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01.02.19
ED. 6046

Bagaços da Lava Jato

Em recuperação judicial, a usina sucroalcooleira São Fernando, de Dourados (MS), teria demitido mais de 300 funcionários nos últimos três meses. É mais um capítulo do calvário da empresa pertencente à família de José Carlos Bumlai, o “amigo” de Lula preso e condenado pela Lava Jato.

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31.01.19
ED. 6045

Pílulas de veneno

O empresário Daniel Mendez, fundador da Sapore, e o presidente da International Meal Company (IMC), Newton Maia, têm disparado duras acusações um contra o outro nos bastidores. O fel escorre pelo canto dos lábios dos contendores. As duas empresas do setor de alimentos estiveram perto de uma fusão no fim do ano passado. Mas, na hora H, os acionistas da IMC aprovaram uma pílula de veneno travando a associação.

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28.01.19
ED. 6042

Auditoria nos benefícios da Anistia

Os benefícios concedidos pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vão passar por um pente-fino. A auditoria sobre as indenizações de prestação única (teto máximo de R$ 100 mil) ou prestações mensais (caso se prove a existência de vínculos laborais à
época da violação de direitos) estará a cargo do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, agora responsável pelo órgão. Um levantamento preliminar apontou que os pagamentos somaram R$ 18 bilhões desde 2001. No início os créditos eram da ordem de 65 por ano (2002), mas no correr do governo Lula as liberações cresceram. Em 2010, por exemplo, foram da ordem de 1 mil. O regime de anistia abrange os atingidos por atos de exceção por motivação política entre 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988. Os pagamentos são feitos pelo Ministério do Planejamento (civis) ou da Defesa (militares).

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09.01.19
ED. 6029

ProUni deve sair da sala de aula

O governo Bolsonaro estuda extinguir o Programa Universidade para Todos (ProUni), criado no primeiro mandato de Lula, em 2004. O ProUni seria gradativamente substituído pelo voucher educação – instrumento citado três vezes por Paulo Guedes em seu discurso de posse. O novo modelo de financiamento cobriria não apenas o ensino superior, mas também a educação básica. Além do próprio Guedes, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, é adepto de carteirinha do voucher educação. Uma das premissas é que o certificado de financiamento permitirá uma maior concorrência, notadamente entre as universidades, com a consequente melhora dos índices de qualidade do ensino. A maior diferença do voucher para o regime do ProUni é a possibilidade de que o aluno escolha a instituição onde vai estudar. O governo Bolsonaro pretende estimular a migração do maior número possível de estudantes do ensino superior para a rede privada. Aumentar o número de universidades públicas, pelo menos por ora, estaria fora de cogitação. Trata-se de um movimento na contramão do que fez a gestão petista, notadamente entre o segundo mandato de Lula e o primeiro de Dilma Rousseff. De 2007 a 2013, o número de universidades federais passou de 53 para 63.

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09/01/19 8:21h

miguel.varanda@bm.com

disse:

em primeira mão?

08.01.19
ED. 6028

Oppo liga para o Brasil

A fabricante de celulares chinesa Oppo está sobrevoando o mercado brasileiro. Deverá aterrissar ainda neste ano, por meio de acordo com uma grande operadora de telefonia. A empresa é a nova coqueluche entre os consumidores asiáticos e tem dado trabalho à Apple e à Samsung em vários países da região. Para este ano, promete lançar um smartphone dobrável.

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04.01.19
ED. 6026

Saraiva fora da área de cobertura

O pedido de recuperação judicial da Saraiva ainda está longe de atenuar os problemas de curto prazo da companhia. Desde o fim do ano, por exemplo, não se encontram celulares à venda em lojas da rede. Segundo o RR apurou, grandes fabricantes, notadamente Apple e Samsung, teriam reduzido a entrega de produtos devido a atrasos no pagamento de encomendas feitas após a aprovação da recuperação judicial. Consultada, a Saraiva não se pronunciou especificamente sobre dívidas com os fornecedores e diminuição das entregas. A empresa informa que “os itens de tecnologia, que incluem telefonia e informática, passam a ser vendidos no modelo de negócio de marketplace próprio”. Diz ainda que “passa a focar seu negócio no mercado de livros, que representa a essência da companhia”. Apple e Samsung não quiseram comentar o assunto.

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03.01.19
ED. 6025

Caixa Econômica entra duro nos clubes brasileiros

A nova direção da Caixa Econômica, à frente o presidente Pedro Guimarães, vai bater de frente com o futebol brasileiro. De um lado, deverá rever os acordos de patrocínio com 24 clubes das Séries A e B, que somam aproximadamente R$ 180 milhões de desembolso por ano; do outro, vai apertar o cerco ao Corinthians. Em jogo, a cobrança do empréstimo de R$ 400 milhões concedido para a construção da Arena Itaquerão – um caso rumoroso e envolto em suspeições que, guardadas as de vidas proporções, está para o banco assim como a política de cavalos vencedores para o BNDES.

Segundo o RR apurou, o clube paulista vinha negociando com a antiga direção da Caixa uma revisão dos valores pagos pelo empréstimo. Chegou, inclusive, a conseguir uma diminuição pontual das parcelas referentes aos meses de dezembro e janeiro, que caíram de R$ 5,9 milhões para R$ 2 milhões. A nova cifra passaria a valer para o restante das prestações. No entanto, a nova diretoria do banco deve não apenas interromper as negociações mantidas até o fim do ano passado como cobrar do clube o pagamento imediato da diferença de R$ 7,8 milhões relativa a dezembro e janeiro.

Consultada, a Caixa informou que “em cumprimento ao sigilo previsto na Lei Complementar no 105 de 10/01/2011, não fornece informações a respeito de operações de crédito específicas.” Com relação à atuação no futebol de uma forma geral, o banco esclarece que “está em fase de definição de estratégia.” O Corinthians, por sua vez, disse que “não se manifesta sobre negociações em andamento com cláusula de sigilo”. A nova gestão da Caixa Econômica não tem alternativa. Sua missão é cortar gordura de tudo que é lado e preparar o terreno para a venda de subsidiárias do banco. É a nova regra do jogo.

De quebra, no caso específico do Corinthians, o aperto nas negociações pode render algum dividendo político ao governo Bolsonaro. Ainda que por vias oblíquas, barrar qualquer tipo de waiver para o Corinthians significa entrar de trava alta no cartola do futebol brasileiro mais identificado com Lula: o presidente do clube, Andrés Sanchez. O dirigente está prestes a encerrar seu mandato de deputado federal pelo PT. A notória relação entre Sanchez e o corintiano Lula teria sido determinante para a construção do Itaquerão para a Copa do Mundo, com o empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES – repassados pela Caixa, responsável pela gestão e cobrança do empréstimo.

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28.12.18
ED. 6023

Na escuta

Uma das “atrações” do mega-esquema de segurança do GSI para a posse de Jair Bolsonaro será um equipamento capaz de monitorar e bloquear sinais de celulares e mensagens de WhatsApp em um raio de até cinco quilômetros.

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26.12.18
ED. 6021

Vaquinha natalina

O PT lançou uma campanha para bancar a “Vigília Lula Livre” em Curitiba. O partido está solicitando aos filiados que façam doações de R$ 25 a R$ 1.000 para custear a estrutura do local.

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20.12.18
ED. 6019

Federais vs. federais nos aeroportos brasileiros

Há uma ossada do já remoto governo Lula que deverá atingir Jair Bolsonaro nas primeiras horas do seu governo. Trata-se do Decreto que obriga auditores da Receita Federal a passar por scanners de inspeção em áreas reservadas de aeroportos. À primeira vista, pode parecer uma questão menor ou um mero melindre corporativista restrito a uma categoria do funcionalismo público.

Nos últimos dias, como forma de pressão para derrubar o decreto, fiscais da Receita iniciaram uma operação tartaruga no aeroporto de Viracopos, causando não apenas um caos no desembaraço de mercadorias no terminal de cargas, mas levando a situações de embate entre agentes do Fisco e da Polícia Federal. Entre outros protestos, auditores colocaram cadeados em alguns locais do aeroporto de Campinas para dificultar o acesso de outros funcionários. Agentes da PF foram acionados para cortar os lacres. Ato contínuo, fiscais da Receita deram voz de prisão a agentes e segurança privada que foram chamados para auxiliar no trabalho de liberação de alas do terminal de cargas.

A situação pode se agravar, com a crescente possibilidade de repetição do protesto em outros aeroportos e automática resposta da PF na repressão às manifestações. A revista eletrônica passou a ser obrigatória desde a última sexta-feira, quando a agência conseguiu derrubar na Justiça o mandado de segurança que suspendia os efeitos do polêmico decreto de 2010. O imbróglio tem outras consequências nocivas, que ganharão ainda mais dimensão caso os protestos dos auditores se espalhem por outros aeroportos. Uma das principais é o atraso no desembaraço de mercadorias e o aumento de custos para as companhias aéreas. No início desta semana, por exemplo, voo da Atlas Air Cargo ficou completamente sem atendimento devido à operação tartaruga. Ontem, mais uma vez no terminal de Viracopos, um chefe-adjunto da Receita ordenou o fechamento de um portão, impedindo a liberação de cargas para as transportadoras rodoviárias. Segundo o RR apurou, quase aos gritos, ele dizia que ia “parametrizar” tudo no despacho. Sabe-se lá o que queria dizer.

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20.12.18
ED. 6019

Toffoli estraga a ceia da “santíssima trindade” do PT

Alegria de petista dura pouco. O ministro Dias Toffoli derrubou uma animada confabulação que não sobreviveu mais do que algumas horas na tarde de ontem. Logo após a decisão de Marco Aurelio Mello de soltar prisioneiros condenados em segunda instância, o ex ministro Gilberto Carvalho iniciou consultas para o que seria um réveillon conjunto de Lula, José Dirceu e Dilma Rousseff. A premissa é que não poderia haver fato político mais emblemático para a esquerda do que a reunião das três maiores lideranças do PT, afastadas à sua revelia desde a prisão de Dirceu. Na visão do grande amigo de Lula, o encontro dos três remontaria, simbolicamente, à formação da Frente Ampla, que uniu Carlos Lacerda, Jango e JK contra a ditadura – ainda que “ampla” de um partido só. Mas Gilberto Carvalho não teve tempo sequer de engatar a terceira marcha nas conversas dentro do PT. Toffoli acabou com o devaneio de um Natal com a “santíssima trindade” petista.

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13.12.18
ED. 6014

Caixa Econômica na mira do privatista Paulo Guedes

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, está disposto a relançar pela enésima vez a tese de que o país não precisa ter duas mega instituições financeiras estatais; e que pode muito bem privatizar uma delas. Estamos falando da Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, primeiro e segundo lugar no ranking de maiores instituições pelo critério de ativos financeiros. Desde o governo Collor, vai e volta, a ideia surge em algum lugar. Passou por FHC, por Lula e, mais recentemente, foi defendida por Henrique Meirelles.

Agora mesmo, na era Jair Bolsonaro, já surgiu algumas vezes com colorações diferentes. Primeiro, foi no afã privatista de Guedes, que queria se desfazer da Petrobras, CEF, Eletrobras e tudo mais o que estivesse pela frente. Bolsonaro fechou a porta para os excessos do ministro. As principais estatais não seriam privatizadas. Depois, Guedes cometeu uma inconfidência: comentou com um amigo e dirigente do sistema financeiro que queria ver o Bank of América Merrill Lynch associado ao Banco do Brasil. Ou seja: o Estado brasileiro venderia a sua parte. Ninguém mais sério quis comentar o desvario.

Agora, Guedes voltaria a mirar o seu alvo. A bola da vez seria a CEF. Qual o motivo? A União tem 100% do capital da instituição. Portanto seria mais dinheiro para redução da dívida pública bruta. Uma lufada de ares privatistas colaboraria para higienizar a CEF, uma instituição cercada de interesses políticos por todos os lados. Guedes também quer se livrar da coleção de riscos bancários. Prefere ficar, na área comercial, com o BB – se pudesse não ficava com nenhum. A CEF volta e meia precisa de injeções de capitalização do governo. Seu maior ativo é a vasta rede bancária. A proposta de vitaminar o BB em paralelo com a venda da CEF pode ser um estímulo para sensibilizar Bolsonaro que, no caso das instituições financeiras, reduzir é aumentar, mesmo que por via transversa. Se Guedes emplacar essa, vai para a galeria dos ministros que quebraram paradigmas.

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10.12.18
ED. 6011

Banalização da liberdade

Lula é “apenas” mais um. O número de pedidos de habeas corpus ao STF bateu recorde: foram 12,2 mil entre janeiro e novembro, já acima das 11 mil alforrias solicitadas durante 2017.

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22.11.18
ED. 5999

Prisão domiciliar

O RR apurou que Lula ainda não autorizou seus advogados a entrar com pedido de prisão domiciliar, tema que voltou à baila com força nos últimos dias. Curiosamente, caso se confirme, a solicitação representará uma espécie de looping na defesa do petista. Esta era a estratégia pregada pelo ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, que, entre outras divergências, deixou o caso em julho depois que o advogado Cristiano Zanin e o próprio Lula recusaram-se a entrar com o pedido de regime domiciliar.

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19.11.18
ED. 5996

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político – Um macaco de imitação às avessas

Jair Bolsonaro venceu a eleição se apresentando como o anti-Lula. Acaba de escolher como chanceler um diplomata que se apresentou durante sua campanha como o anti -Amorim. Ali e aqui, as identidades foram cuidadosamente modeladas conforme o esquema conservador de se mirar no inimigo, usandoum espelho invertido. Qual a surpresa? Por que o espanto? Tudo me parece de grande coerência. Se quiserem entender as ações publicitárias do próximo governo, façam assim: imaginem como os conservadores veem os passados governos do PT e multipliquem por menos um. Será um macaco de imitação às avessas. Inclusive no pragmatismo que provavelmente vai aparecer debaixo da lorota ideológica. Por isso, não fiquem espantados. Em breve, estarão mortos de tédio.

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16.11.18
ED. 5995

Diplomacia quatro estrelas

Jair Bolsonaro manifestou a aliados a intenção de ter um conselheiro da área de Relações Exteriores ao seu lado no Palácio do Planalto. O cargo pode ser ocupado por um general. Mal comparando, seria algo similar à figura de Marco Aurelio Garcia no governo Lula. A ideia não desperta simpatias no Itamaraty, que teme um duplo comando na Pasta.

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13.11.18
ED. 5993

Um combustível para o conteúdo local?

Diante da intenção de Jair Bolsonaro de reduzir a exigência de conteúdo local na área de óleo e gás, um dado curioso: fabricada integralmente no Brasil, a plataforma P-66 tornou-se neste mês a maior produtora do pré-sal, batendo as marcas de 148,3 mil barris de petróleo e seis milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Por sua vez, a P-67, concluída no estaleiro Modec, da China, só deverá entrar em operação no fim de dezembro, um ano e meio depois do que previa o cronograma original da Petrobras. O equipamento chegou ao Brasil com problemas no flare (mecanismo de queima de gases e líquidos eliminados durante o processo de exploração) e no sistema de ancoragem. Estima-se que o atraso no início das atividades da P-67 tenha representado um prejuízo de aproximadamente R$ 5 bilhões para a Petrobras. Procurada, a estatal confirmou que a plataforma está sendo deslocada para o Campo de Lula e iniciará suas atividades ainda neste ano. Sobre o valor das perdas, com a P-67, a companhia diz “não ter essa informação”.

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07.11.18
ED. 5989

Os sentinelas de Bolsonaro

Os quatro senadores eleitos pelo PSL, de Jair BolsonaroFlávio Bolsonaro (RJ), Major Olímpio (SP), Juíza Selma Arruda (MT) e Soraya Thronicke (MS) – vão se reunir pela primeira vez, hoje, em Brasília. O objetivo é discutir a estratégia da bancada para a disputa da mesa diretora da Casa. Nos primeiros contatos por WhatsApp, segundo o RR apurou, o quarteto definiu veto “total” à eleição de Renan Calheiros para a Presidência do Senado. Mas tudo pode mudar: o dono da palavra final, o próprio Bolsonaro, não faz parte do animado grupo de conversas pelo celular.

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29.10.18
ED. 5983

Comitê de campanha

Balanço pós-eleitoral da agenda de Lula: em 205 dias no cárcere, o petista contabilizou 572 visitas. Segundo o RR apurou, na campanha, de 15 de setembro até o último fim de semana, a média chegou a 3,2 visitantes por dia.

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25.10.18
ED. 5981

Campanha tem seu vale-tudo final

O TSE está de olho nas redes nestes últimos dias da campanha eleitoral. A expectativa é que um tsunami varra a internet com propaganda dos dois candidatos. Os motivos de Haddad são óbvios: é avançar ou avançar. Ele está perdendo de goleada, mas a queda da sua rejeição, conforme as pesquisas, assim como o ânimo trazido com o exemplo Wilson Witzel no Rio –surpresas acontecem – induzem a um grande esforço na reta final. Bolsonaro, por sua vez, viu aumentar sua rejeição e a perspectiva de ter uma queda de votos em relação ao que as pesquisas apontaram nos últimos dez dias. O Capitão precisa de muito voto para fazer uma lasca do que tem prometido. Como são os últimos minutos de uma finalíssima, bola para o mato que o jogo é de campeonato. A fake news está “liberada”.

A reta final da campanha petista tem sido marcada por uma disputa em relação à estratégia de comunicação. De um lado, o ex ministro Franklin Martins, com a autoridade de quem esteve com Lula na semana passada; do outro, o marqueteiro Sidrônio Palmeira, ligado a Jaques Wagner. Ao seu estilo, Franklin defende o acirramento do confronto com Jair Bolsonaro. Chegou a propor até a volta do vermelho ao material de campanha. Já Sidrônio prega que Haddad dê mais ênfase às propostas para a economia e a área social. É uma queda de braço de dois perdedores.

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22.10.18
ED. 5978

A complexa simplicidade do fator Bolsonaro

Há dúvidas se as frentes democráticas de resistência tiveram papel determinante na queda das ditaduras. Com todo respeito ao comportamento heroico de personagens como o Dr.Ulysses Guimarães, Mário Covas e Luiz Inácio Lula da Silva, os regimes estavam caindo de podre. Há decerto uma histeria com as consequências exponencializadas do autoritarismo de Jair Bolsonaro A percepção popular sobre a probabilidade de um totalitarismo é rala.

As pessoas continuam indo à rodoviária e aos aeroportos, se defendendo na Justiça, lendo jornais e… votando. A comparação com Hitler, Átila ou Nero, ou a menção ao apoio da Ku Klux Klan soam à declaração de derrota. O tsunami no WhatsApp, sim, deve ser considerado como de alguma influência. Verdade seja dita, o fenômeno Bolsonaro vem sendo cevado não é de hoje. O capitão intuiu o drama do homem conservador normal: uma rotina desesperante de desacertos e um pavor da escalada da violência, que passou a ser considerada o motivo maior para o fechamento dos postos de trabalho, e não inverso.

Quem quiser conhecer o eleitor de Bolsonaro, pode assistir no Netflix ao filme “Dia de Fúria”. O “bolsonauta” é interpretado pelo ator Michael Douglas. De manhã até a noite nada dá certo na vida do personagem. Com base nessa demanda reprimida de autoridade Bolsonaro, sem nenhuma opinião, clareza de ideia ou projeto para as mazelas da Nação, convidou o homem comum e sem esperanças a embarcar nesta aventura do “ou vai ou racha”.

A esquerda insistiu em ofertar o que já vinha sendo dado: políticas assistencialistas, respeito às minorias, combate à fome, medidas na área social sociais, planos de emprego etc etc. Provável que o eleitor tenha considerado essas bandeiras como direitos já adquiridos. Ficou parecendo mais do mesmo. O fenômeno Bolsonaro foi ainda anabolizado pelo trágico destino do ornitorrinco formado por um grande líder popular, uma presidente esquizofrênica e um cleptocrata golpista. Em tempo: Ciro Gomes compreendeu o Zeitgeist. O PT não entendeu bulhufas.

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19.10.18
ED. 5977

Dinheiro para Lula

A portuguesa Petrogal deverá investir algo em torno de 200 milhões de euros no megacampo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, onde é sócia da Petrobras. O Brasil vale quanto pesa nos barris do grupo: já responde por quase 90% de toda a produção de óleo dos portugueses no mundo.

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18.10.18
ED. 5976

Cardápio de Bolsonaro inclui até consulta popular sobre o destino de Lula

Teria partido da dupla Janaina Paschoal e Miguel Reale Junior a inusitada proposta a Jair Bolsonaro de que, devidamente diplomado, o então presidente envie ao Congresso pedido de consulta nacional sobre a manutenção ou não de Lula no cárcere. Curiosa a origem da ideia. Foram os dois jurisconsultos os responsáveis pelo requerimento de impeachment da presidente Dilma Rousseff e consequentemente pela demolição do governo do PT. A fonte do RR identifica na controversa sugestão dos dois juristas – Janaina agora coroada como a deputada estadual mais votada da história do país – uma medida multiuso.

Primeiramente, atenderia, em parte, ao clamor internacional, notadamente o provocado pelo Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que defendia que o ex-presidente pudesse concorrer nestas eleições e permanece intercedendo pela sua liberdade. Bolsonaro poderá afirmar que era apenas um candidato e Lula, seu adversário, ainda que indireto, cabendo aos Poderes da República que se manifestassem sobre o assunto. Na situação de presidente, ele estaria em condições legais de encaminhar ao Congresso a consulta de julgamento popular, o tribunal mais legítimo para avaliação da condenação sui generis de Lula.

Jair Bolsonaro estaria dando também o maior recado de alerta à desinibida judicialização que vem pautando as instâncias juridicantes. A iniciativa sancionaria a realização de outros referendos ou plebiscitos que o Capitão já antecipou pretender utilizar no futuro. Se for liberto, teoricamente Lula estaria constrangido a ser um interlocutor afável de Bolsonaro na Presidência da República. O que não seria nada excepcional, conhecendo-se o pragmatismo do petista.

Por outro lado, se a criminalização do ex-presidente for reiterada pelo povo, Bolsonaro se livraria de um permanente problema político. O ícone estaria sepultado. O RR enviou aos dois mencionados juristas uma série de perguntas sobre o assunto. Janaina Paschoal negou a informação. Garantiu não ter tratado da questão com o candidato Jair Bolsonaro e tampouco com integrantes do Judiciário.

Está feito o registro. Por sua vez, Miguel Reale Junior não quis se pronunciar. A proposta, ressalte-se, estaria sendo guardada a duzentas mil chaves pela campanha do Capitão nesse período do segundo turno, onde os votos do antipetismo são considerados essenciais não somente para dar a vitória a Bolsonaro nas urnas, mas também para proporcionar uma diferença expressiva no escrutínio. Caso a consulta popular venha a se confirmar e seja favorável ao ex-presidente, será a maior rasteira na História, jamais concebida em todos os tempos, como diria o próprio: Bolsonaro e seus generais, com a ajuda do povo, libertando Lula do cárcere.

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16.10.18
ED. 5974

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político – Um conservadorismo popular?

Tudo ainda muito nebuloso e temeroso. Mas, se a nova direita for capaz de ser domesticada pelas instituições, deixando de lado a caricatura fascista, será possível pensá-la como a contraparte conservadora do processo de democratização ou massificação da política que já havia acontecido à esquerda em torno do PT. Por muito tempo a esquerda, em âmbito nacional, também esteve essencialmente em setores de classe média, enraizando-se mais de 15 anos para cá em segmentos populares. O atual abandono do PSDB pelo eleitorado conservador de classe média, engrossado agora por setores populares evangélicos e outros, bem como a identificação do Bolsonaro como o Lula de um espalho invertido, podem indicar esse processo de constituição de um “conservadorismo popular” – e não apenas elitista ou tecnocrático como ele existiu até hoje. Mas ainda é cedo para saber.

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15.10.18
ED. 5973

Aproximações sucessivas

Há um novo ponto de aproximação entre petistas e tucanos. José Gregori, ex-ministro de Direitos Humanos de FHC, e Paulo Vannuchi, que comandou a área na gestão Lula, deverão se encontrar nesta semana em São Paulo. Gregori resiste a declarar apoio a Fernando Haddad, mas já sinalizou que aceita assinar um manifesto contra Jair Bolsonaro.

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10.10.18
ED. 5971

Velho Chico vira “cabo eleitoral” de Fernando Haddad

A campanha de Fernando Haddad vai navegar pelo Velho Chico. O petista pretende anunciar ao longo da próxima semana um grande projeto voltado à conclusão das obras de transposição do São Francisco. A ideia é transformar a apresentação da proposta em uma efeméride eleitoral, com uma caravana percorrendo diversas cidades da região, a começar por Bahia e Pernambuco. Haddad pretende fazer barulho ao garantir um investimento da ordem de R$ 8 bilhões e a promessa de geração de mais de 20 mil empregos diretos no período de dois anos. Desde o governo Lula, cerca de R$ 10 bilhões já irrigaram o projeto em seus mais diversos trechos, mas nos últimos meses o manancial financeiro secou. O PT está empenhado em espremer ainda mais o sumo do seu maior colégio eleitoral. No último domingo, Haddad obteve 51% dos votos do Nordeste. Trata-se de um índice expressivo, mas inferior aos quase 60% amealhados por Dilma Rousseff no primeiro turno em 2014 – é bem verdade que ela não teve um oponente com apelo na região, como no caso de Ciro Gomes neste ano. Na tentativa de compensar a limitada performance no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o partido considera fundamental não apenas avançar sobre os 4,9 milhões de votos obtidos por Ciro entre os nordestinos, mas também sobre os 7,5 milhões de eleitores de Bolsonaro na região. Se há uma área na qual os petistas acreditam ser possível converter uma parcela razoável de “bolsonaristas” é no Nordeste.

Por falar em Fernando Haddad, o petista voltou de Curitiba, na última segunda-feira, decidido a conversar pessoalmente com Fernando Henrique Cardoso ainda nesta semana. Haddad não se convenceu com a negativa de apoio ao PT feita por FHC no mesmo dia. O petista ouviu a declaração como uma das tantas matreirices do “Príncipe”, algo como “quem precisa de votos que venha a mim”. Pois Haddad precisa e irá. Esta seria a primeira vez que PT e PSDB se colocariam do mesmo lado na disputa presidencial desde 1989, quando os tucanos apoiaram Lula no segundo turno.

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08.10.18
ED. 5969

Reunião de board

Fernando Haddad, que estará hoje com Lula, vai pedir autorização à Justiça para fazer duas visitas semanais ao ex-presidente, em Curitiba. Durante o primeiro turno, ambos mantiveram a rotina de um encontro semanal.

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05.10.18
ED. 5968

Haddad busca seus pilares no governo Lula

Caso consiga brecar o avanço de Jair Bolsonaro e ganhar a eleição, Fernando Haddad poderá buscar na era Lula os alicerces para construir um núcleo duro de poder que, a priori, ele não tem. Ainda que em níveis distintos de participação, essa montagem se daria com a presença de Henrique Meirelles e de José Dirceu em seu eventual governo. Por ora, são apenas hipóteses que começaram a ser ventiladas no entorno da campanha petista após a visita de Haddad a Lula na última segunda-feira, em Curitiba.

São articulações que, assim como o magma, crepitam debaixo de terra, mas não se espere que entrem em erupção agora. Não é o momento de lançar nenhum dos dois nomes, em meio à reta final do primeiro turno e à preocupação petista com a subida de Bolsonaro nas pesquisas. O fato é que, cada qual ao seu jeito, tanto Dirceu quanto Henrique Meirelles estão em campanha – e, no caso deste último, não necessariamente para a Presidência da República. Ao fim do processo eleitoral, Meirelles terá desembolsado cerca de R$ 60 milhões em uma disputa que certamente não o levará ao Palácio do Planalto.

Na reta final da campanha, parece ter sido o preço pago por Meirelles para ser lembrado não como o ministro da Fazenda de Michel Temer, mas como o presidente do Banco Central em todos os 2.921 dias da Era Lula. Em seu programa eleitoral, o emedebista poupou o PT e o próprio ex-presidente durante quase todo o tempo. Além da autovalorização do seu trabalho como o grande condutor da economia nos oito anos do governo Lula – período em que o PIB cresceu, em média, 4% – Meirelles parece ter calculado cada frase, gesto ou filmete. O armistício deixa uma porta aberta para uma reaproximação com o PT.

Por que não? O apoio do ex-ministro seria um trunfo de Haddad na (agora incerta) disputa do segundo turno. Meirelles funcionaria como um avalista do compromisso do petista com o ajuste fiscal e as reformas estruturantes. Ao mesmo tempo, sua presença pavimentaria o caminho também para a continuidade de Ilan Goldfajn no comando do Banco Central. Com relação a José Dirceu, sua presença em um eventual governo Haddad exigiria uma configuração mais complexa.

Solto por uma liminar da Segunda Turma do STF, Dirceu já foi condenado a 30 anos e nove meses de prisão e ainda é réu em outros dois processos. Nas elucubrações petistas, o Comandante não assumiria formalmente um Ministério, até porque haveria entraves legais, mas teria o papel de assessor especial da Presidência da República, tornando-se uma espécie de Rasputin de Haddad. Sua presença no Palácio do Planalto dependeria, claro, da capacidade de Haddad de enfrentar ou não as pressões contrárias e o desgaste que a medida lhe traria logo na partida do seu mandato. Vencido isso, ele teria ao lado um estrategista político de primeira e um grande quadro partidário, com a base da militância na mão.

Embora nunca tenham representando o mesmo tipo de pensamento, Dirceu e Lula tocam de ouvido. O “Comandante” seria a representação do PT profundo no governo, algo que o próprio Haddad está longe de ser. O candidato sempre lidou com a base soft da legenda, correndo pelas raias da educação, da ciência política, da defesa de políticas identitárias etc. Dirceu também agregaria sua rede de contatos internacionais. Quem pensa na Bolívia, Venezuela ou Cuba, acertou menos de 50%. O principal capital político do “Comandante” são suas articulações com a tecnocracia e empresários conservadores norte -americano, tais como Dick Cheney e Sheldon Adelson. Meirelles sabe disso, porque presenciou a articulação de Dirceu com Mário Garnero e George Bush, que desaguou na sua indicação para ministro. É possível que “Zé” tenha mais caminhos para chegar a Trump do que o PT inteiro, incluindo o prisioneiro Lula, caso fosse solto. Mesmo com duas sentenças nas costas.

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04.10.18
ED. 5967

Lula vs. Dallagnol: vale a pena ver de novo?

O Conselho Nacional do Ministério Público Federal lncluiu na pauta de julgamentos da próxima quarta-feira, 10 de outubro, três dias após o primeiro turno, a apreciação da nova queixa da defesa de Lula contra os procuradores da Lava Jato. Os advogados do ex presidente alegam que o MPF tem violado garantias e direitos legais e pedem a abertura de um processo administrativo. O alvo principal é Deltan Dellagnol, coordenador da força-tarefa. A julgar pelo retrospecto, vai ser mais um tiro n ́água. Até o momento, a defesa do petista perdeu todas as suas representações contra os procuradores no colegiado do MPF. Em abril, o Conselho barrou queixa contra integrantes da força-tarefa que, segundo os advogados de Lula, havia desrespeitado “os deveres funcionais e o princípio da presunção de inocência”. Pouco depois, outra representação foi arquivada, também por unanimidade.

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03.10.18
ED. 5966

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político: Um “golpe fechado” espera por Haddad na esquina

Há muito se percebe que a magistratura e o Ministério Público agem como partido contra o PT como meios de contrabalançar o peso eleitoral de Lula. Já está mais que manjado o mecanismo dos vazamentos seletivos das delações premiadas e das liminares extemporâneas inaugurado por Moro, ou das proposituras de processo pelo MP às vésperas das eleições. Agora, o novo presidente do STF, Dias Toffoli, dá sinais de acreditar que um golpe militar pode ser possível. Homem político, flexível, Toffoli afirma que a Suprema Corte deve agir como um poder moderador, evitando crises políticas ou gerá-las.

Convidou um general quatro estrelas para assessorá-lo e afirma que 1964 não foi golpe, mas “movimento”. Ontem, manteve liminar de Fux contra Lewandowski, destinada a impedir que Lula seja entrevistado e assim “interfira nos resultados eleitorais”. Para bom entendedor, meia palavra basta. Toffoli acredita na possibilidade de um golpe militar e apruma o Supremo para as eventualidades. Toffoli sabe que parte expressiva das Forças Armadas não quer a volta do PT, nem o da magistratura. Se depender deles, Lula não sai mais da cadeia. Como nem sempre o eleitorado ajuda, as duas corporações darão uma mãozinha para Bolsonaro vencer, como já se está a ver.

É possível imaginar cenários possíveis para desatar o nó em que o país se meteu. Caso Bolsonaro vença e encontre dificuldades no Congresso, militares e juízes darão o impulso necessário para as reformas constitucionais que “dinamizem a economia” e “restabeleçam a autoridade”. Se der Haddad, haverá comoção da metade do país que não quer mais saber de PT e pressão por não empossá-lo. Como um golpe aberto é difícil, tentarão primeiro arrancar dele algum compromisso de rompimento com o petismo; um equivalente do parlamentarismo imposto a Jango em 1961. O resto do script a gente já conhece.

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01.10.18
ED. 5964

O retorno

José Temporão, colega de Fernando Haddad no governo Lula, tem dado a entender que voltará ao Ministério da Saúde em caso de vitória do petista.

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01.10.18
ED. 5964

“Independentes” ganham força no PT

Independentemente do resultado na corrida pela Presidência, a cúpula do PT terá um desafio pós-eleitoral: administrar uma nova configuração interna de poder que está prestes a eclodir das urnas. Os petistas que despontam como favoritos nas disputas estaduais são quadros à margem das correntes majoritárias da sigla e com um razoável grau de descolamento do comando nacional, notadamente da figura de Gleisi Hoffmann. Camilo Santana, favorito à reeleição no Ceará, é um caso emblemático. Ao longo da campanha, tem ignorado diretrizes da direção central do PT e seguido um plano de voo próprio. Mesmo após a oficialização da candidatura de Fernando Haddad, permaneceu mais próximo de Ciro Gomes, ao lado de quem já participou de comícios e carreatas. Um caso similar é o de Rui Costa, pule de dez para ser reeleito ao governo da Bahia já no primeiro turno. Não obstante sua relação com o ex-presidente Lula e a maior proximidade com Haddad, Rui carrega um histórico recente de embates com a direção do partido. Durante a indefinição da candidatura Lula, Costa deu várias declarações de que o PT poderia apoiar um presidenciável de outra sigla, fazendo coro ao seu padrinho político, Jaques Wagner.

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28.09.18
ED. 5963

Genética

Lula não detém a exclusividade na produção de “postes” eleitorais. Nos cálculos do MDB, Danielle Cunha terá mais de 110 mil votos para deputada federal. Caso se confirme, significa dizer que o orgulhoso pai Eduardo Cunha terá transferido à rebenta metade da votação que recebeu em 2014. Nada mal para uma moça que até outro dia era uma anônima e circulava discretamente pelos corredores do Congresso.

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26.09.18
ED. 5961

Josué marcha na direção de Haddad

O empresário Josué Gomes da Silva entrou em rota de colisão com Valdemar Costa Neto, “dono” do PR. Amigo pessoal de Lula e especulado como um possível candidato ao Ministério da Fazenda no eventual governo Haddad, Josué trabalha para que o partido apoie o petista no segundo turno. Valdemar, no entanto, empurra o PR na direção de Jair Bolsonaro. Aliás, já no primeiro turno, abandonando o barco de Geraldo Alckmin antes do iminente naufrágio.

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26.09.18
ED. 5961

Sempre Lula

A candidatura Haddad não mudou uma vírgula do bordão de Eunício de Oliveira, presidente do Senado. Candidato à reeleição, Eunício percorre o sertão cearense se apresentando como o “senador do Lula”.

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26.09.18
ED. 5961

Solicitação

A defesa de Lula vai solicitar à Justiça autorização para que ele conceda entrevistas na prisão. O PT já sabe a resposta e vai usá-la para criar um fato político.

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25.09.18
ED. 5960

Meirelles tira visto para a campanha de Haddad

O presidenciável de araque Henrique Meirelles está verificando o prazo de validade do seu passaporte para uma eventual flutuação em direção à banda petista. Seria uma decisão individual. Meirelles acredita que os préstimos a Lula o imunizam dos serviços a Temer. A palavra de ordem seria “Na disputa contra Bolsonaro somos todos Haddad.”

Por sinal, curiosamente, entre os respectivos marqueteiros a aliança entre Fernando Haddad e Henrique Meirelles já começou. A relação entre as duas equipes de comunicação é a mais harmônica e colaboracionista possível. Ambas têm trocado informações e compartilhado dados sobre trackings diários. Tudo na maior fidalguia.

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24.09.18
ED. 5959

FHC monta seu trampolim para o segundo turno

O manifesto pela união dos partidos de centro contra o os candidatos do PT, Fernando Haddad, e do PSL, Jair Bolsonaro foi um blefe de Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de uma saída pela tangente para saltar direto no segundo turno. FHC , como se sabe, é um encantador de serpentes. Antes da sua declaração pública, reuniu-se com Geraldo Alckmin para “traçar estratégias”. Não nutre dúvidas que Bolsonaro encaçapou sua presença no segundo turno. Sobra a outra vaga, ao que tudo indica reservada para Haddad. A única ameaça real ao candidato do PT é a ascensão de Ciro Gomes, do PDT, na reta final da campanha.

No momento, a hipótese parece menos provável. Para FHC, o PT incomoda em demasia, mas Ciro incomoda muito mais. Desde que a candidatura de Alckmin se impôs no PSDB, o ex-presidente cantou a pedra: o PSDB ganhará do PT no segundo turno com qualquer candidato, menos o “Geraldo”. Na época, o anti-petismo alcançava o firmamento e Jair Bolsonaro media 1,2 metro. Ninguém apostava ainda que o capitão fosse chegar aos atuais dois metros de altura. FHC tentou boicotar Alckmin durante todo o processo de escolha do candidato do PSDB. Mesmo depois de sacramentado a candidatura, continuou jogando cascas de banana à frente do ungido pelo partido. Com o manifesto, que sequer menciona o nome do “Geraldo”, prepara-se para articular a saída para uma sobrevida do PSDB: o apoio a Haddad no segundo turno. FHC já bordou alianças com o partido antípoda no passado.

Quando Mário Covas foi governador de São Paulo, deveu em parte sua vitória ao apoio do PT contra o concorrente Paulo Maluf. No sentido oposto, quando Marta Suplicy venceu as eleições para a prefeitura paulista, detonando o incansável Maluf, foi o PSDB quem deu os braços ao PT. FHC tem um bom entendimento com Fernando Haddad. É adepto da máxima do general Golbery do Couto e Silva: “Quando o sujeito, eleito, sobe a rampa do Palácio do Planalto, e enxerga os Dragões da Independência ali perfilados, desacredita que alguém o tenha feito presidente”. Se Haddad chegar ao posto máximo da República, terá sido ele que venceu, e não mais o onipresente Lula. E com Haddad a conversa é mais suave.

E quanto as fortes divergências programáticas entre os dois partidos? De posse do governo, isso torna-se um detalhe. FHC entoaria, então, um magnífico canto do cisne: derrotar a “direita” e articular a junção dos interesses dos dois partidos em um governo bifronte, sem a mesma dependência que ambos, PT e PSDB, tiveram do Centrão. Mas pode ser que até a publicação desta newsletter, FHC tenha mudado de ideia. É da sua natureza.

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19.09.18
ED. 5956

Abílio Diniz é o ministro da Fazenda dos sonhos de Fernando Haddad (e de Lula)

Fernando Haddad já encontrou a pedra filosofal do seu governo. Abílio Diniz vem sendo sondado para assumir o Ministério da Fazenda na eventual gestão do petista. Como tudo que diz respeito à candidatura Haddad, o ex-presidente Lula tem papel determinante na escolha, da qual é o avalista-mor. As tratativas, ressalte-se, passam à margem do atual comando do PT. São conduzidas pelo núcleo central da articulação política de Haddad, em sua maioria assessores herdados do próprio Lula. Sob os mais diversos aspectos, a eventual indicação de Abílio para a Fazenda é tratada pelo entorno do candidato petista como um dos grandes achados de sua campanha – guardadas as devidas proporções, algo similar ao que a presença de Paulo Guedes representa para a candidatura de Jair Bolsonaro.

Procurados, Fernando Haddad e Abílio Diniz não quiseram se pronunciar. É bem verdade que outros nomes têm rodado o entorno de Fernando Haddad como potenciais comandantes da economia no governo petista, entre eles o de Marcos Lisboa, secretário executivo do Ministério da Fazenda no primeiro mandato de Lula. Lisboa, no entanto, é um peso-pena se colocado na balança ao lado de Abílio Diniz. O ex-Pão de Açúcar seria um ministro turn key, um combo completo. Ao escolhê-lo, Haddad levaria no mesmo pacote staff, interlocução com o empresariado, simpatia da mídia e, sobretudo, doses hectolítricas de credibilidade. A eventual “nomeação” de Abílio Diniz para a Fazenda antes das eleições – hipótese cogitada no QG de campanha de Haddad –, teria o condão de atrair a confiança do mercado, inclusive no exterior.

Abílio é um personagem do mundo, membro do board do Carrefour em Paris. Algo que os principais assessores econômicos do PT – como Guilherme Mello, Marcio Pochmann, Ricardo Carneiro e Luiz Gonzaga Belluzzo –, além do próprio Marcos Lisboa, estão longe de conseguir, sem qualquer demérito à trajetória de cada um. Abílio seria o avalista do compromisso do governo Haddad com o ajuste fiscal e a realização das reformas estruturantes. Além disso, o petista teria ao seu lado um empresário puro-sangue do setor real, em contraponto aos financistas que cercam os demais candidatos à Presidência. Ressalte-se ainda que a indicação de Abílio significaria a presença de um nome sem máculas na Pasta da Fazenda, algo que ganha ainda mais relevância em se tratando de um partido que tem dois ex-titulares do cargo fisgados pela Lava Jato – Antonio Palocci e Guido Mantega. Para Abílio Diniz, a nomeação para o Ministério da Fazenda seria a coroação de sua trajetória, a pedra preciosa que falta em sua cravejada biografia. Ressalte-se que Abílio, não é de hoje, flerta com a vida pública, notadamente na era petista.

Caso raro de empresário que nunca “tucanou”, esteve cotado para assumir a Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff. Sua relação com Lula sempre foi a melhor possível. Em entrevista ao Estado de S. Paulo, em 2010, ele se declarou “fã de carteirinha” do então presidente da República. No fim de 2011, quando o petista esteve internado no Sírio-Libanês para tratar de um câncer, o ex-dono do Pão de Açúcar o visitou. Segundo testemunhas, foi um encontro repleto de mesuras de parte a parte. A idade não seria um obstáculo para Abílio Diniz assumir o manche da economia. Suas condições físicas são excelentes. Como ele próprio costuma dizer, desde os 29 anos ele se preparava para chegar aos 80. Abílio teria o vigor necessário para tourear o Congresso, negociar as reformas e, sempre que necessário, matar no peito e trazer para a sua responsabilidade agendas extremamente desgastantes. Um exemplo: ele já defendeu abertamente a elevação da carga tributária: “Se a atividade econômica cresce, aumenta a receita. Enquanto não cresce, tem de aumentar o imposto. Quem disser o contrário, é hipocrisia”.

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18.09.18
ED. 5955

Pedaço de Chico

“Estava à toa na vida e o PT me chamou, pra ver o Haddad chegar mostrando o seu vigor”. O estribilho original, claro, não é esse, mas o partido, o presidenciável e o autor de “A banda”, Chico Buarque, estão prestes a desfilar de braços dados na avenida eleitoral. O compositor teria recebido mensagens de Lula, pedindo participação na campanha de Fernando Haddad e ressaltando a importância do seu apoio. Chico nunca negou fogo quando foi chamado pelo PT e, especialmente, pelo ex-presidente. Mas essa eleição é considerada a mais emblemática de todas. E Chico é um reforço que faz diferença. Resta ver se vai entrar em campo.

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17.09.18
ED. 5954

BR Pharma x BTG

Paulo Remy, dono da BR Pharma, está disposto a brigar na Justiça contra o BTG, maior credor da empresa, caso o banco não aprove a venda da Farmais. Trata-se da última sobrevivente entre as redes de drogarias que compunham a holding. A briga é antiga. Remy acusa o BTG, ex-controlador da BR Pharma, de ter passado o negócio adiante cheio de “pílulas” fora da validade.

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14.09.18
ED. 5953

Fernando Haddad vai virar sertão

Fernando Haddad vai se “mudar” para o Nordeste. O plano de voo para a campanha petista prevê, logo na partida, uma blitzkrieg de Haddad na região, com atos em todos os estados nordestinos no espaço de até dez dias. O objetivo é acelerar a transferência de votos de Lula para o seu “poste” justamente no maior reduto eleitoral do PT, de forma a criar um rápido efeito retroalimentador nas pesquisas. A meta é que Haddad já apareça na próxima leva de sondagens próximo dos 15%, portanto à frente de Ciro Gomes e já descolado de Marina Silva e Geraldo Alckmin. Nesse esforço de captura do eleitorado nordestino de Lula, nos últimos dois dias o candidato petista manteve intensa interlocução com caciques políticos da região, notadamente Renan Calheiros e Eunício de Oliveira. Há um temor de que ambos, notórios “lulistas”, descolem da candidatura petista. Uma coisa é circular pelo Nordeste de braços dados com Lula: a outra, completamente diferente, é pedir votos para um professor paulista com baixo recall na região.

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13.09.18
ED. 5952

Michel Temer despreza solução para manter Bolsa Família no Orçamento

O presidente Michel Temer e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha, preocupados apenas com a porta dos fundos, ignoraram uma decisão política da área econômica que, se fosse em início de governo, não passaria jamais. O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, empurrou metade das verbas do Bolsa Família para fora da proposta orçamentária de 2019. São R$ 15 bilhões que irão engordar um montante de R$ 258,1 bilhões – valor este que exige pedido de crédito adicional aos parlamentares.

O que deixou o Bolsa Família ao relento foi a ladainha da “Regra de Ouro”, que proíbe o endividamento público para o pagamento das despesas de custeioda máquina do estado. Na seleção de despesas que ficariam fora da cobertura orçamentária, o Planejamento não pestanejou: metade do Bolsa Família ficou dependurada. A medida causou constrangimento em alguns funcionários vinculados à área social do governo Temer e a técnicos ligados a Henrique Meirelles.

O incômodo é que havia uma saída à vista. O governo acumulou uma bolada com o lucro do Banco Central oriundo da desvalorização das reservas cambiais. Trata-se de uma espécie de pedalada fiscal-cambial enrustida, prestes a ser proibida pelo Congresso. O Banco Central transfere recursos ao Tesouro sem ter vendido as reservas, apenas em função de uma rentabilidade puramente contábil. Todos os governos, nos últimos anos, vêm usando o expediente para cobrir o buraco da “Regra de Ouro”.

Mas com Temer o uso do “jeitinho” excedeu a todas as gestões anteriores. Agora mesmo, o governo separou R$ 30 bilhões desse “lucro do BC” – que supera as centenas de bilhões de reais – para tampar o rombo da “Regra de Ouro”. A crítica que se faz é porque o governo não faz um a acerto de contas dessa dinheirama com o dinheirinho para pagar o Bolsa Família dentro do orçamento. A medida é simbólica e pode representar menos um abacaxipara Henrique Meirelles descascar. Afinal, esse governo que expurga o Bolsa Família foi o seu. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que poderia impedir a decisão, foi indicado por ele. E o uso da imagem de Lula e do próprio Bolsa Família na sua campanha eleitoral pode ir para a cucuia. Mas ainda há tempo para o bom senso.

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11.09.18
ED. 5950

Biomm é um soco no pâncreas do BNDES

O BNDES já faz planos de vender a sua participação na Biomm, a fabricante de insulina criada pelo empresário e ex-ministro do governo Lula Walfrido dos Mares Guia. Há conversas preliminares com outros acionistas, como a Vinci Partners. Tudo, no entanto, depende da empresa cumprir a promessa de iniciar a produção e venda nos próximos meses. A fábrica de Nova Lima (MG) está pronta e a licença para o início da operação já foi solicitada à Anvisa. No entanto, tratando-se da Biomm, é melhor esperar pelos primeiros mililitros de insulina na seringa. O projeto tem sido adiado seguidamente. Dono de 12% do capital, o BNDES investiu mais de R$ 100 milhões no empreendimento. Consultado sobre a venda da sua participação, o banco diz “não confirmar a informação”.

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11.09.18
ED. 5950

Gleisi, paz e amor

Gleisi Hoffmann – quem diria? – debelou um incêndio. Convidou Marilia Arraes para o conselho político da campanha de Lula, ou melhor, de Fernando Haddad, selando um armistício com a neta de Miguel Arraes. Marília ameaçou deixar o PT depois de ter sua candidatura ao governo de Pernambuco implodida pelo próprio partido, que decidiu apoiar a reeleição de Paulo Câmara (PSB).

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05.09.18
ED. 5947

Um imposto sobre commodities no colo de Ciro

O imposto sobre exportações anunciado ontem pelo governo argentino sob os auspícios do FMI tem um defensor obsessivo no Brasil. O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, que fez campanha pela adoção da medida nos governos de Lula e de Dilma Rousseff, tem tentado convencer Ciro Gomes de que a tributação das commodities é o remédio para a “doença holandesa” que destrói a indústria, o emprego e o crescimento. Ciro tem ouvido Bresser com atenção, mas seus economistas consideram que o apoio do FMI e a pecha de argentinização jogam contra a ideia. Bresser, porém, é incansável e faz boa tabelinha com o mentor de Ciro, Roberto Mangabeira Unger. Aí é que mora o perigo. Em síntese, o risco não é nenhuma abobrinha.

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05.09.18
ED. 5947

O teatro do PT

O ato com artistas e intelectuais que o PT está convocando para o próximo dia 10, no Teatro Tucarena, em São Paulo, tem causado interpretações díspares dentro do próprio partido. Há especulações de que o evento marcará o lançamento oficial de Fernando Haddad como candidato à Presidência. No entanto, internamente a própria Gleisi Hoffmann tem esfriado os ânimos e desmentido essa possibilidade. Segundo ela. o encontro será uma manifestação de apoio à candidatura Lula, além servir para a gravação de imagens para o programa eleitoral do PT.

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05.09.18
ED. 5947

A culpa é do Lula…

O marqueteiro de Geraldo Alckmin, Lula Guimarães, está por um fio. Além das duras críticas feitas por Alckmin à estratégia de comunicação – ver RR edição de 24 de agosto –, a sucessão de erros grosseiros na produção do programa eleitoral deteriorou ainda mais a relação entre o candidato e o publicitário. Em menos de uma semana, a campanha de Alckmin já foi acusada de plagiar um vídeo britânico contra o uso de armas e deixou escapar uma bandeira do PCC em um dos filmetes exibidos na TV e nas redes sociais.

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04.09.18
ED. 5946

Sístoles e diástoles

O fim de semana foi marcado por tensos debates entre as cúpulas do PT e do PCdoB. À luz do dia, os comunistas cumpriram o rito e soltaram uma nota defendendo a candidatura Lula; nos bastidores, no entanto, a presidente do partido, Luciana Santos, subiu a pressão para que os petistas oficializem a substituição do ex-presidente por Fernando Haddad. Principal articuladora da aliança com o PT, Luciana defende que Manoela D ́Ávila entre rapidamente em cena como candidata a vice de Haddad.

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02.09.18
ED. 5945

Lula declara armistício a Ciro

Lula determinou que o PT lance uma trégua e interrompa os ataques a Ciro Gomes. “Vamos precisar do Ciro no segundo turno”. Segundo o RR apurou, a frase foi repetida pelo ex-presidente ao próprio Fernando Haddad e ao presidente da CUT, Wagner Freitas, que também o visitou recentemente. Lula orientou Haddad a buscar uma reaproximação de Ciro com o intuito de fechar um pacto de não agressão, tanto nos programas eleitorais quanto nos debates. Não vai ser fácil. Do lado pedetista da trincheira, o entendimento é que o armistício vale somente até Haddad oficializar sua candidatura. A partir daí é pau puro.

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02.09.18
ED. 5945

Linha de tiro

Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin estarão na linha do tiro dos próximos programas eleitorais de Henrique Meirelles. Lula também será citado, mas na prateleira dos autoelogios à gestão de Meirelles no BC.

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28.08.18
ED. 5941

Só falta Alckmin criar o Pravda

Nada como precisar de voto. Geraldo Alckmin, que chegou a defender publicamente a extinção da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), recuou da ideia. Encomendou a Persio Arida, coordenador do seu programa econômico, um projeto específico para garantir a sobrevivência da estatal. Uma possível fonte de receita é o aluguel do sinal da TV Brasil, como fazem canais privados. Curioso um tucano dar gás a esse negócio. A EBC foi um dos grandes projetos de Franklin Martins à frente da Secretaria de Comunicação Social do Lula II. Franklin defendia que o governo precisava estimular a criação de sistemas de informação que servissem de contraponto aos grandes grupos de mídia, assim como pregava o projeto de regulação do setor.

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28.08.18
ED. 5941

Um satélite fora de órbita

Uma das raras licitações que o governo Temer conseguiu realizar corre sério risco de ir para o espaço. O Palácio do Planalto e o próprio ministro Gilberto Kassab jogaram a toalha e vão empurrar para o próximo governo o imbróglio em torno da exploração do Satélite Geoestacionário Brasileiro de Defesa e Comunicações e Estratégicas (SGDC). A menos de dois meses das eleições, o governo desistiu de comprar briga com todas as instâncias – públicas e privadas – contrárias ao contrato firmado entre a Telebras e a norte americana Viasat. O TCU suspendeu o acordo. A Procuradoria Geral da República identificou irregularidades na licitação. E até as operadoras de telefonia celular entraram na Justiça contra a operação, alegando, entre outros pontos, que deveriam ter tido preferência na disputa. Por ora, a gestão segue nas mãos das Telebras. O SGDC cumpre missões estratégicas e sensíveis: além de ampliar o acesso à banda larga na Região Norte, serve para comunicações das Forças Armadas na frequência X.

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28.08.18
ED. 5941

Escolha de Sofia

Um dos mais antigos e leais aliados de Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho enviou carta ao ex-presidente no último fim de semana defendendo com veemência que ele mantenha sua candidatura até 15 de setembro. Trata-se do prazo limite para o TSE validar ou não o registro de Lula como candidato.

Apenas a título de registro: se o dead line de risco for mantido, Fernando Haddad terá apenas dois debates na TV antes do primeiro turno: SBT, em 26 de setembro, e Globo, em 3 de outubro.

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27.08.18
ED. 5940

Transferência da faixa

A cúpula do partido já discute o “cerimonial” da passagem de bastão de Lula para Fernando Haddad. O PT pretende transformar a oficialização de Haddad como candidato à Presidência da República em um grande evento de mobilização da militância e de reafirmação do poderio eleitoral do mais célebre prisioneiro do país. A ideia é realizar um comício em Curitiba, próximo à carceragem da Polícia Federal. O PT planeja levar milhares de filiados e representantes de movimentos sociais para a cidade paranaense, com transmissão do evento ao vivo nas redes sociais.

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24.08.18
ED. 5939

Alckmin decreta “intervenção” na sua campanha

Os resultados do Datafolha deflagraram uma crise no QG de campanha de Geraldo Alckmin. Nos últimos dois dias, o ninho tucano foi tomado por um clima de “está tudo errado!”. O tucano jogou a culpa pelo pífio desempenho na pesquisa sobre a sua comunicação. Marcelo Vitorino, responsável pelo marketing digital, foi afastado.

Outras cabeças devem rolar até o fim desta semana. Até mesmo a permanência do marqueteiro Lula Guimarães está em xeque neste momento. O ambiente é de intervenção. O próprio Alckmin pediu para rever gravações que já havia feito para o programa eleitoral. Descartou boa parte delas.

Segundo o RR apurou, na quarta-feira, os principais articuladores políticos de Alckmin, Lula Guimarães e todo o staff de imprensa tiveram uma tensa reunião, que começou por volta da hora do almoço e atravessou quase toda a tarde. Coordenador da campanha, ACM Neto chegou a participar do encontro por pouco tempo. Deixou o comitê assim que a temperatura começou a subir. Os assessores mais próximos têm percebido, inclusive, alterações no comportamento de Geraldo Alckmin, Em conversa reservada com Lula Guimarães, Alckmin esbravejou contra a estratégia de marketing e teria classificado a comunicação da campanha de “errática” e “sem foco”.

As críticas mais duras foram reservadas para o trabalho nas redes sociais. De fato, o “Picolé de Chuchu” repete no ambiente digital a fraca performance vista nas pesquisas eleitorais. No Facebook, o número de seguidores estacionou na casa dos 900 mil há pelo menos três meses. No mesmo período, por exemplo, Marina Silva, que está longe de ser um primor de exposição, saiu de 2,1 milhões para 2,3 milhões. Jair Bolsonaro ganhou aproximadamente 300 mil fãs virtuais no período e chegou ao patamar de 5,5 milhões.

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24.08.18
ED. 5939

Motim petista

Petistas puro-sangue, como o tesoureiro do partido, Emídio de Souza, têm se rebelado contra o crescente espaço de Manoela D´Ávila na articulação da candidatura Lula, aliás, Haddad.

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21.08.18
ED. 5936

Um candidato passageiro na sala de espera

Com seu proeminente rosto plastificado e a energia de um jovem púbere, o senador Álvaro Dias, presidenciável do Podemos, circulava entre executivos e endinheirados no último sábado (dia 18), no hangar 2 do Aeroporto de Congonhas, pertencente à Icon, empresa de taxi aéreo contradição de serviços à classe política. Eram 9 horas e alguns dos presentes arriscavam uma bicada no whisky Blue Label, presença obrigatória em qualquer listagem da nobreza dos puro malte. O destino da maioria era Brasília, meca do mundo e submundo eleitoral. Curioso o fato de frequentadores de jatinhos chegarem ao aeroporto com antecedência. Raramente seus voos atrasam, e eles ficam lá, aguardando no bem-bom. O candidato do Podemos abdicou das mordomias da casa. Preferiu aproveitar o ínterim para entoar sua campanha em dó maior. Com a voz empostada se dizia indignado com a pesquisa da XP Investimentos, que apresentou Fernando Haddad (PT) como “candidato de Lula”. Com esse enunciado, o petista chegou a 15% das intenções de voto. “Vou pedir na próxima pesquisa para me apresentarem como Álvaro Dias, candidato das torcidas do Corinthians e do Flamengo e do Sérgio Moro. Ou melhor, candidato do Papa”. Expoente entre useiros e vezeiros da aviação executiva, o senador subtraiu momentaneamente do seu discurso o marketing da pobreza, assim como os dizeres de que não usaria recursos do Fundo Partidário. No hangar 2, Álvaro Dias era o candidato de um outro “Podemos”, o “podemos tudo.” Exceção seja feita a conquistar a Presidência da República

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17.08.18
ED. 5934

Alckmin se antecipa ao PT e abre fogo contra Haddad

O PSDB não vai esperar pelo óbvio, leia-se a substituição de Lula por Fernando Haddad na disputa presidencial. A ordem na campanha de Geraldo Alckmin é subir o tom contra Haddad desde já. A partir deste fim de semana, a comunicação do tucano começará a despejar nas redes sociais ataques à gestão do petista na Prefeitura de São Paulo.

Uma das peças já prontas mostrará que ele cumpriu apenas metade das promessas de campanha. Ao mesmo tempo, a propaganda tucana vai associar a figura de Haddad aos malfeitos do PT e à herança econômica do governo de Dilma Rousseff. Neste caso, o marqueteiro de Alckmin, Lula Guimarães, vai utilizar como mote o número do PT e o tempo em que a sigla esteve à frente da Presidência, contando o interrompido segundo mandato de Dilma: “13 anos de PT e 13 milhões de desempregados”, dirá um dos spots.

O slogan já foi testado pelo tucano em um evento político no interior de São Paulo na semana passada e será viralizado nas mídias digitais. A decisão da campanha de Geraldo Alckmin de antecipar os fatos e jogar foco, desde agora, em Fernando Haddad foi determinada pelos primeiros sinais de crescimento do petista nas pesquisas. Sondagens feitas pelo QG de Alckmin entre os dias 10 e 14 de agosto indicaram que Haddad já começou a herdar votos transferidos pelo ex-presidente Lula, mesmo antes da oficialização da sua candidatura. O que tem chamado a atenção dos tucanos é o aumento das menções espontâneas a Haddad. Em uma das sondagens, o ex-prefeito já aparece perto dos 8%, dois pontos percentuais a mais do que na pesquisa divulgada pela Rede Record no início da semana.

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17.08.18
ED. 5934

Script petista

O registro da candidatura de Lula na última quarta-feira foi acompanhado de uma blitzkrieg nas redes sociais e aplicativos de mensagem. Pouco mais de uma hora após a marcha de petistas ao TSE, o partido disparou uma mensagem por WhatsApp com os dizeres “Lula é candidato! Agora é oficial”. A estimativa do partido é que o torpedo tenha chegado a mais de 30 milhões de pessoas.

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16.08.18
ED. 5933

Incansável Dirceu

O comandante José Dirceu mergulhou de cabeça no processo eleitoral. Além de bater bumbo pela improvável candidatura de Lula, vem participando ativamente de articulações políticas nas campanhas estaduais do PT, notadamente em São Paulo – onde Luiz Marinho patina nas pesquisas. Além disso, ainda tem buscado doações para a reeleição do filho, Zeca Dirceu, à Câmara.

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16.08.18
ED. 5933

Campanha de Marcio França entra em parafuso

Insatisfeito com a sua posição nas pesquisas – varia de 3% a 5% –, o governador de São Paulo, Marcio França (PSB), decidiu detonar a sua equipe de campanha. A degola começou por cima, com a substituição do marqueteiro Paulo de Tarso de Santos, autor do histórico “Lula lá”, pelo publicitário Felipe Soutelo, ligado a José Serra. O próximo passo será a troca de boa parte do staff de comunicação. O bota-abaixo provocou, inclusive, o atraso na gravação dos programas eleitorais de França para a TV. O desafio do governador é tirar os mais de 10 pontos percentuais que o separam de João Doria e Paulo Skaf, hoje favoritíssimos para o segundo turno.

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15.08.18
ED. 5932

Lula livre, de dívidas

Além do “Lula livre”, o slogan “dívida zero” também ecoa entre os petistas. Aliados históricos do ex-presidente, como o ex-ministro Gilberto Carvalho, articulam com grupos e partidos da esquerda internacional uma campanha com o objetivo de angariar recursos para o Instituto Lula. A situação é bastante delicada. Somente as dívidas fiscais acumuladas pela entidade somam mais de R$ 30 milhões.

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10.08.18
ED. 5929

Indulto de Lula é um brado silencioso na campanha dos candidatos da esquerda

Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Jaques Wagner, Manuela D’Ávila, demais petistas e companheiros de viagem que compõem os estado maior e menor da campanha antiprisional do companheiro Lula: a palavra de ordem é um “psiu” tonitruante sobre o indulto do ex-presidente. O perdão de Lula é o verdadeiro mote de qualquer um dos seus “postes”. Mas um mote não dito, quiçá proibido. A revelação desse obsessivo desejo deixará a campanha desnuda.

O indulto não deve ser dito; se dito, não deve ser comentado; se comentado, não deve ser confirmado; nem como intenção distante. O assunto é tratado com cadeado porque Lula cultiva o dilema de Tostines: não pode ser indultado porque não é culpado. Se aceitar o perdão presidencial, estaria concordando que não é inocente. No último domingo, durante a reunião de emergência que sancionou Haddad como vice e “poste”, simultaneamente, Lula falou cinco vezes sobre o tema, conforme inconfidência feita pelo ex-prefeito junto a interlocutores.

A liberdade de Lula conquistada sob a forma de um simulacro do perdão papal escrito na Carta Magna transforma qualquer diretriz ou programa do PT e das oposições em um plano hierarquicamente inferior. Não é difícil imaginar a influência de Lula livre e solto em um governo do “poste”. Adivinhe quem vai governar de fato? A agenda do indulto de Lula traz na cauda do cometa o indulto de José Dirceu e a realidade fantástica da recomposição do PT guerreiro, radical e ameaçador do sistema.

O indulto é um tema proibitivo para todos os candidatos de esquerda. Ciro Gomes, Guilherme Boulos e Manuela D ́Ávila arriscaram alguns passos de dança sobre o assunto. Lula desautorizou todos. Não há nada que apavore mais o sistema do que Lula livre, pairando acima da Justiça. O líder do PT sabe que, se essa cartada for dada antes da hora, ele cinde o país. A lenda Lula, em um recado que já se tornou um mantra, não admite – da boca para fora – ser indultado. Ele aceita sua liberdade se for reconhecido inocente. Conversa para boi dormir. Lula quer ser indultado na hora certa, um tempo quase científico. Ninguém que não seja ingênuo na acepção mais profunda da palavra acredita que, na hipótese de vitória de um candidato da esquerda, o indulto não emergirá de um caldeirão de lava fervente despejado pelo próprio Lula. Trata-se de uma teoria irrefutável e não indultável.

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10.08.18
ED. 5929

Super-terça

A próxima terça-feira é aguardada com ansiedade redobrada nos comitês de campanha dos presidenciáveis. Está prevista para o dia 14 a divulgação de pesquisa do Instituto Paraná. Será a primeira sondagem de abrangência nacional após a intensa agenda política dos últimos dias: convenções partidárias, acordo de Geraldo Alckmin com o Centrão e a formação da chamada “chapa triplex”, com Lula, Fernando Haddad e Manoela D ́Ávila.

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10.08.18
ED. 5929

Paradoxo

Paradoxo do cinismo: a campanha de Henrique Meirelles está reunindo farto acervo de imagens de Lula e Dilma Rousseff junto a Michel Temer.

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09.08.18
ED. 5928

Pérsio Arida e André Lara Resende são os nomes ideais para futuro ministro da Fazenda

A dupla “Larida” saiu na frente para assumir o Ministério da Fazenda em 2019, ao menos na avaliação de 83 dirigentes empresariais consultados pelo Relatório Reservado, a partir de uma amostragem da sua base de assinantes. Pérsio Arida e André Lara Resende despontaram no levantamento como os nomes mais gabaritados para comandar a economia no próximo governo. O RR apresentou uma lista fechada com 13 candidatos, desde já, mais cotados para a Fazenda por estarem vinculados a partidos, envolvidos na coordenação de campanha dos presidenciáveis e, nesta condição, citados na mídia.

Os assinantes atribuíram notas de 1 a 10 a eles nos seguintes quesitos: capacitação técnica, articulação política e experiência na vida pública. Pérsio,coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin, e Lara Resende, mentor de Marina Silva, ficaram empatados no topo, cada um com média de 27,7 pontos, seguidos de Henrique Meirelles, Armínio Fraga e Gustavo Franco. Ressalte-se a baixa dispersão entre os integrantes do “dream team da Fazenda”. A diferença foi de apenas 2,3 pontos.

Pérsio, ex-presidente do BC e do BNDES, recebeu a maior nota entre todos na categoria experiência na vida pública, com média de 9,3. Somou ainda 9,2 pontos em capacitação técnica e em articulação política. Lara Resende, por sua vez, teve a nota mais alta da sondagem no quesito capacitação técnica: 9,7. Na categoria experiência na vida pública, ficou com 9,1. Na opinião dos assinantes, sua maior fragilidade é articulação política (8,9). Não obstante ser um presidenciável, Henrique Meirelles é nome obrigatório em qualquer lista de candidatos ao Ministério da Fazenda – até porque sua candidatura não deve sequer sair do chão. A maior média alcançada por ele foi no quesito articulação política (9,1).

Meirelles teve ainda 9 em experiência na vida pública. A pontuação mais baixa veio em capacitação técnica (8,2) – no total, ele ficou com 26,3 pontos. Aos olhos dos assinantes, não é esta a vulnerabilidade de Armínio Fraga, quarto lugar – com 25,8 pontos. Com 9,4, ele só foi superado em competência técnica por Lara Resende. Armínio – eterno candidato à Fazenda – teve média de 8,6 no quesito experiência na vida pública e de 7,8 em articulação política. Gustavo Franco, ex-tucano e hoje filiado ao Partido Novo, fechou o pelotão de frente, com 25,4 de média.

A maior nota veio em capacitação técnica (9,2), com 8,7 em experiência na vida pública e 7,5 em articulação política. O “segundo grupo” dos ministeriáveis, razoavelmente descolado da dianteira, é encabeçado por Paulo Guedes, o comandante em chefe do programa econômico do capitão Jair Bolsonaro. No total, Guedes recebeu 20,4 de nota. Seu maior atributo, segundo os assinantes, é a capacitação técnica (9,3). O economista, no entanto, deixa a desejar em articulação política (7,3) e, sobretudo, experiência na vida pública (3,8). Logo atrás de Paulo Guedes, surge Eduardo Giannetti, outro assessor de Marina, com média de 18,2. Sua capacidade de articulação política (5,2) e sua experiência na vida pública (4,9) são consideradas baixas.

A melhor nota veio do conhecimento técnico (8,1). Assessor de Lula, Luiz Gonzaga Belluzzo ficou em oitavo no levantamento, com média 18 – 5 em capacitação técnica, 6,8 em articulação política e 6,2 emexperiência em cargos públicos. A partir do nono colocado, surgem economistas vinculados a candidatos à Presidência que ainda soam como desconhecidos. Entre os entrevistados, 41 disseram não saber quem é Nelson Marconi, próximo de Ciro Gomes. Ricardo Carneiro, ligado a Lula, e Laura Carneiro, conselheira de Guilherme Boulos, são desconhecidos, respectivamente, para 23 e 19 dos consultados. Outros 14 assinantes disseram ignorar quem seja Marcio Pochmann, também vinculado a Lula. Nove entrevistados, por sua vez, não conhecem Yoshiaki Nakano, que assessora Alckmin. Os problemas de recall certamente turvaram a avaliação de cada um destes nomes. Nakano teve média de 13,9, seguido por Pochmann (13,7). Por fim, Laura Carneiro (12,9), Ricardo Carneiro (12,1) e Nelson Marconi (11,8).

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08.08.18
ED. 5927

O 11 de setembro de Lula

A direção do PT está bastante apreensiva com o novo encontro face a face entre Lula e seu algoz, Sérgio Moro. O interrogatório do ex-presidente no âmbito da ação do sítio de Atibaia está previsto para 11 de setembro. A defesa de Lula vai usar de todos os instrumentos jurídicos na tentativa de impedir a divulgação das imagens.

É muito pouco provável que alcance o intento. Desde o início da Lava Jato, Moro tem dado disclosure aos depoimentos, sobretudo o das estrelas da operação. O temor do PT é o impacto que a divulgação de novas imagens de Lula no banco dos réus, a três semanas das eleições, terá sobre o candidato do partido à Presidência, seja ele quem for. O que não faltará é farto material para ser utilizado nos programas eleitorais e nas redes sociais pelos demais presidenciáveis.

Uma saída seria o próprio PT se aproveitar da ocasião para bradar o discurso da prisão política. Mas, a essa altura, o próprio partido já não leva muita fé na eficácia do expediente. A grade de programação montada pelo juiz Sérgio Moro dá um caráter ainda mais midiático ao 11 de setembro de Lula. Como se não bastasse o interrogatório do ex-presidente, estão previstos para o mesmo dia os depoimentos da ex-presidente Dilma Rousseff e do ex-ministro Gilberto Gil, ambos na condição de testemunhas de defesa de Lula.

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07.08.18
ED. 5926

A agenda Haddad

Além do encontro com o nº 1 da Febraban, Murilo Portugal, Fernando Haddad costura também sua ida à Fiesp para uma conversa com o presidente em exercício da entidade, José Ricardo Roriz Coelho. Ainda em agosto, deverá se reunir com investidores em Nova York. O RR apurou que o PT articula também um evento entre Haddad e prefeitos do partido. Mas o candidato do PT à Presidência é Lula..

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03.08.18
ED. 5924

Candidatos à Presidência não demonstram apetite para falar de fome

Nos primeiros anos da década de 60, o dramaturgo Augusto Boal encenou nas ruas uma peça argentina intitulada “Ninguém pode passar fome”. Fiel ao seu teatro do oprimido, Boal levou a obra às ruas, convidando os populares para interpretar o papel dos esfaimados. Ainda não havia Betinho por aqui, e sua perfeita tradução da magreza, com o seu bordão “A fome tem pressa”.

Boal e Betinho, iluminados pela extensa literatura regionalista que elevava a inanição à categoria maior e tendo a juventude a rebo- que, empurraram a batalha contra a fome decibéis acima de obras clássicas, tais como Graciliano Ramos e seu Vidas Secas. A fome parecia, então, ter entrado definitivamente na pauta política. É nesse caldeirão de luta social que o jovem Fernando Henrique foibeber e pareceu gostar. Anos depois, repaginado, FHC colocou a fome dentro do seu programa de governo como uma cereja em um sundae. Fez a versão preliminar do Bolsa Família, bem pobrezinha e acanhada. Seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, era um operário operístico e tinha a injustiça do Nordeste à flor da pele.

Embalou bem embalada a fome no programa Bolsa Família de FHC, fez ajustes e o turbinou devidamente. Aos poucos a fome foi saindo do palco. Diminuiu. Em um certo tempo chegou a ficar pequena, acusam os mapas da pobreza. Mas ainda grassa pelas regiões mais pobres do país configurando um abominável eczema social. O RR foi dar uma espiada se os atuais presidenciáveis acham o tema merecedor da sua atenção. Pois bem, pesquisa feita no Google com os principais candidatos – Geraldo Alckmim, Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Marina Silva – revela que a fome foi banalizada na campanha.

Se a decisão de não tratar do assunto é resultado de pesquisa de opinião feita pelos candidatos, ela revela que o eleitor não quer ouvir falar sobre barriga vazia. Isto em um momento no qual o Brasil volta a figurar no mapa da fome da ONU. O RR analisou as 50 primeiras páginas dos sites de busca onde os presidenciáveis falam sobre assuntos generalizados. A palavra fome foi mencionada em 2% das 200 páginas, cada uma com mais de uma dezena de matérias. Os candidatos Ciro e Marina foram os que mais falaram essa palavra profunda e oca, que exprime mais o vazio de humanidade do que o jejum compulsório do aparelho gástrico. Como que combinados, mencionaram 1% a dita cuja.

Militar acostumado a ranchos fartos, Bolsonaro citou a fome em 0,1% dos seus pronunciamentos. Saciado, com acesso aos bons restaurantes dos Jardins, Itaim e Vila Madalena, Alckmim não quis saber do estômago alheio. Citou zero vez a gigantesca palavra fome. Isso não é para o seu padrão social. Há algo de sintomático quando os candidatos esquecem a mais humilhante forma de miserabilidade.

É estranho também a mais gritante desonra nacional não estar na boca dos incontáveis movimentos sociais, que defendem individualidades, gêneros híbridos, direitos de aborígenes, borboletas, jabutis, matas, animais de toda a espécie, negros, pardos, haitianos, etc etc etc, menos o direito de não morrer de fome. Talvez o imperativo de evitar que crianças se alimentem de barro, velhas morram desidratadas e homens urrem de dor com as úlceras construídas na parede estomacal pela produção demasiada de suco gástrico devido ao vazio alimentar, tenha simplesmente ficado demodê. Parece haver uma perda da primazia do dar de comer em relação a todas as demais funções que o Estado deve exercer. Basta ver o imperativo cínico do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. A farinha que sobra para os deserdados é a farinha do desprezo. Como dizia Brecht, “enquanto houver fome, não há moral”.

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02.08.18
ED. 5923

O Brasil precisa de alguém como Reis Velloso

Está fazendo falta alguém como João Paulo dos Reis Velloso. Não é de hoje. Os governos de FHC, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer, os primeiros com alguns méritos, os últimos com mais desatinos, desprezaram o significado e importância do planejamento. A prática de organizar no tempo metas, prioridades, diretrizes e projetos, identificando em um prazo mais longo para onde o país pretende caminhar, foi estigmatizada junto com o regime militar.

Metas só as de inflação. Planos só os PACs, criados para não serem cumpridos. O primado de uma decisão de Estado deixou de ser relevante, até porque esse mesmo Estado passou a ser culpado por todos os males e perdeu o script do desenvolvimento programado. Restou-lhe uma ação esquemática, repetitiva.

João Paulo dos Reis Velloso representava exatamente o contrário, ou seja, a convicção de que o desenvolvimento exigia planejamento. Para isso despia as colaborações de preconceitos. Velloso seguia a máxima de Roberto Marinho, e também “tinha seus comunistas”. Colocava para pensar Arthur Candal, Pedro Malan, Regis Bonelli, Edmar Bacha. “Vermelhos e direitistas”. No Ipea, não havia guerra fria. Também era um mediador “por dentro”, equilibrando as demandas políticas com os aspectos técnicos, e muitas vezes segurando os arroubos da Fazenda ou do Gabinete Civil.

Tudo com a maior discrição. Velloso não tinha a intenção do brilhareco ou da demonstração de força. Dedicava-se a uma regência sacerdotal dos acadêmicos e tecnocratas a sua volta. Zelava pelo planejamento como um guardião das peças eucarísticas. Ao contrário do que pregam as catilinárias liberais, os investidores tinham um norte. A iniciativa privada enxergava um futuro, ainda que fosse tentativo ou mesmo duvidoso. Não havia mal em se ter um plano. Pois é. Que falta faz alguém como Reis Velloso.

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31.07.18
ED. 5921

Marina Silva balança as chaves do seu programa econômico para o Insper

A candidata Marina Silva está prestes a trocar vários dos seus assessores por uma instituição acadêmica de grife para a coordenação do seu programa econômico. O Insper daria um caráter institucional à consultoria da campanha de Marina, segundo apurou o RR junto a uma fonte da própria escola. Ele entraria na coordenação do programa econômico como um think thank responsável pelo aconselhamento e produção de documentos para o futuro governo da candidata do Rede. Ou seja: Marina teria um órgão para assinar com sua marca o programa econômico da sua candidatura.

Os principais assessores de Marina, à exceção de André Lara Resende, Eduardo Giannetti e Ricardo Paes de Barros, já pertencem à instituição acadêmica. Mas o entusiasta da ideia é o presidente do Insper, Marcos Lisboa, que espertamente não fecha outras portas. Lisboa voa que nem mosca de padaria sobre diversas candidaturas não é de hoje. Já esteve próximo de Lula, Ciro, Meirelles e Rodrigo Maia. Mais recentemente buscou se aproximar de Geraldo Alckmin. E teve cuidado para não fechar as portas nem para Jair Bolsonaro, propriedade de Paulo Guedes, que considera a maioria dos economistas do país “insignificantes” (a frase foi dita junto a integrantes do antigo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais).

Mesmo que migre para outra candidatura, Lisboa apoiaria a colaboração do Insper a Marina. O time de colaboradores do Rede carregaria um contrabando da FGV, o economista Samuel Pessoa, além do fiscalista da patota, Mansueto Almeida, atual Secretário do Tesouro. Um elenco, aliás, afinadíssimo com a equipe econômica de Geraldo Alckmin. No fundo são todos tucanos. O Insper está para a centro-direita o que a PUC foi para o PSDB.

Pode ser mera coincidência, mas é bastante provável que Marina Silva e o ex-governador de São Paulo estejam juntos no segundo turno das eleições. Caso qualquer um deles consiga atravessar o Rubicão petista ou bolsonarista, a turma poderia se juntar em um governo híbrido O Insper não está inventando a roda. Em outros tempos, com quadros técnicos bem mais estelares e uma validação institucional de todo o establishment, a Fundação Getúlio Vargas participou na construção de políticas econômicas. A FGV, contudo, ao contrário do Insper, nunca emprestou sua assinatura a uma candidatura. A velha Senhora da Praia de Botafogo assessorou governos com razoável independência, não se ligando a um candidato. Em tempo: falta saber se o Insper tem alguma promessa firme de recompensa no futuro. O RR ousa apostar que é só vontade de poder. O Insper esclarece que é uma instituição de ensino e pesquisa apartidária, portanto, não possui nenhum partido ou candidato. O RR mantém o benefício da dúvida.

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