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No pôquer de Steinbruch, quais são as cartas que restam para a CSN?

30/01/2026
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Qual é o pôquer que Benjamin Steinbruch está jogando? Quais são realmente as cartas que ele tem na mão? São algumas das perguntas suscitadas pelo intenso tiroteio de informações envolvendo a CSN nos últimos dias. Duas fontes que conhecem muito bem o estilo de jogo do empresário apostam que os vazamentos sobre a entrada de um sócio ou mesmo de venda do controle da siderúrgica não passariam de blefe. Seriam uma sinalização ao mercado, um balão de ensaio lançado por Steinbruch com o intuito de buscar junto aos credores a repactuação do passivo da empresa. Esse é o grande problema que corrói o negócio por dentro. O grupo tem uma dívida líquida em torno de R$ 40 bilhões. De acordo com cálculos da Fitch, o balanço de 2025 da CSN mostrará uma alavancagem total de 5,4 vezes em relação ao Ebitda. Não há companhia que consiga ser saudável e competitiva com um endividamento dessa magnitude. A questão é que o alívio da asfixia financeira da CSN já não depende dos quereres de Steinbruch e, sim, de uma intrincada negociação com os credores. Na hipótese de não conseguir rolar a dívida da companhia, aí sim o empresário terá de fazer seu jogo com as cartas disponíveis. A partir de conversas com fontes do setor, o RR coloca alguns desses ases e coringas sobre a mesa, levantando as possíveis soluções que se apresentam para a CSN, umas mais e outras menos viáveis -, mas todas com seu respectivo grau de complexidade.

Uma das hipóteses tidas no setor como mais forte é a fusão entre a CSN e a Usiminas. A primeira, como se sabe, mantém uma participação acionária na segunda – essa fatia chegou a ser de 17% e hoje está em 4,99%. A associação daria origem a um grupo com capacidade instalada de 15 milhões de toneladas de aço/ano, receita em torno de R$ 50 bilhões e um Ebitda da ordem de R$ 4 bilhões (os números contabilizam apenas os resultados da CSN em siderurgia). O mais curioso é que hoje a Usiminas tem uma situação financeira muito mais equilibrada do que a empresa de Benjamin Steinbruch em termos de alavancagem. Sua relação dívida líquida/Ebitda é de apenas 0,16 vez. Trata-se de um indicador que joga a favor da empresa mineira – e de seus acionistas – no caso de um eventual M&A, notadamente no que diz respeito à relação de troca de ações. Se a CSN tem um valor de mercado superior (R$ 14 bilhões, contra R$ 8 bilhões), em contrapartida despejaria na nova empresa um volume de dívidas dezenas de vezes maior. Isso teria um custo para Benjamin no cálculo da estrutura societária da nova companhia.

É de se imaginar que a associação entre CSN e Usiminas não passasse de primeira pela agulha do Cade. O mais provável é que as duas empresas fossem obrigadas a deixar um ou outro ativo pelo caminho para que a operação tivesse o imprimatur do órgão antitruste. Paciência. Até porque talvez haja um entrave até maior do que esse: o historicamente belicoso relacionamento entre Benjamin Steinbruch e a Ternium, controladora da siderúrgica mineira. É uma convivência marcada por contenciosos e acusações cruzadas. No ano passado, o empresário teve uma importante vitória. O STJ decidiu que o grupo ítalo-argentino deve pagar uma indenização à CSN por não ter realizado uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) ao assumir o controle da Usiminas, em 2011 – o valor da sanção, inicialmente de R$ 5,5 bilhões, foi posteriormente recalibrado pela Corte para R$ 3,1 bilhões. Por sua vez, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch foi multada pelo Cade em R$ 128 milhões por ter descumprido seguidamente a determinação de reduzir sua participação na Usiminas a menos de 5%. Ou seja, entre o empresário e a Ternium sempre foi assim: chumbo de lá, chumbo de cá. Mas cada tempo com suas vicissitudes. As circunstâncias recomendam que os dois contendores abaixem suas armas e sentem frente a frente de forma pragmática. CSN e Usiminas sofrem as dores de ter de concorrer com o aço chinês. A fusão seria uma forma de salvar o futuro e, de quebra, resolver as pendências do passado – a negociação poderia contemplar um encontro de contas para sanar obrigações financeiras cruzadas.

Trocando Belo Horizonte por Porto Alegre, outra possibilidade para a CSN seria uma fusão ou mesmo a venda do controle para a Gerdau. O grupo da família Gerdau é hoje um conglomerado com tamanho mais do que suficiente para engolir a siderúrgica de Benjamin Steinbruch em dois tempos – não obstante os medicamentos que precisaria tomar para não ter uma indigestão com o elevado passivo. A Gerdau tem um valor de mercado da ordem de R$ 44 bilhões (mais do que o triplo do market cap da CSN) e um faturamento anual próximo dos R$ 70 bilhões, mais da metade proveniente das suas operações na América do Norte. O conglomerado é o maior produtor de aços longos das Américas, praticamente sinônimo de vergalhões, arames e congêneres. A incorporação da CSN seria uma oportunidade de aumentar razoavelmente sua presença no segmento de aços planos.  E, de quebra, seria também uma solução para que a siderúrgica de Volta Redonda permanecesse sob controle do capital nacional. Esse pode vir a ser um ponto sensível desse jogo.

Assim como no caso da Usiminas/Ternium, as demais hipóteses levariam à desnacionalização da CSN. É o caso da ArcelorMittal, disparadamente o player do mercado brasileiro com maior capacidade para a absorver a empresa brasileira e seu mastodôntico endividamento. Trata-se de um potentado com usinas em mais de 20 países, faturamento global superior a US$ 65 bilhões e acesso a crédito internacional barato. Jogada nesse enorme alto-forno, a dívida da CSN, por exemplo, se diluiria com razoável facilidade. A questão é o Cade. Segundo executivos da área siderúrgica ouvidos pelo RR, uma eventual aquisição da CSN pela ArcelorMittal tenderia a enfrentar mais restrições do órgão antitruste do que no caso de uma operação com a Usiminas. Uma alternativa também cogitada no setor seria a venda de parte ou mesmo de toda a participação de Steinbruch para algum grupo chinês interessado em ter uma base de produção no Brasil. Nesse desenho, a CSN poderia ser usada para a laminação de placas importadas da China – o aço chinês já entra mesmo aos borbotões no Brasil. A usina de Volta Redonda passaria a ser um entreposto para acabamento e distribuição regional. Ressalte-se que Steinbruch dispõe de ativos valiosos que poderiam entrar nessa equação com investidores chineses. O empresário tem minério de ferro (CSN Mineração) e infraestrutura logística (dois terminais no Porto de Itaguaí, o de granéis sólidos (Tecar) e o de contêineres (Sepetiba Tecon), a participação acionaria na MRS e a Transnordestina (em eterna construção). O RR encaminhou uma série de perguntas à CSN, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Nesse tabuleiro, há ainda um observador atento: o governo Lula. Fontes que acompanham de perto o tema afirmam que o Palácio do Planalto monitora a situação da CSN. A eventual desnacionalização da empresa não é um caminho visto como simpatia em Brasília. Ainda mais em ano eleitoral. A CSN e a usina de Volta Redonda carregam todo um simbolismo. São legados da era Vargas e distintivos históricos da força do trabalhismo, ao menos no passado. Em contextos como esse, governos do PT costumam reagir com a velha posologia do intervencionismo pragmático, sob a justificativa de preservar ativos considerados estratégicos sob controle nacional. Embora não seja o mais provável, não dá para descartar de todo a hipótese da gestão Lula querer colocar a colher na reestruturação da CSN. Até mesmo porque esse movimento seria guiado por uma lógica de que há algo maior em xeque: o futuro da própria indústria siderúrgica nacional. O conserto da CSN seria na verdade o pilar de uma lanternagem do setor. Amparado por esse discurso, o governo poderia, por exemplo, usar das ferramentas habituais, como Previ ou BNDES, para soldar a fusão da CSN e da Usiminas. Alguém poderá dizer, com toda razão, que nos últimos anos o fundo de pensão reduziu consideravelmente sua posição em renda variável, inclusive saindo de blocos de controle e do conselho de empresas. Pode ser. Mas situações excepcionais exigem soluções excepcionais. Há ainda um fato que não deve ser esquecido – e o RR faz questão de lembrar: o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e Benjamin Steinbruch têm uma relação de longa data, quase fraternal. Logo após a eleição, em 2022, Mercadante chegou a sondar Steinbruch para que ele assumisse o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Destaque

Efeito Trump pode jogar a Usiminas nas mãos da ArcelorMittal

7/04/2025
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O tarifaço de Donald Trump sobre o aço importado pode ser o gatilho que faltava para um movimento de consolidação da indústria siderúrgica brasileira, já há algum tempo em processo de latência. A draconiana tributação imposta pelos Estados Unidos e seu impacto global despontam como um fator suficientemente potente para separar vencedores e perdedores no setor. Desde já, há dois fortes candidatos a protagonizar o redesenho da indústria do aço no país: ArcelorMittal e Usiminas/Ternium.

E nem é preciso dizer quem vestiria o figurino de vencedor e o de perdedor. O grupo pertencente ao empresário indiano Lakshmi Mittal é um dos gigantes da siderurgia mundial, tem massa crítica de sobra, dispõe de acesso a crédito em condições favoráveis e liderou alguns dos maiores investimentos do setor no Brasil ao longo dos últimos anos, como a compra, em 2022, da Companhia Siderúrgica do Pecém por US$ 2,2 bilhões.

Por sua vez, entre o quarteto que domina a produção de aço no país, ninguém está em uma posição tão vulnerável quanto a Usiminas, por suas notórias fragilidades financeiras, pelo seu desgaste institucional e pelos crescentes sinais de incompatibilidade entre a ítalo-argentina Ternium, seu acionista controlador, e o Brasil.

Há um terceiro personagem, não menos importante, que tangencia uma eventual incorporação da Usiminas pela ArcelorMittal: Benjamin Steinbruch. Qualquer discussão sobre o futuro da siderúrgica mineira passa hoje pela CSN, sua acionista minoritária.

Como se sabe existe um antigo contencioso entre a Ternium e a empresa de Steinbruch. Publicamente e em tom de ameaça os acionistas da siderúrgica anunciaram que o grupo pode repensar todos os seus investimentos no Brasil se a Justiça não reconsiderar uma recente decisão favorável à CSN. Nos bastidores, a empresa insinua até sair do país, fazendo algum write off dos R$ 25 bilhões de aportes já realizados e por realizar em Minas Gerais.

A Ternium não digeriu a derrota sofrida no STJ: no fim do ano passado, a Corte determinou o pagamento de uma indenização de R$ 3,1 bilhões à CSN pelo fato de o grupo não ter lançado uma oferta pública para a aquisição de ações da Usiminas ao comprar as participações da Votorantim e da Camargo Corrêa na empresa, em 2012. No entendimento do STJ, a operação configurou mudança de controle, o que tornou obrigatória a realização da OPA.

No fim do ano passado, inclusive, surgiu não se sabe muito bem de onde – ou talvez até se saiba – um suposto manifesto contra o STJ e consequentemente a favor da Ternium, prontamente desmentido por alguns dos “signatários”, conforme noticiou o RR. O RR enviou uma série de perguntas à Usiminas/Ternium, mas a empresa não se pronunciou. Também consultada, a CSN afirma que “a solução para a crise enfrentada pela indústria do aço, reflexo do cenário internacional, exige estabilidade nos negócios no Brasil e, sobretudo, segurança jurídica.

Nesse contexto, as investidas da Ternium/Techint para subverter a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) são inaceitáveis. O tribunal já confirmou, em mais de uma ocasião, que o grupo ítalo-argentino assumiu o controle da Usiminas de forma fraudulenta, sem realizar a devida Oferta Pública de Aquisição (OPA) aos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias. Essa conduta afronta a Lei das Sociedades Anônimas (SAs) e a jurisprudência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”.

Na paralela há ainda outra questão a ser resolvida.

Em 2014, o Cade determinou que a CSN deveria reduzir sua participação no capital da Usiminas, hoje de 12,9%, para menos de 5% em cinco anos. Após um longo impasse, em 2022 o próprio órgão antitruste reconsiderou parte da decisão, deixando de estabelecer um prazo para que a CSN diminua sua posição na empresa mineira. Uma eventual oferta da ArcelorMittal pelo controle da Usiminas, com a consequente saída de cena da Ternium, teria o condão de distensionar o ambiente corporativo e desatar um nó societário que hoje amarra a própria companhia.

A aquisição da siderúrgica mineira pelo grupo de Lakshmi Mittal poderia também abrir caminho para a saída da CSN do capital. Ou não. Em outros termos de relacionamento, talvez fosse a senha para Steinbruch manter uma participação na Usiminas. E ainda que venha a deixar o capital da companhia, cabe ressaltar que a CSN tem uma posição estratégica no tabuleiro da cadeia do aço, graças a sua operação integrada, leia-se o tripé mineração, logística e siderurgia.

A CSN Mineração soma mais de dois bilhões de toneladas de minério de ferro em reservas estimadas. Tem ainda como sócio minoritário um consórcio de importantes players asiáticos, como Itochu Corporation e Posco. E reúne plenas condições de tonificar essa operação com a compra de mineradoras de menor porte. Some-se a isso o terminal de granéis sólidos (Tecar) de Itaguaí.

Este poder de fogo na mineração funciona como um hedge para a CSN, sobretudo neste momento de pressão tarifária dos Estados Unidos sobre o aço. A empresa poderia se tornar uma “Valezinha”, capaz de incomodar em alguma instância a “Valezona”.

Voltando à ArcelorMittal, a Usiminas é um ativo barato para o conglomerado de Lakshmi Mittal.

Apenas como referência, o atual valor de mercado da empresa mineira gira em torno de R$ 6,7 bilhões, o pior patamar desde maio de 2020. Somente nos últimos 12 meses, a ação da companhia acumula uma queda de quase 50%. Não chega a surpreender.

Entre as quatro grandes siderúrgicas do Brasil, a Usiminas é, disparadamente, a que apresenta os piores resultados. E não é de hoje. Em um recorte entre 2013 e 2024, a empresa perde para seus concorrentes em todos os principais indicadores de performance. No caso da ArcelorMittal Brasil, ressalte-se, os números vão até 2023, uma vez que a empresa ainda não divulgou as demonstrações financeiras do ano passado.

Na receita líquida acumulada (R$ 207 bilhões), a Usiminas fica atrás de Gerdau (R$ 625 bilhões), Arcelor (R$ 401 bilhões) e CSN (R$ 343 bilhões). No lucro líquido somado (R$ 12,7 bilhões), é mais uma vez superada, pela ordem, por Gerdau (R$ 49,1 bilhões), Arcelor (R$ 35 bilhões) e CSN (R$ 28,4 bilhões).

Em termos de geração de caixa, só para não variar, a Usiminas também vai lá para o fim da fila. No período de 2013 a 2024 (exceção feita à Arcelor, conforme já explicado), registrou um Ebitda acumulado de R$ 32 bilhões, contra R$ 110,7 bilhões da Gerdau, R$ 104 bilhões da CSN e R$ 73,2 bilhões da Arcelor. Os números mostram a tibieza da Usiminas vis-à-vis suas maiores competidoras.

Nada que não pudesse ser gradativamente revertido nas mãos de um gigante global. Juntas, Arcelor e Usiminas teriam uma capacidade de produção superior a 24 milhões de toneladas de aço por ano, quase a metade de toda a indústria siderúrgica brasileira (aproximadamente 51 milhões de toneladas). Com o furacão Trump varrendo o setor, talvez a Usiminas não tenha mesmo para onde correr.

#ArcelorMittal #Donald Trump

Destaque

O novo round na maior disputa empresarial do Brasil

3/02/2025
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A CSN apresentou judicialmente interpelação criminal contra o ex-presidente da FIEMG-Vale do Aço e atual coordenador da Agenda de Convergência do Vale do Aço, Luciano José de Araújo. Na interpelação no 5002125-73.2025.8.13.0313, distribuída perante à 1ª Vara Criminal de Ipatinga, a siderúrgica requer que Araújo informe quais entidades e empresas listadas no “Manifesto Apoio a Usiminas e ao Vale do Aço” aprovaram o seu conteúdo. O pano de fundo é a contenda societária na siderúrgica mineira, uma das maiores disputas corporativas do país, que teve um novo capítulo no fim do ano passado.

O suposto manifesto circulou em dezembro sob o timbre da “Agenda de Convergência do Vale do Aço”, conforme informou o RR. Até hoje, trata-se de uma história muito mal contada. A própria FIEMG, uma das listadas, anteriormente interpelada, informou que “nenhum representante legal se encontrava presente no momento da reunião em que o ‘manifesto’ foi produzido e lido, razão pela qual não participou da deliberação de aprovação de tal documento”.

Diante do desmentido da própria FIEMG, onde foi realizada a reunião, Luciano Araújo será instado a esclarecer quem participou e aprovou o texto que atacou o Superior Tribunal de Justiça por ter decidido a favor da CSN, em última instância recursal, um ação movida contra a Ternium, controladora da Usiminas. De uma forma irresponsável, o próprio grupo ítalo-argentino vem divulgando que a siderúrgica mineira seria prejudicada com tal ação, o que não condiz com a realidade. A Usiminas sequer é parte no processo.

Na prática, sabe-se lá por que razão, a própria Ternium é quem mais estaria prejudicando e maculando a imagem de sua controlada e, por extensão, dos demais investidores da empresa. Há informações, inclusive, de que o conglomerado ítalo-argentino tem feito chantagens no território da bilateralidade, ameaçando deixar o Brasil. De uma certa forma, pressiona a própria Justiça.

#CSN #Usiminas

Destaque

Faltou o oboé na orquestra em prol da Usiminas

13/01/2025
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O oboé é chamado de “afinador de orquestra”. Fica no centro dos músicos e é seguido por todos os demais instrumentos. No início de dezembro, um suposto desagravo intitulado “Manifesto Apoio à Usiminas e ao Vale do Aço”, elaborado sob o timbre da “Agenda de Convergência do Vale do Aço”, criticou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ter decidido uma ação em favor da CSN, minoritária na Usiminas, contra a Ternium-Techint, sócia majoritária da siderúrgica mineira.

Segundo o tal “manifesto”, ao se posicionar a favor da empresa brasileira contra o poderoso grupo ítalo-argentino, o STJ colocaria em risco a própria Usiminas. Como se a Ternium-Techint, a única realmente afetada pela decisão e não a Usiminas, não tivesse, somente em 2023, produzido, na América Latina, 14,2 milhões de toneladas de aço, o que lhe rendeu, apenas nesse segmento, US$ 17,6 bilhões de faturamento. Ou seja: tentar macular a imagem do STJ alegando que a decisão afetaria investimentos na Usiminas é, no mínimo, inverídico.

O tal “Manifesto Apoio à Usiminas e ao Vale do Aço” traz 51 empresas e entidades listadas após a datação, no campo de assinaturas. O que deixou a impressão de que todas aquelas pessoas jurídicas, entre as quais a Federação das Indústrias (Fiemg – Regional Vale do Aço), a Justiça Estadual – Fórum de Ipatinga, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Polícia Civil do Estado, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a OAB/MG, a Copasa e empresas privadas, como a Cenibra, fossem autoras de tal posicionamento.

Ou seja: estranhamente o suposto documento dá a entender que os mencionados teriam interesse em se posicionar contra o STJ em uma disputa entre empresas privadas. Respondendo à interpelação da própria CSN, a FIEMG informou que não participou da produção e nem foi signatária do hipotético manifesto. E o coordenador da tal “Agenda de Convergência do Vale do Aço” reconheceu que nenhuma das 51 empresas e instituições assinaram o posicionamento. Uma história muito mal contada. Ou melhor, uma sinfonia muito mal afinada. Como se vê, a orquestração do aludido manifesto não contou com um bom oboísta.

#Usiminas

Negócios

Será mesmo que Benjamin Steinbruch vai realizar esse prejuízo?

18/09/2024
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Caso mantenha a intenção de, enfim, reduzir sua participação na Usiminas até o início de 2025 – conforme informou o Pipeline, do Valor Econômico, no dia 27 de agosto, a CSN realizará um respeitável prejuízo. A título de ilustração: em abril de 2011, quando a empresa de Benjamin Steinbruch montou grande parte da sua posição no capital, a ação da siderúrgica mineira estava cotada ao equivalente a US$ 10,01. Hoje, o papel vale o correspondente a US$ 1,11. Ou seja: a Usiminas perdeu quase 90% do seu valor de mercado em moeda forte.

Mesmo neste ano, a CSN teve momentos muito mais propícios para diminuir sua participação na Usiminas de 12,9% para 5%, conforme determinação do Cade. Em fevereiro, o papel chegou a ser negociado na casa dos R$ 10. Hoje, está parado nos R$ 6. E a probabilidade de um salto até o começo de 2025, o tal deadline da CSN, é ínfima. Resumo da ópera: a não ser que Benjamin Steinbruch tenha alguma carta na manga – o que tratando-se de quem se trata até seria possível -, esse é um caso em que o fígado do empresário tem tudo para fazer mal ao seu próprio bolso. É o preço do fel trocado entre Steinbruch e a Ternium, controladora da Usiminas.

#Benjamin Steinbruch #CSN #Usiminas

Destaque

Quanto vale a escória da Usiminas para Benjamin Steinbruch?

22/08/2024
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As tratativas para a redução da fatia de Benjamin Steinbruch no capital da Usiminas seguem uma desgastante dinâmica há quase dez anos: para cada metro de avanço, um quilômetro de retrocesso. Neste momento, em meio às hostilidades de sempre entre a CSN e a Ternium, controladora da siderúrgica mineira, surge uma possível moeda de troca, capaz – quem sabe? – de fazer com que as conversas engatassem.

A moeda em questão é a escória de aciaria produzida pela Usiminas a partir da fabricação de aço – cerca de 600 mil toneladas por ano. Trata-se de um insumo de razoável valor, que poderia entrar em uma composição para a venda de parte das ações de Benjamin na siderúrgica. Nesse caso, o acordo envolveria não apenas pagamento em dinheiro, mas também a garantia de entrega de escória à CSN.

Procurada pelo RR, a empresa não se pronunciou.  Ao menos em tese, essa equação parece fazer sentido. A escória é um dos principais insumos para a fabricação de certos tipos de cimento. No caso do cimento Portland Pozolânico, a proporção varia de 15% a 50%. Já na produção do Portland de Alto-Forno, a escória tem um peso ainda maior na composição, de 35% a 75%.

A CSN não divulga publicamente os dados, mas sabe-se que a maior parte da escória usada pelo grupo em suas fábricas de cimento sai da usina siderúrgica de Volta Redonda. No entanto, sua demanda pelo produto tende a aumentar caso feche a compra da Intercement, o braço cimenteiro na Mover Participações, ex-Camargo Corrêa. Com a eventual aquisição, a CSN dobraria de tamanho na indústria cimenteira, pulando de 17 milhões para mais de 34 milhões de toneladas por ano.

Seriam ao todo 23 plantas industriais, já contando as 15 da Intercement no Brasil que seriam incorporadas. Ao contrário da CSN, a empresa das herdeiras de Sebastião Camargo depende de terceiros para assegurar o suprimento de escória. Entre seus fornecedores estão a própria Usiminas, ArcelorMittal e Gerdau, além de usinas siderúrgicas de menor porte.

Ou seja: é uma permanente briga no mercado. A Intercement está mais sujeita a variações de preço e de oferta da matéria-prima. Não custa lembrar que a garantia de suprimento de escória para a produção de cimento foi uma das razões que, no passado, levaram a Camargo Corrêa e a Votorantim a entrarem no capital da Usiminas – ambas acabariam vendendo suas participações para a Ternium em 2011.  

Amistosidade e diálogo não são exatamente componentes predominantes na convivência entre os acionistas da Usiminas. Por mais que esse modelo possa destravar o imbróglio societário, não se trata de uma costura simples. Há uma década, o Benjamin Steinbruch dribla a decisão do Cade e da própria Justiça, que o obrigaram a reduzir sua participação na Usiminas de 12,9% a menos de 5%.

Benjamin é vidraça, mas, como todos sabem, se sente muito mais confortável no papel de pedra. O empresário cobra da Ternium uma indenização de R$ 5 bilhões, sob a acusação de que o grupo ítalo-argentino descumpriu a lei ao entrar no capital da Usiminas e não realizar uma oferta para aquisição das demais ações da empresa. Recentemente, Benjamin teve uma vitória de peso: a Terceira Turma do STJ concedeu uma decisão favorável ao seu pleito de ressarcimento, o que só acirrou o clima entre os sócios da Usiminas. A Ternium ameaça rever seu investimento no Brasil caso perca a disputa para a CSN.  

Paralelamente à questão da Usiminas, neste momento Benjamin Steinbruch joga um jogo da maior relevância para o futuro da CSN. Com a compra da Intercement, o market share da empresa no setor cimenteiro saltaria de 20% para algo em torno de 35%. O mundo e suas voltas…

Quase três décadas depois de Benjamin Steinbruch impor uma dura derrota a Antônio Ermírio de Moraes na privatização da Vale, o empresário e o clã travam uma nova disputa. A Votorantim nunca correu tanto risco de ser desbancada do topo da indústria de cimento no Brasil. Se a CSN incorporar a Intercement, a distância entre ambas ficaria no photochart. Hoje, a empresa dos Ermírio de Moraes soma aproximadamente 37% do mercado.

Há ainda um componente de ordem conjuntural capaz de acirrar ainda mais esse

embate pela pole position do setor cimenteiro. Não obstante a queda de 1,7% nas vendas em 2023, quando comparado ao ano anterior, esse é um mercado que tem tudo para crescer em um ritmo significativo nos próximos anos. O PAC, com suas quase dez mil obras, tem tudo para ser um “devorador” de cimento. Para não falar das mais de cinco mil obras públicas inacabadas em todo o país, que, segundo o presidente Lula, são prioridade do seu governo. 

#ArcelorMittal #Benjamin Steinbruch #CSN #Gerdau #Usiminas

Empresa

Enquanto Ternium e Benjamin Steinbruch duelam, Nippon Steel contabiliza suas perdas

2/08/2024
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Está difícil segurar a irritação dos japoneses da Nipon Steel com os rumos da Usiminas. Nem poderia ser diferente. Enquanto Ternium e Benjamin Steinbruch se digladiam, a empresa derrete em seu próprio alto-forno, com seguidos prejuízos e queda de receita. Nesse ritmo, os ítalo-argentinos e Steinbruch vão acabar brigando por um pedaço de tarugo. O que se diz no setor é que a Nippon Steel está insatisfeita também com a gestão do CEO da Usiminas, Marcelo Chara, homem de confiança da Ternium – o executivo foi presidente da subsidiária do grupo no Brasil. Por essas e outras, os japoneses já diminuíram sua fatia societária na Usiminas, com a venda de 9,3% para os próprios ítalo-argentinos, em março de 2023. E flertam com a ideia de reduzir ainda mais a sua posição na companhia – vide RR. Cabe lembrar que das quatro grandes siderúrgicas que atuam no Brasil, a Usiminas é aquela que apresenta os piores resultados financeiros da última década, quando comparada com CSN, ArcelorMittal e Gerdau – conforme levantamento feito pelo RR.

#Nipon Steel #Ternium #Usiminas

Destaque

Nippon Steel quer reduzir sua exposição ao “risco Usiminas”

9/02/2024
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Nova mudança à vista no bloco de controle da Usiminas. O RR apurou que a Nippon Steel avalia reduzir ainda mais sua participação na empresa, hoje de 22,7% do capital total. Em março de 2023, os japoneses venderam o equivalente a 9,7% para a Ternium, maior acionista da siderúrgica mineira. Se, no passado, os dois principais sócios da companhia protagonizaram um dos grandes contenciosos empresariais do país, hoje suas intenções parecem convergir.

De um lado, está a Ternium, com a sua fome de comprar; do outro, a Nippon Steel, com a vontade de vender. Ao que tudo indica, para o grupo asiático, a importância estratégica de ter uma parcela expressiva da Usiminas se tornou relativamente menor vis-à-vis os custos envolvidos. No setor, a empresa mineira é tida como a mais frágil entre as grandes siderúrgicas do país. Sua reduzida diversificação de produtos a torna mais vulnerável a circunstâncias conjunturais adversas.

A companhia é uma das mais afetadas pelo aumento da entrada de aço chinês no Brasil – no mês passado, o CEO, Marcelo Chara, falou publicamente da possibilidade de desligamento do alto-forno 2 de Ipatinga por conta da concorrência com o produto asiático. Das grandes siderúrgicas nacionais, a Usiminas é também a que apresenta seguidamente os menores resultados financeiros – como mostra levantamento publicado recentemente pelo RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/usiminas-e-a-lanterninha-do-aco-brasileiro/). Outro fator que pesa na balança é o risco jurisdicional que a Usiminas carrega – o que, em boa parcela, também pode ser chamado de “Risco Benjamin Steinbruch”. Com 14% das ações ordinárias, o dono da CSN é um enclave societário na companhia mineira basicamente com uma função: criar instabilidade e tensão.

Há anos, Steinbruch cobra o suposto direito de tag along. O imbróglio remonta a 2011, quando a Ternium comprou a participação do Votorantim e da Camargo Corrêa. Em março do ano passado, o STJ decidiu que a operação não configurou troca de controle e, portanto, não disparou a necessidade de Oferta Pública de Aquisição (OPA).

A CSN recorreu e o assunto segue ricocheteando nos tribunais. Na paralela, em novembro a 11ª Vara Cível de Belo Horizonte determinou que a empresa de Benjamin Steinbruch deve vender sua participação na Usiminas em até 12 meses. E ainda tem o Cade, que proibiu a CSN de exercer direitos políticos na siderúrgica mineira.

#Benjamin Steinbruch #Nippon Steel #Ternium #Usiminas

Benjamin Steinbruch, perdeu, playboy

21/03/2022
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O setor de siderurgia no Brasil parece uma fênix: morre para renascer e renasce para morrer. Há coisa de uma década, dizia-se à boca comum que a indústria nacional ia acabar. Foi naquele momento que se chegou a cogitar uma onda de consolidações, na qual o líder natural seria o “Barão do Aço”, Benjamin Steinbruch. A verdade é que Steinbruch foi bem além da intenção e buscou movimentos consistentes para ampliar os seus domínios, mais precisamente o que seria uma fusão CSN-Usiminas.

O empresário entabulou diversas conversas com a siderúrgica mineira e chegou a comprar um naco expressivo de ações da companhia. O negócio não prosperou devido à resistência da Nippon Steel e da Ternium, os dois maiores acionistas da Usiminas. Além da consolidação das usinas, havia ainda um negócio de razoável interesse para ambas as companhias: as suas respectivas operações de minério de ferro, então mantidas à margem e que devidamente reunidas poderiam dar uma origem a uma “Valezinha”, para não citar os ativos portuários próprios, entre outros negócios. Mas não deu.

Se esse projeto tivesse sido levado adiante, hoje a CSN-Usiminas seria um mastodonte, com uma competitividade brutal. As duas juntas somam 16 milhões de toneladas de capacidade instalada na siderurgia, uma receita anual superior a R$ 60 bilhões e Ebitda em torno de R$ 17 bilhões – a números de 2021. Não seria nada incomum, não fossem o Cade e óbices regulatórios, que esse tiranossauro rex passasse a comprador da Gerdau e da Arcelor Brasil.

#Arcelor Brasil #Benjamin Steinbruch #Gerdau

Minoritários da Usiminas são só um detalhe

27/02/2020
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A reeleição de Sergio Leite para a presidência da Usiminas tornou-se um case de “desgovernança” corporativa. Nippon Steel e Ternium, que dividem o controle da siderúrgica, teriam anunciado a recondução de Leite ao cargo sem referendo do Conselho e sem comunicação prévia aos empregados da empresa, também acionistas e com dois representantes no board. Foi por esta razão que, dois dias depois, a companhia correu para desdizer o que havia dito, informando que a indicação de Leite ainda não foi aprovada. Consultada pelo RR, a Usiminas limitou-se a dizer que “as informações sobre o tema constam dos comunicados divulgados”.

#Usiminas

Gerdau bate em retirada do Canadá e do México

26/12/2017
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Os Gerdau estão desmontando o seu “Nafta da siderurgia”. Segundo o RR apurou, o Grupo Gerdau abriu conversações para a venda de suas duas usinas de aços longos no Canadá. Em outra raia, avançam as negociações para a transferência das duas fábricas no México. Neste caso, o principal candidato seria a Ternium, leia-se a ítalo-argentina Techint, sócia da Usiminas. Estima-se que a alienação das quatro unidades possa gerar mais de US$ 500 milhões. Depois da venda da espanhola Sidenor, a operação é o ponto mais agudo do processo de desmobilização de ativos da Gerdau no exterior. O eixo Estados Unidos/Canadá/México sempre foi o núcleo duro da operação internacional do grupo. Sobrarão os Estados Unidos – se bem que até por lá a Gerdau já vendeu cinco minimills.

#Gerdau #Techint #Usiminas

Alto-forno

22/08/2017
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Segundo o RR apurou, a Ternium pretende apresentar em novembro o novo plano estratégico da recém-adquirida Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). Nos corredores da CSA, o temor é que a primeira “estratégia” dos ítalo -argentinos seja um programa de demissões. Consultada, a Ternium limitou-se a dizer que a aquisição da CSA ainda “está em processo de aprovação no Cade”.

#CSA #Ternium

Usiminas declara guerra à Sumitomo

2/03/2017
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Em um raro momento de sintonia entre Nippon Steel e Ternium, a Usiminas vai entrar na Justiça contra a Sumitomo. O contencioso tem origem na Mineração Usiminas (Musa), joint venture entre a siderúrgica e a trading japonesa. Dona de 30% da mineradora, a Sumitomo vetou a proposta de redução em R$ 1 bilhão do capital da empresa apresentada pela Usiminas – detentora dos 70% restantes.

A siderúrgica mineira acusa a sócia de abuso de poder. A Sumitomo, por sua vez, alega que a operação só pode ser realizada com a anuência dos dois acionistas. Os japoneses já deixaram claro que não estão dispostos a financiar, por via indireta, as dívidas da Usiminas. Na prática, a redução do capital da Musa geraria R$ 700 milhões de caixa para a siderúrgica mineira.

Procurada, a Usiminas nem confirmou nem negou a ação judicial. Limitou-se a informar que “acredita que terá acesso aos recursos de sua subsidiária Musa no prazo acordado com os credores”. O pragmatismo falou mais alto. Em permanente estado de conflito, Nippon Steel e Ternium identificaram na Sumitomo um oponente em comum. O veto à redução do capital social da Musa é um duro revés.

Os recursos são fundamentais para o esforço de repactuação do passivo da Usiminas. A companhia pretende usar os recursos para amortizar débitos bancários, notadamente com BNDES, BB e Itaú Unibanco. Inicialmente, a direção da Usiminas cogitou entrar com um processo de arbitragem. Mas  a intransigência da Sumitomo fez com que a siderúrgica se decidisse por levar o caso diretamente à Justiça.

#Nippon Steel #Sumitomo #Ternium #Usiminas

Divisão panzer

2/01/2017
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O investidor e minoritário Lírio Parisotto está decidido a retornar ao Conselho da Usiminas. Promessa de mais lenha na fogueira da Ternium e da Nippon Steel. A balança de Parisotto pende para o lado dos japoneses.

#Nippon Steel #Ternium #Usiminas

Acervo RR

Divisão panzer

2/01/2017
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O investidor e minoritário Lírio Parisotto está decidido a retornar ao Conselho da Usiminas. Promessa de mais lenha na fogueira da Ternium e da Nippon Steel. A balança de Parisotto pende para o lado dos japoneses.

#Nippon Steel #Ternium #Usiminas

Redenção siderúrgica

7/04/2016
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 Benjamin Steinbruch dá como favas contadas seu ingresso no bloco de controle da Usiminas se a cisão entre a Ternium e a Nippon Steel se confirmar. Esse movimento pode significar a redenção da siderúrgica mineira e da CSN.

#CSN #Nippon Steel #Ternium #Usiminas

Ternium já está com um pé na porta da Usiminas

25/05/2015
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A Ternium está prestes a se tornar o HSBC da siderurgia. O grupo já não consegue mais manter entre quatro paredes as discussões em relação ao seu futuro no Brasil. Por uma fresta da Usiminas vaza a informação de que os ítalo-argentinos amadurecem a ideia de vender sua participação e deixar o país. As semelhanças com o banco inglês, é bom ressaltar, param por aí. Se o maior adversário do HSBC no Brasil sempre foi o próprio HSBC e sua impressionante letargia, no caso da Ternium o inferno são mesmo os outros. Poucas vezes uma corporação conseguiu reunir contra si um exército de inimigos tão poderoso: Nippon Steel, Benjamin Steinbruch, minoritários e empregados da Usiminas e o governo. Cada um a seu modo, todos odeiam a Ternium e trabalham para ejetá-la da companhia mineira. Por maior que sejam a musculatura financeira e a disposição para o embate dos herdeiros do mítico siderurgista Agostino Rocca, como duelar com uma conjunção de forças dessa magnitude? Para os ítaloargentinos, está difícil encontrar uma solução que não seja uma honrosa saída do front. Os ataques a  Ternium vêm de todos os lados. A Nippon Steel usa farta munição para fazer valer a sua histórica posição na Usiminas. Trata-se de um negócio absolutamente estratégico, que transcende as fronteiras corporativas e carrega forte simbolismo. O desembarque na empresa, ainda na década de 50, foi um dos primeiros grandes investimentos do Japão na área de siderurgia após a Segunda Guerra Mundial. A associação é tratada por Tóquio como um assunto de Estado. O primeiro-ministro Shinzo Abe tem feito intensas gestões junto ao governo brasileiro para salvaguardar os interesses da Nippon Steel na Usiminas. Além do apoio de importantes minoritários da Usiminas, como Lírio Parisotto, a Nippon Steel tem a seu lado Benjamin Steinbruch. O empresário manobra de um lado para o outro da pista com o objetivo de driblar os obstáculos impostos pelo Cade. Dona de 12% das ONs da companhia mineira, a CSN está impedida de exercer seu voto no bloco de controle e ainda terá de se desfazer da sua participação até 2018. Seria um impeditivo intransponível não fossem as pressões que vêm do Olimpo. O governo também não morre de amores pela Ternium. Até porque a contrapartida para a desafeição é das mais convenientes: a saída do grupo ítaloargentino e o aumento da participação de Steinbruch abririam espaço para a associação entre a CSN e a Usiminas e a criação de uma grande produtora de aços planos. Seria um cavalo vencedor a  feição das políticas praticadas pelo BNDES. Não satisfeita em ter tantos rivais, a Ternium também arruma os seus próprios problemas. Os sucessores de Agostino Rocca, um homem forjado na Itália de Mussolini, não são os anjos da Capela Sistina. A imagem do grupo ítalo-argentino no Brasil está vinculada ao que há mais de reprovável na história recente da Usiminas: manobras jurídicas abaixo da linha da cintura, gastos demasiadamente altos com gestores que ela própria indicou, denúncias de superfaturamento na venda de aço. Há quem diga que a própria tática da Ternium de estressar ao máximo a contenda com os demais acionistas teria como objetivo aumentar o problema para valorizar o preço da solução, ou seja, a venda de suas ações na companhia. A convivência se tornaria tão insuportável que o ágio a ser cobrado compensaria, e muito, a redução do valor patrimonial. A conferir.

#Ternium #Usiminas

Mais um round no MMA da siderurgia

5/03/2015
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Mais um round no MMA da siderurgia: se a Nippon Steel exige que os três executivos indicados pela Ternium e afastados da gestão – Julián Eguren, Paolo Bassetti e Marcelo Chara – devolvam os bônus que receberam de forma supostamente irregular, os ítalo-argentinos cobram o retorno de parte dos valores pagos pela siderúrgica mineira aos japoneses a título de transferência de tecnologia. A Usiminas desembolsava cerca de R$ 50 milhões por ano até 2013.

Lá do purgatório onde se encontra

2/02/2015
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Lá do purgatório onde se encontra, il formidabile fascista Agostino Rocca, fundador da Techint – cujo ventre pariu a Ternium – pensa com os botões da sua camisa preta: “Que carne de pescoço é esse Benjamin Steinbruch!”

#Techint

Show de mímica

2/01/2015
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Pergunta que não quer calar na Usiminas: os três ex-dirigentes – Julián Eguren, Marcelo Chara e Paolo Bassetti – que entraram na Justiça contra o atual presidente do Conselho de Administração, Paulo Penido, falam por conta própria ou apenas dublam a voz da Ternium em mais um ataque contra a Nippon Steel, responsável pela nomeação de Penido?

Usiminas

18/12/2014
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A erosão dos preços do minério e a guerra societária entre Nippon Steel e Ternium mandaram o Projeto Compactos para a geladeira. Na Usiminas, não se ouve sequer um sussurro sobre a empreitada, que previa o aumento da produção própria de minério de 10 milhões para 17 milhões de toneladas/ano. Oficialmente, a empresa garante estar “aprofundando os estudos de engenharia” para definir a viabilidade do projeto.

Brasil e Japão abençoam união de CSN e Usiminas

9/12/2014
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A mais esperada consolidação do setor siderúrgico nacional está se tornando uma questão de Estado. Aliás, uma dupla questão de Estado. A fusão entre a CSN e a Usiminas entrou na agenda bilateral dos governos do Brasil e do Japão – que recentemente, aliás, elevaram suas relações ao status de “parceria estratégica global”. Na esteira de uma série de outros investimentos conjuntos, em áreas como infraestrutura e construção naval, o primeiro ministro Shinzo Abe já manifestou seu apoio a  associação entre as duas siderúrgicas. A operação é vista pelos japoneses como a melhor forma de salvaguardar os históricos interesses da Nippon Steel no Brasil. Neste caso, Benjamin Steinbruch é o homem certo no lugar certo. O ponto de partida seria a compra pelo empresário da participação da Ternium na Usiminas. Não custa lembrar que Benjamin já tem um pé fincado na siderúrgica mineira, com 14% das ações ordinárias e 20% das preferenciais. A saída dos ítalo-argentinos não apenas significaria o fim da sanguinolenta disputa societária na Usiminas – hoje na fronteira entre o noticiário econômico e o policial – como abriria caminho para a posterior fusão com a CSN. Neste caso, Benjamin e Nippon Steel passariam a controlar um grupo com capacidade de produção anual de 14 milhões de toneladas de aços planos, o equivalente a quase um terço do parque siderúrgico nacional. A rigor, a aproximação entre Benjamin Steinbruch e Nippon Steel poderá resultar não apenas em uma, mas em duas fusões. O acordo entre ambos abriria espaço também para uma combinação entre os ativos de minério de ferro da CSN e da Usiminas. Na prática, esta associação representaria um avanço em relação a  reorganização societária da Namisa, em curso neste momento, e a retomada de uma parceria interrompida em 2011. Na ocasião, a Nippon Steel deixou o braço de mineração da CSN, um prenúncio da longa temporada de divergências entre Benjamin e seus sócios que viria nos anos seguintes e somente agora parece estar sendo debelada. Há menos de um mês, a CSN anunciou um acordo com o pool de siderúrgicas e tradings do Japão, Coreia do Sul e Taiwan que detém 40% da Namisa. O retorno da Nippon Steel ao palco daria um gás ao projeto de fusão entre a Namisa e a Casa de Pedra, o grande ativo mineral de Benjamin. O caminho natural seria a posterior associação desta nova empresa com a Usiminas Mineração, subsidiária que congrega as quatro jazidas da empresa mineira. Peneira daqui, peneira dali, esta tríplice associação daria origem a uma companhia com capacidade de produção de 70 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Todos estes movimentos passam pelos gabinetes de Tóquio e de Brasília. Se, do lado japonês, há todo o empenho do governo Shinzo Abe em desatar o imbróglio societário da Usiminas e fortalecer a presença da Nippon Steel no Brasil, do lado brasileiro estas operações poderão selar a reaproximação entre Benjamin Steinbruch e o Planalto. As relações esfriaram consideravelmente depois que o empresário adotou uma postura dúbia e sinuosa durante a campanha eleitoral. Agora, o momento pede pragmatismo, até pela necessidade do governo de reconstruir suas pontes com o empresariado. O apoio do BNDES a Benjamin para a compra da participação da Ternium na Usiminas permitiria a criação de um grande grupo siderúrgico e o fortalecimento do capital nacional no setor.

Siderúrgicas

4/07/2013
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Benjamin Steinbruch voltou a pensar na Usiminas. A Ternium também voltou a pensar no “Beinja”. E os dois estão parando de pensar na CSA. Em tempo: qualquer uma dessas combinações, na primeira hora, é dolorosa como extrair um dente siso.

Usiminas

17/06/2013
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Um Leonardo da Vinci siderúrgico, integrante de um dos conselhos da Usiminas, acha que uma saída para o inferno astral da empresa seria a Ternium escancarar a porta para a entrada do governo do estado no capital. Ou seja: fazer algo como uma “Cemig do aço”.

Benjamin gostaria de ter Nildemar em casa

15/04/2013
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O que pensar de Benjamin Steinbruch? Dizem que é um dos maiores, senão o maior empresário do Brasil. O que pensar de Nildemar Secches? Afirmam que é simplesmente o Messi da gestão corporativa. E o que pensar dos dois juntos? Pois bem, seria uma das mais explosivas duplas do setor privado brasileiro. Steinbruch, segundo uma fonte do RR, flerta com a ideia de se restringir ao papel de chairman, profissionalizando a gestão das suas diversas empresas. Para isso, o executivo principal teria de ser um craque, respeitado pelos seus pares e com amplo trânsito no governo. No fundo, no fundo, Steinbruch não acreditava muito na hipótese. Isso até que o processo de desligamento de Secches da BRF começou a amadurecer. O executivo seria o homem certo, no local certo, na hora certa. As empresas de Steinbruch, exceção ao complexo CSN/Casa de Pedra, estão todas de costas umas para outras. Hoje, são companhias separadas pelo mesmo controlador, satélites que se distanciam cada vez mais da holding. Todas elas têm problemas organizacionais, muito em razão da própria estrutura corporativa do grupo, que mistura alhos com bugalhos, tecidos com placas de aço, cimento com financiamento para compra de geladeiras, e assim por diante. São companhias a  procura de upgrade administrativo, reestruturação nas suas diversas áreas e um banho de loja, por assim dizer. O passaporte de Nildemar Secches seria carimbado por Benjamin Steinbruch não somente para equacionar esses problemas mais “comezinhos”, mas, sobretudo, para enfrentar os megadesafios, criar uma identidade para o grupo e preparar sua expansão. Soa até estranho que Steinbruch deixasse outro, que não ele, exercer a missão. Mas o fato é que o “Barão do Aço” não conseguiu dar conta de carregar todos esses dólmens sozinho. A CSN tem de resolver o problema da Transnordestina; o grupo precisa expandir a operação de Casa de Pedra para se tornar uma grande mineradora; o crescimento da produção de cimento continua na gaveta; o Banco Fibria não para de dar maus resultados; a CSA, cuja aquisição é uma incógnita, exigirá um trabalho hercúleo para se colocar a casa em ordem. E existem planos para empreender na área de combustíveis renováveis, tecnologia e até mídia. Isso para não falar na disposição de Steinbruch de azucrinar os ítalo-argentinos da Ternium na Usiminas e prosseguir buscando ativos no exterior para consolidar seu plano de internacionalização da siderurgia. O ex-presidente da Perdigão e da BRF é a outra metade desses desafios. Nildemar Secches, egresso do BNDES, passeia pelo banco como se fosse o corredor da sua casa. E talvez seja hoje o executivo com melhor relacionamento junto aos maiores fundos de pensão do país. São dois predicados que Benjamin Steinbruch perdeu em sua trajetória errática entre sucessos e contenciosos. Querer Secches o empresário ainda nem sabe se quer. Ele pensa em voz alta, flerta solitariamente. Mas é provável, segundo o RR apurou, que nos próximos dias o convite seja feito. Daqueles ainda para pegar na mão, sem juras de amor. Quem conhece Nildemar Secches sabe que ele também é difícil. O executivo costuma exigir autonomia para tocar os negócios. Como Steinbruch é um problemão, resta saber se esse será um daqueles raros casos em que dois bicudos se beijam.

Acervo RR

Virada radical

8/02/2013
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Benjamin Steinbruch está procurando desesperadamente novos parceiros para a aquisição da CSA. O BNDES roeu a corda do modelo combinado, que envolvia uma participação societária e financiamento de R$ 4 bilhões. Os raios que partiram ao meio a associação foram desferidos do Olimpo. A Ternium já se sente abençoada pelo governo como futura empresa nacional e líder da indústria siderúrgica. A sede do grupo deverá ser o Rio de Janeiro. P.S. Se Benjamin virar esse jogo, é porque ele é realmente um homem de aço.

Acervo RR

Ternium fixa residência no Brasil se levar a CSA

21/01/2013
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O cenário é árido e a temperatura, tórrida, tal qual a de um alto-forno de aciaria. Os dois oponentes se observam com um olhar gélido e injetado de sangue. De um lado da pista, o vulto suscita a imagem de Giuliano Gemma com um poncho com as cores da bandeira portenha caído sobre os ombros. Na direção inversa, postado como um vergalhão, um clone barroco de Clint Eastwood com traços tipicamente judaicos aquece sua mão na coronha do Colt 45. A cena do bizarro western ?siderúrgico- espaguete? é uma metáfora burlesca do duelo pela aquisição do controle da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que deve ser concluído até o Carnaval. O Giuliano Gemma da vida real é a Ternium, que remonta ao lendário siderurgista ítalo-argentino Agostino Rocca – velho camarada do Duce. O Clint Eastwood de nervos de aço atende pelo nome de Benjamin Steinbruch, considerado por muitos o maior empresário do Brasil, não obstante o estilo espalha- brasa que o notabilizou. Cada um tem seus trunfos no coldre. Benjamin carrega a bandeira do nacional-siderurgismo. Sabe que, se perder essa contenda, a CSN ficará isolada, cercada de gringos por todos os lados. E a indústria siderúrgica praticamente inteira se tornará um sangrador de divisas. Benjamin conta com o BNDES para se tornar o grande player nacional do setor. Um ponto a favor é sua relação estreita com Luciano Coutinho. Sabe como é… É sempre melhor ter amigos. Desconfortável seria apenas a participação da Vale em 30% do projeto. Não que incomode a presença da mineradora no capital, mas, sim, o acordo de reserva de mercado para a venda de minério de ferro. A CSN teria vantagens em se livrar dessa camisa de força devido a  autossuficiência nesse insumo. No entanto, é bom lembrar que o BNDES, virtual sócio na empreitada, é também controlador da Vale. Noves fora essa inevitável equação mineral, a aquisição alçaria a CSN a um novo patamar. Com a CSA, ela praticamente duplicará de tamanho, passando de 5,6 milhões para 10,6 milhões de toneladas de capacidade instalada. Deixará para trás a ArcelorMittal, que produz cerca de dez milhões de toneladas de aço por ano e é a primeira no ranking brasileiro. A Ternium, por sua vez, adoraria passear com a Vale em uma gôndola de Veneza. A empresa até tem minério de ferro, por meio da Usiminas, porém se trata de uma matéria-prima de qualidade inferior e logística complexa. Os ítalo-portenhos têm a siderurgia no sangue e são considerados excepcionais gestores, vide o exemplo da própria empresa mineira, que chegou a ser tida como um ativo de segunda classe e está sendo tocada com maestria e precisão. Mas a bala de prata que a Ternium guarda para vencer o duelo ao por do sol da CSA é o anúncio da transferência de sua sede da Argentina para o Brasil. Em tese, o grupo viraria empresa nacional. E passaria a ter uma capacidade instalada no país da ordem de 14 milhões de toneladas. Correndo por fora, como um Lee Van Cleef de turbante, os indianos da ArcelorMittal. São conversas ainda nebulosas, já que as tratativas com a Thyssen envolvem a aquisição de uma usina no Alabama. Segundo o Wall Street Journal, a negociação poderia incluir a CSA. O RR acha que o jornalão norteamericano está por fora. Se o pistoleiro outsider vencer a rodada de fogo, aí a coisa fica séria. A ArcelorMittal faria uma festa, disparando no setor, com 15 milhões de toneladas de capacidade. Nesse caso, o western “siderúrgico-espaguete” seria filmado em Bollywood.

Acervo RR

CSA e Usiminas puxam as peças do xadrez siderúrgico

26/07/2012
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A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) pode ser o pivô do redesenho da indústria siderúrgica nacional, que hoje vive o risco de ficar povoada de mausoléus ? leia-se usinas obsoletas, com baixa escala e reduzida perspectiva de investimento. A Usiminas é o melhor exemplo das siderúrgicas que estão virando sucata e cujo futuro depende de uma rearrumação das peças do setor. A companhia mineira é um buquê de ineficiências. Tem problemas de defasagem tecnológica, abriu frentes em demasia, sofre com a baixa capacidade de comercialização e tropeça em um esquema de logística fragmentado, com dificuldades junto a parceiros. A lista de corrosivas limitações da Usiminas inclui ainda a reduzida escala para os atuais padrões de competitividade do mercado e uma rentabilidade minguante e inferior a  da concorrência. No ano passado, seu lucro já havia despencado 74% em relação a 2010. Nos primeiros três meses deste ano, sua performance degringolou. Entre janeiro e março, a empresa amargou prejuízo de R$ 70 milhões, contra perdas de R$ 26 milhões em igual período em 2011. Para efeito de comparação, a CSN também teve um declínio em seu desempenho, mas, ao menos, conseguiu ficar no azul no primeiro trimestre – o lucro caiu de R$ 617 milhões para R$ 110 milhões. Não bastassem esses atributos negativos, a grande aposta da Usiminas – a compra da J. Mendes, que permitiria o autossuprimento de minério de ferro – revelou-se muito aquém da expectativa. O minério é de baixo teor e seu custo de frete, um despropósito. Para se ter uma ideia, a Vale paga cerca de US$ 3 por tonelada no transporte da commodity. A Usiminas gasta dez vezes mais, algo próximo dos US$ 30 a tonelada. Quem chora pitangas com essa operação siderúrgica é a Ternium, que comprou caro uma siderúrgica enferma. O melhor dos mundos para o grupo ítalo-argentino seria voltar no tempo, mas, como este pacto com Cronos não é possível, a segunda boa hipótese é deixar o controle da Usiminas. Uma alternativa idealizada para a Ternium e a Usiminas seria uma dança das cadeiras envolvendo CSN e CSA. O grupo ítalo-argentino venderia sua participação na siderúrgica mineira a Benjamin Steinbruch, que já está apinhado de ações da empresa, mas não conseguiu entrar no bloco de controle. Ressalte-se que a CSN preenche as principais lacunas da Usiminas. Tem minério de boa qualidade e logística inteiramente equacionada. O ônus de quem fica, notadamente a Nippon Steel, seria conviver com Benjamin no Conselho. A incorporação da CSA, por sua vez, permitiria a  Ternium criar o grande bloco de empresas siderúrgicas do Sudeste, partindo- se da premissa de que os ítalo-argentinos têm o compromisso e vão construir um smelter com capacidade para oito milhões de toneladas no Porto do Açu, no Norte Fluminense. Não faltariam ao grupo nem minério – leia-se a Vale, sócia da CSA – nem logística, nem escala. A montagem dessa engenharia é complexa. E, como toda a negociação de grande porte na indústria brasileira, passaria pelo BNDES. De qualquer forma, parece fazer mais sentido do que a hipótese de compra da CSA pela Ternium e pela Nippon Steel, trazendo a reboque no consórcio a enferrujada Usiminas. Se as partes se guiassem pela lógica, o que não necessariamente é intrínseco ao mundo dos negócios, o troca-troca começava já. Em tempo: neste tabuleiro, haveria, sim, a hipótese Jorge Gerdau. Mas, como se sabe, ele sempre quer levar tudo de graça.

Acervo RR

Gerdau e Usiminas é aço forjado no próprio Planalto

25/03/2011
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Jorge Gerdau está cumprindo missão. A investida da Gerdau sobre as ações dos funcionários da Usiminas e os planos de fusão com a Açominas são apenas da missa a metade. Por trás deste enredo, há um chamamento do Planalto para uma operação muito maior. Para aqueles que se arrepiam com a estratégia do BNDES em criar conglomerados com inserção competitiva no exterior, vem aí mais um capítulo. O projeto do governo é fomentar a associação entre a Gerdau e a Usiminas e criar um agente consolidador do setor siderúrgico não apenas no Brasil, mas, sobretudo, com perspectiva internacional. Juntas, as duas empresas poderiam disputar a compra de empresas no exterior. Um dos alvos seria a Ternium, braço siderúrgico do grupo ítalo- argentino Techint, que também chegou a se candidatar a  aquisição das ações dos funcionários da Usiminas. Juntas, as três empresas formariam um conglomerado com produção anual de 35 milhões de toneladas de aço, plantas no Brasil, Estados Unidos, México, Argentina e Colômbia, e faturamento equivalente a R$ 60 bilhões. Curiosamente, há pouco mais de um mês, a própria Usiminas vendeu sua participação de 14,2% no capital da Ternium. . Para que a associação com a Usiminas seja concretizada, a Gerdau terá de avançar também sobre as ações da Camargo Corrêa e dos Ermírio de Moraes no bloco de controle da Usiminas. No entanto, esta operação não será apenas um acordo entre compadres do baronato empresarial. Toda esta engrenagem tem ainda duas peças fundamentais: o BNDES e a Nippon Steel. O banco entraria na operação com duplo chapéu: como acionista, ingres sando no bloco de controle da Usiminas, e como financiador da própria compra da Ternium ou de outras siderúrgicas no exterior. Os japoneses, por sua vez, cederiam parte de suas ações para o desembarque da Gerdau e do BNDES no controle da siderúrgica mineira. Guardadas as devidas proporções, a Nippon teria uma condição semelhante a  da Mitsui na Vale. A siderúrgica japonesa permaneceria com uma posição estratégica na empresa mineira. A redução da sua fatia societária seria amplamente compensada pela participação em um grupo de porte ainda maior. Mal comparando, seria uma negociação a  la Oi, em que todos cederiam um pouco daqui e dali em nome de uma operação de grande envergadura. Para Jorge Gerdau, este projeto seria a concretização de um sonho. O empresário, que sempre teve complexo por ser chamado de fabricante de vergalhão e arame, entraria no segmento de aços planos. Seria uma promoção de tenente para marechal. Se, na visão do Planalto, a Gerdau deve ser o cavalo vencedor, o páreo já começa com um grande perdedor. A intenção do governo de estimular a associação entre a Gerdau e a Usiminas é um tiro na femoral de Benjamin Steinbruch, que também alimenta a pretensão de comprar a siderúrgica mineira. Como de hábito, o empresário pecou pelo estilo. Benjamin entrou no negócio dando uma tesoura voadora. Comprou participações da companhia em mercado, soltou um comunicado sobre o seu interesse em ingressar no bloco de controle da Usiminas e desdenhou conversar com os japoneses. Não bastasse a ausência de tato, faltou ainda o principal: contar com a simpatia do governo.

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