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491  resultados para BB

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17.05.19
ED. 6116

Souza Cruz costura “PPP” com o governo para voltar à era dos grandes lucros

No biênio de 2016/2017 o lobby da indústria tabagista no Brasil chegou perto de R$ 150 milhões, segundo uma fonte do RR que pertenceu aos quadros da Souza Cruz, empresa responsável por 90% desses gastos. A companhia é uma máquina de lobby. Deixa a indústria armamentista, por exemplo, a ver navios. A decisão de partir para o jogo pesado foi tomada devido ao explosivo descontentamento da British American Tobacco (BAT) com o fechamento de capital da subsidiária brasileira, em 2015.

A direção da empresa no Brasil foi responsabilizada pelo equívoco. A Souza Cruz tinha lucros espetaculares. Em um ano, crescia 40%; no outro, 50%. Era a ação mais rentável do mercado brasileiro. Quase concomitantemente ao fechamento de capital, explodiu o contrabando de cigarros, combinado ao aumento da concorrência na praça de São Paulo e a mais e mais impostos – a recompra de ações se deu justamente em meio à escalada tributária, iniciada em 2013. Em 2017, a invasão do mercado brasileiro pelos cigarros paraguaios bateu recorde – pela primeira vez, o produto contrabandeado chegou a mais de 50% do mercado brasileiro. O fechamento de capital foi avalizado como injustificável pela matriz.

Para pagar o prejuízo somente por meio da parceria com o governo brasileiro. Um jogo ganhaganha. Na Souza Cruz montou-se uma operação internamente chamada “o cigarro é nosso”. O RR enviou uma série de perguntas à companhia, que não quis se pronunciar. Embaixadores dessa “cigarrolândia” foram despachados para convencimento das áreas fiscal, política, fazendária, policial etc. O então ministro da Agricultura, Blairo Maggi, foi atraído para o lobby, no segundo trimestre de 2016, tornando-se um dos principais interlocutores da empresa. Ações de divulgação e seminários foram realizados com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, que tem a subsidiária da BAT como um dos principais financiadores.

O ministro do Desenvolvimento Social do governo Temer, Osmar Terra, foi atraído para palestra contra a legalização das drogas, patrocinada pela companhia. Um encontro liderado pela empresa com a senadora Ana Amelia e todas as entidades do setor – Ampro Tabaco, SindiTabaco, Abifumo, Afubras – reuniu diversos parlamentares para discutir o contrabando no mercado de cigarros. A Souza Cruz é apontada também como “campeã de contribuições ocultas” para o Instituto de Direito Público (IDP), que tem como sócio o ministro do STF Gilmar Mendes. O contrabando do cigarro tornouse um inimigo nacional.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, que agora analisa a criação de um grupo de estudos sobre a vantagem da redução dos impostos da indústria tabagista, esteve entre as autoridades cortejadas pela Souza Cruz. Se os números especulados sobre a redução tributária estiverem na direção certa, o setor veria de volta perdas da ordem de R$ 7,5 bilhões. Tomando-se como base a sua participação no mercado, na faixa de 80%, a “restituição” à Souza Cruz seria de aproximadamente R$ 6 bilhões, equivalente ao lucro líquido da empresa no último quadriênio. Nesta “Parceria Público Privada” com o objetivo de resgatar os polpudos lucros que ficaram no passado, a BAT responderia generosamente à decisão do governo anunciando a disposição de investir em uma fábrica de cigarros eletrônicos no Brasil, uma das suas apostas no mundo. O pleito ainda está em estudos na Anvisa. Provavelmente a empresa vai usar sua máquina de lobby para que esse investimento, tão benéfico à saúde do brasileiro, mereça incentivos fiscais. O fato é que muita fumaça ainda vai rolar.

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15.05.19
ED. 6114

Transfusão de sangue na Cassi

Os funcionários e aposentados do Banco do Brasil vão às urnas. A partir da sexta-feira, começarão a decidir se aprovam ou não a proposta de mudança do custeio do Plano de Associados da Cassi, a empresa de medicina de grupo da instituição. Vai doer no bolso de todos: no caso dos beneficiários, a cobrança passará dos 3% para 4%; o banco, por sua vez, contribuirá com 4,5%. Com mais de 600 mil participantes, a Cassi tem um déficit de R$ 377 milhões, número confirmado pelo BB. Sobre o risco de intervenção que paira sobre a empresa há algum tempo, o banco diz que “a ANS acompanha a situação financeira da Cassi e cabe à agência analisar os procedimentos a serem adotados”.

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03.05.19
ED. 6106

Campanha do BB deixa uma cicatriz em Rubem Novaes

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, balançou no cargo. Não fosse pela intervenção do ministro Paulo Guedes, Novaes poderia até ter deixado o banco. A primeira reação do Palácio do Planalto contra a já famosa campanha de marketing do BB para o público jovem levou em consideração uma reprimenda pública ao melhor estilo Jair Bolsonaro. Novaes seria chamado ao Planalto para dar explicações. A medida evoluiu na direção da ideia de afastamento do presidente do BB. O grupo palaciano não é de hoje implica com Novaes. Guedes, porém, tratou da questão em um âmbito mais amplo: o presidente do BB foi nomeado não só por ter a sua confiança, como também pelo perfil talhado para a gestão privatizante do banco. Sim, o BB seria a estatal que, nas palavras do ministro, ninguém fala, ninguém pensa, ninguém imagina que será privatizada. Segundo informações filtradas do BB, a malfadada peça publicitária foi aprovada em reunião de diretoria com a presença de Novaes e dos nove vice-presidentes da instituição. Nada, portanto, foi decidido à revelia do alto-comando. Feitos os reparos e pedidos, ficou para o diretor de marketing, Delano de Andrade, pagar o pato sozinho. Na quinta-feira da semana passada, quando o caso estourou, sua cabeça já estava em um cesto ao lado da guilhotina. O RR enviou uma série de perguntas ao BB, que não quis se pronunciar.

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29.04.19
ED. 6103

Governo Bolsonaro ajoelha no milho

Como se não bastassem os iminentes cortes no crédito agrícola por parte do BB e os atritos diplomáticos com os países árabes, surge mais um ponto de tensão entre a gestão Bolsonaro e os ruralistas. Produtores de milho, escoltados pela Frente Parlamentar da Agricultura, pressionam o governo a adotar medidas emergenciais para compensar o que se anuncia como uma das maiores quedas dos preços da commodity dos últimos cinco anos. Segundo a fonte do RR, as reivindicações vão de um pacote de subsídios para o segmento e incentivos fiscais para o aumento da fabricação de etanol de milho. Os produtores cobram também garantias de compra de parte da próxima safra. Procurado, o Ministério da Agricultura diz “desconhecer as reivindicações”. A Pasta informa que a produção de etanol “de milho ou de cana já possui forte apoio do governo federal, com a mistura obrigatória de 27% na gasolina”. O Ministério disse que “tem a responsabilidade de garantir o preço mínimo, mas não necessariamente pela de compra do produto, mas preferencialmente por equalização de preços”. Curiosamente, no momento, há falta de milho em algumas regiões. É o caso do Mato Grosso, onde a Conab tem feito leilões de estoques públicos. No entanto, o cenário tende a mudar significativamente nos próximos meses. Estudos do Ministério da Agricultura apontam que a colheita de milho na safra 2018-19 será recorde, com mais de 94 milhões de toneladas. Caso a projeção se confirme, serão 14 milhões de toneladas a mais do que no ano passado. Há estimativas de que os preços possam cair até 20% ainda neste ano.

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24.04.19
ED. 6100

Lemann assume o “Ministério da Produtividade”

Jorge Paulo Lemann, que já tem o seu Endeavor para estimular o empreendedorismo nos jovens e participa de ações empresariais voltadas à capacitação de futuros homens públicos, arrumou outro brinquedo. Vai liderar uma fundação de big bosses para subsidiar o governo com medidas que aumentem a produtividade e melhorem o ambiente dos negócios. Ao lado de Lemann estão nomes como Daniel Klabin, Jorge Gerdau e o indefectível Vicente Falconi, além, é claro, do seu time de futebol: Beto Sicupira, Carlos Brito, Marcel Telles e Alexandre Behring. Seu escrete terceirizará conhecimento com o qual pretende brindar o governo.

O leque de empresários tem a função de injetar combustível financeiro e emoldurar as propostas com seu prestígio. A novidade é a sugestão para que o grupo funcione também como se fosse um comitê de arbitragem das sugestões apresentadas. Assim, quando houver dúvidas entre a adoção das medidas ofertadas ou do governo, o “Comitê Lemann” daria seu veredito. O proselitismo do empresário sob a forma de filantropia não pode ser tachado como algo negativo ou prejudicial à sociedade.

Seu pecado é ser monotônico, tendendo à neurolinguística e à autoajuda. Não bastasse, o discurso de Lemann traz implícito um permanente desconforto com o Brasil, uma senzala administrativa a exigir os processos e práticas que levaram ao sucesso os países e grupos empresariais mais desenvolvidos. Um bom exemplo do que Lemann não é e nem quer ser – por isso o define melhor ainda – foi o grupo dos 14, uma pequena tropa empresarial, extremamente politizada, que assinou um dos mais notáveis capítulos da burguesia nacional, nos anos 80.

Nomes como Luiz Eulálio Bueno Vidigal, Antônio Ermírio de Moraes, Paulo Francine, Cláudio Bardella, José Mindlin e Paulo Vellinho, entre outros, lutaram contra a ditadura, pressionaram o governo para o desenvolvimento da indústria nacional – o setor na década de 80 alcançou 30% do PIB contra os atuais 12% – e fizeram o maior lobby empresarial por investimentos na infraestrutura. Todos eram ligados à economia física, ao contrário da hegemonia financista dos novos vencedores. A nova Fundação de Lemann, noves fora as novidades já mencionadas, deve apresentar mais do mesmo: orçamento base zero, envolvimento do dono da empresa na contratação de capital humano e uma meritocracia radical. O museu de grandes novidades do líder cervejeiro servirá de script para mais um show de narcisismo do dono da Ambev. Lemann tem um ego ciclópico e é campeão de vaidade nas redes, impulsionando seus milhões de aparições. No meio de toda a bizarrice que assola o país, até que não chega a ser mau.

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10.04.19
ED. 6091

Rebelião ruralista

A ministra Teresa Cristina foi escalada pelo Planalto para debelar um motim. A bancada ruralista ameaça votar em bloco contra a reforma da Previdência caso o Banco do Brasil leve adiante o projeto de reduzir substancialmente sua carteira de crédito agrícola. Mais de 60% do financiamento rural vêm do BB.

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05.04.19
ED. 6088

Críticas e desagravos opõem togados e ex-fardados

Há uma óbvia relação entre o ato de desagravo ao Supremo Tribunal Federal na última quarta-feira e o editorial da nova edição da Revista do Clube Militar. O manifesto de apoio da “sociedade civil” ao STF – que uniu da OAB à CNBB e ao Conselho de Pastores, passando por Fiesp e Força Sindical – ocorreu poucos dias após a publicação entrar em circulação com o editorial intitulado “Ditadura da Toga?”. No texto, o presidente do Clube Militar, General de Divisão Eduardo José Barbosa, faz duras críticas à decisão do STF de que processos de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à prática do “caixa 2” devem migrar para a Justiça Eleitoral.

O General afirma que “fica evidente uma ofensiva contra a Operação Lava Jato, deixando a suspeição de haver uma disputa pelo poder no âmbito do próprio Judiciário ou uma tentativa de ‘favorecer a defesa dos corruptos’”. No editorial, o presidente do CM classifica como “uma atitude presunçosa, arrogante e, mesmo, raivosa” a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, que determinou a abertura de inquérito “para apurar contestação, ofensa, crítica ou ameaça” contra os ministros da Corte e seus familiares. “Por que não se pode criticar ou contestar?”, questiona o General Barbosa. Por sua vez, segundo informações correntes, o ato “espontâneo” de desagravo ao STF teria sido organizado pelos ministros Dias Toffoli e Luiz Fux. O cenário é de uma “guerra fria”.

É importante que se faça algumas ressalvas. O STF não representa o Judiciário, em que pese ser a mais alta Corte do país. O Clube Militar, por sua vez, não vocaliza os militares da ativa, não obstante representar todos os oficiais que passaram pelo Exército, o que não é pouca coisa. Consultado pelo RR se o editorial em questão configura uma crítica a um episódio específico, o chamado julgamento do “caixa 2”, ou se trata de uma avaliação negativa do comportamento recente do STF, o CM respondeu que “Ambos”. Perguntado se planeja outras manifestações publicas neste sentido, o Clube Militar disse “Talvez”.

O RR também entrou em contato com o STF, que não quis se pronunciar sobre o episódio. Pode ser que seja apenas um jogo de cena, mas uma fonte do Supremo disse à newsletter que não reconhecia qualquer importância na manifestação do General Barbosa. Ao se referir à posição do Clube Militar, em tom irônico o interlocutor chegou a se utilizar da frase proferida pelo ministro Ricardo Vélez ao mencionar o “guru” Olavo de Carvalho e suas seguidas interferências na Pasta da Educação: “Não passam de fenômenos meteorológicos.

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05.04.19
ED. 6088

Troca de guarda

Nos corredores da Previ circula a informação de que o presidente da fundação, José Mauricio Coelho, está com os dias contados. O favorito para o posto seria o atual presidente da BB DDTVM, Carlos André, que caiu no gosto do presidente do BB, Rubem Novaes;

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25.03.19
ED. 6079

Cassinos buscam um novo “cabo eleitoral”

O lobby dos cassinos procura um novo “porta-voz” no governo. Acusado de comandar o “laranjal” do PSL, o ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, tornou-se o anti-garoto propaganda. A cada declaração do ministro favorável à proposta, o projeto que libera o jogo no país volta uma casa no tabuleiro.

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22.03.19
ED. 6078

Sérgio Moro aperta o cerco a abusos sexuais por religiosos

Os escândalos protagonizados por João de Deus e Prem Baba, apenas para citar casos mais recentes e emblemáticos, viraram assunto de Estado. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, trabalha para aumentar a punição contra crimes de abuso sexual praticados por religiosos. As discussões envolvem também o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. As duas Pastas pretendem encaminhar ao Congresso projeto de lei tornando as penas ainda mais rigorosas, notadamente a partir da tipificação de agravante – por definição, o autor de um crime desta natureza aproveita-se de uma condição de ascendência e de certo mando sobre a vítima. A Pasta da Justiça confirmou ao RR que Moro “conversou com a ministra Damares Alves sobre o projeto” e que ela “encaminhará o texto para avaliação do Ministério”. Segundo o RR apurou, na próxima semana Moro e Damares deverão ter uma nova reunião, desta vez com a presença de promotores do Ministério Público de Goiás que atuam nas investigações das denúncias contra o médium João de Deus. Como qualquer assunto que envolva religião e suas instituições, o tema é delicado. Para além dos casos que ganharam notoriedade mais recentemente, passa também pelas denúncias de abuso sexual que pairam sobre a Igreja Católica, Por sinal, a investida de Moro se dá no momento em que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anuncia que ampliará sua Comissão de Proteção a Menores, com o intuito de coibir e punir crimes de abusos contra crianças e adolescentes cometidos por clérigos.

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15.03.19
ED. 6073

Igreja Católica tenta reconstruir as pontes com o Poder

A Igreja Católica está voltando ao game devagarinho. Tem feito movimentos ainda tímidos, porém perceptíveis, no intuito de reagir à perda de representatividade institucional junto ao Poder. O contraponto é o crescente espaço de influência política dos evangélicos, que ganhou tonalidades mais fortes com a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência. Um gesto emblemático dos católicos foi o Banquetaço Nacional do último dia 27 de fevereiro, organizado pela Cáritas, braço social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O evento em 27 cidades brasileiras surgiu como uma resposta à edição da MP 870 e à consequente extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, entidade civil que prestava consultoria à Presidência da República. Perguntada se o Banquetaço Nacional foi um ato de caráter político, a CNBB não se pronunciou. A cúpula da Igreja Católica tem emitido outros sinais que apontam para um projeto de resgate do seu espaço no cenário institucional e político. Desde já, as atenções se voltam para o Sínodo da Amazônia, reunião do episcopado católico marcada para outubro, no Vaticano.

O próprio governo deu sua contribuição para colocar foco sobre o encontro, transformando-o praticamente em questão de segurança nacional. Recentemente, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) publicou nota confirmando que “existe a preocupação funcional com alguns pontos da pauta do Sínodo”. Na ocasião, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI, negou que a Igreja Católica seja “objeto de qualquer tipo de ação da Abin”, mas deu a entender que a reunião de outubro está no radar do aparelho de Inteligência. A reação mais contundente da Igreja Católica veio na voz do bispo da Prelazia de Marajó, dom Evaristo Spengler, que classificou a movimentação do governo como “um retrocesso que só vimos na ditadura militar”.

Consultada, a CNBB também não quis comentar a declaração de dom Evaristo. Talvez a Igreja Católica jamais tenha enfrentado uma circunstância tão inóspita do ponto de vista institucional. O Estado é laico, mas o governo Bolsonaro sabidamente tem suas preferências. Os evangélicos formam uma das bases de sustentação eleitoral do Capitão. A Bancada da Bíblia, um istmo das congregações pentecostais no Legislativo, é um dos principais esteios de Bolsonaro no Congresso. O discurso moralista e a agenda dos costumes galvanizam essa relação de fé e pragmatismo.

O presidente e os seus enxergam a Igreja Católica como antiga aliada do PT e de causas identificadas com o campo da esquerda. A bandeira dos direitos humanos e a defesa de grupos específicos de interesse, como ambientalistas e indígenas, são vistas pelas hostes bolsonaristas como pontos de simbiose entre católicos e o esquerdismo. No governo, há um receio de que o episcopado brasileiro aproveite a visibilidade internacional em torno do Sínodo da Amazônia para desfiar um rosário de críticas às políticas da gestão Bolsonaro nas áreas social e ambiental. Por esta razão, há, desde já, movimentos no sentido de desconstruir o encontro no Vaticano. O presidente Bolsonaro e sua claque evangélica tentam impingir ao Sínodo uma imagem depreciativa, comparando-o, inclusive, ao Foro de São Paulo.

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13.03.19
ED. 6071

“Reforma” da Previdência chega ao campo

Empresas como Bunge, ADM, Cargill etc sofreram uma derrota inesperada na última segunda-feira, com uma decisão proferida por Edson Fachin. O ministro do STF declarou a Associação Brasileira dos Produtores de Soja e a União da Agroindústria Canavieira (Única) como “amicus curiae” na ação que discute a constitucionalidade da tributação previdenciária sobre exportações indiretas de produtos agrícolas. Na prática, os agricultores passaram a ser parte interessada no processo, não obstante o forte lobby das tradings na direção contrária. A decisão sugere uma reviravolta na ação, aumentando o risco de que, nesses casos, o pagamento do INSS de agricultores recaia sobre as tradings exportadoras de grãos. A conta pode chegar a R$ 10 bilhões por ano.

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01.03.19
ED. 6066

CPI da Vale a passos de cágado

As assinaturas de todos os 74 deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) parecem ter sido feitas a lápis. O presidente da ALMG, Agostinho Patrus (PV), tem postergado a abertura da CPI para investigar a tragédia de Brumadinho. Havia a promessa de que a Comissão seria instaurada ainda nesta semana, o que não ocorreu. O novo horizonte é a semana depois do Carnaval. Ao que tudo indica, o lobby da Vale está funcionando.

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25.02.19
ED. 6062

Os dados ainda rolam

A Wynn Resorts, dona de cassinos em Las Vegas e Macau, engrossou a tropa do lobby no Congresso, para a aprovação do projeto que libera o jogo no Brasil.

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12.02.19
ED. 6053

Patagonia

O presidente do BB, Rubem Novaes, bateu o martelo: vai vender a participação de 80% no Banco Patagonia. A saída deverá se dar por meio de oferta na Bolsa de Buenos Aires. Procurado, o BB não se pronunciou alegando estar em período de silêncio.

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23.01.19
ED. 6039

BB vs. BR Pharma

O Banco do Brasil deverá entrar na Justiça para suspender o plano de recuperação judicial da BR Pharma, holding do varejo farmacêutico que soma uma dívida de R$ 1 bilhão. A área jurídica do BB elencou uma série de irregularidades na proposta apresentada pela companhia.

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21.01.19
ED. 6037

Os jalecos nem tão brancos do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde desponta, desde já, como um dos principais flancos de questionamentos às indicações do governo Bolsonaro. Escolhido para ocupar o cargo de secretário-executivo da Pasta, o médico João Gabbardo dos Reis responde a uma ação de improbidade administrativa no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT). O Ministério Público acusa Gabbardo e o Instituto de Cardiologia do DF (ICDF), do qual ele foi superintendente entre 2010 e 2014, de utilizarem R$ 6 milhões em recursos públicos indevidamente para a reforma de um hospital privado.

Consultado, o Ministério da Saúde informou que “o processo aguarda análise da Justiça Federal, inclusive quanto à competência e demais aspectos apresentados pela defesa na ação.” A Pasta disse ainda que “a denúncia não trata de superfaturamento ou desvio dos recursos, mas, sim, no entendimento de onde os recursos foram aplicados: ou em entidade sem fins lucrativos com atendimento ao SUS ou em prédio da União.” O Ministério esclarece que os “os recursos públicos foram aplicados, conforme já apresentado pela defesa no processo, em leitos de UTI para cardiologia, para cirurgia cardíaca e para o centro de transplantes, com funcionamento em um prédio da União”.

Que tudo seja esclarecido a tempo. Gabbardo não está sozinho. O ministro Luiz Henrique Mandetta é investigado por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 da época em que ocupou o cargo de secretário de Saúde de Campo Grande (MS). As acusações se referem à implementação do Gerenciamento de Informações Integradas da Saúde (Gisa). Mesmo após o repasse de R$ 16 milhões em verbas da União, o projeto não saiu do papel. O Ministério esclarece que “o ministro Luiz Henrique Mandetta não é réu em nenhum processo”. Afirma ainda que “a gestão posterior a de Mandetta decidiu pelo encerramento do convênio e os recursos estão sendo restituídos à Pasta”.

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15.01.19
ED. 6033

BB e Previ ensaiam saída da Kepler Weber

O Banco do Brasil já mantém conversações com a Previ para a venda conjunta de suas ações da Kepler Weber. O banco e o fundo de pensão detêm 35% do capital da empresa, maior fabricante de silos da América Latina. Em um mero exercício, tomando-se como base apenas o atual valor de mercado da Kepler, o quinhão da dupla vale algo como R$ 130 milhões. A operação poderá se dar por meio de uma venda direta ou por intermédio de um leilão em bolsa. Ressalte-se que no ano passado a norte-americana AGCO – uma das maiores fabricantes de implementos agrícolas do mundo – lançou uma oferta para comprar as participações do BB e da Previ. No entanto, a operação foi suspensa pela CVM.

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15.01.19
ED. 6033

Ponto final

Os seguintes citados não retornaram ou não comentaram o assunto: BB, Previ, Volkswagen, Ministério da Agricultura e Rumo.

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14.01.19
ED. 6032

BB DTVM e Caixa Asset podem ser embrulhadas no mesmo pacote

O governo cogita a fusão das gestoras BB DTVM e Caixa Asset. Não faria, portanto. o IPO de cada uma delas isoladamente, mas, sim, da nova e musculosa empresa, que já viria ao mundo com uma carteira total de ativos superior a R$ 1,5 trilhão. Se antes a abertura de capital das duas empresas era considerada um negócio de retorno discutível, devido à baixa escala do mercado e ajustes internos que precisam ser feitos em ambas, a BB/CEF Asset torna o cenário para o IPO bastante positivo. A expectativa é que a joint venture seja um grande originador de operações.

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10.01.19
ED. 6030

Banco do Brasil busca uma cura para seu plano de saúde

A nova gestão do Banco do Brasil, comandada por Rubem Novaes, está convicta de que terá de lançar mão de medidas duras e impopulares se quiser conter o crescente rombo financeiro da Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil). Uma das principais ações discutidas é a equiparação das contribuições entre os participantes e o mantenedor. Hoje, trabalhadores e aposentados do BB arcam com o equivalente a 4% do que recebem; já o banco entra com 5,85%.

A ideia em estudo é uniformizar as contribuições pelo índice mais alto. A maior derrama junto aos beneficiários aumentaria a arrecadação em algo próximo a R$ 100 milhões por ano. A premissa é que o sacrifício deve ser de todos – guardadas as devidas proporções, uma mensagem que guarda semelhanças com o discurso adotado pelo governo para a reforma da Previdência. A medida tiraria do BB a responsabilidade de bancar solitariamente o déficit do plano de saúde.

Em fevereiro do ano passado, o banco fez um aporte emergencial de R$ 324 milhões na Caixa de Assistência. Quatro meses depois, a entidade já acumulava um novo prejuízo de R$ 385 milhões. Procurado pelo RR, o BB não se pronunciou. Outra medida sobre a mesa promete ser tão ou mais inflamável do que o aumento da contribuição dos participantes. A nova direção do Banco do Brasil estaria disposta a ressuscitar uma agenda que causou razoável desgaste entre a gestão anterior e os beneficiários ao longo do segundo semestre do ano passado.

Trata-se da mudança do estatuto da Cassi, de forma a aumentar o poder de voto de veto do próprio BB na gestão executiva e nos Conselhos do plano de saúde. Em setembro, a diretoria do banco, à época ainda presidido por Paulo Rogério Caffarelli, levou à votação uma proposta de reforma do estatuto. No entanto, as mudanças não alcançaram os dois terços necessários entre os associados da Caixa de Assistência.

Neste momento, há um ingrediente a mais: a manifesta intenção do governo Bolsonaro de vender subsidiárias do BB traz a reboque o fantasma da terceirização da carteira da Cassi, com a contratação de uma administradora independente. Por mais amargas que sejam as medidas a caminho, a nova direção do BB não tem muita margem de manobra. A Cassi é uma bomba-relógio amarrada ao banco. Opera no vermelho desde 2011. No ano passado, o déficit teria batido na marca de R$ 1 bilhão. O descasamento entre receitas e despesas é cada vez mais grave, entre outros motivos devido ao envelhecimento da carteira. Em 2013, a fatia de participantes com mais de 59 anos era de 19%. Em 2017, esse índice chegou a 24%.

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21.12.18
ED. 6020

Super vice-presidente

Na equipe de transição de Jair Bolsonaro, o economista Carlos Hamilton já é tratado como uma espécie de “super vice presidente” da gestão de Rubens Novaes no BB. O cargo de Hamilton, cotado para a vice presidência de Finanças, ainda não foi oficialmente confirmado, mas quase todos os assuntos do banco têm passado por ele.

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13.12.18
ED. 6014

Caixa Econômica na mira do privatista Paulo Guedes

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, está disposto a relançar pela enésima vez a tese de que o país não precisa ter duas mega instituições financeiras estatais; e que pode muito bem privatizar uma delas. Estamos falando da Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, primeiro e segundo lugar no ranking de maiores instituições pelo critério de ativos financeiros. Desde o governo Collor, vai e volta, a ideia surge em algum lugar. Passou por FHC, por Lula e, mais recentemente, foi defendida por Henrique Meirelles.

Agora mesmo, na era Jair Bolsonaro, já surgiu algumas vezes com colorações diferentes. Primeiro, foi no afã privatista de Guedes, que queria se desfazer da Petrobras, CEF, Eletrobras e tudo mais o que estivesse pela frente. Bolsonaro fechou a porta para os excessos do ministro. As principais estatais não seriam privatizadas. Depois, Guedes cometeu uma inconfidência: comentou com um amigo e dirigente do sistema financeiro que queria ver o Bank of América Merrill Lynch associado ao Banco do Brasil. Ou seja: o Estado brasileiro venderia a sua parte. Ninguém mais sério quis comentar o desvario.

Agora, Guedes voltaria a mirar o seu alvo. A bola da vez seria a CEF. Qual o motivo? A União tem 100% do capital da instituição. Portanto seria mais dinheiro para redução da dívida pública bruta. Uma lufada de ares privatistas colaboraria para higienizar a CEF, uma instituição cercada de interesses políticos por todos os lados. Guedes também quer se livrar da coleção de riscos bancários. Prefere ficar, na área comercial, com o BB – se pudesse não ficava com nenhum. A CEF volta e meia precisa de injeções de capitalização do governo. Seu maior ativo é a vasta rede bancária. A proposta de vitaminar o BB em paralelo com a venda da CEF pode ser um estímulo para sensibilizar Bolsonaro que, no caso das instituições financeiras, reduzir é aumentar, mesmo que por via transversa. Se Guedes emplacar essa, vai para a galeria dos ministros que quebraram paradigmas.

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05.12.18
ED. 6008

Kepler Weber rodopia nas bolas

A roleta gira freneticamente no cassino da bolsa. Desde o início de novembro, quando o superministro Paulo Guedes sinalizou a venda de participações societárias do Banco do Brasil em empresas, a ação da Kepler Weber já subiu mais de 35%. Segundo o RR apurou, um grande banco norte-americano tem atuado freneticamente nas duas pontas do balcão. O BB tem 17,4% do capital ordinário da fabricante de silos. A Previ, outro tanto

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28.11.18
ED. 6003

Um tiro pela culatra na concentração bancária

Se uma das justificativas de Paulo Guedes para esquartejar e vender pedaços do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal é reduzir a concentração bancária, como ele próprio afirma, a medida deve ter exatamente o efeito contrário. Diante da histórica dificuldade dos bancos estrangeiros, notadamente do segmento de varejo, de entrar e permanecer no mercado brasileiro, tudo leva a crer que os três maiores grupos privados do país – Bradesco, Itaú e Santander – serão os grandes absorvedores das operações da Caixa e do BB. Hoje, os cinco grandes bancos do país somam cerca de R$ 6,2 trilhões em ativos, ou mais de 80% do total do sistema financeiro – há pouco mais de uma década esse índice era de aproximadamente 60%.

Reúnem ainda 80% dos empréstimos e depósitos, 50% do mercado de seguros e 70% da área de cartões de crédito/débito. Com a venda de ativos do BB e da Caixa Econômica, estes percentuais provavelmente passariam a ser condensados nas mãos dos três maiores bancos privados. Em um exercício meramente especulativo, mas factível, caso o governo decida se desfazer integralmente das carteiras das seguradoras ligadas ao Banco do Brasil e à Caixa, a participação de Bradesco, Itaú e Santander poderia chegar a 70% do ramo de automóveis e a 80% no segmento de vida e previdência. No mercado de crédito, esta simulação é mais complexa, pois dependeria da extensão que a venda da carteira comercial da Caixa alcançaria.

De antemão, é possível dizer que a disposição da equipe econômica é tirar a CEF de todos os setores que possam representar risco para o governo e não sejam relevantes para as políticas públicas. Sob certo ângulo, o avanço dos grandes grupos financeiros não foi necessariamente de todo mal. Pelo contrário. Essa concentração sempre foi um fator de proteção do sistema financeiro nacional, permitindo que o país saísse ileso de grandes crises bancárias internacionais, notadamente a hecatombe dos subprimes, em 2008.

De qualquer forma, assim como há uma boa dose de exagero na manutenção pétrea de US$ 380 bilhões em reservas cambiais, talvez a concentração bancária não precisasse ser tanta. Existiria uma hipótese não mais tão remota de atração de banco estrangeiro para o mercado brasileiro por meio de privatizações. O próprio ministro Paulo Guedes deixou vazar que uma futura fusão entre o Bank of America Merrill Lynch e o Banco do Brasil seria benéfica para o setor financeiro nacional. Ocorre que a medida pode levar ao mesmo dilema, ou seja, mais concentrar do que elevar a competição bancária.

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26.11.18
ED. 6001

Está chegando a hora da onça beber água

O grande desafio do governo Jair Bolsonaro no ano da graça de 2019 não será a reforma da Previdência, que representará, sem dúvida, um tento, mas já está dada como pré-condição para o ajuste fiscal. O teste de força será a apresentação, nos primeiros seis meses do ano, da “agenda do incômodo”. São as medidas que baterão de frente com os grupos de interesse e lobbies mais poderosos do país. O RR considera que são três os maiores espinheiros: a desregulamentação, que envolve cortes de subsídios, renúncias fiscais, barreiras tarifárias e desonerações tributárias; o choque anticorporativista, que prevê alterações no fim da estabilidade dos cargos do funcionalismo público, demissões, um pacto pela produtividade, mudanças no Sistema S, entre outras medidas dolorosas; e o ajuste fiscal dos estados e municípios. É no interior desse mosaico que será capturado o complemento para zerar estruturalmente o déficit primário. As privatizações maciças são mais um discurso de campanha, já que a equipe econômica sabe que não é simples a venda de estatais a granel. Mas empresas vinculadas às estatais poderão ser vendidas sem a burocracia das licitações clássicas, tais como os ativos de distribuição e refino da Petrobras e subsidiárias do Banco do Brasil. Os grupos de interesse já estão se movendo para defender os seus territórios. Algumas federações de indústria já buscaram dar o seu apoio de praxe, para depois negociar alguns pontos. Isso teria provocado, inclusive, algumas rachaduras entre essas entidades. Espera-se que os cortes e fim das tarifas alfandegárias estejam vinculados, em alguns casos, a contrapartidas do aumento da produtividade. Haveria métricas próprias e prazos para que fossem cobrados os compromissos, algo que nunca foi feito nesses de distribuição farta de benefícios.

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22.11.18
ED. 5999

Sonhos de uma noite de dizimação

No mundo perfeito idealizado por Paulo Guedes, o sistema bancário público sofreria uma semi-extinção. O Banco do Brasil perderia o seu sobrenome e seria associado a um grupo estrangeiro. A Caixa Econômica, por sua vez, deixaria de ser uma instituição bancária para se transformar em uma certificadora e garantidora de empréstimos imobiliários, uma espécie de Fannie May tropicalizada – em alusão a uma das maiores empresas de hipoteca dos Estados Unidos. Mesmo com a inexorável concentração bancária decorrente da eventual fusão do BB com um estrangeiro, o argumento é que ela pelo menos se daria entre entes privados. Nesse universo lúdico ultraliberal, o Banco da Amazônia (Basa) seria incorporado pelo Banco do Brasil. Já o Banco do Nordeste e a Finep seriam agregados
ao BNDES. Nos prováveis devaneios do ministro da Economia, tudo são possibilidades. A única certeza é que o BNDES será desidratado. Esta dimensão paralela que permeia as divagações de Paulo Guedes buscaria tirar totalmente o governo do risco da atividade financeira, vista como uma potencial fonte de perdas de recursos. Isso incluiria alguns pingentes pendurados no sistema bancário estatal. Em tese, a gestão do FGTS e do FAT, a cargo da Caixa Econômica, e o financiamento agrícola, cujo repasse é de responsabilidade do BB, seriam licitados para a banca privada. O Fundo de Garantia, por sinal, seria gradativamente transferido para uma carteira de previdência complementar.

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14.11.18
ED. 5994

O conveniente trade off de Bolsonaro

Jair Bolsonaro está aprendendo a jogar o jogo contra as oligarquias. Quando os lobbies pela restauração ou ampliação de benefícios fiscais o emparedam, lança mão de um programa social de última geração. É um ou é outro. Foi assim com o programa creche universal. Colocou na mesa o trade off: menos dinheiro barato do governo para os empresários e sua acumulação de capital em troca de atendimento de crianças até três anos em creches públicas. Com a reforma da Previdência, já pretende lançar como contrapartida do empresariado o décimo terceiro do Bolsa Família, renda mínima, isenção do salário mínimo para faixas mais baixas. Bolsonaro tem dado um nó em muita cobra velha.

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14.11.18
ED. 5994

Decolagem forçada

Os bancos credores de Viracopos – à frente Banco do Brasil e Itaú BBA – vêm intercedendo junto a autoridades do setor na tentativa de acelerar a transferência da concessão à dobradinha Zurich Airport e IG 4 Capital. A dívida bancária da operadora do aeroporto de Campinas passa de R$ 1 bilhão.

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14.11.18
ED. 5994

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Banco do Brasil, Itaú BBA e Nordeex-Acciona.

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12.11.18
ED. 5992

“MP da Sede” deixa prefeitos e governadores de garganta seca

A manifesta decisão de Jair Bolsonaro de extinguir o Ministério das Cidades serve como pano de fundo para uma disputa pelos recursos destinados à área de saneamento. O ponto central é a possível mudança no marco legal do setor. Segundo o RR apurou, um grupo de prefeitos e governadores – entre os quais os petistas Rui Costa (Bahia) e Camilo Santana (Ceará) – solicitou a Bolsonaro que ele e sua equipe de transição trabalhem para derrubar a Medida Provisória 744. Do lado oposto, investidores privados desaguaram na Câmara e no Senado com uma intensa operação de lobby a favor da medida. O duelo é apimentado justamente pelo fim da Pasta das Cidades, hoje responsável pela gestão e liberação de recursos para o setor. A proposta – apelidada de “MP da Sede” – estipula que os municípios assumam as licitações para projetos de saneamento, esvaziando o poder das concessões estaduais. Dito desta maneira, até soa estranho que os alcaides estejam contra a medida. No entanto, as prefeituras fazem coro com os governadores por enxergar uma pegadinha no texto, que teria sido feito sob medida para os grandes grupos privados. O entendimento é que apenas as maiores cidades serão beneficiadas com o novo marco legal, justamente as que despertam o interesse dos investidores. Governadores e prefeitos fazem pressão para que o projeto não seja votado antes de 19 de novembro. A partir desse dia, a MP perde validade e o assunto volta à estaca zero.

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08.11.18
ED. 5990

General Heleno amplia o raio de ação do GSI

A julgar pelas missões desempenhadas pelo general Augusto Heleno na equipe de transição, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) terá um perímetro mais amplo de atuação e representatividade no governo Bolsonaro. Na última quinta-feira, Heleno teve uma reunião a portas fechadas com executivos da indústria siderúrgica no Hotel Hilton, no Rio de Janeiro. Segundo o RR apurou, a questão China dominou o encontro. Representantes da CSN, Gerdau, Arcelor Mittal e Usiminas, entre outras menos votadas, bateram na tecla dos estragos que a crescente entrada do aço chinês no Brasil tem causado à indústria nacional.

Ao longo de 2017, a participação do insumo importado no mercado brasileiro subiu de 8% para 13%. Estima-se que este índice feche 2018 acima dos 15%. O produto oriundo do país asiático responde por mais de 50% das importações. Resultado: a ociosidade do parque siderúrgico brasileiro já passa dos 30%: são 34 milhões de toneladas de aço produzido para uma capacidade instalada próxima dos 52 milhões de toneladas. O general Heleno saiu do encontro devidamente municiado de números e mais números. Os executivos chamaram especial atenção para os mais de 12 mil postos de trabalho fechados nos últimos quatro anos.

De acordo com a fonte do RR, as palavras “protecionismo” e “barreiras” não foram pronunciadas durante a reunião reservada. Nem seria preciso. No discurso dos siderurgistas está mais do que subtendido de que vai ser difícil segurar a concorrência com o aço chinês sem sobretaxas. Até porque a China deve intensificar sua investida sobre o mercado brasileiro diante das crescentes restrições alfandegárias impostas pela Europa e, sobretudo, por Donald Trump, nos Estados Unidos. A questão tributária tem sido alvo de embates entre a siderurgia e o governo Temer. Em maio, a Camex adiou por um ano a imposição de tarifas ao aço chinês por considerar o atual regime de “interesse público”, tendo em vista o aumento dos preços e a crise econômica no país.

Em parte, significa dizer que o lobby das montadoras e da indústria de eletrodomésticos, entre outros setores intensivos em aço, foi mais bem-sucedido. Os siderurgistas sabem que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, é contrário, por definição, a tarifas protecionistas a qualquer setor da economia. Portanto, as barreiras alfandegárias serão poucas para muitos pedintes. Os empresários do aço sabem que o general Heleno será o contraponto de Guedes no Palácio do Planalto.

Trata-se de um oficial especializado em assuntos estratégicos, cuja visão dos interesses do Estado vai além da simples aritmética sobre as vantagens de um setor ou outro da indústria. Seu horizonte de atuação institucional alcançará o aconselhamento sobre os países-chaves nas relações comerciais e de segurança. A China é um deles. Há poucos dias, Heleno pediu a Bolsonaro que fosse mais manso em suas declarações sobre o país asiático. Pequim também está atenta a essa movimentação. O em-baixador da China no Brasil fez uma visita em caráter extraordinário ao Capitão Bolsonaro, em sua residência, na Barra da Tijuca. Ou seja: bem antes de se aproximar o quinto mês do governo Bolsonaro, data prevista para a Camex reavaliar a questão, as reivindicações da indústria siderúrgica estão subindo de decibéis.

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06.11.18
ED. 5988

Cessão onerosa ganha seu “fast track”

O ministro extraordinário Onyx Lorenzoni, futuro responsável pela Casa Civil, passou o dia de ontem em tratativas com o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, para garantir que a Casa vote ainda nesta semana o Projeto de Lei 78/20180. Trata-se da proposta que permite à Petrobras negociar até 70% dos cinco bilhões de barris de petróleo a que tem direito de explorar no pré-sal, por meio da chamada cessão onerosa. Paulo Guedes conta com os recursos que jorrarão da operação para abater o déficit fiscal. Por ora, a previsão de arrecadação ainda é dispersa: vai de R$ 30 bilhões até R$ 100 bilhões. O novo governo tem importantes aliados na causa. Grupos estrangeiros de óleo e gás também fincaram suas plataformas de lobby no Senado para acelerar a votação do PL. Os líderes dos partidos da base aliada já aprovaram um requerimento de urgência para a matéria entrar em pauta.

Por falar em cessão onerosa, Onyx Lorenzoni tem usado de todo o seu prestígio junto a Jair Bolsonaro para que o deputado José Carlos Aleluia, autor do PL 78/2018, assuma o Ministério de Minas e Energia. Correligionário de Lorenzoni no DEM, Aleluia não conseguiu se reeleger para a Câmara dos Deputados. Pesa contra ele a manifesta disposição de Bolsonaro de montar um Ministério higienizado, sem condenações ou mesmo suspeitas de atos ilícitos. Aleluia foi citado na Lava Jato pelo suposto recebimento de R$ 300 mil, via Caixa 2, para a sua campanha eleitoral em 2010.

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05.11.18
ED. 5987

BB vs. BR Pharma

Um dos principais credores da BR Pharma, o Banco do Brasil está entrando na Justiça para derrubar o plano de recuperação judicial da rede de drogarias aprovado pelos credores. Deverá ser acompanhado por pesos-pesados da indústria farmacêutica, que apontam irregularidades no plano. Sobre a mesa um passivo da ordem de R$ 1,2 bilhão.

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31.10.18
ED. 5985

Bancada ruralista e lobby privado duelam pela Pasta da Agricultura

O Ministério da Agricultura – dono de um orçamento de R$ 12 bilhões e por onde passam quase 24% do PIB – desponta como uma das esferas de Poder mais disputadas do governo Bolsonaro. A novidade é a entrada na arena da indústria da agrociência, que duela com a bancada ruralista pela indicação do futuro titular da Pasta. Segundo o RR apurou, grandes companhias do setor teriam feito chegar a Bolsonaro os nomes de Laércio Giampani e Rodrigo Santos.

O primeiro deixou a presidência da subsidiária brasileira da Syngenta, uma das maiores fabricantes mundiais de sementes, em julho deste ano. Santos, por sua vez, é o todo poderoso CEO da divisão de CropScience da Bayer-Monsanto na América Latina. De acordo com a fonte do RR, as indicações teriam chegado por intermédio do deputado estadual eleito Frederico D ́Avila (PSL-SP), que durante a campanha serviu de ponte entre o Capitão e empresários e grupos da cadeia do agronegócio.

A eventual escolha de um destes dois nomes seria um sinal de que o governo Bolsonaro pretende dar ênfase à agrotecnologia em suas políticas para a área da Agricultura. Em contrapartida, poderia ser encarada também como uma influência excessiva de grandes multinacionais da cadeia do agronegócio na futura gestão da Pasta. Não custa lembrar que embaixo do Ministério da Agricultura estão a Embrapa e seu cobiçado banco de patentes estimado em mais de US$ 1 bilhão – noves fora seu valor intangível.

Do lado da bancada do agronegócio, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan, que chegou a ser tido como favorito para o cargo, perdeu fôlego. De domingo para cá surgiram à mesa os nomes de Antonio Galvan, vice-presidente da Aprosoja, e do deputado Valdir Colatto (MDB-SC). Por sua vez, a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) intensificou o lobby pela escolha de Luiz Carlos Heinze, eleito para o Senado pelo Rio Grande do Sul.

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30.10.18
ED. 5984

Derrota anunciada

Vanderbergue Machado, “embaixador” da CBF nos corredores do Congresso, já iniciou as tabelinhas com os deputados eleitos para a próxima legislatura. O ponto de interesse é a votação da Lei Geral do Futebol, conhecida como a “reforma trabalhista da bola”. A analogia não é à toa: é grande o lobby para jogar alguns direitos dos jogadores para escanteio.

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19.10.18
ED. 5977

Temer se despede com uma derrama nas compras pela internet

Ao apagar das luzes, a gestão Temer prepara uma desagradável surpresa para os milhões de brasileiros que despacham divisas para fora do país, entupindo os sites internacionais de e-commerce de pedidos. O governo planeja aumentar a taxação para as compras no exterior feitas pela internet. A principal medida a caminho seria o fim da isenção para remessas abaixo de US$ 50 feitas de pessoa física para pessoa física – há decisões da Justiça que sobem esse piso para US$ 100 com base em um Decreto-Lei, mas a Receita Federal considera o valor de US$ 50. Com isso, o Fisco tentaria coibir a versão cibernética do “jeitinho brasileiro”.

A Receita já mapeou, não é de hoje, os ardis utilizados pelos consumidores, com a conivência de grandes empresas internacionais de e-commerce, para ludibriar o Leão. Há serviços na internet que simulam caixas postais ou pessoas físicas. Os brasileiros são useiros e vezeiros em se utilizar da artimanha de triangular compras de produtos com esses perfis fake para descaracterizar que o remetente original da mercadoria é um site de e-commerce. As plataformas digitais chinesas são consideradas as campeãs de cumplicidade no quesito. Uma medida ainda mais dura considerada pelo governo é o aumento da própria alíquota sobre as encomendas internacionais – hoje o imposto é de 60% sobre o valor total (preço de face do produto, mais frete e eventual custo de seguro).

Neste caso, Michel Temer aproveitaria seus últimos momentos no Palácio do Planalto para “fazer o bem” vendo a quem. O lobby neste sentido vem dos grandes grupos da área de varejo e das maiores administradoras de shopping centers do país, todos atingidos pelo deslocamento de uma parcela importante de vendas para o comércio online internacional. Mesmo com o câmbio nas alturas e o desemprego na casa dos 14%, estima-se que, neste ano, os brasileiros gastarão mais de US$ 3,3 bilhões na compra de bens de consumo em sites estrangeiros, o que significará uma alta de mais de 20% em relação a 2017. No ano passado, essa cifra já havia crescido 15%.

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18.10.18
ED. 5976

Vai dar na BBC de Londres

Duas equipes da BBC de Londres estão no Brasil colhendo farto material para produzir um documentário sobre as eleições. O roteiro começa com as manifestações de junho de 2013, segue pela derrubada do governo petista e o consequente crescimento da extrema direita no país até o pleito deste ano. O impeachment de Dilma Rousseff terá um capítulo à parte. Alguns personagens centrais do episódio já foram ouvidos pela emissora britânica, entre os quais o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Os ingleses ainda aguardam a resposta do Palácio do Planalto para um pedido de entrevista com Michel Temer. Jair Bolsonaro também foi procurado pela BBC.

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09.10.18
ED. 5970

Aposta redobrada

A texana Win Systems, uma das grandes fornecedoras mundiais de tecnologia para cassinos, engrossou a operação de lobby no Congresso Nacional pela liberação do jogo no Brasil. Os norte-americanos apostam que o timing é favorável à votação do projeto de lei que permite a abertura de cassinos associados a empreendimentos hoteleiros. O trunfo é a renovação do Legislativo. Mais de metade da Câmara dos Deputados e 46 dos atuais 81 senadores não estarão no jogo em 2019. A hora de espalhar as fichas sobre a mesa é agora.

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04.10.18
ED. 5967

IPO congelado no BB

A grave crise da economia argentina levou o Banco do Brasil a engavetar o plano de IPO do Banco Patagónia, do qual tem mais de 80% do capital. A operação fica para 2019 e, consequentemente, para o sucessor de Paulo Rogério Caffarelli no comando do BB.

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04.10.18
ED. 5967

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Cosan (Rubens Ometto), Gafisa, Alphaville, BB e Tarpon.

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03.10.18
ED. 5966

Lobby inflamável

Promete ser quente a disputa pela presidência da Frente Parlamentar de Biocombustíveis para a próxima legislatura – o atual líder, o deputado Evandro Gussi (PV-SP), não concorre à reeleição. Os dois candidatos mais fortes são Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do Capitão, e Baleia Rossi (MDB-SP), unha e carne de Michel Temer e citado na delação premiada do marqueteiro Duda Mendonça. A Frente Parlamentar tem uma agenda para 2019 que, digamos assim, deve valorizar o papel de seus integrantes: aprovar na Câmara a autorização para que as próprias usinas sucroalcooleiras vendam etanol diretamente ao consumidor final, sem a necessidade de um distribuidor.

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01.10.18
ED. 5964

Cemig limpa balanço

Além do empréstimo de R$ 740 milhões pago ao BB, que venceria em 2021, a Cemig planeja quitar antecipadamente ainda neste ano cerca de R$ 1 bilhão em dívidas. Consultada, a empresa diz que “sempre considera a possibilidade de pré-pagar dívidas, se em condições satisfatórias”. Líder nas pesquisas ao governo de Minas, Antonio Anastasia agradece.

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18.09.18
ED. 5955

Banco do Brasil é Multishow

O Banco do Brasil – dono da maior verba publicitária do governo Temer – vai ser um dos astros do Prêmio Multishow de Música, no próximo dia 25. O BB patrocinará a performance de dois influenciadores digitais, que serão desafiados a realizar uma coreografia. A ativação será o mote para uma agressiva campanha nas mídias digitais, vinculada ao perfil do Multishow. E assim o BB vai tentando construir a imagem de uma instituição financeira mais descolada, com um toque de fintech aqui e outro acolá. Não falta verba de marketing para isso – cerca de R$ 500 milhões/ano.

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02.09.18
ED. 5945

A intrigante sucessão na Kepler Weber

A escolha do novo CEO da Kepler Weber, Piero Abbondi, deixou os fundos de investimento que coabitam o capital da companhia bastante intrigados. Os minoritários da fabricante de silos se perguntam se o Conselho de Administração não poderia ter tido o cuidado de optar por outro nome, nem que fosse para evitar as interpretações enviesadas que agora circulam entre os investidores. Até o início deste mês, Abbondi comandava a operação sul-americana daGSI, controlada pela AGCO – gigante mundial do setor de máquinas e equipamentos agrícolas.

Trata-se exatamente do mesmo que grupo que, no ano passado, lançou uma oferta pública para comprar os 34% da Kepler Weber pertencentes ao Banco do Brasil e à Previ. A proposta seria posteriormente estendida aos demais acionistas, mas não deu tempo. A operação foi questionada pela CVM, e a AGCO retirou a proposta, no fim de 2017.

O enredo, no entanto, não se encerraria neste ponto. Nos meses seguintes, a ação da Kepler Weber passou a ser alvo de inusitadas negociações. Fundos de investimento iniciaram sucessivas operações cruzadas de compra e venda que derrubaram a cotação – ver RR edição 10 de maio. Desde janeiro a Kepler Weber perdeu mais de 50% do seu valor de mercado, tornando-se uma presa vulnerável para um take over hostil. Os minoritários esperam que o Cavalo de Troia já não esteja dentro de casa.

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16.08.18
ED. 5933

Lobby químico

A Abiquim cerca Rodrigo Maia por todos os lados na tentativa de convencê-lo a adiar a votação da Medida Provisória 836/2018. Já aprovada na Comissão Mista da Câmara, a MP extingue o Regime Especial da Indústria Química, tirando do setor benefícios fiscais da ordem de R$ 3 bilhões. A esperança da Abiquim é evitar que a proposta seja levada ao plenário da Câmara durante o chamado “esforço concentrado”, uma espécie de fast track parlamentar acordado entre Maia e o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, para
acelerar a aprovação de projetos no período eleitoral. Com isso, provavelmente a MP seria empurrada para 2019, com possibilidade até mesmo de caducar

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10.08.18
ED. 5929

A difícil reconstrução da PDG

Após resolver parte do seu passado, com a aprovação do plano de recuperação judicial, o problema maior da PDG é equacionar o futuro. A incorporadora reabriu conversações com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, entre outras instituições, em busca de financiamento para retomar as obras que estão paralisadas. Há mais de uma dezena de empreendimentos que dependem de dinheiro novo. As tratativas com a alta direção dos bancos são conduzidas pelo próprio presidente da companhia, Vladimir Ranevsky. No entanto, BB e Caixa, dois dos maiores credores da PDG, resistem a reabrir as torneiras para a incorporadora.

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10.08.18
ED. 5929

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon, PDG, BB, Caixa, Polenghi e BNP Paribas.

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18.07.18
ED. 5912

Jogo pesado da CAM-CCBC não tem árbitro

Procura-se quem vai arbitrar o mal -estar criado pelo Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM CCBC) junto aos seus congêneres. Os canadenses estão em campanha para “re-regulamentar” a arbitragem no Brasil. Segundo a fonte do RR, muito ligada à entidade, as gestões estariam sendo feitas no âmbito do Comitê Brasileiro de Arbitragem (CBAr). A ambição vai longe. A CAM-CCBC tem lobista no Congresso. O projeto seria colocar alguma forma de diferenciação favorável aos canadenses. A legislação vem sendo discutida permanentemente, inclusive com a revisão da Lei 13.139 em 2015. Consultada, a CAM-CCBC garante “que novas alterações à lei de arbitragem brasileira não se fazem necessárias.” Por esta razão, diz não confirmar gestões junto ao CBAr para “alterar a lei que regulamenta a arbitragem no Brasil.” Está feito o registro. A concorrência da CAM-CCBC reage afirmando que os canadenses querem colonizar o mercado brasileiro de arbitragem. A maior bronca é com o lobby junto à Aneel e à Eletrobras para ganhar a arbitragem do setor elétrico no país. Caberia até o slogan “a volta do polvo canadense”. A CAM-CCBC joga pesado e montou uma máquina de captação de arbitragens, além de uma diplomacia intensa junto a escritórios de advocacia, agências regulatórias e empresas. Os canadenses operam com competência sua imagem no setor. Segundo o Leaders League – grupo independente de mídia e notação com sede em Paris – a CAM-CCBC é o único player de arbitragem no Brasil classificado no ranking do setor como de excelência. Os demais são de boa reputação ou reconhecidos. Os critérios de rankeamento não são divulgados. A performance dos canadenses explica sua fúria pantagruélica para abocanhar o mercado de qualquer maneira. O número de arbitragens iniciadas no CAM-CCBC foi recorde e alcançou 141 no ano passado, salto de 43,9% em relação a 2016.

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06.07.18
ED. 5904

Fator Caffarelli

A indicação de José Mauricio Coelho para o comando da Previ foi uma demonstração de força de Paulo Rogério Caffarelli, presidente do BB. Caffarelli dobrou a resistência do ministro Eliseu Padilha, inicialmente favorável à permanência de Gueitiro Guenso na fundação.

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30.05.18
ED. 5878

BB e Mapfre passam por teste de fogo

A sociedade entre o Banco do Brasil e a Mapfre enfrenta o que talvez seja o seu momento de maior tensão em oito anos. Divergências em relação ao novo modelo societário e aos valores que os espanhóis terão de pagar para recomprar parte da antiga operação vêm atrasando sucessivamente a renovação da parceria. Outro ponto de fricção são os limites que cada um terá para fechar associações com outras companhias de seguro.

O contrato venceu em fevereiro, sob a promessa de que um novo acordo seria sacramentado até abril. Maio já foi para as calendas e até agora as partes ainda estão debruçadas sobre a mesa de negociações. Procurada pelo RR, a BB Seguridade não se manifestou sobre o assunto. Já a Mapfre informou ter assinado com o Banco do Brasil “um acordo de intenções, de caráter não vinculante”.

Ainda segundo os espanhóis, “esse documento se desdobrará em um contrato, que será aprovado por todos os envolvidos, Cade e Susep”. A Mapfre diz, no entanto, que “não há um prazo estipulado para essas ações.” Em vez das duas subsidiárias existentes desde o início da aliança, a nova estrutura prevê a existência de apenas uma joint venture com 75% nas mãos do Banco do Brasil e o restante pertencente à Mapfre.

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23.05.18
ED. 5873

Segue o tango no Banco do Brasil

Em meio à crise argentina, o presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, foi pessoalmente a Buenos Aires dissipar os rumores sobre uma possível venda do Banco Patagonia. Há cerca de duas semanas, participou de um evento com mais de 280 executivos e funcionários para afirmar que o BB mantém os planos de uma oferta de ações do banco, mas mantendo sua posição de acionista controlador. Hoje, sua participação é de 59%. Consultado, o Banco do Brasil informou que “a operação é rentável e o Banco Patagonia, promissor, e o que se avalia é a possibilidade do re-IPO.”

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14.05.18
ED. 5866

Remédios em todas as prateleiras

O lobby em doses alopáticas dos laboratórios farmacêuticos e, sobretudo, das redes varejistas surtiu efeito: há uma mobilização no Congresso para acelerar a tramitação do Projeto de Lei 9.482/2018, do deputado Ronaldo Martins (PRB/CE), que libera da venda de medicamentos isentos de prescrição em supermercados. Graças a uma articulação da base aliada, não foram apresentadas emendas ao projeto – o prazo se encerrou na última sexta-feira -, o que permitirá sua votação na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara ainda neste mês. O passo seguinte é o plenário da Casa.

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10.05.18
ED. 5864

Aumento de capital racha a Kepler Weber

A Assembleia Geral Extraordinária da Kepler Weber marcada para hoje será realizada sob um clima de tensão. Um grupo de acionistas – entre os quais o Banco Clássico, de Juca Abdalla – contesta o novo estatuto proposto pela administração. O ponto de fricção é o possível aumento do capital social da Kepler Weber, que tem como principais acionistas Previ e Banco do Brasil. O valor poderá chegar a R$ 1,8 bilhão, mais de sete vezes o atual (R$ 234 milhões).

Para os minoritários, a direção da companhia, presidida por Anastácio Fernandes Filho, estaria preparando o terreno para uma chamada de capital com o objetivo de diluir a participação dos atuais acionistas e permitir que um novo investidor assumisse uma posição majoritária. Desde já um dos investidores que possivelmente não acompanharia o aumento de capital é Fernando Heller Brochado, dono de 13% da empresa. O BC declarou seus bens indisponíveis após a liquidação da TOV Corretora. E Previ e BB? Atenderão à possível chamada ou terão suas participações diluídas? Consultados, ambos não se pronunciaram.

A Kepler Weber e o Banco Clássico também não se manifestaram. A história recente da Kepler Weber tem sido marcada por guinadas bruscas e suspeitas operações no mercado. No fim do ano passado, a AGCO, um dos maiores fabricantes de máquinas agrícolas do mundo, fez uma oferta pelos 34% da companhia pertencentes à Previ e ao BB – que seria estendida aos demais acionistas. A CVM, no entanto, questionou a operação e os norte-americanos desistiram do negócio. Pouco depois, a partir do mês de novembro, fundos de investimentos passaram a realizar negociações cruzadas com as ações da Kepler Weber em bolsa, o que fez o preço do papel desabar – ver RR edição de 21 de março. De lá para cá, a ação caiu de R$ 21 para R$ 11. Parece o cenário propício para o bote de um forasteiro.

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27.04.18
ED. 5856

Credores da CSN cobram venda de ativos

Em meio ao contencioso com os primos Leo e Clarice Steinbruch, que exigem na Justiça uma nova partilha e a venda de bens do clã, Benjamin Steinbruch enfrenta ainda um pico de pressão dos credores da CSN. Os bancos – à frente BB e Caixa Econômica – têm condicionado um novo alongamento da dívida e também a concessão de empréstimos futuros à venda de ativos da companhia. Segundo o RR apurou, estimativas dos próprios credores indicam que a CSN teria de levantar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões ainda neste ano apenas para honrar a amortização das dívidas com vencimento até 2020. A subida do tom dos bancos nas últimas semanas parece estar sincronizada com a alta das ações da Usiminas – entre os ativos “vendáveis” da CSN, de longe o que pode ter maior impacto para a redução da dívida da empresa. O papel da siderúrgica mineira tem sido negociado a R$ 12, o maior patamar em quatro anos. Tomando-se como base o atual valor de mercado, a venda da participação renderia à CSN algo em torno de R$ 2,8 bilhões, o que possibilitaria a amortização de 10% do seu passivo. Por ora, no entanto, Benjamin se esquiva e não dá nem sinal de que vai se desfazer das suas ações na Usiminas. No máximo, fez chegar aos credores de que já abriu negociações para a venda da LLC Laminadora, nos Estados Unidos.

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27.04.18
ED. 5856

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon, Saraiva, Cultura, BNDES, CSN, BB e Caixa Econômica.

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25.04.18
ED. 5854

Novo aliado

O lobby dos cassinos ganhou um importante aliado. O novo ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, tem se empenhado junto à base aliada pela aprovação do projeto de lei que libera o jogo no Brasil.

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16.04.18
ED. 5847

Lava Jato testa os anticorpos de Walter Faria

O RR recebeu informações de que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal estariam preparando uma nova investida sobre Walter Faria e a cervejaria Petrópolis. A ação seria um desdobramento das investigações contra o ex-governador Sergio Cabral e o presidente afastado da Alerj, Jorge Picciani. Segundo a fonte do RR, o caso teria relação com benefícios fiscais recebidos pela cervejeira no Rio de Janeiro durante o governo Cabral, da ordem de R$ 280 milhões. Como contrapartida, a empresa teria feito doações ilegais para candidatos aliados a Cabral em 2014.

Diante da gravidade das informações, a newsletter procurou ouvir os personagens envolvidos. A Polícia Federal disse que “não se manifesta sobre eventuais investigações em curso”. O RR fez seguidos contatos com a Petrópolis, que não quis se pronunciar sobre o assunto, assim como o Ministério Público. As suspeitas remetem ao relacionamento entre Faria e Picciani, que já é alvo da Operação Cadeia Velha, um derivativo da Lava Jato no Rio. Faria é sócio da Tamoio Mineradora, que tem o parlamentar com um de seus acionistas.

O dono da Petrópolis também seria comprador de gado nos leilões realizados pela família Picciani. Faria, no entanto, tem demonstrado uma resiliência que faz lembrar o Paulo Maluf dos bons tempos. Montou um esquadrão de advogados, instalou um bunker de acompanhamento e lobby no Congresso e vem driblando as seguidas denúncias criminais. A Petrópolis aparece na Operação Caixa 3. A Polícia Federal investiga empréstimos no total de R$ 827 milhões concedidos pelo Banco do Nordeste à empresa entre 2013 e 2014 para a construção de duas fábricas – uma na Bahia e outra em Pernambuco.

Faria está citado também na Operação Zelotes. Segundo investigações, a Petrópolis teria sido uma das empresas beneficiadas com o esquema de propinas dentro do Carf. Em outubro do ano passado, inclusive, o próprio Conselho anulou julgamento anterior que havia revertido uma autuação da Receita Federal contra a cervejeira no valor de R$ 8,6 milhões. O Fisco, aliás, é um caso à parte na trajetória da Petrópolis. Em 2005, Faria chegou a ser preso na Operação Cevada, sob a acusação de sonegação de tributos estaduais e federais.

Em 2012, a fábrica da empresa em Boituva (SP) foi alvo de uma operação de busca e apreensão. A cervejeira foi acusada pela Secretaria de Fazenda do estado de sonegar cerca de R$ 600 milhões em impostos entre 2006 e 2011. Em janeiro deste ano, o Conselho de Contribuintes do Estado do Rio de Janeiro confirmou multas da ordem de R$ 1 bilhão contra a companhia. Segundo o relator do processo, “a Petrópolis agiu com “dolo, fraude ou simulação” ao fazer operações triangulares para evitar o recolhimento do ICMS devido. Walter Faria, no entanto, parece imune a tudo e a todos. O próprio crescimento da Petrópolis – imprensada entre o “monopólio” da Ambev e o avanço da Heineken – é um sinal da sua capacidade de sobrevivência em condições adversas. Contra todas as apostas, que a classificavam como presa fácil, a companhia tem resistido ao processo de consolidação do setor cervejeiro. Faria é praticamente intocável.

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13.04.18
ED. 5846

Reputação é tudo

Mais até do que da própria M. Dias Branco, partiu do Itaú BBA a voz de comando para a suspensão do lançamento de R$ 600 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da companhia, formalizada ontem. Tudo o que banco dos Setúbal menos queria neste momento era liderar a emissão de um papel contaminado pela Operação Tira-Teima, da Polícia Federal, que nesta semana realizou busca e apreensão nos escritórios do grupo cearense.

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13.04.18
ED. 5846

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: BNDES, M. Dias Branco e Itaú BBA.

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12.04.18
ED. 5845

O vertiginoso ziguezague da Intermédica

Entre tantas idas e vindas, o Bain Capital suspendeu, mais uma vez, o processo de venda da Intermédica. A melhor oferta recebida teria avaliado a empresa de plano de saúde em aproximadamente R$ 6 bilhões, bem abaixo da expectativa dos norte-americanos. E dizer que, no ano passado, o fundo recusou uma proposta da ordem de R$ 8 bilhões e decidiu partir para o IPO da companhia. Na ocasião, o consórcio de bancos liderado pelo Itaú BBA acenou com uma oferta pública de quase R$ 9 bilhões. Nada feito. Agora, os norte-americanos, que giram feito biruta de aeroporto, vão fazer uma nova tentativa de abertura de capital, mas o valor não deve passar de R$ 7 bilhões.

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04.04.18
ED. 5839

O modus operandi de Marcelo Odebrecht

Marcelo Odebrecht tem se valido de um “dispositivo de imprensa” para vazar ali e acolá notas desabonadoras contra seu desafeto Newton de Souza, futuro presidente do Conselho de Administração da Odebrecht. Marcelo diz que tem um baú de e-mails, e seus verdugos da imprensa apelidaram a estratégia de “Operação Morte a Conta Gota”. A inspiração parece vir do ideólogo da propaganda nazista, Joseph Goebbels, que considerava a disseminação e a persistência a alma da comunicação. É de Goebbels a expressão “Uma mentira repetida muitas vezes vira uma verdade” – máxima que, na atual conjuntura, poderia ser apropriada por Marcelo.

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20.03.18
ED. 5829

BB e Previ sofrem ataque especulativo na Kepler Weber

Banco do Brasil e Previ, os dois principais acionistas da Kepler Weber, têm fortes motivos para acreditar que estão no meio de um bombardeio especulativo. Nos últimos dois meses, fundos de investimento têm feito seguidas negociações cruzadas com os papéis da fabricante de silos, derrubando o preço da ação. Coincidência ou não, a blitzkrieg começou pouco mais de um mês depois da abrupta desistência da norte-americana AGCO em comprar o controle da Kepler Weber.

Segundo o RR apurou, um grande banco norte americano e uma importante gestora de recursos brasileira estão entre os operadores mais agressivos do papel. De meados de janeiro para cá, a cotação já caiu 40% – no mesmo intervalo, o Ibovespa subiu em torno de 6%. Tomando-se como referência o valor de mercado da Kepler Weber e suas respectivas participações acionárias, BB e Previ já perderam R$ 80 milhões nesse período. Segundo o RR apurou, BB e Previ já teriam acionado a CVM.

A velocidade de compra e venda das ações da Kepler Weber caracteriza operações atípicas com o papel, com considerável impacto sobre as cotações. O título da empresa é negociado ao menor preço dos últimos dois anos – ou o segundo menor desde 2013. Esse valor, ressalte-se, pode cair ainda mais por conta de outra variável que se entrelaça com as recentes operações em bolsa. No mercado circula a informação de que o liquidante da massa falida da corretora TOV deverá vender em leilão as ações pertencentes ao dono da instituição, Fernando Heller Brochado: trata-se de 12% do capital da fabricante de silos, um volume considerável, que, ao chegar à bolsa, muito provavelmente pressionará ainda mais as cotações.

Tudo parece conspirar para um bote sobre o capital da Kepler Weber. Procurado, o BB disse “não confirmar as informações”. Já a Previ não se pronunciou. Por sua vez, a CVM afirmou que “não comenta casos específicos, inclusive para não afetar trabalhos de análise ou apuração que entenda pertinentes.” No ano passado, quando a ação estava cotada na casa dos R$ 17, a AGCO, um dos maiores fabricantes de máquinas e implementos agrícolas do mundo, fez uma oferta de R$ 22 pelos papéis da Previ e do BB – que seria estendida aos demais acionistas. A CVM, no entanto, questionou a operação, uma vez que a proposta de recompra do restante dos papéis só poderia ser feita pela própria Kepler Weber ou por um acionista majoritário, o que, àquela altura, não era o caso dos norte-americanos. Sem conseguir dobrar o órgão regulador, a AGCO desistiu do negócio. Será que desistiu mesmo? Consultada, a empresa reafirma que sim.

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07.03.18
ED. 5820

Buracos no asfalto

O ex-governador baiano Cesar Borges, que agora usa o chapéu de presidente da associação das concessões rodoviárias, tem feito intenso lobby em Brasília para derrubar uma cláusula dos contratos das operações licitadas em 2013 e 2014. O objetivo é destravar a venda do controle destas concessionárias sem a exigência de duplicação das estradas. A negociação da MGO Rodovias para a EcoRodovias depende de um alívio nesse garrote.

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01.03.18
ED. 5816

Cassi faz mal à “saúde” dos funcionários do Banco do Brasil

A reestruturação da Cassi, o deficitário plano de saúde do Banco do Brasil, tem provocado um tiroteio de informações desencontradas dentro da instituição. A questão que causa maior rebuliço envolve a possível mudança no modelo de contribuição para o caixa de assistência médica. A direção do BB estaria fazendo estudos e simulações para a equiparação dos percentuais pagos pelos  trabalhadores e pelo banco.

Hoje, cada funcionário recolhe um adicional de 3% sobre o salário. A instituição financeira, por sua vez, entra com 4,5%. Procurado, o BB nega alteração das regras. Está feito o registro. No entanto, segundo o RR apurou, proposta nessa linha consta do plano de ações apresentado pela consultoria Accenture à diretoria do BB. O próprio tamanho do rombo da Cassi é uma incógnita. No ano passado, estava na casa dos R$ 150 milhões. Em poucos meses, no entanto, já teria superado os R$ 220 milhões.

O banco informa que os dados estão sendo apurados e serão divulgados até 31 de março. Até lá, o assunto deverá ganhar ainda mais decibéis dentro do BB, amplificado pelo clima eleitoral na Cassi. Entre os dias 16 e 28 de março, os funcionários do banco vão escolher
dois diretores, quatro integrantes para o Conselho Deliberativo e outros dois para o Conselho Fiscal da entidade. A direção do BB conseguiu amalgamar uma coalizão integral: todas as quatro chapas que disputam o pleito bombardeiam a má gestão gestão da Cassi e
o déficit acumulado.

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22.02.18
ED. 5811

Lembranças de um debate sem fim

Já se dobram os anos, quando em um drink ao cair da tarde, no bar do restaurante Alcaparra no Rio, o então presidente da Susep, Renê Garcia, e o ex-ministro Raphael de Almeira Magalhães travaram um ríspido debate sobre as diferenças entre o FED e o nosso BC ao levar em consideração a taxa de  desemprego para implementação da política monetária. Raphael diza que o FED explicitava a taxa de desemprego e lhe dava prioridade em relação aos preços. Garcia argumentava que não era bem assim e que o BC, de certa forma, também levava em consideração o desemprego, só que implícito. Defendia que em determinadas circunstâncias um objetivo poderia se sobrepor ao outro. Henrique Meirelles era presidente do BC. O tempo passou, Raphael de Almeida Magalhães se foi e Renê Garcia continua acalorando debates. O projeto de BC Independente que está sendo elaborado pelo Congresso prevê uma meta para o emprego. Meirelles não gosta da ideia. Hoje, longe e tão perto, os dois amigos concordariam que o relevante é se a medida é pra valer ou para o boi dormir. Nos governos Dilma II e Temer, o BBC tem tratado o emprego como Judas em dia de malhação.

 

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07.02.18
ED. 5803

Corretores de seguros mandam DPVAT para o acostamento

Os corretores de seguros estão fundando uma república dentro do Brasil. A categoria não apenas tomou a Susep para si – ao emplacar o superintendente, Joaquim Mendanha de Ataídes, e três dos quatro diretores – como tem se valido de um pesado lobby no Congresso para moldar o mercado segurador de acordo com os seus interesses. No setor, já se dá como favas contadas a aprovação, ainda neste semestre, do projeto de lei 3139/2015 do deputado federal Lucas Vergílio (SD-GO) que extingue o DPVAT, substituindo-o pelo Seguro Obrigatório de Acidentes de Trânsito (SOAT).

A nova regulamentação é amparada no discurso da defesa da “livre iniciativa”. Ela prevê que os preços das apólices e os valores das indenizações sejam definidos pelas seguradoras, o que, em tese, reduziria o custo para o contribuinte. No entanto, o discurso da competitividade seria uma camada de verniz sobre a real motivação do projeto de lei: trazer uma receita adicional para os corretores de seguros, em virtude da exigência legal da presença da comissão de corretagem, mesmo no caso de um seguro obrigatório. Trata-se um mercado bilionário.

Na prática, o projeto de lei significará não só o fim do DPVAT, na forma atual, mas também da própria Seguradora Líder, formada a partir da associação das grandes companhias do setor no país. Criada em 2007, a empresa é a responsável pela gestão e cobrança do Seguro DPVAT, assim como pelo pagamento das indenizações a vítimas de acidente de trânsito. A Líder foi formada com o intuito principal de acabar com fraudes na emissão da apólice do DPVAT sobre ônibus, caminhões e vans, feitas por seguradoras pequenas e sem tradição na área. Entre as grandes companhias nacionais do setor, o iminente desmanche da Líder é visto como um grave retrocesso ao jogar no lixo mais de uma década de experiência acumulada na gestão do seguro. No entanto, para algumas seguradoras de menor porte a devolução das reservas vinculadas junto à Líder pode significar uma expectativa de um ganho adicional. Estima-se um estoque de R$ 1 bilhão. Assim é se lhe parece.

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29.01.18
ED. 5796

Itaú canta um fado à brasileira

Na contramão do BB, que cerrou as portas na terrinha, o Itaú pretende ampliar sua atuação em Portugal, inclusive com a abertura de um terceiro escritório do Itaú BBA. A ideia é fisgar a multidão de brasileiros além-mar.

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12.01.18
ED. 5785

Leilão da São Fernando na corda bamba

Em vez do aguardado epílogo, o leilão da Usina São Fernando programado para 22 de fevereiro tem tudo para ser um capítulo a mais no folhetim protagonizado pela empresa da família Bumlai. Credores da companhia, entre os quais figura, por exemplo, o BB, se mobilizam para suspender o certame. O motivo é a decisão da Justiça de não fixar um valor mínimo para a unidade. O receio é que o único ativo capaz de cobrir parcela expressiva da dívida seja entregue a preço de banana. Na primeira tentativa de leilão, em setembro do ano passado, a 5a Vara Cível de Dourados (MS) fixou o piso em R$ 716 milhões, já àquela altura contrariando os credores. A usina estaria avaliada em R$ 1,2 bilhão. Consta que, em dezembro, um grupo de investidores encabeçado por Winston Fritsch, ex-presidente do Dresdner Bank no Brasil, ofereceu R$ 890 milhões pela unidade de moagem, mas a proposta teria sido recusada pelos credores.

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02.01.18
ED. 5777

Na esteira

A CSN já faz planos para uma emissão no exterior, na esteira do iminente acordo de repactuação de sua dívida com a Caixa e o BB, da ordem de R$ 14 bilhões.

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28.12.17
ED. 5775

Segunda chance

BB e Previ reabriram negociações para a venda da Kepler Weber. A empresa de silos chegou a ser negociada com a norte-americana AGCO, mas a operação foi subitamente suspensa.

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13.12.17
ED. 5765

A hora é agora

A direção do Banco do Brasil avalia uma nova emissão de títulos no exterior. Os ventos sopram a favor das instituições bancárias brasileiras. Nas últimas semanas, Itaú e BTG captaram, respectivamente, US$ 1,25 bilhão e US$ 500 milhões. O próprio BB emitiu em outubro cerca de US$ 1 bilhão em bônus. Foi pouco vis-à-vis à demanda de investidores por papéis, que passou de US$ 5,5 bilhões. Procurado, o banco informou que “analisa regularmente oportunidades de captação em mercado”.

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11.12.17
ED. 5763

Questão delicada

A bancada evangélica ficou atiçada com a decisão de Donald Trump de transferir a Embaixada norte-americana para Jerusalém. Não é de hoje que os parlamentares da fé reivindicam ao Itamaraty que o Brasil tenha uma representação diplomática na Cidade-Santa. Com o controverso movimento dos Estados Unidos, o lobby deve ganhar ainda mais fervor.

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28.11.17
ED. 5754

Kepler Weber entra no radar dos chineses

A fila andou e a chinesa Zeng Chang surge no caminho da Kepler Weber. Segundo o RR apurou, dentro da própria Previ e do Banco do Brasil, acionistas da fabricante de silos, o grupo asiático é apontado como forte candidato à compra da companhia. A bola está quicando à sua frente depois que a norte-americana AGCO supreendentemente desistiu de adquirir as participações do fundo de pensão e do Banco do Brasil – Banco de Investimentos (BBBI) na Kepler Weber – a operação já havia sido, inclusive, aprovada pelo Cade. Uma das grandes indústrias de equipamentos de armazenagem da China, a Zeng Chang já tem uma fábrica em Curitiba, na qual investiu pouco mais de R$ 100 milhões. A compra da Kepler Weber daria outra dimensão à operação dos asiáticos, que passariam a ter massa crítica para atender a toda a América do Sul.

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24.11.17
ED. 5752

BB busca uma cura para o seu enfermo plano de saúde

O presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, prepara duras medidas na tentativa de sanear as finanças da Cassi, plano de saúde dos funcionários do BB, e, com isso, afastar o fantasma de uma intervenção por parte da ANS. Segundo o RR apurou, a proposta mais aguda e que certamente provocará maior celeuma no banco prevê um novo reajuste na contribuição obrigatória feita por funcionários e aposentados para a empresa de medicina de grupo. O remédio é amargo, sobretudo pela reincidência da dose.

No ano passado, o BB aumentou em 1% o repasse para a Cassi. A medida resultou em um valor adicional de aproximadamente R$ 40 milhões mensais – R$ 17 milhões egressos dos participantes e o restante, do caixa do próprio banco. A transfusão financeira, no entanto, não deu nem para a saída. A Cassi não consegue garantir sequer sua própria saúde. Nos últimos anos, tem acumulado déficit atrás de déficit.

Somente em 2015 e 2016, a hemorragia beirou os R$ 400 milhões. O descompasso atuarial é flagrante. No ano passado, o Plano de Associados, o maior da operadora, arrecadou R$ 1,7 bilhão e gastou R$ 2,1 bilhão. A reestruturação da Cassi prevê outras ações impopulares, como regras mais rígidas para a autorização de exames e demais procedimentos médicos.

Segundo informações filtradas do próprio BB, todas as medidas deverão ser levadas ao Conselho de Administração do banco ainda neste ano, tão logo a consultoria Accenture conclua a tomografia que está realizando nas contas do plano de saúde – o que está previsto para as próximas duas semanas. Consultado, o BB confirmou que o estudo está prestes a ser apresentado, mas disse que “não é possível falar sobre as conclusões e nem sobre medidas a serem implementadas.” Sobre o risco de intervenção da ANS na Cassi, o banco afirmou que “não vislumbra essa situação”.

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17.11.17
ED. 5747

Um concorrente a mais para Apple e Samsung

A chinesa BBK Electronics, uma das maiores fabricantes de celulares do mundo, ensaia sua entrada no Brasil. Representantes do grupo têm mantido conversações com uma grande operadora de telefonia. Curiosamente, uma de suas marcas mais populares na Ásia leva o nome Vivo. Por ano, a BBK vende mais de 200 milhões de smartphones no mundo.

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14.11.17
ED. 5745

BB Tecnologia é candidata a puxar o segundo time das privatizações

O governo discute a venda da BB Tecnologia e Serviços (BBTS), mais conhecida por seu nome de batismo: Cobra Computadores. A privatização da subsidiária do Banco do Brasil seria o pontapé inicial em um processo de alienação de estatais de médio porte, que formam uma espécie de segundo grupo da infraestrutura nacional, a exemplo da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O projeto está a cargo da Casa Civil.

Os estudos para a venda da BBTS ainda se encontram em fase de gestação, mas há um ponto pacífico no governo: qualquer que venha a ser o modelo, ele terá de contemplar a garantia de manutenção do contrato com a própria instituição financeira. O BB evitaria, assim, qualquer risco de continuidade na sua plataforma tecnológica; por sua vez, o futuro controlador da empresa teria assegurada a permanência de um cliente âncora, responsável por mais de 80% do faturamento da BBTS. Por um paradoxo, a dependência do BB seria um colchão que daria tempo ao novo dono da empresa de TI para pedalar o negócio, buscar clientes no mercado e justamente reduzir a dependência do banco estatal.

Procurado, o BB informou “que não há estudo no banco para a venda da BBTS.” Está feito o registro. Nos últimos anos, a negociação do braço de tecnologia do Banco do Brasil é um assunto que já foi e voltou no governo algumas vezes. A BBTS está longe de ser um primor em termos de resultado para o grupo. Nos últimos dois anos, deu um retorno médio de apenas 2% sobre o seu faturamento total (próximo de R$ 1 bilhão).

Além disso, desde os tempos da Cobra, a companhia de TI sempre foi terreno fértil para malfeitos. A BBTS não passou incólume à Lava Jato. A subsidiária do Banco do Brasil já foi citada em investigações sobre suposta fraude em licitações e desvio de recursos em contratos com empresas de TI, como a CTIS. Consultado sobre o tema, o BB disse que colabora “com qualquer investigação que envolva fatos relacionados às suas atividades.”

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14.11.17
ED. 5745

Natal da roleta

Parlamentares de todos os matizes estão sendo “intimados” para o Black Casino, evento marcado para o dia 23 de dezembro, no Hotel Grand Mercure, no Rio. Os organizadores do bacará pré-natalino prometem recriar o ambiente de um cassino em Las Vegas. A grande aposta da noite, claro, será o lobby pela liberação do jogo no Brasil.

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08.11.17
ED. 5741

MP 795 deflagra uma batalha naval

As empresas de navegação de cabotagem – leia-se Aliança, Mercosul Line e Norsul – atracaram no Congresso Nacional e na Casa Civil com uma forte operação de lobby. O objetivo é garantir o fim do imposto de importação sobre embarcações destinadas à navegação interna. O pano de fundo é uma batalha naval entre armadores e estaleiros.

A extinção do tributo constava no texto original da Medida Provisória 795, editada pela Presidência da República. No mês passado, no entanto, a Comissão Mista do Senado aprovou a MP com uma emenda de última hora apresentada pela indústria naval, estabelecendo a manutenção da taxação – o texto ainda irá à votação nos plenários da Casa e da Câmara dos Deputados. No Congresso, a mudança ao apagar das luzes na Comissão do Senado ganhou o apelido de “Emenda Atlântico Sul”, em referência ao estaleiro da Camargo Corrêa e da Queiroz Galvão.

A combalida empresa  é a maior interessada em evitar, a todo o custo, a isenção para a compra de embarcações estrangeiras. O Atlântico Sul tem engatilhada uma encomenda de mais de R$ 2 bilhões para a entrega de cinco navios à Satco, empresa de Cingapura que atua na navegação de cabotagem no Brasil. Se a barreira fiscal cair, fatalmente os asiáticos vão deixar o estaleiro a ver navios e entregar a encomenda a um parceiro internacional.

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17.10.17
ED. 5726

Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa se unem contra Odebrecht

O oligopólio das empreiteiras vai ruir de vez. Agora, com um confronto aberto no setor de exportação de serviços de engenharia. De um lado do ringue, acusando golpes violentos, encontra-se a Odebrecht, até 2016 disparado o maior player brasileiro deste mercado; do outro, competindo em dupla estão Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. As duas empreiteiras – por sinal, sócias na CCR – pretendem concorrer nesse segmento, agora sem o apoio do BNDES, por meio de consórcio, uma forma de otimizar as condições de financiamento.

Um dos alvos de Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez é Angola, historicamente um importante mercado da Odebrecht. Na semana passada, inclusive, surgiu na imprensa a informação de que a companhia baiana está fechando um pacote de obras no país africano da ordem de US$ 1,8 bilhão, sem detalhes sobre os projetos e, muito menos, a fonte de financiamento. Procuradas pelo RR, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez negaram a parceria para a exportação de serviços de engenharia. Está feito o registro.

A direção da Camargo Corrêa tem feito um lobby descarado, no Brasil e no exterior, para piorar ainda mais a imagem da Odebrecht. O slogan vai na linha “A reputação é fundamental nos quatro cantos do mundo”. Não é preciso explicar a quem se dirige. Já a Andrade Gutierrez divulgou que em até três anos os contratos no exterior deverão responder por metade do volume de negócios de sua construtora.

A novidade é a combinação entre ambas para isolar a Odebrecht, que teve seu nome mais danificado do que as rivais no mercado internacional. No fim do ano passado, por exemplo, autoridades do Panamá suspenderam um contrato de US$ 1 bilhão com a empreiteira baiana. O governo do Peru, por sua vez, proibiu a construtora de participar de licitações para obras públicas no país. Na teia dos acordos de leniência com os órgãos de controle, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez se encontram em estágio mais avançado – não obstante o recente recall de suas delações.

A Odebrecht tem a desvantagem de ser a única com o dono preso. Em contraposição, quando o assunto é o ranking das exportações de serviços de engenharia, os baianos sempre estiveram a léguas de distância de vantagem. Segundo estudo do Ipea, entre 2012 e 2016, antes, portanto, do banco praticamente zerar os empréstimos neste segmento, o BNDES financiou um volume de contratos de empreiteiras brasileiras no exterior da ordem de US$ 14 bilhões. A Odebrecht somou US$ 9 bilhões. A Andrade Gutierrez veio bem atrás, com US$ 2,8 bilhões. A Camargo Corrêa, então, comeu poeira, com US$ 441 milhões.

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11.10.17
ED. 5723

Letrinhas miúdas

Cabe tudo no Banco do Brasil. O Conselho de Administração da instituição foi remexer caixas, pastas e escaninhos eletrônicos a achou novidades do arco da velha. O BB tem uma academia brasileira de letras e ninguém sabia. Com acadêmicos eleitos, e ninguém sabia. Quanto custa? Ninguém sabe.

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03.10.17
ED. 5717

Monopólio da BM&F Bovespa é atropelado pela CGU

A BM&F Bovespa sofreu um duro revés. A nova regulamentação do Registro Nacional de Gravames (Renagrav), aprovada na semana passada, significará a quebra do monopólio da Bolsa em um segmento que movimenta cerca de R$ 700 milhões por ano. A medida abre caminho para a entrada de outros concorrentes no mercado de registros de contratos de financiamento de veículos. Segundo o RR apurou, o objetivo do Departamento Nacional de Trânsito é credenciar pelo menos uma dezena de empresas em um ano, incluindo grupos estrangeiros. De nada adiantou o pesado lobby em Brasília pilotado por Gilson Finkelsztain, presidente da B3, a holding criada a partir da fusão da BM&F Bovespa com a Cetip. Na contramão havia um fenemê de três letras: CGU. A Controladoria Geral da União constatou restrições à competitividade, com a existência de um “monopólio privado na operação do Sistema Nacional de Gravames (SNG)” – onde as operações de crédito auto-motivo são registradas. O tiro da CGU teve alvo certo: a dobradinha BM&F Bovespa/Cetip tem 70% do market share nacional. O segmento representa uma fatia nada desprezível de 15% da receita total da B3, da ordem de R$ 4 bi/ano.

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03.10.17
ED. 5717

Aposentadoria de Bendine na berlinda

A direção do Banco do Brasil e o Conselho Deliberativo da Previ têm sido pressionados por associações de funcionários e aposentados a rever o pagamento da chamada aposentadoria “cheia” a Aldemir Bendine. O assunto sempre causou incômodo dentro do BB. Ocorre que a Lava Jato e as graves denúncias contra a gestão de Bendine amplificaram os questionamentos à legitimidade dos valores recebidos pelo hoje hóspede da carceragem da PF em Curitiba. Foi justamente durante a sua administração que o BB alterou as regras de aposentadoria e permitiu a incorporação de benefícios (como férias e vale-alimentação) ao salário-base. A alteração favoreceu diretamente o ex-n. 1 do banco, além de aproximadamente 30 outros executivos que conseguiram pendurar uma série de pingentes na sua aposentadoria. Calcula-se que Bendine receba hoje algo próximo dos R$ 65 mil. Por falar em benefícios indiretos, consta que o ex-presidente do BB solicitou à instituição que custeasse a sua defesa na Lava Jato, alegando que as acusações contra ele se referem a atos administrativos no exercício da presidência da instituição – seus advogados negam o pedido.

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26.09.17
ED. 5712

O bonde da Ferrogrão

O comboio de tradings agrícolas montado para disputar a concessão da Ferrogrão – à frente ADM, Cargill, Louis Dreyfus e Amaggi – abriu as portas do trem para fabricantes de equipamentos ferroviários. Estaria em conversações com GE, Alstom e ABB. Apesar de pilotar o consórcio, a turma do agribusiness quer ter, no máximo, 40% do capital.

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06.09.17
ED. 5699

Caixa Econômica é a estatal mais “privatizável”, dizem assinantes do RR

A Caixa Econômica Federal é a primeira da fila entre as grandes estatais que deveriam ser imediatamente privatizadas, segundo enquete realizada pelo RR junto a uma parcela dos seus assinantes. A amostragem atingiu 269 nomes, distribuídos entre empresários, executivos, advogados, parlamentares, militares e dirigentes de variadas entidades de classe. Foram escolhidas as quatro estatais que não constam de qualquer programa de privatização e são consideradas as mais cobiçadas pelo mercado.

Os assinantes receberam um breve questionário com as seguintes perguntas: “Que estatal deveria ser imediatamente privatizada?”; “De acordo com sua resposta, qual o principal motivo para a privatização?”; “Que empresa teria mercado comprador mais fácil?” A sondagem foi feita no modelo de respostas fechadas – cabe enfatizar que a Eletrobras não foi incluída na relação, uma vez que sua venda já foi anunciada pelo governo. A CEF despontou com 41% das preferências, seguida da Embrapa, 26%; Petrobras, 24%; e Banco do Brasil, 9%. O principal motivo apontado pelos assinantes do RR para a privatização da CEF foi o fisiologismo, com 38% – ou seja, aos olhos dos entrevistados, o banco tem sido um “cabide de emprego”.

A geração de caixa para o governo surgiu a seguir, com 20%. Logo depois, vieram ganhos de eficiência, 12%; e aumento de competitividade (8%). A corrupção foi votada por 5%. Na opção “outros”, quando o entrevistado pode citar um fator não apresentado nas respostas, chamou a atenção o expressivo número dos que indicaram a superposição de funções como razão para a venda da Caixa (12%). Ressalte-se ainda o índice residual de 3% que mencionaram a irrelevância estratégica da instituição.

No caso do BB, o quesito “ganhos de eficiência” foi o mais votado, com 52%. O item “geração de caixa para o governo” foi apontado como a razão maior por 18%. O aumento de competitividade somou 11%. Ressalte-se que o fisiologismo recebeu só 9% dos votos, um número muito inferior ao atribuído à Caixa. A corrupção teve 4%. Curiosamente, 2% dos entrevistados descartaram a privatização do banco, sugerindo, no item “outros”, a fusão do BB com a CEF.

Na Embrapa, considerada uma das joias do setor público, o motivo disparado para sua privatização foram os ganhos de eficiência, com 85% das respostas. A concentração nesse quesito é tamanha que os entrevistados parecem ignorar o fato da empresa ser um case de eficiência mundial – ou consideram que, mesmo sendo referência, a Embrapa poderia ser muito melhor caso estivesse sob controle privado. Um dado chama a atenção: juntos, fisiologismo e corrupção não somaram 1%.

No caso da Petrobras, para 41% dos entrevistados, a razão para uma venda imediata também seriam os ganhos de eficiência, livrando a estatal da burocracia e demais amarras do Estado. Em segundo lugar, ficou a corrupção, com 23% – certamente um reflexo dos fatos recentes. O critério do aumento de competitividade foi indicado por 12%. Ao contrário do esperado, o item venda imediata da Petrobras visando geração de caixa para o Estado somente foi assinalado por 7% dos consultados. Provavelmente, os assinantes consideram que o momento não é o melhor para a privatização, estando a empresa em processo de reestruturação e seu valor de mercado bem abaixo dos preços históricos.

O fisiologismo teve 6% das indicações. Quando consultados sobre que empresa teria mercado comprador mais fácil, a Embrapa surgiu como o bombom da enquete, com 34% de interesse na aquisição, seguida da Petrobras (29%). Depois aparecem Caixa (21%) e BB (15%). A fusão BB e CEF surge novamente nessa questão, com 1% dos consultados sugerindo que um banco resultante das duas estatais teria o maior mercado comprador entre todos os demais. Faltaria combinar a junção com o Cade, o que parece uma hipótese fora de consideração.

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05.09.17
ED. 5698

Os “herdeiros” de Bendine

A eventual delação de Aldemir Bendine é um risco que paira sobre alguns dos atuais dirigentes do Banco do Brasil ligados ao executivo. A começar pelo próprio presidente da instituição, Paulo Rogerio Caffarelli, que quase chegou ao comando da Previ com a ajuda de Bendine. Sintomaticamente, Caffarelli tem se esforçado para se distanciar da figura do ex-presidente do BB. Entre seus pares, não se cansa de repetir que rompeu com Bendine antes mesmo de ele trocar o banco pela Petrobras. Outro executivo que tinha uma relação estreita com o agora detento é o atual vice-presidente de Negócios de Atacado do BB, Antônio Maurício Maurano. Consta que, mesmo já estando na Petrobras, Bendine também tentou emplacar o nome de Maurano no comando da Previ. Mas, pelo jeito, fazer presidentes do fundo de pensão não era o seu forte.

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28.08.17
ED. 5692

A nau dos afogados na volta à Petrobras

O empresário Rubens Botteri, sócio da Great Oil Perfurações Brasil, está em jornada para retornar sua posição de fornecedor relevante da Petrobras. A estratégia envolve um trabalho de aproximação intensa com a diretoria
da estatal, além de lobby em todas as frentes. De 2009, quando ainda atendia pelo nome de Tuscany, a 2017, a companhia embolsou mais de R$ 200 milhões em contratos de aluguel e operação de sondas terrestres para a estatal.

O declínio da parceria comercial com a Petrobras acentuou a trajetória cadente da empresa. O enredo é rocambolesco. A antiga Tuscany entrou em processo de falência nos Estados Unidos. Seus ativos foram esquartejados e vendidos. Antes de ser arrematada por Botteri e dar origem à Great Oil, a operação brasileira da Tuscany foi comprada pela Oil M&S, do empresário argentino Cristóbal López, outro personagem que teve seu momento na Petrobras.

Dono de cassinos e com múltiplos interesses no setor de óleo e gás, López cultivou a amizade dos Kirchner, o que, segundo fontes ouvidas pelo RR, foi fundamental para a aquisição da refinaria da estatal brasileira em San Lorenzo, na Argentina. A operação gerou um inquérito da Polícia Federal no início da Lava Jato. López sumiu do mapa da Petrobras. Já Botteri tenta voltar. Seu foco são os campos onshore da estatal no Nordeste.

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25.08.17
ED. 5691

Dedo de prosa sobre o bazar das estatais

Se o governo está fazendo piruetas para misturar concessão com privatização e obter uma receita extra orçamentária de R$ 30 bilhões com a Eletrobras, só resta uma conclusão: o déficit primário projetado para o próximo ano não é de R$ 159 bilhões, mas, sim, de R$ 189 bilhões. Privatizações feitas a toque de caixa são a tradução perfeita para um buraco orçamentário maior do que o previsto. E o estouro dos fogos de artifício no céu do mercado leva a crer que o governo deu somente a sua primeira estocada mortal no triângulo das grandes estatais.

As 49 empresas elencadas no PPI têm um efeito mais confeiteiro. Várias delas já tiveram sua venda anunciada anteriormente inúmeras vezes. Mas a inclusão da Eletrobras muda o enredo completamente. O mencionado expediente da golden share tem mil utilidades, inclusive a de eventualmente não ter utilidade alguma ou ser uma trucagem eficaz. Sua insuficiência imunológica já forçou o BNDES a ingressar no capital de ex-estatal para evitar que fosse descumprido o escrito e o combinado.

Fica acertado, portanto, que a golden share funciona como uma apólice de segurança junto à sociedade para a venda de ativos com maior sensibilidade política. Alguém aí falou Petrobras? O Banco do Brasil e a Caixa Econômica já podem ir para a prateleira. A engenharia de privatização da Eletrobrás tem serventia para todo o triângulo das grandes estatais.

A Petrobras, sem dúvida, seria a missão mais difícil, pois necessitaria de negociação complexa no Congresso para a mudança constitucional que veda sua alienação. BB e CEF estão à disposição. A transferência de empresas públicas para a iniciativa privada é sempre desejável em termos de ganho de eficiência. Mas vender monopólios ou quase monopólios é uma contradição do capitalismo.

Em qualquer hipótese, a desmobilização deve ser feita com o maior retorno para a sociedade. Vender na baixa é condenável segundo cláusula pétrea das leis do mercado. O ex-ministro Mário Henrique Simonsen dizia: se por acaso privatizar, a receita tem de ir para abater dívida pública e não para saldar o gasto corrente. Ou seja: não é boa medida vender as estatais e esterilizar os recursos cobrindo o déficit primário.

O decano das privatizações, o economista Ignacio Rangel, pregava que o retorno das vendas de ativos maduros deveria ser aplicado em setores nos quais o país estivesse demasiadamente atrasado. Que tal tecnologia hospitalar, inovações, para não dizer da velha senhora, a infraestrutura? Há quem diga ainda que a privatização contribuiria para reduzir a cultura de corrupção no país. Mais ou menos.

A criação de empresas monumentais aumentaria a capacidade de corrompimento e captura do Estado por esses agentes. Ah, mas a urgência do ajuste fiscal justificaria atos de coragem. Pode ser. Mas, quando se trata de patrimônio público, é um despropósito fazer da correria uma estratégia para a alienação dos ativos. Para quem já chegou até aqui, melhor seria menos açodamento

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22.08.17
ED. 5688

Lobby do cimento

A mobilização do Sindicato Nacional da Indústria Cimenteira, que tem enviado ao Cade estudos para mostrar a perda de competitividade das empresas do setor, colocou uma pulga atrás da orelha dos conselheiros do órgão antitruste. A leitura é que as cimenteiras estariam preparando o terreno para justificar alguma grande operação de M&A e a consequente concentração de mercado. Pode ser apenas uma cisma. Ou não. Não custa lembrar que, em 2014, o Cade multou Votorantim, Camargo Corrêa, Cimpor e cia. em R$ 3,1 bilhões por formação de cartel. E tem sido extremamente rigoroso ao analisar o impacto de fusões globais no mercado brasileiro, vide a operação Lafarge Holcim.

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18.08.17
ED. 5686

BB faz mutirão anti-inadimplência

O Banco do Brasil prepara um mutirão para reduzir os atrasos em sua carteira de crédito imobiliário. A ideia é convocar clientes de todo o país para renegociar os pagamentos em aberto em condições especiais, válidas apenas por um determinado período. O chamamento deverá ser feito por meio de campanha publicitária e nas redes sociais. Será uma versão ampliada de ações pontuais que o BB tem realizado em cidades específicas para saldar pagamentos em atraso. Os números mais recentes da carteira de crédito imobiliário dispararam o alarme dentro do banco e convenceram a direção do BB da necessidade de medidas de maior calibre. No trimestre passado, o índice de inadimplência bateu em 3,4% – há dois anos, estava em 2%. Consultado, o banco não se pronunciou.

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A Lava Jato está revirando as vísceras da gestão de Aldemir Bendine no Banco do Brasil. O BB já encaminhou aos procuradores documentação sobre as maiores operações de empréstimo fechadas entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, período em que Bendine estava na presidência. Consultado, o BB disse “reafirmar seu compromisso de colaborar com as investigações.”

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04.08.17
ED. 5676

“Emenda Embraer” sobrevoa reforma da Previdência

A reforma da Previdência é assunto prioritário para a Embraer. O aparato de lobby da companhia no Congresso está trabalhando em expediente integral para mudar a PEC 287/16. O ponto nevrálgico é o fim da isenção da contribuição previdenciária sobre receitas provenientes de exportação, previsto na emenda constitucional. A Embraer reivindica que as corporações enquadradas como Empresa Estratégica de Defesa (EED), como é o seu caso, não sejam atingidas pela nova regra, mantendo o benefício. A Embraer dá rasantes por gabinetes de parlamentares das mais diversas siglas e matizes. Segundo o RR apurou, a companhia já teria contatado aproximadamente 370 congressistas nos últimos dois meses. Alega que a desoneração previdenciária é uma contrapartida aos altos investimentos em tecnologia e inovação e que o fim da isenção poderá desencadear uma onda de demissões. O setor mantém cerca de 40 mil empregos diretos e 150 mil indiretos. Por esse critério, então, o agronegócio, que também será atingido pelo fim da isenção, tem de ser disparado o primeiro da fila: são 19 milhões de trabalhadores em toda a cadeia do setor.

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02.08.17
ED. 5674

O Brasil sem crise

Nem tudo está perdido. A grife de luxo Dolce & Gabbana tem planos de abrir mais uma loja em São Paulo.

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01.08.17
ED. 5673

Fresta aberta

O BB já enxerga a iminente oferta de ações da NeoEnergia como uma janela para reduzir sua participação ou mesmo deixar a empresa. A conferir.

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28.07.17
ED. 5671

Risco Bendine paira sobre a WTorre

A prisão de Aldemir Bendine ameaça empurrar um pouco mais a Lava Jato na direção da WTorre. Entre as operações de Bendine no radar da República de Curitiba, os procuradores investigam em que circunstâncias se deu o empréstimo de aproximadamente R$ 150 milhões do Banco do Brasil para a empresa, feito em 2010. Os recursos se destinaram à construção do Allianz Parque, o estádio do Palmeiras.

À época, Bendine – por sinal, palmeirense – estava na presidência do BB. O RR apurou que o financiamento à WTorre já teria sido objeto de auditoria interna no Banco do Brasil. O BB teria identificado indícios de irregularidades no empréstimo. Consultado, o banco disse que “as operações de clientes estão protegidas por sigilo bancário”. Afirmou ainda que “irá colaborar com qualquer investigação que envolva sua atuação”.

Consultado sobre a auditoria, o BB não quis se pronunciar. A WTorre, por sua vez, informou ao RR que “não há qualquer processo relacionado a empréstimos tomados junto a bancos e que não está envolvida na Operação Lava Jato, não tendo sido incluída em qualquer denúncia.” A empresa, no entanto, já foi citada no “petrolão“. Segundo o empreiteiro Ricardo Pernambuco Junior, da Carioca Engenharia, a empresa teria recebido propina de R$ 18 milhões para deixar de participar de uma licitação do Cenpes, o Centro de Pesquisas da Petrobras. Há cerca de um ano o empresário Walter Torre chegou a ser alvo de um mandado de condução coercitiva expedido por Sérgio Moro.

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26.07.17
ED. 5669

BB e Caixa pegam PDG no contrapé

A PDG enfrenta resistências de onde menos esperava. Banco do Brasil e Caixa Econômica têm se mostrado mais refratários do que as próprias instituições financeiras privadas ao pedido feito pela incorporadora para adiar a entrega do plano de reestruturação do seu passivo. Em recuperação judicial, a PDG carrega mais de R$ 5,75 bilhões em dívidas.

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24.07.17
ED. 5667

Natura espalha o verde pelas capitais

A Natura é inovação pura. O laboratório de bolações sustentáveis da empresa estaria idealizando um projeto que vai dar o que falar: a adoção de parques urbanos para transformação das áreas em ambiente seguros, com cultura ambientalista e abertos a esporte e lazer. Algo assim como os “parques temáticos Natura”. O projeto seria compartilhado com o Banco do Brasil e o Sebrae. A grande novidade, contudo, é o convite de um grande clube de futebol local como parceiro. As quadras de futebol do Rio, por exemplo, teriam a assinatura do Flamengo. As de São Paulo seriam assinadas pelo Corinthians. E assim por diante. A ideia parece boa demais para ser verdade. Procurado, o Sebrae disse “não ter informações” sobre o assunto. O Flamengo, por sua vez, afirmou que “não há nenhuma negociação com a Natura”. A empresa, o Corinthians e o BB não se pronunciaram.

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14.07.17
ED. 5661

Lobby inflamável

Executivos e lobistas de grupos sucroalcooleiros têm cercado a ANP por todos os lados. São insistentes contatos com a diretoria, seguidos telefonemas a funcionários e pedidos a políticos aliados, tudo na tentativa de prorrogar o prazo para a entrega de uma batelada de documentos (licenças ambientais, alvarás, liberação do Corpo de Bombeiros etc) necessários para a renovação das autorizações das usinas de etanol. A data limite é 31 de agosto. Parece uma questão prosaica, no entanto, a pouco mais de um mês do dead line, cerca de 200 usinas ainda não teriam conseguido enviar as informações. Entre elas, figuram grandes empresas, como São Martinho, Cofco e Biosev. A rigor, a partir de 1 de setembro a ANP pode suspender as operações de todas as usinas que não cumprirem a resolução. Procurada, a agência nega o lobby das empresas e afirma que não vai estender o prazo. A Biosev diz que está empregando os “melhores esforços para cumprir com o prazo”.

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11.07.17
ED. 5658

Lobista, profissão de fé

As razões para o timing são insondáveis. O fato é que o cada vez mais presidenciável Rodrigo Maia (DEM-RJ) está desencavando o projeto de lei do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) que regulamenta o lobby no Brasil. Maia confidenciou a uma fonte do RR que pretende colocar a proposta em votação no plenário logo após o recesso parlamentar – isso, claro, se já não tiver pulado da cadeira de presidente da Câmara para a de presidente da República. O texto estabelece quarentena de quatro anos para os ex-presidentes, ex-governadores e ex-prefeitos que decidirem exercer a atividade de lobista, ou melhor, de “Agente de Representação Governamental”. Condenados por corrupção, tráfico de influência ou improbidade não poderão atuar na função. Menos mal.

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