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315  resultados para Amazon

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Notícias encontradas

12.09.19
ED. 6199

Convalescência

Jair Bolsonaro chegou a ser aconselhado por assessores palacianos a marcar sua nova cirurgia mais para o fim de setembro, “coincidentemente” ali pelo dia 24, quando está previsto seu discurso na Assembleia Geral da ONU. Com Amazônia e tudo, Bolsonaro rechaçou a ideia. Nesse debate, ele vai comparecer.

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12.09.19
ED. 6199

Octógono

Anfitrião de Ricardo Salles em almoço promovido pelo Grupo Lide, na última segunda-feira, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan não resistiu a um chiste com as iniciais do Ministério do Meio Ambiente: “A sua Pasta é mesmo um MMA. É luta o tempo todo…”, referindo-se ao ultimate fighting em torno da Amazônia

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12.09.19
ED. 6199

Ataque especulativo

O varejo brasileiro não é a Amazônia, mas, ao que tudo indica, também se tornou alvo de um bombardeio internacional orquestrado. Nos próximos dias, a chinesa Alibaba deverá divulgar planos detalhados da sua entrada no Brasil. Não por coincidência, o anúncio viria pouco após a Amazon iniciar a venda do serviço Prime no país, que provocou uma devastação das ações das redes varejistas brasileiras na bolsa: Magazine Luiza, B2W, Americanas e ViaVarejo perderam R$ 4,7 bilhões de valor de mercado em um só dia. Quanto mais poderão perder com a simples notícia da entrada em cena do gigante chinês?

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11.09.19
ED. 6198

Será que Macron encara o PCC?

O crime organizado está devastando o Acre. Literalmente. Investigações do Ministério Público local apontam o Bonde dos 13, uma espécie de “franquia” do PCC na Região Norte, e o Comando Vermelho como responsáveis por mais da metade das áreas desmatadas no estado desde janeiro – algo em torno de 37 mil hectares. Trata-se do resultado de picadas abertas por facções criminosas na floresta amazônica para facilitar o transporte de armas e drogas trazidas da Bolívia e do Peru. O “departamento de engenharia” do crime organizado é especialista em pistas de pouso clandestinas e estradas. Além dos ganhos com o tráfico e o contrabando de armamentos, o Bonde dos 13 e o CV ainda levam um troco com a venda de madeira e a grilagem de terras.

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10.09.19
ED. 6197

Agricultura aperta o cerco na concessão de florestas

Entre as ações discutidas no âmbito federal para combater a devastação do bioma amazônico,  o Ministério da Agricultura pretende estipular regras mais severas para os próximos editais de concessão de áreas florestais à iniciativa privada. A Pasta deverá estabelecer uma série de obrigações que terão de ser cumpridas pelas empresas vencedoras das licitações, no combate à grilagem de terras, exploração predatória de recursos naturais e, claro, queimadas ilegais. Vai também proibir o uso do solo para outros fins, como agricultura e pecuária.

As regras atuais são porosas e dúbias com relação a este ponto. Os próximos leilões estão previstos para o início de 2020. Somente no Pará, onde se concentram alguns dos maiores focos de incêndio, há cerca de 578 mil hectares de florestas prontas para concessão, segundo o Plano Anual de Outorga do Serviço Florestal Brasileiro, vinculado à Agricultura.

Desde 2006, o governo concede a investidores licenças para o manejo sustentável de matas na Região Norte, extração de madeira e fabricação de produtos não-madeireiros, além da oferta de serviços de turismo. Hoje, há 17 contratos de concessão em vigor, que totalizam algo em torno de um milhão de hectares. As Unidades de Manejo Florestal concedidas estão localizadas nas Florestas Nacionais do Jamari e Jacundá (RO) e nas Florestas Nacionais de Saracá-Taquera, Crepori, Altamira e Caxiuanã (PA).

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10.09.19
ED. 6197

Os “Neros da Amazônia”

Segundo investigações conduzidas pela Polícia Civil do Pará, entre os suspeitos pelo boom de queimadas no estado estaria uma dupla notória da região: os irmãos Marcelo Miranda e José Edmar Brito Miranda Junior. Ambos são sócios da Fazenda Ouro Verde, na região de São Félix do Xingu, onde o INPE já mapeou mais de 2,5 mil focos de incêndio. Os Miranda têm uma biografia pontuada enroscos com a Justiça. Marcelo carrega em sua biografia o feito de ser o único político brasileiro a ter sido judicialmente afastado do mesmo cargo, o governo de Tocantins, por duas vezes. Ele e José Edmar são réus no âmbito da Operação Reis do Gado, acusados de lavagem de dinheiro com a compra de terras e gado na região.

O Ministério Público do Acre vai colocar mais lenha na fogueira amazônica. Estudo técnico encomendado pelo MP constatou que os valores médios de fumaça no ar no estado entre os dias 6 e 16 de agosto alcançaram um nível cinco vezes superior ao limite estabelecido pela OMS. Os dados servirão de munição para ações que o MP pretende mover contra o Ibama e órgãos de controle ambiental do estado, acusados de não cumprir com o trabalho de fiscalização. O estudo técnico foi coordenado pelo cientista Foster Brown, da Universidade Federal do Acre, renomado pesquisador do bioma amazônico. Brown utilizou equipamentos com sensores, conhecidos como Purpleair, capazes de realizar monitoramentos de alta densidade em ambientes extremos.

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04.09.19
ED. 6193

Agronegócio se une para impedir que o Cerrado seja a nova Amazônia

O Ministério da Agricultura e grandes grupos do agronegócio estão  se unindo para evitar que a tentativa de colonização da Amazônia se repita em outro importante bioma brasileiro. Há uma mobilização para rechaçar a pressão internacional pela assinatura da “Moratória da Soja do Cerrado”. Trata-se de uma extensão do pacto firmado em 2006 por meio do qual as empresas signatárias se comprometeram a não comprar soja cultivada em áreas desmatadas.

Entidades da área ambiental e corporações internacionais de diferentes setores, que vão do McDonald ́s à Unilever, passando por Walmart e Tesco, cobram das tradings agrícolas um acordo similar para a aquisição de grãos produzidos na Região Centro-Oeste e no cinturão conhecido como “Mapitoba” (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia). A imposição encontra uma forte resistência, que junta a ministra Tereza Cristina, os ruralistas e os grandes grupos que atuam na originação e na exportação da soja. Todos são ferrenhamente contra a “Moratória”. A avaliação é que o Cerrado não precisa de tal proteção, uma vez que as condições de preservação do bioma local seriam incomparavelmente melhores do que na Amazônia.

Além disso, há um receio de que uma iniciativa como esta coloque risco a economicidade da região responsável por mais de metade da produção brasileira de soja. No entendimento das autoridades do setor e da cadeia do agribusiness, em vez de funcionar como um atestado de boas práticas ambientais, a simples assinatura da “Moratória” já seria vista como uma mácula para o agronegócio do Cerrado, uma confissão ao mundo de que há problemas de maior dimensão na preservação do bioma local. O alarido em torno do Cerrado tende a crescer, no rastro do desvario que cerca a questão da Amazônia.

Além disso, recente estudo produzido por pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, Áustria, França e Bélgica aumentou o frenesi em relação à região. Segundo o trabalho, publicado recentemente na revista Science Advances, sem a “Moratória da Soja no Cerrado”, cerca de 3,6 milhões de hectares de vegetação nativa da região serão devastados e transformados em área de cultivo de grãos ao longo dos próximos trinta anos. A ministra Tereza Cristina tem um papel fundamental neste enredo, não apenas como uma barreira às pressões externas, mas também como um algodão entre cristais no próprio agronegócio.

Vide o episódio recente protagonizado pela Cargill. Embora totalmente alinhada aos ruralistas contra a “Moratória do Cerrado”, a empresa causou polêmica recentemente ao anunciar a doação de US$ 30 milhões para a preservação da região. Acabou atiçando ONGs e entidades internacionais que se aproveitaram do fato para questionar as condições ambientais do bioma. A reação interna foi dura. Em um manifesto público, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja recusou a “ajuda”, afirmando “não encontrar motivos que justifiquem a decisão”. Disse não haver qualquer ameaça ao bioma da região. A ministra Tereza Cristina interce- deu e evitou que o episódio ganhasse maior proporção.

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03.09.19
ED. 6192

“Teleton da Amazônia”

Ideia que circula entre artistas brasileiros, a exemplo de Patricia Pillar, José de Abreu, Gregório Duvivier, Marcos Palmeira, entre outros: o lançamento de um crowdfunding com o objetivo de arrecadar recursos para ONGs que atuam contra o desmatamento na Região Amazônica. A vaquinha seria abrigada em uma plataforma digital e impulsionada pelo engajamento e pela fama de seus próprios idealizadores. Haveria a disseminação de vídeos nas redes sociais no estilo “corrente”: uma celebridade envia uma mensagem pública para outra, “desafiando-a” a fazer uma doação.

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03.09.19
ED. 6192

Depende do placar

Jair Bolsonaro receberá até amanhã os primeiros relatórios sobre os resultados das ações de combate às queimadas na Amazônia. Com base nos dados, decidirá se fará ou não uma visita à região nesta semana.

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03.09.19
ED. 6192

A plenos pulmões

Os servidores do CNPq podem até não entrar em greve, como assegura o presidente João Luiz Azevedo, mas vão fazer barulho. De atos públicos a manifestos nas redes sociais, estão organizando uma série de ações contra os cortes orçamentários e o risco iminente de suspensão dos pagamentos de bolsas de estudo. Apostam, sobretudo, na repercussão internacional dos protestos, neste momento em que a Amazônia transformou o Brasil em alvo de grandes potências internacionais.

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02.09.19
ED. 6191

“Paraíbas” vão à Europa em busca de recursos

O acaso não foi parceiro do recém-criado Consórcio Nordeste, que reúne os nove estados da região. O pool enviará uma missão à Europa em novembro para uma série de encontros com organismos internacionais e fundos voltados a projetos sustentáveis. Se pudessem, no entanto, os governadores adiavam o road show.

Os “Paraíbas”(Apud Jair Bolsonaro) desembarcarão no Velho Continente sob forte tensão. Neste momento, qualquer discussão internacional sob o guarda-chuva Brasil já nasce contaminada pelo imbróglio global em torno da Amazônia. Sobretudo tratando-se do assunto e do roteiro da viagem dos governadores nordestinos. O objetivo é captar investimentos para o setor agrícola vinculados ao manejo sustentável de recursos naturais no Nordeste. O RR apurou que há reuniões engatilhadas na Alemanha e Noruega, dois dos países que mais têm levantando sua voz contra o desmatamento da Amazônia.

No caso norueguês, há ainda um agravante. O governo Bolsonaro acaba de recusar recursos do país para financiar projetos ambientais na Região Amazônica. Os rancores bilaterais estão à flor da pele. Mesmo com o risco de o “assunto maior” eclipsar o tema das conversas, os governadores do Nordeste vão à luta. Levarão na bagagem estudos recentes sobre novas fronteiras agrícolas na região, como o chamado “Sealba”, o triângulo na divisa entre Sergipe, Alagoas e Bahia. Dados da Embrapa para o cultivo de soja, por exemplo, mostram que o potencial de produtividade na  região chega a 80 sacas por hectare, acima da média nacional (56 sacas/ha).

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29.08.19
ED. 6189

Sergio Moro tenta estancar o poder do PCC no Norte

Em meio ao momento de maior desgaste desde que assumiu o Ministério da Justiça, Sergio Moro tenta desarticular o crescente poderio do PCC na Região Norte. Uma variável chave nesta ofensiva é a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima. Moro pretende prorrogar a intervenção federal no presídio até o fim do ano – a data inicialmente fixada é 4 de outubro.

Investigações da Polícia Federal mostram que a cadeia de Roraima funciona como uma espécie de hub decisório do PCC no Norte do país. De lá, criminosos têm irradiado ordens para ramificações da facção na Região Amazônica e em áreas de fronteira. Moro quer ganhar tempo para o trabalho de remanejamento de detentos. Não custa lembrar que a cadeia agrícola de Roraima carrega a macabra estatística do terceiro maior massacre carcerário da história do país – 33 mortos na rebelião de 2017.

Outra questão preocupa o Ministério da Justiça. O presídio de Monte Cristo abriga venezuelanos flagrados em delitos de menor proporção – como furto e roubo. Esses detentos vêm sendo aliciados por criminosos do PCC. Em sua maioria, são refugiados que não pretendem voltar para a Venezuela e dificilmente encontrarão mercado de trabalho do lado de cá da fronteira. São alvos potenciais para o crime organizado. Ressalte-se que a maior parcela desses presos cumpre penas brandas. Ou seja: trata-se, em sua maioria, de uma “mão de obra”, que, uma vez cooptada, logo, logo estará à disposição do PCC nas ruas.

A Casa Civil e o Ministério da Justiça estudam um projeto de construção de presídios próximos a zonas industriais, por meio de PPPs. O modelo abriria caminho para que detentos de baixa periculosidade cumprissem parte da pena trabalhando em fábricas. As discussões ainda estão em fase embrionária. Segundo a fonte do RR, há cerca de duas semanas houve uma reunião em Brasília da qual participaram o secretário especial da Casa Civil, Abelardo Lupion, e o diretor geral do Departamento Penitenciário Nacional da Pasta da Justiça, Fabiano Bordignon. Por ora, a ideia seria a instalação de uma única unidade, como projeto piloto. A iniciativa não é discutida necessariamente sob o ponto de vista do seu impacto sobre a política de segurança pública, mas, sobretudo, da repercussão positiva que provavelmente teria junto à sociedade. Há um antigo pleito de redução dos gastos públicos com a manutenção de presos – fora o aspecto da ressocialização de criminosos. Já existe uma experiência neste sentido em Santa Catarina. Detentos da penitenciária de Joinville trabalham em indústrias locais: são quase 200 presos empregados na Tigre, Ciser e Cordaville.

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29.08.19
ED. 6189

Voz de comando

O general Villas Bôas, assessor especial do GSI, tem sido uma das vozes mais ouvidas pelo presidente Jair Bolsonaro na condução do imbróglio em torno da Amazônia.

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29.08.19
ED. 6189

Alibaba escolhe o Brasil

O Brasil deverá receber o primeiro data center da chinesa Alibaba na América do Sul. Segundo o RR apurou, a gigante do e-commerce mundial trabalha com dois cenários: instalar uma estrutura de armazenamento do zero ou comprar pronto. Nesta segunda hipótese, todos os caminhos apontam na direção do UOL Diveo, braço de iCloud do portal UOL. O Alibaba já é parceiro da empresa. O plano dos asiáticos de ter uma operação de armazenamento de dados anda lado a lado aos preparativos para a entrada efetiva da AliExpress no Brasil. Hoje, a plataforma de varejo do grupo opera país a distância. Há aproximadamente cinco milhões de brasileiros cadastrados no site, que esperam, em média, mais de 60 dias pela entrega de suas encomendas provenientes da Ásia. Não por acaso, a Alibaba é apontada como uma potencial candidata à privatização dos Correios, assim como sua grande concorrente mundial, a Amazon.

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28.08.19
ED. 6188

A “guerra verde” de Jair Bolsonaro em nome da soberania nacional

Há uma elipse que liga os pontos do estado da Virgínia, nos EUA, o Palácio Itamaraty e o Palácio do Planalto, em Brasília. A conspiração do “grupo das relações exteriores”, chamemos por ora assim, assim, estimula Jair Bolsonaro a se inspirar nas atitudes “viris” do ex-presidente argentino Leopoldo Galtieri. Mas calma a todos os leitores. Por enquanto, pelo menos, Bolsonaro não teria intenção de ter suas próprias Malvinas. Nem de fazer ameaças bélicas. Em que pese que o morador da Virgínia aposta no apoio do morador da Casa Branca a um “enfrentamento teatral”, bem ao seu estilo.

As ações mais agressivas seriam feitas na esfera da comunicação institucional. Bolsonaro reduziria bastante o intervalo das suas aparições na TV e demonstraria em detalhes como os números disponíveis no governo são muito melhores do que os apresentados no exterior, inclusive pelo G7. Além de anunciar medidas, como policiamento militar contra as queimadas, que demonstram sua proatividade, não obstante representarem uma contradição para quem diz que está fazendo tudo certo. Bolsonaro criaria um fato político enorme montando a sua própria versão da guerra fria, a “guerra verde”. Um dos pontos que mais incomoda o presidente e – por que não dizer? – os militares são “grupos independentes” que estão aderindo à causa amazônica e, com isso, dando suporte para a intromissão de Estados nacionais.

O governo está atento à formação do que pode vir a ser o maior fundo privado civil não governamental de todos os tempos, conforme publicidade soprada do exterior. Trata-se da constituição de um instrumento financeiro em defesa da Amazônia, aberto a todos os cidadãos do mundo. As Forças Armadas consideram que a simples articulação de um fundo privado com objetivo de intervir no espaço nacional já significa um atentado à soberania. A eventual e posterior participação de governos capitalizando o fundo transformaria a operação financeira em uma forçatarefa multinacional híbrida.

Trata-se também de um inaceitável gesto de antidiplomacia, pois representa uma reprimenda pública ao Brasil, com base em dados discutíveis. No mais, a Amazônia não está à venda e nem pertence à humanidade, como insiste em dizer o morador do Palácio dos Campos Elísios. Mas o que incomoda mesmo os militares é a bravata. O que farão os militantes “pró-Amazônia” com toda a dinheirama? Gastarão fazendo lobby no Congresso? Contratarão milícias para tomar conta da Amazônia e reprimir as queimadas? Financiarão as próprias Forças Armadas, deixando explícito que estão descapitalizadas e desaparelhadas para a missão? Essa é a pergunta que deve ser feita a Leonardo di Caprio, Sting, Bill Gates, Madonna, George Soros, entre vários outros endinheirados militantes, que estão aportando, no mínimo, US$ 5 milhões per capita em um fundo amazônico de utilidade desconhecida. Se se juntarem a eles, com dinheiro público, chefes de Estado como Angela Merkel e Emmanuel Macron, criam-se as condições de extrair o pior de Bolsonaro e seus paneleiros. Além, é claro, do big brother do Norte. Parece que não estão entendendo que a coisa pode ficar muito tensa. Ruim para verdes e não verdes.

No último sábado, o Planalto despachou dois emissários para percorrer trechos da BR-163 no Pará. A ideia era selecionar grandes extensões de floresta preservada, e, então, convidar jornalistas brasileiros e estrangeiros para cruzar a rodovia ao longo desta semana. No dia seguinte, no entanto, prudentemente o governo recuou da ideia. No próprio domingo, novos relatórios divulgados pelo Inpe mostraram que os focos de incêndio registrados, neste mês, na região já superam a média histórica de agosto nos últimos 21 anos.

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26.08.19
ED. 6186

“Reforma administrativa” em pílulas

A primeira missão do futuro presidente da Embrapa será conduzir um novo plano de demissões voluntárias. O recente PDV, na gestão do ex-presidente Sebastião Barbosa, só atingiu 1,2 mil desligamentos. Segundo o RR apurou, a meta da Pasta da Agricultura é cortar três mil postos de trabalho. A Embrapa diz “desconhecer informações sobre um novo PDV”.

A Valec pode até ter escapado da extinção, mas não conseguirá se livrar de um enxugamento do quadro de servidores. O Ministério da Infraestrutura quer reduzir o contingente de 700 para 400 funcionários. As regras do PDV deverão ser anunciadas em setembro. Consultada, a Valec confirma que “realizou estudos sobre o tema e aguarda avaliação do órgão responsável”.

O próximo da fila é o Banco da Amazônia (Basa). O Ministério da Economia discute as regras para um programa de demissões no Basa, que soma cerca de três mil funcionários. O governo espera uma adesão superior à do recente PDV no Banco do Nordeste, quando apenas 268 dos sete mil servidores marcharam para a porta de saída.

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21.08.19
ED. 6183

Bolsonaro põe o bioma amazônico nos radares do mundo

O “sistema de satélites” do Itamaraty detectou uma movimentação de governos da Europa com o objetivo de alvejar o Brasil e, sobretudo, o presidente Jair Bolsonaro com uma saraivada de dados recentes sobre o desflorestamento do bioma amazônico. No radar da diplomacia brasileira, já existe, inclusive, uma data-chave, que poderá marcar o início desta campanha internacional: 24 de setembro, dia de abertura dos chamados debates de alto nível entre chefes de Estado na 74ª Assembleia Geral da ONU. Seria uma reação contundente contra as recentes medidas adotadas por Bolsonaro, leia-se o esvaziamento do INPE e a sua postura refratária aos recursos repassados por países europeus, notadamente Noruega e Alemanha, para preservação da Floresta Amazônica.

Ou seja: por vias transversas, Bolsonaro conseguiu colocar o bioma amazônico sob monitoramento estrangeiro, arranhando a própria soberania nacional no assunto. Ao colocar o INPE sob suspeição, o Capitão “convidou” entidades internacionais a acompanhar com lupa o desmatamento da Amazônia. Uma das principais candidatas a liderar esse trabalho é a Agência Espacial Europeia (ESA), que acabou de lançar seu satélite Ingenio, de altíssima resolução. O sistema consegue produzir imagens de qualquer local como se estivesse a apenas 2,5 metros de altura do alvo.

Estima-se que, em pouco mais de 12 horas, o Ingenio é capaz de fotografar uma área equivalente ao estado de São Paulo. ONGs europeias também deverão se integrar à tour de force para desnudar o mapa do desmatamento na Amazônia. É o caso da suíça GEO, com seu sistema GEOSS. Há um fator que favorece essa devassa satelital na Amazônia. Por se tratar “apenas” da identificação de áreas devastadas, nem é necessário o trabalho de agentes de campo. É diferente do que ocorre com o monitoramento de áreas de plantio, em que habitualmente as imagens precisam ser referendadas com vistorias in loco – em alguns casos, dependendo do produto, as fotografias não conseguem atestar com 100% de certeza a planta cultivada na região.

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exercito-rj
20.08.19
ED. 6182

Fronteiras

O RR apurou que a área de Inteligência do Exército teria desbaratado uma teia de rotas fluviais utilizadas por facções criminosas para o transporte clandestino de diamante e ouro na Amazônia. Os principais corredores logísticos do crime levariam ao Peru e à Guiana.

Com base nesse trabalho de ourivesaria, o Comando Militar da Amazônia e a Polícia Federal estariam preparando uma série de ações contra os garimpos clandestinos, notadamente no Pará e Amapá. Um dos pontos tidos como vitais é atacar o “ir e vir” dos criminosos no labirinto hidrográfico da região.

Em tempo: descendo o mapa, a dobradinha Exército e PF fará uma bateria de operações relâmpago na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. O alvo é o PCC e o tráfico de drogas. Procurada, a PF diz que “não se manifesta acerca de eventuais ações ou investigações em andamento.”

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19.08.19
ED. 6181

Mattar embala um plano de privatizações superlativo

O secretário especial de Desestatização, Desinvestimentos e Mercados, José Salim Mattar, está insone, obsessivo com uma única missão: apresentar um pacote de desmobilização de ativos e privatizações “como o país nunca viu” – palavras do próprio. O plano é anunciar as medidas nos próximos dias. A pressão de Bolsonaro para privatização de ao menos uma “estatal pequenininha” é um sinal combinado. Mattar vai entregar bem mais do que isso. Mas que não se espere a venda de nenhuma big company.

É consenso no governo que não há ainda amadurecimento político para a privatização da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica. Mas as subsidiárias e coligadas do BB e da CEF devem seguir o mesmo caminho das empresas satélites da Petrobras, a exemplo da BR Distribuidora. A privatização da Eletrobras são favas contadas. A data da venda da estatal, em 2020, será anunciada ainda neste mês. Por sua vez, o Correios é considerado um estorvo – vai para o pregão das empresas indesejáveis. As novidades virão através dos mercados de valores mobiliários e capitais.

Mattar estuda com carinho formas de securitização de terras e imóveis. A ideia é constituir fundos lastreados pelo menos em parte nos ativos imobiliários, e ofertar cotas a fundos de pensão do Brasil e exterior. Os grandes imóveis e terrenos – existem, inclusive, alguns das Forças Armadas – seriam vendidos em leilões. Está em estudos um surpreendente fundo da Amazônia. Paulo Guedes pediu ao seu secretário inovações. Não quer ficar preso ao modelo clássico de editais e leilões. A ideia é dar agilidade e trazer para o balcão ativos cuja venda nunca foi cogitada. Não custa lembrar, a título de chiste, que o ministro da Economia propôs recentemente a securitização do oxigênio da Amazônia. Virão novidades na área da desestatização, podem apostar.

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08.08.19
ED. 6174

A cabeça de Omar Aziz está na bandeja

Em conversas com parlamentares da base governista, Davi Alcolumbre já fala em persuadir Omar Aziz a renunciar “espontaneamente” à presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Há um receio de que a sua delicada situação contamine a própria pauta de votações da CAE. Aziz é investigado pela PF por suposto desvio de recursos da área de saúde quando ocupava o governo do Amazonas. Sua mulher, Nejmi Aziz, também acusada, chegou a ser presa. Procurado, Alcolumbre não se pronunciou sobre o caso.

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05.08.19
ED. 6171

Subsolo brasileiro será a moeda de troca do embaixador Eduardo Bolsonaro

Uma missão prioritária está reservada para Eduardo Bolsonaro, futuro Embaixador em Washington e chanceler in pectore do governo Bolsonaro. Caberá ao “03” colocar em marcha uma política de troca de recursos minerais estratégicos por acordos comerciais bilaterais. O projeto nasce da premissa de que o Brasil não tem outra moeda de negociação com o mundo: o subsolo é o único grande ativo que sobrou para ser colocado sobre o tabuleiro das relações internacionais. A ideia explica a ênfase com que Bolsonaro tem se referido à abertura de reservas indígenas e de áreas de proteção ambiental para investidores privados, assim como sua insistência em nomear Eduardo para a Embaixada do Brasil em Washington.

Os Estados Unidos despontam como parceiros preferenciais. Para além da relação de proximidade ideológica entre Donald Trump e Bolsonaro, razões de ordem geoeconômica empurram os norte americanos para o negócio. O governo Trump teria todo o interesse de reduzir o espaço para a entrada dos chineses na extração de minerais estratégicos no Brasil. À exceção de minério de ferro, manganês, nióbio e cobre, abundantes nestas terras, um acordo com o Brasil faria da China um monopsônio das importações dos demais minerais do país. Ela poderia se tornar o único ou, ao menos, o principal comprador, transformando as reservas nacionais em enclaves orientais em solo brasileiro. Seria uma guerra fria polimetálica se o Tio Sam já não fosse o eleito.

No que depender das motivações de parte a parte, a Amazônia tem tudo para virar uma espécie de 51º segundo estado norte-americano. O projeto envolveria dois grandes perímetros territoriais da Região Amazônica: a Reserva Nacional do Cobre (Renca) e a Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Jair Bolsonaro quer dar sequência ao que Michel Temer ensaiou, mas não fez, notadamente no caso da Renca. Em agosto de 2017, Temer assinou decreto extinguindo a Renca e liberando a área para a exploração privada. Um mês depois, diante da pressão que sofreu, revogou a decisão. Guardadas as devidas proporções, a Reserva Nacional do Cobre é uma espécie de pré-sal da mineração. Trata-se de uma próspera província metalogenética.

No subsolo de seus mais de 46 mil quilômetros quadrados espalhados pelo Pará e Amapá, repousam, além do metal que lhe dá nome, ouro, titânio, fósforo, estanho, tântalo e grafita, segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Há ainda registros de bauxita, manganês e diamante. A Reserva Raposa Serra do Sol, por sua vez, ocupa uma extensão de 17 mil quilômetros em Roraima. O governo Bolsonaro oferecerá aos investidores internacionais, de acordo com estudos da CPRM, seu subsolo cravejado de diamante e ouro. Nesse grande projeto de entrada de investidores internacionais nos “santuários” minerais do Brasil, ficariam faltando apenas os nódulos polimetálicos. São depósitos de minerais no fundo do oceano.

A costa brasileira está cheia deles. O maior e mais cobiçado é a Elevação do Rio Grande, na altura do Rio Grande do Sul. Essa Atlântida multimineral está localizada além das 200 milhas náuticas. Mas existe uma possibilidade do país ampliar seu mar territorial caso fique comprovado que a área é uma extensão geológica de terras brasileiras quando da separação da América do Sul da África.O governo já solicitou permissão à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos para fazer pesquisas no local. É mais fácil dizer o que não há naquelas profundezas. Já foram comprovadas as presenças de cobalto, níquel, cobre e manganês, além de zincônio, tântalo, telúrio, tungstênio, nióbio, tório, bismuto, platina, cério, európio, molibdênio e lítio. Vão para o portfólio com que Eduardo Bolsonaro correrá o mundo.

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23.07.19
ED. 6162

Se não quer, eu quero

Na contramão do ministro Ricardo Salles, que está detonando o Fundo Amazônia, Flavio Dino tem feito mesuras ao governo da Noruega para semear o financiamento de projetos ambientais no cerrado maranhense.

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10.07.19
ED. 6153

Intentona

Credores da Saraiva concederam a si próprios “mandato” para vender a rede varejista. Um grupo de bancos e editoras procurou a Amazon e fundos de investimento. Só não há conversa com os controladores da companhia. Esses mesmos credores se movimentam para tirar a família Saraiva da gestão, conforme o RR antecipou na edição de 24 de junho.

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01.07.19
ED. 6146

Intervenção verde

No que depender do Palácio do Planalto, a reforma na governança do Fundo Amazônia terá uma só medida: a transformação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, numa espécie de CEO do fundo. Tem tudo para acabar mal: dificilmente o governo Noruega, o dono do funding, aceitará tal imposição.

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25.06.19
ED. 6142

Amazon entra no jogo

Por meio de sua plataforma de streaming, a Amazon vai entrar na disputa por direitos de transmissões esportivas no Brasil. Os norte-americanos miram não apenas no futebol. Um dos alvos seria o Novo Basquete Brasil. Entre outros negócios, a Amazon já desembolsou cem milhões de libras por um pacote de jogos da Premier League.

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11.06.19
ED. 6133

Ouro é o novo “business” do PCC

O crime organizado está ampliando seu espectro de atuação na fronteira Norte do país. O Primeiro Comando da Capital (PCC) entrou na extração e no contrabando de ouro. Segundo uma fonte da área de Inteligência da Polícia Federal que atua no monitoramento da região, a facção já domina vários garimpos clandestinos localizados tanto em território brasileiro quanto venezuelano.

Do lado de cá da divisa, as atividades se concentram ao longo do Rio Madeira, entre os estados do Amazonas e de Rondônia. No país vizinho, a presença do PCC se dá no chamado Arco Minero del Orinoco, uma faixa de aproximadamente 111 mil quilômetros quadrados com jazidas comprovadas de ouro e diamante. Com o enfraquecimento do regime de Nicolás Maduro e a grave crise econômica da Venezuela, as Forças Armadas locais afrouxaram o combate ao crime naquela área, considerada uma Zona de Desarollo Estratégico Nacional, abrindo caminho para a presença do PCC.

Procurada pelo RR, a Polícia Federal não se pronunciou. O ingresso do PCC na extração e contrabando de ouro e pedras preciosas se deve, grande parte, à mudança na dinâmica do tráfico de drogas na fronteira Norte do Brasil. Graças à sua ligação com as Farc, o Primeiro Comando da Capital tinha praticamente o monopólio das rotas e dos mercados de cocaína na região. Com o desmantelamento do grupo guerrilheiro colombiano, essa hegemonia se rompeu. Vários “operadores” autônomos – a maioria oriunda das próprias Farc – surgiram na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela, reduzindo os ganhos do PCC.

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06.06.19
ED. 6130

Amapá dá a partida no “PAC Florestal” do governo Bolsonaro

Para a aflição de ambientalistas e a satisfação de proprietários rurais e investidores, o Ministério do Meio Ambiente deverá anunciar em até duas semanas a concessão de 264 mil hectares na Floresta Nacional do Amapá. Será o pontapé inicial de um espécie de “PAC Florestal” do governo Bolsonaro, leia-se a licitação para a iniciativa privada de unidades de conservação ambiental e parques nacionais. O modelo idealizado para o Amapá prevê o esquartejamento da área em três unidades de manejo sustentável. Estudos do Serviço Florestal Brasileiro, que saiu da Pasta do Meio Ambiente e agora está subordinado ao Ministério da Agricultura, apontam o potencial de extração de aproximadamente 130 mil metros cúbicos de madeira por ano em cada uma dessas “sesmarias”, além da possibilidade de exploração de atividades como ecoturismo.

O assunto, como não poderia deixar de ser, é objeto de controvérsia. Os ambientalistas acusam o governo Bolsonaro de, na verdade, estar criando o que poderia se chamar de um “PAD” – o “Programa de Aceleração do Desmatamento”. As estatísticas ajudam a respaldar esse discurso. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Deter, sistema de monitoramento florestal em tempo real, registrou o desmatamento de 739 quilômetros quadrados da Floresta Amazônica no mês passado. Trata-se do maior resultado verificado para um mês de maio em uma década.

Foram quase 200 quilômetros quadrados a mais em florestas devastadas no comparativo com o mesmo intervalo em 2018. Maio marca o fim do período chuvoso na Amazônia, quando a atividade madeireira é retomada na região. O Ministério da Agricultura alega que os vencedores das licitações terão de cumprir obrigações quanto à preservação da áreas arrematadas. O argumento maior, no entanto, é de ordem econômica: além das restrições orçamentárias para arcar com os custos de conservação, o governo alega que a iniciativa privada conseguirá explorar atividades e oferecer serviços que vão trazer a reboque renda e emprego.

Assim é se lhe parece. Sintomático que, ontem, logo após participar de um evento em Araguaia (GO) alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, Jair Bolsonaro tenha postado em seu Twitter com letras maiúsculas: “A primeira missão do meu governo é não atrapalhar quem quer produzir”. Parece ser a deixa para o que virá nesse setor: além da Floresta Nacional do Amapá, já há estudos para a licitação de 20 parques florestais pertencentes à União.

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30.05.19
ED. 6125

Selva

O general Hamilton Mourão terá a oportunidade de relembrar, hoje, dos seus tempos de “tropeiro” na Amazônia. Em Manaus, Mourão vai entregar aos formandos do Centro de Instrução de Guerra na Selva a faca do guerreiro. De lâmina preta com duplo corte, a peça se notabiliza pela cabeça de onça que ornamenta seu cabo. Em metal dourado, o felino é o símbolo da batalha na mata.

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29.05.19
ED. 6124

Moro, um síndico ausente

Talvez Sérgio Moro tenha subavaliado o potencial de combustão do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Ainda no último domingo, assessores recomendaram ao ministro que reconsiderasse sua viagem para Portugal. Àquela altura, a rebelião no Compaj já contabilizava 15 mortos. Mesmo assim, Moro embarcou na segundafeira para participar das Conferências do Estoril. Quando desembarcou em Lisboa, o número de assassinatos no complexo penitenciário já era de 55. Consultado, o Ministério não se pronunciou sobre a viagem de Moro. A Pasta informou que “está em contato com o governo do Estado do Amazonas desde o fim de semana”. Disse ainda que Moro enviou a Força-tarefa de Intervenção Penitenciária para Manaus “mesmo sem ter recebido o pedido formal do governador Wilson Lima”.

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28.05.19
ED. 6123

A “reforma da Previdência” de Eduardo Braga

O Ministério Público do Amazonas vai recorrer da decisão proferida pelo desembargador Aristóteles Lima Thury, na semana passada, restabelecendo o pagamento de pensão vitalícia de R$ 30,4 mil ao ex-governador e hoje senador Eduardo Braga. Thury reformou determinação anterior do juiz Cesar Luis Bandiera, que havia proibido o benefício. Os procuradores pretendem levar o caso até o STF, alegando que o pagamento é inconstitucional.

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08.05.19
ED. 6109

O asfalto chega à BR-319

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, é aguardado em Manaus na próxima semana para discutir com o governador do Amazonas, Wilson Lima, o projeto de pavimentação da BR319, que interliga a capital do estado a Roraima e Rondônia. O investimento é da ordem de R$ 150 milhões. O orçamento é apenas um dos problemas: há forte resistência de ambientalistas ao projeto, uma vez que a rodovia corta unidades de conservação.

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16.04.19
ED. 6095

Nem tudo está perdido

O governo da Noruega negocia com autoridades do Amazonas um novo aporte para o manejo sustentável de florestas. Os noruegueses já desembolsaram aproximadamente R$ 140 milhões na região por meio do Fundo Amazônia.

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26.03.19
ED. 6080

Penitenciárias sobre o balcão

Segundo o RR apurou, o governo de São Paulo pretende ofertar à iniciativa privada, ainda neste ano, ao menos dois dos 12 presídios em construção no estado. A fila das PPPs deve ser puxada por uma penitenciária nas cercanias de Marília e outra próxima à cidade da Pacaembu. A Umanizzare, que administra seis presídios no Amazonas, é forte candidata ao negócio. Procurada, a empresa confirma o interesse “em participar da privatização, caso ocorra, em São Paulo ou em qualquer outro estado.” Já o governo informa que “a localização dos presídios e o modelo de negócio” ainda estão sendo estudados. Em tempo: o nome da Umanizzare está vinculado a uma das maiores rebeliões do sistema carcerário brasileiro: em janeiro de 2017, 56 detentos morreram no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, administrado pelo grupo.

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22.03.19
ED. 6078

Rumo ao Nordeste

A Amazon, que acaba de se instalar em Cajamar (SP), planeja montar um segundo centro de distribuição no Brasil, desta vez no Nordeste. A nova estrutura aumentaria em aproximadamente 50% a capacidade de armazenamento da gigante norte-americana no país. Sinal de que vem algum projeto maior pela frente.

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22.03.19
ED. 6078

Ponto final

Os seguintes citados não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon, EcoRodovias, Governo de Minas e Mercado Livre.

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15.03.19
ED. 6073

Igreja Católica tenta reconstruir as pontes com o Poder

A Igreja Católica está voltando ao game devagarinho. Tem feito movimentos ainda tímidos, porém perceptíveis, no intuito de reagir à perda de representatividade institucional junto ao Poder. O contraponto é o crescente espaço de influência política dos evangélicos, que ganhou tonalidades mais fortes com a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência. Um gesto emblemático dos católicos foi o Banquetaço Nacional do último dia 27 de fevereiro, organizado pela Cáritas, braço social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O evento em 27 cidades brasileiras surgiu como uma resposta à edição da MP 870 e à consequente extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, entidade civil que prestava consultoria à Presidência da República. Perguntada se o Banquetaço Nacional foi um ato de caráter político, a CNBB não se pronunciou. A cúpula da Igreja Católica tem emitido outros sinais que apontam para um projeto de resgate do seu espaço no cenário institucional e político. Desde já, as atenções se voltam para o Sínodo da Amazônia, reunião do episcopado católico marcada para outubro, no Vaticano.

O próprio governo deu sua contribuição para colocar foco sobre o encontro, transformando-o praticamente em questão de segurança nacional. Recentemente, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) publicou nota confirmando que “existe a preocupação funcional com alguns pontos da pauta do Sínodo”. Na ocasião, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI, negou que a Igreja Católica seja “objeto de qualquer tipo de ação da Abin”, mas deu a entender que a reunião de outubro está no radar do aparelho de Inteligência. A reação mais contundente da Igreja Católica veio na voz do bispo da Prelazia de Marajó, dom Evaristo Spengler, que classificou a movimentação do governo como “um retrocesso que só vimos na ditadura militar”.

Consultada, a CNBB também não quis comentar a declaração de dom Evaristo. Talvez a Igreja Católica jamais tenha enfrentado uma circunstância tão inóspita do ponto de vista institucional. O Estado é laico, mas o governo Bolsonaro sabidamente tem suas preferências. Os evangélicos formam uma das bases de sustentação eleitoral do Capitão. A Bancada da Bíblia, um istmo das congregações pentecostais no Legislativo, é um dos principais esteios de Bolsonaro no Congresso. O discurso moralista e a agenda dos costumes galvanizam essa relação de fé e pragmatismo.

O presidente e os seus enxergam a Igreja Católica como antiga aliada do PT e de causas identificadas com o campo da esquerda. A bandeira dos direitos humanos e a defesa de grupos específicos de interesse, como ambientalistas e indígenas, são vistas pelas hostes bolsonaristas como pontos de simbiose entre católicos e o esquerdismo. No governo, há um receio de que o episcopado brasileiro aproveite a visibilidade internacional em torno do Sínodo da Amazônia para desfiar um rosário de críticas às políticas da gestão Bolsonaro nas áreas social e ambiental. Por esta razão, há, desde já, movimentos no sentido de desconstruir o encontro no Vaticano. O presidente Bolsonaro e sua claque evangélica tentam impingir ao Sínodo uma imagem depreciativa, comparando-o, inclusive, ao Foro de São Paulo.

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13.03.19
ED. 6071

Crise venezuelana expõe vulnerabilidades do sistema brasileiro de Defesa

A grave situação da Venezuela e a ameaça latente de um confronto com o país vizinho deverão precipitar decisões de investimento na área de Defesa. O governo Bolsonaro estuda acelerar a liberação de recursos com o objetivo de antecipar a execução de projetos estratégicos para o reapareento das Forças Armadas. A crise venezuelana serviu para expor, de forma mais aguda, fragilidades do Brasil na área militar, resultado de um acúmulo de decisões estratégicas equivocadas e dos seguidos cortes do orçamento para o setor feitos desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Um dos investimentos que se mostram prioritários é a aquisição de um novo sistema de defesa antiaérea. As Forças Armadas dispõem basicamente do equipamento portátil RBS-70, da Saab, comprado por ocasião da Copa do Mundo e da Olimpíada. Seu alcance é de, no máximo, cinco mil metros de altura. Seria, portanto, insuficiente para abater o Sukhoi-30, que pode ultrapassar os 12 mil metros de altitude. Ainda que não se saiba muito bem o seu atual estado de conservação, os caças de fabricação russa usados pela Força Aérea da Venezuela foram projetados para ter autonomia de mais de três mil km.

Ou seja: apenas a título de exemplo, no caso de um hipotético combate, essas aeronaves poderiam sair de Caracas, proceder um ataque a Manaus e retornar à capital venezuelana. Nos últimos anos, o Brasil chegou a negociar a aquisição do sistema russo Pantsir S1, capaz de atingir até 15 mil metros de altitude. No entanto, as tratativas para a compra do equipamento ou eventualmente de outro sistema similar foram congeladas no governo Temer. Devido à delicadeza do tema, o RR entrou em contato com o Ministério da Defesa no dia 25 de fevereiro, encaminhando uma série de perguntas. A Pasta não se pronunciou.

Diante de novas informações apuradas junto à mesma fonte nesse intervalo, a newsletter teve o cuidado de voltar ao órgão ontem, por intermédio de e-mails e telefonemas à assessoria de comunicação. Mais uma vez, oMinistério não se manifestou. Outra vulnerabilidade que ficou um pouco mais evidente no meio da crise venezuelana diz respeito ao monitoramento aeroespacial do território brasileiro e da zona de fronteira. O Brasil tem uma carência de satélites de vigilância mais eficientes. Neste momento, por exemplo, as Forças Armadas brasileiras estariam encontrando dificuldades para monitorar com precisão a posição dos Sukhoi venezuelanos e suas manobras de voo.

Da mesma forma, o Exército estaria trabalhando com informações desencontradas sobre o real poderio dos dois sistemas antiaéreos S-300 que os venezuelanos chegaram a posicionar recentemente a 11 km da divisa com Roraima. No total, o equipamento pode carregar até quatro lançadores de mísseis, mas não se sabe ao certo se ele vem sendo usado a plena carga pelo exército venezuelano. Estes pontos cegos na vigilância da fronteira poderiam ser temporariamente eliminados com acompra de conjuntos de foguete e satélite de menor porte – alguns não custam mais de US$ 2 milhões.

A escassez orçamentária, somada a um escamoteado receio dos governos civis em empoderar em demasia as Forças Armadas após a redemocratização do país, foi criando algumas lacunas na área de Defesa. A última grande manobra operacional do Comando Militar da Amazônia, vital para simular estratégias de combate e testar equipamentos em ampla escala, teria se dado em 1993. É necessário ressaltar ainda que investimentos militares, por maiores que sejam, não têm efeito imediato sobre o poderio bélico de uma nação. Há um tempo razoável até que novos equipamentos estejam plenamente integrados às Forças Armadas. Um exemplo: em média, reza o protocolo que um piloto de caça só consegue dominar plenamente a aeronave após três anos de treinamento.

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15.02.19
ED. 6056

BR Malls na fila do caixa

O ano de 2019 começou frenético na BR Malls. Além da iminente negociação do Sete Lagoas, em Minas Gerais, colocou à venda participações em shopping centers no Maranhão e Amazonas. Em contrapartida, segundo o RR apurou, a companhia deverá anunciar nos próximos dias a aquisição de um pacote de seis shoppings do grupo catarinense Almeida Jr.

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27.12.18
ED. 6022

Battisti cruza o caminho de Bolsonaro e Maduro

A poucos dias da posse de Jair Bolsonaro, surge uma fagulha a mais nas relações diplomáticas entre os governos brasileiro e venezuelano. De acordo com informações filtradas da própria Polícia Federal, a corporação reuniu evidências de que Cesare Battisti fugiu para a Venezuela. Battisti teria atravessado a fronteira pela região amazônica, mais precisamente no estado de Roraima, há cerca de duas semanas, tão logo o ministro do STF Luiz Fux decretou sua extradição para a Itália. Segundo a mesma fonte, agentes da PF deslocados para a Venezuela colaboram com a Interpol nas investigações. Consultada, a Polícia Federal não se pronunciou. Caso a fuga do ex-terrorista para o país vizinho se confirme, os efeitos do episódio sobre as já conturbadas relações entre os governos de Bolsonaro e Maduro dependerão da atitude das autoridades venezuelanas diante de uma eventual captura. A rigor, como Battisti não tem pena a cumprir no Brasil, a própria Venezuela poderia determinar sua entrega à Justiça da Itália. Os dois países mantém acordo de extradição. Desde que Battisti foi declarado foragido, a Polícia Federal trabalha fortemente com a hipótese de fuga para o exterior. No dia 14 de dezembro, o chefe da PF, Rogério Galloro, já declarava que “todos os protocolos de busca para fugitivos internacionais foram ativados, assim como acionamos diversas policias internacionais”. Curiosamente, até ontem, às 20h15, o nome de Cesare Battisti não constava da lista de procurados internacionais disponível no site da Interpol (https:// www.interpol.int/notice/search/wanted). Consultada, a Interpol também não se manifestou.

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07.12.18
ED. 6010

Manaus chora o refrigerante derramado

O governador eleito do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e congressistas do estado têm feito uma romaria junto à equipe de transição de Jair Bolsonaro. Levam o pleito de que Bolsonaro revogue o decreto assinado por Michel Temer em setembro, que ceifou os incentivos tributários federais via IPI concedidos a fabricantes de concentrados de bebidas instalados na Zona Franca de Manaus. Lima teme iniciar seu mandato sob uma revoada de empresas e empregos. O receio é que AmBev e Heineken sigam os passos da Pepsico. A Pepsico não se fez de rogada e anunciou o fechamento de sua fábrica na Zona Franca em resposta ao corte dos benefícios fiscais, demitindo cerca de 50 trabalhadores. O governador eleito do Amazonas carrega a esperança de que uma reversão do decreto possa fazer com que a própria multinacional norte-americana volte atrás na sua decisão. A missão de Lima, no entanto, é das mais duras. Como se sabe, Paulo Guedes e sua equipe transpiram hectolitros de antipatia em relação a incentivos fiscais à indústria.

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30.11.18
ED. 6005

Redenção das empreiteiras nacionais ganha espaço na agenda do governo Bolsonaro

O resgate das quatro grandes empreiteiras do país – Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão – está entre as premissas da equipe de Jair Bolsonaro para a reconstrução do setor de infraestrutura. Os principais defensores desta agenda seriam os auxiliares militares do presidente eleito. A descontaminação das grandes empresas de construção pesada é considerada essencial para a conclusão das mais de 2,7 mil obras paradas e o início de outras tantas. Esta retomada é necessária para que o país possa crescer acima dos 3,5% a 4%. Sem o avanço da infraestrutura, o teto do PIB é baixo.

O ajuste das contas públicas e mesmo o equilíbrio geral dos fatores poderão atrair recursos externos para os investimentos. Mas a equação da empreitada das obras permanece um dilema. Os assessores de Bolsonaro duvidam que mesmo a vinda em profusão de construtoras chinesas, por exemplo, não daria conta do conhecimento necessário para levantar os projetos de infraestrutura. Que empreiteira do país asiático conseguiria mobilizar a Amazônia em torno de grandes obras de energia e logística essenciais? As quatro grandes empreiteiras, que representavam mais de 50% do faturamento total do setor, foram praticamente interditadas com a operação Lava Jato. Agora, pagas as multas, punidos os gestores e controladores e fechados os respectivos acordos de leniência, estariam dadas as condições para a descriminalização ampla, geral e irrestrita das companhias.

Aliás, uma das autocríticas compartilhadas pelas equipes de Michel Temer e do futuro presidente é que as operações das empreiteiras deveriam ter sido preservadas. Uma coisa é a culpa dos homens; outra é o capital humano e a capacidade de contribuição das construtoras. Outro dado é que a Lava Jato mudou a intensidade do compliance das contratantes e das contratadas. As condições do passado para práticas de corrupção hoje são exíguas. Durante o processo de expurgo das big four, a construção pesada perdeu cerca de 400 mil postos de trabalho.

Uma parcela desse contingente era altamente especializada. Existe sempre a possibilidade de grupos estrangeiros sublocarem parte das empreiteiras nacionais, assumindo em bloco contratos, mão de obra etc. A receita parece trivial, mas, na prática, nunca deu certo, pelo menos na escala necessária. As diferenças de culturas e de conhecimento das peculiaridades locais não podem ser ignoradas. No Equador, por exemplo, onde houve um aumento expressivo do número de obras tocadas por companhias chinesas, operários dormiam amontoadosdentro de contêineres. O Brasil detém uma das melhores expertises internacionais no setor de construção pesada. O que mudou foi a higienização de expedientes inaceitáveis. A qualidade dos serviços permanece a mesma.

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22.11.18
ED. 5999

Sonhos de uma noite de dizimação

No mundo perfeito idealizado por Paulo Guedes, o sistema bancário público sofreria uma semi-extinção. O Banco do Brasil perderia o seu sobrenome e seria associado a um grupo estrangeiro. A Caixa Econômica, por sua vez, deixaria de ser uma instituição bancária para se transformar em uma certificadora e garantidora de empréstimos imobiliários, uma espécie de Fannie May tropicalizada – em alusão a uma das maiores empresas de hipoteca dos Estados Unidos. Mesmo com a inexorável concentração bancária decorrente da eventual fusão do BB com um estrangeiro, o argumento é que ela pelo menos se daria entre entes privados. Nesse universo lúdico ultraliberal, o Banco da Amazônia (Basa) seria incorporado pelo Banco do Brasil. Já o Banco do Nordeste e a Finep seriam agregados
ao BNDES. Nos prováveis devaneios do ministro da Economia, tudo são possibilidades. A única certeza é que o BNDES será desidratado. Esta dimensão paralela que permeia as divagações de Paulo Guedes buscaria tirar totalmente o governo do risco da atividade financeira, vista como uma potencial fonte de perdas de recursos. Isso incluiria alguns pingentes pendurados no sistema bancário estatal. Em tese, a gestão do FGTS e do FAT, a cargo da Caixa Econômica, e o financiamento agrícola, cujo repasse é de responsabilidade do BB, seriam licitados para a banca privada. O Fundo de Garantia, por sinal, seria gradativamente transferido para uma carteira de previdência complementar.

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13.11.18
ED. 5993

Programa de satélites brasileiro vai para o espaço por falta de verbas

Uma herança incandescente da era Temer vai cair feito um meteorito no colo do futuro ministro da Ciência e Tecnologia, o efêmero astronauta Marcos Pontes. O programa de satélites do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) está fora de órbita, com graves restrições orçamentárias e atrasos no cronograma. Sem recursos, o INPE não conseguirá lançar ainda neste ano o Amazônia (SAR), fundamental para o monitoramento e combate ao desmatamento da Região Amazônica.

Trata-se do primeiro satélite integralmente produzido no país, mas o que era para ser motivo de celebração e orgulho se tornou um símbolo das mazelas do programa e da penúria que atinge o INPE. Também pela escassez orçamentária, o INPE tem postergado o lançamento do CBERS-4A. Sua entrada em órbita, prevista para dezembro deste ano, já teria sido empurrada para maio de 2019. Na própria estatal, no entanto, a expectativa é de que o equipamento só sairá do chão no último trimestre do ano que vem, portanto quase um ano após a previsão original.

Ressalte-se que o atraso se acentuou, mesmo com a transferência do lançamento para a China – o sistema CBER foi desenvolvido em parceria com o país asiático. Neste caso, há um agravate em particular: produzido ao custo de US$ 120 milhões, o CBERS-4A foi concebido para substituir sua versão anterior, o CBER-4, cuja vida útil se extinguiu no fim do ano passado. Ou seja: neste momento, há um ponto cego no monitoramento do setor agrícola. O sistema CBER tem um papel relevante na vigilância de plantações brasileiras e no envio de informações para pesquisadores, dados que são decodificados, mastigados e ajudam a aumentar a produtividade rural.

O governo Temer mandou o INPE para alguma galáxia distante. Com exíguos R$ 40 milhões para atravessar todo o ano de 2018, a estatal recebeu a menor verba em mais de uma década. Nem mesmo a previsão do tempo resistiu à tempestade financeira do INPE. No ano passado, o Tupã, o supercomputador que processa os dados meteorológicos de todo o país, teria parado de funcionar por alguns dias por falhas de manutenção. Caberá a Marcos Pontes, com sua alardeada proximidade do Capitão Bolsonaro, arrancar do Tesouro recursos para acelerar os projetos do INPE.

Curiosamente, ao menos em tese, era para o Instituto ter tudo, menos um big bang orçamentário. O programa de recepção, distribuição e uso de imagens de sensoriamento remoto da estatal conta com verba do Fundo Amazônia. Este, por sua vez, tem na Noruega um de seus principais contribuintes. O governo do país europeu chegou a disponibilizar cerca de US$ 1 bilhão para programas de controle desmatamento no Brasil. Uma parte destes recursos iria justamente para deslanchar o monitoramento por satélites. No entanto, os noruegueses suspenderam uma parcela dos repasses devido a falhas na política do governo brasileiro para a área de meio ambiente.

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05.11.18
ED. 5987

Supercoordenador

O general Hamilton Mourão, vice-presidente eleito, não quer ser ministro. Pretende ser, sim, um supercoordenador das questões ligados à Amazônia. Não falta assunto.

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24.10.18
ED. 5980

AGU cobra a conta dos cassados

Expulsão de cargo no Executivo vai doer no bolso dos punidos, ao menos no que depender da Advocacia Geral da União. Existe uma mobilização na AGU para cobrar judicialmente de políticos cassados os custos referentes à realização de eleições suplementares. Os alvos são os ex-governadores de Tocantins, Marcelo Miranda (MDB), e do Amazonas, José Melo (PR), ambos cassados por crime contra a legislação eleitoral. A AGU já requisitou ao Tribunal Superior Eleitoral relatórios com os gastos das eleições extraordinárias nos dois estados.

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19.10.18
ED. 5977

O novo teto da Amazon

A Amazon está abrindo o cofre no Brasil. Os norte-americanos planejam construir um mega centro de distribuição próprio para atender a sua nova loja online com operação 100% voltada ao mercado brasileiro.

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19.10.18
ED. 5977

Ponto final

Procuradas, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: General Motors, Amazon, Miniso e Neon.

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18.09.18
ED. 5955

Grupo Liberal vai para as manchetes

O Grupo Liberal, maior conglomerado de comunicação da Região Norte, está no centro de um tiroteio de notícias desencontradas. Nos bastidores, circulam informações de que a família Maiorana colocou suas empresas jornalísticas à venda. Uma fonte muito próxima do clã relatou ao RR que a Rede Amazônica, do empresário Phelippe Daou Jr., fez uma oferta para a compra da TV Liberal e do jornal O Liberal. Consultado, o presidente do Grupo Liberal, Ronaldo Maiorana, diz “que algumas informações dessa natureza têm sido divulgadas nas redes sociais, mas não passam de fake news.” Garante ainda que “não houve e não há qualquer tratativa neste sentido”.

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18.09.18
ED. 5955

Ponto final

Procuradas, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Torrent, Teuto e Rede Amazônica.

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10.09.18
ED. 5949

Pelos ares

Investidores chineses ligados à conterrânea DJI, maior fabricante de drones do mundo, estão trazendo para o Brasil um projeto de delivery de alimentos e pequenas encomendas usando-se os aparelhinhos voadores. A Amazon, ressalte-se, já usa este tipo de serviço nos Estados Unidos, com equipamentos aptos a percorrer até 16 quilômetros.

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27.08.18
ED. 5940

Grupo João Santos a caminho da recuperação judicial

Um dos cinco maiores fabricantes de cimento do Brasil, o Grupo João Santos vai jogar a toalha. Segundo uma fonte que presta assessoria à empresa, o pedido de recuperação judicial deverá sair nos próximos dias. Seria a bala de prata para impedir a decomposição de um dos grandes conglomerados industriais do Nordeste, dono da Cimento Nassau. Segundo o RR apurou, a medida pode englobar todas as 12 fábricas do grupo pernambucano, cada uma delas uma empresa separada.

Trata-se de uma fragmentação societária que tem dificultado até mesmo que a companhia calcule o tamanho real da sua dívida. Há subsidiárias em que os passivos variam de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões. O RR fez seguidas tentativas de contato com o Grupo João Santos por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Desde o ano passado, circulam no mercado rumores sobre a recuperação judicial ou até mesmo a falência do grupo, seguidamente desmentidos por seus dirigentes.

A crise financeira alimenta também especulações sobre o futuro das fábricas. Trata-se de uma cesta de ativos capaz de fazer diferença na balança da indústria cimenteira. O João Santos detém uma capacidade instalada da ordem de oito milhões de toneladas. Na hipótese de uma venda em bloco das fábricas, seria o suficiente, por exemplo, para a Lafarge Holcim ultrapassar a Intercement, leia-se Camargo Corrêa, na segunda posição no ranking nacional. Mesmo uma eventual recuperação judicial pode fazer parte do problema e não da solução, dado o notório estado de fratricídio societário do grupo desde a morte do patriarca, em 2009.

Sem o poder moderador de João Santos, a família cindiu. Três de seus filhos, Fernando, José Bernardino e Maria Clara ficaram de um lado; no front oposto, agruparam-se outras duas filhas do empresário, Ana Maria e Rosália. Enquanto os herdeiros se digladiam, as empresas se arrastam. No ano passado, a produção na fábrica de Itapetinga (PI) ficou temporariamente suspensa. A unidade de Cachoeiro do Itapemirim (ES) foi paralisada no fim de 2017.

Em janeiro, os funcionários da planta de Itaituba (BA) receberam férias coletivas de 30 dias. Em março, o mesmo ocorreu na fábrica de Ituaçu (BA). O Grupo João Santos é alvo de um número cada vez maior de ações no Ministério Público do Trabalho do Piauí, São Paulo, Pará, Paraíba, Pernambuco, Amazonas, Rio Grande do Norte e Espírito Santo. Em março, a Justiça bloqueou cinco imóveis da unidade em Codó (MA) para o pagamento de R$ 7 milhões em dívidas trabalhistas. Os relatos sobre as dificuldades passadas pelos funcionários do Grupo João Santos estão disponíveis na internet. No Facebook, há uma página denominada “Demitidos Cimento Nassau”, com mais de 500 integrantes.

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10.08.18
ED. 5929

Amazon a mil por hora no Brasil

O império digital de Jeff Bezos avança no Brasil. Além da entrada no segmento de vestuário, a Amazon prepara-se para aterrissar no mercado de viagens, com a venda online de bilhetes aéreos e reservas em hotel.

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10.08.18
ED. 5929

Momento difícil

Como se não bastasse a posição insular na geografia política, Ciro Gomes ainda enfrenta problemas no próprio PDT. O governador do Amazonas, Amazonino Mendes, tem feito duras críticas internas Momento difícilà articulação política de Ciro.

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10.08.18
ED. 5929

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon, PDG, BB, Caixa, Polenghi e BNP Paribas.

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07.08.18
ED. 5926

Choque de realidade

Não obstante o otimismo do BNDES, que marcou o leilão da Amazônia Energia, Eletroacre, Ceron e Boa Vista Energia para o próximo dia 30, a Eletrobras tem uma expectativa mais modesta. A tendência é que apenas uma das distribuidoras seja privatizada ainda neste mês. Em tempo: a Equatorial Energia, que levou a Cepisa, teria interesse na empresa amazonense.

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02.07.18
ED. 5900

Eike Batista tem um encontro com o seu passado de ouro

Eike Batista ensaia dar uma volta no tempo e retornar aonde tudo começou: a mineração na fronteira do confronto com índios e garimpeiros. Neste caso, ao menos por enquanto, o potencial risco de litígio são os silvícolas. Eike estuda com carinho uma parceria com Otavio Lacombe, da Gold Amazon, que explora tantalita na bacia do rio Içana, na Terra Indígena Alto Rio Negro, na divisa com a Colômbia. As pesquisas indicam ouro associado, mas o quente da região é o chamado “ouro azul” – ou Coltan, mistura de columbita com tantalita, de alto valor no mercado. Segundo a fonte do RR, as conversações entre Eike Batista e Otavio Lacombe têm sido mantidas sob uma espessa camada de sigilo, por razões óbvias.

O projeto da Gold Amazon é um aluvião que carrega os mais diversos cascalhos, a começar pela participação de Elton Rohnelt, assessor de Michel Temer e sócio minoritário da empresa. Ressalte-se ainda que a tantalita é um minério que tradicionalmente sempre foi gerador de grandes conflitos entre garimpeiros. Além disso, lideranças indígenas contestam os expedientes usados por Otavio Lacombe. Conforme informações divulgadas na imprensa, o empresário tem visitado aldeias e feito doações financeiras a índios locais, sem interlocução com as entidades representantes dos nativos e, sobretudo, com a Funai. Procurada, a entidade confirmou não ter sequer conhecimento do projeto da Gold Amazon nas terras indígenas do Alto Rio Negro.

Há muito de recuo no tempo nessa possível parceria entre Otavio Lacombe e Eike Batista. Seus pais, Octavio Lacombe e Eliezer Batista, foram muito amigos. Eliezer teve um papel importante na construção da Paranapanema, de Lacombe pai – não a atual, que foi exaurida pelos fundos de pensão, mas o verdadeiro império da exploração de cassiterita na Amazônia criado nos anos 60. O fundador da Paranapanema se caracterizou também pelas rusgas com indígenas, notadamente na região de Pitinga, no Amazonas. Consultada sobre a possível associação com Otavio Lacombe, a EBX informou que “Eike Batista que não possui atualmente qualquer relação com a pessoa nominada, tampouco desenvolve projeto relacionado a mineração em áreas indígenas.” O RR não conseguiu contato com a Gold Amazon – a empresa não disponibiliza telefones ou e-mail. Caso a investida se confirme, Eike Batista estará se reencontrando com suas raízes. Foi na exploração de ouro que ele começou e ganhou dinheiro, bem antes da história de êxtase e agonia do “Império X”. Eike volta ao setor mais maduro e calejado. Em meio às polêmicas que cercam a Golden Amazon, certamente o empresário saberá identificar um terreno firme para fincar seu investimento.

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25.06.18
ED. 5895

“Feriadão” eletrocuta leilão de distribuidoras

O Palácio do Planalto já perdeu as esperanças de o Congresso votar, nos próximos dias, o projeto de lei que viabiliza a venda das distribuidoras de energia da Eletrobras da Região Norte. A semana legislativa será curtíssima. Na última sexta-feira, em grupos de WhatsApp, deputados e senadores falavam abertamente em encerrar os trabalhos amanhã, por conta do jogo da seleção brasileira contra a Sérvia, na quarta-feira. O governo corre contra a má vontade do Congresso e o relógio. O primeiro leilão, da Amazônia Energia, está previsto para 26 de julho. No entanto, sem o projeto de lei, que prevê o pagamento de parte das dívidas das empresas com a criação de fundos setoriais, a licitação corre sério risco de ser cancelada por falta de candidatos.

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07.06.18
ED. 5883

State Power descarrega bilhões para ser nº 1 do setor de geração

A venda da Eletropaulo para a Enel ainda reluz nas manchetes e já existe outra grande operação de M&A em gestação no setor elétrico. O RR apurou que a chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) costura sua entrada no capital das usinas de Santo Antônio e de Jirau, dois dos maiores projetos hidrelétricos da Amazônia. No primeiro caso, o ingresso se daria com a compra da participação da Cemig (10%) e de parte das ações em poder de Furnas, detentora de 39%. A Eletrobras, por sinal, é o ponto de interseção entre as duas operações. A porta de entrada da SPIC em Jirau seria a aquisição de um naco das ações pertencentes à Chesf e à Eletrosul, que, juntas, detêm 40% da Energia Sustentável do Brasil, consórcio controlador da hidrelétrica.

Para atar todos esses fios societários, estima-se que o desembolso dos chineses ultrapasse os R$ 12 bilhões. Procuradas pelo RR, SPIC, Eletrobras e Cemig não quiseram se pronunciar. A operação parece feita sob medida para as circunstâncias e as pretensões de seus três protagonistas. A SPIC, que recentemente pagou R$ 7 bilhões para comprar a hidrelétrica de São Simão junto à Cemig, se tornaria o maior grupo privado de geração de energia do Brasil. A empresa passaria a ter em sua carteira um colar de usinas com capacidade de produção de mais nove mil MW, superando a franco-belga Engie e a conterrânea Three Gorges – hoje as duas principais empresas do segmento.

A Cemig, por sua vez, está no meio de uma tour de force para alienar ativos e reduzir sua alavancagem financeira. Desde o ano passado, busca um comprador para a sua participação na Usina de Santo Antônio. A operação também aliviaria o torniquete da Eletrobras. A venda de uma parcela das respectivas participações de Chesf, Eletrosul e Furnas nas duas hidrelétricas geraria caixa em um momento de notória fragilidade financeira do grupo.

O próprio governo enxerga a operação com bons olhos, mesmo porque, a esta altura, ninguém mais em Brasília acredita na venda das distribuidoras federalizadas e muito menos na privatização da Eletrobras. Ressalte-se ainda que não é de hoje que a Eletrobras tem reduzido gradativamente sua participação no segmento de geração de energia elétrica. Em 2011, a companhia era responsável por 36% da capacidade instalada no país; hoje, esse índice beira os 30%. E tende a cair. Na década passada, a Eletrobrás respondeu por 28% da expansão da geração no Brasil. De 2011 para cá, entrou apenas com 15% dos novos projetos.

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04.06.18
ED. 5880

Tucano vs. tucano

O prefeito de Manaus, o tucano Arthur Virgílio, talvez só fique atrás de João Doria no prazer de sabotar a candidatura de Geraldo Alckmin. Virgílio está convidando outros postulantes à Presidência da República a visitar a capital amazonense e apresentar suas propostas a empresas da Zona Franca: já estendeu o tapete vermelho a Flavio Rocha, Rodrigo Maia e Alvaro Dias, todos integrantes da turma do 1% nas pesquisas.

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27.04.18
ED. 5856

Amazon quer fazer um strike com a Saraiva e a Livraria Cultura

A Amazon está rascunhando o que pode vir a ser um best seller das operações de M&A no Brasil. A obra em questão passa pela aquisição conjunta da Saraiva e da Livraria Cultura e a consequente criação de uma rede com mais de 120 lojas e faturamento anual da ordem de R$ 2,5 bilhões. Segundo a fonte do RR, executivo de uma editora nacional credora das duas livrarias, as conversas são conduzidas por um grande banco europeu.

Por sinal, além do papel de adviser, essa instituição encarna outros dois personagens neste enredo: é credora das duas empresas e, desde fevereiro, vem comprando seguidos lotes de ações da Saraiva. A situação de vulnerabilidade das duas redes de livrarias joga a favor da Amazon. A Cultura, é bem verdade, ainda tem conseguido se aprumar graças à capitalização de R$ 150 milhões feita pela francesa Fnac no ano passado. O caso da Saraiva é bem mais complicado.

Com uma dívida superior a R$ 300 milhões, a companhia passa neste momento por uma dura negociação com 31 editoras para o pagamento de atrasados. Na semana passada, cortou à metade o número de diretorias. Não é de hoje que a Amazon ronda a Saraiva. Desta vez, no entanto, há uma série de variáveis que aumentam o interesse não só pela empresa, mas também pela Cultura.

O primeiro deles é aproveitar a “pechincha”. O valor de mercado da Saraiva hoje não passa de R$ 140 milhões – já foi de quase R$ 1,5 bilhão. Ao mesmo tempo, a Amazon considera estratégico montar uma grande estrutura física, diante de recentes movimentos feitos no Brasil. Há cerca de seis meses, iniciou a venda de eletroeletrônicos. No início deste mês, abriu sua plataforma de marketplace no país para livrarias e distribuidores. Há ainda um caráter defensivo na possível aquisição da Saraiva e da Cultura. O Alibaba, outra gigante do e-commerce global, também está se instalando no Brasil.

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27.04.18
ED. 5856

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon, Saraiva, Cultura, BNDES, CSN, BB e Caixa Econômica.

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24.04.18
ED. 5853

Marina Silva ganha plumagem de tucana e avança sobre Geraldo Alckmin

No jeito, estilo e discurso, Marina Silva está se revelando mais tucana do que os próprios tucanos. No entanto, no que diz respeito ao seu adversário e quase congênere emplumado, Geraldo Alckmim, Marina o atacará como uma ave de rapina amazônica. A orientação do seu comitê de campanha é bater forte no ex-governador quando se trata da Lava Lato e mesclar com uma crítica mais suave ao falar sobre a competência dos seus próprios quadros técnicos, a consistência do programa de governo e sua trajetória ilibada. É a hora em que a harpia de olhos fundos vai renascer com a plumagem de um tucano.

Graças a uma rara capacidade de mimetismo político, a candidata da Rede tem atraído para a sua campanha o que mais parece ser uma equipe de FHC melhorada. Já fazem parte do ecossistema de Marina os economistas André Lara Rezende, Eduardo Giannetti e Ricardo Paes de Barros. Agora, ela está trazendo para o time Marcos Lisboa. O próximo passo de Marina é agregar a este liberal um personagem de apelo popular e impacto midiático. Algo parecido com um Luciano Huck.

A Marina Silva tucana em nada lembra a Marina Silva seringueira. O notório esforço para encarnar o ideário liberal transformou Marina em uma espécie de Lepidothrix vilasboasi, pássaro raro da Amazônia considerado pela ciência a primeira ave híbrida da América. A sua “social democracia amazônica” tem lhe permitido ser uma parabólica de um espectro da centro-direita que ainda vaga com uma lanterna na mão em busca do seu candidato. A Marina tucana faz sucesso nos Jardins e na Avenida Paulista, vide a histórica relação com Neca Setubal, herdeira do Itaú, e Guilherme Leal, sócio da Natura – ainda que este último tenha se afastado mais recentemente.

No entanto, a “tucana transgênica” vai além e chega aonde o “tucano puro-sangue” não consegue ir. Graças a sua origem, sua trajetória política e à própria história no PT, Marina tem algo que Alckmin praticamente desconhece: povo. De acordo com a mais recente pesquisa do Datafolha, 91% da população de renda mais baixa sabem que é Marina Silva, contra 82% de Alckmin. No eleitorado como um todo, seu recall é superior: 94%, contra 87%. Ou seja: a candidata que, não obstante ter disputado duas eleições presidenciais, está longe de manter uma exposição intensa é mais conhecida pelo brasileiro do que o político que governou o maior estado do país por 12 anos e quatro meses.

O confronto direto guarda ainda outro número favorável à Marina: seu índice de rejeição é inferior ao de Alckmin – 22% a 29%. Geraldo Alckmin é hoje um boxer grogue, cambaleante, tentando sair das cordas. Marina baila ao seu redor como se fosse Cassius Clay. Pela métrica que for, ela o nocauteia em  força eleitoral, vide as redes sociais. No Facebook, a candidata da Rede tem mais de 2,2 milhões de seguidores; o ex-governador se arrasta para chegar à marca de um milhão. E nesse duelo privado, há ainda uma diferença fulcral: Marina não está na Lava Jato. Talvez até pelo seu permanente estado de mutação e “desmutação”, Marina Silva tem outra vantagem: entre os principais presidenciáveis, talvez seja hoje quem mais tem capacidade de sorver votos de candidatos de diferentes espectros, a começar pelo próprio Alckmin.

Além de ser uma ameaça ao PSDB, Marina pode capturar apoios do Centrão, leia-se a geleia na qual patinam Michel Temer, Henrique Meirelles, Rodrigo Maia, Alvaro Dias e Paulo Rabello de Castro. Historicamente próxima a órgãos da sociedade civil mais vinculados ao campo da esquerda, como sindicalistas, sem-terra, ambientalistas, Marina pode ainda fisgar eleitores do próprio Lula e de seu aguardado “poste”. O xeque-mate seria a dobradinha Marina Silva-Joaquim Barbosa. Os sinais de aproximação são patentes. Marina, ressalte-se, já enviou parte do seu programa a Barbosa, pedindo que ele opinasse sobre as propostas, não necessariamente na condição de candidato, mas como homem público. Seria uma combinação com tempero brasileiro ao gosto do eleitor, uma chapa com pinta de segundo turno.

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24.04.18
ED. 5853

Arrastão elétrico

A China Power Investment Corporation (SPIC) prepara um bote duplo sobre a Usina de Santo Antônio. O RR apurou que, além da participação da Cemig, os chineses negociam a compra das ações pertencentes ao FIP Amazônia, administrado pela Caixa Econômica. A operação conjunta poderá chegar a R$ 4 bilhões. A SPIC passaria a ter 30% da usina, só atrás da Eletrobras (39%).

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13.03.18
ED. 5824

TCU é o fio desencapado na licitação das distribuidoras

O responsável pela área de desestatização do BNDES, Rodolfo Torres dos Santos, que trabalha diretamente vinculado a Paulo Rabello de Castro, não esconde sua apreensão nas reuniões de diretoria do banco. O motivo tem três letras: TCU. Na agência de fomento, há uma crescente percepção de que o Tribunal de Contas da União será um óbice à privatização das seis distribuidoras de energia federalizadas dentro do cronograma estabelecido pelo BNDES – a intenção do banco é lançar o edital ainda nesta semana e realizar o leilão em abril. Segundo o RR apurou, o TCU já teria sinalizado que exigirá mudanças no modelo de venda das concessionárias do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Piauí e Alagoas – o relator do processo é o ministro José Mucio Monteiro. A licitação das distribuidoras se enrosca com a privatização da própria holding. Há duas semanas, outro ministro do TCU, Vital do Rêgo, determinou a abertura de auditoria para avaliar a diluição do controle da estatal e também a decisão da assembleia de acionistas que autorizou a Eletrobras a assumir cerca de R$ 19 bilhões em dívidas das distribuidoras de energia. O temor do BNDES é que o TCU amarre de tal forma os dois processos que a licitação das seis concessionárias só seja permitida após autorização para a venda da Eletrobras. Qualquer engarrafamento no cronograma pode significar a própria implosão das empresas. Se não forem licitadas até julho, as distribuidoras serão liquidadas, o que obrigaria o governo a abrir uma concorrência apenas pelas concessões da distribuição de energia nos seis estados.

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13/03/18 14:00h

alberto jabur

disse:

O TCU tem o poder de jogar no lixo uma baba de dinheiro para fazer prevalecer sua alternativa para esse duradouro caos das distribuidoras? As divergências quanto à solução TCU são relevantes? Alguém poderia colocar luz nesse debate? Seria ótimo desinfetante.

22.02.18
ED. 5811

Um passivo a menos para a Eletrobras

O RR apurou que a Chesf vai abrir mão do direito de preferência sobre a participação da Abengoa na Manaus Transmissão, responsável pelo linhão de 600 km entre Amazonas e Pará. A Eletrobras quer distância dos espanhóis e dos seus papagaios financeiros. A estatal considera altíssimo o risco de ter de assumir dívidas das concessões dos espanhóis, que somam mais de R$ 1 bilhão. Consultada, a Chesf diz que ainda tem 60 dias para decidir se fica ou não na Manaus Transmissão. A Eletronorte, também acionista da empresa, já repassou seus diretos societários para a Eletrobras. Recentemente, a própria Eletronorte, por determinação da diretoria da Eletrobras, desistiu de ficar com 51% da Abengoa em outra concessionária, a Norte Brasil. Os minoritários da holding, já obrigados a engolir R$ 20 bilhões em dívidas das distribuidoras federalizadas, agradecem.

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20.02.18
ED. 5809

Bola no chão

O prefeito de Manaus, Arthur Virgilio, já fala como candidato do partido ao governo do Amazonas. Pelo jeito, desistiu da lunática ideia de disputar a indicação do PSDB à Presidência da República.

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19.02.18
ED. 5808

Há uma Amazon nas entrelinhas da Saraiva?

A forte subida das ações da Saraiva tem provocado um frenesi no mercado. Dez entre dez analistas apostam suas fichas que a Amazon reabriu tratativas para a compra da rede de livrarias. Desde o início de janeiro, o papel acumula alta de quase 30% – 15% apenas na semana anterior ao Carnaval. Entre os principais compradores, ressalte-se, estariam a H11 Capital e a GWI, que já detêm participação no capital da Saraiva. Por sinal, são sócios do barulho, que têm causado muita dor de cabeça aos controladores da companhia. A GWI, do gestor Mu Hak You, protagonizou uma longa disputa com a família e chegou a pedir o afastamento de Jorge Saraiva Neto da presidência da empresa. Por sua vez, a H11 briga por mais espaço no Conselho. E, talvez, por uma posição privilegiada no capital caso a Amazon desembarque no capital da Saraiva e recompre as ações em mercado.

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19.02.18
ED. 5808

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon, Saraiva, GWI, H11, Cargill e Louis Dreyfus.

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22.01.18
ED. 5791

Amazon

Além da compra de sites convencionais de e-commerce, a Amazon flerta com a ideia de uma operação fora de esquadro no Brasil. Um caminho discutido é a aquisição de plataformas de compra e venda de produtos – algo, assim, como a OLX

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22.01.18
ED. 5791

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Amazon, OLX e BNY Mellon

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12.12.17
ED. 5764

Buscapé na mira do Amazon

A Amazon finalmente “chegou” ao Brasil. O potentado do e-commerce fechou dezenas de parcerias com fornecedores, ampliou seu portfólio no país em mais de cem mil produtos e saiu à caça de aquisições. Segundo informações filtradas da própria Amazon, o nome no seu radar é o Buscapé, controlado pelo grupo sul-africano Naspers. Há muito que a empresa deixou de ser um site de pesquisas de preços para se tornar uma grande operação de marketplace, com milhares de marcas, bem ao gosto da Amazon. Procuradas pelo RR, Buscapé e Amazon não se pronunciaram.

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21.11.17
ED. 5749

Mudança de planos

O marqueteiro e delator Renato Pereira estava tão confiante em sair da Lava Jato com uma pena leve que já fazia planos para as eleições de 2018. Tinha a expectativa, por exemplo, de colaborar na campanha de Eduardo Braga ao governo do Amazonas – Pereira prestou consultoria à equipe de Braga na eleição suplementar no estado, em agosto deste ano. Agora, com a rejeição da sua delação no Supremo, o futuro do marqueteiro volta às mãos da PGR, Raquel Dodge.

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20.11.17
ED. 5748

Exército aperta o cerco na divisa com Venezuela e Colômbia

Há uma mobilização do Comando Militar da Amazônia em torno do chamado Arco Norte, notadamente na divisa com a Venezuela e a Colômbia. O Exército tem intensificado as operações na região para combater o tráfico de armas e drogas, inclusive com a presença de oficiais das Forças Armadas norte-americanas. O serviço de Inteligência vem rastreando a movimentação de traficantes na região, que tentam se aproveitar da migração de cidadãos venezuelanos para infiltrar material bélico e, sobretudo, cocaína no Brasil.

Segundo o RR apurou, refugiados têm sido usados como “mulas” para o transporte de munição e drogas. De janeiro a setembro, cerca de oito mil venezuelanos se instalaram apenas em Boa Vista (RR). O desafio dos militares é rastrear e vedar uma região de fronteira repleta de porosidades – leia-se trilhas na selva, rios e, agora, pessoas e mais pessoas. Consultado pelo RR, o Exército informou que monitora a entrada dos refugiados e confirmou a participação de oficiais do Exército norte-americano em manobras na Amazônia. Disse, no entanto, que sua presença se restringe à condição de observadores em operações de caráter humanitário.

A situação é ainda mais preocupante devido ao desenfreado aumento da produção de cocaína na Colômbia. Em dois anos, a oferta mais do que duplicou. A área de plantio no país atingiu o maior nível desde o início da década de 1990, quando os Cartéis de Medelín e Cali foram desmantelados. Não por acaso uma das prioridades do Exército neste momento é a expansão do Sisfron – Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras.

Hoje, por conta de restrições orçamentárias sua operação está limitada a um projeto-piloto no Mato Grosso. Há uma vinculação direta entre a nova onda de violência nos presídios brasileiros e o aumento da oferta de cocaína colombiana. É crescente a disputa entre facções criminosas pelo “direito” de explorar novas rotas para o tráfico da droga. Um dos “trilhos” mais cobiçados corta os estados do Centro-Oeste e leva à Região Sul, e, dali, ao Uruguai e à Argentina.

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10.11.17
ED. 5743

Entrelinhas

A ação da Saraiva caiu 16% em dois meses. Talvez seja só um soluço do mercado; talvez um sinal de que as conversas com a Amazon esfriaram.

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20.10.17
ED. 5729

Baixa voltagem

Uma medida do curto circuito financeiro das distribuidoras que serão vendidas pela Eletrobras por um valor simbólico: só a Amazonas Energia e a Ceron, de Rondônia, precisam de aportes próximos de R$ 1 bilhão.

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04.10.17
ED. 5718

Livro aberto

Desentendimentos entre a própria família Saraiva estariam travando uma nova investida da Amazon sobre a rede de livrarias brasileira. A Saraiva é um livro aberto de páginas em branco.

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20.09.17
ED. 5708

Aneel corta os fios da Abengoa

O plano de recuperação judicial da Abengoa no Brasil, apresentado há pouco mais de um mês, corre sério risco de ser eletrocutado pela Aneel. As gestões feitas pelo grupo espanhol para encerrar as pendências com o órgão regulador e manter sob o seu guarda-chuva nove licenças de transmissão ricochetearam contra uma parede de concreto. A Aneel já teria, inclusive, formalizado ao Ministério de Minas e Energia o pedido de caducidade das concessões. A partir de agora, a companhia só tem dois caminhos: brigar na Justiça, tendo contra si a Aneel e um governo ávido por revogar e relicitar tudo o que é concessão possível, ou ver escapar entre seus dedos um pacote de ativos fundamental para a quitação do seu passivo, da ordem de R$ 3,4 bilhões. A Abengoa diz já ter recebido uma oferta de R$ 1,8 bilhão do fundo Texas Pacific Group por outras sete linhas de transmissão, estas em operação. Ainda assim, a conta não fecha. Os espanhóis dependem da venda das concessões que a Aneel quer retomar. Dependem ainda da negociação de ativos menores, também uma seara na qual sobram faíscas. A companhia quer vender um hospital em Manaus ao valor de R$ 143 milhões. No entanto, o governo do Amazonas estaria se recusando a autorizar a transferência do empreendimento, construído por meio de uma PPP com o estado.

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08.09.17
ED. 5700

Fernando Coelho desata o nó entre Eletrobras e Petrobras

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, acredita ter encontrado a solução para a dívida de quase R$ 16 bilhões da Eletrobras com a Petrobras, referente ao fornecimento de gás para termelétricas. O modelo sobre a mesa passa pela transferência de ativos da Amazonas Energia, controlada pela holding do setor elétrico. Fariam parte do pacote as usinas Mauá e Aparecida.

São as duas grandes térmicas da Amazonas Energia, responsáveis pela maior parte da encomenda de gás à Petrobras e, consequentemente, dos débitos junto à petroleira. A ideia da Pasta de Minas e Energia é que uma proposta seja alinhavada e apresentada aos Conselhos de ambas as empresas em outubro. Consultado pelo RR, o Ministério não quis se pronunciar.

O modelo muy amigo do ministro Coelho – e de um governo que tem conseguido impor suas vontades – não está sendo pensado exatamente para resolver o passivo da Petrobras, mas para evitar que o imbróglio possa atrapalhar a “descotização” da Eletrobras. E, ao mesmo tempo, impedir uma tungada fiscal e uma nova frustração de receita do governo. A petroleira já soltou um balão de ensaio solicitando a inclusão de um artigo na MP do setor elétrico que lhe dê primazia no recebimento de recursos amealhados com a “descotização” da Eletrobras.

Com as devidas ressalvas, a proposta guarda alguma semelhança com a operação feita entre o governo federal, o BNDES e a Cedae. A estatal de saneamento será jogada no colo do banco como lastro do empréstimo emergencial ao Rio de Janeiro, sem que possa ser privatizada agora. No seu caso, mesmo ganhando, a Petrobras vai perder. Se o projeto seguir adiante, a empresa acabará assumindo ativos que não serão vendidos no curto prazo e tampouco fazem parte do seu core business. Paciência! Quem sabe não surge uma proposta melhor para a Petrobras se um dia ela for privatizada…

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06.09.17
ED. 5699

Fantasmas do passado voltam à Câmara

A decisão do prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto (PSDB) de entregar a Casa Civil para o próprio filho, o deputado federal Arthur Bisneto, vai abrir espaço para o retorno ao Parlamento de um notório clã da política amazonense. Quem assume a cadeira de Arthur Bisneto é o suplente Carlos Souza, irmão do já falecido Wallace Souza, cassado por seus pares na Câmara em 2009 por suposto envolvimento com o crime organizado.

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04.09.17
ED. 5697

Eike Batista é um pedaço da Reserva Nacional do Cobre

Um colecionador de direitos de exploração dos minérios na Reserva Nacional do Cobre encontra-se em prisão domiciliar. O ex-megaempresário Eike Batista possui cerca de 100 autorizações de pesquisa dos mais de 600 títulos de exploração na região mineralógica do Pará. As concessões de Eike foram distribuídas entre diversas empresas, um modelo, aliás, comum entre as companhias do setor, quando desejam evitar a demonstração de posse dos direitos minerários.

O empresário começou a garimpar as concessões quando a MMX ainda era a joia dos seus negócios. Chegou a discutir a abertura seletiva da Reserva do Cobre com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O argumento, razoável por sinal, era que a medida evitaria uma “corrida do ouro” das companhias estrangeiras e de garimpeiros na Amazônia.

O principal foco de Eike na região era o ouro, mas também com incursões sobre o minério de ferro. O empresário tinha uma fixação pela Vale, que tentou adquirir ou até mesmo clonar (Projeto Minas Rio, que a Anglo American acabou comprando de Eike). Na época, o então presidente da Vale, o falecido Roger Agnelli, desafeto do Mr. X, concorria com o empresário por um quinhão naquela área – na tabela dos processos do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) há diversas solicitações feitas pela Docegeo, subsidiária de geologia da companhia.

O ex-presidente José Sarney, que foi “chairman” do Conselho Consultivo da mineradora de ferro de Eike no Amapá, teve participação ativa nas articulações para a extinção da Lei que criou a reserva mineral-ambiental. Por ironia do destino, é seu filho, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, quem hoje se posiciona contrariamente à exploração mineral na região. Consultado sobre a existência de requerimentos ou autorizações de pesquisa em nome de Eike Batista ou de empresa a ele pertencente, o DNPM enviou uma extensa relação de pessoas físicas e jurídicas, que não permite identificar a presença do empresário. O RR fez várias tentativas de contato com a assessoria de Eike, mas não obteve retorno por meio dos telefones disponíveis nem do site da EBX, que estava fora do ar até o fechamento desta edição.

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25.08.17
ED. 5691

Voz baixa

Até o início da noite de ontem correligionários e ambientalistas ainda esperavam por um pronunciamento firme de Marina Silva contra a extinção da Reserva Nacional do Cobre e a venda de terras na Amazônia. Por ora, sua reação mais incisiva veio por meio de 473 toques no Twitter.

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16.08.17
ED. 5684

Candidato do PMDB, sem o PMDB

Boa parte do PMDB virou as costas para a campanha de Eduardo Braga, candidato do partido no segundo turno das eleições no Amazonas. É o troco pelo fato de Braga, ex-ministro de Dilma Rousseff, ter se mantido contra o impeachment. Em maio, Braga já havia experimentado um petit dejeuner da vendetta de Temer com a demissão da então superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, que ele havia indicado para o cargo.

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09.08.17
ED. 5679

Volta ao passado

Um diplomata das finanças tem tentado aproximar o big boss do Insper, Claudio Haddad, do franco atirador do setor de educação Paulo Guedes. Como até os índios das matas longevas da Amazônia sabem, “Paulinho” detesta Haddad. Se sentiu lesado pelo ex-sócio na venda do Ibmec, embrião do atual Insper. Mas agora, protegido pela armadura e o bom senso do seu sócio-patrão, Julio Bozano, é possível que o encontro entre os dois economistas financistas se torne menos ácido e até alguma cooperação seja possível. Haddad quer aumentar o Insper. Não pretende ser consolidado pelos grupos estrangeiros. Nesse contexto, Paulo Guedes teria alguma serventia. Mas o “risco Paulinho” é enorme. Melhor deixá-lo delirando às segundas-feiras na imprensa.

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09.08.17
ED. 5679

“Nova política” na floresta Amazônica

A eleição ao governo do Amazonas é puro déjà-vu. O ex-senador Gilberto Miranda – que anda, ou melhor, prefere andar sumido – é um dos principais apoiadores da campanha de Amazonino Mendes. Por ora, tudo como planejado para a dupla: Amazonino vai disputar o segundo turno.

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Após o enlace entre a Cultura e a Fnac, a Amazon voltou à carga sobre a Livraria Saraiva.

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28.07.17
ED. 5671

Reserva Nacional do Cobre reluz feito ouro para os Moreira Salles

A família Moreira Salles está acompanhando de perto a decisão do governo de privatizar a Reserva Nacional do Cobre – uma gigantesca área metalogenética encrustada no estado do Pará, com enorme potencial de minerais não ferrosos e radioativos. A Reserva do Cobre ainda é um resquício do enrosco entre o empresário Daniel Ludwig,
idealizador do Jari, e os governos militares. A região pertencia a Ludwig, mas acabou sendo tomada na mão grande pelo então comandante do Grupo Executivo do Baixo Amazonas (Gebam), Almirante Roberto Gama e Silva. Foi fechada, lacrada e transformada em uma espécie de ativo estratégico da União.

Agora, Temer quer vender tudo. Na Reserva do Cobre, além do minério que lhe empresta o nome, encontram-se em abundância quase todas as matérias-primas: cassiterita, ferro, níquel, manganês, zinco, tungstênio, ouro – muito ouro, aliás – anatásio e nióbio. Os Moreira Salles querem comprar as reservas deste último minério e somá-las ao portfólio da Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia (CBMM), detentora do monopólio mundial de nióbio e localizada na região de Araxá (MG).

A monumental jazida foi repassada de bandeja pelo então ministro de Minas e Energia, Antonio Dias Leite, a Walther Moreira Salles, que sempre dizia que seu melhor negócio não era o banco, mas a CBMM. Recentemente, os Moreira Salles venderam 15% do seu latifúndio de nióbio para um grupo de empresas chinesas, que deverá acompanhar a tradicional família banqueira na incursão para abocanhar o nióbio amazônico. A Reserva Nacional do Cobre é cheia de lendas e histórias.

O general João Baptista Figueiredo dizia que, se alguém quisesse explorá-la, ele prendia e arrebentava. Mais recentemente, o empresário Eike Batista moveu montanhas junto a Dilma Rousseff no afã de comprar a região inteira de uma tacada só. As negociações estavam até se encaminhando bem quando Eike foi seduzido pelo canto da sereia do petróleo. O resto todo mundo sabe.

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06.07.17
ED. 5655

Brasil é a rota de escape da Ecopetrol na América Latina

No que depender da Ecopetrol, o próximo leilão da ANP será um sucesso de bilheteria. O grupo colombiano está prestes a deslanchar seu maior plano de investimentos no Brasil. Segundo o RR apurou, os valores devem chegar a US$ 1 bilhão. Tudo gira em torno da 14a Rodada de Licitações da ANP, prevista para setembro. De acordo com informações filtradas da própria Ecopetrol, os colombianos estão montando um amplo arco de parcerias para os leilões, que vai da Petrobras à Chevron, passando pela japonesa JX Nippon.

O Brasil tornou-se peça-chave para a Ecopetrol. O aumento dos investimentos está diretamente relacionado a problemas que a empresa enfrenta em seu próprio território. Há uma redução no ritmo de descobertas de novos campos na Colômbia. A companhia busca ainda reservas de óleo leve para equilibrar seu portfólio de ativos, excessivamente concentrado na produção de petróleo pesado. Como se não bastassem questões de ordem operacional e estratégica, a Ecopetrol tem sido alvo de uma onda de protestos da população colombiana contra petroleiras e mineradoras.

Nas últimas semanas, suspendeu as atividades em 81 poços no campo de Rubiales, o maior do país e responsável por um quarto da produção total da companhia. As perdas somam aproximadamente 9,5 mil barris/dia. Some-se o fato de que, em consultas públicas, a população da Colômbia tem rechaçado a implantação de novos projetos de exploração de petróleo e gás em diversas regiões. Os colombianos já operam três blocos exploratórios no Brasil, localizados na Bacia Potiguar, na Foz do Amazonas e na Bacia do Ceará. O foco da Ecopetrol na 14a Rodada da ANP se concentra, sobretudo, em ativos em águas rasas na Bacia do Espírito Santo, onde há reservas comprovadas de óleo leve.

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06.06.17
ED. 5634

Atingida por Palocci

A Ambev será uma das empresas atingidas pela delação de Antonio Palocci. Segundo fonte do Ministério Público, a denúncia passa pela concessão de benefícios fiscais na Amazônia.

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23.05.17
ED. 5624

Lula vai ao ponto: “Diretas Já”, mas nem tanto

Nas coxias dos festejos de posse da nova diretoria do PT municipal de São Bernardo dos Campos, na última sexta-feira (19), o grito de “Diretas Já” soou abafado pela preocupação com as suas próprias consequências. Ao longo do fim de semana, Lula, Ruy Falcão e juristas do partido se dedicaram a decifrar as possibilidades de conflito jurisdicional entre as decisões do TSE, do STF e do Congresso Nacional nas múltiplas hipóteses de desfecho do governo Michel Temer. Falou-se mais sobre o Amazonas do que sobre a PEC do deputado Miro Teixeira propondo a escolha imediata do novo presidente pelo voto popular.

A jurisprudência reafirmada com a cassação pelo TSE da chapa do governador e vice-governador amazonenses e a determinação de que sejam realizadas eleições diretas deixa um flanco por onde passaria a escolha popular para o substituto de Temer. No cenário sobre o qual os petistas mais se debruçam, entre 6 e 8 de junho, o TSE cassaria a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, a julgar pela carrada de provas de uso ilegal de dinheiro. O presidente também pode ser apeado por processo penal, mas o prazo para que isso ocorra antes dos 14 dias que faltam para a decisão do TSE parece exíguo.

No caso de impeachment, outra hipótese deste mosaico, esse, sim, ficaria para bem depois do julgamento das contas de campanha, ainda que Rodrigo Maia aceitasse de imediato um dos pedidos de afastamento protocolados na Câmara. Uma solução menos torturante seria a renúncia, conforme preconiza a mídia mais poderosa, que levaria diretamente ao art. 51 da Constituição com o Congresso elegendo em 30 dias o futuro comandante da Nação. Para Temer, essa hipótese faria sentido se negociada no âmbito do recurso ao STF caso o TSE decida pela cassação da chapa com Dilma Rousseff.

Lula e seus acólitos avaliam o quanto de gasolina devem despejar sobre o fogo ligeiramente aceso da militância. Uma primeira questão é a garantia de que, na hipótese de diretas, o presidente eleito poderá concorrer novamente em 2018 sem empecilho de ordem legal. Caso haja a menor possibilidade de restrição, o candidato do PT seria tampão, muito provavelmente o ex-ministro Celso Amorim.

O ex-presidente seria preservado para a próxima eleição. As diretas no curto prazo livrariam Lula do impedimento da sua candidatura, com eventuais e prováveis condenações em julgamentos de primeira e segunda instância. Mesmo que a batalha de Temer com o STF durasse até dezembro, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumindo o cargo nessa situação de dupla vacância do poder, não haveria  tempo para a realização do segundo julgamento do ex-presidente.

Se ganhar a candidatura, Lula deverá acusar perdas na integridade do discurso político. Provavelmente seria levado a fazer concessões em relação a algumas das principais iniciativas do atual governo, a exemplo da PEC do Teto e as reformas da Previdência e trabalhista. Mesmo alguns lulistas de carteirinha volta e meia repetem a máxima de Leonel Brizola: “Não confie no Lula.

Ele é capaz de trair até o último momento”. No caso em questão, trair a sua própria militância. Não seria a primeira vez. Na eleição presidencial de 2010, Lula mandou às favas seu compromisso de campanha e assinou a célebre Carta ao Povo Brasileiro. Quem sabe poderia fazer novas reformas e um controle de gastos sem um teto constitucional? Trocar seis por meia dúzia? E Lula seria crível para o sistema, que o odeia mais do que nunca?

Há também uma questão de fundo: quanto mais incendiar a militância mais fortes serão as pressões para que Temer renuncie antes mesmo de qualquer decisão do TSE, atitude esta que, por sua vez, jogaria água gelada nas diretas. Por essa ótica, seria de bom senso acalmar as ruas. Ou não, se a PEC de Miro Teixeira for para valer. Segundo a fonte do RR, Lula anima mais a torcida pelas eleições imediatas do que os dirigentes do PT. De contradição em contradição, o “Diretas Já” vai se aproximando de uma palavra de ordem oca.

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17.05.17
ED. 5620

Fator S11D dá um Norte à siderurgia brasileira

Enquanto as grandes produtoras de aços planos agonizam no Sudeste, há uma chamada para novos investimentos siderúrgicos no Norte no país. O chamado Fator S11D – maior empreendimento de exploração de ferro a céu aberto do mundo – tem as condições excepcionais para resgatar a antiga ideia de um polo siderúrgico na região. O projeto de extração mineral foi batizado com o nome do engenheiro Eliezer Batista, presidente icônico da companhia. Há um acerto de contas do destino com o personagem e aquela região: há cerca de 35 anos, Batista mostrava a dezenas de grandes empresários o “Projeto Grande Amazônia Oriental”, em evento patrocinado pelo banqueiro do Itaú Eudoro Vilella.

Sobravam engenhosidade e ambição nas maquinações do então presidente da Vale. Mas se ele tinha a escala de produção mineral e logística afiada, faltava o milagre da natureza. O teor de ferro contido no minério de S11D (66,7%), o maior do mundo, é a materialização desse milagre. Ele tem o potencial de reduzir expressivamente os custos da siderurgia nacional, segundo relatório produzido por um player internacional do setor, ao qual o RR teve acesso.

A proposta de um corredor de exportação de aços planos no Pará, mais especificamente no percurso que vai da S11D até o Maranhão é irmã gêmea do grandioso empreendimento na Amazônia Oriental, mais conhecido como “Carajazão”. A principal diferença é que a nova versão propõe um beneficiamento mais sofisticado, enquanto o “Carajazão” se concentrava na produção de ferro gusa. A alta pureza da matéria-prima de S11D é considerada uma espécie de artefato nuclear na competição pelo mercado de minério de ferro.Pode gerar muito mais riqueza para a Vale e o Brasil do que o primeiro Carajás.

Na lógica geoeconômica do projeto, o aço para exportação subiria de elevador para o Norte, aproveitando-se do Fator S11D e das condições logísticas e de suprimento de energia. Seriam construídas siderúrgicas de 20 milhões de toneladas – uma unidade representa praticamente dois terços da produção total brasileira de 30,2 milhões de toneladas – em sua grande parte com capitais chineses, sul-coreanos e japoneses. E a siderurgia do Sudeste? Teria de se reinventar, com uma inevitável consolidação e ingresso em aços siliciosos e outros especiais.

Usiminas, CSN, ArcelorMittal – à exceção da Aperam, ex-Acesita – caducam às vistas do mercado, exigindo subsídios e barreiras alfandegárias para continuarem a se manter de pé com alguma integridade. A Vale trouxe o novo e a redenção. Infelizmente, é necessária alguma destruição criativa para que a siderurgia brasileira se erga novamente. Em outros idos, o BNDES estaria estudando a oportunidade com afinco.

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22.03.17
ED. 5583

Tríplice autoria

A possível fusão entre a Saraiva e a Livraria Cultura não é uma obra escrita somente a quatros mãos. A Amazon surgiria no posfácio, com uma participação no capital da nova empresa. Os norte-americanos passariam a ter acesso e direito de comercialização do acervo e títulos das duas empresas. Procurada, a Cultura nega as tratativas. Amazon e Saraiva não se pronunciaram.

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20.03.17
ED. 5581

O exílio de um executivo cansado

Enquanto João Doria se credencia como um forte candidato à presidência, seu velho companheiro Paulo Zottolo parece ter cansado do Brasil. Hoje, passa a maior parte do seu tempo em Miami, de onde comanda a startup Amazon Waters, fabricante de bebidas. Em 2007, quando era presidente da Philips, Zottolo se uniu a Doria e outros personagens para liderar o movimento “Cansei”, uma espécie de “Vem pra rua” pré-redes sociais. Acabou se notabilizando pela desastrosa declaração de que “se o Piauí não existisse, ninguém ficaria chateado”. Zottolo saiu de cena e ninguém ficou chateado.

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08.03.17
ED. 5573

Funai entre o índio e o general

Para todos os efeitos, a presidência da Funai foi entregue ao dentista e líder evangélico Antonio Fernandes Toninho Costa. No entanto, dirigentes e funcionários da autarquia já perceberam que o poder está efetivamente nas mãos do general de brigada da reserva Franklimberg Rodrigues de Freitas, empossado no aparentemente menor cargo de diretor de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de uma camuflagem.

O militar assumiu as questões mais sensíveis que orbitam em torno da Funai, a começar pela demarcação de terras e pelo monitoramento de eventuais tensões entre comunidades indígenas e proprietários rurais. São os olhos e ouvidos do general Sergio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), entre os Yanomámi, Xikrins, Xavantes etc. Entre os handicaps do Franklimberg Rodrigues para a função destaca-se o profundo conhecimento da Região Norte, que concentra quase 40% da população indígena brasileira.

O oficial comandou a 1.a Brigada de Infantaria de Selva em Roraima e foi chefe do Centro de Operações do Comando Militar da Amazônia. Sua presença na linha de frente da autarquia neste momento ganha maior importância diante do acirramento dos ânimos causado pelos seguidos cortes orçamentários na Fundação e o consequente risco de protestos e conflagrações em áreas de ocupação indígena – ver RR edição de 6 de janeiro.

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22.02.17
ED. 5566

Amazon clica na Netshoes

Realizar o tão prometido IPO ou ceder ao assédio de um gigante mundial do e-commerce? Este é o doce dilema dos sócios da Netshoes. A Amazon está cercando a empresa por todos os lados. Não é mera força de expressão. Os norte americanos estariam mantendo conversas paralelas com os principais acionistas do site de vestuário e artigos esportivos: aqui, Marcio Kumruian, fundador e CEO da empresa; lá fora, o Temasek, fundo soberano de Cingapura, e as gestoras Tiger Global e Iconiq Capital. A aquisição da Netshoes daria à Amazon uma fatia significativa das vendas online de vestuário esportivo no Brasil – seu faturamento gira em torno de R$ 2,5 bilhões por ano. Os norte americanos herdariam também operações na Argentina e no México. Consultada, a Netshoes nega a venda.

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22.02.17
ED. 5566

Ponto final

Procuradas pelo RR, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon e Temasek.

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10.02.17
ED. 5558

Quando a geopolítica e a mídia se encontram

A visita do coronel televisivo Phelippe Daou Jr. ao ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, no início da tarde de ontem, não foi um encontro protocolar entre um concessionário televisivo e o observador-mor da programação nacional. Há mais de geopolítica no papo entre os dois do que suspeita a vã filosofia. Daou Jr., colocada as enormes ressalvas, repete em parte a trajetória de Roberto Marinho. Seria um “Dr. Roberto do Norte do país”.

Assim como o falecido patriarca das Organizações Globo, filho do proprietário do jornal O Globo, Euclides Marinho, Daou Jr. é sucessor de Phelippe Daou, de quem herdou a Rede Amazônica de Rádio e Televisão (RART). A RART, como não poderia deixar de ser, é afiliada da TV Globo. Daou pai é um capítulo na história da conglomeração local, regional e nacional da mídia radiofônica e televisiva no país. É imperador das comunicações na Amazônia, Pará, Rondônia, Amapá e Acre. Foi tríplice laureado pelos militares, ganhando as condecorações de Amigo da Marinha, Exército e da Base Aérea Nacional.

A RART conseguiu acesso ao sistema de satélite na gestão de Antônio Carlos Magalhaes no Ministério das Comunicações pagando “valor simbólico” à Embratel. A justificativa da benemerência era o lema de então das Forças Armadas: “Integrar para não entregar”. O empresário era um agente integrador. A conversa de Daou Jr. com o general Etchegoyen pode ter tido diversos outros motivos, mas será sempre uma operação de informação. Afinal, a consciência da população nortista tem um valor estratégico inestimável.

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01.02.17
ED. 5551

Gás total

Números frescos que medem o apetite da Total no Brasil: os franceses pretendem investir cerca US$ 700 milhões no país ao longo dos próximos três anos. A maior parte dos recursos será destinada à Bacia Foz do Amazonas. A meta da companhia é furar dez poços na região até o fim da década.

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30.01.17
ED. 5549

Pé na soleira

A Amazon, que insiste em ter uma estrutura física no Brasil, monitora de perto os percalços financeiros da Livraria da Cultura.

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30.01.17
ED. 5549

Ponto final

Procuradas, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Amazon, Cultura, BR Pharma e Incra.

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