13.04.15
ED. 5099

“Com quem vocês pensam que estão falando?”

 Antes de tentar mudar o que os outros dizem da Petrobras, a Petrobras está decidida a mudar o que ela diz de si própria. A recém-anunciada saída de Wilson Santarosa, que, por 11 anos, regeu com mãos de titânio a Gerência de Comunicação Institucional da companhia, vai muito além de uma simples troca de maestro. A partir de agora, o repertório e o andamento da orquestra serão bem diferentes, independentemente do novo regente, Luis Fernando Nery, ex-gerente de responsabilidade social da companhia. O fato é que a saída de Santarosa vai ensejar uma reviravolta na comunicação corporativa da Petrobras. Trata-se de uma determinação que vem de cima. O próprio Aldemir Bendine chamou o assunto para si, por entender que ele está umbilicalmente ligado ao processo de reestruturação da empresa conduzido pela nova diretoria. Na avaliação de Bendine, o árduo trabalho de reconstrução da reputação institucional da estatal depende de uma postura mais proativa e veemente da própria companhia. A Petrobras não pode e não deve mais ser vista ora como um covil de ladrões, ora como uma coitadinha que soçobrou aos malfeitos de ex-dirigentes. Durante o longo período de regência de Wilson Santarosa, a comunicação institucional da Petrobras transitou entre o Pravda e os relatos de Jean Manzon na revista Cruzeiro durante a ditadura militar. A estatal ado- tou um tom predominantemente ufanista, quase marcial. Com o surgimento do “petrolão”, talvez por inércia ou pela força das próprias circunstâncias, Santarosa optou por não reagir com maior veemência, seja por meio do relacionamento com a imprensa, seja por meio da propaganda institucional. Em determinado momento, a própria direção da Petrobras deveria ter sido a primeira a atentar para o desgaste da campanha “Superando desafios”. O desafio da Petrobras agora é outro: resgatar sua autoestima. Para isso, uma das premissas da comunicação institucional da companhia seria bombardear dados e indicadores que são motivo de orgulho para a Petrobras. Seria uma espécie de inventário do poder e da força da estatal, algo, inclusive, que ela já deveria ter feito, em vez de adotar uma postura quase de autoflagelo. Afinal, qual é a companhia que, apesar dos pesares, vai investir R$ 50 bilhões neste ano, é a maior produtora em águas profundas do mundo, figura entre as 12 maiores petroleiras do planeta em reservas e capacidade de produção e ostenta índice de sucesso de descoberta em mais de 40% dos poços abertos, enquanto a taxa média internacional é de 20%? Qual é a empresa que vai aumentar sua produção de 2,5 milhões de barris para quatro milhões diários nos próximos dez anos e tem cerca de 17 bilhões de barris em reservas absolutamente comprovadas? Quem? Quem? Quem?

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