16.02.17
ED. 5562

Meirelles faz das chagas do Rio seu trampolim

“O Meirelles quer pavimentar sua candidatura à presidência em cima da desgraça do Rio de Janeiro”. A frase é atribuída ao ex-senador Roberto Saturnino Braga, um especialista em falência de unidades federativas – ele mesmo quebrou a cidade do Rio. A observação se ampara na inflexibilidade do ministro nas negociações.

Meirelles quer ser o FMI dos estados. Primeiro, exigiu uma submissão inaceitável para apoiar o governo do Rio. Depois sentou em cima da Lei de Recuperação Fiscal dos Estados. O projeto (ver RR edição de 24 de janeiro) era considerado como de aprovação urgente, não só por ser um importante elemento organizador das contas nas unidades federativas, regulamentando as condições de auxílio aos estados, como também uma peça de reforço estrutural ao ajuste fiscal, agindo sobre as expectativas.

Anteontem, Meirelles sinalizou o envio do projeto até amanhã , mas com contrapartidas draconianas, que o manteriam à frente de uma negociação duríssima com o governo do Rio. Segundo a versão Saturnino, Meirelles se credita como um estadista, capaz de tomar as medidas fortes e necessárias em situação de crise. No caso do Rio, nem sequer o presidente Michel Temer lhe faz sombra. Se fosse nas décadas de 30 a 50, acabava em guerra civil.

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