25.01.18
ED. 5794

Lula avalia indicar o seu “poste” antes da prisão

“O que fazer?” A pergunta de Vladimir Ilyich Ulyanov, vulgo Lenin, popularizada em opúsculo do mesmo nome, invadiu a alta cúpula do PT logo após a condenação de Lula por unanimidade no TRF4. Segundo o RR apurou, intramuros os dirigentes do partido já dão como certa a prisão do ex-presidente a partir do fim de março, prazo em que os embargos declaratórios deverão ser apreciados pela própria Corte. Com a punição, a estratégia de esticar a candidatura até o mais perto possível do limite para homologação pelo TSE (15 de agosto) vai para o espaço.

Lula poderá passar grande parte da campanha eleitoral na cadeia. E o que fazer? Indicar o “poste” antes da prisão? Com a iminência do cárcere, a estratégia de anúncio do substituto do ex-presidente ganha o caráter de urgência urgentíssima. Pela avaliação dominante no PT, Lula precisa passear com o seu candidato pelo braço antes de ser preso. Ao mesmo tempo é preciso vitimizá-lo, a essa altura a fórmula capaz de valorizar a influência eleitoral do ex-presidente caso o seu encarceramento se confirme.

Esticar ao limite a candidatura Lula ou antecipar a escolha do nome que efetivamente estará na urna eletrônica em outubro? Eis a questão. Sob a ótica petista, o ideal é que a defesa do ex-presidente consiga postergar ao máximo sua prisão. Por mais tautológica e universal que a afirmação possa soar, neste momento a preocupação do partido é menos jurídica e mais política; menos humanística e mais pragmática. O PT precisa ganhar tempo para executar dois movimentos conjugados: vestir a camisa do novo candidato e tornar ainda mais trágico o calvário de Lula. O objetivo é extrair ao máximo sua carga simbólica e seu poder de persuasão sobre o eleitorado. Mesmo que Lula venha a ter sua prisão adiada ou mesmo não seja punido – hipóteses hoje improváveis -, o timing de transmissão da candidatura tornou-se central, dado que é certa a sua inelegibilidade e as alianças políticas dependem da definição do seu substituto.

Outra variável chave para o PT será o acompanhamento do impacto que a condenação terá sobre a popularidade de Lula, a mídia, notadamente a internacional, e o eleitorado. Um exemplo: está prevista para a próxima semana a divulgação da primeira pesquisa Datafolha após a decisão do TRF4. E se o resultado apontar para uma subida expressiva das intenções de voto no futuro presidiário? Some-se a isso o esforço de curtíssimo prazo do PT para não deixar que o ambiente de velório, necessário em um primeiro momento, contamine o estímulo à indignação, sem a qual Lula assistirá sua simbologia mofar na cadeia e seu poste cair por terra.

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