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Planos
22.09.17
ED. 5710

Meirelles já está com um pé fora da Fazenda

Henrique Meirelles está morto! Viva Henrique Meirelles! Ou vice-versa. O enigma tem prazo de validade: dia 1° de abril de 2018, data limite para que o ministro da Fazenda se desincompatibilize do cargo com o objetivo de disputar as eleições para a Presidência da República. Meirelles não solta um pio sobre o assunto. Um interlocutor bastante próximo do ministro disse ao RR que a balança estava equilibrada sobre a decisão de deixar a pasta e subir nos palanques. Por ora, Meirelles mantém um pé cá e outro acolá. Mas o risco de contaminação com o mar de lama da Lava Jato tem pesado a favor da aventura.

Na contramão, não o temor da derrota, mas o ônus de deixar ao abandono o mercado, esse senhor de todos os oceanos, e ser a peça central da desintegração de um governo do qual representa rara reserva de valor moral e tecnocrático. A economia pode reagir mal a sua saída e ele ser acusado, em sua decisão frívola, da desancoragem das expectativas. A questão é ambígua, pois a mudança de humor da economia também pode ser interpretada como um trunfo da sua importância presente e futura. Henrique Meirelles ronda os palanques não é de hoje: esteve cotado para ser o vice da chapa de Dilma Rousseff em 2010 e flertou com a ideia de disputar o governo de Goiás.

Na semana passada, Gilberto Kassab se adiantou aos fatos e “lançou” sua candidatura à Presidência pelo PSD. Meirelles agradeceu afirmando que está concentrado na sua atual missão, e abriu um sorriso metálico cheio de dentes. Em nenhum momento, disse que não será candidato. Para todos os efeitos, o suspense permanece. O RR consultou uma pequenina amostra de um segmento do eleitorado bastante afinado com o ministro da Fazenda. Fez uma sondagem com 28 empresários e perguntou se, em sua opinião, Meirelles será ou não candidato. O “não” ganhou com alguma vantagem: 71% a 29%.

Questionados sobre as chances de vitória do “guardião da economia”, 83% afirmaram que Meirelles não será eleito caso entre na disputa. Não por falta de atributos. O RR perguntou aos entrevistados quem era mais habilitado para o exercício da Presidência da República, num confronto direto entre o ministro da Fazenda e todos os principais candidatáveis citados nas pesquisas eleitoras. Meirelles venceu todos eles, com índice acima de 70% das respostas. Seus três resultados mais baixos se deram na comparação com João Doria (78%), Geraldo Alckmin (76%) e Lula (71%).

Nas comparações com Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Marina Silva e o próprio Michel Temer, Meirelles disparou na sondagem. Se Henrique Meirelles, de fato, embarcar na viagem eleitoral, é razoável que leve um bilhete de volta cuidadosamente guardado no bolso do paletó. Esta segunda perna seria um eventual retorno à cadeira de ministro da Fazenda. Ou seja: Meirelles entraria na disputa à Presidência jogando por dois resultados. Mesmo perdendo nas urnas, seu segundo turno particular seria a recondução ao posto de maestro e fiador da economia.

Não é uma hipótese improvável. Sabidamente, o titular da Fazenda tem excelente trânsito entre correntes político-partidárias distintas. Tem o handicap de ser sócio de inegável impacto eleitoral: com Lula, entregou distribuição de renda; com Temer, assegurou a queda da inflação. Leva ainda consigo a marca de recordista de tempo na cabine de comando da economia – até ontem, contabilizando-se o período na presidência do Banco Central e na cadeira de Ministro da Fazenda, somava 3.420 dias ou 82.080 horas de horas de voo.

Henrique Meirelles é um homem abastado – sua fortuna pessoal se aproxima da casa de R$ 1 bilhão – e pode tranquilamente financiar sua campanha. Enricou acima de qualquer suspeita. Se ficar parado no mesmo lugar, corre o risco de ver seus ternos de corte bem talhados respingados pelos fluidos pútridos do entorno político. Cabe monitorar os bastidores. Faltam 4.608 horas para, no mais tardar, o Brasil saber se terá mais um candidato à Presidência e um novo ministro da Fazenda

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22.09.17
ED. 5710

Doria, o síndico ausente

Aliados do prefeito João Doria tentam convencê-lo a reduzir o ritmo de viagens pelo Brasil e pelo mundo. O monitoramento das redes sociais feito pela equipe de comunicação de Doria tem mostrado que o selo de “prefeito ausente” está grudando no alcaide. A relação entre as postagens e comentários negativos e os favoráveis já está na casa de 70 a 30, respectivamente Entre os assessores de Doria, a percepção é que o seu discurso de que São Paulo precisa de um “prefeito global” não deu nem para a saída.


Por falar em João Doria, o prefeito assina hoje um decreto aparentemente prosaico, mas que já é visto dentro do próprio PSDB como uma peça no xadrez eleitoral de 2018. Doria vai transferir a responsabilidade de organizar o Carnaval de rua na cidade da Secretaria de Cultura para o vice-prefeito, Bruno Covas. Ou seja: Covas terá a fantasia e o enredo necessários para desfilar na mídia já no início do ano. Seria a avant première do futuro prefeito paulistano, caso Doria coloque o bloco na rua e saia candidato à Presidência.

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22.09.17
ED. 5710

As malas da Gol

Segundo informações da própria da Gol, a companhia projeta uma receita adicional em torno de R$ 90 milhões por ano com o despacho de bagagens dos passageiros. Pode ser pouco, pode ser muito, depende do por onde se olha. A cifra não cobre sequer 1% da dívida líquida da empresa, na casa dos R$ 10 bilhões. Em compensação daria para pagar nove vezes a contribuição ilegal de R$ 10 milhões que a Gol repassou ao PMDB, segundo a delação de um de seus próprios fundadores, Henrique Constantino.

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22.09.17
ED. 5710

Primeira safra

Para o dissabor dos usineiros puro-sangue, o etanol de milho está chegando… A norte-americana Summit Agricultural Group, que se uniu à Fiagril para instalar uma usina em Lucas do Rio Verde (MT), já iniciou estudos para abrir uma segunda planta no estado. Ao todo, vai despejar algo como R$ 1 bilhão no país para produzir cerca de 500 milhões de litros de etanol de milho. E brigar por um pedacinho do mercado com as sucroalcooleiras.

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22.09.17
ED. 5710

Jucá e suas apostas

A proposta de que os partidos políticos virem um salão de bingo para arrecadar recursos é uma pedra cantada há tempos na cartela de Romero Jucá. O senador sempre foi chegado a uma fezinha. Em 2001, como relator do projeto de lei que permitia a abertura de cassinos no Brasil, incluiu um artigo que legalizava também o jogo de bicho. A proposta ficou pelo caminho, mas o desejo de Jucá, não. Hoje, o senador é um dos maiores entusiastas do novo projeto de lei 186/2014 que autoriza o jogo no país. No que depender do empenho de Jucá, a proposta será votada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em outubro.

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22.09.17
ED. 5710

Contramão

A devolução da concessão da BR-040 tem tudo para acabar em colisão. A Invepar pede até 18 meses para entregar a licença e deixar o negócio; o governo quer que tudo esteja resolvido no primeiro semestre do ano que vem, a tempo de relicitar a concessão em 2018.

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Em suas tratativas para o acordo de delação, Antônio Palocci, o “Italiano”, está atirando pesado em Guido Mantega, o “Pós-Itália”. Parte da munição ricocheteia na Caixa, mais precisamente no FI-FGTS.

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22.09.17
ED. 5710

Pesos e medidas

Curioso: a JBS foi impedida pelo BNDES de transferir sua sede para o exterior. Por sua vez, a Braskem estuda, junto com a Petrobras, exportar o seu centro de decisões. Tudo bem… A JBS é uma coisa, e Braskem, Petrobras e BNDES são outra. Mas há algo de similar entre um caso e outro. Ou não.

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22.09.17
ED. 5710

Lipoaspiração

A Triunfo Participações vai sair bem magrinha da recuperação extrajudicial. A ideia é ficar apenas com rodovias e vender todos os demais ativos.

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22.09.17
ED. 5710

Ponto final

Procurada pelo RR, a seguinte empresa não não comentou o assunto: Triunfo Participações.

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