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Planos
09.06.16
ED. 5386

Furnas é candidata a abre-alas do programa de privatizações

  Assim como encontrou no “Ordem e Progresso” um slogan para o seu governo, o presidente interino Michel Temer acredita ter achado o emblema do seu programa de privatizações. Furnas deverá ser a escolhida para puxar a fila de estatais ofertadas à iniciativa privada. No entendimento do governo, a subsidiária da Eletrobras tem o “physique du rôle” adequado para inaugurar o processo de desmobilização de ativos da União. Se não tem o porte de uma Caixa Econômica Federal ou, quiçá, de uma Petrobras, nem de longe resvala nas arestas que praticamente inviabilizam qualquer tentativa de venda de dois colossos como estes – no caso da petroleira, então, seria um suicídio político.  Ainda que não esteja no top five das estatais, Furnas tem um notório peso no setor elétrico. Responde por um quarto do parque gerador do Sistema Eletrobras, com 10 mil MW de capacidade instalada entre 12 hidrelétricas e duas térmicas. Concentra praticamente um terço da rede de transmissão do grupo, com 23 mil quilômetros de linhas. É bem verdade que o futuro controlador terá a missão de fazer um ajuste na companhia, que vem de recorrentes prejuízos – quase R$ 500 milhões nos últimos dois anos. Em contrapartida, quem comprar a estatal carregará mais de 20% da receita total da Eletrobras, ou algo em torno de R$ 6,5 bilhões ao ano. Por essas razões, o governo interino de Michel Temer está convicto de que Furnas tem o punch necessário não apenas para simbolizar o programa de desestatização, mas, sobretudo, para afiançar ao mercado que ele não é apenas uma “promessa de campanha”.  Caberá ao secretário de investimento, Moreira Franco, a missão de clonar o programa de privatizações puro-sangue da era FHC. Aliás, vem de lá a disposição de se desfazer da joia da coroa do Sistema Eletrobras. A ideia surgiu no segundo mandato de Fernando Henrique. Muito antes de Sergio Moro ou de Rodrigo Janot, o então governador Aécio Neves também se manifestava favorável à privatização da empresa. Com modelos diferentes, a alienação de parte do capital de Furnas foi cogitada também nos governos Lula e Dilma.  Bem recentemente, o presidente de Furnas, Flávio Decat, executivo de confiança da presidente afastada Dilma Rousseff, reuniuse com representantes sindicais para apresentar uma proposta de abertura de capital da empresa. A ideia era vender até 49% da companhia. A venda do pedaço com a manutenção do controle, no entanto, não interessa a Temer e cia. O secretário de investimentos já disse em boa voz: “Vamos privatizar de verdade e não para fazer cena”.

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09.06.16
ED. 5386

BTG vira a página na BR Properties

 O BTG atravessou mais uma estação da via crucis que tem percorrido para vender ativos e recompor sua estrutura de capital. O banco desfez-se de quase toda a sua participação na BR Properties, na esteira da oferta pública realizada pelo GP – novo controlador da empresa de investimentos imobiliários. O BTG teria amealhado cerca de R$ 500 milhões com a negociação de 14% da BR Properties – em dezembro, já havia embolsado R$ 460 milhões com a venda de outro lote de ações. O banco ainda manteve uma fatia residual de 4%, mas, a partir de agora, sem qualquer participação na gestão. Será um mero espectador numa empresa que já foi sua.  Para as circunstâncias, aceitar a oferta do GP – com um ágio de mais de 37% sobre o atual valor de mercado – era o que de melhor o BTG poderia fazer com um papel que acumula queda de 20% nos últimos 12 meses e de 70% em três anos. Agora, o banco se volta para uma etapa bem mais complexa da sua peregrinação em busca de capital: a venda da sua participação na PetroAfrica, a associação com a Petrobras costurada por André Esteves que tanta controvérsia gerou. Mas essa já é outra história. A seguinte empresa não comentou o assunto: BTG.

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09.06.16
ED. 5386

Fora da pesquisa

 O ministro José Serra não engoliu a pesquisa eleitoral divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), presidida pelo peemedebista Clésio Andrade. Seu nome foi solenemente limado da sondagem, que, para efeito de candidatura tucana à Presidência, só considerou Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Por sinal, Clésio Andrade foi vice de Aécio no governo de Minas Gerais.

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09.06.16
ED. 5386

Prova final

 A temperatura no setor de educação beira os mil graus celsius. Além do múltiplo assédio sobre a Estácio, o norte-americano Apollo voltou à carga sobre o Prova final, de João Carlos Di Gênio. Recentemente, o private equity fez sua primeira aquisição no Brasil com a incorporação da Fael, rede de ensino à distância. Consultado, o Objetivo confirma que tem sido procurado por “várias instituições”.

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09.06.16
ED. 5386

Fio condutor

 Tia Eron, dona do voto decisivo que cassará ou não o mandato de Eduardo Cunha no Conselho de Ética, nega que tenha conversado com o presidente afastado da Câmara nos últimos dias. É uma meia verdade. Ela só tem ouvidos para o deputado Washington Reis (PMDB-RJ). O que dá no mesmo.

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09.06.16
ED. 5386

Ferrovia do grão

 O Planalto está particularmente empenhado em deslanchar a construção da chamada Ferrogrão. Tratase de um raro projeto de infraestrutura ferroviária que atrai o interesse de grandes grupos, notadamente tradings agrícolas, como Louis Dreyfus e Cargill .

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09.06.16
ED. 5386

Escalada

 A Queiroz Galvão pensava em vender um pedacinho da sua operação de energia. Depois, admitiu negociar uma participação majoritária. Agora, quem chegar disposto a ficar com 100% da Queiroz Galvão Energia provavelmente leva.

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09.06.16
ED. 5386

É de todo mundo

 Jorge Gerdau tem sido um interlocutor frequente de Michel Temer no empresariado. Como foi de Dilma, de Lula, de FHC…

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