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Planos
29.01.16
ED. 5298

Quem disse que Lula silenciará com a prisão?

 Os corvos mais afamados grasnam estridentes: é uma questão de dias ou semanas a prisão preventiva do ex-presidente Lula. Um tempo longo quando se pensa que ela está decretada há mil anos com base em odiosa discordância ideológica de opositores. Portanto, parece não haver novidade se ele for encarcerado no âmbito da Operação Lava-Jato. Mas há o risco e tensão de que a liturgia da degradação não ocorra em praça pacificada. Existem sérias dúvidas sobre a forma de reação de Lula e a resposta dos movimentos sociais a uma eventual conclamação do ex-presidente. Analistas refinados do cenário político consideram que não haveria por que Lula “deixar barato” um episódio que vem sendo refogado em banho-maria desde o início da Lava-Jato. A única questão rebelde em meio ao oceano de previsibilidade era sobre o timing da prisão: mais próxima ou menos próxima da eleição presidencial. Tudo indica que venceram os moderados, aqueles que previam um risco de maior comoção caso a medida fosse tomada nas cercanias de 2018. Mesmo que o assunto esteja sendo tratado como “estritamente jurídico”, valem as advertências: Lula é um ícone, está em xeque toda a sua história, a prisão será associada a um projeto de assassinato do PT.  Pelo menos potencialmente existe uma “nação petista” aguardando ansiosamente a ordem de combate e a própria presidente Dilma se verá obrigada a entrar firme na contenda. A combinação de fatores coloca a “República de Curitiba”, como são chamados os procuradores que gravitam em torno do juiz Sérgio Moro, no cume da sua responsabilidade. A prisão de Lula e os prováveis episódios de aviltamento – vazamentos seletivos, pré-julgamentos na mídia, delações premiadas, encarceramento por tempo indeterminado etc. – atingem o cerne da sucessão política. O ex-presidente Lula tinha na última pesquisa de opinião cerca de 30% dos votos certos na eleição de 2018. Que perca metade, ainda não seria pouca coisa para início de campanha. Tem a memória coletiva a seu favor. Ou não foram tempos de bem-estar para a população a chamada “era Lula”? E ainda que por uma lógica tortuosa conta com a piora do ambiente socioeconômico a seu favor. A lembrança tende a ser: “Com Lula não era assim.”  As consequências da prisão seguem longe. Vão para o mesmo saco também o governo e o mercado, cujos interesses se entrelaçam. Dilma vai dispersar, fazer mais oposição do que governar. Ela não é bem o que pode se chamar de petista, mas com Lula engaiolado a Lava-Jato chega à sua sala de estar e reaquece o caldeirão do impeachment. Resumo da ópera: projetos de concessões parados, aumento da aversão ao risco e mais recessão. E o mercado? Bem, as bolsas vão primeiro subir e depois cair, com a antevisão de que o apetite pelo crédito e o consumo cairão, que o dólar dará um salto e que mesmo com os ativos baratos os investidores externos entrarão em sobressalto com a hostilidade política e psicossocial do país. A alternativa a esse estado dos fatos é Lula assumir o silêncio dos cordeiros, o povo ignorar solenemente sua prisão e Dilma dar as costas para o ex-padrinho, desmoralizado e pestilento. Convenhamos que é difícil.

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29.01.16
ED. 5298

Chairman

  Oscar Bernardes Neto, ex-presidente da Bunge, assumiu no fim de 2015 uma vaga no conselho de administração da Votorantim e já se prepara para ser o chairman. Raul Calfat, ocupante do cargo, não está dentro do figurino de independência que os Ermírio de Moraes pretendem adotar para o grupo. O executivo é unha e carne com a família. A Votorantim não confirma a mudança. Resta saber quanto tempo Oscar Neto resistirá a se tornar um “novo Calfat”, vergado à pressão dos Ermírio de Moraes no conselho.

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29.01.16
ED. 5298

Pista molhada

 Acionistas da Unidas, à frente a Kinea, negociam a compra dos 35% da locadora pertencentes à portuguesa SAG. As tratativas dependem de acordo com bancos portugueses, entre eles o Espírito Santo. São credores da SAG e detêm ações penhoradas.

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29.01.16
ED. 5298

Vento espanhol

 Uma brisa na conta do investimento direto estrangeiro: a espanhola Gestamp planeja desembolsar R$ 1,5 bilhão na construção de mais dez parques eólicos no Brasil. Os ibéricos já investiram mais de R$ 400 milhões na instalação de cinco plantas no Rio Grande do Norte.

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 Aos poucos, o empresário Carlos Massa, vulgo Ratinho, monta a sua rede nacional no SBT. Dono da afiliada no Paraná, estaria negociando a compra da TV Alterosa (MG), do grupo Diários Associados, e da TV Difusora, do Maranhão, de Edison Lobão Filho.

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29.01.16
ED. 5298

Camarada

  A relação fraternal de David Barioni com João Doria Jr. custou uma grana alta tanto para a TAM quanto para a Gol. Enquanto Barioni presidiu as duas companhias aéreas jorrou dinheiro para o LIDE de Doria.

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29.01.16
ED. 5298

Invisível

 Cesar Mata Pires, que deixou no ano passado o ranking de bilionários da Bloomberg , tem passado mais tempo na Europa do que no Brasil. Suas aparições na sede da OAS em São Paulo se tornaram escassas. Aparece apenas nas reuniões trimestrais do conselho. E mesmo assim a jato.

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29.01.16
ED. 5298

Segunda época

 A Anima Educação – que, no ano passado, fechou a aquisição dos ativos da Whitney Brasil por R$ 1,1 bilhão e, depois, desistiu do negócio – voltou às compras. Desta vez, sem o ímpeto de outrora, que, como se viu, era de festim. O alvo são universidades de menor porte e de atuação regional.

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29.01.16
ED. 5298

Ano sabático

 O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, é só desânimo. Prevê a retomada dos leilões de blocos de exploração de petróleo e gás da ANP somente no ano que vem.

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