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Planos

Das salas de aula para os balcões de padaria, e destes para as prateleiras de biscoito e as bandejas de esfihas pode ser apenas um passo. A parceria entre Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz está somente esquentando os motores. Os dois maiores empreendedores da área de consumo do país pretendem transformar negócios e setores aparentemente prosaicos em mega operações. As palavras-chave são escala e marca. Esse é o perfil das aquisições estudadas. Quem pensou em nomes como Piraquê e Habib’s não estará de todo errado. Aliás, não estará nada errado. As duas empresas atiçam o apetite de Lemann e Abilio. São brands conhecidos – começar do zero não é do estilo nem de um nem de outro –, estão em todas as esquinas e vendem milhões e milhões de unidades. A fabricante de biscoitos fatura R$ 800 milhões por ano e está presente em mais de 60 mil pontos de venda só no estado do Rio. O Habib’s, por sua vez, reúne quase 400 restaurantes e soma uma receita de R$ 1 bilhão. As duas companhias têm ainda outro ponto em comum que as transforma em potenciais presas: não foram abduzidas pelo processo de consolidação em seus respectivos mercados. Ambas ainda estão nas mãos de seus fundadores, leia-se a família Colombo (Piraquê) e Alberto Saraiva (Habib’s). Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz são empresários da mesma espécie. Passam ao largo da área de concessões, da infraestrutura, da indústria pesada e, sobretudo, de negócios que tenham qualquer tipo de imbricamento com o setor público. Os dois nasceram também para consolidar. Assim será nos novos mercados em que ingressarão, na recém-descoberta área de panificação, com a compra da rede de padarias Benjamin Abrahão, ou no segmento de ensino. Os investimentos comuns neste setor devem ser creditados a Ana Maria Diniz, que deu os primeiros passos da associação – Lemann e seu sócio Beto Sicupira têm especial empatia pela filha de Abilio, que há anos milita na área de educação. Boa parte do ervanário está reservada exatamente para este mercado: os dois empresários pretendem avançar na compra de instituições de ensino médio e transformá-las em academias de excelência. Guardadas as devidas proporções, Abilio poderá se tornar uma espécie de Warren Buffett em versão doméstica, acompanhando Lemann em diversos negócios no país. Não poderia haver momento mais propício para o encontro entre estes dois potentados. Ambos sabem que o Brasil está barato e o que não falta na prateleira são ativos depreciados, ambiência sob medida para uma dupla tão líquida como essa – só na Península Abilio tem mais de R$ 10 bilhões. Consultada sobre novas aquisições, a Península limita-se a dizer que comprou a Benjamin Abrahão para expandir suas operações. Já a 3G, de Lemann, não se pronunciou. Lemann e Abilio enxergam também uma oportunidade de ouro para consolidar uma posição de liderança entre o empresariado nacional. A hora sorri para esta combinação entre a frieza de um e a vaidade de outro. Os investimentos da dupla seriam acompanhados de um discurso motivacional, elevado ao nível do marketing cívico corporativo. Lemann conhece bem do assunto, pois usou a receita com a Ambev. Seria uma sonora demonstração de confiança no Brasil no momento em que a maior parte dos empreendedores está reclusa. Ou seja: além do impacto econômico, tal injeção de ânimo teria também um bônus psicossocial.

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27.08.15
ED. 5194

Zero quilômetro

A Audi vai inaugurar sua fábrica no Paraná com 50% da produção já comercializados. Na atual conjuntura, é para erguer as mãos ao céu. Procurada, a empresa informou que, primeiro, atenderá ao mercado com importados em estoque, mas não entrou em detalhes sobre as vendas da fábrica.

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27.08.15
ED. 5194

Espelho meu

O discurso pacificador do presidente do Itaú, Roberto Setubal, mira no interesse da própria banca. Setubal é um grande entusiasta de que o governo encontre uma solução pactuada para o problema das empreiteiras. A inadimplência dessas empresas bate à porta.

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27.08.15
ED. 5194

Palacianas

Apesar do tenso encontro da semana passada no Palácio do Jaburu, quando o vice-presidente se alterou e chegou a bater com os punhos na mesa, Michel Temer tem mantido uma intensa interlocução com Lula. Seus assessores, inclusive, se deram ao trabalho de calcular: são três conversas em média com o ex-presidente para cada diálogo com Dilma Rousseff. *** Observação de um dos poucos ministros ainda próximos de Dilma Rousseff: “Hoje, o governador mais chegado à presidente é um tucano, Marconi Perillo. É o fim da picada e do governo”.

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27.08.15
ED. 5194

“Esmolão”

Os R$ 500 milhões em “emendas” que foram atirados ao Congresso já viraram um grafite nas paredes de Brasília: “Do mensalão ao esmolão, via petrolão: quanto vale um voto na República do PT?”

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27.08.15
ED. 5194

SC Johnson

Há um rebuliço na SC Johnson no Brasil. Além dos cortes de produção, a fabricante de produtos de limpeza vai desativar seu laboratório de pesquisas em Santa Catarina e transferir a sede administrativa do Rio de Janeiro para São Paulo. * A SC Johnson não retornou ao RR.

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27.08.15
ED. 5194

Luzes da ribalta

A sala vai ficar pequena. Deputados do PSDB que não integram a CPI dos Fundos de Pensão estão fazendo pressão para participar da sessão da próxima terça-feira, dia 1 de setembro. Para esse dia está marcado o depoimento do presidente da Petros, Henrique Jäger.

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27.08.15
ED. 5194

Skaf

Empresários sérios fizeram chegar a Joaquim Levy que Paulo Skaf não é representativo de fato da categoria. O que ele disse tanto faz.

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A BNDESPar deverá aproveitar a venda da CAB Ambiental pela Galvão Engenharia para deixar o negócio. * O BNDES não quis comentar sobre a venda.

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27.08.15
ED. 5194

Passo atrás

A cada avanço no velocímetro da inadimplência mais os franceses da Renault se perguntam se já não é tempo de reduzir a participação na financeira criada, meio a meio, com o Santander, empurrando para os espanhóis uma parcela maior do risco. * A Renault preferiu não falar sobre a possível redução de risco.

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27.08.15
ED. 5194

Fora da área

Recém-chegada ao Brasil, a Xiaomi está longe da meta de vender 100 mil smartphones por mês. A empresa informa que vendeu 10 mil aparelhos e que não divulga metas.

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