23.11.17
ED. 5751

Credores da Queiroz Galvão caminham sobre uma corda bamba

Apertar de vez o cerco à Queiroz Galvão, sob o risco de empurrá-la para um indesejável processo de recuperação judicial, ou seguir preso a uma negociação que não avança? Este é o dilema que aflige os bancos credores da companhia, entre os quais destacam-se Santander, Safra, Votorantim e Credit Suisse. Quase um ano após
a contratação da consultoria Alvarez & Marsal, o processo de repactuação da dívida do grupo pouco saiu do lugar – ao contrário do passivo, que, nesse período teria rompido a barreira dos R$ 10 bilhões.

Segundo o RR apurou, outros bancos, como o Santander, cogitam seguir os passos do Votorantim e executar na Justiça seus créditos contra a Queiroz Galvão – a instituição financeira dos Ermírio de Moraes cobra em juízo o pagamento de aproximadamente R$ 440 milhões. Trata-se, no entanto, de um movimento arriscado, que pode se transformar em um tiro no pé dos espanhóis e dos demais credores. O processo de negociação da dívida da Queiroz Galvão tornou-se uma guerra de nervos. Os acionistas da companhia jogam pôquer com os credores e usam o próprio risco de uma recuperação judicial como forma de domar os bancos.

É tudo o que eles não querem. A esta altura, os credores serão os grandes derrotados caso a Queiroz Galvão mergulhe em um processo de RJ, que congelaria o pagamento de qualquer dívida sabe-se lá por quanto tempo. A situação se agrava pelas notórias dificuldades do grupo de fazer caixa com a venda de suas operações. A construtora está fora do game: praticamente sumiu do mapa, tragada pela Lava Jato.

Nos últimos meses, a empresa tentou, em vão, negociar seu parque eólico, pendurado na Queiroz Galvão Energia, por um valor aproximado de US$ 500 milhões. O ativo mais “vendável” do grupo é a Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP). Segundo o RR apurou, Total e Statoil já demonstraram interesse pela companhia. Um fundo de private equity inglês também avalia o negócio.

O problema, o grande problema, é o preço. A família está pedindo algo em torno de R$ 4 bilhões pela QGEP, praticamente o dobro do valor de mercado (R$ 2,1 bilhões). Não há prêmio de controle ou qualquer outra variável que justifique a cifra. A QGEP já não tem mais o que sempre foi o seu melhor ativo – a participação no bloco BM-S-8, mais conhecido como Carcará – vendido neste ano para a própria Statoil. Do portfólio da empresa, apenas uma concessão já está em produção, o Campo de Manati, no litoral baiano. Todo o restante da sua carteira é composto por ativos ainda em fase de exploração ou desenvolvimento.

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