Atenção!

As notícias abaixo são de edições passadas.

Para ter acesso ao nosso conteúdo exclusivo, assine o RR.

planos
13.10.17
ED. 5724

O que haverá nos canaviais da São Fernando?

A Usina São Fernando já “moeu” os empresários Mauricio e Guilherme Bumlai – filhos de José Carlos Bumlai, o “amigo do Lula” –, afastados da companhia por decisão judicial. Mas quem corre mesmo o risco de ser triturado pela falência da empresa são seus 1,2 mil funcionários. Até o momento, a Justiça não sinalizou se haverá nova tentativa de venda da usina ainda neste ano.

Por ora, os salários dos trabalhadores estão sendo pagos graças à manutenção da produção de álcool e açúcar. No entanto, o fôlego não vai durar muito sem a receita esperada com a venda de ativos. A massa falida da São Fernando soma aproximadamente R$ 1,3 bilhão em dívidas. Nenhum candidato apresentou oferta pela usina no prazo estipulado pela Justiça, até 19 de setembro.

O valor fixado, R$ 716 milhões, levou a culpa pelo fracasso. Há quem diga, no entanto, que a variável que realmente afugenta os investidores é o risco de tropeçar em ossadas contábeis e, sobretudo, jurídicas nos canaviais da São Fernando. Para todos os efeitos, a empresa sempre pertenceu a Maurício e Guilherme Bumlai. Consta, no entanto, que o patriarca, preso na Lava Jato, tinha grande influência sobre o negócio. Para o bem e para o mal.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

03.02.17
ED. 5553

A usina sem dono e o dono sem dinheiro

A decisão da Justiça de bloquear os bens do pecuarista José Carlos Bumlai ricocheteia nos credores da Usina São Fernando. Os bancos, entre eles, BB e BNP Paribas, fornecedores e plantadores de cana tentam provar judicialmente que Bumlai é o acionista controlador da sucroalcooleira pra cobrar dele, na física, uma dívida superior a R$ 1 bilhão. A São Fernando sempre negou pertencer a Bumlai, garantindo que o controle está nas mãos de seus filhos, Mauricio e Guilherme

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

29.12.16
ED. 5527

Usina dos Bumlai corre o risco de virar bagaço

Como se já não bastassem os efeitos devastadores da Lava Jato, a família Bumlai está na iminência de sofrer um duro golpe, que praticamente seria a pá de cal sobre seus negócios agropecuários. A recente decisão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul de suspender a assembleia de credores da Usina São Fernando aumentou consideravelmente o risco de bancarrota da companhia. O fundo norte-americano Amerra Capital Management, visto como a última solução para a empresa, recuou nas negociações para a compra da usina sucroalcooleira. O motivo é a intransigência dos credores em aceitar a proposta de deságio de quase 50% do passivo da São Fernando, na casa de R$ 1,5 bilhão.

Entre os bancos, o mais agressivo é o BNP Paribas, que já entrou na Justiça com o pedido de falência da empresa. Os franceses têm o apoio de outras instituições financeiras. O próprio BNDES, que tem a receber cerca de R$ 300 milhões, já lavou as mãos em relação à companhia dos Bumlai. No caso de falência, os ativos – a usina de álcool e açúcar de Dourados (MS) e as unidades de cogeração São Fernando I e São Fernando II – seriam vendidos para o pagamento dos credores. A família ainda tenta um acordo com os bancos que permita a retomada das conversações com o Amerra, mas a tarefa é árdua.

O próprio fundo norte-americano não teria apresentado garantias firmes para o pagamento das dívidas, ainda que com expressivo desconto. Além disso, o passado dos Bumlai joga contra. E isso não se aplica apenas à Lava Jato. Os credores da São Fernando têm os dois pés atrás com os controladores da empresa. A família é acusada por agricultores da região, por exemplo, de ter provocado um incêndio criminoso em suas plantações de cana, em 2013, por falta de recursos para arcar com a moagem da matéria-prima – ver RR edição de 29 de outubro de 2015.

A proximidade com o poder fez a fortuna e a desgraça dos Bumlai, um dos mais importantes sobrenomes do agronegócio no Centro-Oeste. A agonia da Usina São Fernando – para todos os efeitos de propriedade de Guilherme e Maurício, filhos de José Carlos Bumlai – é apenas a parte mais visível da debacle dos negócios do clã. Das mais de 200 mil cabeças de gado contabilizadas há cerca de três anos, sobraram menos de duas mil, no que mal pode ser chamado de um “family office agropecuário”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

29.10.15
ED. 5237

Bumlai se veste de Nero e taca fogo por onde passa

  No sentido figurado, já se sabe que José Carlos Bumlai, o amigo de Lula, é um personagem “incendiário”. No entanto, para um grupo de produtores de cana de açúcar do Mato Grosso do Sul, o adjetivo também pode ser aplicado sem as aspas. Agricultores da região de Dourados estão se unindo para acionar o empresário na Justiça. A Usina São Fernando, controlada por Bumlai, é acusada de ter provocado deliberadamente o incêndio ocorrido em julho de 2013 que devastou mais de 22 mil hectares de plantações de cana no município, nas proximidades da BR-463 e da MS-279. A área em questão equivale a 3% de todos os canaviais do estado. A queimada é considerada a maior da história da cidade.  Agricultores da região cobram do grupo sucroalcooleiro uma indenização pelos prejuízos. Tomando-se como base a área atingida e o preço da matéria-prima à época, as perdas são calculadas em mais de R$ 50 milhões – diga-se de passagem, um copo de caldo de cana se comparadas à dívida total da São Fernando, estimada em aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Segundo proprietários de terras da região, a Usina São Fernando, à época já em crise financeira, teria ateado fogo em seus próprios canaviais por não ter recursos em caixa para moer a matéria-prima. As chamas, no entanto, alastraram-se por fazendas de terceiros. A Polícia Civil abriu um inquérito criminal para investigar o caso. As autoridades ambientais foram mais rápidas no gatilho: o Instituto de Meio Ambiente de Dourados (Imam) multou a Usina São Fernando em R$ 490 mil.  Consultada pelo RR, a São Fernando informa que desconhece qualquer pedido de indenização. A empresa diz que, segundo “informações preliminares da Polícia Ambiental”, o incêndio “teria se originado em uma trilha de motocross, o que, confirmado, isentará a usina de responsabilidade”. A São Fernando nega também que tenha recebido uma multa do Imam e diz que não reconhece o “referido instituto como órgão fiscalizador ambiental”. A companhia afirma ainda que José Carlos Bumlai não é acionista da Usina São Fernando, ao contrário do que dizem toda a mídia e empresários do setor ouvidos pelo RR. Segundo a empresa, o controle pertence aos quatro filhos de Bumlai.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.