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10.10.17
ED. 5722

Simulações

Uma nova proposta começa a ganhar forma no PT para as eleições de 2018: o ex-sindicalista Luiz Marinho sairia como candidato ao governo de São Paulo, com Fernando Haddad disputando uma cadeira no Senado. Isso, claro, se Haddad não for convocado para uma missão maior.

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29.09.17
ED. 5715

Samek eletrocutado

As investigações da Lava Jato contra Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo estão prestes a eletrocutar Jorge Samek, que comandou Itaipu nos 13 anos do governo PT.

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28.09.17
ED. 5714

Paulinho ainda tem a Força?

Paulinho da Força – um aliado, ainda que gelatinoso, do presidente Michel Temer – enfrenta o risco de uma dissidência em sua base política. Um de seus mais antigos colaboradores, o também sindicalista Miguel Torres está prestes a deixar o Solidariedade. A fissura está ligada à perda de espaço dentro do partido e da Força Sindical, no fundo uma coisa só. Bem mais importante do que a futrica partidária, é o impacto que o rompimento poderá ter no xadrez das relações partidário-sindicais. Além de vice-presidente da Força Sindical, Torres é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, historicamente um dos pilares da Central e antagonista do dueto CUT/PT.

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28.09.17
ED. 5714

“Italiano”

A expectativa no próprio PT é que Lula cancele sua participação no Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas do partido, que será realizado em Brasília nos dias 2 e 3 de outubro. A última semana foi particularmente dolorosa para o ex-presidente.

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11.09.17
ED. 5701

O eclipse de Haddad

Fernando Haddad – o plano A ou B ou, sabe-se lá, C de Lula – tem feito discretas viagens pelo país. Nos últimos dois meses, esteve em cidades de seis estados. O roteiro é quase sempre o mesmo: encontros reservados com lideranças locais do PT e entidades do terceiro setor. Tão reservados que praticamente não têm repercussão alguma.

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08.09.17
ED. 5700

Tempo de TV e fundo partidário viram “patrimônio pessoal”

A reforma política que realmente interessa aos parlamentares ganha forma no Congresso. Em conversas que atravessaram os últimos dias, o deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator do projeto, bateu o martelo com as lideranças do PMDB, PSDB, DEM sobre a inclusão da “portabilidade” no texto final. Ou seja: em caso de troca de partido, os congressistas carregarão nas costas a sua cota proporcional sobre o tempo de TV e o fundo partidário. Nos classificados do Congresso, esse casco de tartaruga vale ouro. A aresta a ser aparada agora é a linha de corte para a redivisão do fundo partidário e do tempo de TV em relação às cotas estabelecidas no início da atual legislatura. Vicente Cândido e o PT querem usar como referência a data de 10 de agosto deste ano, quando a Comissão Especial da Câmara aprovou a primeira minuta do projeto de lei da reforma política. PMDB e DEM querem empurrar essa data para abril de 2018, prazo limite para os candidatos majoritários se desincompatibilizarem de cargos públicos. Os dois partidos acreditam que estarão melhor na foto, sobretudo o DEM, que aposta no projeto político de Rodrigo Maia para atrair um número maior de parlamentares e engordar sua bancada.

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16.08.17
ED. 5684

Lula começa a esculpir a imagem do candidato

O ex-presidente Lula voltou a se aconselhar com o marqueteiro Duda Mendonça. Tudo na moita, conforme recomenda a delicada situação pública dos dois interlocutores. O telefonema curto e breve ocorreu na semana passada e envolveu um intermediário. Lula, como é do seu feitio, quis testar com Duda aquilo que já está decidido na sua mente. Sua estratégia não é informar nem convencer, os dois mantras de Duda, mas confundir.

O “Lula brigão”, pronto para o pau, vai ceder lugar a um Lula mais ausente, que dispensa o barulho da militância nessa fase, um Lula que morde e recua. O ex-presidente fez chegar ao marqueteiro que não quer agitação, pelo contrário. Quanto menos ruído ele e sua turma fizerem maior o estrondo de cada ato administrativo da situação a favor da sua candidatura. Não é mais, portanto, o “Lulinha paz e amor”, mas um Lula maduro, sofrido, que cogita voltar, mesmo com todo sacrifício, em nome de um povo subtraído dos seus direitos e cujas condições de vida pioraram muito desde sua gestão. Pelo menos é o que ele quer fazer com que os outros pensem. O teste da estratégia começa a partir de amanhã, quando o ex-presidente inicia sua caravana pelo Norte-Nordeste.

Nada de cuspir fogo nos palanques. Segundo a fonte, Duda concordou com a estratégia do “deixa o governo botar o retrato do velho outra vez”. Michel Temer é o grande eleitor de Lula. Cada movimento da sua gestão corresponde a mil comícios a favor do PT. O momento, portanto, não é de fazer marola, mas de torcer que mais e mais reformas venham à tona. Lula teria comentado:”O incrível é que o Temer e a banda dele não entendem isso”.

Na próxima audiência com o juiz Sérgio Moro, por exemplo, estará presente um Lula mais tranquilo e contido. O projeto é evitar manifestações depois do depoimento. Os excessos somente atrapalham aquele que pode correr parado. Duda teria gostado dessa estratégia de ora confirmar a candidatura, ora a deixar em dúvida, enquanto os fatos vão cevando o seu fortalecimento eleitoral.

Uma mistura de “vou, sim” com “vou ver”. Quando estiver com a candidatura consolidada, Lula decidiria à luz das circunstâncias se iria ele próprio para o certame ou indicaria o seu abençoado. Para o sim ou para o não, Duda Mendonça teria aconselhado a mesma estratégia de “ficar na sua” ao conterrâneo Jaques Wagner. Cresce o convencimento de que, se fosse hoje o dia da decisão e Lula não partisse para a disputa, o baiano, judeu, umbandista e carnavalesco teria a sua bênção para ser o candidato do PT.

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10.08.17
ED. 5680

O diário de bordo do Lula

Lula, Lula e mais Lula. O programa do PT em rede nacional, que vai ao ar no dia 12 de outubro, será um diário de bordo da viagem do ex-presidente pelo Nordeste.

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11.07.17
ED. 5658

Dilma Rousseff – 2018

O PT gaúcho já dá como certo que a ex-presidente Dilma Rousseff vai disputar a eleição para o Senado em 2018.

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12.06.17
ED. 5638

As cores e os tons dos (des) ajustes fiscais

Se o gato tirasse o óculos de sol e mirasse os resultados fiscais dos governos do PSDB, PT e PMDB, os respectivos déficits e superávits poderiam ser cinza, roxo, amarelo ou vermelho. O felino em questão é o astro do filme tcheco, de 1963, “Um dia, um gato” (“Az pprijde kocou”), de Vojtech Nasný. Ao recolher seus óculos escuros, ele identifica com cores o caráter das pessoas.

O gato olharia, então, para os números dos orçamentos fiscais dos diversos governos e todos eles se pintariam de roxo, cor dos mentirosos e hipócritas. Explica-se tanta metáfora: nos últimos anos houve apropriação e falseamento do bom e do mau comportamento da gestão das contas públicas. Os melhores números (os dos governos do PT) foram apresentados como extremamente negativos; indicadores medíocres (governo FHC), como um símbolo de equilíbrio e austeridade; e cifras tenebrosas (governo Temer), rotuladas como o esforço e a superação no ajuste fiscal. A cor desse engodo é o cinza, dos assaltantes da realidade.

Os verdadeiros resultados são contrários à percepção coletiva e ao discurso dominante. Os números da gestão FHC são positivos, mas modestos quando se leva em conta a soberba tucana: uma média de 1,76% de superávit primário em relação ao PIB nos dois mandatos. No governo FHC 1, verificou-se um déficit primário de 0,2% do PIB; e no FHC 2, o resultado fiscal foi positivo em 3,1% do PIB. Já o superávit fiscal acumulado no governos Lula 1 e Lula 2 alcança 3% do PIB (3,5% no primeiro mandato e 2,7% no segundo).

O governo Dilma 1, que foi considerado a preliminar da tragédia fiscal, realizou um superávit primário médio de 1,5% do PIB, não muito coisa abaixo dos 1,76% do PIB nos dois anos de FHC, mas bem acima do déficit de 0,2% do FHC 1. O segundo mandato da Sra. Rousseff não passou de um ano e quatro meses, mas já se desenhava em 2014 o desastre nas contas públicas, que assolaria 2015 e, vá lá, 2016 o, primeiro ano do governo Michel Temer. Vale o registro que, mesmo computando-se os seus piores resultados fiscais, o governo Dilma teve na média um superávit primário de 0,7% do PIB. Incrível!

Os cálculos feitos pelo RR tomaram como base os dados consolidados do Banco Central referentes ao setor público. A cor dos governos do PT, quando considerados como um todo, seria o amarelo, dos infiéis, pois seus dirigentes sempre deixaram que se acreditasse, com a anuência do próprio partido, que seus governos eram perdulários e despoupadores. Os governos do PT – e coloque-se Dilma na conta de Lula -, na realidade, economizaram bem mais do que os desajustes propalados. Em todos os anos dos governos Lula e no primeiro de Dilma Rousseff (à exceção de 2014), foram realizados superávits primários.

No último ano de gestão da Sra. Rousseff, o carro capotou na curva. Ele foi marcado pela paixão, cor é o vermelho sanguíneo. Paixão pelo equívoco, é bom que se ressalte. A gestão do presidente Michel Temer se inaugurou com a desqualificação da previsão de déficit do governo anterior (R$ 30 bilhões). Uma nova meta, de R$ 170 bilhões, foi anunciada. A cifra deixou folga para o cumprimento da previsão, e o governo do PMDB com alma de PSDB atingiu o déficit recorde de R$ 154 bilhões, em 2016, correspondente a 2,54% do PIB.

O número foi saudado como uma conquista. Neste ano, a meta anunciada é de R$ 139 bilhões, mas, se for computado o valor já contingenciado pelo Ministério da Fazenda, o rombo orçamentário chegará a R$ 170 bilhões, um novo recorde. Para 2018, a previsão é de um déficit de R$ 129 bilhões. Portanto, em três anos o saldo da gestão Temer será um buraco de R$ 461 bilhões (número passível de ajuste contábil). O superávit primário acumulado nos Lula 1 e Lula 2 foi de R$ 643 bilhões.; no Dilma 1, R$ 292 bilhões; os FHC 1 e FHC 2 somaram R$ 151 bilhão. Mantendo-se ou não na presidência, Michel Temer sairá imbatível do ponto de vista da desgovernança fiscal. Sua cor é o roxo.

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07.06.17
ED. 5635

“Lindinho” fora do páreo

O PT procura um nome para ser candidato ao governo do Rio em 2018. Lindbergh Farias, que perdeu a presidência do partido para a senadora Gleisi Hoffmann, já é tratado como carta fora do baralho.

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05.06.17
ED. 5633

O cofre vazio fala mais alto

A cúpula do PT tem feito duras críticas à postura do cinco governadores do partido em relação a Michel Temer, especialmente após o estouro do grampo da JBS. A avaliação é que todos se encolheram de forma excessiva, evitando declarações mais agudas contra o presidente. O comedimento é atribuído à extrema dependência dos recursos da União, a começar por Fernando Pimentel, que carrega sobre os ombros um déficit projetado para este ano superior a R$ 8 bilhões. Isso para não falar dos seus próprios enroscos com a Justiça.

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31.05.17
ED. 5630

Comportas abertas

A força tarefa de Curitiba já trata a iminente delação de João Vaccari como o elo perdido entre a Lava Jato e o setor elétrico. O ex-tesoureiro do PT teve missões de destaque no tempo em que passou pelo Conselho de Itaipu.

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23.05.17
ED. 5624

Lula vai ao ponto: “Diretas Já”, mas nem tanto

Nas coxias dos festejos de posse da nova diretoria do PT municipal de São Bernardo dos Campos, na última sexta-feira (19), o grito de “Diretas Já” soou abafado pela preocupação com as suas próprias consequências. Ao longo do fim de semana, Lula, Ruy Falcão e juristas do partido se dedicaram a decifrar as possibilidades de conflito jurisdicional entre as decisões do TSE, do STF e do Congresso Nacional nas múltiplas hipóteses de desfecho do governo Michel Temer. Falou-se mais sobre o Amazonas do que sobre a PEC do deputado Miro Teixeira propondo a escolha imediata do novo presidente pelo voto popular.

A jurisprudência reafirmada com a cassação pelo TSE da chapa do governador e vice-governador amazonenses e a determinação de que sejam realizadas eleições diretas deixa um flanco por onde passaria a escolha popular para o substituto de Temer. No cenário sobre o qual os petistas mais se debruçam, entre 6 e 8 de junho, o TSE cassaria a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, a julgar pela carrada de provas de uso ilegal de dinheiro. O presidente também pode ser apeado por processo penal, mas o prazo para que isso ocorra antes dos 14 dias que faltam para a decisão do TSE parece exíguo.

No caso de impeachment, outra hipótese deste mosaico, esse, sim, ficaria para bem depois do julgamento das contas de campanha, ainda que Rodrigo Maia aceitasse de imediato um dos pedidos de afastamento protocolados na Câmara. Uma solução menos torturante seria a renúncia, conforme preconiza a mídia mais poderosa, que levaria diretamente ao art. 51 da Constituição com o Congresso elegendo em 30 dias o futuro comandante da Nação. Para Temer, essa hipótese faria sentido se negociada no âmbito do recurso ao STF caso o TSE decida pela cassação da chapa com Dilma Rousseff.

Lula e seus acólitos avaliam o quanto de gasolina devem despejar sobre o fogo ligeiramente aceso da militância. Uma primeira questão é a garantia de que, na hipótese de diretas, o presidente eleito poderá concorrer novamente em 2018 sem empecilho de ordem legal. Caso haja a menor possibilidade de restrição, o candidato do PT seria tampão, muito provavelmente o ex-ministro Celso Amorim.

O ex-presidente seria preservado para a próxima eleição. As diretas no curto prazo livrariam Lula do impedimento da sua candidatura, com eventuais e prováveis condenações em julgamentos de primeira e segunda instância. Mesmo que a batalha de Temer com o STF durasse até dezembro, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumindo o cargo nessa situação de dupla vacância do poder, não haveria  tempo para a realização do segundo julgamento do ex-presidente.

Se ganhar a candidatura, Lula deverá acusar perdas na integridade do discurso político. Provavelmente seria levado a fazer concessões em relação a algumas das principais iniciativas do atual governo, a exemplo da PEC do Teto e as reformas da Previdência e trabalhista. Mesmo alguns lulistas de carteirinha volta e meia repetem a máxima de Leonel Brizola: “Não confie no Lula.

Ele é capaz de trair até o último momento”. No caso em questão, trair a sua própria militância. Não seria a primeira vez. Na eleição presidencial de 2010, Lula mandou às favas seu compromisso de campanha e assinou a célebre Carta ao Povo Brasileiro. Quem sabe poderia fazer novas reformas e um controle de gastos sem um teto constitucional? Trocar seis por meia dúzia? E Lula seria crível para o sistema, que o odeia mais do que nunca?

Há também uma questão de fundo: quanto mais incendiar a militância mais fortes serão as pressões para que Temer renuncie antes mesmo de qualquer decisão do TSE, atitude esta que, por sua vez, jogaria água gelada nas diretas. Por essa ótica, seria de bom senso acalmar as ruas. Ou não, se a PEC de Miro Teixeira for para valer. Segundo a fonte do RR, Lula anima mais a torcida pelas eleições imediatas do que os dirigentes do PT. De contradição em contradição, o “Diretas Já” vai se aproximando de uma palavra de ordem oca.

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22.05.17
ED. 5623

A delação de Vaccari

No PT cresce a convicção de que o ex-tesoureiro João Vaccari vai aderir à delação.

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16.05.17
ED. 5619

A missão de Temer na “Operação Troca Dono”

A operação Lava Jato e o governo de transição de Michel Temer têm objetivos complementares declarados e não declarados. O combate à corrupção e a caracterização de Lula e do PT como núcleo central da roubalheira são bandeiras explícitas do Ministério Público. No caso do governo Temer, há concordância plena com a punição dos entes privados envolvidos na Lava Jato.

O alvo não declarado, contudo, é a mudança da titularidade e da geografia no controle societário dos grandes grupos empresariais. Digamos que Lula e o PT tenham aparelhado o Estado brasileiro, com a nomeação dos cargos de primeiro, segundo, terceiro, quarto e outros escalões de estatais e do setor público. Temer, por sua vez, quer aparelhar a grande burguesia nacional. Está dito no não dito.

A inação sobre o imbróglio da leniência é eloquente. Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, AGU, TCU e MP divergem em relação ao acordo, atrasam o processo de salvação das empresas e ninguém se apresenta para arbitrar o impasse. Com isso, BNDES, Petrobras, Banco do Brasil e governos importadores de serviço matam os principais conglomerados. Michel Temer et caterva não podem vocalizar oficialmente o projeto de “mudança societária na marra”. Mas, há francos porta-vozes à disposição. Exemplo: para o tucano Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, a Odebrecht deveria ser vendida.

No caso das empresas envolvidas na Lava Jato, ele sugere um modelo similar ao Proer, em que os controladores dos bancos foram afastados. A bola da vez dessa escalada para criação de um empresariado novo, cosmopolita – e, preferencialmente, sob o mando do capital estrangeiro – é a indústria da proteína (há sites que insistem irresponsavelmente que os bancos virão a seguir). Quando se fala nesse setor, fala-se da JBS. Há uma sequência de acontecimentos que induzem a pensar que os objetivos declarados da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal e os não declarados do governo Temer se reencontram agora na cadeia da proteína e, mais especificamente, na empresa dos irmãos Batista.

Nessa linha do tempo, não obstante seu impacto nocivo sobre o setor e as contas externas brasileiras, a Carne Fraca teria sido apenas um aquecimento para a operação deflagrada na última sexta-feira, com as diligências na sede da JBS e no BNDES e os mandados de condução coercitiva contra o empresário Joesley Batista e o ex-presidente do banco, Luciano Coutinho. Grandes empresas do país podem ter cometido práticas condenáveis e devem ser punidas por elas. Isso não quer dizer que há de se concordar com um projeto de poder cujo objetivo seria deslocar o controle de algumas das maiores corporações do país que deram certo.

No caso da JBS, em 2009 a empresa empregava aproximadamente 19 mil pessoas. Cinco anos depois, esse número já beirava os 120 mil, contando apenas os postos de trabalho diretos no Brasil – hoje são 160 mil. Em 2007, as exportações da JBS somavam US$ 3,8 bilhões. No ano passado, bateram nos US$ 14 bilhões. Do ponto de vista do investimento em si, poucas vezes na história o BNDES fez um negócio tão rentável.

Se tivesse vendido sua participação na JBS quando a ação bateu nos R$ 17, em setembro do ano passado, o banco realizaria um lucro da ordem de R$ 6 bilhões – no momento do primeiro aporte da agência de fomento na empresa, em 2007, a cotação era de apenas R$ 7. O Brasil ganhou em todos os sentidos com a hegemonia no mercado mundial de proteína, o que tacanhamente é reduzido à aposta em um “cavalo vencedor”. Pode ser que haja um projeto em curso para desnacionalizar a JBS, entre outras corporações. Assim é, se lhe parece.

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10.05.17
ED. 5615

Programação-tampão

Na impossibilidade da exibição ao vivo do depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, o PT montou uma estrutura para transmitir em tempo real nas redes sociais as manifestações previstas para hoje em Curitiba.

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02.05.17
ED. 5609

A depressão de Haddad

O ex-prefeito Fernando Haddad, candidato a candidato do PT à Presidência da República, atravessa uma fase de depressão. Haddad mal tem ânimo para participar dos compromissos mais importantes da sua agenda social e política. Colabora para esse estado de coisas a preocupação com as dívidas da campanha eleitoral – as cobranças já lhe batem à porta. Ao menos há uma boa notícia: o presidente do Insper, Claudio Haddad, o convidou para ser professor da universidade. Haddad ainda não respondeu. Antes que se pense que esta é uma ação em família, apesar do sobrenome homônimo, os dois não tem laço de parentesco.

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02.05.17
ED. 5609

Uma contenda entre tucanos no saneamento

A Sabesp tornou-se epicentro de um contencioso intra-tucanos curiosamente tendo como cenário o berço do PT. O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), fez chegar ao governador Geraldo Alckmin a intenção de romper o contrato com a empresa estadual, responsável pelo serviço de saneamento no município. A Prefeitura já estaria, inclusive, estudando mecanismos legais para assumir a concessão e, posteriormente, fazer uma licitação. O município pretende ainda aplicar multas na Sabesp sob a alegação de que a companhia não tem cumprido o contrato. Para a Sabesp, o imbróglio traz um risco adicional, que vai além do perímetro de São Bernardo: o litígio pode acabar estimulando cidades vizinhas a seguir o mesmo caminho. Imaginem o impacto que teria sobre a receita da estatal, por exemplo, a criação de uma “Águas do ABC”. Procuradas, a Sabesp e a Prefeitura de São Bernardo não se pronunciaram. Desde que Orlando Morando as- sumiu a Prefeitura de São Bernardo, neste ano, a relação entre a Sabesp e o município tornou-se um rio de águas turvas. Morando cobra uma série de obras na cidade que não teriam sido cumpridas pela empresa. A companhia estadual, por sua vez, acusa a Prefeitura de não pagar o que deve e aumentar um passivo que vem das gestões anteriores. Os valores giram em torno dos R$ 100 milhões.

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20.04.17
ED. 5603

A Lava Jato aos olhos do “Príncipe”

Um uspiano da corte do “Príncipe dos Sociólogos” fez um apanhado das sacadas de FHC sobre o impacto das delações da Odebrecht na psicologia dos grãos-tucanos presidenciáveis: “O Serra, como sempre, vai ser o mais frio, mantendo-se calado e distante, no aguardo de que o desenrolar dos fatos o favoreça. O Aécio, com seu jeito brigão, mais parece um furacão que espalha areia para todos os lados e aquece os assuntos mais do que deveria. O Alckmin é o mais sereno e quem está tratando os assuntos como se deve, rebatendo as acusações com firmeza e da forma mais contida”. FHC confia que o fator tempo tornará cada vez mais viva a responsabilidade do PT sobre os escândalos denunciados. “O PT protagonizou na primeira hora a Lava Jato. Até prova em contrário, a primeira versão é aquela que deixa marcas indeléveis”.

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20.04.17
ED. 5603

Será um déjà-vu no sindicalismo do ABC?

Nasce uma flor no deserto da política brasileira. O nome da rosa é Rafael Marques. A novidade remonta aos primórdios, quando surgia uma liderança trabalhista, que também usava macacão de fábrica. Assim como Lula foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Rafael é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC paulista. As semelhanças não terminam aí. Lula sempre teve claro que a população do país era de corte conservador, que jamais seria bolchevique, conforme fantasiavam seus pares.

O avanço possível, portanto, teria de se dar através de um acordo permanentemente renovado entre o trabalho (setores menos favorecidos) e as elites; um pacto que, aliás, começou de forma indireta – pela via do controle inflacionário – no governo Fernando Henrique Cardoso, e parece ter-se esgarçado de forma definitiva no governo Temer. Rafael Marques não somente pensa igual, como é mais propositivo. Tem na ponta da língua um longo cardápio de medidas alternativas que poderiam integrar as reformas da previdência, trabalhista e tributária. Detém também o conhecimento das representações dos setores da economia e a evolução do emprego, produtividade e participação no PIB, o que lhe permite enxergar pelo alto onde estão as possibilidades de aliança e negociações.

Rafael é Lula até debaixo d’água e não vê alternativa para as esquerdas a não ser a candidatura do ex-presidente. Mas, ao mesmo tempo, defende uma renovação da política, conspurcada pela Lava Jato. Em São Bernardo, Santo André e São Caetano do Sul onde tudo começou, participantes atilados do sindicalismo profundo enxergam razoável possibilidade de um raio cair duas vezes no mesmo lugar. No próximo dia 28, Rafael terá um primeiro teste como líder trabalhista. É um dos principais organizadores da greve geral marcada para aquela data.

Para todos os efeitos, ele faz o seu dever de casa direitinho. Afirma que não disputará mais um mandato no Sindicato, do qual está à frente desde 2012, e que também não será candidato a deputado federal em 2018. Nenhuma palavra sobre o tema Presidência da República. Isso não é assunto para ele, um lulista de carteirinha, tratar em público. Quem quiser que fale. Marques tem a pinta da renovação da esquerda e parece deter o condão de reagrupar as centrais sindicais e fundir novamente o lulismo com o petismo.

Quem o diz são alguns caciques do partido, que no murmúrio das conspirações deixam entreouvir o nome do sindicalista como contendor à altura em um enfrentamento com João Doria, Jair Bolsonaro e Marina Silva. Mas e a eterna esfinge, Luiz Inácio Lula da Silva? Sua candidatura se encontra cada vez mais próxima do impedimento. No entanto, como diz o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, “castrar a potencial candidatura de Lula é café pequeno. Ele detém fabuloso e invulnerável estoque de votos plurais e o dedo que lhe falta é o da delação, não o da vitória. Para onde apontar lá terão milhões de votos”. Rafael Marques é a novidade que pode estar postada bem à frente do dedo indicador de Lula. Mas falta foco, diria o leitor. Tudo a seu tempo. Por enquanto, Lula é o único candidato do PT à presidência.

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28.03.17
ED. 5587

Crônicas das miudezas determinantes

Em algum dia em um passado não muito distante, o então Advogado Geral da União, Dias Toffoli, aguardava pachorrentamente o final uma reunião do presidente Lula para, então, despachar alguns pareceres. De repente, de dentro do gabinete presidencial surgiram a ministra Dilma Rousseff e outro ministro manda-chuva. Ao se defrontar com o chefe da AGU, a “mãe do PAC” explodiu. O diálogo foi mais ou menos o seguinte: – Ô, Toffoli, eu li o seu parecer sobre aquele assunto tal. Tem que mudar. Não foi o que pedimos. Tem que alterar.

– Ministra, eu interpreto a lei.

– Mas, está errado, tem que modificar.

– Ministra, se a Sra. quer um outro parecer peça ao presidente que me destitua.

Dilma perde o controle e empurra Toffolli com as duas mãos espalmadas contra a parede.

O advogado bate com violência, ricocheteia, se desvencilha elegantemente da ministra enraivecida e adentra a sala presidencial.

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Antes de prosseguir com o episódio, é bom situar Toffolli na História. Seu DNA petista é respeitável. Para se ter uma ideia do histórico do doutor, ele começou como consultor jurídico na Central Única dos Trabalhadores. Seguiu como assessor parlamentar na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e assessor jurídico da liderança do PT da Câmara dos Deputados. E, antes de entrar para a AGU, atuou como advogado de três campanhas presidenciais de Lula, nas eleições de 1998, 2002 e 2006. Entre 2003 e 2005, foi sub-chefe para assuntos jurídicos da Casa Civil da Presidência.

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Pois bem, Toffoli entra no gabinete da Presidência e comenta com Lula o episódio com a ministra. O presidente, com seu jeito gaiato, pergunta: “Ela reclamou de que parecer? Me dá aqui que eu assino embaixo. O resto eu vejo depois”. Risinhos.

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Pouco tempo depois, Lula estava apoquentado com a lista de candidatos à uma vaga do Supremo. Recebia pressões de todos os lados para indicação de um dos nomes, mas a insistência maior partia de José Sarney. O presidente, com seu jeito manhoso, mandou chamar o ministro Nelson Jobim para conversar sobre o assunto. Queria dividir o peso da escolha. Apresentou a lista e perguntou:”Jobim, indica um nome aí, que eu aprovo”. O ministro da Defesa pensou, pensou e disse: – Presidente, todos os nomes são bons, todos são preparados, mas o melhor nome mesmo está bem próximo do Sr., é o mais qualificado de todos e lhe acompanha há muito tempo. Dito e feito. Dias Toffolli assumiu a vaga decorrente do falecimento do juíz Carlos Alberto Menezes Direito no STF. O resto fica para uma futura crônica sobre o “mensalão”.

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07.02.17
ED. 5555

O velório e o velório de Lula

Palavras de um politólogo que já foi badalado, militou nas hostes do PT e hoje se mantém à sombra: “Foi trágico para o Lula. Primeiramente, a fatalidade com a Marisa, que o quebrou por dentro. Depois, a sucessão de operações políticas florentinas, vestidas de atos de humanidade e comportamento íntegro.

Fernando Henrique, com espetacular senso de oportunidade, antecipou-se aos demais e ofereceu o abraço irrecusável na circunstância em troca da foto de U$$ 1 milhão. Depois, a chegada da caravana Planaltina, dos inimigos figadais, que conseguiram arrancar de um homem destroçado a declaração de que quer dialogar com seus torturadores. É o Lulinha paz e amor sofrendo da síndrome de Estocolmo.

Finalmente, o tombo do político experiente, que, debruçado ao esquife da mulher, cede à tentação de um discurso político que mais produz piedade do que comoção, em um evento que decepcionou pela presença rasa não só de militantes como de pessoas comuns sensíveis e solidárias. A morte da Marisa e os episódios consequentes foram mutilações do Lula”.

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01.02.17
ED. 5551

Petista assediado

É grande o risco do PT perder uma de suas principais lideranças no Nordeste. O  governador do Ceará, Camilo Santana, vem sendo cortejado não só pelo PSB, mas até mesmo pelo PSDB. O cupido, neste caso, é o senador Tasso Jereissati.

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24.01.17
ED. 5545

Um discurso de oportunidade para o PT

A questão mais discutida pela cúpula do PT no fim de semana foi a necessidade de o partido trazer para si a bandeira da intensificação das investigações da Lava Jato, “doa a quem doer”. Pragmatismo puro! Neste momento, interessa à sigla dar corda às teorias da conspiração que cercam a morte de Teori Zavascki.

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10.01.17
ED. 5535

Cabos eleitorais

Os deputados petistas Vicente Candido (SP) e Luiz Sergio (RJ) têm trabalhado com afinco para aumentar o número de votos do partido à reeleição de Rodrigo Maia na presidência da Câmara. Maia já teria garantido o “sim” de 35 dos 57 integrantes da bancada do PT.

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09.01.17
ED. 5534

Sondagem RR: o futuro de Lula está entre a prisão e o Palácio do Planalto

Sérgio Moro será o grande árbitro das próximas eleições. É o que mostra uma sondagem realizada pelo Relatório Reservado nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador entre os dias 18 e 29 de dezembro. Para 71% dos 418 consultados, Lula será preso neste ano ou, no mais tardar, em 2018. Mas e se ele não for para a cadeia? Bem, neste caso, em vez de Curitiba, seu destino será Brasília: a maior parte acredita que Lula voltará à Presidência da República.

Entre os entrevistados, 58% afirmaram que o ex-presidente vencerá qualquer um dos seus potenciais adversários se puder disputar as eleições. Quem mais tem chance de derrotá-lo é Marina Silva, na opinião de 17%. Para 7%, Lula perderá o duelo para Aécio Neves, o mais bem colocado entre os pré-candidatos do PSDB. Geraldo Alckmin teve 5%, José Serra, 2%, e FHC foi o lanterninha entre os tucanos, com apenas 1% – resultado que tanto pode ser atribuído a uma baixa popularidade ou a uma convicção coletiva de que ele passará longe das urnas em 2018.

Acima de Alckmin, Serra e FHC, surge Jair Bolsonaro, que, na avaliação de 6% dos consultados, superaria Lula em uma hipotética corrida eleitoral. Para 3%, uma vez candidato, o ex-presidente será suplantado por Ciro Gomes. Por fim, apenas 1% crê que o atual presidente Michel Temer venceria o petista em uma eventual disputa eleitoral. Ainda assim, a percepção da maioria é de que o nome de Lula dificilmente aparecerá na urna eletrônica.

De acordo com 42% dos entrevistados, sua prisão se dará neste ano. Outros 29% acreditam que Sérgio Moro deixará a decisão para 2018. Para 5%, o pedido de detenção ficará para o ano seguinte, portanto após as eleições. No entanto, um contingente bastante expressivo (24%) respondeu que Lula não irá para a cadeia – um grupo que certamente mistura fiéis eleitores do ex-presidente com incrédulos oposicionistas.

A pergunta que não quer calar: “Lula é culpado pelos crimes que lhe são atribuídos?”. Para 51% das pessoas ouvidas pelo RR, não há dúvidas: “Sim, as provas disponíveis são definitivas”. Outros 12% comungam da tese do domínio do fato: dizem que “Sim, uma vez que o ex-presidente era responsável por tudo que se passava no governo”. Há ainda 5% dos entrevistados que consideram Lula culpado, mas aproveitam para dar um cascudo na mídia: para eles, a maior parte das acusações é amplificada pela imprensa.

No lado oposto, 21% dos consultados afirmam que o ex-presidente é inocente e vítima de um complô para evitar seu retorno ao Planalto. Outros 7% acreditam que Lula não é culpado porque, até o momento, não há provas de que ele tenha recebido propina. Por fim, 4% dos entrevistados dizem crer na inocência do petista por não haver comprovação de que ele seja o dono dos imóveis citados na Lava Jato.

O Relatório Reservado perguntou ainda como Lula será visto pela população no caso de uma prisão antes de 2018. De acordo com 43%, a detenção reforçará a imagem de “grande corrupto”. No entanto, 29% dos entrevistados acreditam que o cárcere provocará um efeito contrário e o ex-presidente passará a ser visto predominantemente como um herói.

Na avaliação de 6%, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar: o ex-operário que chegou ao Planalto perderá importância no cenário político e será esquecido aos poucos. Trata-se do mesmo percentual de pessoas para as quais Lula será considerado um preso político. Para um grupo ligeiramente menor (5%), o papel que caberá a Lula após uma eventual detenção é o de “vilão do PT e dos demais partidos de esquerda”. Outros 11%, no entanto, afirmam que, mesmo preso, o petista será um importante cabo eleitoral em 2018.

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16.12.16
ED. 5518

Vale a pena ver de novo

O PT pretende retomar a estratégia de usar a mídia internacional para desferir seus ataques ao governo de Michel Temer. A escolha de Dilma Rousseff como uma das “Mulheres do Ano” pelo Financial Times apenas reforçou no partido a convicção de que a imprensa estrangeira enxergou o golpe que a “mídia doméstica não quis ver”.

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17.11.16
ED. 5497

José Dirceu articula união das esquerdas

O ex-líder estudantil, ex-subversivo, ex-guerrilheiro, ex-stalinista, ex-ministro e atual presidiário, “comandante Zé Dirceu”, tem trocado valiosa correspondência com interlocutores escolhidos a dedo. São os pombos-correio do “Zé” junto ao que ele considera “agentes galvanizadores” da esquerda. Esses bons agitateurs, digamos assim, levariam, em uma pequena cartilha, uma proposta organizada para a esquerda pensar seus rumos, buscando por meio do debate das ideias consolidar bandeiras comuns e – quem sabe? – uma estratégia unificada de luta política. Dirceu prevê uma arrasadora hegemonia dos conservadores no mundo. Mas considera que os ciclos de ocupação do poder vão ser mais curtos, devido à velocidade de fadiga de material das políticas. No curto e médio prazos, a disputa se daria, portanto, entre direita e extrema-direita. O Brasil pode ser uma exceção, considera o ex-ministro.

 Apesar do estrago produzido nas esquerdas com o mensalão e o petrolão, a nova coalizão partidária no poder não é carismática, não é populista, não é moralmente hígida, simplificou em demasia os problemas do país e deverá encontrar um cenário de adversidades bem pior do que previa. Só lhe restaria o autoritarismo, para o qual também não existem condições concretas. Dirceu é cético em relação aos resultados efetivos de uma discussão sobre ideias ou mesmo à formação de uma frente de partidos de esquerda ou à realização de prévias independentes. Mas acredita piamente que é hora do show. A sacada seria a instituição de versão cabocla da “Internacional Socialista”, algo como o “Fórum Brasiliano da Esquerda”. A recomendação é pensar grande, pensar no Maracanã, pensar na representação de todos os partidos (PCdoB, PT, PSOL, PSTU, PCB, PDT e – por que não? – o Rede) e seus quadros e simpatizantes de maior expressão, pensar em dias de cobertura jornalística, pensar que a sinistra reunida é muito mais sedutora do que a destra, pensar em uma das poucas iniciativas que aparentam ser capazes de atrair parcela da centro-esquerda que se rebelou com a desconstrução do PT.

 Os partidos teriam mantidas suas identidades e ideias, mas seriam afinadas as bandeiras comuns, aquelas que jamais pertencerão à direita, a começar pela erradicação da pobreza e inclusão democrática das minorias. E tome de Lula, Ciro Gomes, Marina Silva, Jandira Feghali, Marcelo Freixo, João Pedro Stédile, Chico Buarque, Stepan Nercessian, Jorge Mautner, Maria da Conceição, Gregório Duvivier, Neca Setubal, Wagner Moura, Guilherme Leal, Caetano Veloso, Marieta Severo, dezenas, centenas reunidos no “frentão do bem”. Possivelmente, o megaevento teria um papel de importância na consolidação do candidato da esquerda. Seria a hora de Lula, caso não esteja preso, fazer sua autocrítica pública, e se confirmar como pule de dez da esquerda. Ou não. O show tem de continuar. O “comandante Zé” tem as motivações que estão fincadas no seu coração rubro, mas se sobrepõe o projeto de poder viver livre o restante da sua vida. Para que isso ocorra, só mesmo com um indulto presidencial. E, é claro, de um presidente de esquerda.

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14.11.16
ED. 5495

Não seria o momento de uma Constituinte Fiscal?

Não se sabe se em tom de desabafo ou propositivo, mas o ex-ministro e vice-governador Francisco Dornelles tem dito que o Brasil precisa de uma Assembleia Constituinte para repensar os critérios de transferências entre suas unidades federativas. Os estados e municípios deixaram de ser regidos pela lei, o gasto se descolou do orçamento e a gestão e o bom senso tornaram-se inimigos figadais. A Lei da Responsabilidade Fiscal é hoje um instituto jurídico completamente desmoralizado. O delito é anistiado naturalmente e não há mais culpados. Se a lei não vale, a gestão do orçamento é tão fictícia quanto as restrições ao seu descontrole. E sem um mínimo de bom senso voltamos ao velho ditado: em casa que não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão.

 O país está quebrado, e não foi só o PT e sua nova matriz econômica que estilhaçaram as finanças públicas. Piscam os motivos para a esbórnia fiscal: uma seca de cinco anos, epidemias infecciosas, queda brutal do comércio exterior, deterioração do preço das commodities, a Lava Jato e suas consequências sobre a Petrobras, o cancelamento da esmagadora maioria das obras no Brasil. Ah, e ainda um impeachment na conta. O Brasil ameaça repetir a Argentina de Raul Alfonsín, que quebrou pelas províncias, estragou pelas bordas.

 As transferências de recursos da União vão deixando de obedecer ao nexo causal. Os critérios dos Fundos de Participação dos Estados são ultrapassados pela primazia da enfermidade fiscal. No bolo final dos recursos transferidos, os requisitos constitucionais acabam sendo, na prática, um mero detalhe. O RR tem ressaltado, não é de hoje, que União, estados e municípios precisam de um regime fiscal que preveja, além do controle de gastos e da reforma da Previdência. auditorias externas, dispositivos de compliance com regras para acender a “luz vermelha” a menor ameaça de insolvência, um Conselho Fiscal de Segurança, que assumiria a gestão a partir de determinadas métricas de risco etc. Tem falado também que é necessário fazer um encontro de contas, um ajuste patrimonial, uma troca de ativos entre estados e União, com securitização de dívidas e vendas compartilhadas de empresas de unidades federativas distintas. Em linhas gerais, mais ou menos o que o governador Luiz Fernando Pezão propôs. Pezão pensou no bolso do Rio. Dornelles pensou em uma disciplina para o Brasil. Talvez a ideia da Constituinte Fiscal seja o que há de mais rápido e barato para resolver um imbróglio deste tamanho. Com certeza duraria menos do que o ajuste fiscal com 10 anos de carência proposto por Michel Temer e Henrique Meireles.

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08.11.16
ED. 5491

A estranha relação de Lula e Gilmar Mendes

 Não há vazamentos na grande imprensa nem informação sobre quem organizou o encontro e endereço onde ele teria sido realizado. O que o RR conseguiu apurar é que Lula se reuniu com o ministro Gilmar Mendes há nove dias, em São Paulo. Ambos teriam se tratado de forma absolutamente cordial. Procurado pelo RR, o ministro negou o encontro por meio de sua assessoria. O Instituto Lula, por sua vez, não quis se pronunciar. O fato é que, desta vez, os sinos não teriam dobrado para a mídia. Uma confirmação do vaticínio de Marx, profetizando que a história só se repete sobre forma de fraude. Quem não se lembra do último encontro entre ambos de que se tem notícia, no dia 26 de maio de 2012? O tête-à-tête foi articulado por Nelson Jobim a pedido de Mendes (à época, somente essa informação não foi desmentida pelos presentes). Seis horas depois da conversa, o ministro do Supremo despejou na mídia um violento ataque a Lula. Denunciou o ex-presidente por supostamente ter-lhe pressionado a atrasar o julgamento do “mensalão”. Lula foi duro no contra-ataque, colocando em dúvida o caráter do juiz, e Jobim desmentiu publicamente Mendes. Gilmar Mendes e Lula incorporaram o ódio de Feraud e d´ Hubert, os Duelistas, do romance de Joseph Conrad. Mendes tornou-se um dos cinco maiores inimigos declarados do PT, em qualquer ranking que seja feito. Em 2013, quando Dilma Rousseff diz que vai responder às manifestações com uma série de medidas, ele afirma que é puro bolivarianismo. Em 2014, segura o julgamento do financiamento de campanha (o voto ficou suspenso um ano). Ironizou Lula no episódio da condução coercitiva. E deu um beijo de morte no ex-presidente e em Dilma quando concedeu a liminar impedindo a posse de Lula na Casa Civil, com base em um grampo ilegal. A liminar somente foi levada a plenário um mês depois, quando Dilma já estava afastada. Nenhum tucano foi tão tucano.  Antes de 2012, Gilmar Mendes era Dr. Jekyl. Era um juiz discreto e garantista. Ficaram célebres seus habeas corpus por ocasião das duas prisões de Daniel Dantas. Nessa época, batia firme na espetacularização do Judiciário. Sempre criticou os excessos. Capitaneou uma súmula do STF determinando os critérios para utilização das algemas – um deles o risco comprovado de fuga. Passada a fase exemplar, Mendes entra em seu momento de inflexão. Passa a instrumentalizar a franqueza. Ridiculariza os colegas para pressioná-los. Concede liminares agressivas e exagera nos pedidos de vista. Em 2015, sabia-se todos os votos dele antecipadamente. Ganhou três pedidos de impeachment no Senado, todos derrubados por Renan Calheiros. É tido como um empresário do ensino, ou, em um eufemismo que o protege, um “cotista do IBDP”, instituição privada que atende formalmente por Instituto Brasileiro de Direito Público. Portanto, nesse dialeto particular empresário e cotista seriam diferentes. E o lucro?  Lula pode ter se encontrado com uma dessas identidades: o peessedebista, o juiz seletivo, o operador dos meios de comunicação, o pré-julgador de processos. Convém lembrar que Gilmar Mendes é o maior especialista do STF em sistemas prisionais. Quem sabe a confabulação não teria sido por aí…

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24.10.16
ED. 5481

PEC da solidão

 A PEC do senador Jorge Viana (PT-AC) que reduz o número de parlamentares no Congresso não encontra guarida nem no seu partido. Em recente reunião da bancada, Viana não conseguiu o apoio sequer de um dos outros nove senadores do PT.

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14.10.16
ED. 5475

Renda mínima

 Reanimado pela votação que teve para a Câmara dos Vereadores de São Paulo, Eduardo Suplicy já fala como candidato do PT ao Senado em 2018.

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16.09.16
ED. 5456

Lula quer apresentar Michel Temer à Lava Jato

 O PT tem duas estratégias e um posicionamento definidos para reagir à denúncia do Ministério Público Federal contra Lula. Estes pontos foram exaustivamente debatidos pela cúpula do partido ao longo da tarde de ontem, após o pronunciamento do ex-presidente. Segundo a fonte do RR, assíduo interlocutor do ex-secretário da Presidência da República Gilberto Carvalho, a postura de Lula não será a do candidato de 1989, mas de 2002. Ou seja: indignado, sim, no entanto, até segunda ordem, cordial, bem humorado e disposto ao diálogo. Já as referidas estratégias se cruzam entre si. Uma delas é evitar o confronto aberto com a Lava Jato, mas, ao mesmo tempo, desacreditá-la. Isso significa colocá-la sob suspeição, lançando sobre ela a pecha de parcial e de olhar apenas para um partido ou grupo político. A questão é a sutileza, o ponto da massa antes de tirá-la do forno, coisa em que Lula é perito.  Este movimento abrirá caminho para o complemento da tática delineada pelo PT. O partido pretende colocar foco no atual governo, adotando um discurso com o intuito de colar o Ministério Público em Michel Temer e seus colaboradores mais próximos, muitos deles já devidamente carimbados pela Lava Jato. A premissa é que o bombardeio ao atual presidente e sua távola redonda ajudaria a quebrar o protagonismo do PT e do próprio Lula na Operação. Permitiria também o take over do “Fora, Temer”, grudando o slogan das ruas às investigações do “petrolão”. Ao mesmo tempo, jogar foco sobre Temer evitaria que o ex-presidente concentrasse sua munição contra os procuradores de Curitiba. Até porque este está longe de ser o melhor Lula. Quando se dirige ao Ministério Público, ele automaticamente precisa vestir uma camisa de força e tomar todos os cuidados. Ontem, por exemplo, não fez qualquer menção nominal a Deltan Dallagnol, chefe da força tarefa e âncora do espetáculo midiático conduzido na véspera pelo Ministério Público. No PT, há a convicção de que um duelo escancarado não é o caminho mais recomendável. Seria muito desgaste para pouco resultado, tamanho o prestígio de Sergio Moro e seus cruzados junto à opinião pública. Além do mais, até no discurso oficial quem quer abafar a Lava Jato é Temer, Renan, Cunha, Aécio etc. Não Lula.  No entanto, talvez o ponto mais sensível seja como Lula deve abordar a palavra que não ousa dizer seu nome. Ontem, em 1h20 de discurso, ele não pronunciou o termo “prisão”. Contudo, quem o psicografa garante que o tema terá a sua vez e Lula, como de hábito, saberá o timing exato de colocá-lo sobre a mesa. Ao citar a questão de viva-voz, ele poderá dizer que sua detenção está decidida há décadas e décadas pelas elites. E que o que está em jogo não é o seu cárcere, mas a prisão de uma causa. Por enquanto, não há pistas sobre quem terá o mando de campo do destino de Lula: o discurso evangelizante dos rapazolas da procuradoria ou o rugido rouco das ruas. A única aposta firme é que a imolação de Lula é uma fagulha com inegável poder de combustão.

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27.07.16
ED. 5420

Conselheiro

 O ex-senador Delcídio do Amaral, que ficará de pijama na política parlamentar por onze anos devido a sua cassação, está ajudando como consultor candidatos a prefeito no Mato Grosso do Sul, principalmente do PMDB. Do PT, nenhum.

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25.07.16
ED. 5418

Pela raiz

 Como se não bastasse a derrocada de Eduardo Cunha, a prisão de Ricardo Andrade Magro tem se revelado um duro golpe para as campanhas do PMDB e do PT a prefeituras do interior do Rio. Magro tinha um papel fundamental no project finance dos dois partidos.

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 No que depender do deputado federal Reginaldo Lopes, candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte, o governador Fernando Pimentel ficará o mais longe possível da sua campanha. Lopes promete se esforçar para se desvincular do governador e, sobretudo, do rótulo de “candidato do Pimentel”.

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 O PT do Rio está virando às costas à ideia de apoiar a candidatura de Jandira Feghali (PCdoB) à Prefeitura. Culpa das gravações de Sergio Machado.

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 Em público, Fernando Haddad diz que Gabriel Chalita está mantido como candidato a vice em sua chapa; entre quatro paredes, já busca alternativa. O assunto foi tratado nos últimos dias entre o prefeito e Carlos Lupi, que acumula a presidência nacional e de São Paulo do PDT. A preocupação de Haddad é o impacto negativo da citação de Chalita na delação de Sérgio Machado. Já basta o desgaste do PT com a Lava-Jato.

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30.06.16
ED. 5401

Economia sorri sem que Temer tenha feito nada

 Provém do ex-ministro Aloizio Mercadante o alerta nada original: “É a economia estúpido!” Mercadante captou os sinais de uma melhoria que Lula, Dilma Rousseff, Rui Falcão, o PT, e, em síntese, a própria esquerda não esperavam que se manifestasse tão rapidamente. Até agosto, data provável para a votação pelo Senado do impeachment de Dilma, é bem provável que esses indicadores antecedentes se tornem bem perceptíveis. Os índices de confiança meio que abençoam o governo Temer, a despeito dele não ter feito muito mais do que atiçar o imaginário coletivo. O presidente interino e sua equipe doiram as expectativas com juras, promessas e mudanças ministeriais e em outros cargos públicos relevantes. Segundo o livro texto da economia comportamental, quando todos querem que uma coisa vire realidade, ela vira. E não interessa que seja ou não racional. “Se eu acredito, é racional, e ponto final.”  As sondagens indicam que, independentemente de ideologia, as pessoas querem que a situação melhore rapidamente. O Índice de Confiança do Consumidor da FGV em junho subiu pela segunda vez consecutiva, o que não ocorria desde 2013, quando o indicador começou a desabar. O Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo avançou em maio, após queda consecutiva desde junho do ano passado. A classe C e a Região Sul do país foram determinantes para a reversão do Economia sorri sem que Temer tenha feito nada pessimismo. Mas a classe E e as demais regiões do país também acusaram uma mudança no ânimo. O índice da Fecomercio-SP ascendeu em junho depois de 40 meses de queda. O empresariado seguiu pelo mesmo diapasão. A confiança do industrial, que foi quem mais sofreu na última década, subiu em junho, segundo a FGV, com a maior pontuação desde fevereiro de 2015. Para confirmar a tendência, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio, da Confederação Nacional do Comércio, atingiu no mês de junho seu maior nível em 11 meses.  Lula, Dilma, o PT e Cia. têm um considerável problema nesse cenário de bonança antevista. Lula apostou que Temer sangraria esfaqueado pelos mesmos problemas que tragaram Dilma para o precipício. Parece que o enredo será outro. Dilma atirou no próprio pé com a tese do plebiscito para consulta sobre eleições diretas. Uma superfria. Até seus algozes, como o presidente interino, se aproveitam da deixa para ironizar o seu projeto de testar a própria legitimidade. O PT está entre o rochedo e o mar: só pode criticar a política econômica de Temer caso se rebele contra Dilma. Afinal, a política é a mesma, só que agora está sendo aplicada. Vão sobrar o PCdoB e seus 17 filiados, em média, pelo Brasil, bradando palavras de ordem já envelhecidas e tentando tocar a militância. Convenhamos, é pouco para reverter a situação.

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30.06.16
ED. 5401

Jogo de cena

 Enigma de polichinelo: é o PT que manobra para que a votação do impeachment não se dê nos 180 dias previstos ou é a situação interina que está soltando esse balão de ensaio para atiçar sua base parlamentar? Se a decisão do Senado não for tomada no prazo constitucional, a presidente volta ao cargo e o processo do impeachment engrena uma marcha lenta. O RR aposta que não haver votação é tão provável quanto Dilma mudar seu nome para Michel.

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 Paulo Rocha está cantando de galo que vai barrar as pretensões de Jader Barbalho de ter o apoio do PT para fazer o próximo prefeito de Belém e lançar seu filho, o ministro Helder Barbalho, como candidato a governador do Pará em 2018. O senador petista diz que já tem maioria no diretório da capital paraense para barrar a aliança com Jader. A ver se é só gogó.

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22.04.16
ED. 5353

Novas alianças

 Com a decisão do PT de retirar o apoio à candidatura de Pedro Paulo para prefeito do Rio, Eduardo Paes busca novas alianças. O principal alvo é o PDT, de Carlos Lupi.

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19.04.16
ED. 5351

Lula sopra para longe a campanha do “Diretas Já”

 Diretas já ou em 2018? Esse é o dilema que está dividindo o “Estado Maior” do PT, a começar por Dilma Rousseff e Lula. Apesar do fragoroso baque político, o governo acha que ainda tem fôlego para ressurgir por outro caminho. A presidente, com o apoio do “lulista” Jaques Wagner, defende que se inicie imediatamente a campanha pela antecipação das eleições. Dilma está destroçada e já tinha ensaiado publicamente a proposta antes da votação do impeachment. Nesse caso, o pleito se realizaria em outubro, junto com as eleições municipais. Por essa visão, o ambiente altamente politizado e a expressiva posição de Lula nas pesquisas de intenção de voto favoreceriam a candidatura. Existe também a leitura de que a precipitação da campanha o blindaria contra a Lava Jato. Seria como se a prisão de Lula fosse “um golpe elevado ao quadrado”.  O ex-presidente, contudo, parece preferir o conselho de Leonel Brizola: “Mingau quente se come pelas bordas”. Lula acredita que, depois da euforia promovida pelo mercado, pela mídia e pela parcela do Congresso que cobrará de Michel Temer sua prebenda, o preço de ser o salvador da pátria vai custar caro ao atual vice-presidente. O seu cobertor ficará curto: ou deixará os empresários insatisfeitos em suas elevadas expectativas ou os trabalhadores ao relento. Agasalhar a ambos é uma missão difícil, que não se coaduna com o perfil de Temer e de seus aliados e muito menos com o seu programa de governo. Lula também acredita que o discurso do “golpe” vai render mais no longo prazo. Ele pretende retomar as viagens ao exterior, buscando criar uma consciência nessa direção, de fora para dentro do país. Toda essa coreografia, é claro, dependerá do STF ou de Sergio Moro.  Temer também pretende fazer suas surpresas. Manterá o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ainda que com nova composição, e criará um Conselho Superior da República para o qual espera contar com a participação de Fernando Henrique Cardoso. Os programas sociais de menor custo no orçamento e forte impacto inclusivo, a exemplo do Bolsa Família, Pronatec e Fies, não só serão mantidos como também reforçados. Serão a contrapartida da desindexação salarial, da reforma da Previdência e da flexibilização das relações trabalhistas. A novidade das novidades seria uma campanha de governo contra a corrupção, conclamando a todos a ficarem alertas. Com isso, a gestão Temer manteria aceso o espírito do impeachment. Seus compromissos em um futuro governo se entrelaçam desde já: fazer uma administração capaz de apagar o PT da memória e garantir que as eleições se realizem somente em 2018.

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13.04.16
ED. 5347

Primárias

 Após sua elogiada performance na defesa de Dilma Rousseff na comissão do impeachment, José Eduardo Cardozo cresceu na disputa pela candidatura do PT ao governo de São Paulo em 2018.

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 Da série “Notícias que não mudam nada”: o ex-ministro Carlos Minc, que deixou o PT, deverá anunciar nos próximos dias sua filiação ao Rede Sustentabilidade, de Marina Silva.

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  Passados os momentos de euforia, a noite do último domingo foi de preocupação para os principais líderes do PSDB. Até o início da madrugada, a cúpula do partido, notadamente Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, José Serra, Alberto Goldman e Aloisio Nunes Ferreira, manteve uma intensa linha cruzada de conference calls e trocas de mensagens, nas quais expressaram sua apreensão com o rescaldo das manifestações. Nas entrelinhas, os protestos acabaram se revelando um sinal de alerta para o PSDB. Na avaliação dos caciques do partido, ficou claro que a sigla não capitalizou a mobilização das ruas. O PT sangra abundantemente, mas os tucanos não conseguem se aproveitar dessa hemorragia.  Em diversas capitais do país, menções ao PSDB geraram vaias. A maior surpresa, contudo, foi com a “acolhida” que os dois pré-candidatos do partido à presidência tiveram na Av. Paulista. Assim que chegaram ao local, por volta das 16 horas, Geraldo Alckmin e Aécio Neves foram longamente apupados. O senador mineiro foi recebido aos gritos de “Aécio ladrão”. Alckmin, por sua vez, teve de enfrentar impropérios relacionados ao desvio de merenda nas escolas públicas e à crise no abastecimento de água no estado. Escoltados por policiais à paisana, não permaneceram mais do que 20 minutos entre os manifestantes. Foram aconselhados pelo secretário estadual de segurança, Alexandre de Moraes, a voltar para o carro. Antes, segundo o RR apurou, Moraes teria solicitado reforço policial.  Pesquisas encomendadas pelos tucanos já traziam sinais de que a epidemia anti-PT começa a contagiar o PSDB, além do próprio PMDB – a rigor, os partidos que realmente contam no jogo político. Entre os tucanos a maior dose de antipatia é dirigida a Aécio Neves, possivelmente uma reação à postura mais radical do senador mineiro. A percepção é que ele escalou em demasia a bandeira do impeachment de Dilma Rousseff, passando ao eleitor mais sensível a clara sensação de que sua única preocupação é antecipar as eleições de 2018 em nome de um projeto pessoal. Ressalte-se que o senador mineiro já vem em um processo de desgaste que se acentua com a delação premiada de Delcídio do Amaral. Os depoimentos do petista trazem Aécio para a Lava Jato.  A falta de maior apoio mesmo entre a parcela da população que defende a queda de Dilma Rousseff aumenta a preocupação dos tucanos com o day after de um eventual impeachment. A inquietação alcança também a postura da mídia diante da continuidade da Lava Jato – e ninguém duvida de que ela sobreviverá, mesmo com uma troca de governo. O PSDB não tem qualquer garantia de que os vazamentos serão contidos e muito menos de que a imprensa se manterá distante de eventuais denúncias contra o partido. Por uma curiosa atração fatal, tucanos e petistas, dois extremos que se odeiam, podem acabar irmanados na beira do precipício, mesmo que de costas um para o outro.

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 Às portas de uma ruptura no plano nacional, PT e PMDB se esforçam para seguir dançando de rosto coladinho no Rio. Eduardo Paes promete apoiar a reeleição de Lindbergh Farias ao Senado caso ele pare com o discurso separatista e mergulhe de cabeça na candidatura de Pedro Paulo à Prefeitura.

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07.03.16
ED. 5321

Munição guardada

 O presidente do PT, Rui Falcão, tem dito em circuitos fechadíssimos que a maior munição guardada no paiol do governo é uma troca ministerial: Lula na Casa Civil e Antônio Palocci de volta à Pasta da Fazenda. Como hoje não existem grandes protagonistas da política que não estejam engolfados pela maré denuncista, não há nada contra Lula e Palocci.

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03.03.16
ED. 5319

Os tucanos de hoje, de ontem, de sempre

  Ainda sobre a conveniente colaboração do PSDB com o governo Dilma Rousseff – claro que nos assuntos que lhe são convenientes – empurrada pela oposição do próprio PT (ver RR de ontem): mesmo que, por linhas tortas, a postura dos tucanos repete outros momentos históricos. Na era Vargas, por ocasião da criação da Petrobras, a UDN (agora sob o codinome do PSDB) virou às costas ao seu ideário liberal e defendeu o monopólio estatal sobre o petróleo. Depois, apoiou medidas progressistas do Executivo apenas para contrariar o PTB, que estava contra. Durante o governo de Jânio Quadros, a esquerda toda deu cobertura à reformulação da política externa enquanto o PSDB (na época, com o codinome de UDN) cortava os pulsos. Como sabemos, nos dois casos, o futuro não deu coisa boa. Não por acaso, conhecido professor, mestre da ciência política no Brasil, informa: “O que anda por aí não vai acabar bem. Surto de violência legal e cívica se aproxima, não havendo indícios de providências para evitá-lo”.

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02.03.16
ED. 5318

PT entrega Dilma de bandeja aos tucanos

 O PT está conseguindo um feito até então considerado impossível: empurrar o PSDB para o lado do governo Dilma Rousseff. Trata-se de um jogo de cartas marcadas, no qual o apoio dos tucanos deve ser entendido como um projeto de captura. Ou seja: se o governo apoiar as “boas ideias” do PSDB, contará com a sua adesão no Congresso e a sua banda de música. Ideias não faltam aos tucanos. O senador Tasso Jereissati esteve no Rio na semana passada caçando mais propostas para o take over de Dilma. A equação é simples assim: se houver impeachment ou cassação da chapa no TSE, o PSDB está pronto para se apresentar; se não houver nem uma coisa nem outra, o governo já estaria todo dominado. Ressalte-se que Aécio Neves não faz parte desta articulação. Ele seria mantido como liderança da tropa de choque do partido.   Tasso foi explícito em relação à estratégia dos tucanos: “Se Dilma optar pelas medidas corretas, nós apoiamos”. Os projetos de lei do senador José Serra caminham na mesma direção, notoriamente o fim da participação obrigatória da Petrobras nos blocos do pré-sal. É como se o PSDB fosse o partido do governo. Por essa lógica, quanto maior for a rachadura entre o PT e o Palácio do Planalto, maior a dependência da gestão de Dilma em relação ao tucanato. A mudança de posicionamento do PSDB segue um cálculo elementar: o tamanho da crise e as pernas bambas do governo abrem espaço para um jogo cooperativo que até então era radicalmente rejeitado pela oposição. O PT entra no cenário para contribuir com o imprevisto: isolar Dilma Rousseff e viabilizar que as políticas por ele condenadas venham a ser adotadas.

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29.02.16
ED. 5316

O perfume de mulher da âncora cambial

  A banda cambial proposta pela economista Monica De Bolle, musa da Casa das Garças, tocou suavemente no coração de Nelson Barbosa. Pensando como o ministro, a mudança de âncora na política de estabilização seria uma forma de o governo entregar uma redução maior das taxas de juros ao PT, saciando em parte a ânsia do partido em detonar políticas econômicas com viés conservador, e ganhando algum tempo para emplacar um pacote fiscal crível. No mais, falou em controles e bandas, a atual equipe econômica diz logo “presente”. Mas nem tudo é o que parece. No regime proposto por De Bolle, os juros permaneceriam constantes, com o novo modelo de correção cambial durando o tempo necessário para que fosse feito um ajuste fiscal à vera. A banda cambial flutuante seria quase uma licença poética. Com o arsenal de reservas em moeda estrangeira disponíveis pelo Banco Central e o poder regulatório de determinar o intervalo entre as bandas e as cotações do piso e do teto do dólar/real, o câmbio, sem as firulas do economês, voltaria a ser controlado.  O modelo remonta a um velho expediente useiro e vezeiro dos economistas tucanos: combater a inflação ancorando os preços no câmbio apreciado. Gustavo Franco usou uma variante no Plano Real, que deu certo no início, mas extrapolou depois. De Bolle certamente tem a autorização tácita da fraternidade dos economistas tucanos, que pensam e conspiram em bloco. A musa das Garças ampliou o leque em suas propostas e considerações sobre a iminência do quadro de dominância fiscal, a impotência da política monetária na presente situação, a tonicidade crescente dos juros na percepção de (in)solvência do país e até mesmo a cartada de desespero do controle de capitais. O que De Bolle não se arriscou a explicitar é que seu modelo é compatível com a queda dos salários nominais durante o processo de ancoragem cambial. Essa seria a forma de aumentar a competitividade. É um ingrediente no mínimo complexo, pois se os salários estão referenciados em reais e a moeda vai se valorizar em relação ao dólar, a relação salários em reais/quantidade em dólares aumentará.  Um economista que se situa bem nas franjas da equipe da Fazenda chegou a dizer, em tom jocoso: “Se eles estão ofertando soluções é porque já se preocupam com a persistência desse jogo não cooperativo no contexto da alternância de poder. Se eles assumirem o governo, levam um mico preto”. “Eles” são Aécio Neves, tucanato, PUC-RJ, Casa das Garças, Instituto Peterson de Economia, Armínio Fraga, Gustavo Franco, Monica de Bolle.., c’est la même chose. Esse pequeno rasgo de contribuição para o debate econômico, a despeito do juízo de valor que se faça sobre a qualidade da proposta, exala a melhor fragrância borrifada em uma disputa política contaminada por excessos.

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29.01.16
ED. 5298

Quem disse que Lula silenciará com a prisão?

 Os corvos mais afamados grasnam estridentes: é uma questão de dias ou semanas a prisão preventiva do ex-presidente Lula. Um tempo longo quando se pensa que ela está decretada há mil anos com base em odiosa discordância ideológica de opositores. Portanto, parece não haver novidade se ele for encarcerado no âmbito da Operação Lava-Jato. Mas há o risco e tensão de que a liturgia da degradação não ocorra em praça pacificada. Existem sérias dúvidas sobre a forma de reação de Lula e a resposta dos movimentos sociais a uma eventual conclamação do ex-presidente. Analistas refinados do cenário político consideram que não haveria por que Lula “deixar barato” um episódio que vem sendo refogado em banho-maria desde o início da Lava-Jato. A única questão rebelde em meio ao oceano de previsibilidade era sobre o timing da prisão: mais próxima ou menos próxima da eleição presidencial. Tudo indica que venceram os moderados, aqueles que previam um risco de maior comoção caso a medida fosse tomada nas cercanias de 2018. Mesmo que o assunto esteja sendo tratado como “estritamente jurídico”, valem as advertências: Lula é um ícone, está em xeque toda a sua história, a prisão será associada a um projeto de assassinato do PT.  Pelo menos potencialmente existe uma “nação petista” aguardando ansiosamente a ordem de combate e a própria presidente Dilma se verá obrigada a entrar firme na contenda. A combinação de fatores coloca a “República de Curitiba”, como são chamados os procuradores que gravitam em torno do juiz Sérgio Moro, no cume da sua responsabilidade. A prisão de Lula e os prováveis episódios de aviltamento – vazamentos seletivos, pré-julgamentos na mídia, delações premiadas, encarceramento por tempo indeterminado etc. – atingem o cerne da sucessão política. O ex-presidente Lula tinha na última pesquisa de opinião cerca de 30% dos votos certos na eleição de 2018. Que perca metade, ainda não seria pouca coisa para início de campanha. Tem a memória coletiva a seu favor. Ou não foram tempos de bem-estar para a população a chamada “era Lula”? E ainda que por uma lógica tortuosa conta com a piora do ambiente socioeconômico a seu favor. A lembrança tende a ser: “Com Lula não era assim.”  As consequências da prisão seguem longe. Vão para o mesmo saco também o governo e o mercado, cujos interesses se entrelaçam. Dilma vai dispersar, fazer mais oposição do que governar. Ela não é bem o que pode se chamar de petista, mas com Lula engaiolado a Lava-Jato chega à sua sala de estar e reaquece o caldeirão do impeachment. Resumo da ópera: projetos de concessões parados, aumento da aversão ao risco e mais recessão. E o mercado? Bem, as bolsas vão primeiro subir e depois cair, com a antevisão de que o apetite pelo crédito e o consumo cairão, que o dólar dará um salto e que mesmo com os ativos baratos os investidores externos entrarão em sobressalto com a hostilidade política e psicossocial do país. A alternativa a esse estado dos fatos é Lula assumir o silêncio dos cordeiros, o povo ignorar solenemente sua prisão e Dilma dar as costas para o ex-padrinho, desmoralizado e pestilento. Convenhamos que é difícil.

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28.01.16
ED. 5297

Lula romper com Dilma é uma estultice como nunca se viu

 A tese de rompimento de Lula com a presidente Dilma Rousseff tendo em vista a candidatura em 2018 é no mínimo naif. O RR conversou com um dos interlocutores mais próximos do ex-presidente – olhem para o Instituto Lula e vão encontrar a fonte sempre por lá – que disse: “Só quem não conhece o Lula não sabe que ele combina o morde e assopra.” Ele e Dilma conhecem os passos do minueto. A ideia é que Lula empurra as decisões do governo – ou atravanca – em acordo com a presidente. Lula é um campeão em alçar balões de ensaio. Quando parece que ele está contra o Planalto, é tudo acordado. A declaração de que o governo deveria dar uma “keynesianada”, abrindo os cofres para que os bancos públicos ampliassem os financiamentos para o aquecimento da economia não poderia ser dada por Dilma. Se ela falasse, sancionava. Nelson Barbosa só arranhou o assunto. Lula não. Ele podia colocar na roda – como fez – para ver o retorno dos agentes econômicos, mídia etc e tal.  A empinada do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social também foi uma dessas tricotadas. Uma das participantes do Conselhão já tinha convencido Dilma sobre a oportunidade do relançamento do CDES. Na conversa da presidente com Lula, ficou acertado que o vazamento se daria como se a ideia fosse dele. Assim foi feito. Saiu na imprensa que a sacada era de Lula e que Jaques Wagner seria o operador. Dilma estará lá hoje, toda supimpa fazendo o discurso inaugural. A fonte do RR disse que o ex-presidente ficou muito mais confortável com nomes como Jaques Wagner, Edinho Silva, Ricardo Berzoini e Nelson Barbosa ocupando os cargos principais do Planalto e Fazenda.  Mas isso em nada alterou o compromisso entre ambos de acertar, passo a passo, a articulação política. É a cláusula pétrea da relação dos dois. Segundo a fonte, “é óbvio que para Dilma é ruim o distanciamento ou a fragilidade política do seu maior esteio. Quanto a Lula, não dá nem para imaginar ele queimando caravelas e fechando portas. No que diz respeito a assuntos cabeludos, tais como o triplex de Lula ou o envolvimento de Dilma com a Lava Jato, ficamos assim combinados: nem um nem outro darão qualquer declaração que avance além da convicção de ambos em relação à lisura mútua, nada que adentre os meandros do caso. As defesas tanto de um quanto de outro serão amareladas porque fazem parte da misen-scène acertada. No mais, está compreendido que o candidato a presidente tem que criar fatos e discordar com jeitinho da titular do cargo. Lula é o candidato em 2018. Candidato dele mesmo e de Dilma. Esse chumbo trocado não dói. Somente se houver um fato excepcional, daqueles fora da curva, essa equa- ção será alterável.

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15.01.16
ED. 5288

Ganhos e perdas

 O PT conseguiu segurar o senador gaúcho Paulo Paim, que esteve com meio corpo fora do partido, mas não deverá ter a mesma sorte com Walter Pinheiro. No PSD a chegada do senador baiano já é dada como certa.

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14.01.16
ED. 5287

A caveira de burro da Casa Civil

  A Polícia Federal acredita que o “Bacalhau” é o ingrediente que falta para transformar em um sarapatel as contas de campanha do ministro Jaques Wagner. Antes de mais nada, “Bacalhau” é o apelido de Armando Tripodi, figurão do Sindicato dos Petroleiros da Bahia, e “muy amigo” de Wagner. Ele é que sustentou com maior ênfase junto a Nestor Cerveró que a grana de campanha do ministro era oriunda de propina da Petrobras. Cerveró, é claro, está entregando até a própria mãe. A PF pretende fritar o “Bacalhau” até ele virar bolinho. Por enquanto, é tudo suspeição e dedurismo. Mas, caso algo venha a ser confirmado, seria como se dois raios caíssem no mesmo lugar.  Hoje, depois do onipotente Lula, Jaques Wagner é o quadro mais importante do PT, e, certamente, depois de Dilma Rousseff, a figura mais relevante do atual governo. É como se fosse um José Dirceu mais jeitoso politicamente e temperado com dendê. Tem feito a diferença entre os seus pares no governo. Talvez haja uma maldição no gabinete da Casa Civil. Recomendase folha de arruda e banho de sal grosso, além de conduta ilibada, é claro.

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21.12.15
ED. 5273

Multifunções

 Katia Abreu não é Leila Diniz, mas, para o governo, vale por todas as mulheres do mundo. Além de cuidar da Agricultura, defender Dilma Rousseff com unhas e dentes e arremessar taça de vinho em tucano, ainda encontra tempo para remendar a aliança entre o PMDB e o PT em sua terra natal. Katia tem se empenhado em costurar acordos em cidades do interior do Tocantins para as eleições do ano que vem.

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11.12.15
ED. 5267

Menos um elo

 A prisão de Delcídio do Amaral era a peça que faltava para o rompimento entre o PT e o PMDB no Mato Grosso do Sul. O governador do estado, o tucano Reinaldo Azambuja, já costura com os peemedebistas uma aliança para disputar a Prefeitura de Campo Grande no ano que vem. Disputar é força de expressão. Com Delcídio e o PT fora de cena, praticamente não haverá adversários.

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02.12.15
ED. 5260

Vácuo de poder

 Lindbergh Faria vem tentando se aproveitar do escândalo Pedro Paulo e do esfarelamento das relações entre o PMDB e o PT para ressuscitar sua candidatura à Prefeitura do Rio.

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10.09.15
ED. 5203

Dilma Roussef tira dos ricos para iludir os pobres

 O ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, tem insistido na mesma ladainha junto a Dilma Rousseff. Rossetto, ilustre representante da diminuta falange trotskista no Brasil, acha que Dilma deve “meter o sarrafo nos ricos” e não ficar somente no blá-blá-blá de palanque. Tem de afinar o discurso com a política econômica, ou seja, fazer um ajuste fiscal progressista e viabilizar Joaquim Levy como uma espécie de Robin Hood tributário. O alerta diz respeito ao impacto perverso da política de cortes junto aos segmentos socialmente menos favorecidos e, principalmente, ao fato de que o câmbio depreciado e os juros em Júpiter tiram dos pobres e beneficiam os ricos.  A medição da concentração de renda neste último período do governo de Dilma deve apavorar mais o ex-presidente Lula do que o propalado risco de encarceramento. Enquanto os ricos enriquecem velozmente, os mais pobres estão tendo de lidar com uma taxa de desemprego crescente, redução dos programas sociais, diminuição da parcela de crescimento real do salário mínimo e um tiro no tórax do seguro desemprego. O Bolsa Família será mantido no mesmo valor, o que quer dizer que não será corrigido pela inflação da gestão Dilma, a mais alta dos governos do PT.  De Paris, em um quartier longe da Bastilha, Levy ecoou os ditos do Planalto. Pode ser pura coincidência, mas o anúncio dos estudos para a criação de impostos sobre fortunas e sobre rendas mais altas da pessoa física indica que a cacofonia da política e a regência da economia estão próximos de falar a mesma língua. O arsenal contra os ricos inclui ainda o imposto sobre heranças e doações, que já esteve na bica de ser criado algumas vezes.  Todos estes gravames não carregariam apêndices com vinculações a novos gastos, ao inverso da CPMF, com o financiamento às despesas com a saúde. São tributos que têm o mérito de perseguir a justiça social, mas com pouca capacidade arrecadatória. Entretanto, funcionam à perfeição como lubrificante da oratória do governo. Com essa miríade de impostos, o Planalto poderia responder à onda de reclamação de parlamentares de esquerda, sindicalistas e do seu próprio partido e, ao mesmo tempo, usar os tributos como manobra compensatória para deslizar a Cide e um cada vez mais provável imposto transitório, de nome desconhecido. Estes dois últimos impostos, ao contrário dos que mordem os mais ricos, são os efetivamente arrecadatórios. Resta passá-los pelo Congresso. Talvez tivesse sido mais simples ter batido na mesa para aprovar a CPMF.

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22.07.15
ED. 5168

Coalizão

Está todo mundo querendo tirar uma casquinha do definhamento do PT. O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, articula sua candidatura ao governo de São Paulo, encabeçando uma aliança entre o seu PSD e o PT, com as bênçãos do próprio Lula.

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17.06.15
ED. 5143

Deserção

Depois de Marta Suplicy, o PT trata também o senador baiano Walter Pinheiro como caso perdido. A ausência no congresso do partido, no último fim de semana, apenas confirmou que sua saída está madurinha, madurinha.

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 O pontificado de Jorge Samek está chegando ao fim. Após 12 anos no cargo, o mais longevo diretor-geral da história de Itaipu Binacional vai deixar a empresa até agosto. Segundo fonte do Palácio do Planalto, sua saída já teria sido acertada com a própria presidente Dilma Rousseff. Nomeado para o comando da hidrelétrica no primeiro mandato de Lula, Samek notabilizou-se como um dos mais influentes conselheiros de Dilma para o setor elétrico, desde os tempos em que ela ocupava o Ministério de Minas e Energia. Nos últimos meses, no entanto, a relação perdeu voltagem. Samek já não desfruta de tanto prestígio. No início do ano, o expresidente Lula chegou a trabalhar pela sua indicação para a Pasta de Minas e Energia, mas Dilma rechaçou a indicação. Quadro histórico do PT paranaense, Jorge Samek talvez tenha apenas cometido o pecadilho de estar no lugar errado na hora errada, mas o fato é que o seu esvaziamento coincide com a Lava Jato. Para todos os efeitos, ele segue imune ao petrolão: seu nome não aparece em qualquer depoimento. No entanto, uma a uma, todas as cartas mais altas ao seu redor têm caído sobre a mesa. O ex-deputado André Vargas e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, estão presos. Já a senadora Gleisi Hoffmann e seu marido, Paulo Bernardo, são citados nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef. Ou seja: o PT do Paraná é uma lâmpada incandescente do qual Dilma pretende manter prudente distância. Isso vale para Samek. Caso se confirme a sua saída, a última impressão que ficará da longa gestão de Jorge Samek é um ajuste a  la Joaquim Levy. Nos últimos três anos, Samek tem feito uma série de cortes na companhia. O número de funcionários caiu 15%, índice que só não foi maior devido a  resistência do governo paraguaio, sócio e cogestor da companhia, em acompanhar o congelamento de postos de trabalho feito do lado de cá da fronteira. Hoje, a porção brasileira tem 1.390 trabalhadores, contra 1.783 no país vizinho. No ano passado, as despesas operacionais caíram 10%. Se estivesse numa empresa de Jorge Paulo Lemann, a navalhada valeria a Samek um polpudo bônus de fim de ano, fora os tapinhas nas costas. Numa estatal, no entanto, tais números cobram um certo preço – mesmo em época de constrição orçamentária. A gestão contracionista dos últimos anos, potencializada pela inevitável fadiga de relacionamento após tantos anos no mesmo cargo, acentuou o desgaste de Samek dentro de Itaipu Binacional, criando um cenário mais desfavorável a  sua permanência no cargo.

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22.05.15
ED. 5126

Um Dnit é pouco, dois é bom e três é demais!

PT, PMDB e PR, que se engalfinham pelo comando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), estão fazendo muito barulho por nada. No que depender do Planalto, vai ter Dnit para quase todo mundo. A presidente Dilma Rousseff ressuscitou a ideia de um spinoff da autarquia, com a divisão por modais de transporte. A ideia é criar ainda neste ano um Departamento Federal de Rodovias, outro de Ferrovias e um terceiro de Hidrovias. O argumento é que a secessão permitirá uma melhor alocação dos recursos e um acompanhamento mais eficiente dos projetos nos diferentes segmentos, notadamente das novas concessões que o governo pretende ofertar neste ano. De quebra, a medida abriria novas vagas para a sequiosa base aliada. No momento, há uma intensa disputa política pela diretoria geral do Dnit, ocupada interinamente por Valter Casimiro Silveira. Num raro momento de convergência, o PT e o PMDB, ou mais precisamente Renan Calheiros, trabalham pelo nome do exsenador Gim Argello, do PTB. Por sua vez, o PR – que já levou o Ministério dos Transportes, entregue a Antonio Carlos Rodrigues – exige a porteira fechada. O partido defende a nomeação de Handerson Ribeiro para a direção geral do Dnit.

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08.04.15
ED. 5096

Semente da discórdia germina na Embrapa

Mais uma da série “Com uma coalizão como essa, quem precisa de oposição?” No momento em que a relação entre os dois grandes partidos da base aliada vive seu período de maior tensão, a peemedebista Katia Abreu decidiu cutucar uma colmeia de abelhas africanas. A ministra da Agricultura articula um troca-troca na diretoria da Embrapa que poderá reduzir consideravelmente o poder de influência do PT sobre a estatal. Os dois principais alvos são a diretora de Administração e Finanças, Vania Beatriz Castiglioni, e o diretor de Transferência e Tecnologia, Waldyr Stumpf Junior. Procurada, a Embrapa disse “desconhecer as informações” e garantiu que os dois executivos “estão trabalhando normalmente”. O fato é que Katia Abreu mira exatamente nos dois dirigentes da estatal com raízes fincadas no PT. Stumpf foi indicado por parlamentares do partido no Sul do país, notadamente o deputado federal gaúcho Ronaldo Zulke. Já Vania Beatriz chegou a  diretoria da Embrapa graças a um sopro do PT do Paraná, mais precisamente de Londrina, cujo maior expoente é o ex-deputado federal André Vargas, cassado no fim de 2014.

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08.04.15
ED. 5096

Para quê?

Na falta do que fazer, Eduardo Suplicy ainda tenta demover Marta Suplicy da ideia de deixar o PT. Como qualquer pedido de ex-marido, deve entrar por um ouvido e sair pelo outro.

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 José Sarney, que deverá perder a primazia sobre o Ministério de Minas e Energia com a saída de Edison Lobão, se movimenta, ao menos, para manter um pé em Furnas. O senador trabalha com afinco pela continuidade de Flávio Decat no comando da estatal. **** A denúncia do suposto envolvimento de Humberto Grault, ex-gerente de Novos Negócios da Petros, com o doleiro Alberto Yousseff dinamitou a articulação do PT para que o executivo assumisse uma diretoria na fundação. Grault, ressalte- se, já rechaçou ter qualquer relação com Yousseff.

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01.12.14
ED. 5012

Pé no freio

 A denúncia do suposto envolvimento de Humberto Grault, ex-gerente de Novos Negócios da Petros, com o doleiro Alberto Yousseff dinamitou a articulação do PT para que o executivo assumisse uma diretoria na fundação. Grault, ressalte- se, já rechaçou ter qualquer relação com Yousseff.

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06.05.14
ED. 4864

Aécio descobre seu pré-sal eleitoral

A exploração política da Petrobras promete ir muito além do pré-sal eleitoral. O candidato Aécio Neves pretende colocar no seu balaio de campanha a promessa de gestão autônoma da estatal. A proposta da “Petrobras independente” será embalada e vendida como a cura para todos os males que assolam a companhia. A medida, portanto, seria um elixir contra o “aparelhamento partidário”, as “interferências políticas”, “os desmandos administrativos”, a “corrupção generalizada” e todas as demais manchas que a oposição, da noite para o dia, passou a enxergar na pele da estatal. Ao lado da bandeira da autonomia administrativa da Petrobras, Aécio Neves vai lançar outra promessa de campanha: a fixação de regras para a correção periódica dos preços dos combustíveis. Exequível ou não – e quem se importa com isso? -, a proposta permitirá a Aécio levantar a bola para si próprio. O candidato do PSDB pretende bater forte na defasagem dos preços dos derivados de petróleo e seu impacto sobre a estatal, apontando para fatos que atestariam os danos causados pelo governo do PT. Um deles seria a desvalorização das ações, que custou a  petroleira a queda do 12º posto para o 120º lugar no ranking das maiores empresas dos países emergentes. A natureza não foi tão perfeita assim com tucanos e congêneres. O mal das aves é que as penas ficam expostas. Ciente dos próximos passos de Aécio Neves, o governo já prepara uma contraofensiva. A intenção do PT é mostrar que por trás das propostas de Aécio esconde-se uma privatização disfarçada da Petrobras, que traria a reboque todos os procedimentos e práticas que durante a gestão de FHC receberam a alcunha de “privataria”. Em tempo: são os peixes e não os pássaros que morrem pela boca, mas ontem, em São Paulo, o candidato tucano talvez tenha falado mais do que deveria. Ao soltar o comentário “Meu Deus, quem disse que nós vamos privatizar a Petrobras? Nós vamos é reestatizá-la”, mais pareceu um menino preocupado em mostrar que não estava com a mão amarela.

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