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11.10.17
ED. 5723

Crônica da elite minúscula e ausente

Deu nas mídias, em pesquisa divulgada pela Oxfam, que 50% da riqueza da população brasileira são concentrados por seis brasileiros. Chama mais a atenção o envolvimento raso e fugaz dos biliardários com o Brasil. Os magnatas e suas respectivas empresas atendem por Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermírio Pereira de Moraes (Votorantim).

O que une quase todos os biliardários é o desconforto com o Brasil. Em vários casos em sua origem, amadurecimento e ápice da acumulação o país foi plataforma ou rito de passagem. Melhor sem o epíteto nacional, diriam, pelo menos cinco deles. O mais emblemático, Jorge Paulo, é cidadão suíço, mora no exterior, seus negócios foram conduzidos para uma migração global, e certamente mais transferem divisas do que as remetem na mão inversa.

No momento se dedica a uma escola para superdotados, no Brasil. Pode ser seu reencontro com a função social, ainda que em benefício de poucos. A ver se não será uma cervejaria do ensino com capital aberto em bolsa. Os demais “AB Inbevnianos”, Marcel e Carlos Alberto, não enxergam além do perímetro que seu chefe alcança. Torcem para o Brasil como vaca leiteira, aliás, cervejeira. O banqueiro Joseph vem de uma família de linhagem no setor financeiro. Foram financiadores do mercado da seda há aproximadamente 200 anos. Uma parte da família, a menos próspera, veio para cá.

O manda-chuva, Edmond, foi tratar dos negócios pelo mundo. Morreu tragicamente em um incêndio em Monte Carlo. As joias dos Safras são bancos espalhados pelos Estados Unidos, Suíça e Mônaco. São cosmopolitas e estão de passagem onde quer que estejam. Não se sentem muito bem nessa terra. Saverin, por sua vez, é um ilustre desconhecido da torcida brasileira, até porque nunca esteve presente por estas bandas. Tornou-se biliardário ajudando no funding de Mark Zuckerberg, nos primórdios da criação do Facebook; brigou com o parceiro; ganhou uma bolada e foi viver em Cingapura. Exceção à regra é Ermírio.

Todos os donos do Votorantim podem ostentar as três estrelas de empresários nacionais. Nunca fugiram da raia, o capital é originado aqui, o ativo físico se encontra aqui e o lucro é reinvestido aqui. O máximo que se pode dizer é que sugaram em demasia as divinas tetas do Estado. Mas quem não o fez? A pesquisa da Oxfam inclui, correndo fora do páreo, em sétimo lugar na constelação dos endinheirados, o empresário João Roberto Marinho. O dono da Globo, junto com seus irmãos Roberto Irineu e José Roberto, milita em uma faixa de risco, dividida entre entreter a malta e cimentar uma ideologia. Deve ser difícil ser João Roberto Marinho. Mas, pelo menos, não foi morar em Mônaco e bate ponto no Rio de Janeiro todos os dias.

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