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30.09.14
ED. 4968

Bionovis renega seus próprios princípios ativos

 Nem superlaboratório e muito menos nacional. Os dois princípios ativos da Bionovis, empresa de biotecnologia gerada nos tubos de ensaio do BNDES, estão se dispersando. Dois anos e meio após sua criação, a companhia controlada pelo quarteto Hypermarcas, EMS, Aché e União Química está longe de uma performance que justifique o prefixo “super”. Os testes e estudos clínicos de seus dois primeiros medicamentos, o Etanercept e o Rituxamabe, estão atrasados. O mesmo se aplica a  construção do laboratório de pesquisa e desenvolvimento e da primeira fábrica. Somente em julho deste ano, o Bionovis anunciou o local dos dois empreendimentos, que ficarão no Rio Janeiro. Pôs na prateleira duas embalagens com data de validade vencida: pelo cronograma original, esta definição deveria ter ocorrido até o fim de 2012. Diante das circunstâncias, os acionistas da companhia já não fazem qualquer questão de que a farmacêutica mantenha o selo “100% nacional”. Hypermarcas, EMS, Aché e União Química entendem que a entrada de um sócio estrangeiro é fundamental para capitalizar a empresa, agregar tecnologia e acelerar o desenvolvimento de produtos. Neste caso, todas as bulas apontam para um remédio praticamente caseiro: a Merck. Oficialmente, a Bionovis nega a operação. Mas não custa lembrar que os dois laboratórios já mantêm uma parceria voltada a  produção e comercialização de medicamentos biológicos para câncer, esclerose múltipla e artrite reumatoide. Mais do que o aporte necessário para a construção da fábrica, a associação com o Merck permitiria ao Bionovis um salto na área de pesquisa e desenvolvimento. Certamente, Hypermarcas, EMS, Aché e União Química já estão tratando de buscar as bênçãos do BNDES para a operação, se é que já não o fizeram. Embora não tenha ficado com uma participação direta no capital, o banco está indissociavelmente ligado ao Bionovis. Além de “pai da criança”, é potencial financiador dos projetos da empresa, a começar pela construção da fábrica no Rio, orçada em R$ 250 milhões. A área técnica do BNDES está dividida diante da proposta de entrada de um forasteiro na Bionovis. Natural, uma vez que a presença de um sócio estrangeiro contraria a premissa do controle nacional, que pautou a criação da empresa. Ainda assim, segundo o RR apurou, dentro do banco a corrente pró-associação com a Merck leva ligeira vantagem. Os sócios da Bionovis agradecem. O temor do quarteto é que a empresa repita a saga do outro “superlaboratório” criado sob os auspícios do BNDES, o Oyrgin. Dos quatro sócios originais, apenas dois permanecem no projeto: Biolab e Eurofarma.

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