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01.08.16
ED. 5423

Petrobras faz pré-venda na área de fertilizantes.

 Entre os pedregulhos deixados pelas gestões de Graça Foster e Aldemir Bendine, Pedro Parente foi garimpar um projeto abandonado que poderá render algumas centenas de milhões para o caixa da Petrobras . Segundo o RR apurou, três grandes grupos internacionais já demonstraram interesse em comprar uma participação ou mesmo o controle da futura unidade de fertilizantes nitrogenados da estatal em Três Lagoas (MS): a russa EuroChem, a chinesa CMOC e a norte-americana Mosaic. Estimativas preliminares da Petrobras indicam que a venda poderá gerar até R$ 1,5 bilhão. É mais do que o dobro do investimento necessário para a conclusão do projeto, em torno de R$ 700 milhões. As obras estão paradas desde 2014. Consultada, a Petrobras confirmou que “procura soluções para viabilizar a retomada das obras que passarão necessariamente pelo programa de parcerias e desinvestimento já em curso”.  O reinício das obras se deve única e exclusivamente à alta probabilidade de venda do ativo e ao avanço das conversações. Na própria Petrobras, a EuroChem e a CMOC são vistas como as mais fortes candidatas, por estarem montando um colar de fábricas no Brasil. Há um mês, os russos fecharam a compra da Fertilizantes Tocantins. Os chineses, por sua vez, ficaram com os negócios de fosfato e nióbio da Anglo American no país.

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21.07.16
ED. 5416

Parente e Petrobras são opostos que se atraem

 A Petrobras, sempre tão arredia a “estrangeiros”, está encantada com Pedro Parente. O RR apurou que, aos olhos dos empregados da estatal, ele alia o melhor de Graça Foster com o pouco que Aldemir Bendine tinha de bom. O idílio começou com a franqueza no discurso de posse. Em uma fala dura, Parente fez questão de detalhar as dificuldades da companhia e os “dolorosos desafios” que viriam pela frente. Em contraponto à aspereza da chegada, iniciou uma série de visitas às unidades operacionais. Foi a todos os edifícios da estatal no Centro do Rio e dedicou as suas quintas-feiras a conhecer instalações da Petrobras em todo o país. Suas apresentações seguem um rito quase religioso: ao fim, Parente abre o microfone para perguntas dos funcionários, feitas praticamente face a face. O executivo não se esquiva de qualquer questão. Responde até mesmo temas mais espinhosos, como benefícios trabalhistas, desinvestimentos e venda de ativos.  A comunicação interna está tão afiada que é comum encontrar comentá- rios de Pedro Parente nas notícias veiculadas no portal na intranet da companhia. O presidente da Petrobras também tem chamado a atenção pela forma como lida com rumores, burburinhos e mesmo intrigas contra ele. Assim que um assunto ganha corpo, imediatamente ele dispara um e-mail interno com uma mensagem de esclarecimento, sempre de forma clara e direta. Em um dos casos recentes, chegou a fazer menção a uma fala de Paulo Roberto Costa em sua delação premiada. Assina todos os emails como Pedro. O executivo não gosta de ser chamado de “presidente”, o que causa um enorme estranhamento entre os funcionários da estatal, historicamente condicionados a usar tal tratamento.  Desde que assumiu, o novo nº 1 da Petrobras não deu folga a diretores e gerentes executivos. A mão que bate é a que afaga. Exigiu que fosse revisado todo o plano estratégico da Petrobras, mas postergou o prazo de entrega, deixando claro que os funcioná- rios teriam tempo para “fazer um trabalho bem feito”. Para dar suporte ao redesenho do planejamento, contratou diversas empresas de consultoria. Além disso, orientou sua diretoria a organizar workshops de dois dias, sempre às sextas e aos sábados, com o objetivo de unir o alto escalão da Petrobras. No quesito “horas trabalhadas”, a comparação entre Parente e o antecessor é até covardia. Maldosamente, Aldemir Bendine foi apelidado pelos próprios funcionários de “presidente TQQ”, devido à sua agenda “parlamentar”: normalmente, só ficava na sede da estatal às terças, quartas e quintas. Do bom corporativismo de Graça Foster, Parente manteve o contato permanente com o “chão de fábrica”. Em sua gestão, Graça criou o programa “Fale com a presidente”, em que respondia mensalmente a perguntas dos funcionários. Instituiu também um café da manhã com os empregados: a cada vez, 20 trabalhadores eram sorteados para se juntar a ela no edifício sede e conversar por cerca de duas horas. No entanto, com o tempo, as estratégias de Graça para afagar os seus não resistiram ao lado ríspido, quando não grosseiro, da executiva, que não perdoava ninguém, do mais simples funcionário ao diretor. Esse risco, ao que tudo indica, não existe com Pedro Parente.

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22.01.16
ED. 5293

Mais um processo na conta de Cerveró

 Demorou, mas Nestor Cerveró também entrou na linha de tiro do Dodge & Cox, um dos minoritários da Petrobras que tem adotado uma postura mais agressiva contra a empresa na Justiça dos Estados Unidos. O fundo norte-americano, que já processa a estatal, os ex-presidentes José Sergio Gabrielli e Maria das Graças Foster e cinco antigos diretores da companhia, prepara-se para entrar com uma ação contra Cerveró, responsabilizando-o especificamente pelos prejuízos decorrentes da compra de Pasadena. Ele era o diretor internacional da Petrobras quando a empresa fechou a malfadada operação. A Petrobras não comentou o assunto.

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 Para início de conversa, Aldemir Bendine não veio para ficar. O ex-presidente do BB assume o comando da Petrobras em caráter provisório. Dilma Rousseff estava dividida entre ele e Luciano Coutinho para ocupar temporariamente a direção da estatal. No fim, escolheu o primeiro, dado o entendimento de que Coutinho deverá ficar mais um tempo a  frente do BNDES – por sinal, em um segundo movimento, o mais provável é que o próprio Bendine seja deslocado para a presidência do banco. O substituto de Maria das Graças Foster entra em campo ciente de que não é o titular e que Dilma continuará procurando o nome certo. A princípio, o tempo de Bendine será apenas o tempo necessário para varrer as gambiarras contábeis e limpar o balanço da empresa. Sua missão é desacreditar o que já está desacreditado e reverter a lambança feita por Graça Foster ao divulgar, a  revelia do próprio governo, um arremedo de demonstrações financeiras. Caberá a Bendine apresentar um novo balanço, com critérios contábeis mais claros e dados que expressem a real situação financeira da Petrobras. Segundo informações filtradas pelo RR junto ao epicentro das decisões, o mais grave dos erros contidos no arrazoado de números apresentado por Graça Foster foi o índice adotado para a revisão do valor contábil dos ativos da estatal. Os escritórios a serviço da Petrobras identificaram 52 ativos que podem ter sido contaminados pelos malfeitos na companhia. Segundo os números divulgados, 21 desses projetos estavam subavaliados e, uma vez redimensionados, devem gerar um lucro de R$ 27 bilhões. Em contrapartida, outros 31 ativos teriam sido superapreciados, gerando um prejuízo de R$ 88 bilhões. Deste encontro de contas, a companhia chegou a  baixa potencial de R$ 61 bilhões. O mercado, no entanto, não consegue entender por que a estatal adotou o conceito de Capital Asset Pricing Model, que não leva em consideração eventuais sinergias entre os diferentes projetos e é mais comumente aplicado em processos de venda de ativos – o que, até prova em contrário, não é o caso. O RR ouviu três consultores integrantes do conselho fiscal de grandes estatais. O trio foi unânime em afirmar que a Petrobras deveria ter adotado o conceito do Custo Médio Ponderado de Capital (WAAC, na sigla em inglês). Neste caso, a taxa de desconto sobre o fluxo de caixa seria de 6,5% e não de 12%, como ocorreu. A pedido do RR, os três refizeram as contas e chegaram a  mesma conclusão: se a Petrobras tivesse usado o WAAC, o alardeado prejuízo de R$ 61 bilhões se transformaria em um lucro de R$ 46 bilhões. O índice de 12% aplicado pela Petrobras chama mais atenção se comparado aos padrões contábeis da própria estatal. A companhia costuma usar uma taxa média de 6,5% para calcular o nível de depreciação de suas instalações. O número é bem superior também ao custo médio da dívida da empresa em moeda estrangeira, 4,9% ao ano. Não é por acaso, portanto, que os indicadores divulgados por Graça tenham causado tanto assombro no governo. O próprio ministro Joaquim Levy não conseguiu esconder a perplexidade ao ser comunicado dos números. Segundo uma fonte da Fazenda, Levy teria dito a um de seus assessores: “Só se a Graça aplicou uma taxa de desconto com um ‘custo-propina’ que está apenas na cabeça dela”. Bendine terá a missão de decantar a contabilidade da estatal e mostrar ao mercado a Petrobras como ela é. Se cumprir tal missão, quem sabe o “interino” não se transforma em “permanente”?

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 Dilma Rousseff não tem relacionamento com Nildemar Secches. Aprecia Murilo Ferreira e Rodolfo Landim, com uma quedinha de milímetros pelo segundo. E gosta imensamente de Maria das Graças Foster; se bem que afetividade não é o “X” da questão. Até o momento são os dados que rolam para a Petrobras.

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