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O espírito natalino invadiu a Lava Jato. Além de Marcelo Odebrecht, que deixará o regime fechado no dia 19, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró poderá sair de casa nos dias úteis a partir de 26 de dezembro.

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11.10.17
ED. 5723

Ex-cidadão Odebrecht

Marcelo Odebrecht deverá perder, em breve, seu título de cidadão paulistano. O vereador Gilberto Natalini (PV) garante já ter os votos necessários, de tucanos a petistas, para cassar a condecoração do empreiteiro na Câmara de São Paulo. O pedido foi protocolado na Casa ontem à tarde.

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18.09.17
ED. 5706

A briga que mudou a história na Odebrecht

Não tivesse ocorrido a lavação de roupa suja e rompimento entre os ex-sócios Marcelo Odebrecht e Bernardo Gradin, a história poderia ser contada hoje de uma forma diferente. Na ausência de Marcelo, o ex-parceiro Bernardo assumiria naturalmente a presidência do grupo. O antigo colega conhece tudo da casa, já tendo presidido a Braskem, joia da coroa do império Odebrecht. Bernardo prestou um depoimento espontâneo à Polícia Federal. E ficou tudo certo. Não fosse o contencioso, poderia estar sentado na cadeira de Marcelo.

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30.01.17
ED. 5549

Urgência urgentíssima

A defesa de Marcelo Odebrecht esperou até o último instante que a ministra Cármen Lucia homologasse a delação do empresário na sexta-feira. Como isso não ocorreu, os advogados de Marcelo não vão aguardar pelo fim do recesso do STF – a Corte só retoma suas atividades na quarta-feira. Hoje mesmo, pretendem pedir urgência e encaminhar ao ministro Celso de Mello, revisor da relatoria na Segunda Turma, o pleito para que ele próprio homologue a delação. Preso desde junho de 2015, Marcelo não aguenta mais nem meia hora esse tormento.

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07.12.16
ED. 5511

O fósforo e a pólvora

O Planalto busca desesperadamente uma fórmula de levar Sérgio Moro a reduzir a marcha na delação premiada de Marcelo Odebrecht. Segundo fonte do RR, o argumento, em linhas gerais, é o da boa e velha ética da responsabilidade. Em palavras simples: se Moro deixar a delação correr livre e solta no atual ambiente institucional, vai tocar fogo no país. O problema é como se fala e quem fala. Há o risco da má interpretação do pedido. Moro é afeito da ética da convicção e pode transformar a iniciativa do governo em uma bomba na direção reversa.

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31.10.16
ED. 5486

Marcelo e Bernardo, os irmãos corsos às avessas

  As famílias Odebrecht e Gradin sempre foram indissociáveis. Seus principais acionistas, Norberto Odebrecht e Victor Gradin, somariam 180 anos cravados se o fundador do grupo estivesse vivo – Norberto faleceu em 2014. Ambos esbanjaram sabedoria, ambição e lealdade mútua. Até os 91 anos, Norberto dirigia, ao lado de Victor, a Mercedes Benz, modelo C1, que lhe foi presenteada pelo sócio no seu aniversário de 81 anos. Em 1974, quando Victor foi convidado por Norberto a fazer parte daquela construtora em ascensão, não havia sequer nada parecido com a Lava Jato. A “partidarização das comissões” era residual: a molhadela, espórtula ou gratificação ficava nas mãos da burocracia ou do próprio tubarão.  Norberto e Victor foram amigos elevados à enésima potência. Victor levou a Odebrecht para o front petroquímico, a industrialização e a modernização de processos. Era um estrategista. Norberto enxergava longe, criou uma cultura corporativa, prezava o capital humano. Era um sacerdote. Se estivesse vivo e não tivesse ocorrido o grande cisma das famílias, os dois duelariam juntos, lado a lado, no front da Lava Jato. A terceira geração dos Odebrecht e a segunda do Gradin sepultaram essa história de fraternidade. Marcelo e Bernardo, os dois eleitos para gerir o império, criaram o seu “Lava Odebrecht”. Jovens, preparadíssimos, ambos conviveram como amigos desde a infância. Ninguém diria que se tornariam uma versão reversa dos irmãos corsos, de Alexandre Dumas, em um processo de desunião crescente com o passar do tempo. Marcelo mandava na construtora e na área de novos negócios. Bernardo, na petroquímica e projetos industriais. Sim, ainda há Miguel Gradin, com quem Marcelo compartilhou o curso de preparação de oficiais da Reserva em Salvador, em 1987. Posteriormente trabalharam juntos na inglesa SLP Engineering, de óleo e gás. Mas Miguel nunca foi um “irmão corso”.  No ano da discórdia de 2010, Marcelo convenceu seu pai, Emílio, e o avô, já afastado das decisões empresariais, sobre uma revisão do acordo de acionista com os Gradin, detentores de 20% do grupo. Estão até hoje em um contencioso pestilento em torno de valores de compra e venda das participações. A partir daí, Marcelo tirou Bernardo das funções executivas da Odebrecht – Miguel também foi afastado. E veio o pior tormento, soprado com fúria pelos procuradores e juiz de Curitiba. Como se sabe, os Odebrecht estão pagando o preço. Já os Gradin “não dominaram o fato”.  Consta que Paulo Roberto Costa denunciou, em julho, Bernardo Gradin por ter negociado com ele, em condições vantajosas, a compra de nafta da Petrobras para a Braskem. Há menções a Bernardo também em episódio de “convencimento” da Petrobras a entrar como sócia da petroquímica da Odebrecht em uma fusão com a Quattor. Digamos que a cota de delações sobre Bernardo seja o correspondente ao percentual de ações que os Gradin têm no grupo e querem vender caro. Mesmo assim o clã passou ao largo da Lava Jato. É curioso! Houvesse a fidalguia de outrora, talvez Bernardo estivesse batalhando pelo amigo de infância como faziam os cavalheiros instituídos de honra e tradição. A têmpera com que foram forjados Norberto e Victor ficou restrita a uma geração.

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28.06.16
ED. 5399

Novena

 O empresário Marcelo Odebrecht completa hoje exatas 9.000 horas de cárcere. Não foi julgado nem há previsão para que isso ocorra. Mas, como se vê, isso é um detalhe.

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 Só se fala na incriminação de políticos e dirigentes de estatais quando o assunto é a esperada delação premiada de Marcelo Odebrecht. Mas não devem faltar estilhaços para seu desafeto e ex-sócio, Bernardo Gradin.

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17.12.15
ED. 5271

Papillon

 Empreiteiro brasileiro já é culpado antes de nascer. No caso de Marcelo Odebrecht, a presunção atávica já virou uma questão de direitos humanos. Marcelo foi mantido preso por decisão do STJ para “não interferir no processo de apuração dos crimes”. Se provas houvesse, ele estaria sendo julgado. Como é um “processo”, essa situação pode, teoricamente, demorar um tempo maior do que uma eventual condenação, caso as denúncias contra ele se transformem em provas. Marcelo é uma espécie de Papillon pós-moderno, que não cometeu crime julgado e transitado nem tentou fugir da cela.

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22.10.15
ED. 5232

O réu perpétuo e o vampiro de Curitiba

Marcelo Odebrecht deve representar um perigo horrível: o risco de se escafeder para os confins do mundo, levando consigo a caixa de Pandora do Lava Jato. Se vacilar, Sérgio Moro vai evoluir dessa versão tupiniquim de Guantánamo para o panóptico, do filósofo Jeremy Benthan. Esta última geringonça era um idealizado cárcere, transparente e permanentemente vigiado de forma que o presidiário não tivesse privacidade sequer para piscar os olhos – ou fazer suas necessidades. A prisão preventiva do empresário, que não admite a presunção de inocência a despeito das provas incitarem mais dúvidas do que confirmações, é fundamentada nos cuidados para que Marcelo não “dê sinais capazes de colocar em risco a investigação”. Como os computadores, celulares e arquivos do empreiteiro já foram varridos, a preocupação deve ser com métodos incomuns, tipo batucar com o lápis em algum bloquinho, que pode muito bem ser interpretado como código morse. Por esses critérios, Marcelo pode ficar preso até ao fim da vida, basta não ter cometido ilicitude e, por uma questão de hombridade, recusar-se a confessar o crime que não cometeu. Bem, pelo menos Moro deu uma aliviada e, graças a uma determinação do STF, excluiu o “risco a ordem pública” como justificativa para a permanência do réu na prisão. Se Moro tirasse aquela camisa preta para higienizar o pensamento, talvez chegasse à conclusão de que deixar Marcelo Odebrecht obrar seria mais vantajoso para o país do que tratá- lo como Dillinger. Era capaz de ele já ter colocado mais de 1% do PIB nos canteiros de obras do Brasil.

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23.07.15
ED. 5169

Medo e júbilo frente à  convicção absolutista da Lei

Marcelo Odebrecht encontra- se em uma situação difícil. Sua detenção foi transformada em símbolo da virilidade da Lei. Sua condenação é o emblema de uma nova orquestração entre poderes. Os que o defendem são acusados de acólitos do ancien régime, do peculato e da corrupção. Muito antes da Lava Jato se transformar no atual espetáculo, Marcelo Odebrecht vinha sendo caçado como exemplo dos “novos tempos”. Pode-se afirmar que a 14ª fase da Lava Jato já estava identificada na primeira investigação. O sistema, digamos assim, deixou bem claro que a operação soaria como uma derrota se o empresário não perfilasse entre os indiciados. Marcelo teria de ser o troféu, a cabeça do leão empalhada e pendurada na carceragem da PF, em Curitiba. A situação é kafkiana, pois se tornou uma afronta levantar um testemunho favorável ao empresário. Não bastasse a circunstância de antagonismo criada pelo Ministério Público, onde Lei e Justiça ocupam, cada uma, seu próprio galho, está encravado no imaginário nacional que as empreiteiras são o ícone da corrupção nacional. E a Odebrecht é a maior delas. Imagine uma corporação que representa um dos braços do departamento de Estado, onipresente na construção da infraestrutura, participante da defesa nacional e gigante da indústria em parceria com a maior empresa estatal. à‰ difícil conceber que os diálogos fossem monásticos no convento das reuniões de trabalho e negociações contratuais. Eram reais, crus, nus, com seus vícios de origem, e não permanentes acordos de corrupção mefistofélica. Qualquer conversa perscrutada em sua intimidade é passível de suspeição, até mesmo pela excessiva liberdade que a privacidade suporta. E, no novo regime, in dubio pró-acusador. Duvida-se que, confiscado o computador do juiz Sérgio Moro, não fosse encontrada qualquer frase passível de ser interpretada como desabonadora da sua conduta. O que se vê é a Polícia Federal fazendo uma impressionante exegese no conteúdo de bilhetes e recados da correspondência pessoal de Marcelo Odebrecht. Fora o exercício público de criptografia, temos as principais acusações, e elas são no mínimo controversas. O suposto pagamento de propina da Braskem a funcionário da Petrobras, com objetivo de reduzir o valor da nafta em contrato de longo prazo, não encontra sustentação na realidade – se alguém pagou, não levou, conforme demonstram as séries temporais dos preços do combustível. E a criminalização das pretensamente promíscuas viagens do ex-presidente Lula para defender a exportação de serviços fere o raciocínio lógico. Defender a exportação de serviços do Brasil em qualquer cantão do estrangeiro sem defender o interesse da Odebrecht é uma equação impossível. Mas, mexe e remexe, algum deslize Marcelo terá cometido. Já não interessa mais o tamanho do delito, tampouco a prioridade da Nação. O ofídio do monergismo deixa seu rastro de prepotência na consciência do país. Estamos todos vingados?

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