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05.09.16
ED. 5448

Lockheed muda o calibre da sua estratégia comercial

 A Lockheed Martin aprendeu direitinho a lição deixada pelo fracasso na disputa pelo fornecimento de 36 caças supersônicos à Força Aérea Brasileira, vencida pela sueca Saab . O grupo norte-americano resolveu aposentar a postura de intransigência e intolerância nas negociações, aliás, semelhante à da concorrente francesa Dassault. Está adotando uma política de “Lockheed paz e amor”, pautada pela associação com fornecedores locais e investimentos no mercado brasileiro, na expectativa de futuras licitações das Forças Armadas. O Brasil será uma base industrial do grupo na América do Sul e em boa parte da América Central, com a construção de um centro de manutenção de turbinas, em Recife. Essa é apenas a primeira fase do empreendimento. O projeto da Lockheed Martin é instalar em Pernambuco um complexo industrial que fará a montagem final de equipamentos aeronáuticos, como radares, sistemas de vigilância e asas.  Os produtos foram escolhidos de olho prioritariamente no mercado brasileiro, pois são usados pela FAB há mais de dez anos. No caso das asas, a Força Aérea deverá lançar até 2017 uma licitação para revitalização de nove aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion, um negócio que deverá chegar a US$ 100 milhões. As negociações com os governos federal e estadual para investimento de US$ 1 bilhão começaram em 2015, mas o acordo foi fechado somente nesse ano. Por ora, não haverá transferência de tecnologia porque o projeto ficará restrito à manutenção de turbinas, mas, na fase de produção, prevista para ocorrer daqui a três anos, a companhia norte-americana prevê transferência parcial do modo de fabricação das peças.  Com essa aproximação, a Lockheed Martin pretende quebrar a espinha dorsal da parceria entre a FAB e a Saab. A ideia é incentivar o governo brasileiro a fazer nova licitação para a futura compra suplementar de aeronaves de combate. A Força Aérea estuda, depois da entrega dos 36 caças pela fabricante sueca, fazer novos pedidos – o que já foi anunciado pelo Alto Comando da Aeronáutica. Posicionada no Brasil, a Lockheed Martin pretende ser lembrada no processo e não apenas assistir à assinatura de um aditivo no contrato firmado pela FAB com a Saab. • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: Lockheed Martin.

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22.02.16
ED. 5311

Lockheed Martin invade o espaço aéreo da Helibras

  Dois gigantes da área de defesa, notadamente da indústria aeronáutica, estão prestes a travar uma dura batalha nos céus brasileiros. A Lockheed Martin prepara uma ofensiva com o objetivo de furar o bloqueio e minar a primazia da Helibras, leia-se Airbus, na venda de helicópteros não apenas no Brasil, mas em todo o mercado latino-americano. A ponta de lança desta operação é a Sikorsky Aircraft, que teve seu controle comprado pelos norte-americanos no ano passado, numa operação de US$ 9 bilhões. A Lockheed Martin decidiu instalar uma fábrica de helicópteros e um centro de manutenção em Taubaté (SP) – a cidade de São José dos Campos também estava no páreo, mas foi superada no quesito “afagos fiscais”. Esta será a primeira base industrial da Sikorsky em toda a América Latina. Os norte-americanos já iniciaram o processo de alistamento da sua tropa no Brasil: fecharam um convênio com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) para a formação de engenheiros especializados na produção de helicópteros.  O desembarque da Sikorsky no Brasil se dá em um momento bastante delicado para a Helibras, de longe, o principal alvo a ser batido no setor – a empresa é responsável por mais de 50% das vendas de helicópteros na América Latina. No ano passado, a Airbus Helicopters se viu obrigada a aportar cerca de R$ 170 milhões na fabricante brasileira para compensar a redução das encomendas, sobretudo das Forças Armadas. Estima-se que a queda dos pedidos no segmento militar tenha passado dos 40% no comparativo com 2014. A fraca performance – associada a uma certa fadiga no relacionamento com os europeus – custou a cabeça de Eduardo Marson, que deixou a presidência da Helibras em dezembro, depois de seis anos no cargo. Ressalte-se que as turbulências do mercado também deixaram suas marcas na fuselagem da Sikorsky. Recentemente, a Líder Aviação cancelou a opção de compra de seis helicópteros da companhia norte-americana, um contrato da ordem de US$ 180 milhões. A suspensão do pedido, no entanto, não alterou o plano de voo da Lockheed Martin para a sua controlada, assim como a crise no setor de óleo e gás, um grande demandador de aeronaves. O grupo entende que a instalação de uma base de produção na América Latina, mais precisamente no Brasil, é condição sine qua non para a Sikorsky disputar o mercado na região. Mira na venda de helicópteros civis e no fornecimento às forças armadas dos países vizinhos. Dessa forma, os norte-americanos esperam, finalmente, deglutir a espinha que está atravessada em suas gargantas desde a derrota na licitação para o fornecimento dos novos caças da Força Aérea Brasileira. Na ocasião, a Lockheed Martin não chegou sequer à fase final da disputa. Procurada pelo RR, a Lockheed Martins/Sikorsky não comentou o assunto.

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