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03.10.17
ED. 5717

Crônica de um pobre país bilionário

O Brasil caminha a passos largos para se tornar um dos países prósperos do mundo se o critério for o da acumulação de reservas cambiais (liquidez internacional). Uma das mais renomadas consultoras de dados macroeconômicos, senão a mais renomada, a LCA prevê que o Brasil deterá US$ 972 bilhões em reservas, na média do período 2021/2030. Para chegar a esse cálculo, a LCA, que tem entre seus sócios o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, projeta um saldo médio de US$ 57 bilhões para a balança comercial no mesmo intervalo.

Em 2017, o lastro cambial do país fechará em torno de US$ 388 bilhões, somente inferior ao da China, conforme a medição do número de meses de importações correspondentes. A montanha de dólares ou, para ser preciso, de títulos do Tesouro norte-americano em sua maioria, mais do que dobrará em uma década e alguns quebrados, a não ser que ocorra algum acidente espetacular no percurso. A julgar pelo critério de acumulação de reservas, todo brasileiro é virtualmente um milionário.

Com base no último censo do IBGE, que calcula em 207 milhões de habitantes a população do Brasil, e usando um índice cadente de crescimento demográfico, cada cidadão seria detentor de US$4,37 milhões, em média, entre 2021 e 2031. Mesmo se fosse descontada a média da dívida externa bruta do país projetada para 2021/2030, na faixa de US$ 707 bilhões, o brasileiro ainda deteria um razoável pecúlio de US$ 1,28 milhão. Os mais críticos diriam que as reservas cambiais foram construídas à base de aumento da dívida interna bruta. E que, acertando as contas, o brasileiro teria, sim, dívida para pagar. Pode ser. Mas um endividamento baixinho seria como se fosse uma fortuna. O curioso é que um país que não faz obras, congela os investimentos em saúde e educação e tem índices alarmantes de violência possua tanto dinheiro assim.

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