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Lava Jato

Relacionados

14.11.17
ED. 5745

Uma luz para Pimentel

No PT, o entendimento é que a hecatombe do PSDB poderá dar de bandeja a Fernando Pimentel uma reeleição que parecia improvável após a Lava Jato e a Operação Zelotes. O pré-óbito político de Aécio Neves e as ranhuras na relação entre PSDB e PMDB dificultam o lançamento de um nome de peso para concorrer com Pimentel.

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31.10.17
ED. 5736

Lava Jato e sua tourada em Madri

A força-tarefa da Lava Jato fará nova tentativa para obter a extradição de Rodrigo Tacla Duran, que está preso na Espanha. Ele é acusado de ter movimentado mais de R$ 60 milhões em recursos ilegais oriundos do “departamento de operações estruturadas” da Odebrecht. Duran tem se segurado à dupla nacionalidade – é também cidadão espanhol – para permanecer em Madri, onde aguarda julgamento da justiça local.

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27.10.17
ED. 5734

Tordesilhas

Se o PR, do mensaleiro Valdemar Costa Neto, tomou a Infraero, o DNIT foi dado de bandeja pelo Palácio do Planalto ao PP, de Ciro Nogueira, figurinha carimbada da Lava Jato.

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23.10.17
ED. 5730

A longa rapinagem das Docas pelos santos de pau oco

O presidente Michel Temer tornou-se adepto de um antigo pleito do setor de navegação e portos: a profissionalização da gestão da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), autoridade portuária de Santos. Desde que, é claro, ele faça os cargos centrais da diretoria. Segundo uma fonte do RR, a medida não passa de um subterfúgio para dissimular os desmandos praticados na companhia há quase duas décadas. O atual presidente da autoridade portuária, José Alexi Oliva, tem sentido cada vez mais o círculo fechar em torno da sua gestão.

A empresa tem o nome mencionado em extensos trechos de delações da Lava Jato. Estar hoje no comando da companhia sem abrir inquéritos administrativos é a mesma coisa que ser conivente com as operações pouco ortodoxas do passado. Consultada sobre as mudanças na direção, a Codesp não se pronunciou até o fechamento desta edição. Oliva faz parte de um seleto time de presidentes das Docas feitos sob a influência de Michel Temer: Marcelo Azeredo, Paulo Fernandez Carmo e Wagner Rossi.

O presidente, de acordo com a mesma fonte, quer mudar para que tudo continue como está. Ou seja: pretende deslocar a autoridade portuária e colocar um tampão naquela instância-marítima onde flutuam improbidades de toda ordem. Seu nome já está na boca do sapo, quer dizer do STF, que terá de apreciar o pedido da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, para que seja autorizada investigação sobre as estranhas relações de Temer com a Codesp. Para o RR o assunto é velho, basta ver as edições de 21 e 22 de março de 2016 e 21 de março e 14 de setembro deste ano.

Temer aparece ligado às Docas paulistas em mais de mil citações no Google. Mesmo se fosse só a nata desse creme azedo, ela já seria esclarecedora. Basta ver os balanços da Codesp que, se não revelam repasses de propinas, explicitam estranhos passivos de operações pouco esclarecedoras. Os documentos das diversas administrações da companhia sobre o controle do mesmo grupo de interesse são comprovantes do que não fazer na gestão de uma empresa pública.

Durante esse período, a autoridade portuária não teve gestores independentes. Respondeu a ordens do oligopólio da marinha civil e da oligarquia dos governantes do país. Se forem buscados, não faltarão testemunhos para descortinar a quem serviu a autoridade portuária em Santos. Sobre os nomes das empresas que sofreram extorsão e as que usufruíram do butim, o RR pretende se manter em silêncio.

Eles estão repetidos em diversos e longos trechos nas delações premiadas. São grandes operadoras e políticos supracitados. Os números superam os R$ 3 bilhões. E muitos pagaram e não receberam a contrapartida pelo dinheiro que deram, tendo que engolir calados. Os delitos mais graves estão trancados em um cadeado com trinca de titânio. É mais fácil pressionar Eduardo Cunha para que inclua esses escândalos no seu “Almanaque de delação premiada”. Temer com certeza não dirá nada.

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23.10.17
ED. 5730

Plano de saúde

Em negociações com o Ministério Público Federal para fechar um acordo de delação, o ex-secretário de Saúde do governo Cabral, Sérgio Côrtes, promete escancarar as vísceras do PMDB no Rio de Janeiro. Côrtes tem revelado detalhes de um esquema para a compra de vacinas, medicamentos e próteses, com capilaridade em dezenas de municípios do Rio de Janeiro. A operação envolveria distribuidoras de artigos hospitalares no Brasil e no exterior e, não poderia faltar, doleiros – espécie onipresente no ecossistema da Lava Jato. Segundo investigações do MPF, parte dos recursos públicos desviados teria sido utilizada para financiar a reeleição de Sérgio Cabral ao governo do Rio, em 2010, e candidaturas do PMDB a prefeituras no estado do Rio em 2012. Além, claro, de deixar muita gente rica.

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23.10.17
ED. 5730

Cunha e sua única moeda de troca

A situação jurídica de Eduardo Cunha se agravou consideravelmente nas últimas semanas. Na avaliação da força-tarefa da Lava Jato, os depoimentos do doleiro Lúcio Funaro e do ex-deputado Pedro Correia reduziram consideravelmente as chances de Cunha fechar um acordo de delação. A não ser que ele saque da cartola o maior de todos os coelhos.

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19.10.17
ED. 5728

Autopista da propina

O doleiro Adir Assad, um dos 158 delatores da Lava Jato até o momento, teria encaminhado ao MPF documentos para comprovar o pagamento de propina em obras do Rodoanel em São Paulo. São planilhas e extratos bancários de movimentações de contas no exterior. As acusações atingem a Odebrecht e o ex-diretor da estatal Dersa Paulo Vieira de Souza, o “Paulo Preto”. Mas atingem, sobretudo, o senador José Serra. Em sua delação, Assad afirmou que parte dos recursos desviados foram destinados a Serra, então governador de São Paulo. O senador já negou qualquer relação com o doleiro.

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16.10.17
ED. 5725

Seguro anti-Lava Jato

A demora na venda da participação da Cemig na Usina de Santo Antônio para a chinesa State Power Investment Overseas (Spic) não passa apenas por pendências financeiras. O impasse se deve, sobretudo. a exigências jurídicas feitas pelos asiáticos para se proteger de eventuais punições no âmbito da Lava Jato. Denúncias de corrupção pesam sobre o consórcio responsável pela construção e operação da hidrelétrica. Em suas delações, executivos da Odebrecht, uma das acionistas, relataram o pagamento de propina para a obtenção de recursos do FI-FGTS.

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09.10.17
ED. 5721

Constantino II, a missão

Segundo o RR apurou, a delação de Lucio Funaro deverá custar um recall a Henrique Constantino, um dos acionistas da Gol, que fechou acordo de colaboração com a Lava Jato. Colaboração, assim, assim… A partir dos depoimentos dos doleiros, os procuradores de Curitiba estão convictos de que Constantino tem mais a contar sobre suas doações ilegais a Michel Temer e ao PMDB.

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05.10.17
ED. 5719

Primeira página

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol têm um encontro público marcado no dia 24. Vão participar de evento no jornal Estado de S. Paulo sobre a Operação Mani Pulite, fonte de inspiração da força tarefa da Lava Jato.

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04.10.17
ED. 5718

Só reencarnando

A Galvão Engenharia, dizimada pela Lava Jato, procura um comprador.

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03.10.17
ED. 5717

Aposentadoria de Bendine na berlinda

A direção do Banco do Brasil e o Conselho Deliberativo da Previ têm sido pressionados por associações de funcionários e aposentados a rever o pagamento da chamada aposentadoria “cheia” a Aldemir Bendine. O assunto sempre causou incômodo dentro do BB. Ocorre que a Lava Jato e as graves denúncias contra a gestão de Bendine amplificaram os questionamentos à legitimidade dos valores recebidos pelo hoje hóspede da carceragem da PF em Curitiba. Foi justamente durante a sua administração que o BB alterou as regras de aposentadoria e permitiu a incorporação de benefícios (como férias e vale-alimentação) ao salário-base. A alteração favoreceu diretamente o ex-n. 1 do banco, além de aproximadamente 30 outros executivos que conseguiram pendurar uma série de pingentes na sua aposentadoria. Calcula-se que Bendine receba hoje algo próximo dos R$ 65 mil. Por falar em benefícios indiretos, consta que o ex-presidente do BB solicitou à instituição que custeasse a sua defesa na Lava Jato, alegando que as acusações contra ele se referem a atos administrativos no exercício da presidência da instituição – seus advogados negam o pedido.

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02.10.17
ED. 5716

Linhagem

Recém-condenado por Sérgio Moro a 15 anos de prisão, o ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves negocia um acordo de delação com a força tarefa da Lava Jato. Gonçalves vem a ser o substituto do notório Pedro Barusco na estatal. Em todos os sentidos.

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29.09.17
ED. 5715

Samek eletrocutado

As investigações da Lava Jato contra Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo estão prestes a eletrocutar Jorge Samek, que comandou Itaipu nos 13 anos do governo PT.

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29.09.17
ED. 5715

Dízima periódica

A força tarefa da Lava Jato considera razoável a probabilidade de o recall da Camargo Corrêa, que nasceu da delação da Odebrecht, ricochetear e provocar um recall da própria Odebrecht.

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29.09.17
ED. 5715

Palocci atropela Caoa

Nas tratativas para fechar sua delação, Antônio Palocci soltou o freio de mão e empurrou a Lava Jato na direção do Grupo Caoa. Segundo o RR apurou, o ex-ministro deu detalhes da consultoria prestada à montadora nos idos de 2012, por meio de sua empresa, a Projeto. De acordo com a mesma fonte, Palocci relatou ter intermediado o repasse ilegal de recursos para parlamentares com o objetivo de aprovar medidas de interesse da Caoa. O ex-ministro teria revelado ainda aos procuradores de Curitiba que quase assumiu a presidência da companhia justamente em 2012.

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28.09.17
ED. 5714

Força-tarefa contra o crime organizado é uma missão sob medida para Sérgio Moro

Se o diretor Brian de Palma filmasse uma versão brasílica de Os Intocáveis, o juiz Sérgio Moro seria um candidato imbatível para interpretar o papel do incorruptível policial Eliot Ness. Na vida real, Moro também cabe no figurino de paladino contra o crime. Só que dessa vez despido da toga de juiz. Como não poderia deixar de ser, o nome de Sérgio Moro foi citado repetidas vezes na reunião entre a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen.

O encontro teve por objetivo discutir a criação de uma força-tarefa, no modelo da Lava Jato, para o combate ao crime organizado e ao estado paralelo financiado por ele. Veja-se que o enunciado da missão é extenso. O futuro Eliot Ness, que ficará subordinado ao Ministério Público, vai centralizar ações dispersas junto a diversos órgãos do governo. Porém, mais importante é que abaterá dois coelhos com uma única cajadada: criará uma efetiva operação integrada de combate ao crime e livrará as Forças Armadas do inconveniente abacaxi de serem chamadas a toda hora para fazerem figuração no palco de uma guerra na qual sua presença é indesejada pelos próprios militares.

O Rio de Janeiro é o foco da força-tarefa. Não somente em função do crime e da violência registrados na cidade, mas devido a sua capilaridade com todo o Brasil e suas fronteiras. Haja poder para o delegado que colocar essa estrela no peito. O juiz Sérgio Moro está acostumado a deter o mando absoluto na sua esfera de atuação. Teria de acrescer ainda mais em força e autoridade. Algo como um presidente de um Banco Central formalmente independente, com poder sobre tropas, serviços de Inteligência e ingerência sobre as unidades federativas. Um justiceiro judicializado, votado no Congresso.

Moro realizou cursos na CIA – sabe-se lá do que, é bem verdade; tem sua própria patota no Ministério Público, que vibraria em entrar nesse campo; e é obsessivo no combate à criminalidade. Para o governo, deslocá-lo para o centro das ações de segurança do país seria uma demonstração de desprendimento e isenção muito acima das investigações e suspeitas que pairam sob a cabeça de ministros e do próprio presidente. Coisa de estadista, diria a base aliada. E a Lava Jato? Não seria uma sinalização do seu final? Nada!

O próprio Moro validaria sua saída e a ascensão de quem fosse para o seu cargo. Continuariam presentes Marcelo Bretas, Deltan Dallagnol e companhia. E mesmo Lula já estaria tão enforcado que não precisaria de Moro para o golpe final. O juiz já afirmou que não irá para a política. Para o STF dificilmente um novo presidente o indicará. Melhor um juiz mais amigável. E a aposentadoria vem aí. O papel de Eliot Ness lhe caberia como uma luva. Contudo, por enquanto o que existe é um nome ao vento, puro wishful thinking. Já, já a resposta será dada.

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27.09.17
ED. 5713

Outras engenharias

A delação do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Fabio Cleto afunda ainda mais a Carioca Engenharia na Lava Jato. Segundo Cleto, a companhia teria funcionado como uma espécie de hub das propinas pagas por construtoras e concessionárias públicas do Rio a Eduardo Cunha. Recolhia o pedágio, que depois seguia direto para contas de Cunha na Suíça.

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26.09.17
ED. 5712

Lava Jato busca o ponto de fissura da INB

A Lava Jato, que fez uma limpeza na Eletronuclear, vai direcionar suas baterias para as estranhas práticas de financiamento indireto de campanha, licitações sob medida e contratos com preços diferenciados da Indústria Nuclear Brasileira (INB). Segundo a fonte do RR, o Ministério Público está investigando essas relações perigosas. Não deve ser muito difícil, conforme revela o mapa da cadeia de comando da INB. O presidente do instituto, José Carlos Tupinambá, foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio por desvio de verbas em uma secretaria do Município de Duque de Caxias, indicado pelo atual prefeito da cidade, Washington Reis, por sua vez condenado pelo STF por improbidade administrativa e agora pelo TRE, estando em vias de ter seu mandato cassado. A INB seria um feudo de Jorge Picciani, Washington Reis e Sergio Cabral, condenado a 45 anos. O RR tentou contato com a estatal, por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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26.09.17
ED. 5712

Confissão

A Camargo Corrêa estaria negociando um acordo de leniência com o Cade, que investiga a formação de cartel nas obras do Arco Metropolitano do Rio. Comparado à Lava Jato, será a confissão de um pecadilho.

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25.09.17
ED. 5711

O guarda – malas de Geddel

Lucio Funaro foi o “GPS” que levou a Polícia Federal ao “guarda-malas” de Geddel Vieira Lima em Salvador. Consta que o doleiro tem na ponta da língua outros endereços de notórios protagonistas da Lava Jato.

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22.09.17
ED. 5710

Meirelles já está com um pé fora da Fazenda

Henrique Meirelles está morto! Viva Henrique Meirelles! Ou vice-versa. O enigma tem prazo de validade: dia 1° de abril de 2018, data limite para que o ministro da Fazenda se desincompatibilize do cargo com o objetivo de disputar as eleições para a Presidência da República. Meirelles não solta um pio sobre o assunto. Um interlocutor bastante próximo do ministro disse ao RR que a balança estava equilibrada sobre a decisão de deixar a pasta e subir nos palanques. Por ora, Meirelles mantém um pé cá e outro acolá. Mas o risco de contaminação com o mar de lama da Lava Jato tem pesado a favor da aventura.

Na contramão, não o temor da derrota, mas o ônus de deixar ao abandono o mercado, esse senhor de todos os oceanos, e ser a peça central da desintegração de um governo do qual representa rara reserva de valor moral e tecnocrático. A economia pode reagir mal a sua saída e ele ser acusado, em sua decisão frívola, da desancoragem das expectativas. A questão é ambígua, pois a mudança de humor da economia também pode ser interpretada como um trunfo da sua importância presente e futura. Henrique Meirelles ronda os palanques não é de hoje: esteve cotado para ser o vice da chapa de Dilma Rousseff em 2010 e flertou com a ideia de disputar o governo de Goiás.

Na semana passada, Gilberto Kassab se adiantou aos fatos e “lançou” sua candidatura à Presidência pelo PSD. Meirelles agradeceu afirmando que está concentrado na sua atual missão, e abriu um sorriso metálico cheio de dentes. Em nenhum momento, disse que não será candidato. Para todos os efeitos, o suspense permanece. O RR consultou uma pequenina amostra de um segmento do eleitorado bastante afinado com o ministro da Fazenda. Fez uma sondagem com 28 empresários e perguntou se, em sua opinião, Meirelles será ou não candidato. O “não” ganhou com alguma vantagem: 71% a 29%.

Questionados sobre as chances de vitória do “guardião da economia”, 83% afirmaram que Meirelles não será eleito caso entre na disputa. Não por falta de atributos. O RR perguntou aos entrevistados quem era mais habilitado para o exercício da Presidência da República, num confronto direto entre o ministro da Fazenda e todos os principais candidatáveis citados nas pesquisas eleitoras. Meirelles venceu todos eles, com índice acima de 70% das respostas. Seus três resultados mais baixos se deram na comparação com João Doria (78%), Geraldo Alckmin (76%) e Lula (71%).

Nas comparações com Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Marina Silva e o próprio Michel Temer, Meirelles disparou na sondagem. Se Henrique Meirelles, de fato, embarcar na viagem eleitoral, é razoável que leve um bilhete de volta cuidadosamente guardado no bolso do paletó. Esta segunda perna seria um eventual retorno à cadeira de ministro da Fazenda. Ou seja: Meirelles entraria na disputa à Presidência jogando por dois resultados. Mesmo perdendo nas urnas, seu segundo turno particular seria a recondução ao posto de maestro e fiador da economia.

Não é uma hipótese improvável. Sabidamente, o titular da Fazenda tem excelente trânsito entre correntes político-partidárias distintas. Tem o handicap de ser sócio de inegável impacto eleitoral: com Lula, entregou distribuição de renda; com Temer, assegurou a queda da inflação. Leva ainda consigo a marca de recordista de tempo na cabine de comando da economia – até ontem, contabilizando-se o período na presidência do Banco Central e na cadeira de Ministro da Fazenda, somava 3.420 dias ou 82.080 horas de horas de voo.

Henrique Meirelles é um homem abastado – sua fortuna pessoal se aproxima da casa de R$ 1 bilhão – e pode tranquilamente financiar sua campanha. Enricou acima de qualquer suspeita. Se ficar parado no mesmo lugar, corre o risco de ver seus ternos de corte bem talhados respingados pelos fluidos pútridos do entorno político. Cabe monitorar os bastidores. Faltam 4.608 horas para, no mais tardar, o Brasil saber se terá mais um candidato à Presidência e um novo ministro da Fazenda

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21.09.17
ED. 5709

A polícia de Blairo

Com a Lava Jato a triscar nos seus calcanhares e o festival de grampos na República, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tem se aconselhado amiúde com dois dos seus mais próximos colaboradores: os coronéis da Polícia Militar Eumar Novacki e Coaraci Nogueira, respectivamente secretário-executivo e chefe de gabinete do Ministério.

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20.09.17
ED. 5708

Dr. Ulysses não merecia tamanha homenagem

Moreira Franco, Eliseu Padilha e Romero Jucá estão à frente de uma estranha cruzada. O trio “Lava Jato” pressiona a Executiva do partido a aprovar a transformação da Fundação Ulysses Guimarães em instituto – a proposta será analisada no próximo dia 4 de outubro. Parece uma filigrana, mas só parece. Sob o regime de instituto, muita coisa muda de figura, a começar pelo fato de que a entidade estará imune à fiscalização do Ministério Público. Não custa lembrar que Moreira e Eliseu são os “donos” da capitania. Entre mandatos alternados, ambos comandam a Fundação Ulysses Guimarães há 16 anos.

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20.09.17
ED. 5708

Um dia esse fado ainda vai acabar desafinando

Não é só a turma da Lava Jato que está buscando visto de residência em Portugal. Há cerca de mil brasileiros em média, por semana, fazendo consultas de como obter a cidadania portuguesa. Desde o início do ano surgiram mais de 500 empresas na internet especializadas em tratar da burocracia, assessorar na busca de imóveis para compra ou aluguel, na mudança e na manutenção da moradia. Globalvisa, Strobel & Santos e Schultz Vistos são algumas das líderes no setor. Segundo fonte de uma dessas empresas, na aquisição de alguns imóveis em Portugal foram utilizados sofisticadas triangulações com recursos de estranha procedência não repatriados nas duas janelas abertas pelo BC. De acordo com o mesmo informante, somente os chineses estão mais presentes em Portugal do que os brasileiros. Só que os chineses voltam para casa e os brasileiros ficam.

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19.09.17
ED. 5707

Petrobras abre a porta de suas refinarias

A Petrobras e a Repsol Sinopec mantêm conversações para uma possível associação na área de refino. Segundo o RR apurou, as tratativas com os chineses envolveriam a conclusão das obras de construção da má afamada unidade de Abreu Lima – um dos grandes projetos da estatal corrompidos pelo “petrolão” e interrompidos pela Lava Jato. Parte da unidade está em operação desde 2014, mas, de acordo com cálculos da Petrobras, ainda faltam ao menos R$ 2 bilhões em investimentos para a refinaria atingir a capacidade originalmente estimada. O presidente da Petrobras, Pedro Parente, já confirmou que o processo de desmobilização de ativos da estatal incluirá operações de refino – conforme antecipou o RR na edição de 24 de fevereiro. Por ora, no entanto, os fatos parecem indicar que a prioridade da companhia é a busca de parceiros para concluir projetos inacabados. Consta que a China National Petroleum Corporation (CNPC) tem interesse em se associar ao Comperj. Em tempo: no caso de Abreu Lima e, mais especificamente, da Repsol Sinopec, as tratativas têm um certo ar de déjà vu. A então espanhola Repsol foi sócia da Petrobras na refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul.

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19.09.17
ED. 5707

As linhas e entrelinhas no discurso do General Mourão

As declarações do General de Exército Hamilton Mourão sobre a possibilidade de uma intervenção militar no Brasil guardam alguma conexão com os assuntos discutidos nos dias anteriores em encontros dos generais de quatro estrelas. Sua palestra na última sexta-feira à noite na Loja Maçônica Grande Oriente do Brasil se deu na sequência de uma semana intensa. Durante cinco dias consecutivos, de 11 a 15 de setembro, o Alto-Comando do Exército esteve reunido no Quartel General da Corporação, em Brasília, mais conhecido como Forte Apache.

Segundo informações filtradas pelo RR, ainda que o General Mourão possa ter se excedido na forma e no conteúdo, sua fala remete a pontos cardeais abordados durante as reuniões do Alto-Comando. Os Oficiais passaram a limpo, temerosos, cenários de crise e os planos de ação – “muito bem feitos” nos dizeres do general Mourão -, nos quais três variáveis aparecem com destaque: a desordem social, o crime organizado e a corrupção institucionalizada. Sob a ótica militar, o esgarçamento das instituições e o crescente estado de criminalização são questões que vão muito além da Lava Jato.

Ela passa pelo imbricamento de agentes não necessariamente associados entre si – de políticos e partidos a autoridades da área de segurança pública e magistrados, de movimentos sociais ao crime organizado. Nas etapas das “aproximações sucessivas”, para usar terminologia adotada pelo próprio General Mourão, vão se configurando pontos de interseção entre as variáveis críticas. É a propagação ondulatória desses pontos de interseção que levaria a uma situação limite. Nessa circunstância, indefinida a priori, os militares se veriam obrigados a “intervir dentro da lei”, por mais estranha que pareça essa dialética.

Pelo clima de apreensão dos encontros, a tendência é que estas discussões sejam intensificadas nas próximas reuniões do Alto-Comando do Exército – o encontro da semana passada foi o quinto de um total de sete; os dois últimos do ano estão previstos para outubro e dezembro. Entre os Oficiais, há uma percepção de que um quadro agudo de deterioração da ordem, que justificaria uma ação mais radical da parte do Exército, possa vir não pelo vetor da crise política stricto sensu, mas pela segurança pública. Um exemplo: segundo o RR apurou, nos encontros da semana passada os Oficiais discutiram assuntos viscerais como o aumento da entrada de armas e drogas no país.

Um dado, por si só, dá a dimensão da gravidade: a Inteligência do Exército tem informações de que a área plantada de coca na Colômbia praticamente duplicou nos últimos três anos, em função de uma flexibilização da política antidrogas após o acordo com as Farc. A associação entre o estado de calamidade do Rio e o desenfreado narcotráfico do país vizinho é automática. O alinhamento do Alto-Comando é total em torno do tripé do Exército definido pelo General Villas Boas – “legalidade”, “legitimidade” e “manutenção da estabilidade” –, expressões repetidas nas reuniões da semana passada e citadas pelo General Mourão em sua palestra na última sexta-feira.

A nota divulgada à imprensa pelo Comandante do Exército, General Villas Boas, reafirmando o compromisso democrático do Exército, foi dirigida ao público externo. Internamente os generais concordam com o conteúdo da fala de Mourão – noves fora exageros, como a expressão “impor” – pois delimitam uma linha demarcatória rígida entre significados contextuais das palavras “intervir” e “golpe”. Está última, por sinal, banida do vocabulário castrense. O General Mourão – que, curiosamente, cumpriu uma trajetória oposta à do primeiro ministro do Exército da abertura democrática, General Leônidas Pires Gonçalves, passando do Comando Militar do Sul para a secretaria de Finanças do Exército – tem sabidamente uma forte influência entre os chamados níveis intermediário e subalterno do oficialato, de capitão para baixo. Apesar do discurso fora do tom, não houve puxão de orelha.

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18.09.17
ED. 5706

Efeito colateral

A direção da Petrobras discute o rompimento do contrato com o escritório Trench, Rossi e Watanabe (TRW), envolvido no caso JBS. O TRW presta serviços à estatal na área de compliance. Segundo o RR apurou, o atual contrato, no valor de R$ 96 milhões, vence no primeiro semestre de 2018. Consta que, há alguns meses, a Petrobras teria pressionado o escritório a interromper sua relação contratual com a JBS, por conta de potencial conflito de interesses no âmbito da Lava Jato.

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15.09.17
ED. 5705

Exumação

Gabriel Chalita, o protegido de Michel Temer, é só o fio da meada das campanhas peemedebistas. O doleiro Lucio Funaro abriu para a Lava Jato as vísceras das candidaturas majoritárias do PMDB em São Paulo desde 2006, com destaque para Paulo Skaf em 2010 e 2014. Temer está em todas.

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15.09.17
ED. 5705

Pesos e medidas

A investida da Lava Jato sobre Carlos Arthur Nuzman e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) tem causado níveis distintos de preocupação no PC do B, que cedeu dois ministros dos Esportes durante as obras da Rio-2016. Em relação a Aldo Rebelo, que ocupou o cargo de 2011 e 2015, a aflição é baixa. Consta que o santo de Rebelo não batia com o de Nuzman, e ambos mal se falavam. O mesmo já não se aplica a Orlando Silva, que permaneceu no Ministério de 2006 a 2011. Nesse caso, o termômetro do PC do B acusa temperaturas mais altas. À época, já se dizia no partido que Silva estava excessivamente próximo do presidente do COB.

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Em sua delação, Antônio Palocci promete escancarar para a Lava Jato as entranhas de um esquema de venda de MPs no Congresso, que teria atravessado, principalmente, as gestões de Henriques Alves e Eduardo Cunha na Câmara e de Renan Calheiros no Senado.

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13.09.17
ED. 5703

Recall elétrico

No QG da Lava Jato em Curitiba, a expectativa é que a “delação da delação” dos executivos da Camargo Corrêa atire “para matar” contra José Sarney, Edison Lobão, Valmir Raupp, entre outros peemedebistas com ascendência sobre o setor elétrico. A Odebrecht já mostrou o caminho das pedras.

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13.09.17
ED. 5703

Luciano Coutinho veste a armadura do acadêmico

O ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho traçou uma rota para atravessar o período de turbulência. Vai concentrar sua atividade e exposição em questões de ordem acadêmica, preferencialmente não relacionadas ao banco. Apesar da indissociabilidade com a LCA Consultoria, pretende se divorciar temporariamente de funções executivas, mesmo continuando ligado à empresa.

Luciano acha que o melhor desinfetante para as agruras sofridas com a Lava Jato é voltar a ser o que sempre foi: um economista industrialista, e escrever, escrever, como se não houvesse amanhã. Essa é sua chinese wall. Ele atravessa com a placidez de um monge os tormentos das circunstâncias, tais como o bloqueio dos seus bens por um juiz federal do Mato Grosso. Nada a ver com a Lava Jato. Aliás, o maior espalha-brasas entre todos os delatores, o empresário Joesley Batista, fez questão de ressaltar que Coutinho não tinha qualquer relação com suas operações pouco republicanas.

Em meio a tanta notícia desagradável, eis um fato positivo: Luciano Coutinho é um dos economistas com maior network entre os empresários de São Paulo e relacionamento no circuito internacional de agências de fomento. Ele continua a ser visitado, emitindo opiniões e prestando conselhos. Com seu jeito zen, não se arrepende sequer da longa temporada no BNDES, uma antiga obsessão profissional.

Coutinho largou umas das consultorias mais bem-sucedidas de São Paulo para dar expedientes de 15 horas com uma remuneração bem inferior à que tinha na sua empresa. Agora, inexoravelmente vai ter seu momento de Geni, tomando pedradas aqui e acolá. Por isso não é o momento de falar da teoria que fundamentava os “cavalos campeões” ou da exportação de serviços de engenharia. Em situações de linchamento não há defesa que se sustente. Mas, Coutinho faria quase tudo outra vez.

Seus amigos dizem que ele repensaria o timing de saída do banco, que poderia ter ocorrido quando se iniciaram os escândalos envolvendo a Petrobras. No entanto, ele quis se defender dentro da instituição. Depois do engenheiro Marcos Vianna foi o mais longevo presidente do banco e o mais identificado com a corporação. Quanto a sua gestão, os dados estão contidos no “livro verde”, com o qual o atual presidente, Paulo Rabello de Castro, vem defendendo a lisura e acerto técnico dos profissionais do banco.

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12.09.17
ED. 5702

Encontro marcado

A Rádio Lava Jato informa: a delação de Lucio Funaro e a prisão de Geddel Vieira Lima vão trazer de volta à ribalta o advogado José Yunes, o amigo de Michel Temer.

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08.09.17
ED. 5700

Escorrendo

A investida sobre Carlos Arthur Nuzman foi só a “cerimônia de abertura”. A Lava Jato vai escorrer para diversas confederações penduradas no COB.

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01.09.17
ED. 5696

Os pesos e medidas da leniência

A holandesa SBM, uma das empresas flagradas em delito pela Lava Jato, colocou os órgãos de controle da República e a Petrobras em rota de colisão. O Ministério Público Federal (MPF) está brecando a assinatura do acordo de leniência da empresa. Mais de um ano após o início das tratativas, o MPF ainda não se convenceu quanto à confissão da empresa. A avaliação é que a documentação disponibilizada pelos holandeses até o momento só revela segredos de polichinelo; as informações ajudaram muito pouco nas investigações. Do outro lado, no entanto, o Ministério da Transparência e a própria estatal já aceitaram os termos da proposta e pressionam pela assinatura do acordo de leniência com a SBM. Aliás, entre antigos fornecedores, a insistência da Petrobras em dar o salvo-conduto aos holandeses tem alimentado a interpretação de que a companhia estaria sendo mais rigorosa com empresas nacionais do que estrangeiras.

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25.08.17
ED. 5691

Lava Jato 24 quilates

A rede de joalheiras H. Stern chegou à marca de cem demissões no Rio de Janeiro desde dezembro do ano passado. É uma mistura de crise com Lava Jato.

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24.08.17
ED. 5690

Lava Jato em Madri

A Lava Jato pretende colher na Espanha o depoimento de Rodrigo Tacla Duran, acusado de operar 12 contas offshore com recursos desviados de contratos públicos. Má notícia para as já enlameadas Mendes Junior e UTC Engenharia, que fariam parte do esquema. Em julho, a Lava Jato tentou a extradição de Duran, negada pela Justiça espanhola – ele tem dupla nacionalidade.

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24.08.17
ED. 5690

O encontro das águas turvas

Com uma dívida estratosférica e dois sócios citados na Lava Jato – Wilson Quintella Jr. e BTG Pactual – a Estre Ambiental parece ter escolhido a dedo o seu novo e incensado parceiro, a norte-americana Avenue Capital Group. A companhia de investimentos nova-iorquina carrega seus próprios escândalos, apimentados por relações incestuosas com alguns dos nomes mais poderosos da América. Na imprensa dos Estados Unidos, espocam suspeições sobre os negócios do fundador da gestora, o americano de origem marroquina Marc Lasry, com o atual presidente Donald Trump no setor imobiliário e em cassinos de Atlantic City.

Lasry é republicano quando precisa e democrata quando as circunstâncias pedem. A proximidade com o casal Clinton sempre gerou ilações sobre trocas de favores de parte a parte, principalmente depois que Chelsea, filha de Bill e Hillary trabalhou no Avenue Capital Group, de 2006 a 2009. Ressalte-se que Larsy foi um generoso doador para a campanha da ex-primeira-dama à Casa Branca.

Mas nada disso importa muito para Wilson Quintella Jr. e BTG. O que interessa mesmo é a oportunidade de se associar a uma holding com ações negociadas na Nasdaq. E jogar a dívida de R$ 1,5 bilhão para uma nova casca empresarial, com sede em Caymann.

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17.08.17
ED. 5685

Efeito dominó

O governo tem um calendário próprio para a Lava Jato. Em setembro, Raquel Dodge assume a Procuradoria-Geral da República. Em outubro, seria a vez de trocar o comando da Polícia Federal, com a substituição do “incontrolável”
Leandro Daiello.

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17.08.17
ED. 5685

Largou o barco

A investida da Lava Jato sobre o ex-secretário Rodrigo Bethlem calou fundo no entorno de Eduardo Paes. Bethlem é
tido como “volúvel”. Basta lembrar que, no meio da eleição, pulou para o barco de Marcelo Crivella.

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A Lava Jato está revirando as vísceras da gestão de Aldemir Bendine no Banco do Brasil. O BB já encaminhou aos procuradores documentação sobre as maiores operações de empréstimo fechadas entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, período em que Bendine estava na presidência. Consultado, o BB disse “reafirmar seu compromisso de colaborar com as investigações.”

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15.08.17
ED. 5683

Conselho do conselho

Além do Conselho Curador, o governo planeja montar um comitê de compliance exclusivo para o FI-FGTS, que hoje pega carona na estrutura da Caixa Econômica. A Lava Jato está aí para mostrar que sempre há um Eduardo Cunha disposto a beliscar a grana dos trabalhadores.

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10.08.17
ED. 5680

“Arena Sérgio Moro”

Segundo o RR apurou, a cervejaria Petrópolis estaria negociando a redução dos valores do contrato de naming & rights da arena Itaipava Fonte Nova, em Salvador. Procurada, a empresa nega a mudança no contrato. Está feito o registro. No ano passado, apertada pela crise, a Petrópolis já fez um primeiro e duro ajuste nos valores. De acordo com a fonte do RR, o contrato teria caído de R$ 76 milhões para algo perto de R$ 20 milhões. A Fonte Nova, diga-se de passagem, é uma Arena marcada pela Lava Jato: tem o patrocínio da Petrópolis, citada na Operação, e é administrada por OAS e Odebrecht.

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09.08.17
ED. 5679

Candidato importado

O PSDB poderá lançar mão de uma solução externa para retomar o mando do segundo maior estado do Brasil: importar o deputado Rodrigo Pacheco, do PMDB, para concorrer ao governo de Minas Gerais. O nome natural dos tucanos, Antonio Anastasia, está “interditado” depois que a Lava Jato tragou seu mentor político, Aécio Neves.

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08.08.17
ED. 5678

A rádio repatriação informa

Um espumante empresário citado na Lava Jato teria desembolsado cerca de R$ 100 milhões em impostos para trazer seu dinheiro de volta ao país.

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02.08.17
ED. 5674

Secos e molhados

Mesmo com a Lava Jato nos calcanhares, o senador Edison Lobão terá o usufruto de uma diretoria na Chesf e outra no Banco do Nordeste. O duplo “vale-nomeação” é parte dos dividendos pelo empenho em garimpar votos a favor de Michel Temer no plenário da Câmara.


Por sua vez, o deputado e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento deverá ser agraciado com uma diretoria da Valec. Ontem, no fim do dia, o Planalto dava como certo a captura do parlamentar, que andava indeciso em relação à votação de hoje. Não custa lembrar que a Valec é um campo minado: o ex-presidente da estatal, José Francisco das Neves, foi condenado por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.


Também ontem, no início da noite, o Planalto celebrava a estratégica reaproximação com o vice-presidente da Câmara, Fabio Ramalho (PMDB-MG). O parlamentar, conhecido como “Fabinho Liderança”, estava rompido com o governo desde fevereiro, quando foi preterido por Osmar Serraglio para assumir o Ministério da Justiça. Durante
todo o dia, Ramalho trabalhou para cooptar o PMDB mineiro a votar com o governo. À noite, completaria a missão com um jantar em seu apartamento funcional, onde receberia parlamentares de diversas siglas.

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01.08.17
ED. 5673

Montando o quebra-cabeça

A delação do doleiro Lucio Funaro tem ajudado a Lava Jato a montar o quebra-cabeças da atuação de Michel Temer na arrecadação de campanha do pupilo Gabriel Chalita.

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27.07.17
ED. 5670

Cadeira cativa

A Lava Jato não afetou as capitanias de Edison Lobão no governo. Que o diga o presidente do Banco do Brasil, Paulo
Rogerio Caffarelli, que tenta, tenta, tenta e não consegue tirar Marcio Lobão, filho do senador, do comando da Brasilcap.

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19.07.17
ED. 5664

Três vezes Lava Jato

O Rodoanel, em São Paulo, é “tri-investigado” pela Lava Jato. O Ministério Público Federal já recolheu provas de irregularidades no projeto provenientes de três fontes: Leo Pinheiro, da OAS, o doleiro Adir Assad e Paulo Vieira de Souza, conhecido como “Paulo Preto”, diretor do Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) entre 2007 e 2010.

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11.07.17
ED. 5658

As águas turvas de Santo André

Na terra de Celso Daniel, a água ferve entre denúncias de propina e disputas políticas. A Prefeitura de Santo André estuda buscar um novo parceiro privado para a concessão de saneamento na cidade. O prefeito Paulo Serra (PSDB) já decidiu que não vai sancionar a PPP entre a Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e a Odebrecht Ambiental, firmada na gestão de seu antecessor, o petista Carlos Grana. Em depoimento à Lava Jato, o ex-executivo da empresa Guilherme Paschoal informou o pagamento de doações irregulares à campanha de Carlos Grana em troca da concessão de saneamento da cidade. Consultada pelo RR, a Prefeitura negou que vá fazer uma nova PPP. Mas confirmou o rompimento do acordo com a Odebrecht.

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10.07.17
ED. 5657

Trem pagador

A avalanche que caiu sobre caciques do transporte público no Rio acendeu entre as empresas do setor a paranoia de que Julio Lopes está colaborando com a Lava Jato. Lopes comandou a Secretaria de Transportes na era Cabral. Era muito bom de trânsito, especialmente com as concessionárias do setor.

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05.07.17
ED. 5654

Reforma política vira uma boia para os náufragos da Lava Jato

A reforma do sistema político é o biombo por trás do qual começa a ganhar corpo um grande acordão com o objetivo de salvaguardar as principais lideranças partidárias do país criminalizadas pela Lava Jato. O pacto coletivo está sendo costurado em torno do projeto da reforma política em elaboração na Comissão Especial da Câmara. Uma das propostas mais agudas neste sentido é a instituição de foro privilegiado para ex-presidentes da República. Para tanto seria aproveitada uma outra PEC, já em curso no Senado, que trata de assunto correlato ao tema.

Não custa lembrar que, nos estertores do seu governo, Fernando Henrique Cardoso sancionou lei protegendo ex-chefes de governo de juízes de primeira instância. Três anos depois, o STF derrubou o dispositivo. Uma forma de envernizar a prerrogativa em sua segunda versão seria conceder a ex-presidentes o cargo de senador vitalício. Como única condição restritiva: esses novos membros não poderiam assumir a presidência da Casa.

A medida conta com o apoio irrestrito do PT, do PSDB e do PMDB, siglas que aninham quatro dos cinco ex-mandatários vivos – a exceção é Fernando Collor, do PTC. Além de José Sarney, o PMDB tem ainda o futuro ex-presidente Michel Temer, cada dia mais enrascado na Lava Jato. O pacto em torno da reforma política passa também pelo afrouxamento da legislação eleitoral, notadamente as regras para o caixa de campanha. O texto final da reforma eleitoral deverá propor o aumento do financiamento público de R$ 1,8 bilhão para R$ 3 bilhões. Mais do que isso: permitirá a retomada das doações empresariais.

O modelo negociado entre os parlamentares prevê a fixação de um percentual em cima da arrecadação total de 2014. As doações seriam feitas diretamente para o partido e não para o candidato. Outra proposta considerada visceral que conta com o apoio dos grandes partidos é o voto em lista fechada em 2018 – apenas no pleito seguinte, em 2022, vigoraria o modelo alemão de voto misto (lista aberta e fechada). Esta amarra é o preço da fidelidade ao governo neste momento.

A lista fechada aumenta a “impessoalidade” dos candidatos para o eleitor e favorece os caciques regionais de cada sigla, os nomes mais tradicionais da política, justamente os mais maculados pela Lava Jato. Ameaçados pela estimativa de renovação do Congresso de 50% a 60%, acima da média histórica em torno de 40%, os parlamentares querem o mínimo de garantia de que sua lealdade a um governo todo enlameado não custará sua própria cabeça nas urnas em 2018. A proposta da lista fechada traria, segundo seus defensores, a vantagem adicional de instituir a tão sonhada fidelidade partidária e a possibilidade do encaminhamento de “questões fechadas” à bancada.

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29.06.17
ED. 5650

Nem a Lava Jato desmata as florestas de André Esteves

André Esteves está acumulando um tesouro em recursos naturais, à espera que o Congresso Nacional aprove o projeto de lei que autoriza a venda de terras para o capital estrangeiro. Por meio da Timberland Investment Group (TIG), o BTG Pactual tem se mostrado um agressivo comprador de ativos florestais. Segundo o RR apurou, a Timberland entrou na disputa pelas reservas da Eldorado, a fabricante de celulose da J&F Investimentos – seus concorrentes são a chilena Arauco e a canadense Brookfield.

Em outro front, mantém negociações para a compra de bases florestais no país que somam mais de 200 mil hectares. Neste caso, contabilizando-se também a eventual aquisição dos ativos da Eldorado, o portfólio da Timberland no Brasil mais do que dobraria, pulando de 300 mil para aproximadamente 740 mil hectares. Consultado pelo RR, o BTG não quis se pronunciar sobre o assunto. Já a Eldorado informou que “não há qualquer discussão em andamento para a venda de florestas”. Está feito o registro.

Ao mesmo tempo, o BTG é comprador de terras em geral, notadamente áreas agrícolas, com negociações engatilhadas no Norte e Nordeste. A agressiva política de aquisições deixará o banco em uma posição privilegiada para negociar com os fundos internacionais que já aquecem as turbinas para desembarcar no Brasil. O projeto de lei no 2289/07, que permite a venda de terras e bases florestais para estrangeiros, deveria ter sido votado ainda no primeiro semestre. Esta era a expectativa do relator, o deputado Newton Cardoso Junior, e dos partidos aliados.

No entanto, a crise política e as reformas empurraram a questão. Enquanto a votação não ocorre, André Esteves vai adubando sua carteira de ativos florestais no país, que já estaria precificada em mais de US$ 1 bilhão. A Lava Jato não foi capaz de incinerar as árvores do BTG. Este é um dos raros negócios que passou incólume ao desmonte das participações societárias do banco após a prisão de André Esteves, em novembro de 2015.

Trata-se de uma operação que vai além das fronteiras brasileiras. A Timberland está ampliando seu cinturão de ativos florestais em todo o continente americano. Segundo o RR apurou, neste momento o fundo também está envolvido em negociações para a compra de áreas na América Central e, sobretudo, nos Estados Unidos, onde já tem quase 300 mil hectares. Recentemente, ao lado de outros investidores, o Timberland desembolsou cerca de US$ 400 milhões para comprar as reservas da norte-americana Weyerhaeuser no Uruguai. Foram mais de 300 mil hectares.

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26.06.17
ED. 5647

Se a Lava Jato deixar

A Eletronuclear vai retomar as obras de Angra 3 no primeiro trimestre de 2018. Se a Lava Jato deixar, claro.

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26.06.17
ED. 5647

Biblioteca Rocha Loures

Rodrigo Rocha Loures sempre foi um homem muito organizado. Além do longo histórico de mensagens em seu celular, a Polícia Federal colheu um vasto e valioso acervo de e-mails e arquivos em seus computadores. A força tarefa da Lava Jato já está se deliciando com o material.

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23.06.17
ED. 5646

Mais um Palocci na Lava Jato

A Lava Jato está trilhando por um caminho consanguíneo no âmbito das investigações contra Antonio Palocci. O Ministério Público avança na direção de Adhemar Palocci, ex-diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronuclear. Adhemar era o homem de confiança do irmão mais famoso no Sistema Eletrobras. Em 2015, após uma auditoria, a KPMG recomendou à direção da holding o afastamento do executivo da Eletronuclear. À época, teria descoberto irregularidades em contratos firmados na alçada do executivo. Os procuradores estão debruçados sobre a documentação. Ressalte-se que Adhemar não é marinheiro de primeira viagem na Lava Jato. Já foi citado na delação de Dalton Avancini, ex-presidente da construtora  Camargo Corrêa, que o acusou de receber propina na construção de Belo Monte.

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20.06.17
ED. 5643

A mão de ferro de Michel Temer sobre a propriedade privada

O governo Temer está reagindo à Lava Jato com a adoção de um “intervencionismo democrático”. A resposta às recorrentes operações do Ministério Público e da Polícia Federal são Medidas Provisórias a granel, todas a título de proteção do mercado, que mais intimidam do que tranquilizam. A última geração das MPs na fronteira dos atos de exceção ainda fervilha nos tubos de ensaio do laboratório do Planalto. Com o discurso salvacionista das empresas e dos acionistas minoritários, o novo dispositivo judicial permitiria intervir na gestão e no controle da propriedade privada.

Os empresários responsáveis por danos ao mercado e ao Estado, condenados por delitos graves na área econômica, seriam obrigados a alienar sua participação societária. A depender do ângulo, parece justa a intervenção. Em casos como os da JBS e da Odebrecht, quem paga o pato pela má conduta dos donos é a empresa, seus funcionários, fornecedores a acionistas. Enquanto os controladores estão à frente da companhia, ela será submetida a punições mais prolongadas por inidoneidade, terá dificuldades nos seus acordos de leniência, verá o business ser contaminado pelo marketing da imoralidade dos seus proprietários, e massacrada por todas as instâncias do próprio governo.

Os que esgrimem em favor dessa argumentação lembram o Proer, quando os donos dos bancos foram forçados a se afastar do controle das instituições. Só que no Proer, é bom que se faça a ressalva, os bancos estavam quebrados. A outra ótica é a do grito de alerta contra o arbítrio em relação à propriedade privada. Os critérios que determinariam a intervenção são de tangibilidade discutível. O governo também poderá julgar onde e como quer intervir. Ao contrário do que se propõe, a MP pode se tornar uma ode à insegurança regulatória e uma péssima mensagem ao capital estrangeiro.

Mas Temer não está para brincadeira. A MP da alienação do controle das empresas privadas será apenas mais um ponto cardeal de uma estrada em construção. De certa forma, o governo já tem ensaiado ou mesmo adotado medidas que caminham nessa direção. Foi o caso da “MP das Concessões”, cuja gestão foi confirmada por agências reguladoras, que permitirá a intervenção em qualquer concessionária ou permissionária de serviços públicos, de operadoras de telefonia a aeroportos, rodovias e ferrovias – o governo, que não pisa no próprio calo, tirou as concessões de radiodifusão dessa lista.

O dispositivo bate de frente com a Emenda Constitucional no 8. Em seu artigo 2o, ela diz que: “É vedada a adoção de medida provisória para regulamentar o disposto no inciso XI do art. 21 com a redação dada por esta emenda constitucional” – o inciso XI trata exatamente da exploração dos serviços de telecomunicações, pela União ou mediante autorização, concessão ou permissão. Mas o governo já anunciou que seus tentáculos invadirão todas as empresas de infraestrutura sob o regime de concessão ou PPP.

A ideia permanece no paiol, mas a essência da blitzkrieg já está materializada, por exemplo, na Lei 13.448/17, que abriu espaço para o governo decretar a caducidade e retomar as concessões das rodovias licitadas em 2013 e 2014. Está também no espírito da MP 784, que inaugura um novo jugo nas áreas de regulação e fiscalização do setor financeiro, permitindo – ou estimulando – que as empresas negociem com o Banco Central e a CVM acordos de leniência na esfera administrativa. Os poderes de ambas são turbinados. O limite de multa máxima do Banco Central saltou de R$ 250 mil para R$ 2 bilhões. Já o limite de multa da CVM disparou de R$ 50 mil para R$500 milhões. O conjunto de MPs, a despeito do juízo do mérito, enfeixa o governo de um poder descomunal. É prepotente, arbitrário, invasor de direitos. Temer, definitivamente, quer mostrar que sabe reagir à altura.

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20.06.17
ED. 5643

Onde há fumaça…

Na última sexta-feira, chegou ao Palácio do Planalto a informação de que Geddel Vieira Lima estaria negociando espontaneamente um acordo de colaboração com a Lava Jato. Vale lembrar que o ex-ministro já colocou seu passaporte e seu sigilo bancário e fiscal à disposição do STF.

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19.06.17
ED. 5642

Pagot, mas pode chamar de Blairo Maggi

Os depoimentos do ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa à Lava Jato prometem complicar ainda mais a situação de Luiz Antonio Pagot – e, por extensão, de Blairo Maggi. As denúncias envolvem irregularidades em obras do DNIT. Ex-secretário de Infraestrutura do MT no governo Maggi, Pagot tem um extenso currículo. Foi citado nas delações da Odebrecht pelo suposto pagamento de caixa 2 a Maggi. Em 2011, foi exonerado da diretoria do próprio DNIT após denúncias de corrupção. Sete anos antes, havia sido condenado por fraude em licitação na Secretaria de Transportes de Mato Grosso.

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19.06.17
ED. 5642

House of Cunha

Prevista para 2018, a série do Netflix sobre a Lava Jato, dirigida por José Padilha, será lançada simultaneamente no Brasil e em mais de 50 países. É Sergio Moro tipo exportação.

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14.06.17
ED. 5640

Expresso da propina

A prisão do ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, vai abrir um novo trilho para a Lava Jato. A força-tarefa está desvendando um esquema de corrupção envolvendo não apenas a construção da Norte-Sul, mas também a Ferrovia de Integração Oeste-Leste e a chamada Ferrogrão, que sequer saiu do papel.

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09.06.17
ED. 5637

O doleiro dos doleiros

A Lava Jato vai promover um fratricídio. Em negociação para fechar um acordo de delação, o doleiro Lucio Funaro promete entregar Dario Messer. Ele é considerado o doleiro dos doleiros.

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08.06.17
ED. 5636

Nova lei põe Temer e operadoras rodoviárias em rota de colisão

Como se já não tivesse problemas em altíssima escala, o governo Temer está às portas de um contencioso com um grupo de empresas de infraestrutura – diga-se de passagem, uma espécie de “Clube da Lava Jato”, que inclui CCR, Invepar, Triunfo e Galvão Engenharia. Todas elas arremataram concessões rodoviárias na 3ª etapa dos leilões da ANTT, em 2013 e 2014, e agora se mobilizam para entrar em bloco na Justiça. A medida é vista como a única saída para brecar os efeitos da Lei 13.448/17, sancionada por Michel Temer na última segunda-feira.

Ela abriu caminho para a retomada e a relicitação das licenças. Originária da MP 752, a nova lei excluiu a possibilidade de revisão dos investimentos e dos prazos, como pleiteavam as concessionárias. As companhias pediam um intervalo de 12 anos para concluir a duplicação das rodovias. No entanto, a exigência de cinco anos foi mantida. No fim de semana passado, o ex-governador baiano e hoje presidente da Associação Brasileira das Concessões Rodoviárias (ABCR), Cesar Borges, fez uma série de gestões em Brasília no intuito de convencer o presidente Michel Temer a não sancionar a lei.

Em vão. Formalmente, a ABCR adota um tom conciliador. Consultada, afirmou que a lei “prevê procedimentos para que as empresas possam fazer uma devolução amigável de contratos (relicitadas)”. No entanto, intramuros, as concessionárias avaliam que o governo foi intransigente nas negociações e não levou em consideração a crise econômica e a queda de tráfego nas rodovias. Neste cabo de guerra, o que menos importa é quem tem razão. O contencioso vai para a conta da FBCF, da taxa de desemprego, do PIB etc.

Cresce o risco de que o imbróglio paralise de vez os investimentos em mais de cinco mil quilômetros de rodovias. No atual ambiente político e econômico, não há qualquer garantia de que as concessões eventualmente retomadas pelo governo sejam relicitadas a curto prazo. Em extensão, as concessões da chamada 3ª etapa equivalem à metade de quase todas as rodovias federais já sob gestão privada.

Com uma Lava Jato nas costas, somada à maior recessão da história do país, as operadoras não seguraram o tranco. Todas as obras estão atrasadas ou paralisadas. A Invepar, por exemplo, só conseguiu duplicar um terço dos quase mil quilômetros da BR 040 entre Juiz de Fora e Brasília. A CCR suspendeu as obras da BR-163 no início de maio. O caso mais grave é da Galvão Engenharia. A empresa só teria ampliado até agora algo como 8% do trecho total da BR-153 entre Goiânia e Gurupi (TO).

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07.06.17
ED. 5635

Silêncio dos inocentes

José Antunes Sobrinho, único remanescente entre os antigos acionistas da enrascada Engevix, tem falado cobras e lagartos dos ex-sócios, Cristiano Kok e Gerson Almada. Empurra para a dupla praticamente toda a responsabilidade pelos malfeitos da empreiteira. Quem o ouve fica com a impressão de que Sobrinho só entrou na Engevix depois da Lava Jato.

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06.06.17
ED. 5634

Venda da Estre Ambiental é um rio contaminado pela Lava Jato

O empresário Wilson Quintella Filho tem duas prioridades cruciais neste momento: desvencilhar-se da Lava Jato, que insiste em arrastá-lo para o seu redemoinho, e encontrar um comprador para a Estre Ambiental, uma das maiores empresas privadas de saneamento do país. A primeira questão interfere decisivamente na segunda. Interessados na companhia existem. Segundo o RR apurou, há canais abertos de negociação com a espanhola Acciona e a canadense Brookfield.

A mexicana Pasa, que no ano passado esteve muito perto de se associar à Estre, ainda corre por fora. No entanto, mais do que a elevada dívida, que já estaria na casa de R$ 1,5 bilhão, a pressão dos bancos credores e os maus resultados da companhia, o maior entrave à venda do controle vem de outra direção. Todos os resíduos e dejetos da Estre Ambiental parecem escoar para um único local: Curitiba.

O turbilhão da Lava Jato ameaça invadir a Estre dos mais diversos lados. Pode vir dos depoimentos de Fabio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa e ex-gestor do FI-FGTS, ao qual a companhia solicitou um aporte de R$ 500 milhões, que acabou não se realizando; ou de uma eventual delação do próprio Eduardo Cunha, o condutor dos passos de Cleto, a quem, digamos assim, recomendou que aprovasse a capitalização da empresa. O maior risco, no entanto, está dentroda própria Estre: o BTG, importante sócio da companhia, com 27,4% do capital.

Os persistentes rumores de que André Esteves já teria feito um acordo de delação premiada calam fundo em Wilson Quintella. É por ali que um veio de lama pode invadir os reservatórios da Estre. Enquanto a venda não sai e o fantasma da Lava Jato espreita à porta, a Estre Ambiental acumula prejuízos.

Até o momento, a empresa não divulgou os resultados de 2016, mas é pouco provável que tenha conseguido estancar a sangria dos anos anteriores: as perdas somadas entre 2013 e 2015 passaram dos R$ 800 milhões. O passivo, por sua vez, teria superado a marca de 3,5 vezes o Ebitda. Wilson Quintella Filho quer distância desta água barrenta. Por todos os motivos.

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06.06.17
ED. 5634

Sinal de alerta

A Caixa Econômica está contratando uma auditoria externa para passar um pente fino nos financiamentos e participações societárias acima de R$ 1 bilhão. Para não variar, as mais enroladas passam por aportes nas empresas da Lava Jato.

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A Arena Fonte Nova deverá ser o novo ponto de encontro da Lava Jato com OAS, Odebrecht e o cervejeiro Walter Faria, que detém os naming & rights do estádio baiano.

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02.06.17
ED. 5632

Litigioso

O delator Fernando Baiano, que cumpre prisão domiciliar, corre o risco de perder sua cobertura de 800 m² na Barra da Tijuca, no Rio. Não para a Lava Jato, mas para a ex-mulher, que exige na Justiça o imóvel e mais um pouco do ex-operador do PMDB.

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31.05.17
ED. 5630

Comportas abertas

A força tarefa de Curitiba já trata a iminente delação de João Vaccari como o elo perdido entre a Lava Jato e o setor elétrico. O ex-tesoureiro do PT teve missões de destaque no tempo em que passou pelo Conselho de Itaipu.

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31.05.17
ED. 5630

Memórias de Janot

Rodrigo Janot, que deixa a PGR em setembro, foi procurado por uma grande editora interessada em publicar suas “memórias premiadas” da Lava Jato. Por que não? Até FHC fez.

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26.05.17
ED. 5627

Delação sub judice

O recente depoimento do ex-diretor da Petrobras Renato Duque à Lava Jato vai mudar o acordo de delação de Delcídio do Amaral, conforme apurou o RR. Duque teria relatado o pagamento de propina a Delcídio na compra da refinaria de Pasadena, fato que o ex-senador havia negado aos procuradores. Procuradas, a PGR e a defesa de Delcídio não comentaram o assunto.

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26.05.17
ED. 5627

Trem pagador

Preso ontem, o ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, é só uma escala da Lava Jato, um atalho para a estação Sarney.

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25.05.17
ED. 5626

Uma nova estrada

Iniciou-se a temporada de “leniência a conta-gotas”. Galvão Engenharia e Triunfo, encalacradas na Lava Jato, abriram tratativas com o governo para se beneficiar da MP editada ontem, que abre caminho para a prorrogação de concessões rodoviárias em dificuldades financeiras. Operadoras, respectivamente, da BR-153 e das BR-060 e 262, negociam o reescalonamento dos investimentos.

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24.05.17
ED. 5625

A Operação Lava Jato que se cuide: os pragmáticos estão chegando

A proposta de um circuit breaker na Lava Jato espocou, ontem, em Brasília, São Paulo e Rio, os três pontos cardeais da política, como o elo ideal de um acordo entre os partidos para a sucessão do presidente Michel Temer via eleições indiretas. Segundo as informações vindas dessas três direções, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e o próprio Rodrigo Maia seriam favoráveis a um pacto que levasse em consideração um mínimo de previsibilidade no cenário nacional, o que incluiria dar continuidade às reformas já decididas, apoiar a política econômica do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e congelar o risco Lava Jato até as eleições de 2018. Esta última premissa implicaria um waiver para a frente em delações premiadas, vazamentos seletivos e prisões coercitivas, entre outras práticas menos votadas.

O ponto de concórdia é que o país é maior do que a República de Curitiba. A tarefa exige alinhamento total entre os astros. Primeiro é necessário convencer a obstinada força-tarefa curitibana, e suas ramificações paulistas e cariocas, além dos bolsões radicais, porém sinceros, da Polícia Federal. Esse agrupamento tem monopólio de informações comprometedoras capazes de enrubescer até o mais longevo chefão do FBI, Edgar Hoover, caso ele estivesse entre nós.

Depois é preciso articular a mídia, que teria de ser mais parcimoniosa em relação ao provável ataque de vazamentos. Seria obrigatório acertar com Lula como ficaria o seu passivo de sete inquéritos quase repetitivos, já que o waiver a ser acordado é para o porvir e não para trás. E finalmente o entendimento exigiria uma saída sem constrangimento prisional a Michel Temer. Tudo passaria pelo crivo do Supremo Tribunal Federal, anfiteatro do pacto nacional. Em uma visão cínica, eventuais ressalvas às concessões no acordo não seriam excepcionais, tendo em vista decisões de imensa magnitude pragmática tais como a premiação pela delação de Joesley Batista.

O jurista Nelson Jobim é a unanimidade entre os poderosos para assumir o papel de negociador e liaison entre o Congresso e o STF. O maior desafio, contudo, é explicar essa colagem para o distinto público. Apesar de que algumas forças da mídia já ensaiam a defesa da tese na antessala de qualquer acordo. Por enquanto, há mais desejo do que encaminhamento factível pelas partes interessadas.

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24.05.17
ED. 5625

A Inteligência, com “I” maiúsculo, de Renan Calheiros

Renan Calheiros é tido entre seus pares como uma referência no que diz respeito a cuidados com segurança e privacidade. O senador costuma pedir a interlocutores que deixem celulares e pastas fora do seu gabinete. Teria também o hábito de fazer varreduras periódicas em seus telefones e computadores contra escutas diretas e ambientais. São procedimentos até prosaicos diante do aparato de segurança e inteligência que Renan montou quando presidia o Senado. Só em 2015, a Casa gastou mais de US$ 120 mil na compra de quatro malas antigrampo. À época, Renan também enviou policiais legislativos para participar de um treinamento antiespionagem em Atlanta, nos Estados Unidos. Na ocasião, é bom lembrar, a polícia do Senado foi acusada pela Lava Jato de interferir nas investigações, inclusive buscando escutas em apartamentos de parlamentares.

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22.05.17
ED. 5623

Temer não queria ser ouvido; por isso, acabou sendo “escutado”

Um dos enigmas do grampo de Michel Temer – a incapacidade do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em rastrear escutas e garantir a privacidade do presidente da República – foi respondido em parte ao RR por uma fonte do setor de informações das Forças Armadas. Por arrogância ou intenção proposital de não ter suas conversas monitoradas, Temer deixou “pontos vazios” e mandou relaxar os procedimentos de controle e segurança nas suas dependências. É até razoável aceitar que o porão do Palácio do Jaburu não estivesse entre as dependências mais visadas para que fosse montado algum sistema de averiguação.

Mas é estranho que Joesley Batista, um empresário notoriamente envolvido na Lava Jato, tivesse liberado seu ingresso de carro na guarita do Jaburu sem a obrigatoriedade de identificação. Ou mesmo que, com tamanha folha corrida, não fosse feita pelo menos uma revista protocolar no “convidado” – abrir pastas, palmear bolsos etc. Algo bem menos invasivo do que a busca realizada pela Alfândega norte-americana no ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim. Convém rememorar que foi o próprio Temer quem desautorizou a aquisição de equipamentos para interferência em dispositivos eletrônicos (ver RR edição de 18 de maio).

A metade do enigma da esfinge, portanto, está decifrada: o setor de informações não foi inepto nas suas responsabilidades. Foi Temer que não deixou o GSI funcionar. A segunda interrogação é de um silêncio ensurdecedor: o presidente agiu de caso pensado ou por se sentir acima de qualquer risco? É um dilema entre a criminalidade e a onipotência. Nenhuma das hipóteses abona plenamente Michel Temer.

Currículo do crime

O Serviço de Inteligência do Exército tem informações de que grandes facções criminosas, como o PCC, montaram uma espécie de “universidade do crime”, algo razoavelmente similar ao modelo adotado por grupos terroristas. Seus integrantes têm aulas sobre logística, armamentos, tecnologia etc. Em alguns casos, há um sistema de avaliação com notas, que serve como referência para “promoções hierárquicas”.

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22.05.17
ED. 5623

Ideia de inimigo

Aliados de Fernando Pimentel articulam um encontro com prefeitos mineiros que funcionaria como uma espécie de desagravo ao governador. A essa altura, periga ser um fracasso de público. Pimentel fechou o Grand Slam: está na Lava Jato, na Acrônimo e, agora, na delação de Joesley Batista.

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17.05.17
ED. 5620

Quem não tem Dutra caça com BR-153

O vai e vem de concessões rodoviárias que venta na mão contrária da CCR também poderá soprar a seu favor. A companhia pretende disputar o leilão de relicitação da BR-153 caso se confirme, como tudo indica, a revogação da licença pertencente à Galvão Engenharia. Guardadas as diferenças de porte das duas operações, seria uma forma de a CCR compensar a ausência da Nova Dutra a partir de 2021, ainda que sejam casos bem distintos. O governo decidiu não renovar a concessão da Dutra e promover um leilão já em 2018, três anos do fim da vigência do atual contrato. No caso da BR-153, o buraco no asfalto é mais embaixo. Tragada pela Lava Jato, a Galvão Engenharia não cumpriu o plano de investimentos da concessionária.

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17.05.17
ED. 5620

“Força-tarefa” da Petrobras não poupa a prata da casa

A expectativa da força-tarefa da Lava Jato é que a auditoria interna da Petrobras identifique novos envolvidos no “petrolão” dentro da própria empresa. Os procuradores têm bons motivos para esperar que futuros indiciados surjam das apurações feitas pela estatal. Informações colhidas pelos “investigadores” da Petrobras foram decisivas para a 40ª fase da Lava Jato, deflagrada há dez dias – três ex-gerentes da companhia são acusados receber cerca de R$ 100 milhões em propina (dois deles chegaram a ser presos na operação).Consultada, a estatal confirmou que tem enviado “rotineiramente às autoridades resultados de suas apurações internas, além de ser assistente de acusação em todas as ações impetradas pelo Ministério Público Federal”. A “força-tarefa” montada pela Petrobras incluiu a criação de um Comitê Especial de Investigação, comandado pela ex-ministra do STF Ellen Gracie, e de um canal de denúncias independentes.

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17.05.17
ED. 5620

Andrade e Gutierrez

A distinta senhora Angela Gutierrez, acionista da Andrade Gutierrez e integrante do Conselho de Administração da empreiteira, tem vivido dias de muita ansiedade com o recall da Lava Jato. Apesar de não ter nada a ver com as lambanças em sua companhia, não consegue confiar no seu sócio Sérgio Andrade.

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16.05.17
ED. 5619

Palocci empurra Lava Jato na direção das montadoras

Assim como andou tirando o sono dos bancos, agora a possível delação de Antonio Palocci inquieta também as montadoras, que teriam participado de um suposto esquema de propina para a obtenção de benefícios fiscais. Segundo a fonte do RR, um dos operadores da indústria automobilística seria o empresário Carlos Alberto Oliveira Andrada, da Caoa. Ressalte-se que, de acordo com dados disponibilizados pela Receita Federal, o grupo desembolsou mais de R$ 12 milhões pelos serviços da Projeto, consultoria de Palocci. Os contratos foram firmados por meio de duas empresas – Hyundai Caoa do Brasil e Caoa Montadora de Veículos. Foi uma época bastante próspera para a Caoa. O RR entrou em contato com a Caoa, mas a empresa não quis se pronunciar.

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16.05.17
ED. 5619

A missão de Temer na “Operação Troca Dono”

A operação Lava Jato e o governo de transição de Michel Temer têm objetivos complementares declarados e não declarados. O combate à corrupção e a caracterização de Lula e do PT como núcleo central da roubalheira são bandeiras explícitas do Ministério Público. No caso do governo Temer, há concordância plena com a punição dos entes privados envolvidos na Lava Jato.

O alvo não declarado, contudo, é a mudança da titularidade e da geografia no controle societário dos grandes grupos empresariais. Digamos que Lula e o PT tenham aparelhado o Estado brasileiro, com a nomeação dos cargos de primeiro, segundo, terceiro, quarto e outros escalões de estatais e do setor público. Temer, por sua vez, quer aparelhar a grande burguesia nacional. Está dito no não dito.

A inação sobre o imbróglio da leniência é eloquente. Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, AGU, TCU e MP divergem em relação ao acordo, atrasam o processo de salvação das empresas e ninguém se apresenta para arbitrar o impasse. Com isso, BNDES, Petrobras, Banco do Brasil e governos importadores de serviço matam os principais conglomerados. Michel Temer et caterva não podem vocalizar oficialmente o projeto de “mudança societária na marra”. Mas, há francos porta-vozes à disposição. Exemplo: para o tucano Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, a Odebrecht deveria ser vendida.

No caso das empresas envolvidas na Lava Jato, ele sugere um modelo similar ao Proer, em que os controladores dos bancos foram afastados. A bola da vez dessa escalada para criação de um empresariado novo, cosmopolita – e, preferencialmente, sob o mando do capital estrangeiro – é a indústria da proteína (há sites que insistem irresponsavelmente que os bancos virão a seguir). Quando se fala nesse setor, fala-se da JBS. Há uma sequência de acontecimentos que induzem a pensar que os objetivos declarados da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal e os não declarados do governo Temer se reencontram agora na cadeia da proteína e, mais especificamente, na empresa dos irmãos Batista.

Nessa linha do tempo, não obstante seu impacto nocivo sobre o setor e as contas externas brasileiras, a Carne Fraca teria sido apenas um aquecimento para a operação deflagrada na última sexta-feira, com as diligências na sede da JBS e no BNDES e os mandados de condução coercitiva contra o empresário Joesley Batista e o ex-presidente do banco, Luciano Coutinho. Grandes empresas do país podem ter cometido práticas condenáveis e devem ser punidas por elas. Isso não quer dizer que há de se concordar com um projeto de poder cujo objetivo seria deslocar o controle de algumas das maiores corporações do país que deram certo.

No caso da JBS, em 2009 a empresa empregava aproximadamente 19 mil pessoas. Cinco anos depois, esse número já beirava os 120 mil, contando apenas os postos de trabalho diretos no Brasil – hoje são 160 mil. Em 2007, as exportações da JBS somavam US$ 3,8 bilhões. No ano passado, bateram nos US$ 14 bilhões. Do ponto de vista do investimento em si, poucas vezes na história o BNDES fez um negócio tão rentável.

Se tivesse vendido sua participação na JBS quando a ação bateu nos R$ 17, em setembro do ano passado, o banco realizaria um lucro da ordem de R$ 6 bilhões – no momento do primeiro aporte da agência de fomento na empresa, em 2007, a cotação era de apenas R$ 7. O Brasil ganhou em todos os sentidos com a hegemonia no mercado mundial de proteína, o que tacanhamente é reduzido à aposta em um “cavalo vencedor”. Pode ser que haja um projeto em curso para desnacionalizar a JBS, entre outras corporações. Assim é, se lhe parece.

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12.05.17
ED. 5617

“Arena Lava Jato”

As tratativas entre o Corinthians e a Qatar Airways para a venda do naming & rights do Itaquerão esfriaram. É mais uma negociação que provavelmente não resistirá aos escândalos ligando o estádio à Lava Jato.

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11.05.17
ED. 5616

Gestão da família

Não bastasse a pressão da Lava Jato, Adriana Ancelmo vem tendo ainda uma peleja com Marco Antonio Cabral, filho de Sérgio Cabral, pela, digamos assim, gestão das finanças da família.

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08.05.17
ED. 5613

Ruídos na linha do Ministério Público

Há um engarrafamento no tráfego de informações entre os Ministérios Públicos de Curitiba e do Rio de Janeiro. Segundo fonte do MP do Rio, a demora no envio de documentos e das delações feitas à força-tarefa da Lava Jato tem atrasado algumas investigações no âmbito da Operação Calicute, notadamente no que diz respeito a novas frentes de atuação, como a linha 4 do Metrô e a construção do Porto Maravilha. Nada que não possa ser solucionado com uma boa conversa e um ajuste nos procedimentos, espera-se.

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04.05.17
ED. 5611

Efeito José Dirceu 1

Ontem mesmo, os líderes do MBL e do Vem pra Rua começaram a articular novas manifestações a favor da Lava Jato, para o início de julho. As primeiras convocações devem pipocar nas redes sociais até o fim desta semana.

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04.05.17
ED. 5611

Pombo-correio

Um pombo-correio da Lava Jato informa: a delação de Idelfonso Colares, da Queiroz Galvão, traz fatos ainda mais atômicos sobre o esquema de corrupção na Eletronuclear.

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04.05.17
ED. 5611

Sérgio Andrade sai das sombras onde Otávio Azevedo sempre o escondeu

Na ponta do lápis e sobre o papel almaço, que é onde ficcionistas de finos hábitos cometem seus escritos, o empreiteiro Sérgio Andrade bem que poderia ser um personagem literário. Andrade evoca o Fausto de Goethe. Ele negocia sua alma com Mefistófeles em troca da onipresença de Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, em todo o processo da Lava Jato. Azevedo, por sua vez, teria vendido seu sacrifício a Andrade, por farta pecúnia. O pagamento de gratificação entre sócios é o que permite ao empreiteiro ocultar-se no latíbulo perfeito, onde todos veem e sabem sem que ninguém o enxergue e denuncie.

Consta que Andrade pagou uma gratificação de R$ 140 milhões a Azevedo pelos seus sacrifícios. O executivo assumiria solitariamente a magnífica culpa pelos malfeitos. Como todos sabem, Andrade e Azevedo são o par perfeito da construção pesada. Aliás, eles ultrapassaram o setor, atravessando de mãos dadas os territórios da energia elétrica e da telefonia. Em todas essas empreitadas deixaram um rastro de práticas inconfessáveis. Foi identificada através das delações uma hidra de subornos: pagamentos por fora a Aécio Neves no processo de entrada no capital da Cemig, propina ao ex-deputado Eduardo Cunha e irregularidades nas obras do metrô de São Paulo, Rodoanel, Linha Amarela, hidrelétrica de Jirau, Angra 3, Belo Monte, Petrobras, reforma do Maracanã, além da GameCorp de Lulinha etc. etc. etc.

Diria Mefistófeles diante da extensa lista: nada que as outras empreiteiras não tenham feito. Os donos das demais construtoras, porém, não tinham um Otávio Azevedo. Ele entregou nomes, posou para a história algemado, cometeu perjúrio ao mudar seu próprio depoimento, mas, em momento algum, girou sua metralhadora na direção de Sergio Andrade. Manteve também prudente silêncio sobre as perigosas armações que levaram à criação da Oi e sua fusão com a Portugal Telecom, permitindo que a Andrade Gutierrez e a La Fonte – pertencente ao empresário Carlos Jereissati – abrissem uma janela milionária de saída depois de tosquiar a empresa e deixá-la às portas da recuperação judicial.

Também aqui interviria, recorrente, Mefistófeles: ora, o ex-presidente da Camargo Correa Dalton Avancini teve a mesma atitude protetora com as sócias da empreiteira, as irmãs Regina Camargo Pires de Oliveira Dias, Renata de Camarg Nascimento e Rosana Camargo de Arruda Botelho. O executivo não envolveu as meninas em instante nenhum. Assim não é, e nem lhe parece. As filhas do fundador da empreiteira, Sebastião Camargo, são herdeiras no estilo passadista: moram na Europa, não participam da gestão, nem sabem o que acontece na firma.

Para todos os efeitos, terceirizaram seu papel de donas para os respectivos maridos. Sergio Andrade, ao contrário, era sócio, gestor, planejador e executor das artimanhas da construtora. E todos sabem disso. Passados 22 meses desde que Otávio Azevedo foi preso, solto, preso mais uma vez e novamente solto, aguardando o desfecho de sua pena em prisão domiciliar, tudo indica que Sergio Andrade, enfim, sairá das trevas, no recall convocado pela força-tarefa de Curitiba.

Há versões de que Andrade se antecipará aos fatos em uma colaboração espontânea, prática já ocorrida com diversos outros depoentes da Lava Jato. Seria mais uma astuciosa manobra do empresário para se manter firme como Minas Gerais, de onde é oriundo: estar na escuridão, onde sempre esteve. Mas, mesmo com essa espontaneidade toda na sua delação, não haverá mais jeito. Otávio Azevedo fez tudo o que podia ser feito. Agora Sergio Andrade virá à tona.

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28.04.17
ED. 5608

Credores da Arena do Grêmio dão cartão vermelho para a OAS

Enquanto o ex-presidente da OAS Leo Pinheiro inflama as arquibancadas da Lava Jato, o cerco se fecha contra a empreiteira no gramado da Arena Grêmio. Os credores, à frente Santander e Banco do Brasil, vestiram a camisa do tricolor gaúcho e pressionam a construtora a aceitar a oferta do clube pelo estádio, hoje controlado pela empresa. O Grêmio já colocou as cartas sobre a mesa: topa assumir o financiamento de R$ 113 milhões obtido pela OAS para a construção da Arena.

Propõe ainda pagar diretamente aos bancos um valor mensal entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões pelos próximos 19 anos, dinheiro que inicialmente seria repassado à empreiteira. E a construtora? Para ela não sobraria nem uma moeda para tirar o cara ou coroa. A tabelinha entre os bancos e o Grêmio pode ser a pá de cal na esperança da OAS de fazer dinheiro com a venda da Arena.

As tratativas para a transferência da Arena se arrastam desde 2015. A OAS chegou a pedir mais de R$ 400 milhões, mas foi perdendo fôlego em meio à recuperação judicial. No mês passado, o clube suspendeu as conversas. Segundo uma fonte que acompanha as negociações, a última reunião entre os dirigentes do Grêmio e representantes da OAS se deu em meados de março. Do lado dos gaúchos, trata-se de um recuo mais do que calculado. A nova estratégia do Grêmio é jogar no desespero do “adversário”, valendo-se do apoio dos bancos para empurrar a empreiteira contra a parede.

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27.04.17
ED. 5607

Um sócio para Christiani-Nielsen

Uma das mais tradicionais construtoras do Rio, a Carioca Christiani-Nielsen busca um sócio. A Lava Jato arrasou a empreiteira. E a falência do estado completou o serviço.

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26.04.17
ED. 5606

Lula quer ser crucificado por Moro em cadeia nacional

O ex-presidente Lula vai exigir direitos iguais de transparência no seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, conforme apurou o RR. Lula teme que Moro, sob o argumento de defesa da ordem pública frente ao risco de incitamento da população, suspenda a disponibilização das imagens. Segundo os advogados do ex-presidente, o juiz tem dado provas da sua radicalidade. Usam como exemplo a condução coercitiva, em março do ano passado, e a exigência presencial de Lula nos depoimentos das suas 87 testemunhas de defesa.

Sem rede social ou exposição televisiva, a estratégia do ex-presidente será seriamente mutilada. Segundo a fonte do RR, Lula pretende expor o seu flagelo com a Lava Jato no depoimento a Sérgio Moro. A estratégia de vitimização como defesa não provém dos advogados que o auxiliam, mas dele próprio. Lula pretende dar prioridade ao ato político em vez de usar a tribuna para uma defesa nos termos protocolares que vêm sendo ditados por Moro.

Segundo o RR apurou, Lula vai responder às perguntas de Sérgio Moro cobrando as provas e enfatizando sua martirização. Nesta estratégia de “Mandelização” da sua imagem, o ex-presidente quer sair do encontro como um perseguido político, e não como um político acusado de ter cometido crime de corrupção. A garantia da transmissão pública do seu testemunho é considerada mais importante do que a eventual mudança da data do depoimento, que poderá ser transferida do próximo dia 3 para o dia 10 de maio, ou algum outro dia na vizinhança.

Alguns companheiros de luta do ex-presidente consideram o adiamento prejudicial a Lula, pois distancia o evento da série de acontecimentos de forte impacto social que vem sendo chamada de “agenda do fim do mundo”: a greve geral convocada para o dia 28; a votação da reforma trabalhista, prevista para o dia 27, véspera da paralisação; e o envio do texto final da reforma da Previdência à Comissão Especial da Câmara, com objetivo de julgamento pelo plenário exatamente no dia 3 de maio. Lula não marchará o caminho do incitamento – e quem se lembra da sua performance frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo sabe que não lhe falta talento para convocação à luta, muito pelo contrário. Mas a hora é do calvário. Se Moro não impedir, vai protagonizar com ele, em transmissão televisiva, o duelo pela cruz da Lava Jato.

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19.04.17
ED. 5602

Se os elevadores falassem…

Entre os procuradores da Lava Jato, o tradicional Edifício Depaoli, no Centro do Rio, já ganhou a jocosa alcunha de “Propinão”. O prédio abriga escritórios do ex-deputado Eduardo Cunha, do senador Lindbergh Faria e da UTC Engenharia. Nos últimos meses, a presença de agentes da Polícia Federal no condomínio virou rotina.

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18.04.17
ED. 5601

Rádio pirata

A Lava Jato investiga se Eduardo Cunha ainda é sócio de uma rádio em Pernambuco que, segundo ele, teria sido vendida há dez anos. Entre os procuradores, a emissora já ganhou um slogan: “A rádio que toca propina”.

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18.04.17
ED. 5601

Lava Jato Olímpica

Grandes arenas, contratos milionários, patrocínios de estatais, devassa nas confederações esportivas… O espetáculo está armado para uma “Lava Jato Olímpica“.

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12.04.17
ED. 5598

Força tarefa da PPI remonta a Carlos Lacerda

A iniciativa do governo de blindar os projetos de concessões com a criação de uma “força tarefa” de nove auditores da Controladoria Geral da União para agilizar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) tem inspiração no governo Lacerda. Na época, o governador da Guanabara tocava as maiores obras da América Latina – Aterro do Flamengo, Estação de Tratamento de Água do Guandu, túneis Rebouças e Santa Bárbara, Emissário Submarino etc. – com velocidade espantosa. O segredo do sucesso, além da notória energia de Lacerda e de seu vice-governador, Raphael de Almeida Magalhães, era o modelo de discussão e aprovação paripassu dos projetos. Os engenheiros e advogados de governo discutiam previamente os estudos de viabilidade, exigências e licenças com os integrantes do TCU como se fossem uma só equipe, e tudo saia dali aprovado, direto para os canteiros de obras. Na época deu certo. Mas os homens públicos eram outros, a prioridade era colocar os projetos de pé, e o Estado não estava tão capturado por grupos de interesse (agências reguladoras, órgãos ambientais, indígenas etc). Ah, sim, também não havia a Lava Jato…

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31.03.17
ED. 5590

Os fundos de Cunha

A delação de Fabio Cleto, que era o homem de Eduardo Cunha na Caixa Econômica, empurra a Lava Jato para cima dos fundos de pensão Petros, Previ e Funcef. Cleto tem ajudado a força tarefa a mapear a interferência do próprio Cunha em investimentos da tríade, a começar pela malfadada Sete Brasil.

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31.03.17
ED. 5590

Nos corredores de Furnas…

Há um ex-ouvidor de Furnas soltando o verbo na Lava Jato. Nos corredores da estatal comenta-se que mais gente da ouvidoria vai abrir o bico.

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29.03.17
ED. 5588

Picciani engorda seu gado

Mesmo com a Lava Jato a revirar seu pasto, a família Picciani prepara-se para abrir a temporada 2017 dos seus leilões de gado, alvo de variadas denúncias. Nos dias 17 e 18 de abril, o Grupo Monte Verde, de propriedade do clã, realizará dois pregões virtuais. Trata-se de um aquecimento. O grande evento está previsto para 2 de maio: a 33a Noite dos Campeões, em Uberaba. No ano passado, os Picciani protagonizaram os dois maiores negócios da festa. Diandria, uma matriz de sete anos de idade, foi vendida por R$ 816 mil. Já a nelore Taiga, de 28 meses, alcançou o lance de R$ 900 mil.

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28.03.17
ED. 5587

Velha estrada

Mesmo com a Lava Jato nos seus calcanhares, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, tem se empenhado em indicar nomes para a diretoria do DNIT. Não custa lembrar que, entre as acusações que pesam sobre o partido, está o repasse de recursos ilegais da autarquia por meio de um contrato com a Queiroz Galvão.

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22.03.17
ED. 5583

Laços de família

Presos no início do mês, os lobistas Jorge Luz e seu filho Bruno Luz já sinalizaram a disposição de fazer delação premiada. Ambos são apontados pela Lava Jato como operadores do PMDB.

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21.03.17
ED. 5582

PF erra na dose e promove uma carnificina reputacional

A Policia Federal dessa vez não fez conduções coercitivas e vazamentos seletivos, mas exercitou todo o autoritarismo e inconsequência que poderia se imaginar na generalização e exposição irresponsável de um dos setores da economia com maior geração de empregos e inserção competitiva internacional. Todas as autoridades da área agropecuária foram desprezadas, ninguém da cúpula do governo foi consultado, desconhece-se o percentual dos desvios em relação à totalidade da produção e da exportação e ignoram-se as diferenças entre as irregularidades das empresas pode ser que haja bois de piranha nessa carnificina reputacional. Os laudos técnicos são pouco substanciosos para uma operação desse porte e as propinas pagas para calar a fiscalização ainda estão no território da suspeição em diversos casos – portanto, não há culpa decretada para todas as companhias – e o assunto viralizou na internet. A queima de riqueza com o emporcalhando das marcas das empresas é incalculável e tem um impacto redobrado em relação à imagem do país, devido ao acúmulo com o propinódromo da Lava Jato. É um caso onde não há acordo de leniência que arrume as coisas. A operação “Carne Fraca” reforça a percepção de um país sem crédito, moral e vergonha na cara. Cabe um investigação rigorosa, sem dúvida. Mas a PF não podia passar por essa sem uma admoestação pública e confissão de precipitação e mea culpa internacional na condução desastrada das investigações e divulgação como se fosse uma instituição inimiga do aparelho de Estado.

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17.03.17
ED. 5580

Uma no cravo…

O resultado do leilão das concessões aeroportuárias, decantado em prosa e verso pelo governo, merece destaque positivo, tendo em vista a crise econômica, a Lava Jato, a imprevisibilidade do quadro institucional e político. Mas o ágio médio de 256,5% sobre o mínimo estabelecido para as quatro licenças ficou razoavelmente abaixo do sobrepreço médio de 401% da primeira rodada de concessões, em 2012, quando foram leiloados os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas. Vá lá que os ativos das concessões pioneiras eram mais parrudos. Mas, em tempo de seca, uma gota é um oceano.

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10.03.17
ED. 5575

A “voz” de Palocci

Branislav Kontic, unha e carne de Antônio Palocci, mantém tratativas com a Lava Jato para uma delação premiada. Com problemas de saúde, Kontic cumpre prisão domiciliar depois que tentou o suicídio na cadeia.

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A força tarefa da Operação Calicute, braço da Lava Jato no Rio de Janeiro, avança a passos largos sobre a área de transporte do governo de Sérgio Cabral.

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09.03.17
ED. 5574

Sangramento

O governo deveria assumir a exigência de troca do controle das empreiteiras da Lava Jato em vez de ficar sangrando as ditas. Afinal, são milhares de empregos em jogo.

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09.03.17
ED. 5574

Lobão vs. Machado

Depois que a Lava Jato bateu à porta de seu filho, Marcio Lobão, o senador Edison Lobão só se refere ao delator Sergio Machado de “traíra” para baixo. O pior é que Lobão pai tem certeza de que não parou por aí…

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08.03.17
ED. 5573

Um tucano contou

Comentário de um tucano de alta plumagem: “Se a Lava Jato avançar para o seu lado, o que o Aécio fará com o seu ́Eliseu Padilha ́, que atende pelo nome de Andreia Neves?”

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07.03.17
ED. 5572

A Meirelles, a maré mansa da economia; a Temer, as bombas da Lava Jato

Michel Temer, ao mesmo tempo em que se enrola no arame farpado da Lava Jato, começa a colher bons resultados na economia. Corre o risco, contudo, de ver diluída sua autoria no conjunto da obra. No momento, a visibilidade está toda voltada para Henrique Meirelles, tornado primeiro-ministro pelas circunstâncias. É ele quem decide tudo. Mas digamos que Temer, por direito, foi quem semeou melhorias nos fundamentals, aumentando a previsibilidade das políticas monetária e fiscal.

Não resta dúvida de que colaborou. Se bem que, pelo menos nessa fase, a conjuntura melhoraria por suas próprias pernas – e quem acompanha o RR já sabia – em decorrência da “teoria perversa da economia”, a mesma tese do fundo do poço que apregoa a recuperação estatística após um declínio profundo. A boa novidade, entretanto, é a brisa que sopra os preços das commodities, pressionando em favor da desvalorização do dólar, a melhoria dos termos de troca e um saldo bem mais favorável na balança comercial. Ou seja: um ambiente externo mais amigável para o Brasil. No mais, a inflação desce abaixo da meta de 4,5% – na previsão mais otimista chega a 4% em dezembro – e a Selic cai entre 9% e 9,5% no final do ano.

Por sua vez, o PIB encerra 2017 também em perspectiva mais alvissareira, na faixa de 1%, mas com a expansão da atividade produtiva rodando entre 2,5% e 3% no último trimestre. A aprovação das reformas da Previdência e trabalhista altera pouco o cenário do curtíssimo prazo. Ambas já estão precificadas. No entanto, uma eventual votação contrária no Congresso, especialmente no caso da Previdência, teria um forte impacto sobre as expectativas. Os investidores continuam regidos pela insegurança decorrente da Lava Jato, que voltou a subir elevados decibéis, e pela mais do que provável desmontagem do carry trade devido à queda dos juros.

As empresas e as famílias continuam padecendo as agruras da desalavancagem, depois de baterem o recorde de endividamento da história do país. As bolsas permanecem com tendência de alta ao sabor dos ventos das commodities, aguardando, entretanto, uma sinalização mais firme da política monetária norte-americana. E o desemprego? Ele desafina a maré de números positivos de 2017.

Por uma lógica inercial própria, a taxa de desocupação é a última a se recuperar com um atraso de quatro a cinco meses. Antes disso pode subir, ultrapassando os 14%. A percepção da melhoria do cenário econômico, portanto, fica nublada sem uma queda nítida do nível de desemprego. Vale anotar que o ministro Henrique Meirelles assumiu uma posição confortável no xadrez político: fatura o que der certo na política econômica e deixa deslizar por gravidade para Temer tudo aquilo que der errado. Hoje, Meirelles posa de âncora e o presidente de goma arábica. O que colar em Temer colou.

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02.03.17
ED. 5569

Sobra para os tucanos?

O que se diz na coxia da Lava Jato é que o doleiro Adir Assad está negociando sua delação. Mais uma péssima notícia para Sérgio Cabral. Mas talvez não só para Cabral. Consta que Assad sempre teve uma relação próxima do PSDB paulista, com trânsito livre nas estradas do estado por meio do Dersa.

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24.02.17
ED. 5568

Os “Kennedy da Lava Jato”

José Padilha está reescrevendo episódios da série “Lava Jato” para incluir dois personagens fundamentais que passavam quase em branco no roteiro original: o ex-governador Sérgio Cabral e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo. A produção da Netflix ainda não tem data de estreia, mas, até lá, é possível que Padilha tenha de adicionar outros nomes que ainda não vieram à tona na trama real.

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23.02.17
ED. 5567

Os sócios que contaminam a Águas do Brasil

Sócias da Águas do Brasil, Cowan e New Water temem que a empresa não seja autorizada a disputar as novas concessões da área de saneamento. O motivo são os outros dois acionistas da companhia: Queiroz Galvão e Carioca Engenharia, ambas encalacradas com a Lava Jato. Esta última, inclusive, está no meio de um acordo de leniência. Procurada, a Águas do Brasil informou que tem participado de processos licitatórios e é absolutamente independente de seus sócios.

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23.02.17
ED. 5567

Brita dos Picciani

A mineradora Tamoio, fabricante de brita da família Picciani, tem detonado empregos como quem explode uma pedreira. A entressafra, sem dúvida, é resultado da crise no setor de construção. Mas os demitidos repetem como um mantra a mesma expressão: Lava Jato, Lava Jato…

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22.02.17
ED. 5566

Um tiro no Lobo mau

O presidente do BB, Paulo Sergio Caffarelli, já teria indicado o ex-Previ Dan Conrado para o lugar de Marcio Lobão na Brasilcap. O que faltava era Lava Jato atravessando a porta giratória do banco. Procurado, o BB nega.

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20.02.17
ED. 5564

As três Marias

A Camargo Corrêa anda preocupada com o que vai dizer se houver realmente uma segunda chamada das delações. Todo cuidado é pouco para que nenhum acontecimento sequer respingue no “3R”, como são chamadas Regina, Renata e Rosana, acionistas controladoras imaculadas na Lava Jato.

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17.02.17
ED. 5563

O “cisne branco” das delações

Os velhos companheiros de farda têm se mobilizado em torno da situação do vice-almirante da Marinha, Othon Luis Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear. Entre seus antigos colegas, há um crescente apelo para que ele faça um acordo de delação premiada com a Lava Jato. Seus pares, é bom que se diga, não fecham os olhos para os graves desvios de conduta do ex-oficial no comando da estatal. Mas temem que Othon Pinheiro – reconhecido na área militar e no setor de energia pelos notórios serviços prestados ao Programa Nuclear Brasileiro – seja a força centrípeta de todos os malfeitos cometidos na estatal. Outros cinco ex-dirigentes da Eletronuclear ainda são investigados pela Lava Jato, mas, por ora, apenas Othon Pinheiro foi julgado e condenado. À prisão perpétua, costumam dizer seus contemporâneos nas Forças Armadas: aos 77 anos, o ex-oficial recebeu uma pena de 43 anos de prisão. No entanto, a própria punição não é o veredito que mais lhe dói. Sua filha, Ana Toniolo, foi condenada a 14 anos e 10 meses em regime fechado por também ter participado de um esquema de corrupção na construção da Usina Angra 3 – as obras, por sinal, estão paradas desde descoberta das irregularidades atômicas. Portanto, mais do que para seu próprio usufruto, Othon Pinheiro tem fortes razões consanguíneas para abrir seu baú de memórias na Eletronuclear.

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16.02.17
ED. 5562

Mubadala é a conexão entre os trens da Supervia e da Invepar

O avanço sobre a participação da OAS na Invepar é apenas uma das peças do quebra-cabeças que o Mubadala pretende montar no transporte de passageiros no Rio. O mosaico se completaria com a entrada no capital da Supervia, leia-se Odebrecht Transportes. Com o duplo bilhete, caberia ao fundo de Abu Dhabi costurar a fusão entre as duas empresas e criar uma das maiores concessionárias de transporte urbano do país, com o controle do metrô e dos trens na cidade. Esse caminho conta com a simpatia de Previ, Funcef e Petros, os demais sócios da Invepar. Além de fazer o maior sentido do ponto de vista econômico e viário, a associação teria ainda a função de higienizar a imagem das duas empresas, afetada pelo tsunami da Lava Jato sobre os seus respectivos controladores.

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14.02.17
ED. 5560

André Esteves back to the game?

Há uma certa expectativa de que André Esteves ressurja das brumas da Lava Jato amanhã, participando da divulgação dos resultados do BTG e da teleconferência com analistas. Por ora, os acionistas estão rachados em relação ao retorno de Esteves à ribalta. Quem defende sua exposição entende que o banqueiro não tem nada a temer, e a inclusão do seu nome na Lava Jato foi um equívoco. Já estaria mais do que na hora de virar a página e seguir em frente. A presença de Esteves também seria oportuna para demonstrar a unidade dos acionistas no momento em que um dos sócios, o ex-chefe de fusões e aquisições, Marco Gonçalves, foi praticamente expulso em um episódio controverso de inadimplência de um valor ínfimo frente às cifras auferidas pelos donos do BTG. O RR torce pela reaparição do destemido banqueiro.

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10.02.17
ED. 5558

Gato angorá

Corre em Brasília a informação de que Fabio Cleto delatou à Lava Jato esquemas que já estariam pendurados na vice-presidência de Governo da Caixa Econômica antes de sua chegada ao cargo, em 2011. Um ano antes quem estava no mesmo posto era Moreira Franco.

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08.02.17
ED. 5556

Uma Libra a menos no carnaval carioca

Este ano não vai ser igual àquele que passou, aliás, aos outros que passaram: o Carnaval carioca não terá o camarote Libra/Grande Rio, um dos mais babilônicos da Marques de Sapucaí. Pode ser até que o empresário Jayder Soares, patrono da escola de samba e apontado como dono do jogo do bicho em Duque de Caxias, toque o barco sozinho. Mas dificilmente terá a tradicional parceria com o amigo Gonçalo Torrealba, manda-chuva do Grupo Libra, que transformou o camarote em uma passarela de autoridades, parlamentares e empresários daqui e do exterior. Neste ano, com o enredo nacional da Lava Jato, não parece boa ideia ser o anfitrião da boca livre no Sambódromo. Melhor reduzir a exposição da imagem. A título de ilustração: o falecido ministro Rodolpho Tourinho compareceu uma vez a essa folia momesca. Quando chegou ao camarote e viu a promiscuidade entre o público e o privado, se mandou, ressabiado, não sem antes comentar: “Cruzes, eu não sabia do que se tratava. Não volto nunca mais aqui”.

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06.02.17
ED. 5554

Construtora Série B

O Ministério da Integração deve aprovar ainda neste mês a proposta da construtora Passarelli para concluir as obras de transposição do Rio São Francisco no Eixo Norte, um contrato de R$ 440 milhões. É mais um exemplo de empreiteira da segunda divisão que se aproveita da Lava Jato. A obra estava com a Mendes Junior, que desistiu do projeto.

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02.02.17
ED. 5552

Oriente Construção é mais uma obra do governo Cabral

A Lava Jato está revelando o inacreditável ecossistema criado em torno de Sérgio Cabral. Um dos personagens desse universo de relações incestuosas, o empreiteiro Cesar Farid Fiat, sócio da Oriente Construção Civil, carrega um currículo no qual se misturam denúncias de pagamento de propina, contratos públicos sob suspeita, e até acusações de grilagem de terras. A prisão, em novembro, de Alex Sardinha Veiga, representante da Oriente, tem ajudado a esquadrinhar as ligações entre o empreiteiro e o governo Cabral. Somente no ano de 2011 o estado contratou a construtora para quatro obras na Região dos Lagos, no valor total de R$ 11,4 milhões.

Consta que a Oriente atuou em parceria com a já notória Delta, de Fernando Cavendish. O governo Cabral era uma grande família. Também por volta de 2011, Geraldo André de Miranda Santos – acionista da Oriente e filho de Lina Maria Miranda Santos, esposa de Farid Fiat – se associou ao deputado estadual Paulo Melo, um dos políticos mais influentes do estado. Ambos criaram a PMGA Incorporação e Construção, dona de terrenos exatamente na Região dos Lagos. À época, a mulher de Paulo Melo, Francianne Motta, era prefeita de Saquarema, um dos municípios locais.

Como se não bastassem as denúncias contra a Oriente, ainda repousa sobre Cesar Farid Fiat a acusação de ocupação ilegal de terras localizadas no município de Silva Jardim. Coincidência ou não, trata-se de um dos latifúndios eleitorais de Paulo Melo no interior do estado. Farid Fiat é dono da Fazenda Santa Maria. Ou, pelo menos diz ser. Em 1996, o empreiteiro ingressou na Justiça com diversos processos requerendo o usucapião da área.

Quatro desses pedidos foram atendidos, abrangendo aproximadamente 50 alqueires. Hoje, no entanto, ele se apresenta como proprietário de todos os 300 alqueires da Santa Maria. Desde dezembro, por sinal, cerca de 180 famílias estão acampadas na fazenda. São lavradores que tentam reconhecer na Justiça a legitimidade da posse da área.

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31.01.17
ED. 5550

E ainda tem a Queiroz Galvão…

Enquanto todos os holofotes se voltam de maneira justificada para a Odebrecht, a Queiroz Galvão está na bica de fechar seu acordo de delação. O depoimento com maior potencial destrutivo é o do ex-presidente da construtora Ildefonso Colares Filho, que promete espalhar as brasas da Lava Jato pelo setor elétrico. As fagulhas atingiriam até o governo FHC.

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30.01.17
ED. 5549

A hora e a vez de Marcelo Caetano

Passada essa temporada na qual a prioridade do governo é equacionar a vacância do STF e a relatoria da Lava Jato, quem está escalado para protagonizar a próxima pauta da vez é o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano. Tanto Michel Temer quanto Henrique Meirelles acham que ele tem um papel importante para desempenhar na batalha pela reforma da Previdência. Ou seja: quem vai para mídia é Caetano. O secretário é um dos maiores especialistas do país na matéria e foi colocado no cargo por Meirelles para dar uma clara sinalização da prioridade do tema para o governo. Portanto, com a palavra, Marcelo Caetano.

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27.01.17
ED. 5548

Lava Jato em plenário

O site jurídico Jota avançou em relação às hipóteses publicadas ontem pelo RR, levantando a possibilidade de que não apenas o sorteio do novo relator, mas todos os julgamentos da Lava Jato sejam levados a plenário.

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26.01.17
ED. 5547

Lava Jato mais longe do “trio calafrio” do STF

Os algoritmos do Palácio do Planalto e da presidência STF indicam que a solução de menor risco para a Lava Jato é exatamente aquela até agora menos cogitada, mas, ressalte-se, prevista no Regimento. Ontem, no fim do dia, um caminho até então pouco trilhado começou a despontar como rota preferencial: a extensão a todo o plenário do sorteio da relatoria da Operação. Seria uma alternativa a decisões mais ortodoxas.

A primeira delas, a relatoria ser herdada automaticamente pelo substituto de Teori Zavascki indicado por Michel Temer. A outra hipótese, limitar o sorteio dos processos à Segunda Turma, da qual Teori fazia parte. A terceira, entregar a relatoria ao ministro mais velho da Segunda Turma, Celso de Mello. Esta saída, no entanto, exporia demasiadamente suas reais intenções.

A proposta do sorteio entre todos os ministros em plenário diluiria um risco implícito na “roleta russa”: a probabilidade de a Lava Jato cair nas mãos de Gilmar Mendes, José Dias Toffoli ou Ricardo Lewandowski, integrantes da Segunda Turma. A ascensão de um deles à relatoria da “Mani Pulite brasileira” poderá abrir espaço para um tufão de vazamentos, reclamações na mídia e questionamentos por investigados e réus, gerando uma maré contrária à Lava Jato. Os três ministros são permanentes alvos de contestação por supostamente carregarem preferências ideológicas ou mesmo partidárias sob a toga.

Entre os integrantes da Força Tarefa, a possibilidade de um dos três ministros vir a ser o relator da Lava Jato é vista como um fator de risco tão grande quanto a hipótese do substituto de Teori, escolhido por Michel Temer, assumir a Operação. Por ora, o próprio presidente descarta esta solução. A decisão quanto ao sorteio só deverá ser anunciada após o recesso do STF.

De qualquer forma, a redistribuição dos processos em plenário também tem suas sequelas, a começar pela reação daqueles a quem a medida pretende mitigar a participação. Como membros da Segunda Turma, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Lewandowski vêm atuando na Lava Jato desde o início. Por sua vez, a remoção de um dos juízes da Primeira para a Segunda Turma, também prevista no Regimento, não resolve a questão da relatoria.

Existem interpretações distintas sobre quais processos sob responsabilidade de Teori seriam transferidos para este novo integrante. Há apenas duas certezas. A primeira é que ele carregaria seus casos da Primeira para a Segunda Turma. A outra é a ordem de preferência das remoções: Marco Aurélio Mello, Luiz Fux, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. Este último, estranhamente apontado como o preferido na dança das cadeiras.

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24.01.17
ED. 5545

Um discurso de oportunidade para o PT

A questão mais discutida pela cúpula do PT no fim de semana foi a necessidade de o partido trazer para si a bandeira da intensificação das investigações da Lava Jato, “doa a quem doer”. Pragmatismo puro! Neste momento, interessa à sigla dar corda às teorias da conspiração que cercam a morte de Teori Zavascki.

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19.01.17
ED. 5542

Na soleira da Espanha

A delação do lobista “Fernando Baiano” colocou a Lava Jato na soleira de dois grandes grupos espanhóis com concessões públicas no Brasil.

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12.01.17
ED. 5537

Metrô do Rio empurra a Lava Jato em direção ao Citi

O banco que nunca dorme tem motivos para ficar ainda mais insone. Os trilhos do Metrô do Rio estão conduzindo a Lava Jato na direção do Citibank. Os procuradores de Curitiba, que atuam em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro, dedicam-se a destrinchar as relações entre Sérgio Cabral e a Opportrans. Trata-se do antigo consórcio que administrou o transporte metroviário na cidade até janeiro de 2009, quando a concessão foi vendida à Invepar.

O que mais intriga a força tarefa da Lava Jato é uma operação consumada em 2007, ano em que o Citi dava as cartas no comando da Opportrans – representado por uma tradicional banca de advocacia –, após romper a sociedade com o Opportunity, em 2005. Na ocasião, o então governador Sérgio Cabral estendeu a concessão do metrô por mais 20 anos, até 2038. Em contrapartida, o consórcio se comprometeu a investir cerca de R$ 1 bilhão na compra de novos vagões. O acordo percorreu um caminho tão sinuoso e desalumiado quanto os túneis do metrô do Rio. Por meio de um Instrumento Particular de Transação, a Opportrans quitou uma antiga dívida do próprio governo do Rio com a Camargo Corrêa, no valor aproximado de R$ 40 milhões. Em troca da gentileza, a empreiteira concordou em retirar as cinco ações judiciais que movia contra o estado.

Outro ponto chama a atenção dos procuradores: o acordo foi publicado no Diário Oficial do Rio de Janeiro ao apagar das luzes de 2007, precisamente no dia 31 de dezembro, uma data mais propícia para abafar do que dar visibilidade ao acerto. Naquele mesmo ano, coincidência das coincidências, o Metrô Rio havia contratado os serviços do escritório de advocacia de Adriana Ancelmo. Todas essas decisões tiveram a anuência do Citi, à época responsável pela administração do consórcio e na linha de frente das negociações com o governo do Rio.

Uma das tarefas da Lava Jato é cruzar os repasses da Opportrans/Citi à Camargo Corrêa com os pagamentos do Metrô ao escritório da então primeira-dama. Mais do que isso: juntar essas peças e confrontá-las com as próprias movimentações financeiras de Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo. Boa parte desse enredo, não custa lembrar, chegou a ser escarafunchada na Operação Castelo de Areia, que tinha como alvo a Camargo Corrêa. No entanto, todos esses fatos foram para o limbo com a anulação das investigações. Agora, o caso ganha um novo tom, com a entrada em cena dos procuradores da Lava Jato e do Ministério Público do Rio. A exemplo do Citi, eles também nunca pregam o olho.

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05.01.17
ED. 5532

“Não te disse, meu filho?”

Mesmo com o fantasma da Lava Jato, o senador Edison Lobão começou 2017 aliviado. A dança das cadeiras que atingiu o Banco do Brasil na virada do ano poupou o seu rebento, Marcio Lobão, presidente da Brasilcap desde 2008. Ao menos, por ora.

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30.12.16
ED. 5528

As variáveis que a econometria não pega

Os laboratórios de pesquisas dos grandes bancos de investimentos, independentes ou vinculados à área de research do Banco Central, em Brasília, e os nerds da academia deveriam empreender uma tour de force para testar modelos sobre as duas variáveis que podem jogar por terra a produção de cenários econômicos no Brasil. Uma delas é a crise política, um vetor nos dias de hoje completamente fora de controle. Não há econometria que consiga matematizar e capturar a dinâmica e os efeitos do Lava Jato.

Outra variável imprevisível é o impacto que as instituições “grandes demais para quebrar” – importantes empresas, estados, municípios etc. – podem ter na economia. Até há indicadores antecedentes da probabilidade de quebra, a exemplo do ocorrido com as unidades federativas, mas inexistem modelos econométricos que precisem o timing e seus efeitos macroeconômicos. O mais provável, como têm feito historicamente os economistas, é que o “too big to fail” seja sublimado dos cenários econômicos.

Haveria uma terceira variável permanentemente fora dos modelos: a hipótese do trabalhador não concordar, como um boi de orelha murcha, com certos experimentos macro e microeconômicos que lhe retiram a capacidade de pagar a escola do filho, quitar o aluguel e manter a alimentação da família. Os modelos não levam em consideração a indignação do povo.

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29.12.16
ED. 5527

Efeito dominó

A delação do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Fabio Cleto está permitindo à Lava Jato montar um novo e instigante quebra-cabeças: as peças revelam as relações entre empresas interessadas em obter recursos do FI-FGTS, administrado pela Caixa, e uma miríade de parlamentares que orbitavam em torno de Eduardo Cunha.

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28.12.16
ED. 5526

Austríaca RHI entra no radar da Lava Jato

A Lava Jato está triscando na austríaca RHI, que acaba de se unir à Magnesita para criar a maior fabricante de refratários do mundo. O Ministério Público do Rio, que colabora com a força tarefa de Curitiba nas investigações relacionadas a Sérgio Cabral, apura as circunstâncias dos benefícios tributários concedidos pelo governo do Rio à RHI Refratários Brasil Ltda. Segundo investigações preliminares, a empresa teria recebido 11 isenções fiscais desde agosto, quando a situação nas contas públicas do estado já era calamitosa.

Ressalte-se que o grupo austríaco não tem qualquer site de produção no Rio. Seu próprio centro de decisões no país está sediado em Belo Horizonte. Procurado pelo RR, o governo do Rio disse que não poderia revelar a “quantidade de incentivos” concedidos à RHI “em razão do sigilo fiscal”. A Secretaria de Fazenda informou que a RHI Refratários Brasil “encontra-se enquadrada no Tratamento Tributário Especial (TTE), criado para empresas tipicamente importadoras que utilizam os portos fluminenses”. A RHI, por sua vez, confirmou que possui “Regime Especial de diferimento parcial de ICMS na importação de produtos pelo Estado do Rio.”

Esse Regime Especial, segundo a companhia, “foi diferido em 29 de Julho de 2016 com base na Resolução SEFAZ no 726 de 19 de fevereiro de 2014”. A empresa negou, no entanto, que tenha recebido isenções fiscais do governo fluminense. A RHI disse ainda não ter conhecimento de qualquer investigação sobre seus negócios no Brasil no âmbito da Lava Jato. O fio da meada que o Ministério Público está desenrolando leva a 2011, quando as relações entre a RHI e autoridades do Rio se intensificaram.

Nesse ano, durante o governo de Sérgio Cabral, a empresa anunciou um investimento de 85 milhões de euros na construção de uma fábrica em Queimados, na Baixada Fluminense. A companhia chegou a comprar o terreno, por sinal outro trecho nebuloso na biografia dos austríacos no país. Conforme o RR publicou na edição de 14 de setembro de 2011, a RHI pagou à época R$ 11,7 milhões pela propriedade que, cinco dias antes, segundo registros em cartórios locais, havia sido negociada por apenas R$ 2,5 milhões. O empreendimento foi continuamente adiado.

Em 2012, segundo informação confirmada pela própria companhia ao RR, a RHI suspendeu a instalação da fábrica. Os procuradores têm motivos para acreditar que nem em um século o projeto sairia do papel. A percepção é que a fábrica da RHI nunca passou de um holograma.

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28.12.16
ED. 5526

A mais prioritária das obras da Odebrecht

Escutem o que diz a pitonisa: a Odebrecht vai renascer. A empresa tem tradição de reverter grandes escândalos, a exemplo dos casos PC-Collor e Anões do Orçamento. Não há episódio que sirva de paralelo à Lava Jato, é verdade. Mas nada foi feito em nenhuma empresa brasileira comparável ao plano de mobilização e motivação do corpo de colaboradores, à grandiosidade da operação de comunicação e à mega estrutura de compliance que será tocada por Sérgio Foguel.

Foguel está na Odebrecht há 25 anos, sempre lidando com a área de desenvolvimento humano e organizacional. Trata-se de um quadro altamente ideológico – um dos criadores do Instituto Millenium -, com excelente formação acadêmica. Foi resguardado em uma estufa na companhia e escolhido a dedo por Emilio Odebrecht para comandar a teia de controles que está sendo implantada na companhia.

A sobrevivência da Odebrecht não suporta ações fora do superlativo. De uma certa forma, foi assim nos outros escândalos e situações-limite. Agora o multiplicador é maior. Mas, como dizem os orientais, em toda a adversidade existe uma oportunidade. Na cauda do turbilhão de horrores que se abateu sobre a empresa, há um lado positivo, submerso, que não dá manchetes nas mídias.

A companhia baiana tem feito um ajuste severo, com corte de gastos, melhoria de processos e reestruturação do perfil da dívida. Uma das etapas da estratégia de recuperação da imagem é divulgar os passos do seu calvário de autocrítica e as medidas amplas e rigorosas de compliance. A cada ajoelhada no milho, uma entrevista, release, nota ou comunicado mostrando arrependimento e a disposição de seguir as melhores práticas de conformidade.

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27.12.16
ED. 5525

Lava Jato 1

A Lava Jato investiga as relações do doleiro e lobista Lucio Funaro com Furnas. O que significa dizer que ela investiga as guloseimas e travessuras de Eduardo Cunha na estatal.

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27.12.16
ED. 5525

Lava Jato 2

Com o recesso do Judiciário, boa parte da força tarefa da Lava Jato entrou de férias. Sérgio Moro, também. Nada impede, no entanto, que ele tenha deixado algum mandado de prisão assinado.

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26.12.16
ED. 5524

O eterno preço da Lava Jato

Os funcionários da BR Distribuidora foram submetidos a um processo de background check, uma espécie de tomografia das suas práticas profissionais, incluindo uma auditoria em e-mails e celulares funcionais. Em parte, o processo pode ser atribuído aos preparativos para a venda da companhia; em parte, claro, às rígidas regras de compliance implantadas na estatal após a Lava Jato.

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21.12.16
ED. 5521

Natal da Lava Jato

Ontem, nos corredores do Congresso havia um forte burburinho de que o Natal da Lava Jato poderá chegar antes do dia 24.

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21.12.16
ED. 5521

Reforma 2

Por falar em reforma ministerial, Michel Temer parece gostar de viver perigosamente. Um dos cotados para o novo Ministério é o deputado Aguinaldo Ribeiro, presidente do PP, partido que já teve 38 integrantes citados em inquéritos da Lava Jato.

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20.12.16
ED. 5520

O fado da Lava Jato

A denúncia atribuída ao ex-executivo da Odebrecht, Leandro Azevedo, de que contas do Banco Banif em paraísos fiscais foram usadas para o pagamento de propina a políticos aflige duplamente os portugueses. Além do risco jurídico, há o temor de que a Lava Jato incinere de vez as chances de venda dos ativos do Banif no Brasil. Este, inclusive, teria sido o fator primordial para o BTG ter desistido da aquisição, em julho deste ano. Procurado pelo RR, o Banif não quis se pronunciar sobre a negociação da operação brasileira nem sobre a citação no âmbito da Lava Jato.

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05.12.16
ED. 5509

Camuflagem

O “limitado” patrimônio dos Cabral tem chamado a atenção dos procuradores da Lava Jato. Dos diversos veículos à disposição de Sérgio Cabral e da família, apenas um está registrado em seu nome, um Hyundai Azera. Adriana Ancelmo, por sua vez, não é proprietária de qualquer automóvel. Já era assim em 2010, quando Cabral se reelegeu para o governo do Rio. Àquela altura, em sua declaração de bens constava apenas um Toyota Corolla, modelo 2006.

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29.11.16
ED. 5505

O ouvidor

Paulo Otto Von Sperling, ex-assessor de José Dirceu e ex-ouvidor da Petrobras, está processando a companhia. Sperling foi afastado da estatal em maio de 2015, em meio à Lava Jato. O que se diz na Petrobras é que, em seis anos à frente da ouvidoria, ele teria dado andamento apenas a duas investigações internas. A defesa de Von Sperling afirma que a ação se deve a “diferenças de verbas trabalhistas”. A Petrobras não quis se manifestar, alegando que o processo corre em segredo de Justiça.

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24.11.16
ED. 5502

A hora da verdade para as empreiteiras da segunda divisão

As empreiteiras do time reserva estão esperando com apreensão a segunda onda de delações e acordos de leniência. São empresas de menor porte, tais como C.R. Almeida, Barbosa Mello e Metropolitana, que vivem a dramática expectativa de serem incluídas nas denúncias de propina. O medo se justifica por todos os motivos. Mesmo que não tenham nada a ver com qualquer dos casos de corrupção citados, basta que o nome da companhia seja mencionado para que haja restrições ao pagamento de obras em curso e à participação em novas licitações. O risco de a Lava Jato atingir essas empresas tem sido discutido no governo, que conta com as empreiteiras emergentes para participarem de maneira consorciada nas PPPs, ou mesmo em associação com as gigantes chineses, dando o tempero nacional nas obras de construção pesada.

 O governo também considera que as empresas menores poderiam assumir, em associação ou individualmente, algumas das empreiteiras de maior porte em recuperação judicial. A preocupação é a mesma: evitar que todos os planos para o setor sejam dependentes do capital estrangeiro. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) vem mantendo reuniões com empresários e autoridades buscando discutir medidas profiláticas. A entidade mais ativa, contudo, é o Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo (Sinicesp), que tem procurado, inclusive, articular uma pequena reserva de mercado para as empreiteiras estaduais.

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22.11.16
ED. 5500

Queiroz Galvão

 As negociações com a força-tarefa da Lava Jato para a delação de Ildefonso Colares e Othon Zanoide de Moraes Filho, ex-Queiroz Galvão, envolveriam principalmente a usina de Belo Monte. Os dois carregam um baú de boas histórias sobre o projeto. Procurada, a Queiroz Galvão afirma “desconhecer qualquer acordo de delação.”

•••

 Recordar é viver: em suas famosas gravações, o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado já alertava sobre a catástrofe que a Queiroz Galvão poderia provocar no PMDB.

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14.11.16
ED. 5495

Não seria o momento de uma Constituinte Fiscal?

Não se sabe se em tom de desabafo ou propositivo, mas o ex-ministro e vice-governador Francisco Dornelles tem dito que o Brasil precisa de uma Assembleia Constituinte para repensar os critérios de transferências entre suas unidades federativas. Os estados e municípios deixaram de ser regidos pela lei, o gasto se descolou do orçamento e a gestão e o bom senso tornaram-se inimigos figadais. A Lei da Responsabilidade Fiscal é hoje um instituto jurídico completamente desmoralizado. O delito é anistiado naturalmente e não há mais culpados. Se a lei não vale, a gestão do orçamento é tão fictícia quanto as restrições ao seu descontrole. E sem um mínimo de bom senso voltamos ao velho ditado: em casa que não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão.

 O país está quebrado, e não foi só o PT e sua nova matriz econômica que estilhaçaram as finanças públicas. Piscam os motivos para a esbórnia fiscal: uma seca de cinco anos, epidemias infecciosas, queda brutal do comércio exterior, deterioração do preço das commodities, a Lava Jato e suas consequências sobre a Petrobras, o cancelamento da esmagadora maioria das obras no Brasil. Ah, e ainda um impeachment na conta. O Brasil ameaça repetir a Argentina de Raul Alfonsín, que quebrou pelas províncias, estragou pelas bordas.

 As transferências de recursos da União vão deixando de obedecer ao nexo causal. Os critérios dos Fundos de Participação dos Estados são ultrapassados pela primazia da enfermidade fiscal. No bolo final dos recursos transferidos, os requisitos constitucionais acabam sendo, na prática, um mero detalhe. O RR tem ressaltado, não é de hoje, que União, estados e municípios precisam de um regime fiscal que preveja, além do controle de gastos e da reforma da Previdência. auditorias externas, dispositivos de compliance com regras para acender a “luz vermelha” a menor ameaça de insolvência, um Conselho Fiscal de Segurança, que assumiria a gestão a partir de determinadas métricas de risco etc. Tem falado também que é necessário fazer um encontro de contas, um ajuste patrimonial, uma troca de ativos entre estados e União, com securitização de dívidas e vendas compartilhadas de empresas de unidades federativas distintas. Em linhas gerais, mais ou menos o que o governador Luiz Fernando Pezão propôs. Pezão pensou no bolso do Rio. Dornelles pensou em uma disciplina para o Brasil. Talvez a ideia da Constituinte Fiscal seja o que há de mais rápido e barato para resolver um imbróglio deste tamanho. Com certeza duraria menos do que o ajuste fiscal com 10 anos de carência proposto por Michel Temer e Henrique Meireles.

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03.11.16
ED. 5488

Cultura fica para depois

 A Lava Jato decepou os projetos na área da Cultura. A Transpetro é a campeã do ranking.

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 Leo Pinheiro, da OAS , é nitroglicerina em dose dupla: além da Lava Jato, negocia um acordo de delação no âmbito da Operação Greenfield, que investiga desvios nos fundos de pensão.

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01.11.16
ED. 5487

Ultra encontra um pedágio pelo caminho

  No Grupo Ultra, há poucas dúvidas quanto às intenções de Ricardo Andrade Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. Investigado pela Lava Jato, o antigo parceiro de Eduardo Cunha está diante de uma grande oportunidade de “negócio”. E esta oportunidade surgiu à sua frente graças ao Cade, que declarou Manguinhos como parte interessada na venda da rede de postos Ale para a Ipiranga. Ou seja: Magro conseguiu colocar o bode na sala e agora, ao que tudo indica, vai cobrar caro para tirá-lo de lá. O Ultra, dono da Ipiranga, já trata como inevitável uma dura negociação com Manguinhos para que a refinaria não se interponha – tanto na esfera administrativa, caso do Cade, quanto, sobretudo, no âmbito jurídico – à venda dos postos Ale.  Em sua decisão, o Cade considerou que a aquisição da Ale pela Ipiranga poderá causar um grau de concentração na compra de combustível capaz de afetar os interesses da Refinaria de Manguinhos. Curioso: ao que consta, Manguinhos não refina uma gotícula de petróleo há anos. Seu core business é brigar com o governo do estado para não pagar o ICMS sobre o pouco combustível que comercializa, todo ele importado. • As seguintes empresa não retornaram ou não comentaram o assunto: Manguinhos.

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31.10.16
ED. 5486

Marcelo e Bernardo, os irmãos corsos às avessas

  As famílias Odebrecht e Gradin sempre foram indissociáveis. Seus principais acionistas, Norberto Odebrecht e Victor Gradin, somariam 180 anos cravados se o fundador do grupo estivesse vivo – Norberto faleceu em 2014. Ambos esbanjaram sabedoria, ambição e lealdade mútua. Até os 91 anos, Norberto dirigia, ao lado de Victor, a Mercedes Benz, modelo C1, que lhe foi presenteada pelo sócio no seu aniversário de 81 anos. Em 1974, quando Victor foi convidado por Norberto a fazer parte daquela construtora em ascensão, não havia sequer nada parecido com a Lava Jato. A “partidarização das comissões” era residual: a molhadela, espórtula ou gratificação ficava nas mãos da burocracia ou do próprio tubarão.  Norberto e Victor foram amigos elevados à enésima potência. Victor levou a Odebrecht para o front petroquímico, a industrialização e a modernização de processos. Era um estrategista. Norberto enxergava longe, criou uma cultura corporativa, prezava o capital humano. Era um sacerdote. Se estivesse vivo e não tivesse ocorrido o grande cisma das famílias, os dois duelariam juntos, lado a lado, no front da Lava Jato. A terceira geração dos Odebrecht e a segunda do Gradin sepultaram essa história de fraternidade. Marcelo e Bernardo, os dois eleitos para gerir o império, criaram o seu “Lava Odebrecht”. Jovens, preparadíssimos, ambos conviveram como amigos desde a infância. Ninguém diria que se tornariam uma versão reversa dos irmãos corsos, de Alexandre Dumas, em um processo de desunião crescente com o passar do tempo. Marcelo mandava na construtora e na área de novos negócios. Bernardo, na petroquímica e projetos industriais. Sim, ainda há Miguel Gradin, com quem Marcelo compartilhou o curso de preparação de oficiais da Reserva em Salvador, em 1987. Posteriormente trabalharam juntos na inglesa SLP Engineering, de óleo e gás. Mas Miguel nunca foi um “irmão corso”.  No ano da discórdia de 2010, Marcelo convenceu seu pai, Emílio, e o avô, já afastado das decisões empresariais, sobre uma revisão do acordo de acionista com os Gradin, detentores de 20% do grupo. Estão até hoje em um contencioso pestilento em torno de valores de compra e venda das participações. A partir daí, Marcelo tirou Bernardo das funções executivas da Odebrecht – Miguel também foi afastado. E veio o pior tormento, soprado com fúria pelos procuradores e juiz de Curitiba. Como se sabe, os Odebrecht estão pagando o preço. Já os Gradin “não dominaram o fato”.  Consta que Paulo Roberto Costa denunciou, em julho, Bernardo Gradin por ter negociado com ele, em condições vantajosas, a compra de nafta da Petrobras para a Braskem. Há menções a Bernardo também em episódio de “convencimento” da Petrobras a entrar como sócia da petroquímica da Odebrecht em uma fusão com a Quattor. Digamos que a cota de delações sobre Bernardo seja o correspondente ao percentual de ações que os Gradin têm no grupo e querem vender caro. Mesmo assim o clã passou ao largo da Lava Jato. É curioso! Houvesse a fidalguia de outrora, talvez Bernardo estivesse batalhando pelo amigo de infância como faziam os cavalheiros instituídos de honra e tradição. A têmpera com que foram forjados Norberto e Victor ficou restrita a uma geração.

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31.10.16
ED. 5486

Hora do tucano

 Os procuradores de Curitiba não apenas avançam sobre o PSDB como estão juntando diversos pontos que ligam a Lava Jato ao escândalo de corrupção em contratos do metrô de São Paulo.

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28.10.16
ED. 5485

Calendário

 Coincidência que não quer calar: Constantino de Oliveira Junior saiu da presidência executiva da Gol em 2012. Ou seja: deixou de ser diretor estatutário exatamente no ano em que, segundo a Lava Jato, a companhia aérea começou a fazer pagamentos para empresas ligadas a Eduardo Cunha.

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28.10.16
ED. 5485

Torniquete

 O Ministério Público do Rio pediu à Justiça a suspensão dos pagamentos ao ex-chairman do Grupo Peixoto de Castro, Paulo Cesar Palhares Peixoto de Castro, o “Poleca”. Mesmo afastado do cargo por decisão judicial, após se tornar réu da Lava Jato, “Poleca” continua recebendo seu pró-labore, segundo o parecer do MP sem qualquer justificativa para que o caixa da empresa seja “sangrado com a despesa”.

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 O ministro das Relações Exteriores José Serra não está em boa forma. E dessa vez não é a sua notória hipocondria. •••  A delação de Delcidio do Amaral está empurrando a Lava Jato na direção do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, ou seja, na direção de Aécio Neves. ••• Marcelo Crivella tem informações seguras de que o vazamento das fotos de sua prisão, em 1990, se deu por obra e graça de um de seus principais aliados. Um verdadeiro molequinho.

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27.10.16
ED. 5484

Lama no pneu

 A Lava Jato está triscando na JAC Motors. Os procuradores puxam o fio da meada das relações entre a montadora chinesa e o ex-ministro Antonio Palocci. Por três anos, a companhia desfrutou de benefícios fiscais previstos no Inovar Auto sem atender à premissa básica do programa: ter produção no Brasil. Procurada, a JAC nega qualquer contato com Palocci e garante ter a “intenção de produzir automóveis no país”.

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26.10.16
ED. 5483

Lula, lá?

 O “vai, não vai” da prisão de Lula tem corroído a previsível comoção que o encarceramento provocará. É como se fosse um anticlimax diário: “Vai ser preso hoje! Não foi. Vai ser preso hoje! Não foi”. Até parece que há método nessa repetição. •••  Em tempo: pesquisa de opinião encomendada pelo Instituto Lula confirma mais ou menos o que todo mundo imaginava. Se for preso, Lula cresce na disputa eleitoral e ganha de todos no primeiro e no segundo turnos. Vai ser difícil desconstruir o “Barba”.

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26.10.16
ED. 5483

Em nome do pai

 Mesmo alvejado pela Lava Jato, Edison Lobão trabalha para demover o Planalto da ideia de trocar a direção da Brasilcap. A subsidiária de capitalização do BB é comandada, desde 2008, por Marcio Lobão, filho do ex-senador.

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20.10.16
ED. 5479

O frio na espinha que a prisão de Lula provoca

  Não há tempo de estio na jornada de Luiz Inácio Lula da Silva. A chapa da Lava Jato está sempre fervendo. Na última sexta-feira, escaparam pelas goteiras dos comandos de Curitiba e Brasília sinais de que falta pouco para um xeque-mate. A ansiedade cresceu quando, no meio da tarde, circularam informações sobre uma reunião convocada pela presidente do STF, Cármen Lucia, com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o ministro da Defesa, Raul Jungmann. A motivação formal do encontro publicada nos jornais foi a discussão do Plano Nacional de Defesa, com ênfase na situação dramática do Rio de Janeiro. Mas uma outra versão causou insuperável frisson nos setores diretamente envolvidos. Segundo este relato, as autoridades teriam discutido as consequências de uma grande comoção popular com a prisão de Lula.  A articulação de manifestações violentas por parte de sindicatos e movimentos populares teria sido capturada pela rede de informações do governo. Não são necessários espiões ou arapongas para chegar a essa conclusão. Nas redes sociais, nos últimos dias, têm se multiplicado as ameaças abertas sem nenhuma preocupação de sigilo por parte dos autores. O teor é mais ou menos “prende o Lula que nós vamos explodir tudo”.  Ontem circularam rumores fortes de que o líder do PT seria encarcerado até o fim desta semana na “Operação Fim de Papo”. O já célebre PowerPoint de Deltan Dallagnol e sua tropa de choque apresentando Lula como o “general do crime” não deixa dúvidas de que o pedido de prisão preventiva é inevitável. Nenhuma autoridade pública se comporta daquela maneira se a decisão já não estiver tomada. No Instituto Lula a informação é de que os advogados do ex-presidente têm uma comunicação difícil com o Ministério Público.  Por sua vez, no governo Temer ninguém acha essa prisão uma boa nova. Temer vê um domínio do Congresso total, a aliança sólida com a mídia, as ruas calmas, o ambiente propício para aprovação das reformas conservadoras, então para que um risco político dessa magnitude? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem dito que, como está, Lula será um farrapo em 2018, mas, se for preso, torna-se perigosíssimo. Há cheiro de pólvora debaixo do tapete da Lava Jato e nenhuma sensibilidade do Ministério Público em relação à representatividade de Lula e seu apelo popular. A aposta de Deltan Dallagnol e dos procuradores do seu grupo de trabalho é de que a prisão será mais uma e nada mais. A essa altura, é torcer para que estejam certos.

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20.10.16
ED. 5479

Moto contínuo

 Entre os procuradores da Lava Jato, é grande a expectativa de que um acordo de delação com Branislav Kontic, ex-assessor de Antonio Palocci, torne praticamente inevitável que o próprio ex-ministro da Fazenda siga o mesmo caminho. É o demoníaco efeito pirâmide da deduragem.

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 O acordo que a Pasa, do México, está costurando com a Estre Ambiental é mais rigoroso do que o habitual em contratos dessa natureza, notadamente no que diz respeito aos antecedentes da empresa brasileira. Os mexicanos exigem o direito de cancelar a fusão, sem qualquer ônus, caso a companhia seja chamada a responder por algum eventual ilícito do passado. O motivo da cautela da Pasa atende pelo nome de Lava Jato. Citada nas investigações, a companhia controlada pelo BTG e pelo empresário Wilson Quintella prestou serviços de coleta e tratamento de lixo à Petrobras entre 2010 e 2014, período no qual teria amealhado mais de R$ 700 milhões. Em dezembro do ano passado, não custa lembrar, a PF chegou a fazer uma operação de busca e apreensão no escritório da Estre em São Paulo. Procurada, a empresa não quis se pronunciar sobre o assunto.

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18.10.16
ED. 5477

Delação destilada

 Gim Argello reabriu as negociações para uma delação premiada. Por duas vezes, os procuradores da Lava Jato brecaram o acordo por entender que o ex-senador contava da missa apenas a metade em seus depoimentos. Agora que foi condenado a 19 anos de prisão, Argello vai soltar a voz.

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14.10.16
ED. 5475

Asfalto quente

 A Lava Jato estaria avançando mais algumas jardas na direção da Dersa, a estatal paulista responsável, entre outros projetos bilionários, pela construção do Rodoanel.

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05.10.16
ED. 5469

Luiz Estevão

 A delação premiada do ex-senador Gim Argello empurra a Lava Jato ainda mais na direção do empresário Luiz Estevão, que cumpre pena na penitenciária da Papuda.

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 Além de mencionar o suposto envolvimento do senador Valdir Raupp em um esquema de corrupção na BR Distribuidora, a delação de Nestor Cerveró também descortina sinuosas relações do peemedebista com a Eletronorte .

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 O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, aquele que diz não saber o que disse saber, teria sido informado da operação contra Antonio Palocci na tarde da última quinta-feira. •••  Além da iminente venda de parte da Congonhas Minérios, Benjamin Steinbruch tenta atrair o China Development Bank para a Transnordestina . •••  O lobista Milton de Oliveira Lyra Filho, preso pela Lava Jato na última segunda-feira, é bastante próximo de badalados cartolas do futebol brasileiro, inclusive o ex-presidente da CBF José Maria Marin.

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21.09.16
ED. 5459

Pacote completo

 Torre quer vender um pedaço da recém-criada WTLog. Quem chegar vira sócio de uma carteira de R$ 600 milhões em galpões imobiliários e de um empresário investigado na Lava Jato e na Greenfield. • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto:  WTLog.

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 José Serra pretende não só participar do road show dos outros ministros no exterior, mas também organizar os seus individuais. Desafia quem vai captar mais.  Se a República de Curitiba quiser depurar suas investigações na Lava Jato, recomenda-se ouvir o presidente da PwC, Fernando Alves, um expert em Odebrecht e Petrobras.  Geraldo Alckmin trabalha junto ao Planalto para que recursos do FI-FGTS também sejam usados na venda de concessões estaduais. Puxa a brasa para a sua Cesp .  

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16.09.16
ED. 5456

Lula quer apresentar Michel Temer à Lava Jato

 O PT tem duas estratégias e um posicionamento definidos para reagir à denúncia do Ministério Público Federal contra Lula. Estes pontos foram exaustivamente debatidos pela cúpula do partido ao longo da tarde de ontem, após o pronunciamento do ex-presidente. Segundo a fonte do RR, assíduo interlocutor do ex-secretário da Presidência da República Gilberto Carvalho, a postura de Lula não será a do candidato de 1989, mas de 2002. Ou seja: indignado, sim, no entanto, até segunda ordem, cordial, bem humorado e disposto ao diálogo. Já as referidas estratégias se cruzam entre si. Uma delas é evitar o confronto aberto com a Lava Jato, mas, ao mesmo tempo, desacreditá-la. Isso significa colocá-la sob suspeição, lançando sobre ela a pecha de parcial e de olhar apenas para um partido ou grupo político. A questão é a sutileza, o ponto da massa antes de tirá-la do forno, coisa em que Lula é perito.  Este movimento abrirá caminho para o complemento da tática delineada pelo PT. O partido pretende colocar foco no atual governo, adotando um discurso com o intuito de colar o Ministério Público em Michel Temer e seus colaboradores mais próximos, muitos deles já devidamente carimbados pela Lava Jato. A premissa é que o bombardeio ao atual presidente e sua távola redonda ajudaria a quebrar o protagonismo do PT e do próprio Lula na Operação. Permitiria também o take over do “Fora, Temer”, grudando o slogan das ruas às investigações do “petrolão”. Ao mesmo tempo, jogar foco sobre Temer evitaria que o ex-presidente concentrasse sua munição contra os procuradores de Curitiba. Até porque este está longe de ser o melhor Lula. Quando se dirige ao Ministério Público, ele automaticamente precisa vestir uma camisa de força e tomar todos os cuidados. Ontem, por exemplo, não fez qualquer menção nominal a Deltan Dallagnol, chefe da força tarefa e âncora do espetáculo midiático conduzido na véspera pelo Ministério Público. No PT, há a convicção de que um duelo escancarado não é o caminho mais recomendável. Seria muito desgaste para pouco resultado, tamanho o prestígio de Sergio Moro e seus cruzados junto à opinião pública. Além do mais, até no discurso oficial quem quer abafar a Lava Jato é Temer, Renan, Cunha, Aécio etc. Não Lula.  No entanto, talvez o ponto mais sensível seja como Lula deve abordar a palavra que não ousa dizer seu nome. Ontem, em 1h20 de discurso, ele não pronunciou o termo “prisão”. Contudo, quem o psicografa garante que o tema terá a sua vez e Lula, como de hábito, saberá o timing exato de colocá-lo sobre a mesa. Ao citar a questão de viva-voz, ele poderá dizer que sua detenção está decidida há décadas e décadas pelas elites. E que o que está em jogo não é o seu cárcere, mas a prisão de uma causa. Por enquanto, não há pistas sobre quem terá o mando de campo do destino de Lula: o discurso evangelizante dos rapazolas da procuradoria ou o rugido rouco das ruas. A única aposta firme é que a imolação de Lula é uma fagulha com inegável poder de combustão.

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13.09.16
ED. 5453

Privatizações e Lava Jato têm encontro marcado no PPI

 A segunda-feira foi de bate-cabeças no Palácio do Planalto. Muitas ideias, poucas decisões. Ontem à noite, a poucas horas da primeira reunião do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), ainda não havia uma definição dos projetos e do pacote de benefícios aos futuros investidores que serão levados para o encontro de hoje, em Brasília. O secretário Moreira Franco passou o dia catando pedacinhos de programas anteriores. Até raspas e restos do velho PAC foram usados para dar um toque sinfônico, digamos assim, à apresentação. Colocar vértebras no projeto talvez seja o menor dos problemas. O núcleo duro do Planalto – leia-se o próprio Moreira, Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha – está ciente de que o governo perdeu o que seria o grande ativo para a realização de um programa de privatizações em larga escala: uma espécie de leniência coletiva, ou seja, um grande acordão que permitisse às maiores empreiteiras do país – tanto as já condenadas quanto aquelas ainda sob investigação – além dos grandes investidores, a exemplo dos fundos de pensão, purgar seus malfeitos, quitar seus débitos com a Justiça e, assim, voltar ao game das concessões.  Esta hipótese parecia ter sustentação em Michel Temer e seu grupo político. Puro desejo. O próprio presidente da República e alguns de seus mais próximos colaboradores – a começar exatamente pelo trio Moreira, Geddel e Padilha – são alvos de investigações da Lava Jato, o que automaticamente lhes tira a autoridade para articular uma solução dessa natureza. Um movimento neste sentido vindo dos lados do PMDB será visto como uma tentativa de abafar Curitiba. Ao mesmo tempo, qualquer facilidade ou benfeitoria no programa de desmobilização patrimonial teria a fragrância da suspeição. Ou seja: com o governo Temer, a Lava Jato tornou-se uma “doença” auto-imune.  As aflições do Planalto passam ainda pela crise econômica e pela tensão das ruas. O projeto de ajuste fiscal tem um delay entre a produção de mal estar e bem estar. Enquanto a sensação é de usurpação de direitos, piora da renda e do desemprego – em parte carry over do governo Dilma –, o ambiente de indignação ganha novos decibéis a cada dia. A maneira de mitigar o bordão “Fora Temer” seria entregar parte do que os movimentos sociais querem, entre outras ações suspendendo as reformas trabalhista e da previdência. Mas seu nome não seria Michel se lá estivesse para repetir o governo anterior.  Os ativos de Michel Temer começam a se queimar rapidamente. De maior avalista do seu governo e potencial candidato em 2018, Henrique Meirelles periga se transformar em um ministro insípido, silenciado pelo seu próprio e repetitivo discurso. Só o próprio Temer poderia salvar seu governo de se tornar cada vez mais ralo, com vigor, decisões enérgicas, capacidade de comunicação e carisma. Alguém viu esse Michel Temer por aí?

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12.09.16
ED. 5452

Itochu sobre as águas brasileiras

 A Itochu quer comprar os 51% restantes da Queiroz Galvão na holding Águas do Brasil. Os nipônicos, donos de 49% do negócio, pretendem consolidar o capital integral da empresa. Além dessa aquisição, a Itochu estuda fazer uma oferta pela OAS Soluções Ambientais. Essa animação toda reflete o baixo preço dos ativos no Brasil, decorrente da valorização cambial e da Lava-Jato. Caso feche as duas transações, a Itochu chegará ao segundo lugar do ranking entre os grupos privados da área de saneamento, atrás apenas da Odebrecht Ambiental . • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: Itochu e Queiroz Galvão.

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22.08.16
ED. 5438

TV Anastasia

 Cada sessão da comissão do impeachment na TV Senado já é tratada no PSDB como um ato de campanha de Antonio Anastasia ao governo de Minas Gerais em 2018. Isso, claro, se a Lava Jato não interromper a caminhada.

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18.08.16
ED. 5436

Resposta Ricardo Magro

 Sobre a nota publicada no dia 11/08, Ricardo Magro informa “desconhecer que seja investigado pela Operação Lava-Jato e considera pouco profissional o termo figurinha carimbada da Lava-Jato. Por fim, destaca que a Refinaria de Manguinhos é uma empresa listada na Bovespa, tendo como acionista majoritário empresa do Grupo Familiar que o mesmo faz parte.”

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05.08.16
ED. 5427

Lava Jato AM

 A Rádio Satélite, de Pernambuco, estaria à venda. Trata-se de uma mais célebres emissoras do país desde o advento da Lava Jato. O Ministério Público Federal garante que ela pertence a Eduardo Cunha. O deputado, por sua vez, não se cansa de negar a propriedade da rádio, afirmando que a vendeu para o pastor RR Soares há quase dez anos.

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01.08.16
ED. 5423

A vez de Zelada

 Mais um baú de trepidantes memórias poderá se abrir na Lava Jato. Condenado a 12 anos de prisão, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada abriu negociações para um acordo de delação premiada.

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26.07.16
ED. 5419

Jucá elétrico

 Em novo depoimento à Lava Jato, Sergio Machado teria desfiado um rosário de traquinagens do senador Romero Jucá na Eletronorte.

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20.07.16
ED. 5415

Grande família

 Pelos documentos apreendidos na residência do lobista Milton Lyra no último dia 5 de julho, os procuradores da Lava Jato estão convencidos de que ele tem a chave da alma dos senadores Romero Jucá e Eunício de Oliveira.

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 A Galvão Engenharia é um case entre as empresas do setor que logo no início do Lava Jato optaram por saldar suas dívidas. O ovo de Colombo foi a securitização dos atrasados da Petrobras e a negociação desses passivos com os bancos credores. Quando fez as operações, o deságio sobre os débitos da estatal ainda estava baixo. Quem esperou a Lava Jato turbinar já não conseguiu reestruturar suas dívidas com o mesmo modelo.

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07.07.16
ED. 5406

Temer precisa pagar pelo passado antes das novas concessões

 O anúncio da secretaria geral do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) de que a temporada de novos leilões de concessões está prestes a ser iniciada é considerada uma piada de salão na indústria de bens de capital. O secretário-ministro Moreira Franco até pode se esforçar para dar celeridade ao processo. Só que o buraco dos investimentos é bem mais embaixo. O governo é inadimplente em contratos de concessões desde 2012. O valor dos recursos travados já chega a R$ 40 bilhões. Em tese, a retenção de verbas não estaria projetada no déficit primário de R$ 170 bilhões estimado para este ano. Se fosse para valer, o rombo saltaria para R$ 210 bilhões, ou, na hipótese mais edulcorada, para R$ 185 bilhões, com o governo honrando os aditivos em contratos do século passado, a partir de 1994, no valor de R$ 15 bilhões. Segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), esses aditivos poderiam ser destravados no curto prazo, com os pagamentos realizados em até seis meses.  O pré-calote com as concessões não é um fato isolado no sertão da formação bruta de capital fixo. A falta de uma solução para o acordo de leniência com as empreiteiras e os pagamentos suspensos pela Petrobras – quer seja pelo simples atraso dos investimentos, quer seja pela inidoneidade dos seus fornecedores – se juntam às dívidas oficiais com as concessionárias. Aliás, bom negócio se os atrasados forem considerados dívidas e não simplesmente pagamentos cancelados por alguma motivação não prevista. Entre os múltiplos motivos da queda dos investimentos consta a Lava Jato. A operação passa a limpo o país do futuro, mas, no curto prazo, cria um psiquismo enorme entre os empreendedores do setor de infraestrutura. É o chamado risco de “quem será a próxima vítima?”.  Se quiser reverter esse cenário de 10 trimestres consecutivos de retração na formação bruta de capital fixo, o governo de Michel Temer terá de ir além das trucagens com as expectativas, valendo-se de juras e promessas refletidas nos índices de confiança. Um bom início é coçar o bolso e saldar algum dos atrasos com esses mesmos empresários que pretende chamar para a próxima rodada de concessões.

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06.07.16
ED. 5405

Hora da verdade

 Nos últimos dias, o ex-deputado André Vargas passou a considerar como nunca antes a hipótese de uma delação premiada. O motivo é a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo. Vargas teme que a Lava Jato esteja fechando o cerco a Gleisi Hoffmann, assim como ele uma das principais peças do PT no Paraná.

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 Em público, Fernando Haddad diz que Gabriel Chalita está mantido como candidato a vice em sua chapa; entre quatro paredes, já busca alternativa. O assunto foi tratado nos últimos dias entre o prefeito e Carlos Lupi, que acumula a presidência nacional e de São Paulo do PDT. A preocupação de Haddad é o impacto negativo da citação de Chalita na delação de Sérgio Machado. Já basta o desgaste do PT com a Lava-Jato.

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 Um dos passivos da Lava Jato que serão herdados pelo novo sócio ou – quem sabe? – futuro controlador da BR Distribuidora: neste momento, há 36 funcionários da estatal sob investigação interna. Seus e-mails, ligações telefônicas e negociações comerciais de que participaram estão sendo escarafunchados de cima a baixo. • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: BR Distribuidora.

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28.06.16
ED. 5399

Novena

 O empresário Marcelo Odebrecht completa hoje exatas 9.000 horas de cárcere. Não foi julgado nem há previsão para que isso ocorra. Mas, como se vê, isso é um detalhe.

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22.06.16
ED. 5395

Ranking

 Na avaliação do próprio Planalto, Bruno Araújo, das Cidades, e Mendonça Filho, da Educação, disputam cabeça a cabeça quem terá a honra de ser o próximo ministro degolado pela Lava Jato.

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17.06.16
ED. 5392

Vida real

 Os procuradores de Curitiba, especialmente Deltan Dallagnol, foram sondados para fazer uma participação especial na série sobre a Lava Jato que José Padilha está produzindo para o Netflix.

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14.06.16
ED. 5389

Perigo real

 O ex-senador Gim Argello, preso há dois meses, tem um motivo extra para contar tudo o que sabe aos procuradores de Curitiba: evitar que sua mulher, Marcia Cristina Varandas Argello, também caia no alçapão da Lava Jato. A força tarefa investiga uma série de movimentações suspeitas em contas da esposa do ex-parlamentar.

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13.06.16
ED. 5388

Quem encara os riscos da repatriação?

 Desabou a expectativa de ingresso de recursos estrangeiros no país através da janela da repatriação. Para os técnicos do Ministério da Fazenda um dos motivos deste recuo são as imprecisões existentes na lei, que deixaram um rastro de dúvidas sobre a segurança e o ônus efetivo da operação. A causa maior, entretanto, é o clima de instabilidade institucional que atravessa o país: “A cultura da prisão”, segundo o interlocutor do RR.  A solução para reverter a inquietação dos detentores de recursos externos seria a aprovação de garantias por meio de emenda constitucional. Mas não parece aos técnicos que o Congresso esteja colaborativo a esse ponto. “Pedido de prisão de políticos, Operação Lava Jato, denúncia de propinas e a anistia de dinheiro fugitivo é uma equação que não fecha”.

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 O futuro da democracia brasileira passa, nas próximas semanas, pela antecipação da eleição direta para a Presidência, um pacto entre as principais lideranças políticas e os Poderes da República e a definição sobre a negociação de uma “janela” na Lava Jato para que o pleito possa se dar de forma soberana. A ordem dos fatores altera o produto. O pacto social antecede os demais, pois lubrifica as mudanças constitucionais necessárias e o novo ambiente institucional. O acordão por meio do qual pretende se legitimar as “Diretas Já” é primo distante daquele conspirado por Romero Jucá e Sérgio Machado. É motivado por intenções distintas, pode ser articulado e anunciado à luz do dia e, em vez de ser uma costura entre Eduardo Cunha, Michel Temer, Renan Calheiros et caterva, seria alinhavado, por cima, por Fernando Henrique Cardoso, Lula, Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Jaques Wagner, Tasso Jereissati e, acreditem, Aécio Neves, além de empresários de primeira grandeza que voltaram a pensar no Brasil.  Os articuladores não acreditam em uma reação de Temer e sua turma, denunciando o “golpe dentro do golpe”, apesar de estarem atentos aos afagos cada vez mais explícitos do presidente interino aos comandantes militares. O professor de Direito Constitucional e suas eminências pardas sabem que a governança do país é extremamente frágil. Um “frentão” juntaria as ruas com a Av. Paulista e mudaria de direção o leme da imprensa. O espinho é o que fazer com a Lava Jato, que, se por um lado, descortinou as tenebrosas transações com a pátria mãe tão distraída, por outro, gangrenou a democracia com a criminalização do futuro. A instituição de uma “janela” na nossa Operazione Mani Pulite seria uma concessão para que as eleições diretas já não se dessem no ambiente de investigações, delações e aceitação de provas forjadas que sancionam a culpa antes mesmo da denúncia. Pensa-se em algo derivado a partir do modelo de anistia com punições razoáveis criado para a repatriação do capital estrangeiro: quem confessa sua irregularidade não é criminalizado, mas paga multa pecuniária.  Todos os participantes desse programa de adesão espontânea não teriam seus direitos eleitorais subtraídos inteiramente, mas somente no próximo pleito. A condição para que o próprio infrator confessasse a “malfeitoria de fato” sem ser criminalizado esterilizaria os porões das investigações, nos quais a intimidade do cidadão é devassada e revelada no limite dos seus pensamentos inconfessáveis, que nada têm a ver com qualquer dos delitos aventados. É nesse ponto crucial que surge a importância simbólica de Sérgio Moro em toda essa arrumação. Caberia a ele validar a seguinte mensagem: a Lava Jato não morreu, a Lava Jato entrou em uma nova fase. E não vai ter “golpe” e crime estampado diariamente nas bancas de jornais. Vai ter eleição e vai ter governança.

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27.05.16
ED. 5377

Água e esgoto

 A Aegea Saneamento negocia a compra de ativos da OAS Soluções Ambientais. Tragada pela Lava Jato, a empresa se resume hoje a uma concessão em Guarulhos e outra em Lima, no Peru. Procurada, a Aegea confirmou o interesse na operação de Guarulhos.

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25.05.16
ED. 5376

Sala de espelhos

 Michel Temer só se decidiu pelo afastamento de Romero Jucá, na última segunda-feira, após uma longa conversa com Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima, também citados na Lava Jato. Faz sentido.

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20.05.16
ED. 5373

“Governo Cunha” avança novas jardas

  A cada dia que passa, Eduardo Cunha amplia seu raio de ação e estende um novo tentáculo no governo Michel Temer. Cunha mira agora nos bancos estatais. Na Caixa Econômica Federal, a bola da vez é o deputado Manoel Junior (PMDB-RJ), forte candidato à vice-presidência de Operações Corporativas. O parlamentar carrega como maior credencial para o cargo o fato de ser um dos mais fiéis aliados de Cunha no Congresso. Ao mesmo tempo, o presidente afastado da Câmara estaria cavando uma diretoria do Banco do Brasil para o executivo Joaquim Cruz, funcionário de carreira da instituição. Neste caso, a indicação pode ser atribuída a um “consórcio” entre Cunha e Ciro Nogueira, presidente do PP. Foi o próprio Nogueira que há cerca de dois meses garantiu a nomeação de Joaquim Cruz para a diretoria de negócios do Banco do Nordeste .  O que mais chama a atenção é a investida de Eduardo Cunha sobre a Caixa Econômica. Caso se confirme, a nomeação de Manoel Junior configurará caso de reincidência. Durante o governo Dilma Rousseff, Cunha manteve os dois pés no banco com a presença de Fabio Cleto na vice-presidência de Governo e Loterias. Deu no que deu. Hoje, Cleto negocia um acordo de delação premiada com a Lava Jato. Ele já teria confirmado aos procuradores de Curitiba que Eduardo Cunha recebia propina de empresas beneficiadas com recursos do FI-FGTS, fundo administrado pela Caixa.

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20.05.16
ED. 5373

“Nada consta”

 O ministro Romero Jucá faz intensa campanha no Planalto para que Fernando Bezerra (PSB-PE) seja o líder do governo no Senado. Bezerra, aliás, preenche o que parece ser um dos requisitos para participar da gestão Temer: está citado na Lava Jato.