Atenção!

As notícias abaixo são de edições passadas.

Para ter acesso ao nosso conteúdo exclusivo, assine o RR.

planos
07.07.17
ED. 5656

Preparando a próxima lição

Prestes a receber um aporte de R$ 300 milhões do Warburg Pincus, a Eleva, de Jorge Paulo Lemann, já prepara sua próxima lição: a compra de escolas de idiomas.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

05.04.17
ED. 5593

AmBev segura preço com rédea curta

Nada como a concorrência. Segundo relatório recém-elaborado pelo Bradesco, ao longo de 2016 a AmBev reajustou seus preços em apenas 1%. O índice ficou abaixou do aumento promovido pela Heineken (2%) – ambos bem inferiores à inflação de 2016 (6,29%). Como se não bastasse este confronto direto, que ganhou mais levedura com a venda da Brasil Kirin para os holandeses, a empresa de Jorge Paulo Lemann está segurando seus preços na tentativa de recuperar o terreno perdido em 2016. No ano passado, a AmBev amargou uma redução das vendas de 6,6% e uma queda de market share de 67,5% para 66,3%. Parte do mercado que deixou pelo caminho foi absorvida pela própria Brasil Kirin, que aumentou o volume de cerveja comercializado em 1,3%. Vale lembrar que cada pontinho percentual perdido representa mais de R$ 800 milhões de receita anual que escorrem pelo ralo.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

Acionista da Abril, a sul-africana Naspers pretende montar um colar de startups no Brasil. O primeiro pingente é a Movile, desenvolvedora de aplicativos na qual é sócia de Jorge Paulo Lemann.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

americanas-rr-5584
23.03.17
ED. 5584

Americanas traça um novo roteiro para a B2W

O anunciado aporte de R$ 1,2 bilhão na B2W é apenas a ponta do iceberg de uma operação ainda maior. A Lojas Americanas estaria preparando o fechamento de capital de sua empresa de e-commerce. A reestruturação acionária, por sua vez, abriria caminho para a entrada de um investidor institucional ou mesmo uma futura associação com outra companhia do setor. Para isso, a Americanas planeja subscrever a totalidade dos 110 milhões de ações que serão emitidas pela controlada. Dessa forma, ampliará sua participação societária de 62% para 71%.

Posteriormente, deverá lançar uma oferta pública para comprar os títulos da B2W ainda em mercado. Em um exercício meramente hipotético, tomando-se como base o valor estimado para a subscrição em andamento – em torno de R$ 13,30 por ação –, a Americanas desembolsaria pouco mais de R$ 1,3 bilhão para raspar o tacho dos papéis da controlada em bolsa e ficar com 100% do capital. Seria o último ato de uma operação que vem se desenhando há cinco anos, período no qual a holding já fez outros quatro aportes na B2W, aumentando sua fatia de 51% para os atuais 62%.

Ao dispor integralmente do capital da B2W, Jorge Paulo Lemann e cia. terão toda a margem de manobra para repensar o modelo societário da companhia entre as opções que estão sobre a mesa. Recentemente, surgiram no mercado especulações sobre uma possível fusão com o braço de comércio eletrônico do Casino no Brasil. Não custa lembrar que a Lojas Americanas é citada como uma das candidatas à compra da própria ViaVarejo. Independentemente do caminho escolhido, a Americanas está empenhada em dar um novo rumo à sua operação de e-commerce, na qual já injetou mais de R$ 2 bilhões nos últimos cinco anos sem interromper sua escalada de prejuízos. Somente nos últimos dois anos, a B2W teve uma perda em torno de R$ 900 milhões.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

heineken-rr-5574
09.03.17
ED. 5574

Heineken sobe a temperatura do mercado cervejeiro

A aquisição da Brasil Kirin é o ponto de partida do grande projeto de expansão da Heineken no mercado brasileiro, que passa por expressivos investimentos em distribuição, expansão da rede de re-venda e consolidação de ativos. A companhia adotará uma estratégia de marketing mais agressiva, focada nos pontos de venda, com o intuito de disputar espaço consumidor a consumidor. Não é para menos: cada ponto a mais de market share no setor significa uma receita anual próxima dos R$ 800 milhões.

No entanto, para matar a sede dos holandeses no mercado brasileiro só mesmo com novas aquisições. Neste caso, todos os caminhos apontam na direção da Petrópolis. A companhia é vista como uma presa enfraquecida por uma conjunção de fatores. Habituada a disputar a vice-liderança do setor, a fabricante da Itaipava ficou em uma posição difícil. Com aproximadamente 13% de share, viu a Heineken abrir uma boa distância ao saltar de 9% para 17%. Outro ingrediente nessa levedura é a Lava Jato.

O avanço das investigações sobre Walter Faria e a Petrópolis fragiliza a companhia e pressiona o empresário a deixar o negócio. Ressalte-se que os problemas fiscais de Faria vão muito além da Lava Jato. Uma eventual aquisição da Petrópolis pela Heineken criaria uma circunstância até pouco tempo inimaginável, com o surgimento de um concorrente capaz de arranhar a condição de quase monopolista da Ambev.

Até porque a cervejeira de Jorge Paulo Lemann e cia. tem contribuído para esse cenário com seus próprios erros estratégicos. Há sete anos, segundo a Nielsen, a Ambev dominava 70% das vendas de cerveja no Brasil. De lá para cá, seu market share caiu para 66%. Há controvérsias. De acordo com os dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal, sua participação não passa de 58%. No caso de compra da Petrópolis, a Heineken passaria a ser uma “Meia Ambev”, com 30% do mercado.

A Ambev corre sério risco de ver essa diferença cair ainda mais caso não resolva problemas crônicos. Segundo relatório do analista Carlos Laboy, do HSBC Securities, divulgado no dia 2 de março, a “estratégia de marketing adotada pela companhia nos últimos anos fracassou no sentido de convencer os consumidores sobre o valor e a diferença das marcas”. Na sua avaliação, a “empresa se recusa a admitir as falhas mercadológicas, se limitando a classificar a situação como temporária”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

yes-rr-5569
02.03.17
ED. 5569

Lemann says Yes

A máquina de aquisições de Jorge Paulo Lemann não dá trégua. O novo alvo seria o Yes, tradicional escola de idiomas do Rio de Janeiro. No ano passado, não custa lembrar, o fundo Gera, de Lemann, comprou a Cultura Inglesa. Procurado, o Yes nega a venda do controle.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

02.02.17
ED. 5552

Lemann vs. Trump

Jorge Paulo Lemann não está entendendo nada, ou está entendendo tudo. A decisão da Budweiser de exibir um comercial exaltando a imigração no intervalo do Superbowl, no próximo domingo, associada ao seu passado recente de demissões em massa nos Estados Unidos faz o empresário colidir de frente com Donald Trump. Lemann é um destruidor de empregos, mas, vai ver, enxergou alguma vantagem nessa súbita aparição como democrata radical”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

29.12.16
ED. 5527

Just in time

Para Jorge Paulo Lemann, chegou a hora da Eleva Educação entrar em São Paulo.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

20.10.16
ED. 5479

Próxima aula

 A Eleva Educação, de Jorge Paulo Lemann, vai partir para a compra de escolas de idiomas. • Procuradas, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Eleva Educação.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

19.10.16
ED. 5478

São Carlos Empreendimentos

 A crise no setor imobiliário não poupa nem Jorge Paulo Lemann. A São Carlos Empreendimentos, braço de Lemann na área de real estate, abriu negociações para a venda da Torre A da EZ Towers, na Chucri Zaidan. Em julho, a empresa se desfez de outro centro empresarial em São Paulo, o Top Center Offices, por R$ 152 milhões. A negociação de ativos é uma maneira de compensar a queda dos resultados com a locação de imóveis. No primeiro semestre, a receita da São Carlos caiu 2% em relação a igual período em 2015. Já a margem NOI (Net Operating Income), que mede a rentabilidade da carteira, recuou de 93,8% para 91,3%. • A seguinte empresa não comentou o assunto: São Carlos Empreendimentos.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

 A Emporium São Paulo, rede de supermercados para o público triple A fundada pelo empresário Juliano Hannud, estaria em busca de novos sócios. Com seis lojas, a varejista fatura cerca de R$ 250 milhões por ano. Trata-se de um negócio com a cara da dupla Jorge Paulo Lemann e Abílio Diniz, que, no ano passado, comprou a rede de padarias Benjamin Abrahão.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

jorge-lemann_rr-01
01.09.16
ED. 5446

Por que Lemann diz que não faz política?

 Se estivesse em um tribunal, Jorge Paulo Lemann poderia até ser acusado de perjúrio devido à declaração de que passou a vida “fugindo da política”. Assim é se lhe parece, diria Pirandello. A escolinha de marketing do professor Lemann, especializada em autopropaganda, construiu uma interpretação de interesse pessoal para a expressão “fugir da política”. Ela está restrita a não disputar eleição ou ocupar cargo público, evitar aparições ao lado de prefeitos, governadores e parlamentares e passar ao largo de convescotes partidários. Não consta da cartilha a interferência no processo eleitoral por meio de financiamento de campanha, a articulação de uma bancada parlamentar defensora dos seus interesses e o uso do processo eleitoral como ferramenta do fortalecimento do lobby empresarial. Se o quesito ao qual não queria se referir for este último, Lemann provou mais uma vez que o sucesso e a hipocrisia caminham lado a lado em sua trajetória. Desde que foi criada, a AmBev sempre se destacou como uma peça influente no xadrez eleitoral, ao despejar ao longo do tempo centenas de milhões de reais em doações de campanha. A presença da companhia no jogo político só não é maior do que o seu empenho em encobrir tamanha participação. Ao menos é o que se depreende ao pesquisar o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  Vasculhar os números relativos às doações de campanha da cervejeira exige algum contorcionismo. No sistema eletrônico de prestação das contas eleitorais de 2014, do TSE, não há menções nominais à AmBev. O RR também pesquisou por outros termos que poderiam remeter à companhia, como “American”, “Beverage”, “Distribuidora”, “Logística”, “Cervejaria”, mas os resultados passaram longe da empresa. Consta, conforme registros na mídia, que o grupo se vale de outras razões sociais – a exemplo das subsidiárias Londrina Bebidas e CRBS S/A. Procurada pelo RR, a AmBev não se pronunciou até o fechamento da edição.  Se o objetivo da AmBev era a discrição, o uso desses biombos jamais surtiu o efeito desejado. É público que, nas eleições de 2014, a cervejeira ocupou um notável quarto lugar no ranking das doações corporativas, com R$ 41 milhões. Conforme amplamente noticiado à época, a empresa repassou aproximadamente R$ 6,7 milhões às três principais chapas que concorreram à Presidência da República. Sabe-se ainda que a AmBev desembolsou cerca de R$ 11,7 milhões que ajudaram a eleger 76 deputados federais de 19 partidos. Nem é preciso se dar a tanto trabalho. A declaração de Lemann não resiste a uma rápida consulta no Google. Ontem, por volta das 19h30, o site de buscas listava aproximadamente 173 mil resultados vinculando a AmBev ao termo “financiamento de campanha”. Lemann “foge da política”, mas se empenha em eleger a bancada do funil. Só falta dizer que os seus interesses e os de suas empresas caminham em direções distintas. Hipocrisia!

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

 O que une o fundo Innova Capital, de Jorge Paulo Lemann, e a Península, de Abilio Diniz, não é apenas uma rede de padarias batizada de Benjamin, com nove unidades em São Paulo e comprada no ano passado por R$ 20 milhões. O próximo ponto de encontro dos dois empresários deverá ser no capital da Diletto, fabricante de sorvetes. Nesse caso, Lemann entrou no negócio primeiro – comprou 20% do capital da companhia por R$ 100 milhões – e agora acerta a entrada de Diniz. A proposta, para variar, é ambiciosa: colocar a Diletto nos calcanhares da maior fabricante de sorvetes depois das líderes Unilever, dona da Kibon com 21% do mercado nacional e da Nestlé – 7% de participação de mercado.  A operação cai como uma luva na estratégia da dupla de montar um colar de participações em empresas de pequeno e médio portes, vide o desembarque de Abilio Diniz no capital da Wine.com, anunciado ontem. O plano de Lemann e Abilio é aportar R$ 200 milhões na Diletto, passar a ter o controle da companhia e deixar os empresários Leandro Scabin, Fábio Meneghini e Fábio Pinheiro como minoritários. O capital será usado na expansão da capacidade de produção da Diletto para que até 2017 chegue a 40 milhões de litros de sorvete por ano, o que fará com que ultrapasse a norte-americana General Mills – proprietária da marca Häagen-Dazs –, a Creme Mel, de Goiânia, e a paulista Jundiá, respectivamente terceira, quarta e quinta colocadas no ranking do setor.  Com o plano de expansão, a Diletto deverá dar um pulo na receita, alcançando a marca de R$ 300 milhões contra um sexto disso atualmente. Lemann, que tem furor megalomaníaco em aumentar as margens de lucro celeremente, parece estar aprendendo, com a idade, a lidar melhor com o tempo mais longo de realização dos resultados dessas empresas adolescentes. Trouxe pelas mãos um Abilio igualmente bem mais amaciado. Tratam as companhias como se fossem moças debutantes. São administrações sem orçamento base zero ou demissões saindo pela porta e janela da empresa. Parecem estar ficando mais humanos. As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: Península, Innova e Diletto.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

 Novo passatempo de Jorge Paulo Lemann e cia.: a 3G Capital está criando uma venture capital para financiar startups brasileiras especializadas em tecnologias para meios digitais, notadamente aplicativos para smartphones.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

 Aloizio Mercadante deverá tirar a azeitona da empada do grupo Eleva, de Jorge Paulo Lemann. Está em estudo no Ministério da Educação proposta para acabar com a farra do ranking do Enem. Hoje, basta ter 10 alunos e que 50% façam a prova para que a unidade seja pontuada. A ideia é subir o percentual para 70% e separar as escolas por tamanho. A Eleva é campeã no marketing do ranking, com salas repletas de “gênios” do Enem.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

16.10.15
ED. 5228

Katia Abreu sai em busca de mercado para o leite brasileiro

 Katia Abreu tornou-se “garota-propaganda” da indústria láctea nacional. A ministra da Agricultura iniciou uma cruzada para vender o leite e derivados made in Brazil e aumentar o peso destes produtos na pauta de exportações. Trata-se de um dos raros segmentos da cadeia do agronegócio em que o país acumula seguidos déficits comerciais. Com seu habitual estilo trator, na linha do “me dá aqui que eu faço”, Katia chamou para a si a responsabilidade de bater à porta dos grandes compradores mundiais de lácteos, leia-se as maiores empresas varejistas do mundo. Recentemente, conversou com Jorge Paulo Lemann, a quem solicitou, sem rodeios, que a rede de restaurantes Burger King aumentasse a compra de leite produzido no Brasil. É só o início. Segundo o RR apurou, a via láctea de Katia Abreu incluirá também encontros com dirigentes dos grandes conglomerados de varejo internacionais presentes no país, como Carrefour, Casino, Walmart e Cencosud, com o objetivo de sensibilizar estes grupos a elevar as importações de lácteos junto à indústria brasileira.  Há seis anos, não sobra nem um restinho de requeijão no fundo da balança comercial. Nesse período, o saldo entre as exportações e importações de lácteos acumulou um resultado negativo de quase US$ 2 bilhões. Em 2014, é bem verdade, o país registrou o menor déficit do período (US$ 101 milhões). No entanto, tudo indica que o número voltará a subir neste ano – no primeiro semestre, as importações superaram as exportações em US$ 60 milhões.  Katia Abreu está convicta de que o problema não será resolvido distribuindo caquinhos de verba do ministério para os laticínios nacionais montarem estandes em feiras no exterior. Para ela, o país terá realmente de arrancar mercado na unha, sensibilizando grandes compradores das mais variadas latitudes. Por se tratar de um mercado de escalas colossais, qualquer gota a mais no copo faz diferença. Em um exercício meramente hipotético, se cada uma das 11 mil lojas do Walmart em todo o mundo vender por dia uma caixinha a mais de leite brasileiro, ao fim do ano isso representará mais de quatro milhões de litros, ou o equivalente a quase 3% do déficit comercial do setor no ano passado.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

Das salas de aula para os balcões de padaria, e destes para as prateleiras de biscoito e as bandejas de esfihas pode ser apenas um passo. A parceria entre Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz está somente esquentando os motores. Os dois maiores empreendedores da área de consumo do país pretendem transformar negócios e setores aparentemente prosaicos em mega operações. As palavras-chave são escala e marca. Esse é o perfil das aquisições estudadas. Quem pensou em nomes como Piraquê e Habib’s não estará de todo errado. Aliás, não estará nada errado. As duas empresas atiçam o apetite de Lemann e Abilio. São brands conhecidos – começar do zero não é do estilo nem de um nem de outro –, estão em todas as esquinas e vendem milhões e milhões de unidades. A fabricante de biscoitos fatura R$ 800 milhões por ano e está presente em mais de 60 mil pontos de venda só no estado do Rio. O Habib’s, por sua vez, reúne quase 400 restaurantes e soma uma receita de R$ 1 bilhão. As duas companhias têm ainda outro ponto em comum que as transforma em potenciais presas: não foram abduzidas pelo processo de consolidação em seus respectivos mercados. Ambas ainda estão nas mãos de seus fundadores, leia-se a família Colombo (Piraquê) e Alberto Saraiva (Habib’s). Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz são empresários da mesma espécie. Passam ao largo da área de concessões, da infraestrutura, da indústria pesada e, sobretudo, de negócios que tenham qualquer tipo de imbricamento com o setor público. Os dois nasceram também para consolidar. Assim será nos novos mercados em que ingressarão, na recém-descoberta área de panificação, com a compra da rede de padarias Benjamin Abrahão, ou no segmento de ensino. Os investimentos comuns neste setor devem ser creditados a Ana Maria Diniz, que deu os primeiros passos da associação – Lemann e seu sócio Beto Sicupira têm especial empatia pela filha de Abilio, que há anos milita na área de educação. Boa parte do ervanário está reservada exatamente para este mercado: os dois empresários pretendem avançar na compra de instituições de ensino médio e transformá-las em academias de excelência. Guardadas as devidas proporções, Abilio poderá se tornar uma espécie de Warren Buffett em versão doméstica, acompanhando Lemann em diversos negócios no país. Não poderia haver momento mais propício para o encontro entre estes dois potentados. Ambos sabem que o Brasil está barato e o que não falta na prateleira são ativos depreciados, ambiência sob medida para uma dupla tão líquida como essa – só na Península Abilio tem mais de R$ 10 bilhões. Consultada sobre novas aquisições, a Península limita-se a dizer que comprou a Benjamin Abrahão para expandir suas operações. Já a 3G, de Lemann, não se pronunciou. Lemann e Abilio enxergam também uma oportunidade de ouro para consolidar uma posição de liderança entre o empresariado nacional. A hora sorri para esta combinação entre a frieza de um e a vaidade de outro. Os investimentos da dupla seriam acompanhados de um discurso motivacional, elevado ao nível do marketing cívico corporativo. Lemann conhece bem do assunto, pois usou a receita com a Ambev. Seria uma sonora demonstração de confiança no Brasil no momento em que a maior parte dos empreendedores está reclusa. Ou seja: além do impacto econômico, tal injeção de ânimo teria também um bônus psicossocial.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

24.08.15
ED. 5191

Clube dos cem

Uma medida do império de Jorge Paulo Lemann e cia: todas as empresas reunidas sob o teto da 3G Capital deverão romper neste ano a barreira dos US$ 100 bilhões em faturamento.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

31.07.15
ED. 5175

Dilma em foco

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai gastar seu latim em Parati. Seu nome é dado como certo na reunião anual da 3G Capital – o private de equity de Jorge Paulo Lemann et caterva – que ocorre neste fim de semana na cidade fluminense. FHC será o palestrante do evento. O RR fez vários contatos com o Instituto FHC, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

 O pontificado de Jorge Samek está chegando ao fim. Após 12 anos no cargo, o mais longevo diretor-geral da história de Itaipu Binacional vai deixar a empresa até agosto. Segundo fonte do Palácio do Planalto, sua saída já teria sido acertada com a própria presidente Dilma Rousseff. Nomeado para o comando da hidrelétrica no primeiro mandato de Lula, Samek notabilizou-se como um dos mais influentes conselheiros de Dilma para o setor elétrico, desde os tempos em que ela ocupava o Ministério de Minas e Energia. Nos últimos meses, no entanto, a relação perdeu voltagem. Samek já não desfruta de tanto prestígio. No início do ano, o expresidente Lula chegou a trabalhar pela sua indicação para a Pasta de Minas e Energia, mas Dilma rechaçou a indicação. Quadro histórico do PT paranaense, Jorge Samek talvez tenha apenas cometido o pecadilho de estar no lugar errado na hora errada, mas o fato é que o seu esvaziamento coincide com a Lava Jato. Para todos os efeitos, ele segue imune ao petrolão: seu nome não aparece em qualquer depoimento. No entanto, uma a uma, todas as cartas mais altas ao seu redor têm caído sobre a mesa. O ex-deputado André Vargas e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, estão presos. Já a senadora Gleisi Hoffmann e seu marido, Paulo Bernardo, são citados nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef. Ou seja: o PT do Paraná é uma lâmpada incandescente do qual Dilma pretende manter prudente distância. Isso vale para Samek. Caso se confirme a sua saída, a última impressão que ficará da longa gestão de Jorge Samek é um ajuste a  la Joaquim Levy. Nos últimos três anos, Samek tem feito uma série de cortes na companhia. O número de funcionários caiu 15%, índice que só não foi maior devido a  resistência do governo paraguaio, sócio e cogestor da companhia, em acompanhar o congelamento de postos de trabalho feito do lado de cá da fronteira. Hoje, a porção brasileira tem 1.390 trabalhadores, contra 1.783 no país vizinho. No ano passado, as despesas operacionais caíram 10%. Se estivesse numa empresa de Jorge Paulo Lemann, a navalhada valeria a Samek um polpudo bônus de fim de ano, fora os tapinhas nas costas. Numa estatal, no entanto, tais números cobram um certo preço – mesmo em época de constrição orçamentária. A gestão contracionista dos últimos anos, potencializada pela inevitável fadiga de relacionamento após tantos anos no mesmo cargo, acentuou o desgaste de Samek dentro de Itaipu Binacional, criando um cenário mais desfavorável a  sua permanência no cargo.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

23.08.13
ED. 4719

Esteves avança na direção do Carrefour

 Nem o ego atrofiado o impede de confessar: André Esteves, maior acionista do BTG, sonha acordar no corpo de Jorge Paulo Lemann quando se tornar adulto. A maturidade de Esteves, digamos assim, chama- se Carrefour. Não a operação brasileira, mas, sim, a rede varejista global. Não custa lembrar que o banqueiro esteve com um pé dentro do supermercado aqui no Brasil, quando foi adviser da tentativa de aquisição do Carrefour pelo Pão de Açúcar. Era ele também que traria o funding complementar ao merger. aguas passadas.  O tempo curou feridas e permitiu que Esteves fosse montando o chamado quebra-cabeça Carrefour. Trata-se da maior aquisição internacional já realizada por brasileiros. Isso, é claro, se a engenharia der certo. O banqueiro já teria conversado com o ministro Guido Mantega, de quem é próximo. Um argumento que vai além do negócio é a importância da renacionalização do setor supermercadista, que arranha a conta- corrente do país com unhas cada vez mais longas. Hoje, falar no grande varejo do país, significa citar três nomes: Casino, Walmart e o suprarreferido Carrefour. A missão exige diplomacia no nível do assunto de Estado, até porque o governo francês costuma encrencar quando se trata da venda dos seus ícones empresariais. Basta recordar a indignada reação gaulesa quando, há alguns anos, surgiram especulações de que o Walmart faria uma oferta pelo controle global do Carrefour – se bem que, talvez, um brasileiro com ares de investidor do mundo cause menos afronta ao orgulho francês do que uma família saída da América profunda. De qualquer forma, trata-se de uma missão para um empresário do porte de Jorge Paulo. Esteves pretende juntar várias pontas de um novelo complexo para dar cabo da empreitada: fundos de pensão, investidores estrangeiros, governo e um trunfo guardado a sete chaves. É nessa tacada não visível e nada convencional que o empresário aposta suas fichas. O modelo de negócio tem um irmão gêmeo mais velho: o banqueiro e seus partners ficariam com uma participação majoritária, ao menos no início, mas a gestão seria entregue a grupo brasileiro. Bem parecido com a InBev, não? Esteves adoraria essa comparação. Aliás, por falar em comparação, dependendo de onde se olhe, o Carrefour é uma espécie maior do que a própria InBev. É verdade que existe uma galáxia de distância entre os valores de mercado dos dois grupos: aproximadamente US$ 118 bilhões no caso da cervejeira, e pouco mais de US$ 20 bilhões para a rede varejista. No entanto, em termos de faturamento, o placar vira. No ano passado, o Carrefour teve uma receita de US$ 100 bilhões, contra US$ 40 bilhões da InBev. No caso de uma operação bem-sucedida, Esteves laçaria uma hidra com quase 10 mil lojas (metade delas na França) e 365 mil empregados em 33 países. É um trabalho de Hércules, atenda ele pelo nome de Jorge ou de André? Ou André e Jorge

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.