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01.09.17
ED. 5696

Sindicato dos camaleões

Paulinho da Força, que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff e se enganchou feito um trailer no governo Temer, pisca uma seta para o lado de Lula e outra para Geraldo Alckmin.

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18.05.17
ED. 5621

A serenidade das instituições sólidas

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, reinou na interlocução com o Palácio do Planalto desde o primeiro momento do estouro do escândalo das delações contra Michel Temer. Nenhum outro parlamentar teve o protagonismo de Maia, que, a partir das 19 horas, participou das reuniões com Temer e ministros palacianos e da área econômica. Maia tornou-se um fauno político, meio presidente da Câmara, meio presidente da República, a depender do impedimento de Temer, agora provável a despeito do julgamento pelo TSE da chapa de Dilma Rousseff com seu então vice.

No Legislativo, pipocaram manifestações pró-impeachment e renúncia de Temer, indo de um espectro que uniu de Alexandre Molon (Rede) a Ronaldo Caiado (DEM). A comunicação do STF e das Forças Armadas com o Planalto foi rarefeita, segundo o que foi possível o RR apurar nessa circunstância junto a fontes privilegiadas. As duas instituições têm seu papel hiperbolizado na atual crise como guardiãs da ordem e da moral, devido à contaminação do Congresso pela Lava Jato (um terço dos parlamentares está citado nas investigações).

Não foram apuradas maiores movimentações ou focos de tensão no Supremo nem no Alto-Comando militar. A fonte do RR informou que o liaison do STF com o Planalto foi o ex-ministro da Justiça e atual integrante da Suprema Corte, Alexandre de Moraes. A ministra Carmem Lúcia, mencionada como potencial candidata à Presidência da República em uma eventual eleição indireta, não manteve contato co a cúpula do governo. Também não teria havido call, reunião de emergência ou mesmo um frisson de telefones cruzados entre os togados, conforme-se poderia imaginar.

O ministro do STF Edson Fachin – a quem cabe homologar ou não a delação de Joesley Batista, dono da JBS, comprometendo o presidente da República – comunicou o fato anteriormente a seus pares do Supremo. No início da noite, fechou-se no seu gabinete com assessores, não atendendo a demandas da imprensa. Nada vazou antes da hora D, quando “O Globo” soltou o artefato nuclear.

O ministro do GSI, general Sérgio Etchegoyen, comunicou-se com os comandos militares somente de fora para dentro do Planalto, por meio de informes da respectivas Segundas Seções das três Forças. Segundo apurou o RR, a principal preocupação foi com a segurança pública. Manifestações poderiam eclodir aqui e acolá – a exemplo do que aconteceu em frente ao Palácio do Planalto e na Av. Paulista.

O general Etchegoyen tinha motivo particular de incômodo ou de conforto, dependendo da ótica, pois recomendara ao gabinete presidencial que adquirisse equipamentos capazes de interferir no funcionamento de dispositivos eletrônicos, como celulares, gravadores ou câmeras, dentro do Planalto e do Jaburu e simplesmente teve sua orientação ignorada. O Brasil parecia que ia acabar nos jornais televisivos de ontem à noite. É provável que hoje a coisa ainda piore. Mas é bom saber que há serenidade nos polos cruciais de condução do país não contagiados pela suspeição.

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16.12.16
ED. 5518

Vale a pena ver de novo

O PT pretende retomar a estratégia de usar a mídia internacional para desferir seus ataques ao governo de Michel Temer. A escolha de Dilma Rousseff como uma das “Mulheres do Ano” pelo Financial Times apenas reforçou no partido a convicção de que a imprensa estrangeira enxergou o golpe que a “mídia doméstica não quis ver”.

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28.10.16
ED. 5485

Quatro mãos

 A jornalista Claudia Cruz assumiu a função de ghostwriter do livro que seu marido, Eduardo Cunha, está escrevendo sobre os bastidores do impeachment.

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02.09.16
ED. 5447

Temer vai à China colher o arroz semeado por Dilma

 O presidente Michel Temer desembarca hoje em Xangai, na sua primeira missão como titular do cargo, sabendo que os jornais Xinmin Evening News, Beijing Daily, Canako Xiaoxi e Nanfang City News – somente para dizer alguns dos mais votados periódicos chineses – não economizaram palavras simpáticas a sua antecessora. Não poderia ser diferente. Os acordos que serão assinados nos próximos dias avançam muito pouco em relação à agenda bilateral negociada ao longo do governo Dilma Rousseff. A rigor, Temer leva na bagagem, sem maior alarde, apenas duas novidades: o iminente fim das restrições à compra de terras no Brasil por investidores estrangeiros e a flexibilização das regras para a importação de mão de obra. São temas fulcrais para os chineses. O primeiro diz respeito a algumas das maiores tradings agrícolas do mundo, a exemplo do China National Agricultural Development Corporation e do PetroPetron, que têm planos de adquirir áreas para a produção de grãos, notadamente no Centro-Oeste.  A segunda questão interessa diretamente a empreiteiras e grupos de infraestrutura chineses, fortes candidatos a ocupar os vazios deixados pela indústria da construção pesada no Brasil após a Lava Jato. Neste caso, os acordos de financiamento para projetos no setor teriam como contrapartida a garantia de contratação de trabalhadores do país asiático. Já há precedentes no aproveitamento, em menor escala, de mão de obra estrangeira em grandes empreendimentos no país. Um exemplo é o da construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico , que contou com a importação de 600 operários chineses. É bem verdade que trocar investimentos por postos de trabalho não é uma escolha simples. Mas talvez doa menos para um governo que, na sua interinidade, já mostrou não dar prioridade à agenda social.  Praticamente todos os grandes acordos – do financiamento para a Petrobras à compra de aeronaves da Embraer – estão engatilhados desde a visita do primeiro-ministro Li Keqiang ao Brasil, em maio do ano passado. Michel Temer vai apenas pespegar sua assinatura sobre a de Dilma Rousseff. A verdade verdadeiríssima é que a origem desse namoro com os chineses antecede todos os personagens citados. Ela pertence por mérito ao ex-presidente da Vale Eliezer Batista. Já no governo Lula, Eliezer defendia a atração de investidores chineses como forma de viabilizar a execução de grandes projetos de infraestrutura. Construiu as pontes e saiu de campo. Agora, quem sabe Temer colha do arrozal germinado. Arroz é que não falta.

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01.09.16
ED. 5446

Benchmarking

 Ontem, logo após a votação em separado do impeachment e da inelegibilidade de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha recebeu dezenas de telefonemas de saudação de aliados. Há a certeza de que ele será cassado. E a convicção de que voltará à Câmara em dois anos e meio.

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29.08.16
ED. 5443

Como será o amanhã de Dilma Rousseff?

 Dia seguinte à votação final do impeachment: Dilma Rousseff prepara-se para deixar o Palácio da Alvorada. Acometida desde a véspera de sentimentos mórbidos, nutre a desagradável sensação de ser a sua própria Lady Macbeth. Mas, às favas com as névoas da alma, só resta prosseguir pelejando. Foi o que sempre fez desde os tempos de guerrilheira. Ao mirar os canteiros de flores que mimoseiam o jardim, presente do imperador Hiroito a JK, a ex-presidente repassa nos pensamentos quais serão os passos seguintes. Pretende rodar pelo mundo, indo ao encontro de líderes políticos de diversas latitudes. Quer aproveitar o calor da cassação e do interesse que o assunto desperta na imprensa estrangeira. Tem o que dizer: foi vítima de um “golpe parlamentar” em um país que é a terceira maior democracia e oitava economia do mundo. Quer manter acesa a chama da indignação. Dilma vai apoderar-se da bandeira da defesa da Lava Jato, que estaria sob a ameaça do grupo político que a apeou do poder. O vulpino Michel Temer seria o maior inimigo da Lava Jato.  Dilma margeia o lago em frente ao Alvorada. Ao ver sua imagem refletida no espelho d´água, pensa consigo mesma. “Jamais movi um dedo para obstruir as investigações; não transferi delegados nem pressionei procuradores; e nunca intercedi junto a esse ou aquele ministro do Supremo.” A ex-presidente sabe que o seu maior ativo é imolação pública no altar da legalidade. Nos seus planos está a troca de partido. A interlocução com os líderes do PT é cada vez mais rara, quase inexistente. Dilma enxerga uma nova bandeira partidária. O PDT é uma pule de dez. Ela se vê agora em um escritório, muito possivelmente em Porto Alegre, cercada por uma equipe de técnicos e assessores. Nada de “Instituto Dilma”. Um centro de estudos modesto, com poucos sponsors. Um exemplo seria a fiel amiga e “latifundiária de esquerda” Katia Abreu. Esse gabinete paralelo, chefiado pelo ex-marido e leal companheiro de vida Carlos Araújo, irá acompanhar o “governo golpista” e produzir estudos contrariando os números e medidas adotadas.  A secura do ar do Planalto Central, à qual nunca se habituou, deixaria finalmente pelas costas. Na véspera da sua crucificação pelo Senado, a figura do ex-presidente Lula inundou sua memória, com imagens da convivência entre ambos repetindo-se no pensamento. A partir dali seus caminhos se bifurcariam: Lula lá, ela cá. Da sua trajetória épica de lutas no poder central carrega consigo apenas singelos dizeres: “Dilma, guerreira, da pátria brasileira”. É a sua verdade absoluta.

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29.08.16
ED. 5443

Interrogação

 Dona Marisa está aflita com a ideia de Lula comparecer à defesa de Dilma Rousseff, hoje, no Senado. Inicialmente, ela estimulou a iniciativa e insistia em acompanhá- lo. Mas, depois do indiciamento, o ex-presidente ficou muito nervoso. Agora, Dona Marisa acha melhor que ele não vá.

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16.08.16
ED. 5434

Michel Temer tem muito a aprender com Sun Tzu

 O governo está começando a perder por ser um mau ganhador. Michel Temer e o seu grupo de interesse, operadores do inevitável impeachment da presidente Dilma Rousseff, não se aperceberam das vantagens de mudar o curso do vendaval de ódio que abateu mortalmente a hegemonia do PT. Foi esse rancor exacerbado o responsável, em grande parte, pelo sucesso da empreitada. Serviu ao que veio. Mas, ao vencedor, as batatas.  Caberia a Temer mudar a estação no pós-Dilma. Acenar com uma distensão política para toda a oposição. Um governo e sua República de Vichy. Parece ingênuo, mas não é. Todo bom general sabe que o primeiro passo após a vitória é não humilhar os vencidos, e muito menos atiçar ainda mais a sua raiva natural (apud Sun Tzu, “A Arte da Guerra”). O estímulo ao estado de ódio estaria funcionando como uma retroalimentação congestiva. O saldo dessa cultura de cólera pode ser a cegueira em relação às melhorias que o governo conseguir em sua gestão, muitas delas, diga-se de passagem, contratadas no final da “era Dilma”.  O “Fora Temer” está sendo alimentado por essa incompreensão. Não vai passar, enquanto o ressentimento dos abatidos for estimulado pela propagação da ira dos vencedores. O primeiro passo seria um grande acordo com a mídia, que não só combate, como zomba e tripudia sobre os derrotados, incitando-os a uma luta que já poderia ter sido arrefecida. Parece, sem dúvida, que a mídia está devolvendo um mal estar de muitas décadas, que não começou com a chegada de um operário à Presidência da República. Vem de longe. As chamadas reformas estruturais, que passam ao largo das bases, exatamente por cassar os seus direitos, poderiam ser discutidas em mini-constituintes. Nelas teriam assentos representantes da CUT, técnicos oriundos da esquerda, representantes da sociedade civil etc. Que sejam minoria! Mas já seria uma sinalização contrária ao ódio. Pois bem, o RR reconhece que essas observações estão assentadas em alguns pressupostos cínicos. Contudo, o que é política senão uma visão enviesada da realidade. Enquanto as elites soprarem esse bafo de fel, o “Fora Temer” continua.

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04.08.16
ED. 5426

Em campanha

 Depois da votação do impeachment, vai ficar difícil encontrar Renan Calheiros em Brasília. O presidente do Senado já se comprometeu a subir no palanque de candidatos a prefeitos de 75 dos 102 municípios de Alagoas.

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19.07.16
ED. 5414

Comício

 Na semana passada, a agenda do presidente interino Michel Temer contabilizou audiências com 11 senadores em apenas três dias. Isso sem contar o intenso trabalho de “panfletagem” que tem sido conduzido por Geddel Vieira Lima e pelo senador Romero Jucá a pouco mais de um mês da votação final do impeachment.

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30.06.16
ED. 5401

Jogo de cena

 Enigma de polichinelo: é o PT que manobra para que a votação do impeachment não se dê nos 180 dias previstos ou é a situação interina que está soltando esse balão de ensaio para atiçar sua base parlamentar? Se a decisão do Senado não for tomada no prazo constitucional, a presidente volta ao cargo e o processo do impeachment engrena uma marcha lenta. O RR aposta que não haver votação é tão provável quanto Dilma mudar seu nome para Michel.

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24.06.16
ED. 5397

Ao pé do ouvido

O governador do Maranhão, Flavio Dino, tornou-se um dos conselheiros prediletos da presidente afastada Dilma Rousseff. Dino liga quase todos os dias e visita Dilma nos fins de semana. Tem um jeito de falar que acalma e motiva, ao mesmo tempo, a presidente.

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20.06.16
ED. 5393

Livre de quem?

 Eder Borges, um dos líderes do “apartidário” Movimento Brasil Livre (MBL), vai sair candidato a vereador em Curitiba pelo PSC.  Por falar em MBL, os coordenadores do movimento pressionam os senadores para que a votação final do impeachment não ocorra durante a Olimpíada. Seria um anticlímax, nas ruas e na mídia.

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 Jorge Picciani e Eduardo Paes estão mais tensos do que os zagueiros que tinham de marcar o Baixinho. Ao olhar dos caciques peemedebistas, o recuo do serpenteante Romário em relação ao impeachment de Dilma Rousseff é um sinal de que ele poderá relançar sua candidatura a prefeito do Rio com o apoio do PT.

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13.05.16
ED. 5368

Trilogia dos descaminhos do novo governo

 A aprovação do impeachment, com a destituição de Dilma Rousseff, não encerra o episódio da usurpação da governança brasileira. Nos 180 dias de confinamento de Dilma no Alvorada ou mesmo com a abreviação pelo Senado do mandato presidencial, não há clareza sobre a permanência de Michel Temer até o final do governo. Os cenários montados por estrategistas militares, cientistas políticos e lideranças empresariais, todos eles estabelecendo o horizonte de término em 2016, consideram, inclusive, que, depois da nomeação de Temer, venha a sua deposição. A reviravolta capaz de evitar esse desfecho dependeria de uma guinada populista do novo presidente, adotando um estelionato programático para se manter no poder. Nesse primeiro cenário, Temer abriria o saco de bondades com uma das mãos, aumentando os gastos sociais, e com a outra soltaria a inflação. O primeiro, festivo e de fruição imediata, disfarçaria o segundo, cujo efeito é diferido no tempo e sempre pode ser golpeado em um round posterior, com a velha política do stop and go. A inflação traz o ajuste fiscal em um primeiro momento. Mas é como receitar a amputação da perna para uma entorse no pé.  O perfil do governo Temer, entretanto, parece ser diferente do vira-casaca. Imagina-se que, para isso, ele não teria chamado o ultraconservador Henrique Meirelles para tocar a Fazenda e a Previdência. E lembrai-vos que ele tem de atender aos reclamos da Av. Paulista. No segundo cenário, Temer governaria no ritmo que tem sinalizado, desagradando as classes já irritadas com o golpe. A desobediência civil grassaria, manifestações de rua pipocariam aqui e acolá, cada vez mais violentas. Lula, perseguido, caminharia pelo país como candidato. O Congresso não seria o facilitador que todos esperam, pois cobraria o débito dos votos para o impeachment. O duo Ministério Público e Polícia Federal seguiria destrinchando a infindável Lava Jato, agora cada vez mais perto de Temer. E o STF ficaria “aguardando ativamente” algum processo capaz de contragolpear o presidente. Seriam, então, decretadas novas eleições.  O terceiro cenário é explosivo. Temer mostra-se obcecado com a fantasia de que é um estadista, reencarna o marechal Humberto Alencar Castello Branco e anuncia o programa de ajuste que o PSDB inventou para não ser aplicado. Dilma e Lula, vistos como mártires, estão presos e fazem pressão do cárcere. As ruas estão enlouquecidas. Lembram as jornadas de julho de 2013. Os governos estaduais acionam suas máquinas de repressão. Empresários e parlamentares pedem a intervenção do Exército, que cede contra a vontade. Temer é deposto. Um ministro do STF assume a presidência e prepara a transição para as eleições de 2018. As três variantes poderiam se multiplicar em outras infinitas. O RR não privilegia qualquer uma delas na medida em que o provável afasta-se cada vez mais de si mesmo. Mas há bastante método na análise da loucura em que se tornou a conjuntura política e psicossocial do país.

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04.05.16
ED. 5361

As estatísticas positivas no “golpe oculto” de Temer

 No entorno de Dilma Rousseff, há quem se refira à provável mudança nos ventos da economia como o “golpe oculto”. A combinação de ações restritivas, impeditivas e manipuladoras imposta pela oposição, pelo empresariado e pela mídia solapou a guinada da política econômica ortodoxa do governo Dilma II. Ela não somente fermentou o impeachment como deixará o prêmio de um carregamento estatístico de crescimento de até 5% do PIB em 2018.  A burguesia está rindo à toa. Como a base de comparação de praticamente todos os índices é baixíssima, basta apostar na inércia e correr para a torcida. Já contando com a projeção para 2016, o PIB acumulará uma queda de 12,5% no triênio. O agregado da indústria cairá de 17,5% para 14,9% do Produto Interno no mesmo período. O setor automotivo chegará ao fim deste ano com um decréscimo de 28% em igual intervalo. O saldo estatístico do avanço da economia em 2017, em torno de 1%, ainda não será saboroso. Mas, para 2018, a festa do crescimento inercial já começou.  O golpe que ninguém chamou de golpe, dizem as vozes mais críticas do Planalto, começa com o achincalhamento pela oposição das medidas restritivas adotadas por Dilma, consideradas pífias pelo frentão pró- impeachment. A política econômica da presidente foi vendida como um furto ideológico e um estelionato eleitoral. Joaquim Levy foi incinerado nos seus acertos. Em paralelo, os arautos do impedimento vetaram todas as propostas que complementariam, nas áreas fiscal e regulatória, o ajuste à la Lula I. Até então, Dilma e os seus ainda acreditavam que faturariam o amargo do purgante sob a forma doce do crescimento econômico.  Saboreado o impeachment, Michel Temer deverá herdar uma taxa de inflação caminhando de forma mais célere para o centro da meta, juros cadentes, um ajuste nas contas externas que inclui um superávit da balança comercial da ordem de US$ 50 bilhões já neste ano, entre outros presentes legados por Dilma. Para entregar essa herança, a presidente sofreu as dores de um ajuste cambial, da recessão e de queda de emprego. Temer vai surfar na onda dessas estatísticas e lubrificar a aprovação de algumas medidas que já estão no pipeline, ou seja, os ajustes fiscais e a rearrumação de algumas contas públicas. A mudança certa da legislação do petróleo, conforme fonte do RR em uma indústria do setor, deverá carrear um expressivo fluxo de recursos para novos investimentos. É bom que se diga que todo esse refogado estatístico não deverá trazer, pelo menos neste horizonte, o crescimento do emprego e da renda, pois, mais uma vez, a economia reinicia sua escalada abaixo do nível do mar. Esse “golpe” não será denunciado nos palanques. O impeachment foi apenas uma parada rumo à estação 2018.

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25.04.16
ED. 5354

Ascensão de Cunha

 Por razões óbvias, o fato não mereceu destaque na grande mídia: em meio ao processo de impeachment, Eduardo Cunha assumiu a presidência da AP-CPLP, associação que reúne os parlamentos dos países de língua portuguesa. Aliás, durante a cerimônia de posse, realizada em Brasília, congressistas ironizavam a “coerência” na linha de comando da entidade. Cunha recebeu o cargo do presidente da Assembleia Nacional Angolana, Fernando Piedade dos Santos, alvo de inúmeras denúncias de corrupção. Há, ao menos, uma diferença: Fernando Piedade é acusado de agir em nome dos interesses do presidente da República, José Eduardo dos Santos, há 37 anos no Poder.

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20.04.16
ED. 5352

Onde está Wally?

 Ao fim da votação do impeachment, no domingo à noite, um assunto dominava as rodas de parlamentares tucanos na Câmara: o eclipse de Aécio Neves.

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19.04.16
ED. 5351

Lula sopra para longe a campanha do “Diretas Já”

 Diretas já ou em 2018? Esse é o dilema que está dividindo o “Estado Maior” do PT, a começar por Dilma Rousseff e Lula. Apesar do fragoroso baque político, o governo acha que ainda tem fôlego para ressurgir por outro caminho. A presidente, com o apoio do “lulista” Jaques Wagner, defende que se inicie imediatamente a campanha pela antecipação das eleições. Dilma está destroçada e já tinha ensaiado publicamente a proposta antes da votação do impeachment. Nesse caso, o pleito se realizaria em outubro, junto com as eleições municipais. Por essa visão, o ambiente altamente politizado e a expressiva posição de Lula nas pesquisas de intenção de voto favoreceriam a candidatura. Existe também a leitura de que a precipitação da campanha o blindaria contra a Lava Jato. Seria como se a prisão de Lula fosse “um golpe elevado ao quadrado”.  O ex-presidente, contudo, parece preferir o conselho de Leonel Brizola: “Mingau quente se come pelas bordas”. Lula acredita que, depois da euforia promovida pelo mercado, pela mídia e pela parcela do Congresso que cobrará de Michel Temer sua prebenda, o preço de ser o salvador da pátria vai custar caro ao atual vice-presidente. O seu cobertor ficará curto: ou deixará os empresários insatisfeitos em suas elevadas expectativas ou os trabalhadores ao relento. Agasalhar a ambos é uma missão difícil, que não se coaduna com o perfil de Temer e de seus aliados e muito menos com o seu programa de governo. Lula também acredita que o discurso do “golpe” vai render mais no longo prazo. Ele pretende retomar as viagens ao exterior, buscando criar uma consciência nessa direção, de fora para dentro do país. Toda essa coreografia, é claro, dependerá do STF ou de Sergio Moro.  Temer também pretende fazer suas surpresas. Manterá o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ainda que com nova composição, e criará um Conselho Superior da República para o qual espera contar com a participação de Fernando Henrique Cardoso. Os programas sociais de menor custo no orçamento e forte impacto inclusivo, a exemplo do Bolsa Família, Pronatec e Fies, não só serão mantidos como também reforçados. Serão a contrapartida da desindexação salarial, da reforma da Previdência e da flexibilização das relações trabalhistas. A novidade das novidades seria uma campanha de governo contra a corrupção, conclamando a todos a ficarem alertas. Com isso, a gestão Temer manteria aceso o espírito do impeachment. Seus compromissos em um futuro governo se entrelaçam desde já: fazer uma administração capaz de apagar o PT da memória e garantir que as eleições se realizem somente em 2018.

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19.04.16
ED. 5351

Agora é tarde

 “Dilma Barrichello”: este foi o cruel apelido cunhado por parlamentares do baixíssimo clero que nunca foram procurados por Dilma Rousseff em cinco anos de mandato e, nas últimas semanas, receberam telefonemas da presidente em busca de apoio contra o impeachment. Esses votaram ainda mais com o fígado.

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19.04.16
ED. 5351

Má lembrança

 No último domingo, um dos raros momentos de silêncio no Palácio do Jaburu, onde Michel Temer acompanhou a votação do impeachment ao lado de Eliseu Padilha, Romero Jucá et caterva, ficou por conta da citação no plenário ao nome do ex-ministro Wagner Rossi. Por muito tempo, Rossi foi o homem de confiança de Temer no Porto de Santos.

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 Marco Polo del Nero e Ricardo Teixeira têm o corpo fechado no Congresso Nacional. Há cerca de dez dias, o próprio Renan Calheiros suspendeu a convocação dos cartolas pela CPI do Futebol, em curso no Senado. Agora, a blindagem se dá na Câmara dos Deputados. Parlamentares da bancada da bola se movimentam com o objetivo de esvaziar a CPI da Máfia do Futebol, instaurada há apenas um mês. O camisa 10 do time é o deputado Marcelo Aro (PHS-MG). Uma de suas missões mais importantes é exatamente barrar os pedidos de convocação de Del Nero, que reassumiu na semana passada a presidência da CBF, e de Ricardo Teixeira, ex-nº1 da entidade – ambos já protocolados pelo deputado Arnaldo Jordy (PPS/ PA). No melhor dos mundos para a CBF, seria aprovado apenas o pedido de depoimento do antecessor de Del Nero, José Maria Marin, que já está purgando seus pecados junto à Justiça norte-americana.  A CBF – em especial Marco Polo del Nero – confia bastante em Marcelo Aro. O parlamentar, que se notabilizou por fazer micagens com um boneco do ex-presidente Lula durante as sessões da comissão do impeachment, vem de uma longeva linhagem de cartolas. Há mais de 40 anos, sua família manda e desmandam no futebol mineiro. Seu avô – José Guilherme Ferreira, chefe do gabinete militar do governador Magalhães Pinto na década de 60 – dirigiu a Federação local. Já seu pai e seu tio foram afastados da entidade, no início dos anos 2000, por denúncias de formação de quadrilha, falsificação de documentos e desvio de recursos. A bola agora está com Marcelo de Aro.

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15.04.16
ED. 5349

Fator Moro

 Ontem à noite, na Câmara dos Deputados, um temor pairava sobre governistas e oposicionistas. Parlamentares se perguntavam se Sergio Moro estaria reservando alguma surpresa para esta sexta-feira, último dia útil antes da votação do impeachment.  

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14.04.16
ED. 5348

Um programa de governo entre a adoção e a orfandade

 Atos políticos contundentes e soberanos, enfrentamento aberto dos adversários irrecuperáveis, uso intensivo da comunicação de massa, proposta de plebiscito para questões emergenciais que exigem apoio popular e um novo rito para convocação do Congresso visando a apreciação de projetos de elevado interesse nacional. Segundo fonte do RR na Casa Civil, essas são as linhas gerais da estratégia do governo para assumir com pulso forte o que está sendo chamado de quarto mandato do PT, caso a presidente Dilma Rousseff consiga vencer a dura batalha contra o impeachment neste domingo. Dilma e Lula se dividirão na maior ou menor exposição dessas operações, que também levam em consideração o tempo do ex-presidente no governo, caso ele consiga assumir a Casa Civil, e seu ingresso na campanha eleitoral.  Ambos têm clareza que uma nova gestão precisará ser tonificada com ações de impacto e capital humano de qualidade. Lula é quem vai buscar o “fator gente” para colaborar com as ideias e as formulações necessárias à rearrumação da casa. Tem jeito para a missão. Apesar de todo ódio que é destilado, conversa ao pé de ouvido com o empresariado. E vai ter nova carta ao povo brasileiro. Muita coisa já está pronta, nas gavetas de Nelson Barbosa e Valdir Simão. São reformas da previdência, fiscal e uma versão 2.0 da desburocratização do finado Hélio Beltrão, avançando em medidas para reduzir o Custo Brasil. Terão prioridade as comunicações, a Petrobras e a corrupção. Não será uma surpresa excepcional se o governo abrir um canal de conversação com os procuradores de Curitiba, que são quem detêm hoje os projetos constitucionais mais estruturados para o combate à corrupção. Uma novidade será a busca de grandes parcerias internacionais, que permitam a captação de recursos para investimentos, e de novos acordos externos na área de comércio. A China é uma das mecas, mas cabem na lista países do Oriente Médio, além de todas as agências multilaterais. Lula é um especialista nesse assunto e sempre criticou a presidente por ter uma política externa tíbia, desperdiçando oportunidades raras como o acordo multissetorial assinado com a China, uma peça cheia de fios desamarrados.  E o superávit primário? Bem esse mantra já foi incorporado pelo governo. Aliás, por qualquer um que venha a dirigir o país. Talvez seja tarde demais para Dilma – Lula ainda tem 2018. Mas quem sabe não seria o caso de repetir o lapso cognitivo de Michel Temer e digitar essas linhas gerais para um grupo pensando em outro. Seria uma pena um projeto desses não vir à tona.

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13.04.16
ED. 5347

Moeda e medalha

 A título de curiosidade: Jovair Arantes, autor do relatório que recomendou o impeachment de Dilma Rousseff, ainda tem uma dezena de apadrinhados em órgãos do governo federal, como Inmetro, Conab e Casa da Moeda – neste caso, o recém-empossado diretor de Moedas e Medalhas Jehovah da Silva.

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13.04.16
ED. 5347

Primárias

 Após sua elogiada performance na defesa de Dilma Rousseff na comissão do impeachment, José Eduardo Cardozo cresceu na disputa pela candidatura do PT ao governo de São Paulo em 2018.

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12.04.16
ED. 5346

“Não fui eu”

 Leonardo Picciani passou a tarde de ontem negando ter sido o responsável pelo vazamento do “discurso de posse” de Michel Temer.

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11.04.16
ED. 5345

Funcef

 Indicado pelo PP no “toma lá, dá cá” do impeachment, Sergio Mendonça já assume a presidência da Funcef tendo que decidir pela venda ou não da participação do fundo em seis hotéis. O estudo recomendando o negócio foi deixado sobre a mesa pelo seu antecessor, Carlos Alberto Caser.  Procurada pelo RR, a Funcef não comentou o assunto.

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11.04.16
ED. 5345

Sincronização

 Eduardo Cunha tem municiado os líderes do movimento “Vem pra Rua” com todos os detalhes sobre a agenda do impeachment. Fica mais fácil para o “cerimonial” sincronizar o andamento do processo com novas manifestações.

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 Enquanto Jader Barbalho deriva para o grupo pró-Michel Temer, Helder Barbalho promete cerrar fileiras com o governo mesmo após deixar a Secretaria de Portos – sua saída do cargo está prevista para amanhã. Ou seja: há método e sintonia entre as famílias do PMDB. Sem qualquer vergonha do plágio, os Barbalho seguem rigorosamente o script assinado pelos Picciani – no qual Jorge morde e Leonardo assopra. Dessa maneira, os dois clãs peemedebistas cravam um duplo na loteria do impeachment. Se Dilma ficar, Helder e Leonardo arrastam seus pais de volta para o governo. Se Temer levar, caberá aos patriarcas fazer as honras da casa e conduzir o embarque dos rebentos na nova gestão.

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31.03.16
ED. 5338

Contabilidade

Além do seu próprio voto contra o impeachment – o que exigirá sua exoneração temporária do Ministério da Ciência e Tecnologia –, a expectativa do governo é que Celso Pansera consiga catar milho no PMDB e arrancar o apoio de três ou quatro parlamentares da bancada fluminense.

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29.03.16
ED. 5336

Ministro Extraordinário do Impeachment

 A prerrogativa de arbitrar o timing dos acordos de delação transforma Sergio Moro em uma espécie de “ministro extraordinário do impeachment”. Agora é aguardar se na véspera da votação não vem a divulgação de um novo depoimento ou de algum grampo.

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28.03.16
ED. 5335

Em cadeia

 O ardoroso fã clube de Eduardo Cunha no Congresso não tem mesmo limites. Seus aliados estão espalhando que Cunha pretende fazer um pronunciamento em rede nacional, às vésperas da votação do impeachment, para, digamos assim, apresentar à população um balanço das atividades “mais recentes” da Câmara. Isso, claro, se a Lava Jato permitir.

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23.03.16
ED. 5333

PMDB vs. PMDB

 Em meio ao processo de impeachment na Câmara, o deputado federal Jarbas Vasconcelos tem circulado entre os bálcãs do PMDB em busca de apoio para a expulsão de Eduardo Cunha do partido. Ao RR, Jarbas negou que trabalhe pela saída de Cunha do PMDB, embora o considere “sem nenhuma condição ética e moral de conduzir a Câmara”.

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  Michel Temer reza todos os dias pelo impeachment de Dilma Rousseff. A mudança do Palácio do Jaburu para o Alvorada representa bem mais do que um projeto de poder. Significa também a conquista de um salvo-conduto, ainda que simbólico. Colocar a faixa de Presidente da República seria o mais convincente aceno a Sergio Moro e seus procuradores para que deixassem suas denúncias em banho-maria, pois o país não suportaria outro processo de impedimento.  Temer é citado na Lava Jato por uma suposta participação em um esquema de propina vinculado à compra irregular de etanol pela BR Distribuidora. A história de que o vice-presidente recebeu por muitos anos uma mesada informal da estatal já virou lugar-comum, mas essa não seria sua única travessura. Ele teria reinado na Cia. Docas de Santos, uma informação igualmente requentada, não constasse da delação de Delcídio do Amaral. Por meio de sua assessoria, o vice-presidente Michel Temer nega as acusações.  Temer está convicto de que a Presidência da República é um antibiótico de largo espectro. Mesmo porque ele deverá se deparar com um quadro bem mais favorável, marcado pelo arrefecimento da crise política e por um Congresso novamente domável. Na economia, ele herdaria um momento de melhorias já contratadas no governo Dilma, em razão do aumento dos investimentos estrangeiros, do crescimento das exportações e da queda da inflação.  Com relação à mídia, por sua vez, a expectativa é de um noticiário igualmente mais ameno. Sem a queda de Dilma, entretanto, Temer é candidato a um distúrbio neurovegetativo. Fica difícil imaginar que o vice sairá ileso caso a Lava Jato siga no trilho atual. Segundo o RR apurou, a delação de Delcídio do Amaral avançou muitas jardas em relação às denúncias feitas pelo exdiretor da BR João Augusto Henriques, preso desde setembro – vide RR edição 28/ 9. De acordo com uma fonte, Delcidio revelou em novos depoimentos que Temer teria se beneficiado do esquema da BR por mais de uma década. Os pagamentos teriam se iniciado antes da nomeação de Henriques para a diretoria da estatal e perdurado mesmo após a sua saída do cargo. Ainda segundo o informante do RR, Delcídio informou que os recursos repassados a Temer giravam em torno de R$ 70 mil por mês.  A princípio, se comparado aos valores bilionários que caracterizam a Lava Jato, a cifra soa como modesta. Mas, partindo-se da denúncia de que o esquema durou mais de 10 anos, uma conta matemática simples mostra que o vice-presidente teria recebido algo superior a R$ 8 milhões. Ainda segundo a fonte do RR, Temer não seria o único figurão alvejado pela revelação do propinoduto da BR. De acordo com Delcídio, Eduardo Cunha e o então presidente do PMDB em Minas Gerais, o deputado federal Fernando Diniz, já falecido, também se favoreciam do esquema do etanol.

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21.03.16
ED. 5331

Oito cenários à procura da realidade

 As fichas estão sendo apostadas no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Lula. Mas a ambiência institucional e a volatilidade dos fatos suportam as mais variadas hipóteses, algumas indesejáveis e outras até extravagantes. O RR desenhou seus cenários e deu suas respectivas notas. Escolha o seu. Mas não espere encontrar uma opção tranquilizadora.  CENÁRIO 1: São cumpridos os ritos do impeachment na Câmara e no Senado, e Dilma Rousseff já está pré-condenada por todos. É possível, bem razoável, que Sergio Moro tenha mais alguma gravação “fortuita” para dar o xeque-mate na presidente. Tudo muito rápido. A esquerda patrocina a ideia do exílio de Dilma. Ela vira uma versão grosseira e mal educada de Zélia Cardoso de Mello. Ficará eternamente lembrada como a pior presidente da República de todos os tempos. Nota AAA   CENÁRIO 2: Lula não assume a Casa Civil devido à interpretação condenatória do STF, é preso e, logo a seguir, é sentenciado – no melhor estilo Sergio Moro, a toque de caixa. Pega de 20 a 30 anos de prisão. Algo similar à condenação de Marcelo Odebrecht. A militância do PT desiste de reagir diante do massacre da mídia e da maioria crescente da população, que coloca em dúvida a lisura do ex-presidente. Lula fica engradado e solitário. Esse é o seu pior pesadelo, o do “Esqueceram de mim”. Nota AAa  CENÁRIO 3: Lula consegue assumir o ministério. Faz um discurso seminal em horário nobre. Chama todos à militância. Faz anúncios irresistíveis, a exemplo de um programa de recuperação social e econômica. Lula quebra a espinha dorsal da mídia ao usar à exaustão o horário pago de televisão. Falaria por volta de 10 minutos no horário do Jornal Nacional ou no intervalo da novela das 21 horas. O ex-presidente, com esse show off, reduz a animação dos “coxinhas”. Ainda nesse cenário, Dilma surfa no desarmamento dos espíritos patrocinado por Lula. O impeachment é postergado. Lula e Dilma determinam uma devassa fiscal seletiva e um levantamento de todos os passivos trabalhistas e previdenciários de veículos de comunicação escolhidos a dedo. Nota Bbb   CENÁRIO 4: Lula é preso. Dedica-se a escrever seus diários. Relata como foi perseguido por Sergio Moro, na lenta transformação do regime em um macarthismo verde e amarelo. Com dois ou três anos de cárcere, vai se tornando um ícone, um Nelson Mandela tupiniquim. Nota BBb  CENÁRIO 5: Dilma Rousseff não aguenta a onda e renuncia antes do término da abertura da sessão de impeachment. Lula vence a batalha das liminares no STF e permanece no Gabinete Civil da Presidência. Com um pedido público emocionado de Dilma, segue no cargo mesmo com a renúncia da presidente. Michel Temer assume. Vai governar com Lula. O ex-presidente fica mais à vontade, na medida em que Temer passa a ser investigado no esquema de arbitragem dos preços do etanol na BR Distribuidora e, em segundo plano, do feudo na Companhia Docas de Santos. Nota BBB  CENÁRIO 6: O TSE encontra provas do uso da grana do petrolão para o financiamento de campanha da chapa Dilma/Temer. Game over. Lula é preso. Dilma e Temer rolam o despenhadeiro. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assume a presidência da República, com o compromisso de realizar eleições em 90 dias. Moro alveja Cunha frontalmente. Assume o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, que carrega um portfólio de denúncias de documento falso, peculato e falsidade ideológica. Renan também cai na rede de Moro. Ascende, então, um togado. O presidente do Supremo – Ricardo Lewandowsky ou, a partir de setembro, Carmem Lucia – cai de paraquedas na Presidência da República. A partir de 2017, portanto na segunda metade do mandato, a eleição do presidente se dará por voto indireto. Os atores que sobem no proscênio da envergonhada política nacional, concorrendo no voto direto ou indireto, são Aécio Neves e Nove cenários à procura da realidade Geraldo Alckmin, Eduardo Paes, José Serra, Ciro Gomes, todos sabidamente patos para Sergio Moro. Sim, restam Marina Silva e Jair Bolsonaro. A julgar pela ausência no momento mais crucial da República, Marina trocaria as eleições no Brasil pelas do Tibet. E Bolsonaro, mesmo que concorra conforme as mais rigorosas normas democráticas, será golpe de qualquer maneira. Nota aaa  CENÁRIO 7: A tensão cresce no país. A nação corre o risco de se transformar em uma praça de guerra. A primeira bala perdida, um número maior de feridos, um confronto corpo a corpo com as forças da ordem e pronto: terão extraído o magma fumegante que assopraram com convicção. Sangue e porrada na madrugada. Dilma, na condição de comandante em chefe, convoca o Conselho Nacional de Defesa, dentro dos estritos ditames constitucionais. Sentados no Conselho, o ministro da Defesa, os três comandantes militares e o chefe da Casa Civil – Lula or not Lula. Juntos, analisam a exigência de se lançar mão do estado de emergência, instituto cabível na situação citada. Golpe? Nenhum, pois a iniciativa está prevista na Constituição. Na excepcionalidade da circunstância, a ordem tem de ser mantida. As negociações com o Congresso e o Judiciário mudam muito! Nota BB+   CENÁRIO 8: O onipresente Sergio Moro avança no seu projeto de dizimar a classe política e refundar o Brasil. Todas as lideranças estão ameaçadas para valer: Lula e Dilma, é claro, mas também FHC, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Michel Temer et caterva. Os políticos se reúnem para firmar um pacto, um governo de coalizão nacional, compartilhado entre os partidos. Todos acolhem que esta é a melhor solução não somente para a sobrevivência jurídica, mas para tirar o Brasil do atoleiro. Os líderes acordam que a fórmula para estabilizar a economia brasileira é promover um ajuste relâmpago no estilo Campos-Bulhões. Com o Congresso dominado, é pau na máquina. Nota CCC

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  Passados os momentos de euforia, a noite do último domingo foi de preocupação para os principais líderes do PSDB. Até o início da madrugada, a cúpula do partido, notadamente Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, José Serra, Alberto Goldman e Aloisio Nunes Ferreira, manteve uma intensa linha cruzada de conference calls e trocas de mensagens, nas quais expressaram sua apreensão com o rescaldo das manifestações. Nas entrelinhas, os protestos acabaram se revelando um sinal de alerta para o PSDB. Na avaliação dos caciques do partido, ficou claro que a sigla não capitalizou a mobilização das ruas. O PT sangra abundantemente, mas os tucanos não conseguem se aproveitar dessa hemorragia.  Em diversas capitais do país, menções ao PSDB geraram vaias. A maior surpresa, contudo, foi com a “acolhida” que os dois pré-candidatos do partido à presidência tiveram na Av. Paulista. Assim que chegaram ao local, por volta das 16 horas, Geraldo Alckmin e Aécio Neves foram longamente apupados. O senador mineiro foi recebido aos gritos de “Aécio ladrão”. Alckmin, por sua vez, teve de enfrentar impropérios relacionados ao desvio de merenda nas escolas públicas e à crise no abastecimento de água no estado. Escoltados por policiais à paisana, não permaneceram mais do que 20 minutos entre os manifestantes. Foram aconselhados pelo secretário estadual de segurança, Alexandre de Moraes, a voltar para o carro. Antes, segundo o RR apurou, Moraes teria solicitado reforço policial.  Pesquisas encomendadas pelos tucanos já traziam sinais de que a epidemia anti-PT começa a contagiar o PSDB, além do próprio PMDB – a rigor, os partidos que realmente contam no jogo político. Entre os tucanos a maior dose de antipatia é dirigida a Aécio Neves, possivelmente uma reação à postura mais radical do senador mineiro. A percepção é que ele escalou em demasia a bandeira do impeachment de Dilma Rousseff, passando ao eleitor mais sensível a clara sensação de que sua única preocupação é antecipar as eleições de 2018 em nome de um projeto pessoal. Ressalte-se que o senador mineiro já vem em um processo de desgaste que se acentua com a delação premiada de Delcídio do Amaral. Os depoimentos do petista trazem Aécio para a Lava Jato.  A falta de maior apoio mesmo entre a parcela da população que defende a queda de Dilma Rousseff aumenta a preocupação dos tucanos com o day after de um eventual impeachment. A inquietação alcança também a postura da mídia diante da continuidade da Lava Jato – e ninguém duvida de que ela sobreviverá, mesmo com uma troca de governo. O PSDB não tem qualquer garantia de que os vazamentos serão contidos e muito menos de que a imprensa se manterá distante de eventuais denúncias contra o partido. Por uma curiosa atração fatal, tucanos e petistas, dois extremos que se odeiam, podem acabar irmanados na beira do precipício, mesmo que de costas um para o outro.

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26.01.16
ED. 5295

Mendonça Filho no jogo

 Mendonça Filho, líder do DEM na Câmara, promete iniciar o ano legislativo agitando duas bandeiras: além do impeachment de Dilma Rousseff, seu estandarte maior, vai trabalhar com afinco para emplacar o projeto de lei de sua autoria que propõe uma nova regulamentação para a venda de direitos de transmissão de jogos de futebol – assunto que está na ordem do dia. Ele garante ter o apoio de Eduardo Cunha para acelerar a votação do projeto. Sob a lógica que rege a ética parlamentar, é mais do que justo. Graças ao empenho de Mendonça Filho, a bancada do DEM está fechada com Eduardo Cunha.

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11.01.16
ED. 5284

Mr. Planilha

O governo está ganhando no gogó as previsões sobre o número de parlamentares que votarão contra o impeachment. O mérito é atribuído ao ministro bom de bico Jaques Wagner.

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23.12.15
ED. 5275

Alô, câmbio!

 As vendas de pacotes turísticos para Orlando estão 30% abaixo do volume que era comercializado em dezembro do ano passado. Assim, a classe média vai às ruas pedindo impeachment.

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17.12.15
ED. 5271

Atlantic City

 O deputado Ciro Nogueira, do PP, é incansável. Mesmo com todas as atenções voltadas ao pedido de impeachment, o parlamentar continua catando assinaturas para o seu projeto de lei que propõe a reabertura dos casinos no Brasil.

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15.12.15
ED. 5269

Impeachment de Dilma traz o fantasma do “Volta, Lula”

 O empresariado paulista está dividido em relação ao impeachment de Dilma Rousseff. De um lado, a “banda de música” da Fiesp, regida por Paulo Skaf, faz campanha aberta em favor do impedimento. De outro, empresários “mais cabeça”, como Pedro Passos, Carlos Alberto Sicupira e Paulo Cunha, entre outros, ponderam, à boca pequena, que o afastamento da presidente da República pode resultar em novos problemas sem trazer soluções correspondentes. Nenhum dos grupos empresariais citados nutre simpatia por Dilma ou por seu governo. Mas as duas correntes têm sensibilidades distintas em relação ao impeachment. Enquanto Paulo Skaf lidera oligarcas raivosos, que apoiam o fuzilamento do mandato da presidente na expectativa de substituí-la por um representante autêntico – Michel Temer é quase um “membro de honra” do clube –, a outra turma enxerga um ambiente social tumultuado e o risco de um “sebastianismo lulista” em 2018.  Para o grupo reacionário que domina a Fiesp, o PMDB seria uma opção preferencial ao PSDB. O partido do vice-presidente Michel Temer e a entidade estão entremeados por raízes fisiológicas com o mesmo parentesco. Paulo Skaf enxerga em um mandato Temer a ponte para sua própria escalada ao Palácio do Planalto, reconstituindo uma era em que operários estavam aprisionados a sua condição social, cabendo à burguesia empresarial a condução do país. Com esse propósito obsessivo, os extremistas da Fiesp têm aberto o cofre para financiar uma campanha contra o governo de Dilma com paralelo somente no período pré-golpe de 64. Os empresários mais arejados, que se encontram, em parte, ligados ao Iedi e ao protopartido Rede, temem que o impeachment de Dilma acabe resultando em um falso combate ao mal que abateu o PT com mais do mesmo veneno. Anteveem também as ruas roucas e indignadas com a receita de política econômica do novo governo, que vai dizimar salários e empregos com sua “ponte para o futuro”. Curioso: trata-se da mesma receita que Dilma está implementando e implementará, caso escape das manobras para o seu afastamento.  Os empresários divergentes da Fiesp consideram o impeachment um presente para Lula, que retomaria o comando da oposição, despindo-se da fantasia de defensor-mor de Dilma Rousseff. Sem o contágio da gestão da presidente e podendo atirar contra tudo e contra todos, em um ambiente de recessão e queda da renda, Lula seria um adversário temível em 2018. Para esse grupo empresarial, a questão que se põe é qual o cenário menos pior: mais três anos de Dilma Rousseff ou a escalada de Lula à presidência em 2018. Progressistas ou reacionários, os empresários concordam nesse ponto: o risco de um quinto mandato do PT deve ser debelado de qualquer maneira. Até onde estão dispostos a ir contra o “Lula lá” é o que os diferencia.

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11.12.15
ED. 5267

Alçapão

 A ala pró-impeachment do PMDB já contabiliza os votos dos pedetistas no Congresso. Aliados de Michel Temer estão convictos de que basta um empurrãozinho para o PDT deixar o governo.

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10.12.15
ED. 5266

Noite longa

 A decisão de Luiz Fachin de só julgar os atos sobre o impeachment na próxima quarta-feira foi recebida no Planalto com latas de Red Bull. Jaques Wagner, Ricardo Berzoini, Edinho Silva e cia. estarão dia e noite em missão para arregimentar a base aliada e limpar as chicanas legislativas de Eduardo Cunha. A expectativa é que o STF não conclua a apreciação na data prevista e o julgamento se estenda. Está decretada, portanto, por tempo indeterminado, a insônia no núcleo duro do governo.

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10.12.15
ED. 5266

Liberou geral

 A Abin, que pouco ajudou o governo a se prevenir de tantos episódios pouco edificantes, estaria contribuindo com o STF. As precauções são as de praxe: varredura de grampos, criptografia dos telefones etc. Os cuidados foram redobrados nessa fase inicial do processo de impeachment. A julgar pelo currículo da Abin, está liberada a farra do boi na linha do STF.

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 Frase dita ontem por Leonardo Picciani em reunião com parlamentares do PMDB: “Agora, rachou de vez. O Temer nos empurrou definitivamente para dentro do Palácio do Planalto”.

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18.11.15
ED. 5250

Desgraceira

 Em sua décima entrevista no ano profetizando o fim dos tempos, o beato Armínio Fraga superou seu ex-futuro chefe Aécio Neves ao propor o impeachment como solução para destravar a crise. Só falta agora sugerir ataques terroristas em Brasília.

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16.10.15
ED. 5228

Horário nobre

  Após lançar um site para colher assinaturas, os parlamentares da oposição à frente do Movimento Pró-Impeachment planejam agora uma maciça campanha na TV, com direito, inclusive, à contratação de um marqueteiro. A ideia é que os anúncios não levem a assinatura de partido algum.

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 À luz do dia, Eduardo Cunha posterga a apreciação dos pedidos de impeachment de Dilma Rousseff; na calada da noite, estaria instruindo deputados do PSDB e do DEM de como usar o próprio regimento da Câmara para acelerar a tramitação das requisições.

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09.07.15
ED. 5159

PT quer Dilma jogando no “contragolpe”

 Com os juros lá em cima, a inflação triscando nos dois dígitos, a taxa de desemprego bombando e o denuncismo dando o maior ibope, o golpismo passou a ser o mote do PT para responder ao brutal ataque da oposição. A “deixa” teria sido do marqueteiro João Santana. Os excessos da oposição permitiram que a defesa pudesse se transformar em ataque. A entrevista de Dilma Rousseff seguiu nessa toada. Foi considerada pela base do partido sua melhor performance. Tanto que já conseguiu arregimentar uma parte da militância – é bem verdade que se trata do chamado “grupo do abaixo assinado”, constituído pelos mesmos intelectuais de sempre.  Essa facção petista está propondo que o partido faça uma denúncia “contra as manobras golpistas da direita” na TV. Os professores, artistas e formadores de opinião protagonizariam o “Não ao golpe!” Uma fonte próxima a Lula disse que, mesmo sem saber detalhes da história, o ex-presidente franziu o cenho ao ouvir a ideia. Lula teria comentado que esse golpismo é para ser combatido no atacado e não no varejo. Pelo menos por enquanto.

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