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02.08.17
ED. 5674

João Lyra duela com credores, herdeiros e a Lava Jato

Aos 86 anos, o usineiro e ex-deputado João Lyra mostra fôlego para evitar as armadilhas que surgem em seu caminho – venham elas de Curitiba, onde sua relação com Fernando Collor e a BR Distribuidora é escarafunchada, ou da Comarca de Coruripe (AL). É lá que se arrasta o processo de falência de seu antigo império sucroalcooleiro, que vive novos e decisivos capítulos nesta semana. Lyra e seus herdeiros tentam brecar na Justiça o leilão de ativos da massa falida da Laginha Agro Industrial, que teve início no último dia 26 e se estende até a próxima sexta-feira. Trata-se de um momento chave desta epopeia “sucro-judicial”.

Nove anos após o pedido de recuperação, os 14 mil funcionários e centenas de fornecedores e bancos credores não receberam um centavo sequer. O leilão é a primeira possibilidade concreta de pagamento de parte dos R$ 2 bilhões em dívidas. O primeiro tiro contra os credores errou o alvo: na última quarta-feira, um dos filhos do empresário, Antonio José Pereira Lyra, entrou com um pedido de suspensão do leilão, negado pelo desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, do TJ-AL.

Os Lyra, no entanto, não desistem tão facilmente. Segundo o RR apurou, os advogados do próprio patriarca também estariam se movimentando para suspender os efeitos do leilão, no qual são ofertados o terreno e o imóvel onde funcionava a sede do grupo, em Maceió, além de um apartamento e um imóvel comercial. Ressalte-se que João Lyra e seus herdeiros correm em raias separadas. Duelam com os credores tanto quanto digladiam entre si. Os filhos já entraram na Justiça com um pedido de interdição do pai.

O expediente lhes daria a possibilidade de assumir o mando dos ativos no caso de uma eventual transformação da falência em recuperação judicial – em fevereiro, Lyra impetrou recurso no STJ pleiteando esta reversão. Não obstante a dívida da Laginha, sempre dá para extrair algum caldo de um patrimônio avaliado em R$ 1,9 bilhão. Curiosamente, por mais dolorosa que seja, sob certo aspecto esta disputa consanguínea é conveniente para o clã. A família deve, não nega, mas, enquanto briga, ganha tempo e preserva o patrimônio congelado.

O RR fez seguidas tentativas de contato com os advogados de João Lyra, por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. João Lyra centra suas atenções na Justiça alagoana, sem tirar o olho da Lava Jato, uma ameaça cada vez mais presente. Em março, a Polícia Federal concluiu as investigações em torno de pagamentos e empréstimos de R$ 7,2 milhões feitos pela BR à Laginha, com a suposta interferência do senador Fernando Collor. Segundo a PF, há indícios de irregularidades no repasse dos recursos. O caso agora está na PGR

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05.07.16
ED. 5404

Uma esperança chinesa para os credores do Grupo João Lyra

 Surge um fiapo de esperança para os fornecedores, credores financeiros e os mais de dez mil funcionários do Grupo João Lyra, vítimas da má gestão e dos escândalos que culminaram na falência da companhia. A possível solução vem da China. Um dos maiores produtores de açúcar e etanol da Ásia e ainda sem negócios no Brasil, o Rui Feng Group tem interesse em assumir as cinco usinas do conglomerado alagoano. Para tanto, negocia com os bancos e os administradores da massa falida uma considerável redução na dívida do João Lyra, que totaliza cerca de R$ 2 bilhões – mais de metade do valor se refere aos passivos financeiros. A relação das instituições bancárias chama a atenção pela biodiversidade: entre os principais credores estão o Banco do Nordeste, o inglês Calyon, o belga Alcotra e o francês Natixis. A venda de boa parte dos 40 mil hectares em terras em Alagoas e Minas Gerais, avaliados em aproximadamente R$ 500 milhões, permitiria o pagamento dos funcionários com alguma folga. Estima-se que as dívidas trabalhistas estejam na casa dos R$ 200 milhões.  O próprio processo de falência do Grupo João Lyra é tão nebuloso quanto a trajetória final da companhia. Desde 2012, dois juízes e dois desembargadores já passaram pelo caso e se afastaram posteriormente. Três administradores da massa falida também renunciaram ao posto, em todos os casos sem maiores justificativas para a decisão. Nesse intervalo, a dívida, que começou em R$ 1 bilhão, duplicou. No mesmo período, multiplicaram-se também as denúncias contra o usineiro e ex-deputado João Lyra. O empresário está citado na Lava Jato. A Justiça investiga as sinuosas relações entre o grupo e a BR Distribuidora, sempre costuradas por Fernando Collor. As denúncias envolvem ainda um empréstimo do Banco do Brasil ao usineiro, no valor de R$ 50 milhões, que só teria se consumado graças à intervenção do ex-presidente da República. • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: João Lyra.

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