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14.12.16
ED. 5516

FHC promete uma pinguela mais firme do que Michel Temer

Fernando Henrique Cardoso não renega sua natureza. Que o diga o presidente Michel Temer, que está sentindo na pele a marca doída da traição. Com toda a sua manha de político tarimbado, Temer acreditou, sabe-se lá por que, que levar FHC como conselheiro para dentro do Palácio do Planalto seria uma manobra inteligente para fechar uma aliança sólida com o PSDB e garantir a governabilidade. Deu de bandeja o óleo e acendeu o fogo para a sua própria fritura.

Michel Temer chegou a pensar na criação de uma secretaria especial para alojar Fernando Henrique ao seu lado no Planalto, buscando ampliar o acordo com os tucanos e usufruir da aura de respeitabilidade do ex-presidente. Mais provável que estivesse seguindo a máxima de Lao Tsé: “Mantenha os amigos sempre por perto e os inimigos mais ainda”. A ideia não prosperou. Temer foi dissuadido pelos assessores mais próximos da proposta, ruim sob todos os aspectos: FHC não aceitaria o convite, vazaria que não aceitou e transformaria suas considerações pela imprensa em recados a Temer. Se é que a história ocorreu exatamente dessa forma, é mais provável que a sugestão tenha sido um balão de ensaio do presidente da República.

Em retribuição à aproximação de Michel Temer, FHC saiu em disparada para os jornais, com declarações de que prefere não ser candidato, que não tem idade para presidir o país, que nunca ouviu isso e coisa e tal. Nas últimas três semanas, foram três entrevistas para tratar sobre um eventual chamado à Presidência da República, quer seja do Congresso, quer seja da população. É improvável que ele não queira “passar” pela presidência como o condestável que conduziu o Brasil da desordem institucional às eleições salvadoras de 2018. FHC também tem dado recados a terceiros por intermédio do seu filho, Paulo Henrique Cardoso, que, se “esse infortúnio” acontecer, manterá todo o eixo da política econômica de Temer, sancionará a PEC do Teto – caso isso ainda não tenha sido feito -, promoverá as reformas da previdência e trabalhista e talvez troque um ou outro ministro. Só para ficar bem esclarecido, é muito difícil que Paulo Henrique esteja passando mensagens sem a anuência do pai. FHC conhece bem o seu rebento. Portanto, está escrito: o ex-presidente vai crescer no noticiário, sempre buscando “poupar” Temer, mas acicatando a mídia sobre o seu irrefreável dever caso uma hecatombe ocorra. Cínico. FHC sabe que o “Indiretas, já!” é a sua bala de prata na vida pública. É até para dar pena de Michel Temer.

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25.10.16
ED. 5482

Sussurros e carinho na festa do professor Porto

 Foi bonita a festa, pá. Na última sexta-feira, diversas safras de economistas que passaram pela Escola de Pós-Graduação e Economia (EPGE), atual Escola Brasileira de Economia e Finanças da FGV, se reuniram no salão nobre da instituição para celebrar os 70 anos do professor Antônio Carlos Porto Gonçalves, um craque na arte de se fazer querido. O que mais se ouviu no encontro fechado foram histórias da convivência acadêmica. Mas, catando aqui e acolá, puderam ser extraídas algumas observações valiosas sempre ditas aos sussurros: o governo de Michel Temer estaria blindado pela qualidade da sua equipe – Wilson Ferreira Jr., Maria Silvia, Pedro Parente etc – e tem os apoios político e da mídia para realizar o maior número de reformas conservadoras-modernizantes desde o movimento militar de 1964. Só tem de correr, pois a estrada da Lava Jato é acidentada, e 2018 já é dado como um ano morto. Quanto mais rapidamente as reformas forem aprovadas, mais célere as agências de rating elevarão a nota do Brasil, maiores serão as quedas dos juros e mais amplo o espaço para o crescimento dos investimentos.  Economistas ouvidos consideram que Michel Temer não vai repetir Lula. O ex-presidente assistiu ao Judiciário desmontar seu alto comando – José Dirceu, José Genoíno, Luiz Gushiken, Antonio Palocci etc – sem ter quadros à altura para substituir os alvejados. Temer estaria conversando não só com os que se encontram na linha de tiro, entre eles alguns de seus principais assessores, mas com potenciais ocupantes de cargos no governo. Um exemplo é o ex-multiministro e ex-juiz do STF Nelson Jobim, atualmente operando como um híbrido de sócio de compliance e diplomata jurídico do BTG. Um exagerado wishful thinking aposta que até FHC estaria a postos para entrar em campo e não deixar o barco adernar.  No espaço mais aristocrático da FGV, contudo, ninguém queria saber de conjuntura, previsões, econometria. A festa era para o grande Porto Gonçalves. Ele pertence à segunda geração heroica da EPGE, dirigida por Carlos Langoni – a primeira foi comandada por Mario Henrique Simonsen. As duas escolas ocuparam literalmente a área econômica do governo no seu tempo. Claudio Haddad, integrante da segunda geração, compareceu ao evento com grande fair play. Ele, que era uma espécie de Dartagnan do trio de mosqueteiros bilionários liderados por Jorge Paulo Lemannn, retornou a sua vertente acadêmica em uma escala compatível com sua fortuna: Haddad é o dono do Insper, maior concorrente da EPGE. Ele estava lá para dar abraços e apertos de mão e, principalmente, celebrar Porto Gonçalves, seu professor na EPGE. Presentes ainda Luiz Guilherme Schymura, Rubens Pena Cysne, Luiz Freitas e Joaquim Falcão, entre outros diretores de unidade. Também compareceram ex-alunos badalados como Maria Silvia Bastos Marques, Gustavo Loyola, e o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal. Lá do firmamento Eugenio Gudin, Otávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos abençoavam o encontro, sensibilizados.

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07.10.16
ED. 5471

A voz de Deus

 FHC não queria a candidatura de João Doria, mas adora quando alguém lembra, mesmo em tom de chiste, que o tucano conquistou mais de 20% do eleitorado nos últimos cinco dias de campanha. Justamente quando o “príncipe” gravou um depoimento para o seu programa eleitoral.

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 A título de curiosidade: antes de concordar em participar do programa eleitoral de João Doria, FHC recusou o convite por três vezes.

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09.09.16
ED. 5451

Lula exibe seu capital político aos verdugos

 Quem acompanhou a gigantesca manifestação na Av. Paulista, no último dia 4, assistiu ao ex-presidente Lula mostrar sem rodeios qual o seu cacife para negociar uma eventual prisão. O protesto de domingo passado foi o sétimo seguido, e o maior de todos – cerca de 100 mil pessoas. Apesar dos gritos de “Volta Dilma”, “Fora Temer” e “Diretas Já”, ninguém estava lá especificamente para entoar os slogans, e, sim, para ouvir Lula. O resto era “quem mais chegar”, conforme as palavras de Paulo Okamoto. E o ex-presidente falou do golpe, da injustiça e da traição à “companheira Dilma”. Disse que está disposto a negociar com o atual governo em bases mais cordiais; que pode ser, sim, candidato à presidência; que conta com o povo para avançar nas conquistas sociais. Mas as palavras que soaram fundo nas massas foram menos conciliadoras. Lula trovejou que “há o aceitável e o não aceitável, e um limite para tudo, mesmo na política”. Para bom entendedor do lulês, o recado foi claro: se a sua prisão for levada a cabo, não vai ter ventania, vai ter tempestade. Ou seja: quem coloca essa multidão nas ruas tem o caos como capital político.  A mensagem é oportuna, pois o cerco se fecha. O ex-presidente da OAS , Leo Pinheiro, está à disposição da sanha inquisidora dos juízes de Curitiba. O ex-diretor da Petrobras Renato Duque, por sua vez, delatou que recursos de propina teriam sido transferidos para as campanhas de Lula e Dilma. Frase atribuída a Paulo Okamoto: “Se eles prenderem o Lula, a manifestação passa de 100 mil para um milhão. E já não terá mais slogans, mas somente uma palavra de ordem: Soltem o Lula”. Como diz o ex-presidente FHC: “Não basta que os juízes tenham provas, é preciso que eles saibam explicá- las muito bem, pois, se prenderem o homem, os riscos e consequências serão para todos nós”. Definitivamente, não parece uma medida prudente.

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 A Operação Greenfield, deflagrada pela Polícia Federal na última segunda-feira, começa com o nome trocado. Deveria se chamar “Operação Investimentos Maduros”. A obsessão pelas estatais Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Correios, e seus respectivos fundos de pensão, assim como o desejo de achar algum petista envolvido em qualquer tramoia, acaba por dirigir a investigação para desequilíbrios atuariais ou irregularidades no trade. Melhor seria se a PF colocasse a lente na pilha de associações de rentabilidade inaceitável, revolvendo os investimentos de M&A, onde se encontram as piores e inexplicáveis participações das fundações. É lá que está o mapa das propinas. É pesquisa para mais de 30 anos.  No governo FHC despachar o mico para os fundos de pensão virou lugar comum. É bem verdade, nem tudo foram urtigas: houve aquisições positivas, como a Vale. Mas uma grande parcela das compras foi de companhias em situação lastimável, que vêm sugando as reservas dos fundos até hoje. Em algumas delas, as fundações, mais especificamente a Previ, não poderiam participar por determinação estatutária. E mesmo assim entravam ilegal e desarvoradamente no capital de empresas deficitárias. O RR não vai nominar nem uma das centenas de companhias passíveis de um “Lava Fundos”. Mas o mercado todo sabe. Tanto quanto sabia das propinas das empreiteiras em obras públicas.

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 O futuro da democracia brasileira passa, nas próximas semanas, pela antecipação da eleição direta para a Presidência, um pacto entre as principais lideranças políticas e os Poderes da República e a definição sobre a negociação de uma “janela” na Lava Jato para que o pleito possa se dar de forma soberana. A ordem dos fatores altera o produto. O pacto social antecede os demais, pois lubrifica as mudanças constitucionais necessárias e o novo ambiente institucional. O acordão por meio do qual pretende se legitimar as “Diretas Já” é primo distante daquele conspirado por Romero Jucá e Sérgio Machado. É motivado por intenções distintas, pode ser articulado e anunciado à luz do dia e, em vez de ser uma costura entre Eduardo Cunha, Michel Temer, Renan Calheiros et caterva, seria alinhavado, por cima, por Fernando Henrique Cardoso, Lula, Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Jaques Wagner, Tasso Jereissati e, acreditem, Aécio Neves, além de empresários de primeira grandeza que voltaram a pensar no Brasil.  Os articuladores não acreditam em uma reação de Temer e sua turma, denunciando o “golpe dentro do golpe”, apesar de estarem atentos aos afagos cada vez mais explícitos do presidente interino aos comandantes militares. O professor de Direito Constitucional e suas eminências pardas sabem que a governança do país é extremamente frágil. Um “frentão” juntaria as ruas com a Av. Paulista e mudaria de direção o leme da imprensa. O espinho é o que fazer com a Lava Jato, que, se por um lado, descortinou as tenebrosas transações com a pátria mãe tão distraída, por outro, gangrenou a democracia com a criminalização do futuro. A instituição de uma “janela” na nossa Operazione Mani Pulite seria uma concessão para que as eleições diretas já não se dessem no ambiente de investigações, delações e aceitação de provas forjadas que sancionam a culpa antes mesmo da denúncia. Pensa-se em algo derivado a partir do modelo de anistia com punições razoáveis criado para a repatriação do capital estrangeiro: quem confessa sua irregularidade não é criminalizado, mas paga multa pecuniária.  Todos os participantes desse programa de adesão espontânea não teriam seus direitos eleitorais subtraídos inteiramente, mas somente no próximo pleito. A condição para que o próprio infrator confessasse a “malfeitoria de fato” sem ser criminalizado esterilizaria os porões das investigações, nos quais a intimidade do cidadão é devassada e revelada no limite dos seus pensamentos inconfessáveis, que nada têm a ver com qualquer dos delitos aventados. É nesse ponto crucial que surge a importância simbólica de Sérgio Moro em toda essa arrumação. Caberia a ele validar a seguinte mensagem: a Lava Jato não morreu, a Lava Jato entrou em uma nova fase. E não vai ter “golpe” e crime estampado diariamente nas bancas de jornais. Vai ter eleição e vai ter governança.

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18.03.16
ED. 5330

A Cesar o que é de Cesar

 O raio de ação do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo nunca esteve circunscrito apenas a Aécio Neves. Por uma via oblíqua, ele se estendia também ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ponto de contato entre ambos era Luiz Carlos Santos, que comandou o Ministério de Assuntos Políticos no primeiro mandato de FHC – quando articulou a emenda da reeleição – e depois ocupou a presidência de Furnas. A todos os pedidos que recebia na estatal, Santos costumava dar a mesma resposta: “Esse assunto deve ser tratado com o Dimas.”

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24.02.16
ED. 5313

Lobisomem

 O codinome do grande gestor da solução financeira da joint venture entre Fernando Henrique Cardoso e Miriam Dutra atende por “Lobisomem”. O RR não revela a identidade do dito cujo por respeito à lenda viva. Mas dá uma pista: em seu diário de bordo no governo, FHC informa que o personagem aparecia no Palácio do Alvorada, à noite, na hora que queria, sem avisar ou combinar o assunto. A contrapartida aos serviços prestados pelo “Lobisomem” teria sido o acesso especial ao alto-comando da Petrobras e uma influência sem par junto aos fundos de pensão das estatais.

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22.02.16
ED. 5311

Caso FHC é o tira-teima da isonomia

  Se houver alguma justiça além da divina nesta terra de obliquidades, o Ministério Público e a Polícia Federal devem iniciar imediatamente uma investigação sobre os indícios de comportamento criminoso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Já existem evidências, delação sem prêmio, várias contas no exterior, apartamento em Paris, sítio em parceria com empreiteira, dinheiro recebido de uma empresa isenta de impostos nas suas vendas em aeroportos e até denúncia de falsificação de teste de DNA.  Para juízes e policiais, será um maná: é a possibilidade das autoridades que destrincham os casos do mensalão, petrolão e devassam sítios e apartamentos triplex demonstrar que as operações realizadas até agora não são ideológicas. Vento que venta lá, venta cá. O RR sugere, com candura, um nome para a PF batizar com a criatividade de praxe a investigação: “Operação Papudo”.

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20.08.15
ED. 5189

BNDES inicia sua longa jornada noite adentro

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, desembarca hoje no Congresso Nacional com a missão inglória de impedir o estupro da instituição. A CPI do BNDES é uma cortina de fumaça para aleijar o banco. Não bastará à instituição purgar em praça pública a averiguação de eventuais desmandos financeiros, a exemplo da Petrobras. O banco, não sendo extinto, precisa ser descaracterizado em sua essência, ou seja, uma agência de fomento que tem por função prioritária a concessão de financiamentos ao setor industrial. O RR apurou que a presidente Dilma Rousseff abandonou a causa da integridade do BNDES. O que Dilma não quer é que o banco se constitua em mais um escândalo, uma espécie de segunda Petrobras. Seu empenho é empurrar para longe as acusações de corrupção e malversação de recursos. Essas denúncias recaem na direção do expresidente Lula, sinônimo de CPI do BNDES. Lula precisa ser preservado, o governo precisa ser preservado, mas o banco, na ótica palaciana, poderia entregar dedos e anéis. A pressão é para que o BNDES encolha, reduza seu enraizamento com a política industrial, se torne uma espécie de Sebrae tonificado, perdendo o seu protagonismo estratégico. Nesse contexto, a palavra subsídio é tida como um anátema. Coutinho adentra a CPI empunhando três bandeiras: a defesa da probidade e lisura das operações do banco, a preservação do que for possível na sua estrutura de funcionamento e salvar sua própria pele. O curioso da CPI é que existem apenas suspeições, algumas delas bisonhas. O caso das privatizações no governo FHC, notadamente da Telebras, BNDES inicia sua longa jornada noite adentro em que a corrupção foi pública, sequer é mencionado. Ao contrário do escândalo da “telegangue”, neste momento não há um nome acusado de desvio de recursos ou de aceitação de propina na inquisição do BNDES. Afinal, quem é o Paulo Roberto Costa do banco? Algumas denúncias sugerem uma CPI do aparelho de Estado brasileiro, devido à amplitude de participação do governo. Por exemplo: o financiamento à prestação de serviços em outros países é chancelado pelo Ministério das Relações Exteriores, conta com a participação do Ministério do Desenvolvimento e a permissão do BC, para citar somente três órgãos governamentais. E o repasse dos recursos do Tesouro? Ora, o banco somente aceitou a decisão da Fazenda, que o escolheu como instrumento da sua política contracíclica para enfrentar a crise internacional. E os “cavalos vencedores”? Pode ser uma decisão questionável, mas já foi provado que as operações não incorreram em prejuízo. A CPI pretende propor medidas no melhor estilo do senador Joseph McCarthy, tais como a criação de um “grupo de inteligência” do Senado, que vai investigar as informações mais intestinas do banco. Os critérios para seleção dos investimentos também seriam escolhidos pelos parlamentares. Ninguém sabe o que ficará fazendo a melhor equipe técnica do país. A impressão é que o real objetivo da CPI do BNDES está encoberto pelo mar de lama no qual pretende se afogar o banco. O nome da CPI deveria ser a do “fim do BNDES”. Ou melhor, a CPI de Ignácio Rangel, Roberto Campos e Celso Furtado, os mentores da existência do BNDES e de seus melhores propósitos.

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19.08.15
ED. 5188

Retrocesso

FHC reencarnou seu pai, o general Leônidas Cardoso. Só falta agora defender uma quartelada.

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11.08.15
ED. 5182

 A reforma e a reforma de Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff dorme e acorda com a ideia de uma reforma ministerial na cabeça. Mas tem dúvidas sobre qual reforma deve implementar. É uma decisão grave, porque são modelos antípodas. De um lado, a reforma “por dentro”, buscando ministros que controlem suas bancadas, defendida por Lula e por acólitos do Planalto, tal como Aloizio Mercadante e Edinho Silva; do outro, uma reforma contemplando a presença de “notáveis”, técnicos e guerreiros. O objetivo da mudança “por dentro” seria enfrentar a crise política criando trincheiras no Congresso. A novidade maior seria o uso da caneta por Dilma, aprovando os pedidos e benefícios que caracterizam a política do “é dando que se recebe”. Seria um ministério político ocupado por políticos. O critério da convocação seria o grau de influência junto à sua base e o número de votos no Congresso. Os ministros técnicos, a exemplo de Joaquim Levy e Nelson Barbosa, seriam preservados. Alguns próximos, como Mercadante e José Eduardo Cardozo, iriam para o sacrifício, abrindo vagas disputadas. Todos os demais postos seriam passíveis de troca. A outra reforma ministerial, a proposta por seu exmarido Carlos Araújo, tem um viés inteiramente contrário. Araújo é a pessoa mais influente junto a Dilma e considera que a presidenta é refém de um ministério pouco qualificado e sem vocação guerreira. Qualquer associação com o ministério de notáveis de Fernando Collor não é mera coincidência. A diferença seria a predisposição para sair no pau e governar para valer. Por essa ótica, o governo de coalizão não se daria a qualquer preço ou com uma coalizão tão obesa. Quando se sentisse chantageada, Dilma confrontaria o Congresso, vetando projetos de lei. E explicaria o ocorrido publicamente. O novo ministério buscaria o maior distanciamento dos mensaleiros e do próprio Lula. Exemplo de um ministeriável: o ex-senador Ciro Gomes, que tem chamado o deputado Eduardo Cunha de canalha nas mídias. Os empresários seriam bastante contemplados: Josué Gomes da Silva, Jorge Gerdau, Luiz Carlos Trabuco e Benjamin Steinbruch são alguns nomes. Levy e Nelson Barbosa não permaneceriam nos seus cargos. Uma fantasia que teima em perdurar: Fernando Henrique Cardoso em qualquer ministério. Ah, impossível! Para quem não se lembra, FHC foi o primeiro a se apresentar para o ministério de notáveis de Collor quando o impeachment já era pule de dez. As duas reformas ministeriais trazem propostas de como governar – e tanto num modelo quanto no outro, há muito de wishful thinking. A melhor escolha assim é se lhe parece. A pior é permanecer com a abulia decisória, ausência de governança e falta de qualificação dos quadros. Esse tem sido o governo Dilma.  

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05.08.15
ED. 5178

Beto Sicupira dá aula na pátria educadora

 Se alguém quiser saber das ideias de Carlos Alberto Sicupira sobre educação, pode perguntar à presidente Dilma Rousseff. É isso mesmo! Sicupira, um dos Lemann Brothers, é tido por Dilma como um dos bilionários em uma mão de cinco com preocupação nacional. Não se trata, portanto, de um financista canônico. Ele é capaz, por exemplo, de desmontar sua agenda para fazer uma reunião com Roberto Mangabeira Unger e tratar do seu assunto predileto. Seu interesse por educação atravessa governos anteriores: Sicupira tinha conversas sobre o assunto com FHC e Lula. Atualmente, tem contribuído com sugestões para o Pátria Educadora. Na concepção do empresário, se não for despertada a inteligência dos jovens até os 12 anos, eles serão uma geração perdida. Sicupira acha que é um crime o que se tem feito com a educação de primeiro grau.  Se, por um lado, Beto Sicupira exerce o papel de “empresário-estadista”, por outro contribui com permanente benemerência. Seja por meio da Fundação Estudar, seja com recursos do próprio bolso, ele financia cursos de formação de estudantes brasileiros no exterior. Aliás, é surpreendente esse Beto Sicupira, que não lembra cerveja, catchup e carne moída. O empresário é um dos principais quebra- galhos do governo quando o assunto é desenrolar problemas com os burocratas do Partido Comunista Chinês. É uma espécie de bônus do peso da InBev por aquelas bandas.

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03.08.15
ED. 5176

É tudo meu

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cogitou manifestar sua solidariedade a Lula devido ao atentado ao Instituto da Cidadania, mas foi aconselhado a manter prudente distância do assunto. Segundo a fonte do RR, a piada do momento é o amuo de FHC com a bomba jogada no Instituto de Lula. Ao saber do fato, o ex-presidente tucano, famoso por sua modéstia e perfil baixo, teria dito: “Por que no instituto dele? Por que no instituto dele e não no meu?”

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31.07.15
ED. 5175

Dilma em foco

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai gastar seu latim em Parati. Seu nome é dado como certo na reunião anual da 3G Capital – o private de equity de Jorge Paulo Lemann et caterva – que ocorre neste fim de semana na cidade fluminense. FHC será o palestrante do evento. O RR fez vários contatos com o Instituto FHC, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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27.07.15
ED. 5171

Paralelas

Tancredo Neves dizia que só enviava uma carta quando já sabia a resposta. Lula e FHC, por sua vez, só marcam encontros que nunca ocorrerão. De qualquer forma, o simples fato de se cogitar um diálogo entre ambos já é uma boa notícia. Fica a sugestão para Dilma Rousseff e Eduardo Cunha.

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26.03.15
ED. 5088

Petrobras volta a campo com empreiteiras da segunda divisão

 Meio que na moita, a Petrobras retomou a contratação de empreiteiras para tocar obras que só faltam gritar por socorro. Por enquanto, a estatal vai mesmo na versão “fusquinha”: construtoras do segundo ou terceiro time chamadas para disputar as licitações. São três as pequerruchas que irão inaugurar a era pós- Lava Jato: Azevedo Travassos, Encalço Engenharia e Bueno Engenharia. Nem todas estas moçoilas são virgens no que se refere a  Lava Jato. A Bueno Engenharia foi citada pelo “empresário” Mario Goes, um dos operadores de pagamento de propina a  estatal, na nona fase da investigação, chamada de ?My Way?. Pipocou em algumas páginas de jornal, mas livrou-se do alistamento no grupo das 23 empreiteiras sub judice. As três empresas foram convocadas pela Petrobras para disputar a construção do duto de 28 polegadas e 47 quilômetros que vai de Maricá, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, ao Comperj, complexo petroquímico da estatal que se encontra em estado de hibernação. Tudo indica que Aldemir Bendine quer fazer desta volta a s obras um ato político. Só isso explica a convocação a s pressas de empreiteiras acostumadas a assistir ao jogo sentadas no banco de reservas. A Petrobras marcou a abertura do envelope para o dia 24 de abril. Só que a obra está prevista para 2016. Com um pouquinho de boa vontade, a estatal poderia esperar que alguns dos titulares se redimissem nos próximos meses, de forma a contar com a participação de algumas das maiores indústrias da construção pesada. Nada contra trazer os peso-penas. Mas o certame de obras da Petrobras não é bem o espaço apropriado para a prática de justiça social ou democratização da concorrência. E qual das convidadas vai dar um preço firme? A carta convite, aliás, continua sendo a gazua para o ingresso na Petrobras, onde não se pratica a boa e velha licitação. Desde a gestão Fernando Henrique Cardoso, a estatal está livre das amarras da Lei n° 8.666. FHC brindou-a com o expediente da escolha seleta, ou seja, ela chama quem quer para participar da concorrência pelas suas obras. Foi justamente esse sistema que acordou o Cade – o órgão antitruste identificou no expediente um convite a  formação de cartel. Realmente, não há motivo no universo que impeça a combinação de preços entre os disputantes. Mas até essa questão, no momento, é menor. O importante é que a Petrobras e o país possam contar com os préstimos da elite empresarial do setor. Já demorou demais.

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13.06.14
ED. 4892

Armínio dobra seu ativo intangível na Fazenda

 A candidatura de Armínio Fraga a ministro da Fazenda de um virtual governo Aécio Neves parece inspirada no desabafo do coronel Jarbas Passarinho na reunião ministerial que sancionou a promulgação do Ato Institucional nº 5. Na ocasião, para que não ficassem dúvidas sobre a radicalidade amoral da sua convicção, Passarinho bradou a todos os presentes que estava mandando seus escrúpulos a s favas. Armínio não vai mandar nada a s favas, mas quer aposentar seus escrúpulos na banca privada, o que é muito mais rentável e menos truculento do que o destempero do velho coronel. Os pruridos do festejado economista já tinham sido pendurados no cabide por ocasião da sua primeira – e, por sinal, bem-sucedida – passagem pelo Banco Central, em sintonia fina com Wall Street e a faculdade de economia da PUC. Prova de que sucesso independe de valores mais rígidos. Provém dessa era do absolutismo tucano o estímulo franco a s incestuosas relações das instituições financeiras com acadêmicos. Jamais os bancos foram tão felizes. Armínio vinha de uma fase de aprendizagem, quando era um frade e George Soros, a Igreja. O jovem e bem apetrechado economista nunca foi um destacado operador na máquina de fabricar ouro do biliardário. Há quem diga que o fascínio de Armínio por Soros resultou de um sentimento pagão. Ele presenciou e se encantou com o milagre de multiplicar fortunas que não se imiscuirão na economia real. É bem verdade que, com Lula, a ?finançolândia? também fez o seu banqueiro central. Em favor de Henrique Meirelles pode-se afirmar que, ao aceitar o cargo, já era meio carta fora do baralho no Fleet Boston e tinha decidido tornar-se congressista no Brasil. Armínio Fraga já traz tatuados os nomes dos hedge funds e dos doutores aliados. Quem viu o filme Inside Job sabe como uma pseudoverdade pode ser sancionada por professores universitários. Como outros destacados economistas tucanos – quase todos financistas -, ele saiu do governo e foi fazer seu pé de meia na sua zona de interesse. Não faltaram agraciamentos pelas boas relações do passado. O Unibanco prestigiou seus fundos com uma montanha de dinheiro ? não obstante a boa norma não recomendar aplicação tão vultosa em um único gestor, e ainda mais sem ele ser um craque para os padrões internacionais de multiplicação do capital. Armínio, que agora se candidata a repetir a experiência como czar da economia, tem um novo sócio, FHC os banqueiros do J.P. Morgan. Aterrissaria com uma algema de ouro – poderá largar o governo, mas não o banco. Nessas circunstâncias melhor deixar a toalha branca suja das digitais e procurar a maior aderência possível entre o interesse do Estado nacional e o da Casa Morgan. Tudo em sintonia com a “ética weberiana” na distinta versão de Fernando Henrique Cardoso. No final, é lavar a toalha branca e fingir que ela nunca esteve suja. Os escrúpulos é que mesmo lavados não serão limpos jamais.

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06.05.14
ED. 4864

Aécio descobre seu pré-sal eleitoral

A exploração política da Petrobras promete ir muito além do pré-sal eleitoral. O candidato Aécio Neves pretende colocar no seu balaio de campanha a promessa de gestão autônoma da estatal. A proposta da “Petrobras independente” será embalada e vendida como a cura para todos os males que assolam a companhia. A medida, portanto, seria um elixir contra o “aparelhamento partidário”, as “interferências políticas”, “os desmandos administrativos”, a “corrupção generalizada” e todas as demais manchas que a oposição, da noite para o dia, passou a enxergar na pele da estatal. Ao lado da bandeira da autonomia administrativa da Petrobras, Aécio Neves vai lançar outra promessa de campanha: a fixação de regras para a correção periódica dos preços dos combustíveis. Exequível ou não – e quem se importa com isso? -, a proposta permitirá a Aécio levantar a bola para si próprio. O candidato do PSDB pretende bater forte na defasagem dos preços dos derivados de petróleo e seu impacto sobre a estatal, apontando para fatos que atestariam os danos causados pelo governo do PT. Um deles seria a desvalorização das ações, que custou a  petroleira a queda do 12º posto para o 120º lugar no ranking das maiores empresas dos países emergentes. A natureza não foi tão perfeita assim com tucanos e congêneres. O mal das aves é que as penas ficam expostas. Ciente dos próximos passos de Aécio Neves, o governo já prepara uma contraofensiva. A intenção do PT é mostrar que por trás das propostas de Aécio esconde-se uma privatização disfarçada da Petrobras, que traria a reboque todos os procedimentos e práticas que durante a gestão de FHC receberam a alcunha de “privataria”. Em tempo: são os peixes e não os pássaros que morrem pela boca, mas ontem, em São Paulo, o candidato tucano talvez tenha falado mais do que deveria. Ao soltar o comentário “Meu Deus, quem disse que nós vamos privatizar a Petrobras? Nós vamos é reestatizá-la”, mais pareceu um menino preocupado em mostrar que não estava com a mão amarela.

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