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12.07.17
ED. 5659

Um debate celestial sobre o crédito subsidiado

A discussão sobre os juros subsidiados do BNDES tem um milhão de anos, como diria Nelson Rodrigues, e está vinculada a escolhas em relação ao país que se deseja e o timing da realização desse ideal. O RR confessa seu despreparo para intervir nesse assunto sem algum apoio externo. Com a devida licença a Elio Gaspari, useiro e vezeiro do expediente, foi buscar em Roberto Campos e Hedyl Rodrigues Valle um amparo celestial para ingressar no debate, requentado pela batalha em torno da TJLP. Só para contextualizar, o RR nasceu nesse berço de disputa de ideias – lá se vão 57 anos. Hedyl foi o criador do RR e presidente da Associação de Funcionários do BNDES, por essa época. Campos fundou o banco, ocupou sua presidência e sempre foi odiado pelos funcionários. Ambos afinaram suas ideias nesse período de convivência no éter. É só conferir no breve diálogo.

HRV: O subsídio é uma das formas de antecipar a concretização de prioridades. É uma alavanca que o Estado usa quando o mercado não se mostra afeito a realizar alguma tarefa essencial ao progresso. Acredito que foi por isso que você fundou o BNDES.

RC: Como diria o arguto Mao Tse Tung, “não interessa a cor do gato se o inimigo é o rato”. O BNDES naturalmente teria de ser reorientado na medida em que as demandas vão mudando. Recentemente, o banco teve um papel muito importante na desestatização, o que eu acho que deveria ser mantido como uma das suas prioridades. É claro que são condenáveis as reservas de mercado. Os subsídios são um soro ofídico intervencionista para curar o envenenamento provocado pela abstinência da iniciativa privada. O Estado somente atrapalha, mas infelizmente é necessário. Eu privatizaria até a Casa da Moeda.

HRV: Mas você manteria os subsídios às empresas? Eu recordo que, mesmo quando fez sua inflexão radical pela liberalização, desregulamentação e privatização, você não descartava o BNDE como agência de fomento.

RC: Acredito que o importante é maximizar a velocidade do crescimento da renda, da criação de empregos e da absorção de tecnologia. O resto é sentimentalismo. Graças ao recrutamento por concurso público o BNDE manteve uma saudável tradição meritocrática, com nível técnico bastante satisfatório. Naturalmente não escapou ao vício do burocratismo com a irrupção do nacional-estatismo. Melhor com o banco ou sem ele? Eu diria com ele. Melhor com algum subsídio ou sem subsídio nenhum? Ora, subsídios nunca são bons. Mas as imperfeições são inevitáveis. No final tudo se resume a uma assertiva: no socialismo as intenções são melhores do que os resultados e no capitalismo os resultados são melhores do que as intenções.

HRV: A nova bête noire dos subsídios é a corrupção. A Lava Jato deu uma dimensão hollywoodiana à corrupção. A distorção no debate é tratar o subsídio como uma jabuticaba. Ora, os Estados Unidos subsidiam sua indústria militar com recursos do Tesouro, que constam do orçamento do Pentágono. Com relação à corrupção, a receita é dura lex sed lex.

RC: Eu acreditava muito nos mecanismos governamentais, mas eles têm células cancerígenas que crescem incontrolavelmente. Há algo de doentio na máquina estatal. A experiência de jovem me deixou cético em relação às reais possibilidades do Estado. Mas acho razoável pensar em administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades sem impor resultados.

HRV: A discussão do subsídio foi redirecionada quase que exclusivamente para o seu aspecto distributivista, que está na essência da crítica dos empréstimos aos “cavalos vencedores”. O problema é que há empreitadas que não podem ser tocadas pelas pequena e médias empresas. São obras e projetos essenciais ao desenvolvimento que não estão no radar do mercado. Em linhas gerais, você acha que é possível resgatar o crescimento da indústria sem algum estímulo do Estado?

RC: Se me perguntassem sobre o nível do debate econômico do país eu diria que é uma razoável aproximação do Q.I da ameba. O BNDE não deve ser um instrumento de política monetária nem um mecanismo de redistribuição de renda. Acho que o banco é apenas um estágio na evolução dialética. Como diria Santo Agostinho, “Deus, fazei-me casto, mas não agora”.

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06.07.17
ED. 5655

Banco da energia

Paulo Rabello de Castro começa a abrir as comportas do BNDES. Após concluir o empréstimo de R$ 670 milhões para a construção de 12 parques eólicos no Rio Grande do sul, o banco prepara um pacote para financiar a instalação de usinas solares.

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29.06.17
ED. 5650

Rabello de Castro, o itinerante

A decisão de Paulo Rabello de Castro de anunciar em São Paulo, na última segunda-feira, o lançamento da nova plataforma do BNDES para micro e pequenas empresas não deve ser vista como fato isolado. Foi um gesto calculado, eivado de simbolismo: Rabello de Castro pretende deixar o claustro da Avenida Chile e criar uma intensa agenda de eventos e encontros com empresários. Na pior das hipóteses, é mais centimetragem nos jornais do dia seguinte.

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remedios-rr-5649
28.06.17
ED. 5649

Benefício do governo à indústria farmacêutica vira um placebo

Procura-se um remédio para as dores que o governo tem causado na indústria farmacêutica nacional, notadamente as empresas enquadradas nas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), criadas ainda no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Na maioria dos casos, a sintomatologia é a mesma: demora na análise dos projetos e atraso na liberação dos recursos, seja pelo cobertor curto do orçamento federal, seja pela burocracia. Os dois maiores símbolos da anemia no programa mantido pelo governo são a Orygen e a Bionovis, os dois superlaboratórios nacionais que surgiram das pipetas e tubos de ensaio do BNDES na época dos cavalos vencedores.

Segundo o RR apurou, a Orygen estaria tentando aprovar há mais de um ano PDPs sob análise no Ministério da Saúde. A situação é kafkiana: sem o carimbo de Brasília, a empresa não consegue liberar recursos de mais de R$ 100 milhões já aprovados pelo próprio BNDES. No ano passado, também por conta da letargia do governo federal, a companhia se viu obrigada a redimensionar sua fábrica em Itapevi (SP), reduzida em aproximadamente 30% em relação ao projeto original.

Menos mal que os acionistas do Orygen – Biolab e Eurofarma – cobriram do próprio bolso o investimento para a construção da unidade de medicamentos biossimilares. O Bionovis também teria projetos encalhados no âmbito do PDP. Assim como no caso da Orygen, coube aos sócios da companhia bancar a instalação da fábrica de Valinhos (SP). Procuradas pelo RR, os dois laboratórios não quiseram comentar o assunto.

Os atrasos nas PDPs têm forte impacto sobre a velocidade da inovação na indústria farmacêutica nacional. As parcerias envolvem, sobretudo, transferência de tecnologia de produtores e detentores de patentes estrangeiros, a produção de matérias-primas e sínteses químicas e a fabricação de biossimilares, praticamente uma cópia de medicamentos cujas licenças expiraram. São remédios sofisticados, na maioria dos casos importados.

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28.06.17
ED. 5649

BNDES volta a sorrir

O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, pretende buscar entre R$ 30 bilhões a R$ 50 bilhões para engordar o caixa de R$ 100 bilhões já disponível no banco. Os recursos adicionais vão engrossar as linhas de crédito do projeto que já está sendo chamado internamente de “BNDES Sorriso”. De onde ele vai obter os recursos é que são elas. Se seguisse os exemplos dos governos FHC e Lula, poderia dar uma pedaladinha. Mas o impeachment de Dilma Rousseff estigmatizou expediente contábil.

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27.06.17
ED. 5648

Energia extra do BNDES

O BNDES, que agora é só paz e amor com o empresariado, deverá aumentar o volume de recursos disponíveis para a área de transmissão. O objetivo é reduzir os atrasos na implantação de concessões já leiloadas pela Aneel. Neste ano, o banco já liberou mais de R$ 2,5 bilhões para a construção do linhão da usina de Belo Monte.

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temer-rr-5593
26.06.17
ED. 5647

Temer avança

O Banco do Brasil vai aumentar o volume de recursos disponíveis para o financiamento habitacional, em todas as faixas do mercado. Seguirá, assim, os passos da Caixa Econômica – ver RR de 13 de junho. Consultado, o BB não se pronunciou sobre o assunto.

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Por falar em banco público, a Caixa Econômica deverá se juntar ao BNDES no apoio à privatização de concessionárias de saneamento.

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26.06.17
ED. 5647

BNDES paz e amor

O novo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, tem se mostrado disposto a renegociar a dívida do Estaleiro Atlântico Sul com o banco, de mais de R$ 1,3 bilhão. Camargo Corrêa e Queiroz Galvão agradecem. O acordo funcionaria como uma “carta-finança” que as duas empreiteiras usariam para tentar vender o estaleiro. Consultado, o banco diz que só “se manifesta nos casos em que eventuais renegociações tenham sido de fato concluídas”.

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meirelles-rr-27
23.06.17
ED. 5646

Meirelles é o estraga-prazer do governo Temer

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está mostrando que “pau que dá em Chico bate em Francisco”. Meirelles tem dificultado todas as ações solicitadas por Michel Temer e o grupo palaciano para reanimar a economia. Ele condiciona os gastos à obtenção das receitas extraordinárias. E as receitas andam a passos de cágado. O ministro simplesmente se recusa a usar o expediente de empurrar despesas para o ano que vem usando a rubrica orçamentária dos restos a pagar.

Meirelles tem restringido o voo do novo darling do governo, o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, solicitando que o banco devolva recursos devidos para que o buraco do déficit primário seja contido e a Fazenda fique mais confortável para liberar novos gastos. Só que o dinheiro do BNDES está sendo guardado para mimosear os empresários e não sanar o caixa do governo, o que tem significado fiscal, mas nenhuma valia política. Meirelles sentou em cima do Refis o quanto pode, mesmo ele representando uma ajuda ao equilíbrio nas contas no curto prazo. E não libera a correção da tabela do Imposto de Renda.

O argumento do ministro da Fazenda é que o alívio no torniquete deve ser precedido pela aprovação das reformas, o que terá um efeito de transmissão para o fiscal por meio das mudanças das expectativas. Só que também não se sabe quando as reformas passarão. Henrique Meirelles continua sendo a âncora do presidente Temer na economia. E não consta que ele tenha ido para o governo para se desdizer e fazer o que o seu mestre mandar. Portanto, quem pariu Mateus que o embale. Se depender do termômetro do ministro da Fazenda, o clima será seco, quente, quase asfixiante, em todo o país.

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21.06.17
ED. 5644

Um Rabello de Castro para cada estação

O grand finale da gestão Maria Sílvia Bastos Marques no BNDES, ocorreu ontem, quando o banco comemorou 65 anos. A homenagem feita pelo seu sucessor, Paulo Rabello de Castro, ao economista e professor Carlos Lessa, ex-presidente da instituição, foi um verdadeiro manifesto de um novo tempo. Lessa foi agraciado com a entrega da medalha “Mérito Desenvolvedor”, por indicação da Associação dos Funcionários do BNDES.

A cena teve tintas fortes. Rabello de Castro desceu do palco onde se encontrava para abraçar o professor, que estava sentado na primeira fila da plateia. Quem viu a emoção externada por Rabello de Castro até acreditou que ele sempre teve apreço por Lessa. Mas o RR já tinha previsto: Rabello de Castro, um pragmático monolítico, será adorado pelos funcionários do banco.

Mesmo que para isso seja necessário negar tudo o que disse e fazer aquilo em que não acredita. Para quem não lembra, convém recordar que Rabello de Castro foi uma das muitas vozes discordantes do professor Carlos Lessa quando ele, na presidência do BNDES, autorizou a compra de 2,8% das ações da Vale pertencentes ao clube de investimentos da companhia (InvestVale) ao custo de R$ 1,5 bilhão. A medida evitou que a mineradora fosse desnacionalizada.

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pezao-rr-14
20.06.17
ED. 5643

Pezão na porta da Cedae

O governador Luiz Fernando Pezão alijou a diretoria da Cedae e, por extensão, seus funcionários, do processo de privatização da companhia – única moeda de troca do estado nas negociações para receber novos recursos federais. Para se ter uma ideia, o presidente da empresa, Jorge Luiz Ferreira Briard, sequer foi convidado para a solenidade do dia 12 de junho, quando Pezão e o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro assinaram o acordo de cooperação técnica para a venda da estatal. Informado da cerimônia pela imprensa, Briard chegou a ligar para o Palácio Guanabara no mesmo dia. Não foi atendido por Pezão. Os assessores do governador lhe disseram apenas que a formalização do acordo se tratava de “notícia velha”. Por meio de sua assessoria, o governo do Rio confirmou ao RR que “participaram da assinatura Luiz Fernando Pezão e Paulo Rabello de Castro”. Sobre a diretoria da Cedae, nenhuma palavra. Ao que parece, Pezão não está nem aí para manifestações, uma nova onda de quebra-quebra no Centro do Rio e, muito menos, para a sua popularidade junto aos servidores públicos. Talvez não haja mesmo outro jeito de privatizar a Cedae.

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31.05.17
ED. 5630

Carne muito bem passada

No lado B da delação de Joesley Batista consta um negócio babilônico que estaria sendo urdido junto com Abílio Diniz e uniria a parte de alimentos industriais da JBS, notadamente de frango, e a BRF. O operador na montagem do “titã da proteína” seria o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, que até março ocupava um assento no Conselho da BRF. Caberia a ele costurar tudo com a Previ e a Petros. Com o BNDES, como se sabe, não haveria problema.

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30.05.17
ED. 5629

Ainda o BNDES…

Só para virar de vez essa página: o Planalto já sabia desde início da semana passada que Maria Silvia Bastos Marques deixaria a presidência do BNDES; só não sabia quando. Quem definiu o timing da demissão foi a própria Maria Silvia.

Quanto a Paulo Rabello de Castro, é maldade dizer que ele não está à altura do cargo. Rabello de Castro é um economista de formação ultraliberal, que passou meio escondido as últimas décadas, dividindo-se entre conselhos de entidades de companhias paulistas (esse detalhe é importante) e a sua empresa, a SR Rating. Nos anos 80 e 90, foi os quindins do professor Octávio Gouveia de Bulhões quando exercia a função de redator da revista Conjuntura Econômica. É capaz de manjar mais da indústria do que Maria Silvia. Era um dos quadros destacados entre os economistas jovens da FGV. Rabello de Castro, junto como o economista Paulo Guedes, era devoto de Roberto Campos. Quando perguntado sobre o que achava de ambos, o ex-ministro destilava seu fino humor: “Tanto faz um quanto o outro. A ordem dos Paulos não altera o produto”. Ao contrário da antecessora, o novo presidente do BNDES prefere adular a ser adulado. O corpo de funcionários vai gostar mais de Rabello de Castro.

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benjamin-rr-5626
25.05.17
ED. 5626

A hora e a vez de Benjamin Steinbruch

As eleições para a diretoria executiva e plenária do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), marcadas para 7 de agosto, têm o condão de relançar no palco político a dobradinha Paulo Skaf e Benjamin Steinbruch, candidatos a mais um mandato nos cargos de presidente e vice-presidente. À luz dos fatos recentes e daqueles que estão próximos de vir à tona, é Steinbruch quem se exporá mais com a função de regra três de pelego. Na Fiesp/Ciesp de Paulo Skaf, vice-presidente não reina, mas é cúmplice – pelo menos é o que consta da delação de Marcelo Odebrecht na Lava Jato, segundo a qual a Odebrecht serviu de “laranja” para encobrir doações da CSN à campanha do presidente da Fiesp ao governo de São Paulo, em 2010.

Skaf já é um sujeito manjado. Mas a extensa rede de conexões do vulgo “barão do aço” só agora começa a ser desvendada. Na Fiesp, Steinbruch não pediu a ninguém que intermediasse caixa 2, mas foi, no mínimo, conivente com o uso de recursos da entidade para fins eleitorais. Skaf, como se sabe, foi para o PMDB convidado por Michel Temer. Concorreu novamente ao governo em 2014 e deixou Steinbruch esquentando a cadeira da presidência da entidade. Duda Mendonça foi chamado para fazer a campanha.

A agência do mesmo Duda venceu concorrências consecutivas para operar a comunicação do Sesi e Senai. Na mesma época, idos de 2013, o gasto anual com comunicação, quase dobrou, chegando a R$ 32 milhões. Ou seja, maior do que a verba com publicidade do BNDES à época. BNDES, aliás, cuja mudança na gestão tornou-se uma fixação dos donos da Fiesp.

Registre-se que o Ministério Público entendeu que os gastos publicitários astronômicos da Fiesp tratava-se de campanha antecipada. A Justiça Eleitoral paulista considerou a ação do MP improcedente, mas o assunto ainda aguarda decisão do TSE. Mas, tudo bem, eles que são empresários que se entendam na Fiesp. As travessuras do “barão do aço” mudam de patamar quando migram do ambiente corporativo para a área política e o investimento de interesse público.

Um vazamento estrategicamente tampado foi a inclusão de Steinbruch na lista cruzada dos 16 grandes doadores da campanha presidencial de 2014 e os correntistas de “dinheiro frio” relacionados a contas na agência do HSBC na Suíça – caso SwissLeaks. Ninguém mais sabe, ninguém mais viu. O que é sabido por todos, no entanto, é que a ferrovia Transnordestina está atrasada em 10 anos. E deve atrasar uns tantos outros mais. O projeto já consumiu mais de R$ 6 bilhões. A CSN, que se apoderou do negócio, colocou um tiquinho.

A verba está sendo revista para o dobro. O RR consultou o empresário Benjamin Steinbruch, por meio da assessoria da CSN, mas não obteve retorno. A obra está no alvo do TCU devido às estranhezas licitatórias e de disparidade de valores verificadas no contrato que permitiu à CSN reinar na concessão e mandar e desmandar no projeto. Vazamentos – ah, sempre os vazamentos – de uma virtual delação de Antônio Palocci explicariam os motivos da resiliência de Steinbruch na Transnordestina. É provável, inclusive, que, caso o ex-ministro Ciro Gomes venha realmente se candidatar à presidência e seja perguntado por que foi ajudar Steinbruch a gerir o imbróglio da ferrovia, com cargo e sala no escritório da CSN, o político nordestino responda: “Fui, vi, não gostei e me mandei”. O presidente da CSN, sem sobra de dúvida, vive o momento menos favorável da sua vida pública e fulgurante trajetória empresarial.

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michel-Temer
02.05.17
ED. 5609

O quarto de despejo de Michel Temer na economia

Michel Temer não quer saber do povo – e a recíproca é verdadeira. Ponto final. Vai governar de forma impopular junto aos ministros que sobrarem e os novos colaboradores que estão por vir, enfurnado com políticos da base aliada e enfeitando fóruns, seminários e eventos festivos do empresariado. É o que tem. As reformas serão à meia bomba. É o que pode.

Agora que alguns cortes de subsídios foram realizados, removeu-se o marco do conteúdo local – notadamente no setor de óleo e gás – e flexibilizaram-se algumas tarifas de importação, além da vitoriosa mudança das leis trabalhistas, é hora dos ajustes microeconômicos. Temer fará a rearrumação da malha de benefícios creditícios e incentivos fiscais, impondo contrapartidas em pesquisa e tecnologia. O mesmo será exigido para a manutenção da desoneração das folhas de salários de alguns setores acarinhados.

No automotivo, o rearranjo dos benefícios contemplaria a produção de carros elétricos, mas é amplo o ceticismo sobre o êxito da medida. A Lei de Falência terá uma nova atualização – a bilionésima primeira. Um dos empresários paparicados por Temer sugeriu que ele criasse uma zona de esforço compartilhado entre as estatais – Petrobras, BNDES, BB, Eletrobras etc. – para puxar o investimento em algumas áreas onde a geração de emprego fosse emergencial.

Uma espécie de “Sudene das estatais”. Temer aquiesceu, naquele seu estilo de quem concorda discordando profundamente. Mexer com estatais nesse momento, nem morto! O presidente vai entregar a simplificação do sistema tributário e a agilização das licenças obrigatórias para novos investimentos, mas ninguém acredita muito que os pequenos consertos despertem o espírito animal do empresariado. De qualquer forma, pretende chamar tudo de reforma. Já encomendou a entrega de um pacotão de pequenas correções e aperfeiçoamentos na engrenagem da economia. É preciso dar na vista.

A novidade é que serão terceirizados profissionais da academia e tecnocratas do setor privado para participar desse mutirão econômico. Uma leva desses luminares de fora do governo irá para a conta da Fazenda. Seus nomes já foram, inclusive, publicados no Diário Oficial. Diversas medidas vão na direção certa, mas significam o mesmo que lustrar os móveis de uma casa soturna, empoeirada e assombrada por uma legião de larápios de dentro e de fora do governo; um desemprego que teima em aumentar; um crescimento que, não fosse a revisão das contas pelo IBGE, beiraria o negativo neste ano, e uma nada redentora taxa de expansão do PIB entre 0,5% e 1%, em 2018. Tudo miúdo. A gestão Temer na economia cabe em uma quitinete. Melhor, cabe em um quarto de despejo.

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17.04.17
ED. 5600

Avibras busca munição no BNDES

Ao menos um setor da economia não tem mais motivos para atirar contra o BNDES e sua contida política de crédito. Que o diga a Avibras, que saiu na frente e já mantém gestões com o banco para ter acesso à linha de crédito recém criada pela instituição com o objetivo de financiar exportações da indústria de defesa. A companhia tem novos pedidos engatilhados para o fornecimento dos lançadores de foguetes Astro II e Astros 20, notadamente para países da Europa e do Oriente Médio.

O valor potencial dos contratos gira em torno dos US$ 200 milhões – cada equipamento custa, em média, de US$ 8 milhões a US$ 10 milhões. O BNDES é peça-chave da estratégia do governo para aumentar a inserção da indústria bélica brasileira no mercado global, que inclui um esforço integrado das representações diplomáticas. A Avibras é muito bem cotada no exterior, sobretudo na produção de munição de fragmentação, que tem alto poder destrutivo.

O Brasil não assinou a Convenção sobre Munições Cluster (CMM), de 2008 – mais de cem países baniram a fabricação deste tipo de projétil. Não por acaso, a Avibras está sempre na linha de tiro de organizações antiarmamentistas. Recentemente a Anistia Internacional anunciou ter encontrado munição de fragmentação da empresa brasileira em ataques do Exército da Arábia Saudita contra o Iêmen.

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07.04.17
ED. 5595

Embraer é o xodó do BNDES

O BNDES corta subsídios aqui e ali, mas para a Embraer o tratamento é diferente. O financiamento para a linha de crédito dirigida aos países interessados em comprar os aviões de defesa militar da companhia será bem generoso. Aliás, o BNDES sempre foi um sócio indireto da Embraer através dos subsídios ao crédito. A empresa pretende ampliar as vendas de seu KC-390, que tem um mercado externo estimado de US$ 50 bilhões. Até agora só há um contrato com o governo brasileiro, da ordem de US$ 2,3 bilhões. Na Embraer ninguém acredita que a empresa venha a ser punida com a caça às bruxas dos subsídios. Ela é a princesinha da indústria de tecnologia intensiva do país.

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31.03.17
ED. 5590

Água barrenta

O governo de Rui Costa, na Bahia, está em cima do muro. Abriu tratativas com o BNDES para uma linha de crédito no âmbito do programa de saneamento do banco, mas se recusa a privatizar a Embasa. Assim, o circuito não fecha e a grana não sai.

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A recente compra da gaúcha Cotrel não saciou o apetite da Aurora Alimentos. A empresa está em conversações para a aquisição de mais um frigorífico no Sul do país. Mais uma vez pretende contar com o BNDES. Espera-se que a Operação Carne Fraca não atrapalhe. A empresa se limitou a confirmar a aquisição da Cotrel.

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23.03.17
ED. 5584

Questão de comunicação

O BNDES oscila entre o salto alto e as sandálias da humildade. Mas a comunicação já melhorou um pouquinho.

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bndes-edicao-agosto
22.03.17
ED. 5583

Trem-pagador

Sob intenso tiroteio, o BNDES pretende anunciar uma boa nova até junho: a aprovação do financiamento de R$ 3,5 bilhões para a Malha Paulista, leia-se Rumo Logística. Mas a tal boa nova depende que a ANTT renove antecipadamente a concessão da ferrovia. Por sua vez, a renovação depende que a Rumo encerre a disputa legal com a União e pague cerca de R$ 1 bilhão referente às taxas de concessão da Malha.

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14.03.17
ED. 5577

Compesa no balcão

Avançam as negociações entre o governo de Pernambuco e o BNDES para a privatização da Compesa. A concorrência para a contratação do estudo de viabilidade técnica está marcada para o próximo dia 21. A venda da concessionária de saneamento, no âmbito do pacote de ajuda do governo federal aos estados, poderá render até R$ 6 bilhões. A expectativa é que a privatização ocorra até outubro.

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02.03.17
ED. 5569

BNDES asperge tristeza sobre um governo carente de contentamento

Um relatório sobre a geração de boas notícias na área econômica, com base em anotações de clipping, foi enviado para poderosas salas da Esplanada dos Ministérios. A conclusão não insinua qualquer dúvida: as notícias que emanam do BNDES são espartanas, rigorosas, sob medida para nutricionistas adeptos da dieta da inanição. O banco se vestiu de cinza quando o Ministério da Fazenda, do Dr. Meirelles e o Banco Central, do Dr. Ilan, baluartes do mau humor monetário, se esforçam para espremer do limão da ortodoxia uma limonada de medidas microeconômica e abençoar as reduções da taxa básica de juros.

O BNDES dinamitou sua ponte com o empresariado, talvez o grupo que mais decididamente tenha apoiado o presidente Michel Temer. Com a sensibilidade à flor da pele, Maria Sílvia Bastos Marques fez, na terça-feira pré-carnavalesca, uma tour de force em Brasília, com uma providencial reunião com Temer seguida de entrevista pré-combinada para divulgar o que foi dito no encontro. Os dirigentes privados, não é de hoje, reclamam que o crédito se tornou mais seletivo, burocrático e com custos mais altos, justamente quando os potenciais investidores ardem sedentos de liquidez.

A direção do banco diz que está aberta a bons projetos, mas o empresário, elevadamente endividado, operando com capacidade ociosa, com os pátios cheios de estoques e ainda com uma ponta de dúvida sobre as reformas, se ressente dos maus tratos nesse momento de calvário. Um não leva projetos porque não se sente acolhido; o outro não empresta porque não recebe projetos. Há bons argumentos para ambos os lados. O BNDES, sem dúvida, teve de limpar a casa do tsunami da gestão anterior. No entanto, parece que se empenha em demasia na cruzada contra o crédito direcionado, que precisa ser reduzido, mas sem fúria religiosa.

Caso o seu mais longevo presidente, Marcos Vianna, estivesse vivo, desempataria a questão: “Se o BNDES estiver com o caixa cheio significa que não cumpriu sua missão. Se tiver lucro maior, tem que trocar a gestão”. Não falta quem reclame que o banco, em vez de caçar empreendedores de boa cepa, preferiu adotar o discurso da opção pelo saneamento, que não cria empregos no curto prazo, só atrai empresas periféricas – que não agregam valor frente ao eleitorado – e do mesmo modo que os governantes de entes federativos vai ter de justificar a venda de ativos em condições pouco transparentes.

Talvez mais recomendável fosse a agência de fomento sair garimpando projetos de engenharia básica para congregar os empresários reclusos em torno deles. O BNDES tem R$ 100 bilhões parados em caixa, e está lá aguardando, funéreo, que algum endinheirado com um “bom projeto” o convide para empinar a pipa. Gente que normalmente não precisaria do BNDES. Maria Silvia Bastos é uma pessoa solar. Por onde passa, deixa fileiras de sorrisos. Imagina-se que ela seja detentora de segredos, que o seu timing seja diferente, que dentro das paredes envidraçados da instituição ela esteja ultimando uma reviravolta para sacudir esse banco melancólico e fomentador do desânimo. Definitivamente, não combina ver Maria Silvia comandando o órgão mais triste do país.

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17.02.17
ED. 5563

Triunfo no acostamento

Em delicada situação financeira, a Triunfo colocou à venda, em um só pacote, a Concer e a Concebra. Quem comprar leva quatro concessões de rodovias federais, com mais de 1,4 mil quilômetros. E também uma dívida conjunta de R$ 979 milhões com o BNDES, que já executou as garantias dadas em contrapartida aos empréstimos. Quem se habilita?

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16.02.17
ED. 5562

“Pró-Porto”

O governo estuda uma espécie de Pró-Porto – alusão ao Proer dos bancos. Na verdade, está mais para um “Pró Santos”, onde o maior porto do país derrete. É isso ou fundar a “Portobras”, patrocinar uma consolidação com capital estrangeiro e solicitar os préstimos do BNDES à moda antiga.

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Maria Sílvia Bastos Marques foi paparicada por ministros, na última sexta-feira, na sede do BNDES. Até Henrique Meirelles foi afagar a moça. Ela merece.

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eike-rr-5550
31.01.17
ED. 5550

Eike é o fator mais imponderável da Lava Jato

O risco Eike Batista não tem limite. Devido a componentes megalômanos notórios e a uma ética peculiar – “tudo é mercado, as pessoas têm direito a cobrar por tudo” – a delação do empresário pode se tornar uma bomba mais explosiva do que o testemunho de Marcelo Odebrecht. Eike vai de A a Z. A crônica de regalias obtidas junto ao empresário registra o nome dos peixões José Dirceu, José Sarney, Aécio Neves, Delcidio do Amaral e o notório Sérgio Cabral.

Ele teve relações próximas com Lula, que foi requisitado pelo empresário durante e após o seu mandato para contornar problemas em países da América do Sul. Mas Eike tornou-se ainda mais próximo de Dilma Rousseff, de quem foi publicamente um entusiasta. Dilma ajudou o empresário em diversas vezes, pedindo celeridade à burocracia e facilitando seus pedidos na esfera da administração pública. Eike teve o que quis da Petrobras (vendeu uma termelétrica, a “Termoluma”, por um preço três vezes maior do que o valor de mercado), do BNDES (o banco tornou-se sócio de seus projetos “no papel”), da Fazenda (a “delação não premiada” sobre Guido Mantega é uma amostra de como os pedidos eram feitos e atendidos) e do Gabinete Civil, de Gleisi Hoffmann.

Os Conselhos das empresas de Eike também eram constituídos de luminares com trânsito diferenciado, a exemplo da ex-ministra do STF Ellen Gracie e de Pedro Malan. Todos os conselheiros nas diversas empresas de Mr. Batista foram agraciados com a honraria de processos na CVM. Eike sempre considerou que o “vil metal” resolve tudo. E não por distorção de caráter ou amoralidade, mas por patologia mesmo.

Ele acredita que comprar o que for é um caminho natural para resolver qualquer coisa. Aliciou mais de 40 geólogos e engenheiros da Petrobras (todos detentores de informações estratégicas e confidenciais) simplesmente triplicando ou quadruplicando seus salários. Com a Vale, usou o mesmo expediente do “vem para MMX, você também”. Arrumou um inimigo, o então presidente da mineradora Vale Roger Agnelli, para o resto da vida. Agnelli bem que tentou, mas não conseguiu equiparar os salários alucinantes oferecidos pelo empresário, que se apoderou de dezenas de funcionários seus, igualmente detentores de segredos vitais da Vale.

Quem conhece Eike Batista – tais como Bradesco, Itaú, Ricardo K, BTG, Rodolfo Landim, José Luis Alqueres, entre tantos e tantos – pode avalizar que ele age como se sofresse da Doença de Huntington, enfermidade em que as pessoas se comportam de forma inadequada e dizem coisas sem pensar. Sua megalomania o levou a contenciosos com governos da Rússia, Venezuela, Bolívia e Grécia, neste último é persona non grata. Quando tinha seus R$ 25 bilhões, Eike distribuiu muito dinheiro pelos critérios mais e menos imagináveis. Se for levado à delação, imbuído das virtudes que sempre encontra em tudo que faz, vai falar cobras e lagartos. Será o momento mais imponderável da Lava Jato.

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25.01.17
ED. 5546

Curva fechada

Encalacrada por uma dívida de R$ 3,5 bilhões, a Triunfo está em conversações com a espanhola Arteris para a venda da concessionária Concebra. A operação tornou-se praticamente inevitável depois que o BNDES decidiu executar as fianças bancárias de um empréstimo-ponte de R$ 800 milhões à Concebra.

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moreiraeeliseu-rr-5541
18.01.17
ED. 5541

Moreira e Padilha se despedem do Planalto. Será?

Em Brasília só se respira a reforma ministerial. O lance mais ousado seria a assepsia do Palácio do Planalto com a troca de Eliseu Padilha pelo general Sérgio Etchegoyen, na Casa Civil, e de Moreira Franco por Maria Silvia Bastos Marques, na Secretaria do PPI. Em relação à Casa Civil, a síntese da mudança é que Padilha está excessivamente voltado para a articulação política; já Etchegoyen não quer papo e, sim, botar a mão na massa. Michel Temer estaria optando pela infantaria, mesmo tendo vigorosos laços de amizade com Padilha – amigos, amigos, Lava Jato à parte.

Para o Gabinete de Segurança Institucional, iria outro garboso militar. Ressalte-se que o nome escolhido originalmente para o lugar de Padilha era o do presidente da Petrobras, Pedro Parente, que mandou avisar sobre sua total satisfação com o atual posto, no qual sua gestão é reconhecida e começa a render dividendos. Para Brasília, Parente não volta de jeito nenhum. Com dois militares de alta patente, sendo que o eventual futuro chefe do Gabinete Civil é o interlocutor mais próximo do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, sabe-se lá se por coincidência ou obra do inconsciente Michel Temer militarizou o núcleo duro do governo.

Para equilibrar esse ambiente de coturnos e óculos Ray-Ban somente a graça de Maria Silvia Bastos Marques. A presidente do BNDES seria convidada para o cargo de Moreira Franco. Sua missão seria dinamizar a Secretaria do PPI, que não sai do lugar. Caso seja chamada, é bem possível que Maria Silvia aceite. A moça é voluntariosa, vaidosa e topa grandes desafios. Ela meio que acumularia o novo cargo com o comando do BNDES, do qual seria uma espécie de eminência parda.

Com a chegada ao Planalto, a dupla Maria Silvia e Marcela Temer emprestaria charme, beleza e fragrância de lavandas silvestres a um ambiente plúmbeo, com cheiro de detergente e limpa-vidro. E a dobradinha Padilha e Moreira? Restaria a eles fazer o percurso de Romero Jucá e tentar “ministeriar” informalmente, torcendo para que os voos para Curitiba estejam lotados por séculos, seculorum, amém.

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bndes-rr-39
16.01.17
ED. 5539

BNDES em dois tempos

O BNDES vai restringir a distribuição de dividendo acima do mínimo de 25% para as empresas que tomarem crédito subsidiado. Mas não disse o que fará com a transferência de lucros através dos Juros sobre Capital Próprio (JCP). Se ficar como está, ninguém paga mais dividendo e libera um caminhão de dinheiro por meio do JCP. O expediente é bastante utilizado pelas empresas para elisão fiscal. Vai ver, o BNDES está esperando a decisão da Fazenda de gravar o JCP para também restringi-lo. A decisão do BNDES de podar a TJLP é uma faca de três legumes, como se diz nas feiras livres do Rio: reduz o subsídio e seu impacto sobre a dívida pública, potencializa a política monetária e diminui o intervalo de diferença entre as empresas premiadas e as não-premiadas com a generosa taxa. Tudo certíssimo. A dúvida é se este era o melhor timing para a medida. Em um momento em que se quer propulsionar o investimento e as empresas estão endividadas e de pires na mão, o banco sobe seus juros para empréstimos. Parece a aplicação de uma dieta saudável, sem lipídios e carboidratos, em um doente que sofre de inanição. Olha aí o risco do BNDES virar o “Banco Nacional do Ajuste Fiscal”.

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bndes-rr-03
05.01.17
ED. 5532

Carta aberta à diretoria do BNDES

Uma dica para a megacompetente diretoria do BNDES em 2017: apoie a indústria, porque ela precisa. Não se sintam melindrados porque alguns dirão que essa guinada estratégica representa um retorno ao passado. Quem retornou ao passado e de lá precisa ser içado de volta para o futuro é o setor secundário da economia. É a indústria que emula a formação do melhor capital humano do país. É a indústria, o berço da esmagadora maioria das inovações. É a indústria que agrega valor às exportações.

O BNDES tem se preocupado muito com os atributos dos projetos que financiará – meio ambiente, impacto social, geração de divisas etc. Está correto. São condicionalidades transversais a qualquer que seja a política de empréstimos da instituição. O RR chegou a sugerir diretamente ao ex-presidente Luciano Coutinho que todo projeto fosse acompanhado de um relatório sobre o retorno propiciado à sociedade. Infelizmente, a proposta não foi acolhida. Mas a obsessão pela horizontalidade da política de financiamento preocupa, assim como a definição ainda imprecisa do que são “bons projetos” – pelos critérios do Bird? Do JP Morgan? Do Itaú? O foco em um setor não é nenhum pecado, principalmente quando ele representa a referência do maior ou menor estágio de desenvolvimento da economia.

Na década de 80, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a participação da indústria de transformação no PIB alcançou 21,6%. Em 2015, desabou para cerca de 11% do PIB, voltando ao patamar de 1947. Em 2016, a expectativa é de que o setor tenha mergulhado ainda mais fundo, situando-se em torno dos 9% do PIB. Com um detalhe: a participação do componente importado na indústria de transformação não para de subir. Em 2003, era de 16,5%; em 2015, passou para 23,6%. É simplesmente pavoroso! De todos os setores do PIB só a indústria mergulhou no precipício. O recado do RR para a diretoria do banco segue a linha da provocação. Que, em 2017, ela não se esqueça de que o banco é de desenvolvimento e não de investimento; o BNDES não deve nem pode se transformar em “BTGndes”.

Obs: Aliás, por que cargas d ́água o BNDES investe e tanto se ufana em possuir uma carteira de participações em bancos?

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usinasaofernando-rr-29
29.12.16
ED. 5527

Usina dos Bumlai corre o risco de virar bagaço

Como se já não bastassem os efeitos devastadores da Lava Jato, a família Bumlai está na iminência de sofrer um duro golpe, que praticamente seria a pá de cal sobre seus negócios agropecuários. A recente decisão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul de suspender a assembleia de credores da Usina São Fernando aumentou consideravelmente o risco de bancarrota da companhia. O fundo norte-americano Amerra Capital Management, visto como a última solução para a empresa, recuou nas negociações para a compra da usina sucroalcooleira. O motivo é a intransigência dos credores em aceitar a proposta de deságio de quase 50% do passivo da São Fernando, na casa de R$ 1,5 bilhão.

Entre os bancos, o mais agressivo é o BNP Paribas, que já entrou na Justiça com o pedido de falência da empresa. Os franceses têm o apoio de outras instituições financeiras. O próprio BNDES, que tem a receber cerca de R$ 300 milhões, já lavou as mãos em relação à companhia dos Bumlai. No caso de falência, os ativos – a usina de álcool e açúcar de Dourados (MS) e as unidades de cogeração São Fernando I e São Fernando II – seriam vendidos para o pagamento dos credores. A família ainda tenta um acordo com os bancos que permita a retomada das conversações com o Amerra, mas a tarefa é árdua.

O próprio fundo norte-americano não teria apresentado garantias firmes para o pagamento das dívidas, ainda que com expressivo desconto. Além disso, o passado dos Bumlai joga contra. E isso não se aplica apenas à Lava Jato. Os credores da São Fernando têm os dois pés atrás com os controladores da empresa. A família é acusada por agricultores da região, por exemplo, de ter provocado um incêndio criminoso em suas plantações de cana, em 2013, por falta de recursos para arcar com a moagem da matéria-prima – ver RR edição de 29 de outubro de 2015.

A proximidade com o poder fez a fortuna e a desgraça dos Bumlai, um dos mais importantes sobrenomes do agronegócio no Centro-Oeste. A agonia da Usina São Fernando – para todos os efeitos de propriedade de Guilherme e Maurício, filhos de José Carlos Bumlai – é apenas a parte mais visível da debacle dos negócios do clã. Das mais de 200 mil cabeças de gado contabilizadas há cerca de três anos, sobraram menos de duas mil, no que mal pode ser chamado de um “family office agropecuário”.

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bndes-rr-13
13.12.16
ED. 5515

Reservas das seguradoras a caminho do PPI

A Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e a direção do BNDES estão matutando sobre novas medidas para irrigar a área de infraestrutura e viabilizar as licitações previstas para 2017. Uma das principais propostas sobre a mesa passa pelo mercado de seguros, vida e previdência. Trata-se de um setor que transborda liquidez e passa praticamente ao largo dos grandes projetos de concessão pública. Do estoque total das reservas das seguradoras, próximo de R$ 1 trilhão, apenas 10% estão aplicados em ações, debêntures e outros títulos privados.

As companhias do setor concentram quase 90% do seu patrimônio em papéis do Tesouro. Nos esboços feitos pela Secretaria de PPI e pela diretoria do BNDES, a emissão incentivada de debêntures de infraestrutura é vista como o caminho mais adequado para atrair uma parcela do capital das seguradoras para os projetos do PPI. São papéis com garantia real, o próprio ativo da concessão, prazos mais longos, remuneração fixa e spreads maiores do que outros títulos privados.

Procurada, a Secretaria de PPI disse “não confirmar os estudos”. O BNDES não retornou até o fechamento desta edição. De forma indireta, o próprio BNDES será o avalista das debêntures. As regras do Programa de Parcerias preveem que a agência de fomento subscreva até 50% dos títulos emitidos em cada projeto – a maneira encontrada para estimular o uso deste mecanismo. Nos últimos três anos, foram lançados cerca de R$ 17 bilhões em debêntures de infraestrutura, o equivalente a menos de 20% do total de investimentos em grandes obras no período.

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13.12.16
ED. 5515

À sombra da imortalidade

O economista Edmar Bacha foi convidado para ocupar uma secretaria especial de desregulamentação e políticas microeconômicas. Está matutando, bem ao seu estilo. Bacha já esteve na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e nas presidências do BNDES e do IBGE. Foi o primeiro a abandonar o barco todas as vezes em que ele balançou. Um gaiato diz que Bacha só não vai deixar a ABL. Na Academia ele é imortal.

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bb-rr-05
05.12.16
ED. 5509

“Lei da RJ” do setor público bate direto nos bancos estatais

A “lei de recuperação judicial” dos estados e municípios que está sendo estudada pelo governo federal representa, na prática, uma moratória no pagamento das dividas junto com os bancos estatais – Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES. Antes que o leitor do RR se espante com a ousadia da proposta, trata-se de uma moratória com hedge. O projeto prevê a restituição dos recursos às instituições financeiras, após a conclusão da recuperação, em qualquer circunstância.

Uma novidade é que o projeto deverá ser abençoado pelo Supremo Tribunal Federal para dar garantia legal à implementação da medida. O Congresso e a Secretaria do Tesouro também participarão do processo. A lei está sendo construída desde a reunião dos governadores com o presidente Michel Temer, no último dia 22 de novembro. Desde então, foi guardada a sete chaves e sob o manto do teatro encenado por Henrique Meirelles et caterva. As metas que os estados terão de cumprir serão rigorosas, à semelhança da própria lei de recuperação judicial de companhias. Comparativamente, a PEC do Teto soará como brincadeira. Procurados, o Banco do Brasil e a Caixa informaram que não comentam projetos ou estudos em discussão. Já o BNDES não se pronunciou.

Tudo indica que os cortes radicais que estão sendo feitos por Banco do Brasil e Caixa, com fechamento de agências e planos de demissão voluntária, não são apenas para atender à Basileia. Ambos já estariam se preparando para o pior, tamanha a exposição ao setor público. Os dois bancos negam que exista relação entre as medidas adotadas e a eventual moratória de estados e municípios. O débito do setor público com bancos estatais é de R$ 120 bilhões – ou cerca de um quarto de todo o estoque da dívida das províncias e das cidades com a União, em torno dos R$ 480 bilhões.

O maior credor é o BNDES, com R$ 49,6 bilhões – para efeito de comparação, praticamente a metade dos R$ 100 bilhões que a agência de fomento está devolvendo ao Tesouro Nacional. Seguem Banco do Brasil (R$ 38 bilhões) e Caixa Econômica (R$ 33 bilhões). Esses valores aumentaram razoavelmente desde o ano passado, quando as finanças dos estados e municípios já derretiam a olhos vistos. A maior parcela dessas faturas recentes caiu no colo da Caixa. Entre setembro de 2015 e setembro de 2016, seus empréstimos para o setor público subiram 22,1%.

No caso do BNDES, a alta foi de 11%. Só o BB puxou o freio de mão. Sua carteira de crédito a estados e municípios ficou praticamente congelada nesse período, crescendo apenas 1,7%. O estrago, no entanto, já estava feito. Os fatos e dados revelam que a crise dos estados é muito mais grave do que as partes envolvidas deixam transparecer.

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01.12.16
ED. 5507

Bala de prata

 As bolsas acham que o BNDES faz bem à Marfrig . Depois que Marcos Molina, fundador da empresa, anunciou que não recomprará as debêntures conversíveis em poder do banco, a ação subiu mais de 20% em duas semanas. O BNDES passará a ser o maior acionista, à frente de Molina.

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bndes-rr-08
29.11.16
ED. 5505

BNDES desperta de sua hibernação na infraestrutura

O BNDES, enfim, começa a sair do processo de abulia que o acometeu após o impeachment de Dilma Rousseff. O banco prepara-se para um novo ciclo de investimentos na área de infraestrutura, na esteira da assinatura da Medida Provisória 752, que estabelece as regras para prorrogação e relicitação de concessões rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias. A expectativa é de um expressivo aumento do número de pedidos de financiamento no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). A maior retomada deverá vir do setor ferroviário, um dos mais afetados pela estiagem financeira na área de infraestrutura – vide a própria carteira de empréstimos do BNDES: em outubro, por exemplo, o valor total dos projetos para o segmento encaminhados ao banco foi 29% inferior ao de igual período em 2015. Procurado, o BNDES não retornou até o fechamento desta edição.

Estimativas preliminares do BNDES apontam para um investimento em torno de R$ 10 bilhões no curto prazo apenas com a prorrogação de concessões ferroviárias. Neste caso, já há um grupo candidato a locomotiva do setor: a Rumo Logística, de Rubens Ometto, tem projetos em análise no banco que somam R$ 3,5 bilhões. Significa dizer que a empresa responde por 42% de todos os pedidos de financiamento da área de transporte ferroviário sob avaliação do BNDES. A Rumo, aliás, pode ser duplamente beneficiada pela MP, com a renovação antecipada das licenças da Malha Paulista e da Malha Sul. No total, o plano de investimentos da companhia ultrapassa os R$ 8 bilhões. A maior parte deste valor está condicionada à extensão dos contratos de concessão.

Ressalte-se que o PPI, como de resto quase tudo na República, depende do que está por vir de Curitiba. No BNDES, a expectativa é que a Lava Jato não interrompa o processo de recuperação do investimento que se desenha no horizonte. A experiência com o denuncismo foi massacrante para a carteira de projetos do banco. Na Avenida Chile, a torcida é para que este embrionário ciclo de pedidos de financiamento para a infraestrutura ganhe corpo. Afinal, é para isso que o banco existe.

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temer-sun-tzu-rr-16
25.11.16
ED. 5503

A nova matriz econômica aguarda Temer na esquina

 O presidente Michel Temer já deve ter marcado na sua agenda o mês de março de 2017. É tempo mais do que suficiente para mostrar que tem autoridade para aprovar as reformas prometidas na primeira hora do seu governo. Ou não! Nesse caso o “estadista” sem medo de tornar-se impopular viraria uma fraude. Restaria a ele adotar alguma política gêmea da “nova matriz econômica”, que foi uma das causas da condenação do governo anterior ao índex da História. Temer, então, se tornaria um duplo traidor, tendo enganado os antigos aliados e a base de apoio que o levou ao poder. O enredo pode parecer um tanto quanto barroco, mas não briga com os fatos. Temer perdeu o timing para afirmar sua autoridade e passar ao menos as PECs do Teto e da Previdência quando sua popularidade estava inflamada pelo impeachment e a deterioração do cenário econômico era ofuscada pela perseguição ao PT. A estratégia de anunciar um “ajuste” com resultados somente no longo prazo, condicionando a credibilidade à franqueza, não trouxe os louros almejados. Pelo contrário: aumentou a dúvida sobre sua virilidade fiscal.

 Na realidade, até o momento não houve sequer tentativa de ajuste, e, sim, uma série de enunciados sem prazo de votação pelo Congresso e com perspectiva de implementação cada vez mais distante. Nessa toada, mesmo se aprovadas, as medidas não trariam efeitos concretos antes do início da próxima década. No meio do caminho havia outra pedra: a quebradeira dos estados, que vem sendo tratada generosamente de indutora do “pacto do ajuste”, em mais uma simplificação grosseira feita pelo presidente. A crise federativa será um empecilho ainda maior para a aprovação das reformas e o aumento da arrecadação. O próprio presidente, como se tivesse jogado a toalha, reafirmou no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social “que sair de uma recessão leva tempo”. Ainda mais quando ela aumenta a cada rodada dos indicadores. Rezava a malfadada “nova matriz econômica” que o problema do país era de arrecadação e que os empresários não se mexeriam para fazer os novos investimentos sem o empurrão do governo. Na idealizada gestão Temer, o espírito animal do empresariado seria despertado pela melhora das expectativas. Ledo engano.

 Já podem ser vistas as sementes da velhíssima “nova matriz econômica” renascendo lá e cá. Os empresários e economistas reunidos no “Grupo Reindustrialização” clamam por menores taxas de juros reais e pelo ativismo do BNDES. Não estão sós. O pato da Fiesp voltou a pedir redução de impostos ou desonerações. Já antecipando que essa história de redução dos juros pode sobrar para ele, o presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, solicitou que o governo libere as amarras dos recursos bancários, quem sabe diminuindo o recolhimento compulsório sobre os depósitos. Esse filme todos já viram. O mais curioso é que a presidente afastada largou a condenada matriz para praticar uma política econômica muito próxima da adotada por Temer e Henrique Meirelles, a “Levyeconomics”. Se Temer der dois passos atrás no tempo, haverá algo de comédia no ar. De qualquer forma, e pelo bem de todos, tomara que ele tenha mais sucesso do que sua antecessora.

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temer-rr-25
14.11.16
ED. 5495

Dinheiro das pedaladas pode salvar os estados

 O presidente Michel Temer poderá tornar-se um defensor do diferimento dos recursos devidos pelo BNDES ao Tesouro Nacional. Para ser mais preciso, Temer tem sido pressionado pelos governadores a amortecer uma potencial crise federativa, ajudando as unidades estaduais em dificuldade com recursos triangulados entre o Tesouro e o banco de fomento. Pelo menos três governadores “sugeriram enfaticamente” a medida ao presidente. O dinheiro viria do montante de R$ 100 bilhões decorrentes das pedaladas, que a presidente do banco, Maria Sílvia Bastos Marques, insiste em pagar a toque de caixa como contribuição ao ajuste fiscal do governo.

 Ninguém está cobrando de Maria Sílvia tanta celeridade. Nem Henrique Meirelles. Mais pressa têm o gari, o bombeiro, o policial, o médico e a professorinha que não recebem seus salários. O Rio é o cartão postal da falência das províncias brasileiras. Se o BNDES transferisse para um fundo de emergência metade do valor devido ao Tesouro – R$ 50 bilhões –, essa quantia já seria o correspondente à soma das multas e impostos sobre o total dos recursos repatriados. Algum tipo de acerto patrimonial seria feito entre as partes. Um termo de compromisso garantiria a transferência de ativos dos estados para o Tesouro. Posteriormente, eles seriam repassados à iniciativa privada por meio de privatizações e concessões.

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bndes-rr-08
08.11.16
ED. 5491

Cortes na Fapes

 A política de austeridade que tem marcado a gestão de Maria Silvia Bastos chegou ao Fapes, o fundo de pensão do BNDES. Na última semana, a fundação demitiu 15 funcionários. Novos cortes estão a caminho, notadamente na área de finanças. • Procuradas pelo Relatório Reservado, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: BNDES.

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crivella-rr-03
03.11.16
ED. 5488

Louvado seja I

 Caberá ao ex-presidente do BNDES Carlos Lessa montar o Conselho Consultivo da Prefeitura do Rio. Para assessorar Marcelo Crivella, deverá trazer combatentes históricos, a exemplo de Darc Costa. A novidade é que Lessa pretende contar com militares da reserva, notadamente ex-comandantes da Escola Superior de Guerra. É preciso blindar Crivella.

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26.10.16
ED. 5483

Saneamento

 O Rio Grande do Sul deverá ser um dos primeiros estados a fechar acordo com o BNDES para a venda de sua companhia de saneamento. A intenção do governador José Ivo Sartori é vender 49% da Corsan. Em tempo: a japonesa Mitsui já sinalizou ao governo gaúcho que participará da licitação. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Governo do RS.

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25.10.16
ED. 5482

Sol nordestino

„ A espanhola Solatio Energia, que está construindo quatro usinas de energia solar em Minas Gerais, abriu negociações com estados do Nordeste para instalar um parque gerador similar. Ceará e Bahia são os principais candidatos. No total, a Solatio planeja investir mais de R$ 5 bilhões no Brasil. O segmento, ressalte-se, ganhou um estímulo extra com a recente decisão do BNDES de ampliar de 70% para 80% os limites de financiamento para projetos de energia solar. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Solatio.

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mariasilva-rr-6
06.10.16
ED. 5470

Maria Silvia derruba as diversas paredes do BNDES

 Há muitas claves em comum nas partituras dos novos regentes da Petrobras e do BNDES. A exemplo de Pedro Parente na petroleira, o início da gestão de Maria Silvia Bastos tem se caracterizado não apenas pela reformulação na estratégia de negócios do banco, mas também por medidas de austeridade de forte valor simbólico. Em quatro meses, Maria Silvia já teria cortado cerca de 200 cargos comissionados. Ao mesmo tempo, vem se empenhando em reduzir os custos administrativos do BNDES, notadamente no que diz respeito à estrutura imobiliária. Devolveu oito andares alugados no vizinho Ventura Corporate Towers, localizado na própria Avenida Chile, o que resultará em uma economia anual da ordem de R$ 4 milhões. Decidiu também suspender a construção de um novo prédio ao lado da sede do banco. O projeto, que já estava sido licitado, custaria meio bilhão de reais.  O paralelo com a gestão de Pedro Parente passa também pela transparência na comunicação interna e pelo fascínio que o estilo de Maria Silvia tem despertado junto ao corpo de funcionários. O encanto se deve, em grande parte, ao seu envolvimento com as tarefas do dia-dia e ao empenho em traduzir em pequenos gestos a dimensão das mudanças em curso no BNDES. A executiva não apenas determinou o fim das salas individuais para os diretores, abrigando todo o primeiro escalão em um espaço comum, como acompanhou pessoalmente as obras de adaptação no edifício-sede. Não raramente foi vista ao lado de arquitetos e operários dando instruções sobre a reforma.  Além das divisórias concretas, Silvia também se dedica a derrubar paredes na comunicação interna. Ela tem estimulado os diretores a compartilhar informações estratégicas de suas respectivas áreas. A preocupação com o disclosure vale para todas as esferas da instituição. Por duas vezes nos últimos três meses, reuniu os funcionários no auditório do BNDES para uma espécie de “pergunte à presidente” – procedimento, aliás, similar ao adotado por Pedro Parente na Petrobras. Nas duas ocasiões, abriu o microfone aos empregados da instituição e não fugiu de qualquer tema, chamando a atenção pelo grau de detalhamento em suas respostas. Chegou a dizer textualmente que “não gosta de eufemismos”.

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29.09.16
ED. 5465

Reservas cambiais ganham nova função

 O Banco Central e o BNDES estão acertando os ponteiros para utilizar parcela das reservas do país como hedge cambial. O mecanismo cambial seria restrito aos investimentos de capital estrangeiro, notadamente de infraestrutura. O governo destinaria US$ 100 bilhões para operações de hedge nos aportes de capital em projetos de economia física.  Essa medida é vista como a manifestação mais firme de estímulo aos investimentos externos em infraestrutura, ou seja, o Brasil pretende tomar riscos junto com o capital estrangeiro. A decisão também define uma antiga questão conceitual: as reservas cambiais – da ordem de US$ 376 bilhões, com um custo de financiamento elevadíssimo – devem ou não ter qualquer outra função? O hedge cambial para os investimentos estrangeiros em capital fixo é a resposta.

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Todas as noites, Michel Temer tem tirado o ponto com Marcela Temer. Ambos se debruçam sobre o conteúdo do programa “Criança Feliz”   A Transnordestina acabou afastando de vez Benjamin Steinbruch e Paulo Skaf. O presidente da Fiesp “esqueceu” completamente que prometeu tratar do assunto junto ao Planalto.   O diretor de planejamento do BNDES, Vinicius Carrasco, foi encarregado pela presidente Maria Sílvia Bastos de construir um disclosure capaz de catar pulga. Vai inovar com métricas criativas.

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19.09.16
ED. 5457

Sonho paranaense

 O governador do Paraná, Beto Richa, sonha noite e dia em fechar um acordo com o BNDES que permita a venda conjunta ao menos de parte das ações da Copel em poder do banco e do Tesouro paranaense. Seria uma forma de viabilizar a entrada de um sócio privado no capital da distribuidora. Na semana passada, a Assembleia Legislativa do Paraná autorizou o estado a negociar as ações da Copel que excedem 50% mais uma das ações ordinárias. Na prática, isso significa a venda de apenas 8% das ONs, um quinhão pequeno demais para fisgar um investidor. Com 26% do capital da Copel, o BNDES se torna o fiel da balança da operação.

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01.09.16
ED. 5446

Santo de casa

 A Amaggi, grupo de agribusiness do ministro Blairo Maggi, tem interesse em disputar a concessão da “Ferrogrão”. Mas só se o governo confirmar o financiamento do BNDES para o projeto, orçado em quase R$ 12 bilhões. A ferrovia, de 930 quilômetros, será fundamental para o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste.

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01.09.16
ED. 5446

Trem pagador

 Na tentativa de reduzir a ociosidade da fábrica de Contagem, em Minas Gerais, que funciona hoje a menos de 50% da sua capacidade, a GE Transportation bateu à porta do BNDES. Busca um financiamento para um contrato de exportação de locomotivas da ordem de R$ 500 milhões. • Procuradas pelo RR, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: GE Transportation.

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01.08.16
ED. 5423

BNDES vira a página dos financiamentos de artifício

 A presidente do BNDES, Maria Sílvia Bastos Marques, tem o perfil adequado para eliminar, ou ao menos reduzir bastante, o estelionato funcional nas operações de financiamento do banco a projetos de investimento. A prática das empresas vem sendo solicitar o empréstimo alegadamente para o desenvolvimento de novo projeto ou expansão da capacidade instalada e usar esses recursos em substituição das suas linhas de crédito mais onerosas. É como se fosse uma operação de arbitragem com dinheiro público: o esperto troca o seu financiamento a taxas de mercado pelo do BNDES a juros favorecidos, que compra gato por lebre. Para atender o comprador de gatos, meio trilhão de reais foi transferido pelo Tesouro Nacional ao banco durante o período de 2008 a 2014. Pelo guichê do BNDES passaram 91 dos 100 maiores grupos nacionais. O resgate da infraestrutura foi a palavra de ordem. Conversa para boi dormir.  A taxa de formação de capital fixo, com PAC, sem PAC, concessões ou investimentos foi declinando a partir de 2010, chegando, em 2014, a um dos seus menores níveis em 20 anos. Para não dizer que não se falou nas estatais, elas foram as principais tomadoras de recursos. Mas o investimento, ninguém sabe, ninguém viu. Em 2014, a participa- ção das empresas do Estado na formação de capital fixo caiu 21%. Maria Sílvia sabe de cor e salteado o risco do riscado. O BNDES, diferente da banca privada a quem interessam prioritariamente as amortizações em dia, tem de produzir desenvolvimento, razão maior ou menor do cumprimento do cronograma dos projetos. A executiva quer reduzir a dependência do Tesouro e diminuir o intervalo entre a TJLP e a Selic, entre outros motivos, para brecar a ciranda dos empréstimos com nariz de Pinóquio. É curiosa a observação do BNDES: o custo papai com mamãe das operações com o Tesouro reduz a disposição da banca de cobrar o que foi contratado nos seus financiamentos. Portanto, há que se buscar recursos no mercado.  A instituição urgente de um seguro de performance ou garantia é outra pauta de primeira hora, reduzindo os motivos pelos quais os investimentos não se materializam. Maria Sílvia deve estar pensando também em honrar o “S” do social de BNDES. A cobrança de uma contrapartida de geração de empregos aos empréstimos beneficiados seria um bom início. Vale também a mesma recomendação que o RR fez a Luciano Coutinho: a produção de um demonstrativo do retorno à sociedade dos empréstimos realizados a taxas favorecidas, com a discriminação de diversos índices (valor adicionado, geração de divisas, impostos, impacto sistêmico na eco-nomia, interiorização dos benefícios etc). O BNDES foi vítima de um apagão. Mas melhoraram as expectativas de que o banco da Av. Chile volte a tonificar os investimentos.

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bndes-relatorio-25
25.07.16
ED. 5418

BNDES tem uma bomba dentro de casa

 Como se não bastassem todos os problemas decorrentes do trôpego modelo de atuação do BNDES nos últimos anos, a nova gestão do banco tem outra herança maldita para administrar, esta na esfera previdenciária. Na última quinta-feira, a Fapes, o fundo de pensão do BNDES, entrou na Justiça contra a própria agência de fomento. A entidade garante que o banco tem uma dívida de mais de R$ 4,5 bilhões com o Plano Básico de Benefícios (PBB), que congrega cerca de 5,2 mil beneficiá- rios, entre funcionários da ativa e aposentados. O impasse remete ao início da década passada. Na ocasião, decisões dos patrocinadores elevaram as reservas matemáticas do PBB. À época, esses impactos, segundo alega a direção do Fapes, não foram integralizados pelos mantenedores da funda- ção. Com isso, o próprio patrimônio do plano absorveu esses valores. A partir de outubro de 2012, o comando do fundo de pensão passou a cobrar do banco a restituição do montante que, no seu entendimento, foi assumido indevidamente pelo PBB. A Fapes, inclusive, usa como argumento que ela própria, na condição de uma das mantenedoras do fundo de previdência do Sistema BNDES, honrou uma dívida de R$ 104 milhões com o Plano Básico.  Ao longo de quase quatro anos, a pendência ricocheteia pelas paredes do BNDES sem solução. Em dezembro de 2013, os patrocinadores do Sistema aprovaram o “reconhecimento de uma parcela da integralização”. Diante da decisão, a direção da Fapes fez várias tentativas de cobrança do valor devido pelo banco, sem obter resposta. A agência de fomento só teria se manifestado formalmente em 12 de fevereiro do ano passado. Na ocasião – mediante a carta (DIR6 002/ 2015) –, a diretoria do banco confirmou que, dois meses antes, o Sistema BNDES havia aprovado o “reconhecimento condicionado do montante complementar da dívida dos referidos patrocinadores para com o PBB”. Na mensagem, o banco chegou a prometer empenho para a “formalização do equacionamento das dívidas”. O BNDES teria se comprometido, então, a se posicionar quanto ao pagamento do passivo até 30 de julho de 2015. No entanto, segundo a Fapes, o prazo não foi cumprido.  A alegada dívida superior a R$ 4,5 bilhões é composta por uma série de rubricas, cada uma referente a um compromisso não honrado pelos patrocinadores. Entram neste cesto incorporações de gratificações (R$ 1,8 bilhão), pagamentos de bônus anuais (R$ 909 milhões), ausência de previsão de ajuste atuarial do saldo devedor de dívidas (R$ 972 milhões). Como pano de fundo do litígio envolvendo o PBB, há o crescente déficit atuarial da Fapes. A perda no ano passado foi de R$ 2,5 bilhões. No último dia 7 de julho, inclusive, a diretoria do BNDES soltou um comunicado interno no qual informou ter aprovado um conjunto de medidas visando à reformulação do PBB. • Procuradas pelo RR, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: BNDES.

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foto-relatorio-temer-19
19.07.16
ED. 5414

Ajuste fiscal deve dar as mãos a uma política de renda

 Uma pincelada de marxismo não faria mal a um projeto de ajuste fiscal que fosse além da PEC do teto das despesas. Falta uma política de renda e eficácia social pari passu com o equilíbrio das contas públicas. Se o corte de gastos e o eventual aumento de carga tributá- ria não tiverem um componente redistributivista, a pressão política será pelo retorno dos malefícios de pelúcia com os quais a sociedade já se acostumou a brincar: inflação fora da meta, juros lá em cima e desordem nos gastos. Piorar a qualidade de vida da população com restrições fiscais sob o argumento de que o Estado está gastando demais soa como um escárnio a quem está na fila do INSS. Para os que enxergam com os olhos do martírio social, os recursos transferidos pelo BNDES são para tornar ricos mais ricos; O crescimento da moeda escritural do país – leia-se dívida pública bruta – é para pagar bancos; e as sinecuras fiscais, a exemplo das desonerações das folhas de salário, são para aumentar a lucratividade do empresário.  A política de renda que se trata aqui não pode ser confundida com a política compensatória do Bolsa Família, cujo papel tem indubitável importância, mas “já foi”, como diz a garotada. Trata-se de medidas estruturais que reduzissem a monumental assimetria entre classes; alterassem a regressividade tributária, cobrando mais dos ricos (impostos diretos ao invés de indiretos, taxação sobre); exigissem contrapartidas Ajuste fiscal deve dar as mãos a uma política de renda sociais para a oferta de dinheiro público barato às empresas – retenção do emprego ou redução do turnover durante determinado tempo; e permitissem privatizações com a democratização da propriedade (os funcionários da estatal em questão e os contribuintes em geral teriam ofertada uma cota no capital da empresa, financiada a longuíssimo prazo pelo Estado). As medidas incluiriam ainda a criação de instrumentos incentivadores para formação de poupança e direcionamento para o mercado de valores mobiliários, formação de capital fixo ou mesmo a privatização, com parte do risco bancada pelo governo (Plano de Aposentadoria Individual do Trabalhador); e uma política de bônus para aqueles funcionários que conseguissem aumentar a produtividade da empresa em conjunto com a majoração do seu resultado financeiro, só para citar alguns exemplos.  Os ajustes fiscais são necessários, mas produzem na partida razoável injustiça social. A política de renda e eficácia social mitigaria esses efeitos, sem passar pela porta dos jurássicos tabelamento de preços ou intervenção estatal nos salários, vade retro Satanás. A bula indica fazer mais pelo ajuste das contas públicas com um acento tônico na redistribuição de renda, sempre visando o crescimento. Não parece ser coisa para os desagastados políticos que usufruem do impeachment de Dilma Rousseff. Vai ter golpe e não vai ter ajuste fiscal nem política de rendas.

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crepusculo-deuses
14.07.16
ED. 5411

O crepúsculo dos deuses da estatização

 O secretário Moreira Franco parece ter lido a Filosofia do Martelo, de Friedrich Nietzsche. Moreira, assim como o filósofo alemão, quer bater na estátua de barro das concessões e privatizações para que ela tilinte como moeda, mesmo com o risco de quebrá-la. O tempo das marteladas no Estado brasileiro vai ter início com a votação do impeachment de Dilma Rousseff. A partir daí, às favas com os pruridos. O governo terá de emitir uma sinalização aguda. Entregar dedos e anéis. Pode ser redução do valor cobrado pela outorga, alívio na Taxa Interna de Retorno (TIR), diminuição das restrições à liberdade tarifária, apoio financeiro ao seguro garantia, desobstrução dos entraves ambientais, muita grana barata (não há mais dúvida que o BNDES voltará a ser o banco das privatizações) e desembaraço regulatório. A percepção é que Dilma deificou as dificuldades, afastando os investidores e construindo uma rota de fuga para aqueles que da boca para fora queria atrair.  O governo Temer só tem essa bala de prata: contratar o maior número de concessões e privatizações jamais visto na história deste país. Ou seja, fazer o Dilma III, só que com êxito. Dilma tentou o PAC e leilões e licitações, mas deixando o investidor na sala dos fundos. Temer, levado nas asas do querubim Moreira, vai alojar o investidor na sua cama. Há nessa decisão afinidade ideológica, racionalidade política e acerto com o empresariado pelo apoio ao impeachment. Uma parcela do ajuste fiscal teria de ser paga com a privatização e transferência do Estado. A lógica da desestatização é oportuna, no caso também oportunista, mas não tem nada a ver com fantasias lisérgicas de que o FBI estaria por trás de tudo – apud PT. Temer pretende entregar mais do que o bureau norte-americano jamais teria imaginado. Isso vale tanto para o número de projetos quanto para a intensidade dos leilões de oferta de ativos, cobranças mais baixas pelo Estado e liberdade de ações para os vencedores dos certames.  Mesmo nas áreas onde há resistência corporativa forte, a exemplo de Petrobras e Eletrobras, a ideia é forçar a venda de 100% de empresas controladas, tais como BR e Furnas, que, por serem emblemáticas, entrariam também na conta do efeito demonstração. Para os que pensam na contramão, más notícias: os preços de liquidação dos ativos no Brasil vão trazer, sim, interessados; uma grande parte desses investidores será composta por aqueles grupos esquisitos russos, chineses, árabes e africanos; o tal choque de eficiência previsto será grande parte em cima do emprego; e a dinheirama com a venda será impressionante em termos absolutos e decepcionante em termos relativos. Essas preocupações primitivas com entreguismo, qualidade dos parceiros e preço de banana estão banidas do governo Temer. Se depender do secretário Moreira Franco, que parece ter lido Nietzsche, mais precisamente o Crepúsculo dos Deuses – a outra face da Filosofia do Martelo – mitos existem para serem quebrados. E ele o fará a golpes de malho.

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14.07.16
ED. 5411

Ideia terrestre

 O senador amazonense Eduardo Braga vai acabar viajando de carro de boi. Braga não só fez campanha contra o projeto de venda de 100% das ações das companhias aéreas, como discorda do limite de participação de 49%. Se não tiver dinheiro de fora, não tem como tornar as aéreas viáveis. Só se financiá-las com dinheiro do BNDES ou com a verba do Congresso Nacional.

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copasa
08.07.16
ED. 5407

Copasa na pole position das privatizações

  A Copasa tem tudo para puxar a fila das concessionárias de saneamento que serão privatizadas em contrapartida do refinanciamento das dívidas estaduais junto à União. Segundo o RR apurou, as autoridades mineiras já teriam iniciado as conversações com o BNDES para viabilizar a venda do controle da estatal no âmbito do pacote de ajuda aos estados. Em termos absolutos, Minas Gerais carrega a segunda maior dívida dos estados com a União: R$ 80 bilhões – fica atrás apenas de São Paulo (R$ 220 bilhões). Além do tamanho do passivo do Tesouro de Minas, outro fator faz da Copasa a mais talhada para abrir a temporada de privatizações. Entre as estatais do setor de saneamento, a empresa mineira é tratada pelos próprios investidores como a mais redonda de todas, a que está prontinha para ser colocada sobre o balcão. No período de um ano, o governo mineiro cortou quase dois mil empregados, reduziu os custos operacionais da companhia em R$ 300 milhões e enxugou ao máximo o plano de investimentos, que, dos R$ 600 milhões originais, caiu praticamente à metade. Como resultado, a estatal já voltou ao azul. Depois do prejuízo de R$ 12 milhões em 2015, registrou um lucro de R$ 90 milhões no primeiro trimestre deste ano. • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: BNDES e Governo de Minas.

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01.07.16
ED. 5402

Sabático

 O ex-presidente do BNDES , Luciano Coutinho, pretende tirar uma quarentena de oito meses a um ano, maior do que o afastamento oficial exigido (seis meses). A ideia é descansar e planejar com cuidado os passos futuros. Dependendo como for, o sabático pode se prolongar ainda mais.

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16.06.16
ED. 5391

Milongas

 O empresário Francisco Macri está usando o sobrenome e a relação de parentesco com o presidente argentino, Maurício Macri, para resolver as pendências do grupo no Brasil. Francisco é pai de Maurício. A trajetória de Francisco no mercado brasileiro é uma coleção de fracassos, que teve seu ponto alto com a quebra da Chapecó Alimentos. A empresa tem uma dívida aproximada de R$ 600 milhões com o BNDES .

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michel-Temer
14.06.16
ED. 5389

Temer olha de soslaio para as sinecuras fiscais

 Está chegando a hora de tirar a limpo se Michel Temer põe o galho dentro ou mostra a que veio. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, levou à apreciação do presidente interino e dos ministros do Planalto uma proposta alternativa de ajuste fiscal, sem novos impostos ou restrições de despesas sociais. O programa de restrições das despesas não precisará ser aprovado pelo Congresso. Meirelles defende que seja feito um corte radical na cordilheira de subsídios que cerca de distorções a economia brasileira. A medida está pendurada em uma dúvida e uma certeza. A certeza é de que não há garantia que os benefícios revertam em novos investimentos ou geração de emprego. A dúvida é se o governo terá força política para suspender o usufruto crônico, incorporado na estrutura de custos e na formação de preços, com o favorecimento na fronteira entre o benefício social e a transferência de renda para grupos privilegiados. Lembrai-vos de que junho de 2013 começou com o aumento das tarifas do transporte urbano.  Recebem subsídios desde a classe média que desconta o valor da sua consulta médica no Imposto de Renda ao Movimento dos Sem Terra; desde os produtores de eletrodomésticos de Manaus à totalidade dos produtores de automóveis; desde o algodão à Embraer. Os grandes números falam com maior eloquência: chegam a R$ 108 bilhões anuais as renúncias feitas pelo governo. A concessão desses recursos inclui a desoneração fiscal sobre a folha de trabalho, subsídios no futebol, no comércio exterior, nos preços de energia, nas importações, na compra de papel jornal, nas bebidas, passagens de ônibus, entradas de cinema e teatro, agronegócio, enfim em todos os setores e segmentos socioeconômicos do país.  Esses R$ 108 bilhões levam em consideração estudos feitos pela Receita, pelo Tribunal de Contas da União, pelo BNDES e pela equipe do ex-ministro Joaquim Levy. De uma só tacada, essa economia por pouco não detonaria com o déficit primário projetado para 2016, da ordem de R$ 170 bilhões. Seria genial se não houvesse complicadores. Um subsídio representa um imposto ao contrário. Temer não precisa perguntar a Paulo Skaf o que ele acha em contribuir com renúncia dos favorecimentos fiscais e creditícios à prometida suspensão de novos tributos pelo governo. O pato vai entrar em transe. Todos os setores da sociedade teriam um queixume a fazer. Como manter um ou outro subsídio descaracterizaria o programa, demonstrando preferências e favorecimentos, todos os beneficiários – vá lá, salve-se um ou outro – seriam atingidos. Assim, cada brasileiro teria um objetivo pessoal para se queixar contra o presidente interino. As evidências são de que Temer vai botar o galho dentro.

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pedro-parente
03.06.16
ED. 5382

Petrobras já conta com o dinheiro das elétricas no caixa

 O novo comandante da Petrobras, Pedro Parente, conta como líquido e certo que Michel Temer vai sancionar nos próximos dias a Medida Provisória 706, aprovada pelo Senado na última terça-feira, véspera da posse do executivo. Parente já ganhou do governo federal a promessa de que os reajustes dos preços dos combustíveis não mais estarão subordinados à política econômica. Conta agora com o apoio do governo federal para obter um reforço no caixa da companhia. Se a MP for sancionada, a Petrobras conseguirá receber ainda nesse ano a totalidade ou a maior parte do pagamento de uma dívida de aproximadamente R$ 10 bilhões da Eletrobras com a companhia. O débito está relacionado à compra de combustível para o abastecimento de termelétricas que fornecem energia a distribuidoras da holding de eletricidade na Região Norte. É o maior crédito da petroleira no mercado brasileiro, cujo valor chega bem perto do que a companhia pretende arrecadar com o plano de vendas de ativos em 2016 – aproximadamente R$ 14 bilhões.  O caso mais grave está localizado no Amazonas. A Eletrobras tem se valido de seguidas liminares na Justiça para impedir que a Petrobras venda combustível à distribuidora amazonense apenas mediante pagamento à vista. A MP 706 não apenas autoriza que as dívidas das distribuidoras de Rondônia, Roraima, Amapá e Amazonas sejam pagas parcialmente com o aumento das tarifas de energia elétrica em todo o país como também autoriza que o restante seja quitado com repasses do Tesouro para o grupo Eletrobras.  Joga a favor do pleito de Parente o fato de que, se não houver repasse das dívidas para as tarifas, o Tesouro terá de arcar com tudo ou, no limite, deixar o endividamento contaminar cada vez mais o caixa dessas distribuidoras até o limite da insolvência. A situação impediria a privatização das companhias e ainda abriria espaço para uma – há bem pouco tempo impensável – intervenção da Aneel nas quatro distribuidoras. —  Na cerimônia de posse da presidência da Petrobras, Pedro Parente deu a entender que não conta com um aporte do Tesouro na Petrobras. Bulhufas! Parente estava na frente de Henrique Meirelles, que projetou um déficit primário de R$ 170 bilhões; um déficit que pode ser ainda maior. Se dissesse o contrário, abriria uma crise no governo logo após a conclusão da sua posse. Mas todos sabem que cortar gastos e vender ativos não é suficiente frente ao tamanho do passivo da empresa. Uma forma mimética de capitalizar a estatal seria fazer um encontro de contas entre a Petrobras, BNDES e Tesouro Nacional. Em vez de repassar R$ 40 bilhões à União, conforme está previsto, os recursos seriam destinados à Petrobras. A capitalização, de uma forma ou de outra, não tarda. A não ser que haja intenções inconfessáveis em relação à estatal.

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02.06.16
ED. 5381

Avenida Chile

Ontem, durante a posse de Maria Silva Bastos Marques na presidência do BNDES, a única presença citada por todos aqueles que discursaram foi a do Comandante Militar do Leste, o general Fernando Azevedo e Silva. A unanimidade também se aplicou às mesuras dirigidas ao ilustre convidado. *** O Itaú estaria criando um grupo de estudos para se debruçar sobre as oportunidades que deverão surgir com a gestão Maria Sílvia à frente do BNDES. São esperadas reduções ou cortes de programas de financiamentos dirigidos. Mas o Itaú que não se iluda: Maria Sílvia não fará uma razzia no banco. Ela tem uma certa afinidade histórica com a casa. *Procurado por nós, o Itaú não retornou até o momento desta publicação.

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01.06.16
ED. 5380

O pouso da garça

 A economista Monica De Bolle, um sucesso de audiência no Facebook, teria dado um piti ao saber da nomeação de Maria Silvia Bastos para a presidência do BNDES. A moça já tinha até feito inconfidências na praça sobre sua indicação para o comando do banco. Passada a zanga, De Bolle fez chegar a Maria Silvia toda a satisfação pela escolha da querida amiga.

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bancada-ruralista
27.05.16
ED. 5377

Ruralistas mandam a conta do impeachment

 O setor agrícola começa a despachar para o gabinete de Michel Temer as faturas pelo apoio ao impeachment de Dilma Rousseff. A bancada ruralista do Nordeste – à frente os senadores Eunício de Oliveira (PMDB-CE) e Benedito de Lira (PP-AL) – pressiona o presidente Temer com o objetivo de arrancar a imediata sanção da Medida Provisória 707, aprovada no plenário do Senado na última semana. A MP permitirá o abatimento de grande parte das dívidas contraídas por agricultores da região da Sudene junto a bancos públicos – notadamente BB e Banco do Nordeste. Eles poderão quitar os passivos, que totalizam cerca de R$ 6 bilhões, com deságios de até 95%.  A medida beneficiará, sim, pequenos e médios produtores, mas, no meio da multidão, aliviará o calo de grandes agricultores, especialmente empresas e cooperativas de maior porte que tomaram recursos no BNDES para a compra de caminhões. O Nordeste, ressalte-se, é apenas o começo. Dois dos mais influentes representantes do setor agrícola no Congresso, os deputados Jovair Arantes (PTB-GO) e Luiz Carlos Heinze (PPRS), já articulam para que a Presidência da República encaminhe uma nova MP ao Congresso estendendo os benefícios aos ruralistas do Centro-Oeste e da Região Sul.

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13.04.16
ED. 5347

Montadoras devoram subsídios e cospem demissões

 A julgar pelo retrospecto, não é improvável que o anúncio da queda de 23,6% das vendas de veículos em março, capitaneado pela Anfavea na última semana, tenha sido o prelúdio da divulgação de mais uma fornada de demissões nas montadoras. Chova ou faça sol na economia, este tem sido o modus operandi de uma indústria historicamente habituada a tomar benefícios fiscais e creditícios com uma mão e ceifar postos de trabalho com a outra. Que o diga o governo de Dilma Rousseff: por vias oblíquas, ao agraciar as montadoras com um caminhão de incentivos em seu primeiro mandato, Dilma acabou criando um “programa de subsídio ao desemprego”. Na ponta do lápis, cada corpo deixado na estrada pelas fabricantes de automóveis nos últimos três anos custou cerca de R$ 550 mil em recursos públicos.  O cálculo leva em consideração o montante liberado pelo governo entre 2011 e 2014 – período marcado por uma desabrida política de renúncia fiscal e por seguidos empréstimos do BNDES às empresas do setor – e o atual ciclo de demissões na indústria automobilística, iniciado em novembro de 2013. Desde então, o obituário trabalhista já soma 31 mil operários, 20% de todo o efetivo das montadoras há cerca de três anos. A conta, ressalte-se, não inclui os mais de sete mil metalúrgicos que estão neste momento sob o regime de lay-off.  Entre 2011 e 2014, o BNDES concedeu cerca de R$ 10,5 bilhões em financiamentos diretos para a indústria automobilística – a maior parcela, R$ 4,4 bilhões, em 2012. No mesmo intervalo, os subsídios ao setor automotivo decorrentes da redução do IPI somaram R$ 6,5 bilhões. Ou seja: nesse período, os fabricantes de automóveis receberam aproximadamente R$ 17 bilhões do carro-forte do Tesouro. Quando boa parte dos projetos financiados deveria entrar em sua fase de maturação e, em tese, gerar novos empregos ou, ao menos, garantir a sustentação dos postos de trabalho já existentes, as montadoras iniciaram um atropelamento em massa.  É verdade que a indústria automobilística nacional atravessa um dos momentos mais críticos da sua história, a venda de veículos despenca mês a mês, o crédito ao consumo rareou etc. Ou seja: não faltam justificativas para os cortes em série. Mas também é verdade que, ao longo da história, seja na recessão, seja no milagre, as montadoras têm usado e abusado de subsídios públicos sem garantia ou compromisso de contrapartida social. Assim como também é notório que o setor é uma caixa preta: as margens não são conhecidas e o volume de remessas de lucros para a matriz, idem.

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06.04.16
ED. 5342

Governo estimula privatizações no saneamento

 O governo federal passou a adotar um tom mais flexível na discussão sobre o refinanciamento de dívidas estaduais, com a aceitação de um diferimento maior no tempo das contrapartidas sociais. Por outro lado, permanece firme na intenção de manter a exigência de leilão das concessões de empresas estaduais de luz, gás e água. Ao contrário de luz e gás, o setor de saneamento, o mais carente de investimentos, permanece quase intocado pelos capitais privados. Com objetivo de dar velocidade à venda dessas empresas, foi criado um grupo executivo voltado para o projeto, composto pelo Ministério das Cidades, CEF e BNDES, liderado pelo secretário-executivo da Pasta da Fazenda, Dyogo de Oliveira. O governo pretende criar um pacote de facilidades para atrair investidores aos futuros leilões de concessões de saneamento.  O BNDES e a CEF vão financiar os consórcios vencedores até 80% do valor a ser aportado nas concessões, em linha com o que será feito com ferrovias e hidrovia. A oferta de crédito farto já antecipa eventuais reclamações dos interessados nas empresas estaduais. Há conversas mais adiantadas com os governadores petistas Fernando Pimentel, de Minas Gerais, e Rui Costa, da Bahia, para que respectivamente a Copasa e a Embasa sejam privatizadas. No caso dos estados de menor porte, CEFPar e BNDESPar poderão entrar como sócias dos consórcios.

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04.04.16
ED. 5340

Lupatech inicia sua operação desmonte

 A Lupatech – uma das tantas empresas do setor de óleo e gás pisoteadas pela Lava Jato e órfãs dos investimentos da Petrobras – está se desmanchando. Em recuperação judicial, a companhia decidiu fechar uma fábrica na Bahia, lançando mais 350 nomes nas estatísticas de desemprego do “petrolão”. A medida é um reflexo direto da drástica redução de encomendas da Petrobras, que nos áureos tempos, chegou a responder por quase 90% do faturamento da Lupatech. A unidade de Rio das Ostras, no Norte fluminense, deverá ter o mesmo destino e ser desativada. A empresa também vai se desfazer de ativos. O plano de desmobilização deverá ser encabeçado pela Lupatech Oil Field Services, seu braço de prestação de serviços para petroleiras criado a partir da associação com outra empresa do segmento, a Penta OFS.  Por mais paradoxal que possa parecer, a operação de desmonte é a única boa notícia que a Lupatech tem a oferecer neste momento. O imediato enxugamento do grupo é visto pelos acionistas – entre eles Itaú, Banco Votorantim, JP Morgan e BNDES – e pelos credores como a única possibilidade de saída da recuperação judicial e até mesmo de sobrevivência do negócio. A capitalização de R$ 1 bilhão feita pelos sócios no início do ano passado não deu nem para a partida. A empresa tem um passivo de R$ 600 milhões para um patrimônio líquido de R$ 100 milhões. Nos últimos dois anos, perdeu mais de R$ 700 milhões. Procurada pelo RR, a Lupatech não comentou o assunto.

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29.03.16
ED. 5336

“Proer das empreiteiras” quica na mesa do ministro da Fazenda

  A proposta surgiu nos idos de janeiro do ano passado. Foi levada ao então ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Bateu na trave e voltou. A criação de um “Proer das empreiteiras” ressurge agora no gabinete de Nelson Barbosa, partindo da premissa de que os acordos de leniência não são sequer um curativo para a crise de liquidez que se alastra pelas empresas. Há, sim, o risco de contaminação do sistema financeiro. Atualmente, a construção pesada já contabiliza quase 300 mil demissões, o que afeta direta ou indiretamente 5% da população. Há pagamentos suspensos de obras realizadas sem qualquer suspeita de irregularidade. A inidoneidade ou risco de inidoneidade veda o mercado financeiro para novos financiamentos ou torna os juros proibitivos. Uma solução é a venda de ativos, mas, como seus preços estão na bacia das almas, a medida se transforma em um placebo. E mais: como essas empresas caminham para a recuperação judicial, os compradores desses ativos temem que as vendas sejam consideradas fraudulentas.  Um documento produzido pelo advogado Maurício Portugal Ribeiro, que circulou em todo o setor há pouco mais de um ano, estima que as 10 maiores empresas de construção pesada do país e seus grupos econômicos tenham pelo menos R$ 130 bilhões em dívidas com o mercado bancário e de capitais. Esses números têm de ser deflacionados e acrescidos da elevação do custo da rolagem dos financiamentos. O montante é astronômico. Não é preciso muita matemática para se notar as consequências que uma quebra terá sobre o sistema bancário. Não custa lembrar que diversas dessas empresas têm compromissos internacionais, o que afeta a imagem do Brasil. Fosse o governo FHC, com sua base de apoio, “o Proer das empreiteiras” seria favas contadas.  A proposta que circula no governo é inspirada no texto de Portugal Ribeiro e prevê que os bancos públicos estruturem linhas de crédito com uma política de exigências de garantias diferenciadas, usando os ativos dos grupos. As cláusulas de vencimento antecipado e de inadimplementos cruzados seriam interpretadas com extrema parcimônia pelas instituições financeiras, particularmente pelo BNDES. Por sua vez, a estruturação e realização dos financiamentos das concessões e das PPPs seriam consideradas em regime especial, com a utilização em caráter extraordinário do project finance pleno. O “Proer das empreiteiras” tem muitos outros detalhes. Mas, nas atuais condições políticas, provavelmente será mais um chute em gol desperdiçado. Fica o registro.

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09.12.15
ED. 5265

Cemig provoca mais um curto circuito na Light

 A conturbada saída de Paulo Roberto Pinto do comando da Light é apenas a ponta mais visível do fio desencapado que se estica entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. A distribuidora fluminense está rachada ao meio pelas disputas de poder entre os governos dos dois estados. O mais novo round passa pela composição societária da empresa. À revelia do governo do Rio, Fernando Pimentel decidiu vender uma parcela da participação da Cemig na Light. Dona de 26% do capital, a estatal mineira pretende se desfazer de até 10% da companhia. A operação poderá envolver também uma parte das ações da Cemig alocadas na Parati, veículo de investimento criado com o único objetivo de diluir a presença da empresa mineira e, assim, evitar a estatização do controle da Light. Segundo o RR apurou, há três candidatos ao negócio: a Endesa , dona da Ampla, a canadense Brookfield e a Equatorial Energia – não por coincidência de onde saiu a executiva Ana Marta Horta Veloso, que ocupa interinamente a presidência da Light e deverá ser nomeada em definitivo para o cargo na reunião do Conselho de Administração marcada para a próxima sexta-feira. Consultada sobre a venda de ações, a Cemig disse que “não confirma a informação”.  O temor do governo do Rio é que o novo acionista da Light não assuma, na devida proporção, os aportes financeiros que hoje cabem à Cemig. O plano de investimentos da distribuidora fluminense para 2016 soma cerca de R$ 1,2 bilhão. Quase um terço deste valor sai da conta da estatal mineira. Há ainda uma questão em particular: se o governo do Rio já não simpatiza com a chegada de um novo sócio tem ainda menos motivos para simpatizar com o ingresso da Endesa no capital da Light. As autoridades do estado têm cobrado permanentemente da empresa a melhoria dos serviços prestados. No ano passado, a Ampla foi considerada pela Aneel a pior distribuidora de energia da Região Sudeste e a quinta pior do Brasil. Em tese, esta é uma corrida em que Luiz Fernando Pezão já sai alguns corpos atrás de Fernando Pimentel. O governo do Rio tem poder político sobre a Light, mas não societário, uma vez que vendeu integralmente suas ações. Para brecar a venda de um naco das ações da Cemig, Pezão precisa buscar o apoio de outros sócios da distribuidora, como, por exemplo, o BNDES, dono de 9% do capital.

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07.12.15
ED. 5263

JBS desmoraliza o “impeachment” do BNDES

 O processo de “impeachment” da JBS está fadado a morrer por inanição de argumentos. O conglomerado de empresas construído com o apoio do BNDES vai fechar o ano com um faturamento superior a R$ 180 bilhões e entra em 2016 como candidato a liderar o mais furioso processo de consolidação multissetorial do país. A recente aquisição da Alpargatas não deve ser vista como fato isolado. A J&F vai avançar em sua estratégia de diversificação. Entre os alvos estão construção pesada, agronegócio, energia e  celulose, segmento em que o grupo já atua por meio da Eldorado. Neste caso, todos os caminhos apontam para a fusão da empresa com a Fibria, da Votorantim – a operação de M&A mais decantada e aguardada no setor.  Os grupos de interesse que fazem oposição ao BNDES sempre apostaram no “impeachment” da JBS como uma ponte para  o“impedimento” do próprio banco. Mas não há Eduardo Cunha capaz de se contrapor a fatos e números tão superlativos. Principal negócio da J&F, o frigorífico vai romper neste ano a barreira dos R$ 165 bilhões em faturamento, 37% a mais do que em 2014, consolidando-se como a maior empresa privada do país. A dimensão destas cifras se estende à balança comercial. Ao fim deste ano, a JBS responderá por mais de 40% das exportações brasileiras de carne bovina, que deverão somar US$ 6bilhões. Em um exercício meramente hipotético, mantidas as respectivas taxas médias de crescimento nos últimos quatro anos, até 2020 a JBS superaria a própria Petrobras, tornandose o maior faturamento do Brasil entre as companhias não financeiras. Ressalte-se que esta é uma projeção extremamente conservadora, uma vezque, na ponta do lápis, a estatal promete um encolhimento para os próximos anos. Ou seja: a ultrapassagem pode vir antes.  Na área técnica do BNDES, há quem diga que o Brasil estaria em outro patamar se a cada dez operações de financiamento do banco houvesse uma JBS. Poucos negócios na história da instituição se revelaram tão lucrativos. Em 2007, quando o BNDES fez seu primeiro aportenna companhia, a ação estava em torno de R$ 7. Em setembro deste ano, a cotação atingiu seu maior patamar histórico – R$ 17,20. Se, nesse momento, a agência de fomento eventualmente tivesse vendido em mercado toda a sua posição na JBS, realizaria um ganho superior a R$ 6 bilhões. A J&F talvez seja hoje o que existe no Brasil de mais próximo dos chaebols, os grandes conglomerados industriais sulcoreanos, com negócios nos mais variados setores, formados a partir de uma empresamãe. O BNDES está indissociavelmente ligado à gênese deste cavalo vencedor. Em 2007, a JBS era um frigorífico com umareceita de R$ 4 bilhões por ano. Hoje, todos os negócios da J&F faturam essa soma a cada oitodias. O financiamento do banco à JBS teve um efeito multiplicador ao permitir que o grupo aumentasse seu nível de alavancagem para investir em outras áreas. À época, além da produção de carne bovina, a família Batista tinha apenas um negócio mais relevante, a Flora, fabricante de produtos de higiene e limpeza. De lá para cá, entrou nos setores de laticínios, celulose, financeiro, calçadista e até mesmo em mídia, com a aquisição do Canal Rural. Essa miríade de empresas soma 270 mil postos de trabalho – 150 mil no Brasil. A incorporação da Fibria aumentaria esse efetivo em 15 mil funcionários. O “impeachment” da JBS ou do BNDES seria também o“impeachment” dessa gente.

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25.11.15
ED. 5255

Nota

  E agora, quem vai dizer que a aposta do BNDES na JBS estava errada?

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 David Neeleman já admite intramuros que será preciso negociar com o governo de Portugal a acordada injeção de 800 milhões de euros na TAP. A liquidez secou em todas as fontes: no BNDES o dinheiro está curto, o IPO da Azul na BM&F Bovespa melou e a alternativa de emissão de ADRs em Nova York está pinando antes de decolar. A saída está em intrincadíssimas engenharias financeiras.

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28.10.15
ED. 5236

AES Tietê se emancipa e volta a investir

  A AES Tietê, finalmente, está “reprivatizada”. Foi com este sentimento que, na tarde da última segunda-feira, os norte-americanos deixaram a Torre II do Condomínio Castelo Branco Office Park, em Barueri (SP), onde pouco antes havia sido realizada a assembleia de acionistas da Companhia Brasiliana de Energia. Após uma longa e intrincada reestruturação societária, a AES “retomou” o controle do seu braço de geração, que, de maneira indireta, era compartilhado com o BNDES. Era a senha que faltava para o grupo deslanchar um novo ciclo de investimentos no país. Além das negociações para a compra de uma participação nas térmicas da Petrobras – antecipada pelo RR na edição de 16 de setembro –, os norte-americanos pretendem participar do leilão de relicitação das 29 hidrelétricas que tiveram suas licenças vencidas. Ontem, aliás, o governo anunciou o adiamento do leilão, com a promessa de que ele será realizado no fim de novembro. A AES tem especial interesse nas usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que pertenciam à Cesp.   A reorganização societária desatou o nó da AES Tietê, que estava amarrada à Brasiliana e, consequentemente, ao BNDES. A holding, controlada pela AES e pelo banco de fomento, detinha 71% das ações ordinárias da Tietê. Com a reestruturação, a AES Brasil se tornará a maior acionista, com 61% do capital votante. Desvinculada da Brasiliana, e, por extensão, do BNDES, a AES Tietê deixa para trás o ranço de uma empresa mezzo privada, mezzo estatal, o que facilitará a tomada de crédito, notadamente no exterior. Não por acaso, os norte-americanos já decidiram que a companhia concentrará todos os investimentos em geração do grupo no Brasil.

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23.10.15
ED. 5233

Empecilho

 A um só tempo, Romeu Tuma Junior está prestes a assinar a ficha de filiação ao PTB, colabora com o PMDB no âmbito da CPI do BNDES e tem prestado consultoria informal ao PSDB em assuntos relacionados à Lava Jato. Para o ex-secretário Nacional de Justiça, não importa a cor do gato se o objetivo é piorar ainda mais a vida do governo.

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14.09.15
ED. 5205

Venda da Renova Energia entra em curto-circuito

A venda da participação da Light na Renova Energia corre sério risco de ser eletrocutada nos tribunais. Um grupo de acionistas da Brasil PCH, subsidiária da empresa de energia renovável, se articula para entrar na Justiça com o objetivo de brecar a transferência das ações para a norte-americana SunEdison – um negócio da ordem de US$ 250 milhões. O alvo nº 1 do contencioso é a Cemig, controladora da Light e artífice da operação. Estes investidores, capitaneados pela BSB Energia, acusam a estatal mineira de ter rasgado o acordo de acionistas da Brasil PCH – dona de um colar de 13 pequenas centrais hidrelétricas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás – ao fechar negociação com os norte-americanos. A alegação é que, antes de abrir conversações com a SunEdison ou qualquer outro pretendente, a Cemig teria obrigatoriamente de ter ofertado a participação da Light na Renova para os sócios das subsidiárias do grupo, incluindo seus parceiros na Brasil PCH. A explicação está no intrincado acordo de acionistas da companhia, que, num efeito cascata de baixo para cima, se estende a toda a estrutura societária da Renova Energia. A Renova é sócia majoritária da Chipley, que,  por sua vez, é controladora da Brasil PCH. O acordo de acionistas desta última prevê que os sócios da empresa têm direito de preferência em qualquer negociação que altere o controle da própria Renova e, por extensão, de suas subsidiárias. Para os demais  acionistas da Brasil PCH, a estatal mineira ignorou esta condição com o deliberado objetivo de promover um “leilão” em mercado e, desta maneira, amealhar um valor mais alto pela participação da Light. A Cemig enxerga os fatos de outra forma. Segundo a companhia, apenas o BNDES, acionista minoritário da Renova, tem direito de referência sobre a participação dos demais sócios.

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09.09.15
ED. 5202

Eduardo Cunha resiste na base aliada na Caixa Econômica

Há um enigma na Caixa Econômica Federal, um mistério que atende pelo nome e sobrenome de Fabio Ferreira Cleto, vice-presidente de Governo e de Loterias da instituição. Seus próprios pares na diretoria da Caixa se perguntam: até quando Cleto, uma notória extensão de Eduardo Cunha, se manterá intocado no alto-comando do segundo maior banco público do país? Sai executivo, entra executivo e o tentáculo do presidente da Câmara dos Deputados segue com suas ventosas presas ao cobiçado cargo. Aliás, dois cobiçados cargos. Cleto tem assento também no conselho do FI-FGTS. É, portanto, uma das 11 vozes que decidem o destino dos mais de R$ 32 bilhões em recursos do Funde Investimento reservados para projetos de infraestrutura. Entredentes, seus pares no conselho do FI-FGTS se referem a Cleto como “o quinta coluna”. Em julho, quando as relações entre o nº 1 da Câmara dos Deputados e o Planalto já tinham avinagrado de vez, o vice-presidente da Caixa foi o único conselheiro a votar contra o repasse de R$ 10 bilhões do fundo para o BNDES. Perdeu por 10 a um, porém, mais uma vez, não desperdiçou a chance de demonstrar enorme fidelidade ao seu fiador. Na Caixa Econômica, havia a expectativa de que Fabio Cleto pudesse receber o bilhete azul há cerca de duas semanas, quando foram anunciadas novas mudanças na gestão do banco. No entanto, seu nome passou longe da canetada que, de uma só vez, exonerou três vice-presidentes – José Urbano Duarte, José Carlos Medaglia Filho e Sergio Pinheiro Rodrigues. Assim tem sido desde que o governo iniciou a dança das cadeiras no banco. Não é por falta de tentativas em contrário. A própria presidente da Caixa, Miriam Belchior, tratou diretamente da saída de Clero com o ministro Aloizio Mercadante, que tem centralizado as articulações políticas para a montagem da nova diretoria do banco. No entanto, por ora o executivo sobrevive ao troca-troca. Não se sabe se pela ação de forças ocultas, se por mais uma demonstração de inércia do próprio governo ou se, quando o assunto é Caixa Econômica, a prioridade de Mercadante é trabalhar pela permanência de Marcio Percival. Homem forte da área de finanças do banco, Percival foi indicado ao cargo pelo ministro da Casa Civil. * A Caixa não retornou ao contato do RR.

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A BNDESPar deverá aproveitar a venda da CAB Ambiental pela Galvão Engenharia para deixar o negócio. * O BNDES não quis comentar sobre a venda.

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26.08.15
ED. 5193

Unilever reserva um espaço na gôndola para a Bombril

A Unilever partiu para cima da Bombril. A concorrente é vista pelos anglo-holandeses como uma presa suscetível a uma boa oferta pelo controle. Por boa oferta leia-se algo em torno de oito vezes o Ebitda – aproximadamente US$ 250 milhões. A Bombril está às voltas com um crônico histórico de prejuízos, que desde 2012 se aproximam de R$ 250 milhões. Seu market share no setor de limpeza estagnou nos 6% – a Unilever, para efeito de comparação, domina 25% do mercado. Oficialmente, a Bombril garante que não está passando por nenhum processo de fusão ou venda do controle. Além da proposta feita ao empresário Ronaldo Sampaio Ferreira, dono integral das ações ordinárias da Bombril, a Unilever pressiona pelos flancos, construindo alianças com os sócios preferencialistas. Apesar de não dispor de poder de veto sobre as decisões de Ferreira, BNDESPar e Previ têm peso suficiente para influenciar no futuro da empresa. Tanto BNDESPar quanto Previ receberam com tapete vermelho a oferta da Unilever. Sonham em pular fora desse barco não é de hoje. A Unilever tem a solução final para resolver os mil e um problemas da Bombril: fechar o capital, enxugar o número de produtos, com mais de 400 itens, e transformar a companhia em um apêndice da nova estratégia dos anglo-holandeses de focar principalmente em produtos populares. O plano é simplesmente absorver a Bombril e misturá-la ao portfólio da companhia no Brasil. O reforço faz parte da estratégia de engorda da operação brasileira, que já é a segunda maior do grupo no mundo, com receita de US$ 2,5 bilhões. * A Unilever não comentou sobre o assunto.

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20.08.15
ED. 5189

BNDES inicia sua longa jornada noite adentro

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, desembarca hoje no Congresso Nacional com a missão inglória de impedir o estupro da instituição. A CPI do BNDES é uma cortina de fumaça para aleijar o banco. Não bastará à instituição purgar em praça pública a averiguação de eventuais desmandos financeiros, a exemplo da Petrobras. O banco, não sendo extinto, precisa ser descaracterizado em sua essência, ou seja, uma agência de fomento que tem por função prioritária a concessão de financiamentos ao setor industrial. O RR apurou que a presidente Dilma Rousseff abandonou a causa da integridade do BNDES. O que Dilma não quer é que o banco se constitua em mais um escândalo, uma espécie de segunda Petrobras. Seu empenho é empurrar para longe as acusações de corrupção e malversação de recursos. Essas denúncias recaem na direção do expresidente Lula, sinônimo de CPI do BNDES. Lula precisa ser preservado, o governo precisa ser preservado, mas o banco, na ótica palaciana, poderia entregar dedos e anéis. A pressão é para que o BNDES encolha, reduza seu enraizamento com a política industrial, se torne uma espécie de Sebrae tonificado, perdendo o seu protagonismo estratégico. Nesse contexto, a palavra subsídio é tida como um anátema. Coutinho adentra a CPI empunhando três bandeiras: a defesa da probidade e lisura das operações do banco, a preservação do que for possível na sua estrutura de funcionamento e salvar sua própria pele. O curioso da CPI é que existem apenas suspeições, algumas delas bisonhas. O caso das privatizações no governo FHC, notadamente da Telebras, BNDES inicia sua longa jornada noite adentro em que a corrupção foi pública, sequer é mencionado. Ao contrário do escândalo da “telegangue”, neste momento não há um nome acusado de desvio de recursos ou de aceitação de propina na inquisição do BNDES. Afinal, quem é o Paulo Roberto Costa do banco? Algumas denúncias sugerem uma CPI do aparelho de Estado brasileiro, devido à amplitude de participação do governo. Por exemplo: o financiamento à prestação de serviços em outros países é chancelado pelo Ministério das Relações Exteriores, conta com a participação do Ministério do Desenvolvimento e a permissão do BC, para citar somente três órgãos governamentais. E o repasse dos recursos do Tesouro? Ora, o banco somente aceitou a decisão da Fazenda, que o escolheu como instrumento da sua política contracíclica para enfrentar a crise internacional. E os “cavalos vencedores”? Pode ser uma decisão questionável, mas já foi provado que as operações não incorreram em prejuízo. A CPI pretende propor medidas no melhor estilo do senador Joseph McCarthy, tais como a criação de um “grupo de inteligência” do Senado, que vai investigar as informações mais intestinas do banco. Os critérios para seleção dos investimentos também seriam escolhidos pelos parlamentares. Ninguém sabe o que ficará fazendo a melhor equipe técnica do país. A impressão é que o real objetivo da CPI do BNDES está encoberto pelo mar de lama no qual pretende se afogar o banco. O nome da CPI deveria ser a do “fim do BNDES”. Ou melhor, a CPI de Ignácio Rangel, Roberto Campos e Celso Furtado, os mentores da existência do BNDES e de seus melhores propósitos.

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18.08.15
ED. 5187

IPO de papel

A relação societária entre a BNDESPar e a Nortec Química está chegando ao limite. Numa medida radical, o braço do BNDES já cogita suspender os aportes e vender sua participação no laboratório farmacêutico. Em 2013, quando a BNDESPar se associou à Nortec, a operação estava vinculada à abertura de capital da companhia. Até agora, nem sinal do IPO. * O BNDES e a Nortec Química não comentaram sobre o assunto.

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31.07.15
ED. 5175

Renova Energia

Após fisgar a participação da Light (21%), a SunEdison negocia a compra dos 10% da Renova pertencentes à BNDESPar. Caso a operação seja sacramentada, se tornará o segundo maior acionista da empresa de energia renovável, atrás apenas da Cemig.

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A esquadrilha de Eduardo Cunha começou a bombardear o BNDES. Circula na internet a informação de que o banco financiou a compra de 20 aviões da Embraer pela Austral, subsidiária da Aerolíneas Argentinas, no valor de US$ 700 milhões. Segundo a denúncia, o contrato apresenta indícios de sobrepreços.

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29.07.15
ED. 5173

Só Neeleman enxerga a TAP em céu Azul

 A pressa com que David Neeleman expandiu seus negócios de aviação tem deixado um rastro de dúvidas na Azul. A maior oposição vem da Texas Pacific Group (TPG), que lidera um grupo de minoritários disposto a questionar o projeto de Neeleman de usar a Azul para capitalizar a TAP, comprada por ele no mês passado e com dívida de um bilhão de euros. O principal acionista da companhia aérea brasileira tem uma proposta pronta para que a Azul se torne sócia do consórcio Gateway, novo controlador da voadora portuguesa. Se depender de Neeleman, a Azul será uma das maiores sócias da TAP. A operação tem não somente o apoio como o incentivo explícito da United, que tem 5% da Azul. O grupo norte-americano enxerga na operação o caminho mais rápido para a internacionalização da empresa brasileira, que passaria a ter uma operação própria na Europa. Difícil será convencer o TPG, que enxerga mais dúvidas do que certezas na operação, em função dos números ruins da TAP. A Azul teria que necessariamente se capitalizar. Pelos cálculos do fundo, a brincadeira não sairia por menos de R$ 1,5 bilhão. David Neeleman tenta convencer os sócios com a ideia de atrair o BNDES para o financiamento, já que seria a terceira aérea brasileira a ter presença forte no exterior. Terá que gastar muita lábia, pois o banco tem estado arredio a operações de tão grande risco.

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22.07.15
ED. 5168

Eduardianas

A CPI que está saindo do pacote de vendettas de Eduardo Cunha não provocou nem soluços no BNDES. Segundo o entendimento da área jurídica, o banco está absolutamente forrado e garantido quanto à  constitucionalidade do sigilo das suas operações. *** Por falar em Eduardo Cunha, o presidente da Câmara vem sendo chamado no Congresso de Jânio Quadros versão malévolo 2.0. A comparação não se deve aos óculos horrorosos comuns a ambos, mas ao entendimento de que Cunha renunciou a uma posição confortável, que lhe permitia ditar as ordens na Câmara, em nome da obsessão em cindir o PMDB.

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20.07.15
ED. 5166

Darwin dita o futuro da siderurgia nacional

O BNDES anda meio por baixo, mas, se pudesse fazer política industrial como em outros tempos, partiria para estimular a consolidação do setor siderúrgico. Pelo que se diz na área técnica do banco, o encolhimento do mercado brasileiro de aço é estrutural: veio para ficar. Portanto, pode tirar o cavalinho da chuva quem pensa se tratar apenas de um ciclo de retração da indústria siderúrgica condizente com o quadro de demanda internacional reduzida, ou mesmo com a recessão que assola o Brasil. O problema é sério, de tirar o sono. Os analgésicos que a siderurgia quer tomar nessa hora são os mesmos de sempre: câmbio e incentivos fiscais. Mas o momento não é bom sequer para obter esses paliativos. A percepção é de que não há mais lugar para tantos protagonistas na indústria do aço. Teria chegado a hora da seleção natural: entre Gerdau, ArcelorMittal, CSN e Usiminas, uns e outros teriam de ser incorporados. A racionalidade neste setor, contudo, é mais difícil. Há um clash de culturas empresariais e um desfile de personalidades de impossível combinação. Imagine misturar no tubo de ensaio Benjamin Steinbruch, Jorge e André Gerdau e os visigodos da Techint, só para mencionar os mais idiossincráticos. Esses barões do aço terão de conviver entre si ou, então, pular fora do barco – sempre existe a possibilidade de um investidor externo olhar para o negócio à  medida que o Brasil vai ficando mais barato. Ainda que a produção brasileira de aço tenha subido um bocadinho no primeiro semestre (2%), no geral os indicadores da indústria são desalentadores. O parque siderúrgico nacional opera com uma ociosidade da ordem de 30%: no momento, há 20 usinas completamente paradas no país, número que não pode ser dissociado da retração do mercado interno. No primeiro semestre, as vendas de aço no Brasil caíram 12,9% em relação a igual período no ano passado. Não surpreende que o setor tenha se tornado um laminador de empregos: foram mais de 11 mil demissões nos últimos 12 meses. Essa conta vai aumentar. E a má notícia vem de fonte insuspeita. O próprio Instituto Aço Brasil prevê que mais 3,9 mil postos de trabalho irão para o altoforno até dezembro. As condições que levaram a siderurgia a vicejar não existem mais. O preço da energia é alto demais. O câmbio dificilmente voltará a ficar desvalorizado como no tempo da corrida do aço – na relação com o salário, então, é melhor esquecer. E mesmo as injeções de dinheiro barato do BNDES parecem coisa do passado. Estão mesmo se materializando as catastróficas projeções do legendário economista industrialista Arthur Candal. No início dos anos 90, ele dizia: “A indústria brasileira africanizou. Setores como a petroquímica e a siderurgia estão derretendo. Vamos voltar à  extração primitiva primária.” Parecem hoje sentenças bem razoáveis.

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13.07.15
ED. 5161

Fazenda peneira novas pepitas no veio do ajuste fiscal

Em sua busca para extração de riquezas, o garimpo do Ministério da Fazenda já identificou na bateia duas pepitas, pequenas é bem verdade, que, devidamente polidas, podem prestar sua colaboração para o ajuste fiscal. A pepita menos opaca, que aparece bem a  vista em meio ao cascalho das demais ideias, é a instituição do imposto sobre heranças. Não se trata de uma descoberta nova, nem de uma grande jazida. O governo nem considera expressiva a arrecadação proveniente. Mas a medida pode ter uma utilidade maior para a negociação de joias bem mais raras no Congresso Nacional. Seria especialmente um aceno para o PT, que considera o imposto uma resposta fundamental para o programa de austeridade econômica. No arrastão tributário, poderiam ser negociadas outras medidas microeconômicas capazes de ampliar a arrecadação do Estado. O salto percentual do imposto não seria tão acanhado. A proposta é que a alíquota média do tributo sobre as heranças suba dos atuais 3,86% para 8% a 10%. Um número vistoso a  primeira vista, mas conservador se comparado com outros países, tais como o Chile (13%), França (32,5%) e Inglaterra (40%). O discurso de sustentação é justo, justíssimo: o Brasil é um dos últimos do ranking das contribuições do imposto sobre herança – Suécia, Noruega e Austrália não gravam a transmissão de riquezas. Se a medida fiscal já se encontra quase reluzente, a pepita inesperada é a venda de carteiras de créditos maduros do BNDES e da Caixa Econômica Federal a  banca privada. O Banco do Brasil não poderia ser incluso no programa devido a sua condição de companhia aberta, o que exigiria a  realização de um aumento de capital. A ideia é devolver parcela dos repasses do Tesouro a essas instituições. Bancos como Bradesco, Itaú e Santander – somente para citar os privados, longe de qualquer ilação de caráter político – seriam compradores potenciais desses créditos. Trata- se de uma mina de altíssimo teor. A carteira de empréstimos e repasses do BNDES soma R$ 698 bilhões. Desse total, cerca de 41%, ou R$ 286 bilhões, se referem a operações com os 10 maiores clientes do banco. A clientela do segundo andar é bem mais pulverizada é constituída de muitas empresas líderes nos seus mercados. A Caixa Econômica, por sua vez, que sempre teve uma atuação mais voltada para a pessoa física, tem ampliado significativamente a carteira de crédito a empresas. Os empréstimos a pessoa jurídicas somam hoje cerca de R$ 125 bilhões. Com esta medida, os dois bancos públicos fariam caixa e antecipariam receita. Ambos estariam comprando ativos creditícios valiosos. O Tesouro agradeceria, sensibilizado. Um bom negócio para gregos e troianos. Não há consenso ainda sobre o timing de uso das duas pepitas. As pedras, inclusive, ainda estão sendo valoradas. A expectativa é que sejam lustradas e, em breve, venham a público.

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02.07.15
ED. 5154

“B” de boi, de BNDES e de bilhões

 No que depender do BNDES, vai ter, sim, mais dinheiro para a JBS. As portas do banco estão abertas a novos financiamentos para o grupo, se assim as circunstâncias pedirem. A assertiva se sustenta em duas premissas, uma de ordem regulatória e outra financeira. A resolução publicada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na semana passada, referente aos limites para a exposição da BNDESPar a uma única empresa, em nada afeta a possibilidade de futuros aportes na JBS. Segundo uma fonte do BNDES, o atual peso da companhia no estoque de operações da agência de fomento sequer arranha o limite de 25% do Patrimônio de Referência imposto pelo CMN. O banco não divulga o percentual por considerá-lo informação sigilosa. Mas não custa lembrar que a triangulação feita com o Tesouro e a Caixa Econômica Federal em 2012 abriu ainda mais espaço para um eventual aumento da participação no grupo. Na ocasião, o BNDES transferiu o equivalente a 10% da JBS para a União, que, ato contínuo, repassou o ativo para a CEF, como forma de capitalizar o banco. Para o BNDES, o maior estímulo a novas operações com a empresa de alimentos vem da última linha do balanço. Como se costuma dizer na própria área técnica do banco, quem dera houvesse outras JBS. A participação representa a melhor taxa de retorno entre todos os investimentos realizados pela BNDESPar desde 2007, ano em que a instituição fez seu primeiro aporte na companhia. Somente nos últimos cinco anos, a alta das ações da JBS foi de 102% – no mesmo período, a variação do DI ficou em 61%. Conforme consta do estudo de caso recém-divulgado pelo próprio BNDES, o investimento na JBS já rendeu ao banco cerca de R$ 6 bilhões, cifra referente ao crescimento do valor de mercado da empresa ao longo de oito anos. Para o BNDES, além do retorno financeiro per si, há ainda outro ganho decorrente do investimento na JBS, tão ou mais valioso do que aquele reportado em seu balanço. O maior alvo das críticas ao modelo adotado pelo banco nos últimos anos tornou-se exatamente a sua principal peça de defesa e desqualificação de seus detratores. Os resultados da companhia são a melhor resposta aos grupos de interesse que dispararam contra a política de cavalos vencedores, usando-a como mote para fazer as piores ilações em relação aos critérios e procedimentos do BNDES.

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10.06.15
ED. 5138

Energia eólica

O banco alemão KfW negocia um novo empréstimo ao BNDES para financiamento de projetos de geração eólica no país. No ano passado, foi fechado um acordo de repasse de US$ 335 milhões. Desta vez, a conta é um pouco mais modesta: em torno de US$ 200 milhões.

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08.06.15
ED. 5136

Material didático

Recomenda-se imprimir em uma cartilha a entrevista do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sobre financiamento a  exportação de serviço e distribuir a editores de jornais, ministros do TCU e congressistas. Menos, é claro, os do PSDB, pois se enquadram na categoria que Coutinho denomina de desonestidade intelectual.

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05.06.15
ED. 5135

Herdeiros da Coteminas querem distância do agronegócio

 Houve um momento em que Josué Gomes da Silva esteve com um pé no Ministério do Desenvolvimento, foi apontado por muitos como o nome mais adequado para comandar o BNDES e chegou até mesmo a flertar com a Pasta da Fazenda. No entanto, as portas do governo não se abriram e Josué segue vestindo o figurino de empresário, mais precisamente o de empresário aflito e pressionado por seus próprios familiares. Ao mesmo tempo em que toureia os sucessivos prejuízos da Coteminas – R$ 250 milhões nos últimos três anos -, cabe a ele a missão de estancar de uma vez por todas as perdas do clã no agronegócio, uma infeliz inflexão estratégica dos herdeiros de José Alencar. Neste caso, ao que tudo indica, não há mesmo outra solução se não a porta de saída. Josué já estaria negociando a venda da participação da família na Cantagalo General Grains, que atua na produção e comercialização de grãos. Do outro lado da mesa, está a japonesa Sojitz. A intenção dos Alencar é vender integralmente sua participação tanto na Cantagalo quanto na subsidiária CGC Trading. Os asiáticos, ressalte-se, já são sócios minoritários das duas empresas. Na primeira, detêm apenas 5%; na trading, sua fatia é bem mais expressiva: 43%.  Josué Gomes da Silva foi o principal artífice da entrada dos Alencar no agronegócio, a partir da associação com a Agrícola Estreito, do ex-Glencore Paulo Garcez. Em tese uma decisão mais do que acertada, em função dos resultados declinantes da Coteminas e da indústria têxtil como um todo. Na prática, porém, a Cantagalo jamais teve a performance esperada: no ano passado, o prejuízo bateu nos R$ 155 milhões. Diante das seguidas perdas, a operação tem sido cada vez mais questionada dentro da própria família. Em setembro, Josué Gomes, presidente do Conselho de Administração da Cantagalo, tentou esfriar o caldeirão com uma mudança na gestão. Numa manobra interna, convenceu o próprio Paulo Garcez a deixar a presidência da companhia, dando lugar ao ex-Previ e ex-Embraer Luiz Carlos Aguiar. Dentro da empresa, o troca-troca foi interpretado como um movimento diversionista, uma tentativa de Josué de ganhar tempo para negociar a venda da participação da família para a Sojitz. A essa altura, nem o próprio empresário quer ficar no negócio. Sua prioridade absoluta neste momento é colocar a Coteminas nos trilhos. Mas essa é outra história…

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03.06.15
ED. 5134

Por que o BNDES esconde sua última letra?

O cavalo encilhado da transparência social está passando, mais uma vez, a  frente de Luciano Coutinho, sem que este aproveite a oportunidade para montálo. A demonstração de que o “S” não é apenas um apêndice fora de lugar no acrônimo BNDES mataria dois coelhos com uma só cajadada. O banco entregaria, com sobras, o disclosure exigido e criaria uma nova metrificação para a análise do retorno das suas operações para a sociedade. É consenso entre os de boafé que não cabe a  agência de fomento revelar detalhes dos projetos e pedidos de financiamento que lhe são encaminhados, sob pena de instituir uma assimetria de informações em relação a  concorrência. O custo de pedir dinheiro ao BNDES seria a fragilização da capacidade de competição do tomador de recursos. A hipocrisia é preconizar que, em nome da transparência e da condenação do subsídio, seriam entregues somente alguns ovos, quando, na realidade, não só os ovos, mas também a galinha, o galinheiro e toda a cadeia de geração de valor seriam dizimados. O que Luciano Coutinho poderia fazer para calar os fariseus seria surfar mais alto na onda do disclosure. Não consta que o BNDES tenha qualquer relatório de prestação de contas do impacto social dos projetos financiados individualizados. A proposta seria o banco ir além e divulgar o compromisso das empresas com a produção de resultados, nos mais diversos segmentos de interesse da sociedade. Entram neste baralho geração de empregos, impostos, divisas, investimentos em inovação, controle de emissão de gases poluentes, benefícios a  comunidade, desenvolvimento regional, melhorias de infraestrutura etc. Quanto maior o número de indicadores melhor a capacidade de avaliação do retorno social de cada projeto. Esses seriam os verdadeiros “cavalos vencedores”. O banco deve estar repleto deles. É elogiável a iniciativa do balanço social made in BNDES, anunciado ontem por Luciano Coutinho. Melhor seria, no entanto, se a instituição divulgasse o valor agregado de cada projeto, timtim por tim-tim. O maior equívoco do banco é não permitir que os benefícios da sua atuação possam ser julgados conforme os melhores critérios. Parece até que o BNDES não quer desmontar o lobby favorável a sua desconstrução.

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28.05.15
ED. 5130

Enquanto isso, no país do ajuste fiscal…

 O enevoado empresário Miguel Ethel está pilotando uma operação mágica para surgirem dezenas de usinas de energia eólica no Brasil. Ethel, que já fez milagres com pequenas centrais hidrelétricas, agora quer abraçar o meio ambiente. Toda essa ventania será feita sem que o empresário saia das brumas, como sempre.  O ex-senador Gilberto Miranda, tido pelos profissionais do ramo como o homem mais rico do Brasil, e o Bispo Macedo, o afortunado dono da Record, vão se associar na construção de um shopping em Manaus. Segundo a fonte do RR, será o primeiro a ter como “loja âncora” um templo da Igreja Universal. Aliás, um baita templo. A decisão do STF de circunscrever ao TCU o acesso ao financiamento do BNDES – no caso as operações com a JBS – teve cuidado de expor menos o banco e a empresa. O STF sabe que tem maluco no Congresso querendo colocar os dados nas redes sociais. De qualquer forma, fica o risco da “Rádio TCU” e do vazamento de informações para a mídia.

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28.05.15
ED. 5130

Governo cria incentivo Á  produção de turbinas

O governo discute a criação de uma linha de crédito, no âmbito do BNDES, voltada aos fabricantes de turbinas para geração de energia. O objetivo é afastar o risco de um apagão no fornecimento de equipamentos, especialmente quando as grandes hidrelétricas da Amazônia, a começar pelas usinas do Rio Tapajós, saírem do papel. Segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia, as encomendas nos próximos cinco anos deverão chegar a  marca de 150 turbinas. No entanto, a situação de alguns dos principais fabricantes instalados no país é preocupante. A argentina Impsa está a s voltas com uma grave crise financeira e colocou a  venda o seu parque industrial em Pernambuco. A alemã Voith Hydro, por sua vez, já sinalizou a possibilidade de suspender suas atividades no país. O governo teme que a necessidade de importação de turbinas e o consequente encarecimento dos projetos, somado a um ambiente de retração da economia, desestimulem a participação de investidores nos próximos leilões de energia.

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20.05.15
ED. 5124

Réquiem para o herói da Avenida Chile

 “A verdade é um estranho que não nos olha nos olhos. É mais difícil de entender, mais complicada de se aceitar. Mais difícil de acreditar, e mais ainda de se dizer.” A tirada filosófica é da pouco divulgada Jéssica F., “pensadora” do segundo time para muitos. Pois saiba que os dizeres rasos bem poderiam dar a medida do calvário do BNDES. Sim, é difícil de dizer e mais complicado de se aceitar. O banco sofre, solitário, o maior atentado a  sua integridade desde o nascedouro. E os empresários, a quem cabe o seu usufruto, são os estranhos que não lhe olham nos olhos. A burguesia – aquela que o bardo Cazuza dizia “feder” -, inebriada pela tentação de afogar o capitalismo de Estado, quer apagar da memória coletiva o banco do fomento, do desenvolvimento da indústria de base, da inserção competitiva internacional, do “S” do social, da privatização, da criação da empresa brasileira de porte global e do financiamento a s concessões de obras públicas. Restaria a lembrança ingrata do BNDES representante do populismo da era Vargas, da megalomania do regime militar, da corrupção da venda das estatais, da transferência de renda para a iniciativa privada e, agora, do repasse das pedaladas do Tesouro. Sim, a burguesia nacional prefere se despir das vantagens concorrenciais em troca da morte da sua ama de leite. Há diversas formas de matar uma agência de renome internacional: asfixia financeira; legiferação predatória; e o insuperável estupro moral. O BNDES sofre das três. Terá seu orçamento drasticamente cortado, afinal serviu de agente da União para injetar dinheiro na veia da economia fragilizada; purgará os financiamentos a grandes empresas – um contraditório, pois a estigmatizada JBS, o mais emblemático “cavalo vencedor”, apresentou um espetacular resultado de R$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre; se transformará em uma agência recalcada de suporte do mercado de capitais e, finalmente, será o único banco do país a abrir compulsoriamente suas vísceras para Deus e o diabo. No que depender dos liberais de má cepa, o BNDES, ao contrário do BB, da CEF, do Basa e do BNB, estará em breve publicando detalhes dos contratos de financiamentos. É difícil de acreditar e complicado de aceitar. A prioridade a  capacidade de competição da empresa nacional, assim como a constitucionalidade do sigilo bancário, vão escorrer como água suja. Qualquer empresa que tomar recursos no BNDES terá que informar detalhes sobre o seu projeto. A concorrência que se locuplete. Se vivos estivessem, Ignácio Rangel, Roberto Campos, José Luiz Bulhões Pedreira, Marcos Vianna, Arthur Candal, Rômulo Almeida e outros tantos maestros da supliciante agência diriam perplexos: é mais difícil de entender, mais complicada de aceitar. “A verdade é um estranho que não nos olha nos olhos”.

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06.05.15
ED. 5114

Aldemir Bendine é o artilheiro dos sonhos da Camargo Corrêa

 Aldemir Bendine pode muito bem ficar na Petrobras – na avaliação do Planalto, sua performance na divulgação do balanço foi impecável. Pode também ir para o BNDES, intenção inicial da presidente Dilma Rousseff, conforme informou o RR. Mas, talvez, o porvir de Bendine não esteja nem de um lado nem de outro da Avenida Chile e muito menos no próprio governo. O executivo do momento teria uma proposta da iniciativa privada para um ponto futuro: Bendine iria para a Camargo Corrêa com a tarefa de comandar a reconstrução de um dos maiores grupos empresariais do país. Guardadas as devidas proporções, após conduzir o processo de higienização da Petrobras, ele replicaria a missão na outra face da Lava Jato, dedicando- se a  reestruturação de uma das empreiteiras protagonistas do escândalo.  Aldemir Bendine é um craque sob os mais diversos aspectos. Em quase cinco anos na presidência do Banco do Brasil, enfrentou dois episódios espinhosos que poderiam ter lhe custado o cargo. Em 2010, Bendine foi questionado pela aquisição de um imóvel no interior de São Paulo, no valor de R$ 150 mil, pagos em dinheiro vivo. No ano passado, num caso ainda mais rumoroso, veio a  tona o empréstimo de R$ 2,7 milhões do BB a  socialite e empresária Val Marchiori, amiga pessoal do executivo. Em ambos os casos, Bendine mostrou ter o corpo fechado. O placar de momento na Petrobras marca dois a zero a favor de Bendine. Em apenas um bimestre a  frente da estatal, o executivo conseguiu fechar o valor da baixa contábil decorrente dos episódios de corrupção e apresentar o balanço de 2014. O artilheiro Bendine já prepara o próximo chute, leia-se o anúncio de um programa de investimentos mais enxuto, adequado a s circunstâncias e ao próprio processo de desmobilização de ativos da estatal. Sai de cena a versão anterior, marcada por cifras demasiadamente anabolizadas e inexequíveis, e surge, em seu lugar, um plano de negócios factível, em linha com a realidade e com o choque de gestão em curso na estatal. Trata-se de mais um movimento que tem tudo para cair no gosto do mercado. E, no placar da Petrobras, lá estará: três a zero para Bendine. Não é a  toa que a Camargo Corrêa teria uma camisa a  sua espera.

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05.05.15
ED. 5113

Cadeira elétrica

Um raro momento de convergência entre a AES e o BNDES, sócios da Brasiliana: Jerson Kelman, presidente da Sabesp, é o nome de consenso para comandar a AES Eletropaulo. O atual nº 1, Britaldo Soares, está desgastado junto aos norte-americanos e ao próprio banco.

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28.04.15
ED. 5109

União Química e Biolab acirram litígio entre irmãos

O sonho de João de Castro Marques, um dos nomes mais importantes da história da indústria farmacêutica nacional, era deixar uma empresa para cada um dos seis filhos. Para três deles, no entanto, ainda que involuntariamente, acabou entregando uma bomba-relógio. O contencioso entre os irmãos Fernando, Cleiton e Paulo de Castro Marques – que, desde 2008, duelam nos tribunais devido ao descruzamento de suas participações nos laboratórios União Química e Biolab – ganhou um novo capítulo. Acionista do Biolab, com 27,5%, Fernando estaria tentando barrar, na Justiça, os dois principais projetos em curso na companhia, controlada pela dupla Paulo e Cleiton. Seu objetivo seria suspender a construção de uma fábrica em Minas Gerais, orçada em R$ 200 milhões, e a participação do Biolab no Orygen, laboratório de biotecnologia criado nos tubos de ensaio do BNDES. As tensões entre os irmãos vêm de longa data. No entanto, a presença do patriarca sempre impediu que o vulcão entrasse em erupção. Após o falecimento de João de Castro Marques, em 2005, a lava começou a escorrer e logo chegou a  Justiça. No momento, quem trabalha para esquentar a temperatura é Fernando de Castro Marques. Para ele, os investimentos na fábrica mineira e no Orygen seriam lesivos ao Biolab. Fernando argumenta ainda que os dois projetos teriam sido feitos a sua revelia. Pelo acordo de acionistas do Biolab, o empresário tem direito a veto sobre qualquer desembolso superior a R$ 20 milhões. Ou melhor: tinha. No fim de 2012, Cleiton e Paulo conseguiram, na Justiça, afastar o irmão da gestão da companhia. Para Cleiton e Paulo de Castro Marques, é como se Fernando tivesse colocado um bode na sala com o intuito de cobrar caro para tirá-lo. Por cobrar entenda-se o dote exigido pelo empresário para entregar aos irmãos sua fatia no Biolab. Mas, afinal, quanto vale o caprino? Há dois anos, Cleiton e Paulo ofereceram o equivalente a US$ 70 milhões pela participação de 27,5%. Fernando teria exigido algo próximo de US$ 600 milhões. Procurado, Fernando de Castro Marques informou que “não detém qualquer poder de veto, enquanto sua participação na Biolab estiver suspensa por determinação judicial.” O empresário garantiu ainda que não tem interesse em vender sua participação na Biolab. No outro lado da moeda, haveria também divergências em relação ao valor da participação de Paulo e Cleiton de Castro Marques na União Química, controlada por Fernando. A dupla é dona de 35% da empresa. Aliás, por uma incrível coincidência – ou não, como diria Caetano – a companhia participa do capital do outro laboratório de biotecnologia criado sob os auspícios do BNDES, o Bionovis. Ou seja: basta um pequeno movimento para que Paulo e Cleiton respondam a  manobra jurídica de Fernando no melhor estilo olho por olho, dente por dente, brecando a participação da União Química no projeto.

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23.04.15
ED. 5106

Esteves, BNDES e as tetas da traição

 O banqueiro André Esteves está sendo chamado de assador de porcos entre os técnicos do BNDES – uma alusão a uma fábula de origem espanhola que ficou célebre após ser citada na publicação argentina “Juicio a la escuela”, de 1976. Os funcionários do banco nunca simpatizaram com o estilo predador do dono do BTG. Mas agora ele teria passado dos limites. Esteves detonou a agência de fomento, chamando a instituição de “um monstrengo que beira o disfuncional”. Disse que o “uso dos recursos deve ser represado” e que estaria “menos preocupado com a qualidade técnica e até com casos de corrupção do que com o tamanho do BNDES”. No banco, o mínimo que se diz é que o banqueiro é um bufão – não confundir com porcão. A dinheirama que ele queria tirar para si não vale para os outros. Quem não se lembra da tentativa de Esteves de juntar o Pão de Açúcar com o Carrefour com o dinheiro – de quem? – do BNDES. E da rocambolesca operação de fusão da EBX com a Vale, igualmente envolvendo o capital do banco.  Esteves é o personagem certo para a fábula do porco assado. Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os donos dos animais, acostumados a comê-los crus, experimentaram e acharam a carne assada deliciosa. A partir daí, toda a vez que queriam comer porco assado incendiavam um bosque. O BTG, como se sabe, bem que tentou assar alguns projetos emporcalhados no BNDES, mas o banco, que obedece a critérios técnicos, não deixou Esteves queimar o bosque. Até surgir a oportunidade de torrar um novo suíno, o banqueiro vai mandar a ripa no lombo do BNDES.

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14.04.15
ED. 5100

Investigação do Cade afeta o sistema nervoso do Cristália

Não há dose de benzodiazepina capaz de aliviar a tensão de Ogari Pacheco, dono do laboratório Cristália. Nos últimos dias, o empresário circula irritadiço pelos corredores da companhia em Itapira (SP). Pacheco parece ter mergulhado num quadro de delírio persecutório: de velhos colaboradores a concorrentes, de autoridades do governo a históricos aliados políticos, culpa a tudo e a todos pelo escândalo que bateu a  porta do Cristália, investigado pelo Cade por sua suposta participação em um cartel para a venda de medicamentos em licitações públicas. O empresário enxerga conspiração em tudo a sua volta. Paranoia ou não, seu destempero é compreensível e pode ser traduzido em cinco letras: BNDES. As denúncias contra o Cristália vieram a  tona em um momento nevrálgico das tratativas com o banco para a obtenção de um financiamento de R$ 300 milhões, no âmbito do Profarma – programa de apoio a  indústria farmacêutica. Pacheco, que já dava os recursos como favas contadas, está vendo o empréstimo evaporar feito éter. Nas últimas semanas, o BNDES deu uma meia trava nas negociações com o laboratório. No banco, já se fala na suspensão de qualquer acordo com o Cristália até que o Cade conclua suas investigações. Procurado pelo RR, o laboratório disse que tomou conhecimento das denúncias pela imprensa e ainda não “recebeu notificação do Cade”. Já o BNDES informou que só se pronuncia sobre “projetos já contratados”. Caso se confirme, a negativa do BNDES representará um duro golpe para Ogari Pacheco. Sem os recursos do banco, boa parte dos mais de 20 projetos em andamento no Cristália para a produção de medicamentos biotecnológicos poderá voltar para o fundo da gaveta. Será uma brusca freada para uma empresa que, nos últimos anos, só fez acelerar. As acusações de formação de cartel e combinação prévia de preços com outros 14 laboratórios batem justamente naquele que foi o grande motor de arranque da companhia: a estreita relação com o setor público. Há cinco anos, o Cristália não faturava sequer R$ 600 milhões. Em 2015, suas receitas devem superar a marca de R$ 1,8 bilhão. Mais de 70% deste valor vêm de contratos com o governo. No mesmo período, aliás, o número de patentes sob registro da empresa pulou de pouco mais de 30 para quase 80 licenças. O Cristália também chama a atenção no setor pelo colar de PPPs com laboratórios e centros de pesquisa estatais, uma parte expressiva fechada durante a gestão de Alexandre Padilha no Ministério da Saúde. A proximidade com o poder ajudou a construir a fortuna e, sobretudo, a fama de Ogari Pacheco. Para o bem e para o mal.

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27.03.15
ED. 5089

Para inglês ver

Tirar Thomas Traumann da Secom e colocá-lo na comunicação da Petrobras é mais ou menos como se o governo apeasse Guido Mantega do Ministério da Fazenda e o remanejasse para o BNDES. Se tudo se resume a uma dança das cadeiras, Dilma bem poderia ter mandado Traumann para o lugar de Aloizio Mercadante.

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18.03.15
ED. 5082

Editora Abril tem candidato para a Petrobras

 Dependendo de onde parte a versão, o ex-presidente da Abril Mídia, Fabio Barbosa, foi simplesmente demitido ou saiu com o objetivo de se preparar para o eventual troca troca que se prenuncia na Petrobras e no BNDES. As análises combinatórias são múltiplas. Barbosa, que já foi do Conselho da estatal, poderia ir para o lugar de Aldemir Bendine. Este, por sua vez, assumiria o posto de Luciano Coutinho no banco. Numa outra configuração, o exn º 1 da Abril iria diretamente para o BNDES, em substituição a Coutinho. Só uma hipótese está descartada: Fabio Barbosa voltar para a Abril.  Ressalte-se que o próprio Lula gosta muito de Fabio Barbosa, que já esteve cotado para assumir a Fazenda e o BC em diferentes momentos da gestão petista. Por outro lado, não custa lembrar que Barbosa estava ao lado de Giancarlo Civita quando Veja publicou, no fim de semana do segundo turno das eleições, a polêmica capa “Eles sabiam de tudo”. Entre tantas interrogações, há ao menos duas certezas: as mudanças só começarão quando Bendine entregar o fatídico balanço da Petrobras; assim como é garantido que, ainda neste ano, pelo menos uma das duas presidências, a da Petrobras ou do BNDES, terá outro nome. Garantido mesmo? Bem, a esta altura, não há sequer garantia de que a presidente Dilma Rousseff irá concluir seu mandato.

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24.02.15
ED. 5066

Luciano Coutinho fica, mas não fica no BNDES

 A confirmação de Luciano Coutinho na presidência do BNDES é mais uma medida protocolar para manter a autoridade do titular do banco do que uma garantia efetiva da sua permanência. Coutinho quer sair e já comunicou sua decisão a  presidenta pelo menos duas vezes. Trata-se, contudo, da mais boa cepa do serviço publico. Atendeu a Dilma e esperará mais um tempo pela liberação. Que ninguém aposte, no entanto, em um prazo superior a um ano ou próximo disso para sua desincompatibilização. O minueto dançado entre Luciano Coutinho e Aldemir Bendine prevê passos mais rápidos. Se nenhum dos dois escorregar e cair no chão antes, Coutinho voltará para casa por volta dos festejos setembrinos. Bendine, por sua vez, iria dar as cartas no BNDES. Afinal, nem Dilma Rousseff acredita que ele tenha perfil para poucos mais de 1.400 dias de gestão da Petrobras, mais ou menos o tempo do seu mandato na Presidência da República. Dilma está convicta de que Bendine tem fragilidades para o exercício do atual cargo, mas é com ele que pode contar neste deserto de pretendentes. Pode não ser o homem certo no lugar certo, mas é o homem possível. Um craque para a  presidência da estatal ainda não foi achado; os que foram recusaram. No futuro, o anúncio de um super-executivo pode ajudar na recuperação da imagem da empresa. Ou, quem sabe, Bendine surpreende todas as expectativas. Coutinho, com certeza, é o homem certo no lugar certo, mas já deu sua cota de contribuição a  exaustão.

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23.02.15
ED. 5065

Concessões rodoviárias trafegam sobre o meio fio

A Operação Lava Jato não está sozinha. Uma conjugação de fatores ameaça jogar para o acostamento as licitações de rodovias realizadas pela ANTT em 2013 e 2014, tão festejadas por Dilma Rousseff. Há um risco real de defecções por parte dos investidores e, no limite, até mesmo de revisão ou cancelamento dos leilões. Os buracos na pista começam pelo funding dos projetos. O BNDES assegurou o financiamento de até 70% dos investimentos obrigatórios previstos no edital. Até agora, no entanto, não há qualquer compromisso contratual firmado entre os concessionários e o banco. Por ora, os consórcios vencedores da licitação receberam do BNDES apenas um term sheet, com as condições previstas para o desembolso dos empréstimos. Ou seja: tudo ainda está somente no campo das boas intenções. E boas intenções não pagam máquinas e equipamentos, fornecedores, cimento, operários etc. Outro fator de risco para a continuidade dos projetos são as draconianas condições impostas nos editais de licitação. Quando as concessões foram levadas a leilão, ainda não havia ?petrolão?, empreiteiras engessadas, dólar a  beira dos R$ 3,00, retenção de financiamentos públicos e ameaça de recessão. Tampouco havia a perspectiva de uma disparada no custo do asfalto, produto de preços administrados. No fim do ano passado, mais precisamente entre os dias 24 de novembro e 22 de dezembro, a Petrobras promoveu dois aumentos do insumo, que representaram uma alta acumulada de quase 40%. A realidade, portanto, mudou brutalmente desde o momento em que o governo definiu as regras para os leilões realizados nos últimos dois anos. Naquele momento, em meados de 2013, a exigência de duplicação das rodovias em cinco anos parecia palatável. Na atual conjuntura, tornou-se inexequível. Guardadas as devidas proporções, tal regra está para as concessionárias de rodovias assim como a obrigatoriedade de ter 30% de todos os blocos do pré-sal está para a Petrobras. Trata-se de uma exigência absolutamente despropositada para as circunstâncias, um bode que o governo colocou no meio da estrada e agora será obrigado a retirar sob o risco de assistir a  desistência de alguns investidores e, consequentemente, ao cancelamento de concessões já realizadas. O temor maior é com relação aos espécimes de menor porte. Um exemplo é o Consórcio Planalto, que arrematou a licença para operar a rodovia BR-050, entre Goiás e Minas Gerais. Nenhuma das nove empreiteiras que compõem o condomínio de investidores figura entre o primeiro time da construção pesada no Brasil. As concessionárias reivindicam também a adequação das exigências e metas de investimento a s particularidades de cada projeto. Os editais não levam em consideração especificidades e diferenças técnicas entre uma rodovia e outra. O modelo atual é uma peça monocromática, igual para todas as concessões, o que só agrava as distorções de custo. Já está mais do que na hora de o governo ouvir um velho pleito do ex-ministro Delfim Netto, para quem o Brasil deve parar de improvisar nas concessões públicas e recorrer a  moderna teoria dos leilões, com seus mecanismos de proteção para impedir que processos como esse naufraguem. Voluntarismo dá nisso: é muito buraco na estrada.

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 Para início de conversa, Aldemir Bendine não veio para ficar. O ex-presidente do BB assume o comando da Petrobras em caráter provisório. Dilma Rousseff estava dividida entre ele e Luciano Coutinho para ocupar temporariamente a direção da estatal. No fim, escolheu o primeiro, dado o entendimento de que Coutinho deverá ficar mais um tempo a  frente do BNDES – por sinal, em um segundo movimento, o mais provável é que o próprio Bendine seja deslocado para a presidência do banco. O substituto de Maria das Graças Foster entra em campo ciente de que não é o titular e que Dilma continuará procurando o nome certo. A princípio, o tempo de Bendine será apenas o tempo necessário para varrer as gambiarras contábeis e limpar o balanço da empresa. Sua missão é desacreditar o que já está desacreditado e reverter a lambança feita por Graça Foster ao divulgar, a  revelia do próprio governo, um arremedo de demonstrações financeiras. Caberá a Bendine apresentar um novo balanço, com critérios contábeis mais claros e dados que expressem a real situação financeira da Petrobras. Segundo informações filtradas pelo RR junto ao epicentro das decisões, o mais grave dos erros contidos no arrazoado de números apresentado por Graça Foster foi o índice adotado para a revisão do valor contábil dos ativos da estatal. Os escritórios a serviço da Petrobras identificaram 52 ativos que podem ter sido contaminados pelos malfeitos na companhia. Segundo os números divulgados, 21 desses projetos estavam subavaliados e, uma vez redimensionados, devem gerar um lucro de R$ 27 bilhões. Em contrapartida, outros 31 ativos teriam sido superapreciados, gerando um prejuízo de R$ 88 bilhões. Deste encontro de contas, a companhia chegou a  baixa potencial de R$ 61 bilhões. O mercado, no entanto, não consegue entender por que a estatal adotou o conceito de Capital Asset Pricing Model, que não leva em consideração eventuais sinergias entre os diferentes projetos e é mais comumente aplicado em processos de venda de ativos – o que, até prova em contrário, não é o caso. O RR ouviu três consultores integrantes do conselho fiscal de grandes estatais. O trio foi unânime em afirmar que a Petrobras deveria ter adotado o conceito do Custo Médio Ponderado de Capital (WAAC, na sigla em inglês). Neste caso, a taxa de desconto sobre o fluxo de caixa seria de 6,5% e não de 12%, como ocorreu. A pedido do RR, os três refizeram as contas e chegaram a  mesma conclusão: se a Petrobras tivesse usado o WAAC, o alardeado prejuízo de R$ 61 bilhões se transformaria em um lucro de R$ 46 bilhões. O índice de 12% aplicado pela Petrobras chama mais atenção se comparado aos padrões contábeis da própria estatal. A companhia costuma usar uma taxa média de 6,5% para calcular o nível de depreciação de suas instalações. O número é bem superior também ao custo médio da dívida da empresa em moeda estrangeira, 4,9% ao ano. Não é por acaso, portanto, que os indicadores divulgados por Graça tenham causado tanto assombro no governo. O próprio ministro Joaquim Levy não conseguiu esconder a perplexidade ao ser comunicado dos números. Segundo uma fonte da Fazenda, Levy teria dito a um de seus assessores: “Só se a Graça aplicou uma taxa de desconto com um ‘custo-propina’ que está apenas na cabeça dela”. Bendine terá a missão de decantar a contabilidade da estatal e mostrar ao mercado a Petrobras como ela é. Se cumprir tal missão, quem sabe o “interino” não se transforma em “permanente”?

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04.02.15
ED. 5055

O empresário Bernardo Gradin

O empresário Bernardo Gradin, presidente da GranBio, desfilou na Disneylândia de Davos fazendo o maior marketing de si próprio. Buscou estar em todos os lugares onde se encontravam os pesos-pesados da economia, como Luiz Carlos Trabuco, Victor Hallack e Roberto Setubal. Ficava do lado fazendo pose de industrial pós-moderno, reflexivo, mas com direito a caras e bocas. Gradin, para quem não se lembra, é um daqueles que entrou com um pré-projeto na mão e nada na outra para levantar uma grana no BNDES. O objetivo era a produção de etanol a base de palha e bagaço de cana. Até agora, a GranBio tem mais financiamento do BNDES do que fábricas efetivamente funcionando para mostrar.

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29.01.15
ED. 5051

Por que não um “Proer das empreiteiras”?

A presidente Dilma Rousseff continua sem entender o tumor que se alastra pelo país. Tratou a ameaça de um carcinoma socioeconômico com uma frase curta, destituída de consequência. A declaração da presidente da República de que as empresas envolvidas no escândalo do “petrolão” devem ser preservadas – e somente as pessoas, punidas – soou como um gesto insignificante diante da dimensão do problema. Não bastasse a Petrobras suspender todos os pagamentos com base na presunção da inidoneidade, o BNDES está fazendo exigências draconianas para a concessão de novos empréstimos. O rastilho de pólvora já margeia o setor bancário. Há projeções de que os dez maiores conglomerados empresariais do país com atuação na construção pesada somam cerca de R$ 130 bilhões em dívidas junto a bancos e ao mercado de capitais. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, registre- se que o patrimônio líquido do Itaú, o maior banco privado nacional, é de R$ 98 bilhões. As quatro principais instituições financeiras do país registraram um lucro em torno de R$ 33 bilhões em 2013. Nos próximos dias, por exigências regulatórias, os bancos terão de começar a fazer o write off e o write down daqueles débitos. Ressalte- se que, se uma determinada companhia entra em default, os passivos de todas as demais controladas do mesmo grupo econômico vencem antecipadamente. Outro dado preocupante: o estoque da dívida desses grupos econômicos no mercado de capitais doméstico gira em torno dos R$ 16 bilhões; no mercado internacional, o valor é de quase R$ 6 bilhões. Soluções? Tem circulado avidamente no setor um paper assinado pelo advogado Mauricio Portugal Ribeiro, especializado na estruturação de contratos de concessões e PPPs. Ribeiro afirma que não basta resolver a irrigação do sistema, com a liberação dos pagamentos represados na Petrobras; é preciso recapitalizar a cadeia de fornecedores da estatal. Nas palavras do RR: é necessário se criar um “Proer das empreiteiras”. Maurício Ribeiro propõe que os bancos públicos estruturem um programa de crédito, eventualmente a taxas de mercado, com uma política de garantias diferenciadas, que permita a s empresas de construção pesada rolarem suas dívidas. Defende também que as cláusulas de vencimento antecipado e de inadimplemento cruzado sejam interpretadas com “extrema parcimônia” pelos bancos, “particularmente o BNDES”. O advogado prega ainda que o governo deve manter os processos e financiamentos referentes aos contratos de concessões e PPPs já assinados. Outro ponto fulcral: diante da dificuldade circunstancial de as empreiteiras apresentarem garantias corporativas, os empréstimos deveriam ser feitos sob o modelo do project finance limited ou non recourse, que dispensa exigências mais pesadas. Todas estas medidas, ressalte-se, teriam de ser enfeixadas em um programa criado no âmbito do BNDES e de outros bancos públicos. Mesmo porque essas iniciativas são inviáveis de serem realizadas por instituições financeiras privadas. No mínimo, as propostas elencadas no paper valem como um receituário do bom senso para o governo. Da mesma forma que está fazendo um ajuste macroeconômico no melhor estilo tucano, Dilma poderia também buscar inspiração em outra bem-sucedida iniciativa do PSDB para criar o “Proer das empreiteiras”.

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27.01.15
ED. 5049

A “morte e vida joaquina” da microeconomia

A agenda microeconômica de que o Brasil precisa já deveria ter começado há um século. Em um mundo idealizado, Joaquim Levy faria imediatamente uma convocação cívica ao economista Marcos Lisboa – o tucano José Roberto Mendonça de Barros também é talhado para o cargo, mas seu custo político o inviabiliza. “Marquinhos” tocou uma espécie de gabinete de desatar nós microeconômicos durante a gestão Antônio Palocci, herdando o portfólio de ideias da chamada “agenda perdida”. Foi levado por Palocci, tal qual Levy por Dilma Rousseff, sem lenço nem ideologia, por puro pragmatismo. É bom de ouvir que a agenda micro não dói; já a macro machuca. Por isso tudo, ajuste austero deve ser amaciado com um programa microeconômico. Enquanto o “Darth Vader Levy” está mandando bala, cortando aqui e estripando acolá, esse outro rincão do Ministério da Fazenda, ou quiçá do Planejamento, estaria dedicado a trabalhar para o lado bom da força, lubrificando a engrenagem econômica, sem subsídios financeiros ou incentivos fiscais. A agenda micro desburocratizaria a economia, resgataria o programa draw back verde amarelo, ao mesmo tempo em que reduziria os entraves a s importações consideradas fundamentais para o aumento da produtividade. Livraria a Petrobras da obrigatoriedade de participação da exploração em todos os campos de petróleo. Com base na moderna teoria de leilões, simplificaria as licitações para as concessões, instituiria o project finance pleno, reestruturaria o sistema de financia- mentos do BNDES, compartilhando suas operações com a banca privada, de forma a estimular sua participação em empréstimos de longo prazo. A agenda micro iria além. Criaria um sistema de prestação de contas dos bancos públicos – BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica etc – obrigando a divulgação de argumentos socioeconômicos pelas quais estas instituições decidiram emprestar eou participar do capital de empresas. Agilizaria os licenciamentos ambientais. Levaria para o Palácio do Planalto alguns gabinetes que deveriam ser plenipotenciários, tais como o de regulação das obras e concessões prioritárias. O ex-presidente da Vale Eliezer Batista, em entrevista ao RR publicada na edição nº 4.999, disse que o gabinete da Agência Nacional de aguas (ANA) deveria ser transferido para a própria Presidência da República. Um sapecão de boas notícias permitiria a Joaquim Levy praticar as necessárias perversões sem parecer que a economia está circunscrita somente a cortes e despesas torturantes. O ministro da Fazenda, caso decida caminhar nessa direção, tem um naipe de ouro em suas mãos. Basta ir buscar o bom e velho professor Aloisio Araújo, que veste a camisa 10 nesse assunto, e os professores Ruben Penha Cysne, Roberto Castello Branco e Sergio Werlang, uma turma da FGV, que, em nome da amizade e respeito a Levy, provavelmente aceitaria colocar as mãos na massa. O Brasil só perde mais essa oportunidade para dar uma melhoria na sua produtividade se quiser. Ou se Dilma não deixar.

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30.09.14
ED. 4968

Bionovis renega seus próprios princípios ativos

 Nem superlaboratório e muito menos nacional. Os dois princípios ativos da Bionovis, empresa de biotecnologia gerada nos tubos de ensaio do BNDES, estão se dispersando. Dois anos e meio após sua criação, a companhia controlada pelo quarteto Hypermarcas, EMS, Aché e União Química está longe de uma performance que justifique o prefixo “super”. Os testes e estudos clínicos de seus dois primeiros medicamentos, o Etanercept e o Rituxamabe, estão atrasados. O mesmo se aplica a  construção do laboratório de pesquisa e desenvolvimento e da primeira fábrica. Somente em julho deste ano, o Bionovis anunciou o local dos dois empreendimentos, que ficarão no Rio Janeiro. Pôs na prateleira duas embalagens com data de validade vencida: pelo cronograma original, esta definição deveria ter ocorrido até o fim de 2012. Diante das circunstâncias, os acionistas da companhia já não fazem qualquer questão de que a farmacêutica mantenha o selo “100% nacional”. Hypermarcas, EMS, Aché e União Química entendem que a entrada de um sócio estrangeiro é fundamental para capitalizar a empresa, agregar tecnologia e acelerar o desenvolvimento de produtos. Neste caso, todas as bulas apontam para um remédio praticamente caseiro: a Merck. Oficialmente, a Bionovis nega a operação. Mas não custa lembrar que os dois laboratórios já mantêm uma parceria voltada a  produção e comercialização de medicamentos biológicos para câncer, esclerose múltipla e artrite reumatoide. Mais do que o aporte necessário para a construção da fábrica, a associação com o Merck permitiria ao Bionovis um salto na área de pesquisa e desenvolvimento. Certamente, Hypermarcas, EMS, Aché e União Química já estão tratando de buscar as bênçãos do BNDES para a operação, se é que já não o fizeram. Embora não tenha ficado com uma participação direta no capital, o banco está indissociavelmente ligado ao Bionovis. Além de “pai da criança”, é potencial financiador dos projetos da empresa, a começar pela construção da fábrica no Rio, orçada em R$ 250 milhões. A área técnica do BNDES está dividida diante da proposta de entrada de um forasteiro na Bionovis. Natural, uma vez que a presença de um sócio estrangeiro contraria a premissa do controle nacional, que pautou a criação da empresa. Ainda assim, segundo o RR apurou, dentro do banco a corrente pró-associação com a Merck leva ligeira vantagem. Os sócios da Bionovis agradecem. O temor do quarteto é que a empresa repita a saga do outro “superlaboratório” criado sob os auspícios do BNDES, o Oyrgin. Dos quatro sócios originais, apenas dois permanecem no projeto: Biolab e Eurofarma.

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03.09.14
ED. 4949

Azul é a cor mais cruel para a Embraer

 O executivo que multiplicou os resultados da Embraer e abriu novas fronteiras, entre elas o cobiçado mercado chinês, ou o dirigente que comandava a empresa em uma de suas mais humilhantes derrotas comerciais? A julgar pelas circunstâncias, a gestão de Frederico Curado será lembrada pela bipolaridade de seus feitos. A companhia está prestes a sofrer um duríssimo golpe – pessoalmente, talvez o maior dos fracassos de Curado em seus quase oito anos a  frente da presidência. A Bombardier deverá anunciar em breve um acordo com a Azul para a venda de seu jato CSeries, com capacidade para 120 passageiros. De acordo com fontes que acompanham as negociações, a operação envolve o fornecimento de até 20 aeronaves – o contrato pode passar de US$ 1,5 bilhão. Segundo o RR apurou, os canadenses já colocaram sobre a mesa garantias firmes de financiamento. Mas não são apenas as vantagens financeiras que giram esta turbina. Avião por avião, o da Bombardier é muito mais completo e com uma tecnologia mais moderna do que a aeronave montada pela Embraer. Palavra de um técnico da própria Azul. Por si só, a abertura de um canal de comunicação entre a Bombardier e a Azul já revela uma falha grave no aparato de defesa institucional da Embraer. Desde a sua fundação, a companhia de David Neeleman é praticamente um território cativo da fabricante brasileira, jamais ameaçado por seus maiores concorrentes. Das 144 aeronaves usadas pela Azul, 82 delas, exatamente as de maior porte, saíram de São José dos Campos – o restante da frota é composto por turboélices produzidos pela franco-italiana ATR. Consta que a alta direção da Embraer tomou conhecimento das primeiras tratativas entre a Bombardier e a companhia aérea no início do ano. Talvez tenha subestimado o perigo; talvez tenha sido induzida pela própria Azul a fazê-lo, ao receber a sinalização de que a empresa não faria novas encomendas neste ano. De qualquer forma, a ordem das parcelas não altera o resultado final. A Embraer está perto de ter seu espaço aéreo invadido pela maior rival. Nas últimas semanas, Curado teria batido a  porta de sempre: o BNDES. Com o apoio do banco, a Embraer poderia oferecer a  Azul um vantajoso acordo para a venda de aeronaves E-195, que concorrem na mesma faixa do CSeries. Oficialmente, o BNDES afirmou que “só comenta operações já aprovadas”. Também procurada, a Embraer negou que tenha procurado o banco para tratar do assunto. Está feito o registro. Digamos, então, que os contatos ainda estivessem por ser feitos. Neste caso, Curado acabaria jogando no colo de um acionista da Embraer uma questão comercial que ele próprio e os demais dirigentes da companhia não teriam sido capazes de resolver. Cutucaria um vespeiro justo no momento em que a abelha rainha está mais abespinhada. O momento político reduz consideravelmente a margem de manobra do banco. Além disso, no próprio BNDES, há um crescente questionamento ao peso da Embraer na carteira de crédito da instituição. Não obstante a importância da fabricante de aeronaves para a própria balança comercial, a área técnica do banco considera que o nível de exposição a  companhia já está exageradamente alto. Atualmente, a empresa soma 40% de todo o volume de empréstimos do BNDES vinculados a contratos de exportação. O imbróglio da Azul só alimentou as discussões sobre a dependência da Embraer em relação ao banco.

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20.06.14
ED. 4896

Ometto chega Á  ALL como uma locomotiva

 Para Rubens Ometto, o Cade é apenas um detalhe. Antes mesmo do sinal verde do órgão antitruste para a fusão entre ALL e Rumo Logística, Ometto já se movimenta para aumentar sua fatia no capital da nova companhia. O empresário negocia a compra da participação da Gávea Investimentos, dona de 10% da Rumo. A rigor, as ações teriam de ser oferecidas também para os demais integrantes do bloco de controle da ALL, notadamente Previ, Funcef e BNDES. No entanto, os fundos de pensão e o banco de fomento já teriam sinalizado que não estão dispostos a ficar com os papéis da Gávea. Não deixa de ser uma postura surpreendente, sobretudo no que diz respeito a  Previ e a  Funcef. As duas fundações resistiram durante um bom tempo a  associação com Ometto. Formalmente, a Gávea deverá atribuir sua saída da ALL a  maturação do negócio e a  consequente decisão de desinvestimento. No entanto, segundo informações filtradas da própria operadora ferroviária, a gestora de recursos nunca simpatizou com a ideia de associação com a Rumo, por considerar que a ALL ampliará em demasia suas ramificações na área de logística e poderá perder o foco em seu principal negócio. Consta que foi contrária também ao excesso de poder com que Ometto chegou a  companhia. Por mais paradoxal que possa parecer, poder que ela própria aumentará caso venda suas ações ao empresário. Mas aí já não será mais um problema dela, mas, sim, dos demais acionistas da ALL.

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22.11.13
ED. 4783

Esteves acha um atalho para o Banco Votorantim

 É impressionante como Eike Batista, ou melhor, como a débâcle de Eike Batista faz bem a André Esteves. O banqueiro foi muito bem remunerado para ser adviser de uma reestruturação que sequer chegou a entregar. Só na venda da MPX, teria embolsado aproximadamente R$ 50 milhões, isso para não falar do valor intangível do acesso a s mais intestinas informações do Grupo EBX – um conhecimento que pode ter mil e uma serventias. No entanto, nessa curiosa e bem recompensada convivência, o maior dos ganhos obtidos por Esteves não deverá vir pelo seu figurino de conselheiro. Por vias transversas, Eike tem tudo para ser o responsável pela consumação do maior e mais cobiçado projeto do banqueiro: ser sócio, a um só tempo, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. O “X” da questão é a execução da garantia dada pelo Banco Votorantim ao empréstimo de US$ 228 milhões do BNDES a  OSX. Ao que tudo indica, o pagamento da carta-fiança, anunciado nesta semana, foi a gota d’água na conflituosa sociedade entre o BB e os Ermírio de Moraes, sócios no Votorantim. O desembolso dos US$ 228 milhões praticamente aniquilou qualquer possibilidade de o banco fechar o último trimestre do ano no azul e interromper a longa sequência de prejuízos. Somando-se os balanços de 2011 e de 2012, as perdas chegam a impressionantes R$ 2,2 bilhões. Nos noves primeiros meses deste ano, o déficit acumulado é de R$ 633 milhões. Ressalte-se que a direção do Votorantim teria aprovado a concessão da carta-fiança sem a anuência do BB. O resultado não poderia ser outro. Segundo fontes ligadas a  instituição, a situação acicatou de tal forma o relacionamento entre as partes que já se dá como certo o rompimento – leia-se a saída dos Ermírio de Moraes, que, aliás, querem deixar esse barco não é de hoje. Neste caso, todos os caminhos levam na direção do BTG Pactual. Há tempos que André Esteves se movimenta para fincar sua bandeira no Votorantim – ver RR edição nº 4.374. Desta forma, o dono do BTG fecharia seu tão sonhado Grand Slam bancário, tornando- se parceiro da Caixa, por meio do Banco Pan (o antigo PanAmericano), e do BB, no Votorantim. A partir daí, as derivações não têm limite. Esteves poderia, por exemplo, criar uma holding onde penduraria suas participações nos dois bancos. O passo seguinte? Bem ao estilo do BTG, que tal um IPO desta futura empresa? O disfarçado incesto da banca pública – o banqueiro privado fecha os vértices do triângulo com o BB e a CEF – deixará André Esteves em posição privilegiadíssima no setor. A interseção societária com o BB e a Caixa significará o acesso a dois dos maiores canais de distribuição do varejo bancário no Brasil: a dupla soma mais de oito mil agências. A operação, diga-se de passagem, viria em um momento oportuno. O Pan não é o sofrido Banco Votorantim, mas o BTG também tem suado para colocar a casa em ordem. Um caso emblemático é área de crédito imobiliário. Nem mesmo a coabitação societária com a Caixa tem sido suficiente para alavancar o negócio. Muito pelo contrário. Nos últimos meses, o Banco Pan reduziu a oferta de recursos e adotou critérios mais rigorosos para a concessão de empréstimos, inclusive com a suspensão de uma leva de contratos que já estavam pré-aprovados.

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06.09.13
ED. 4729

Pouso forçado

David Neeleman, dono da Azul, teria voltado a bater na porta do BNDES em busca de apoio para a compra da TAP. Mais uma vez, encontrou o sinal vermelho. Procurada, a Azul nega o interesse na TAP. Já o banco não quis se pronunciar.

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20.02.13
ED. 4590

Caixa Econômica cria um clone da “BNDESPar”

 O que veio ao mundo apenas e tão somente como uma inusitada solução para um problema de ordem fiscal e contábil da Caixa Econômica Federal (CEF) está se revelando o ponto de partida para o surgimento de um espelho, ainda que embaçado, da BNDESPar. A direção da CEF discute a criação de um braço de participações nos moldes do musculoso tentáculo do BNDES. A proxy desta nova instituição é a carteira com ações de oito empresas que a Caixa herdou do próprio banco de fomento no fim do ano passado – a transferência foi resultado de uma engenhoca financeira elaborada pelo governo para concluir um aporte de capital de R$ 5,44 bilhões na CEF. Esta coqueteleira societária reúne papéis de titãs empresariais, como Vale, JBS e Petrobras, e de companhias que, embora estejam alguns degraus abaixo, são players importantes em seus respectivos setores – Cesp, Paranapanema, Romi, Metalfrio e Mangels. O governo usaria está espécie de “Caixa Participações” como mais um instrumento de capitalização da empresa nacional. Ou seja: o país passaria a ter não apenas um, mas, sim, dois grandes agentes dedicados ao fortalecimento da indústria local através do mercado de capitais. Seria o luxo do luxo em se tratando de uma nação que já tem uma instituição de fomento com orçamento superior ao do Banco Mundial, como é o caso do BNDES.  Ressalte-se que este novo braço de participações da CEF não teria qualquer ligação com a CaixaPar. A instituição foi criada em 2008, durante o governo Lula, com o objetivo de estimular novos investimentos no mercado imobiliário mediante a compra de participações em empresas do setor. No entanto, este apêndice da Caixa Econômica supurou. De um lado, não cumpriu sua missão original, pouco, ou nada, ajudando no robustecimento da construção civil; do outro, tornou-se um Frankenstein societário, ao reunir sob seu teto participações em empresas de setores díspares, como o Pan- Americano, e a CPM Braxis, da área de TI.  A criação desta unidade de participações da Caixa vai ao encontro dos planos do governo não apenas de promover o fortalecimento de grupos nacionais, mas também de tornar o mercado de capitais mais musculoso. O novo braço da CEF poderá estimular o financiamento de empresas mediante o lançamento de títulos em Bolsa, notadamente debêntures conversíveis em ações. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas, diante desta iminente duplicidade de agentes de fomento, há uma pergunta que não quer calar: como e onde ficará a fronteira entre o BNDES e a Caixa? Isso se ela existir. Vai ser, no mínimo, curioso se a CEF também decidir escolher seus próprios cavalos campeões no meio empresarial. Haja raia para tanto alazão!

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04.10.11
ED. 4259

JBS abusa do disclosure na dissimulação

 Recomenda-se ao Cade, a  Secretaria de Direito Econômico, ao Ministério do Desenvolvimento e a  CVM que leiam com atenção o comunicado ao mercado divulgado ontem pela JBS. Os irmãos Wesley e Joesley Batista, pretendentes a donos de todo o gado brasileiro, devem estar de brincadeira quando informam que qualquer ação voltada a  fusão com Marfrig e Minerva – será devidamente comunicada pelas vias oficiais, seguindo as boas práticas de governança.- Ora, é uma desgovernança cerebral achar que o governo permitirá tamanha concentração no setor. Só falta os irmãos Batista dizerem que, caso o BNDES participe, também irão comunicar ao mercado pelas vias oficiais. É o estouro da boiada!

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 A vice-presidência de agronegócio que o novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, quer ver criada no BNDES tem na verdade a função de emplacar um correligionário na estrutura do banco. É bem provável que vingue. Luciano Coutinho é um bom moço. Mas só para recordar, Fibria, BR Foods, Marfrig, JBS, Maggi, Copersucar…O BNDES já é quase um banco de agronegócio.

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07.07.11
ED. 4197

JBS e Amparo lideram corrida por ativos da Hypermarcas

 Acostumada a comprar ativos na velocidade da luz, desta vez a Hypermarcas está causando rebuliço do outro lado do balcão. Há uma intensa disputa pelas marcas Assim (linha de sabões) e Assolan (palha de aço), colocadas a  venda pelo empresário João Alves de Queiroz Filho, o ?Junior?. O que está em jogo é um duelo por duas unidades de negócio que, somadas, faturam quase R$ 1 bilhão por ano. A JBS e a Química Amparo puxaram o gatilho primeiro. Já teriam apresentado uma oferta pelas marcas. A Amparo, controlada pela família Beira, é fabricante dos sabões e detergentes Ypê. Por sua vez, a JBS, mais conhecida pela sua atuação no mercado de carnes e pela ligação umbilical com o BNDES, tem feito pesados investimentos nas áreas de higiene e limpeza. Há dois meses, desembolsou R$ 350 milhões na aquisição dos ativos do Grupo Bertin nestes dois segmentos. O páreo não se resume a  JBS e a  Química Amparo. Correm por fora a Unilever e o fundo inglês Actis. A multinacional enxerga na operação a oportunidade de aumentar seu portfólio nos segmentos de alvejantes e de detergentes em pó, caso da Assim. A aquisição da Assolan, por sua vez, seria o bilhete para a entrada do grupo anglo-holandês no mercado brasileiro de palha de aço. Já o Actis, que administra mais de US$ 8 bilhões em ativos, entrou no duelo pelas duas marcas em nome da fabricante de produtos de limpeza Gtex. No ano passado, o private equity inglês investiu quase R$ 100 milhões na compra de uma participação na companhia paulista. A intenção do fundo é usar a Gtex como ponto de partida para a criação de uma holding no setor de higiene e limpeza, transformando-a, guardadas as devidas proporções, em uma espécie de Hypermarcas de bolso. O setor de consumo é justamente a menina dos olhos do Actis no Brasil. Também no ano passado, o fundo investiu cerca de R$ 105 milhões na compra de uma participação na rede de supermercados CDS, que atua no Paraná e em Mato Grosso do Sul. A Hypermarcas espera amealhar algo em torno de R$ 700 milhões com a venda da Assim e da Assolan. A negociação faz parte da estratégia do grupo de se concentrar nas áreas de saúde e bem-estar, desfazendo- se de ativos nos segmentos de higiene e limpeza. A Hypermarcas também vai reduzir seu portfólio no setor de alimentos. No momento, procura um comprador para a marca de atomatados Etti.

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13.06.11
ED. 4180

Carne de papel

 Do economista do BNDES, Mauricio Dias David, sobre o financiamento do banco de R$ 2,7 bilhões para a Eldorado Celulose e Papel, ligada ao frigorífico JBS: ?Mas que expertise a JBS tem nesse setor? E o local do empreendimento é adequado a  exportação?? Mauricio Dias não é uma voz solitária no BNDES com relação a esses agrados feitos a  família Batista.

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31.03.11
ED. 4130

JBS Friboi revira o estômago do BNDES

 O simples comunicado de compra do Banco Matone, apenas quando o negócio já estava sacramentado pela JBS Friboi, foi entendido no BNDES como ponto final de um relacionamento que já estava prestes a desmoronar. Segundo informações obtidas junto a fontes do próprio banco, a agência de fomento não engoliu o movimento feito pela JBS, que, indiretamente, se aproveitou de subsídios públicos para comprar uma instituição financeira. Nas reuniões de diretoria do BNDES realizadas nos últimos dias, sempre que houve menção ao JBS foi em um contexto de profunda insatisfação e críticas aos controladores da empresa. Dentro do banco, os irmãos Wesley e Joesley Batista são considerados hoje péssimos parceiros tanto sob o aspecto empresarial quanto humano. A cúpula do BNDES permanece defendendo tecnicamente a consolidação dos frigoríficos, mas faz meia culpa em relação a  escolha dos dirigentes da JBS, que são chamados de “enganadores” para baixo. Os diretores da agência de fomento não têm dúvida sobre a origem do vazamento de informações tratadas com os irmãos Batista em reuniões reservadas, assim como do ponto de partida dos balões de ensaio sobre fusões e aquisições no setor. Por este motivo, há muita irritação com a recorrente divulgação na imprensa sobre o projeto de compra da Sara Lee com financiamento do BNDES. A interpretação é que os Batista estariam operando os meios de comunicação para obter facilidades do banco. O BNDES elegeu a JBS como uma companhia capaz de assumir o papel de consolidador da indústria de carne bovina, não apenas no Brasil, mas também no exterior. Mais do que isso, enxergou a possibilidade de criar um conglomerado capaz de evitar uma quebradeira de frigoríficos no país e, desta forma, conter demissões em massa no setor. Dentro do banco, no entanto, a percepção é de que o tiro se voltou contra o seu próprio peito. O que tem feito a JBS senão se aproveitar do dinheiro público justamente para aumentar as taxas de desemprego na indústria de carne bovina? A empresa costuma promover uma carnificina nas empresas que adquire. Segundo dados filtrados do próprio BNDES, quase um terço dos frigoríficos comprados ou arrendados pela companhia teria sido fechado. A compra do Matone era a gota que faltava em um copo que estava prestes a transbordar há algum tempo. Não obstante a efetiva formação de um conglomerado com inserção competitiva internacional, como previa o projeto original, diversos episódios têm estilhaçado as relações entre o BNDES e a JBS. Além do incômodo do banco em ver a empresa se valer de dinheiro público para fechar frigoríficos e decapitar funcionários, houve uma questão fulcral para o azedamento da convivência entre ambos. O grupo não efetuou o IPO da JBS USA, como previa o acordo pelo qual o BNDES subscreveu quase a totalidade dos R$ 3,4 bilhões emitidos pelo grupo para financiar a compra da Pilgrim’s. Após desgastantes negociações, a companhia pagou cerca de R$ 521 milhões aos debenturistas como multa pela não abertura de capital da subsidiária norte americana. Ainda assim, no BNDES, ficou a sensação de que os controladores da JBS agiram no limiar da boa-fé com o deliberado intuito de forçar a conversão das debêntures e, consequentemente, o aumento da participação do banco no capital da empresa.

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04.10.10
ED. 4020

JBS corta na carne e decepciona o BNDES

 A JBS Friboi será mesmo um cavalo vencedor ou uma aposta de duvidoso retorno? O BNDES procura uma resposta para o enigma. O que está em xeque é a própria política de crédito do governo para o setor. Não obstante ter possibilitado a criação de um potentado na área de carnes e alimentos industrializados, o fortalecimento da JBS via empréstimos do banco não tem gerado os efeitos esperados, notadamente no que diz respeito ao seu impacto social e ao funcionamento do próprio mercado. Segundo uma fonte do “BNDES profundo”, onde reside a essência do corporativismo da instituição, há setores do banco decepcionados com os procedimentos da JBS. A leitura é que o abate de frigoríficos e de trabalhadores tornou-se a especialidade da companhia.  Quase um terço das unidades compradas ou arrendadas pela JBS nos últimos dois anos teria sido desativado ou estaria com a produção parcialmente suspensa. De acordo com números filtrados junto ao próprio BNDES, o grupo teria demitido até 15% dos trabalhadores das unidades de abate incorporadas no mesmo período. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a JBS Friboi informou que, entre 2007 e 2010, passou de 21 para mais de 90 plantas industriais, “aumentando o quadro de colaboradores de 18 mil para mais de 50 mil”. A JBS, no entanto, tem feito sucessivas demissões nos últimos meses. A degola mais recente ocorreu há cerca de três semanas. Dispensou metade dos 700 funcionários de seu frigorífico localizado na cidade de Cáceres (MT). A expectativa na região é que os demais trabalhadores sejam demitidos até o fim do mês, com o fechamento definitivo da unidade de abate. O episódio ganhou contornos políticos e eleitorais. O governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, candidato a reeleição com o apoio do PT, pediu a intervenção do governo federal para evitar a desativação das instalações em Cáceres. O impacto local será considerável. Com o fim das atividades, cerca de R$ 500 mil mensais vão deixar de girar na economia da região. Cáceres não está sozinha. Há cerca de duas semanas, a companhia demitiu quase 200 empregados em Sidrolândia (MS). Poucos dias antes, cerca de 270 trabalhadores das cidades paulistas de Barretos, Lins e Andradina também foram mandados para a fila do seguro-desemprego. Estava escrito nas regras do jogo que a consolidação do setor de frigoríficos teria como efeito colateral a redução do número de fábricas e, consequentemente, demissões. Era o inevitável preço a ser pago para a criação de um grande grupo brasileiro no setor. No entanto, a proporção do número de frigoríficos desativados chama a atenção. Aos olhos do BNDES, a JBS estaria adotando uma tática predatória. No banco, cresce a percepção de que o grupo tem se aproveitado da fragilidade do setor para arrendar ou comprar empresas de menor porte com o objetivo de fechar frigoríficos concorrentes em áreas estratégicas, sobretudo no Centro-Oeste. O bônus vai para a conta da família Batista, por ora a grande vencedora do páreo patrocinado pelo BNDES. Os controladores da JBS se tornaram quase plenipotenciários na formação de preços do setor. É a ditadura da escala. Hoje, de cada dez abates no Centro-Oeste, sete saem de alguma planta da empresa. Já o ônus tem sido despejado na contabilidade do BNDES, alvo de críticas cada vez mais ácidas por conta de sua política de financiamento para o setor.

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10.09.10
ED. 4004

JBS Friboi e Bertin caminham para o divórcio

Reviravolta a  vista em uma das maiores operações de fusão fechadas no país nos últimos anos: a associação entre a Bertin e a JBS Friboi. A família Bertin estaria se movimentando para entrar na Justiça com o objetivo de reaver o controle das mais de 30 plantas industriais e demais ativos incorporados a  Nova Holding, empresa criada a partir da associação com a JBS Friboi. Na prática, a retomada das operações significaria o rompimento do acordo de fusão sacramentado entre as duas empresas há um ano, que criou um grupo com faturamento anual de R$ 40 bilhões e responsável por mais de 40% do abate de carne bovina no país.  A decisão da família Bertin seria motivada por discordâncias quanto ao valuation dos ativos aportados na fusão e ao descumprimento de cláusulas do acordo, notadamente no que diz respeito a  relação de troca de ações entre as duas companhias para a formação da Nova Holding. A família Batista, dona da JBS, teria exigido um aporte extra dos Bertin para que eles assegurassem a participação de 40% na nova companhia, prevista no acordo original. Procurado pelo RR – Negócios & Finanças, o Grupo Bertin informou, por meio de sua assessoria, que qualquer pronunciamento sobre os negócios da família na área de frigoríficos cabe exclusivamente a  JBS Friboi. A JBS, por sua vez, garantiu que ?não há nenhuma pendência com o Grupo Bertin e a fusão está seguindo seu rumo conforme planejado?.  A eventual disputa jurídica e a consequente reversão da fusão mudará o status empresarial da família Bertin, que deixará de ser sócia da maior processadora de carne bovina do mundo. No entanto, o problema maior deverá cair na conta da JBS Friboi. Com a ruptura, a empresa perderia boa parte da sua estrutura fabril e cerca de R$ 11 bilhões em faturamento. Mais do que isso: o distrato representaria um downgrade do grupo como o grande consolidador de frigoríficos no Brasil, posição a que foi erigido pelo próprio BNDES. Além de a JBS perder a maior empresa que incorporou, a própria Bertin voltaria a ser um candidato potencial para a compra de ativos no setor. Caso se confirme, o imbróglio com a Bertin aumentaria o recente histórico de desavenças societárias da JBS Friboi. O grupo anda a s turras com a italiana Cremonini, que quer romper a sociedade na joint venture Inalca. A própria relação entre a família Batista e o BNDES, seu grande financiador, está abalada por compra da norte-americana Pilgrim’s. A JBS teria postergado o IPO de sua subsidiária nos Estados Unidos, a JBS USA, com o objetivo de forçar o aumento da participação do banco em seu capital ? ver RR – Negócios & Finanças edição nº 3.937.

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11.08.10
ED. 3983

Há um nervo exposto no prato do BNDES e da JBS Friboi

 Em meio a  agonia dos pequenos e médios frigoríficos nacionais e a s pesadas críticas do setor a  política do BNDES, as relações entre o banco e um de seus “cavalos vencedores”, a JBS Friboi, passam por um forte abalo sísmico. Os tremores são causados pelo comportamento de Joesley Batista, presidente e acionista da companhia. Aos olhos da própria diretoria do BNDES, o banco caminha de maneira quase inexorável para uma armadilha criada pelo empresário. Batista teria se sentado em cima do IPO da JBS USA, braço norte-americano do grupo, com o objetivo de forçar a instituição a aumentar sua participação no capital da JBS Friboi.  O impasse remonta ao início deste ano, quando o BNDES subscreveu quase a totalidade dos R$ 3,4 bilhões em debêntures emitidos pela JBS Friboi para financiar a compra da norte-americana Pilgrim?s. Pelo contrato, o grupo se comprometeu a abrir o capital da JBS USA até o fim deste ano. Com a emissão, o BNDES recuperaria parte expressiva dos recursos aportados na operação. No entanto, Batista já sinalizou ao banco que não pretende realizar o IPO. Usa como álibi as circunstâncias do mercado, hostis a  oferta de ações. Para o BNDES, não passa de um pretexto. No fim de 2009, quando o contrato foi sacramentado, a Bolsa já sofria problemas de liquidez, IPOs eram suspensos e, ainda assim, o frigorífico topou o acordo. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a JBS Friboi informou que a relação com o banco “é das mais sólidas e cordiais e não existe nenhum impasse entre os dois.” O BNDES, por sua vez, não quis se pronunciar sobre o assunto. Sem a abertura de capital, as debêntures compradas pelo BNDES serão automaticamente convertidas em ações da JBS Friboi. Há oito meses, parecia um bom acordo para ambas as partes. Hoje, é uma espada encravada na carteira de crédito do banco. Embora prevista em contrato, a operação não agrada a  agência de fomento. Sua participação da JBS Friboi saltará de 19% para aproximadamente 35%. Há hora para tudo e este talvez não seja o momento para o banco ter uma exposure tão grande em uma única empresa quando o setor está enterrado em recuperações judiciais, dívidas, fechamento de indústrias e demissões. O aumento da participação na JBS Friboi só deverá amplificar a chiadeira dos pequenos e médios frigoríficos em relação a  política do BNDES. A JBS Friboi, por sua vez, está a cavalheiro no episódio, noves fora o desgaste político. Se fizer o IPO, colocará alguns milhões de dólares no bolso. Caso contrário, manterá a JBS USA como uma empresa 100% controlada. Ao mesmo tempo, deixará o BNDES ainda mais amarrado ao seu projeto de expansão, do qual o banco tem sido o principal financiador. E, tudo isso, ressalte-se, cumprindo a  risca o contrato com a instituição.

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