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planos
12.09.17
ED. 5702

A nova colheita de Blairo Maggi

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, articula-se com a base aliada para que o projeto de lei 5243/2016, que autoriza a criação a Embrapa Tech e a associação da empresa com grupos privados, seja votado no Congresso ainda neste mês. Maggi tem tratado da questão especialmente com os líderes da bancada ruralista, como os deputados Nilson Letão (PSDB-MT) e Luiz Carlos (PP-RS). O governo conta com o voto em peso da frente parlamentar agrícola. A criação do chamado “braço privado” da Embrapa ganhou uma dimensão ainda maior por conta da estiagem orçamentária da estatal. Somente neste ano, o contingenciamento comeu quase 30% das verbas.

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A viagem de Michel Temer a Pequim abriu as portas do setor elétrico brasileiro a mais um grupo chinês. Trata-se da China Power New Energy Development, que chega para comprar usinas de energia eólica. Só para não variar deverá trazer a reboque um cinturão de fornecedores, encabelado pela Goldwin, uma das maiores fabricantes de turbinas para geradoras da China.


Durante a estada em Pequim, os ministros da Agricultura, Blairo Maggi, e da Indústria, Marcos Pereira, têm mantido tratativas com autoridades russas para investimentos em açúcar e etanol no Brasil. Uma comitiva brasileira deverá ir a Moscou ainda neste ano para dar forma aos projetos.

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04.09.17
ED. 5697

Negócio da China

Blairo Maggi foi à China para falar de grãos e carne. No entanto, o que os chineses mais querem saber do ministro da Agricultura é sobre a liberação para a venda de terras a estrangeiros.

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maggi-rr-5696
01.09.17
ED. 5696

Farelos fiscais

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, recebeu sinal verde do Palácio do Planalto para a privatização de armazéns e centros de distribuição da Conab. Literalmente, o governo está catando tudo que é grão para reduzir o rombo fiscal.

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meirelles-rr-5690
24.08.17
ED. 5690

Imposto sobre commodities ferve no tubo de ensaio de Temer

Há um balão de ensaio prestes a subir do Ministério da Fazenda na contramão da Pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Trata-se de mais uma engenhosidade tributária com o objetivo salvacionista da pátria fiscal. A proposta de ativar alíquotas do imposto de exportação sobre commodities não chega a ser um ornitorrinco, mas consegue a façanha de unir ovíparos e lepidópteros. Exemplo: o casamento pontual das ideias de Henrique Meirelles e Luiz Carlos Bresser Pereira. O abraço entre os dois seria de tamanduá, é claro.

Meirelles topa qualquer parada para equacionar o fiscal ou, no mínimo, dar a dimensão da sua gravidade. Bresser tem um projeto de equidade fiscal e ênfase na reindustrialização. A mesma medida serviria a ambos com motivações distintas, mas levaria, muito provavelmente, o ministro Blairo Maggi a deixar o governo em pé de guerra. Maggi representa o setor na forma absoluta: ele mesmo é um enclave latifundiário na Esplanada dos Ministérios.

O agribusiness tem tido o melhor desempenho da economia, o que não é pouco em um cenário de queda da atividade produtiva e desemprego nas alturas. O seu gravame é baixo em relação aos demais segmentos. Diversos países que têm uma contribuição expressiva das exportações de produtos primários (minerais e agropecuários) utilizam esse expediente. E o argumento de que a competitividade das exportações cairia é considerado balela: as séries históricas demonstram que em longos períodos de preços em alta ou em queda, o volume das seis principais commodities comercializadas pelo Brasil (representam quase 50% do total das vendas ao estrangeiro) permaneceu sempre crescente.

Em um governo quase histérico com o eventual atraso da reforma da Previdência chama a atenção de que até agora a medida não tenha sido aventada, até porque é uma decisão administrativa e, portanto, muito distante das complexas negociações para a aprovação de uma PEC. Segundo a fonte do RR, a bandeira do imposto sobre exportação das commodities será desfraldada a qualquer momento. É só esperar. A dúvida é se quem vai levantá-la não pretende apenas o logro de uma “medida calção”, que serviria somente como ameaça ou justiceirismo bufo. Melhor seria a boa luta pelo fim das renúncias fiscais e subsídios que não favorecem os miseráveis e o fim da obrigatoriedade das despesas, que permitiria a alocação racional dos recursos. A privatização fall front the sky da Eletrobras e a bexiga inchada do imposto sobre commodities são arremedos de ajuste fiscal. Fuga para trás.

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11.08.17
ED. 5681

Quem fiscaliza os fiscais?

Não é apenas pelo atual déficit de profissionais na área que o ministro Blairo Maggi tenta arrancar uma verba extra do Orçamento para contratar cerca de 400 fiscais agropecuários por meio de concurso público. As contas de Maggi já levam em consideração a razia que a delação da JBS vai provocar no efetivo do Ministério. O que tinha de fiscal e agente de inspeção no bolso dos irmãos Batista não estava no gibi.

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26.07.17
ED. 5669

Reino dos Maggi

Blairo Maggi tem sido pressionado pela família a não se candidatar em 2018. Os herdeiros o querem mais perto da gestão do Grupo Amaggi. Ou talvez mais longe da política. O busílis é convencê-lo a abrir mão de uma reeleição ao Senado, dada como certa.

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embrapa-rr-5662
17.07.17
ED. 5662

Embrapa se vira para escapar da entressafra orçamentária

A Embrapa é um dos raros exemplos de estatal em que o funcionalismo público gostaria de ser privado. A empresa tem feito o possível e o impossível para preservar seus principais projetos e até mesmo manter suas atividades de rotina. Está difícil fechar a conta com tamanha estiagem orçamentária. A dotação prevista neste ano é de R$ 3,370 bilhões.

No entanto, a Embrapa sofreu um contingenciamento de 27,48% sobre o orçamento das despesas discricionárias, número confirmado pela própria estatal. As cifras não cobrem, nem de longe, os gastos totais estimados para 2017, da ordem de R$ 3,6 bilhões. Segundo o RR apurou, o presidente da companhia, Mauricio Lopes, tem feito seguidas gestões junto ao ministro Blairo Maggi na tentativa de recuperar parte dos recursos ceifados com o contingenciamento de verbas.

Consultada, a estatal confirma as tratativas com o Ministério da Agricultura no sentido de buscar uma “possível recomposição orçamentária”. Diz ainda que tem procurado “outras formas de financiamento externo”. Uma parte dos problemas da Embrapa estaria equacionada se o Congresso ajudasse. A criação da EmbrapaTec é vista como fundamental, não apenas pelo aspecto financeiro, mas também tecnológico.

A nova subsidiária permitirá à estatal ter um braço para a comercialização de seus produtos e serviços, além de abrir caminho para parcerias com grandes multinacionais da área de agrociência. No entanto, o projeto de lei 5243/2016 caminha a passos de quelônio na Câmara dos Deputados. Havia a expectativa de que, na última quarta-feira, dia 12 de julho, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Serviços aprovasse a proposta. No entanto, o assunto foi retirado de pauta por conta do requerimento do deputado Helder Salomão, solicitando a realização de audiência para debater o projeto.

Como quase sempre, o timing dos parlamentares não bate com o do mundo real. Nos últimos dois anos, a Embrapa teve um prejuízo acumulado de mais de R$ 900 milhões. O RR apurou que as perdas projetadas para este ano já superam os R$ 300 milhões. A empresa não confirma este número, mas ressalta que seu objetivo não é “dar lucro financeiro”. A direção da estatal prefere destacar outros indicadores que refletem melhor sua importância. No ano passado, a Embrapa ofereceu ao país um lucro social de R$ 34 bilhões, “com base nos impactos econômicos de uma amostra de 117 tecnologias e 200 cultivares desenvolvidos pela empresa e por seus parceiros”, responsáveis pela geração de mais de 43 mil postos de trabalho.

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05.07.17
ED. 5654

Agenda de uma nota só

Assim que regressar da Europa, Blairo Maggi nem vai esquentar no Brasil. Em poucos dias, deverá rodar pela Ásia. A agenda, só para não variar, é uma só: Carne Fraca.

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Blairo Maggi
19.06.17
ED. 5642

Pagot, mas pode chamar de Blairo Maggi

Os depoimentos do ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa à Lava Jato prometem complicar ainda mais a situação de Luiz Antonio Pagot – e, por extensão, de Blairo Maggi. As denúncias envolvem irregularidades em obras do DNIT. Ex-secretário de Infraestrutura do MT no governo Maggi, Pagot tem um extenso currículo. Foi citado nas delações da Odebrecht pelo suposto pagamento de caixa 2 a Maggi. Em 2011, foi exonerado da diretoria do próprio DNIT após denúncias de corrupção. Sete anos antes, havia sido condenado por fraude em licitação na Secretaria de Transportes de Mato Grosso.

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07.06.17
ED. 5635

Maggi 2018: Brasília, Cuiabá ou Curitiba?

Blairo Maggi está relutante em ser candidato à presidência da República em 2018, como defende a cúpula do PP, seu partido. Pesquisa recém-chegada às suas mãos mostra que ele terá uma eleição tranquila, em primeiro turno, caso se candidate ao governo do Mato Grosso. No entanto, o risco é que nem o desejo do PP nem a sua própria vontade determinem o futuro político de Maggi. Os ventos de Curitiba sopram que o ministro da Agricultura já teria sido citado nos depoimentos do ex-governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, à Lava Jato.

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06.06.17
ED. 5634

Bênção ministerial

A Louis Dreyfus, a japonesa Zen-Noh Grain e a Amaggi, da família do ministro Blairo Maggi, costuram um megaconsórcio para disputar concessões ferroviárias. O trio já tem negócios conjuntos no Brasil na originação de grãos e no setor portuário. A Louis Dreyfus e a Zen-Noh entram com a grana. A Amaggi, prioritariamente com o sobrenome. Consultadas, as três empresas não comentaram o assunto.

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04.04.17
ED. 5592

Nova semente

Blairo Maggi tem se empenhado pessoalmente para que o Congresso aprove até junho o projeto que cria a Embrapatec. Bayer, Syngenta e outros grupos que pretendem se associar ao futuro braço comercial da Embrapa agradecem.

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31.03.17
ED. 5590

O fator Blairo Maggi

Se o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e a Polícia Federal saíram mais do que chamuscados, a Operação Carne Fraca fortaleceu a posição de Blairo Maggi. No próprio Palácio do Planalto e entre as empresas do setor, há um consenso de que o estrago teria sido muito maior não fosse a rápida reação de Maggi para amortecer o impacto da notícia, sobretudo no exterior. Logo na manhã de sábado, 18 de março, no dia seguinte à Operação, em um trabalho conjunto entre a Agricultura e as Relações Exteriores, as embaixadas do Brasil na Europa e na Ásia começaram a passar informações a autoridades de países chaves no comércio da carne brasileira, como Rússia e China. Naquele mesmo fim de semana, foram iniciadas as tratativas para a visita de Maggi a Pequim. O ministro também trouxe para si o complexo trabalho de comunicação, a ponto da Agricultura assinar conjuntamente a nota em que a Polícia Federal purga os excessos da Operação. O que também calou fundo entre o setor foi o valor simbólico da imediata declaração do ministro da Agricultura afiançando oficialmente ao mercado internacional que não havia qualquer problema com a carne brasileira.

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24.03.17
ED. 5585

Maggi, o bombeiro

O ministro Blairo Maggi está agendando uma série de visitas a países da Europa e da Ásia para desarmar a bomba acionada pela Operação Carne Fraca. Se é para ajoelhar no milho, talvez fosse o  caso de levar junto os delegados da Polícia Federal responsáveis pela trapalhada.

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16.02.17
ED. 5562

Troca de guarda

Discretamente, o Grupo Amaggi está semeando a passagem da gestão para a terceira geração da família. O eleito é Leonardo Maggi Ribeiro, sobrinho do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e atualmente no Conselho de Administração.

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agricultura-rr-5559
13.02.17
ED. 5559

Dinheiro russo pinga no agronegócio

A passagem de uma comitiva do Ministério da Agricultura por Moscou, na semana passada, teve múltiplas funções. A delegação chefiada pelo secretário-executivo da Pasta, Eumar Roberto Novacki, começou a costurar um intrincado acordo para que o governo Putin não saque da algibeira novas barreiras a produtos agrícolas brasileiros. A Rússia é useira e vezeira em criar obstáculos, notadamente à entrada de carne bovina. Ao mesmo tempo, a comitiva discutiu com autoridades locais possibilidades para investimentos russos no agronegócio brasileiro. As tratativas se iniciaram em setembro do ano passado, quando Blairo Maggi esteve na China para uma reunião entre os ministros da Agricultura dos Brics. O cardápio vai da compra de terras à produção de grãos, passando pela área de carne bovina, tudo vinculado ao fornecimento para o mercado russo. As negociações preveem o aporte de grupos privados, como a Rusagro e a Prodimex, com o apoio de agências de fomento locais.

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maggi-rr-5547
26.01.17
ED. 5547

Blairo Maggi passa a enxada na direção da Embrapa

O governo Michel Temer parece disposto a finalmente acabar com rincões da Era Dilma que ainda perduram nas estatais. Após defenestrar o quase eterno Jorge Samek do comando de Itaipu, o alvo agora é a diretoria da Embrapa, a começar pelo presidente, Mauricio Lopes, no cargo desde 2012. A tarefa está nas mãos do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que já negocia com líderes da bancada ruralista nomes para a estatal.

Consultado, o Ministério da Agricultura diz “não ter informações” sobre mudanças na Embrapa. No que dependesse de Blairo Maggi, a direção da Embrapa já teria sido arrancada pela raiz há tempos. O ministro identifica a atual gestão como um foco de resistência à proposta de venda de 51% da Embrapatec, subsidiária que está sendo criada para concentrar a comercialização de biotecnologias desenvolvidas pela empresa.

Maggi chamou a operação para si e quer concluí-la neste ano – ele negocia com a base aliada para que o Projeto de Lei no 5.243/16, que institui a subsidiária, seja votado com celeridade. A proposta andou a passos de quelônio nos últimos meses do governo Dilma Rousseff. Praticamente toda a diretoria da Embrapa remonta à Era Dilma.

Mauricio Lopes é bastante identificado com a ex-ministra da Agricultura, Katia Abreu. Já a diretora de Administração e Finanças, Vania Castiglioni, é ligada à senadora Gleisi Hoffmann. Vania, inclusive, chegou a ser investigada pela Controladoria-Geral da União por supostas irregularidades na criação da Embrapa Internacional, nos Estados Unidos. O projeto, que acabou não indo adiante, teria sido conduzido sem aprovação do Conselho de Administração da estatal. Por sua vez, o diretor de Tecnologia, Waldyr Stumpf Junior, saiu do PT do Rio Grande do Sul.

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21.11.16
ED. 5499

Dinheiro chinês I

Representantes do Ministério da Agricultura chinês virão ao Brasil em dezembro para se reunir com Blairo Maggi. Em pauta, o financiamento de projetos de infraestrutura agrícola, notadamente a construção de terminais portuários e armazéns. Será a partida no fundo de investimento agrícola de US$ 1 bilhão criado pelos dois países na recente viagem de Michel Temer a Pequim.

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08.11.16
ED. 5491

“PPP agrícola”

 O ministro Blairo Maggi está decidido a criar um novo modelo para o seguro rural, com a participação da iniciativa privada. Maggi está convocando os dirigentes de grandes tradings que atuam no país, como Cargill, Bunge e Louis Dreyfus, para discutir uma proposta.

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coffe-rr-04
04.11.16
ED. 5489

Faltam poucos grãos para o Brasil importar café

 O Brasil caminha para um “estado de sítio cafeeiro”. Os estoques públicos de café conilon, utilizado na fabricação do produto solúvel, estão praticamente esgotados: hoje, somam apenas 750 mil sacas, o menor patamar dos últimos seis anos. Com a decisão da Conab de realizar leilões quinzenais na tentativa de regular a oferta, muito provavelmente esse volume se esgotará antes do Natal. Por esta razão, é grande a probabilidade de o Brasil ter de importar café – o que, colocadas as devidas ressalvas, tem o mesmo simbolismo da imagem do país comprando banana ou melaço de cana. Essa situa- ção-limite é resultado de um blend cruel: a ação divina com a imprevidência dos homens. O Brasil vem de uma quebra de safra causada pela severa estiagem no Espírito Santo, onde se concentram as principais áreas de plantio do conilon. A colheita, encerrada em agosto, foi quase 50% inferior à do ano passado.  Junte-se às condições climáticas a ausência de uma política de formação de estoques reguladores no Brasil, problema que começou no governo Lula e se acentuou na era Dilma. O Ministério da Fazenda, por meio da Conab, praticamente abriu mão de comprar café e formar estoques para períodos de fortes oscilações na produção e no preço. Para completar a tempestade perfeita, nos últimos anos o Brasil passou a ser um exportador de conilon, estimulado pelo aumento da produção interna e pelos convidativos preços no mercado internacional. Em 2014, exportou 3,4 milhões de sacas. Em 2015, 4,5 milhões. Mais uma vez, o governo deixou o mercado correr solto, talvez fiando-se na generosidade do terroir. Àquela altura, estimativas apontavam que o Brasil alcançaria uma produção anual superior a 20 milhões de sacas por ano. Mas havia uma intempérie no meio do caminho: segundo estimativas da Conab, o Brasil produzirá na safra 2016/ 17 apenas 8,35 milhões de sacas de conilon. É exatamente a metade da demanda interna anual. Ironia das ironias: hoje há mais de um milhão de sacas de café brasileiro estocadas em Antuérpia e em armazéns ingleses. Ou seja: se bobear, o Brasil importará seu próprio grão, a preços bem mais altos.  A questão da importação divide o setor, como aponta o paper de autoria do especialista em comércio exterior Francisco Ourique, que circula no mercado. Há lobbies contra e a favor. A indústria de café solúvel é a maior interessada na compra de conilon no mercado internacional. O setor está estrangulado: seus concorrentes globais têm conseguido adquirir matéria-prima a preços até 35% mais baixos. Por outro lado, os produtores, que sempre temeram o uso das importações como fator de regulação dos preços internos, apresentam uma série de óbices à compra do produto no exterior. Alegam o risco de entrada de sementes contaminadas no país, o que, a rigor, só faria algum sentido se o Brasil abrisse a porteira para uma quantidade descomunal de café – algo que não ocorrerá. A batata, ou melhor, a xícara quente está nas mãos de Blairo Maggi. Caberá ao ministro da Agricultura decidir se vai ou não faltar café.

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 O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pretende privatizar boa parte dos armazéns e centros de distribuição da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento.

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maggi-rr-15
15.09.16
ED. 5455

Maggi transforma a Conab em abobrinha

 O ministro Blairo Maggi, da Agricultura, decidiu esquartejar a Conab e restringir ao mínimo sua atuação como reguladora de estoques de safras agrícolas. O plano desenhado por Maggi prevê a privatização de metade dos 92 armazéns da estatal e ainda zera os investimentos na construção de novas unidades. A Conab ficaria apenas com os armazéns em pontos considerados estratégicos.  A decisão tem enfrentado uma renhida oposição do titular da pasta do Desenvolvimento Agrário, Osmar Terra, que vocaliza interesses de pequenos e médios agricultores, preocupados com a perda de poder da Conab e a participação privada na regulação dos estoques. Blairo deverá levar a melhor na disputa porque conta com o apoio do ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil.

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01.09.16
ED. 5446

Santo de casa

 A Amaggi, grupo de agribusiness do ministro Blairo Maggi, tem interesse em disputar a concessão da “Ferrogrão”. Mas só se o governo confirmar o financiamento do BNDES para o projeto, orçado em quase R$ 12 bilhões. A ferrovia, de 930 quilômetros, será fundamental para o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste.

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maggi-relatorio-20
20.07.16
ED. 5415

Blairo Maggi veste o figurino de vendedor da Embrapatec

 Entre os “produtos” agropecuários brasileiros que o ministro Blairo Maggi pretende vender em seu tour pelo exterior, previsto para os meses de julho e agosto, há um em especial: a Embrapatec, a futura subsidiária da Embrapa voltada à comercialização de biotecnologias desenvolvidas pela estatal. A missão de Maggi é atrair grandes grupos internacionais da área de agrociência para se associar à nova empresa. Na mira, grupos como Bayer, Basf e a suíça Syngenta. O governo ainda estuda o melhor modelo para o acasalamento entre a Embrapatec e o capital privado, mas, a princípio, a intenção é oferecer ao mercado uma participação superior a 51%. Até porque esta é uma das premissas para a criação da subsidiária: permitir a “privatização” da Embrapa, por meio do seu braço comercial, sem que seja necessária a privatização da Embrapa.  O ministro Blairo Maggi tem se empenhado pessoalmente para acelerar a votação do projeto de lei que autoriza a criação da Embrapatec, encaminhado ao Congresso no último mês de maio, ainda no governo de Dilma Rousseff. Maggi articula com os líderes da bancada ruralista, em especial o deputado gaúcho Luiz Carlos Heinze, a tramitação da proposta em caráter de urgência urgentíssima. Para o governo, o grande ganho não virá da privatização em si da Embrapatec, mas, sim, da expectativa de que a própria Embrapa dependa cada vez menos do orçamento federal. Estima-se que a abertura da subsidiária e a montagem de uma estrutura comercial no exterior sejam capazes, já no primeiro ano, de triplicar o faturamento da estatal com a venda de tecnologias. Hoje, a Embrapa tem uma receita própria de apenas R$ 120 milhões por ano, que não cobre sequer 5% do seu orçamento, em torno de R$ 3 bilhões.

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 Extra! Extra! O chanceler José Serra tem fritado em banha fervente o ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, aquele que recebeu propostas de Alexandre Frota para melhoria do setor. Diz que Bezerra ignora a potencial contribuição da iniciativa privada e defende que as universidades deixem de ser caixa preta e tenham governança e transparência igual à das companhias abertas em bolsa.  Extra! Extra! Serra tem feito campanha junto a Michel Temer para que ele se empenhe na obstrução do projeto que regulariza os jogos de azar. Engajar o presidente da República contra o jogo é complicado, basta ver a sua vizinhança de muro. Entre os favoráveis à jogatina estão os pesos-pesados Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha e Blairo Maggi. O chanceler, com seu cabedal de ex-ministro da Saúde, acha que as doenças, vícios e casos de morte provocados pela indústria do jogo não compensam os ganhos de arrecadação. Até porque a receita para o Estado será baixa. Pelo menos é o que diz ele.  Extra! Extra! José Serra faz intriga que Henrique Meirelles entende tanto de ajuste econômico quanto o louro José, papagaio da apresentadora Ana Maria Braga. O ministro da Fazenda não estaria buscando receitas extraordinárias para redução do déficit durante o gap até a PEC do teto produzir seus efeitos. Vocifera que Meirelles trouxe a Previdência Social para debaixo da asa da Fazenda para simplesmente não fazer nada, quando essa é a mãe de todas as reformas. E envenena o ministro-banqueiro criticando como tolice o seu desdém público sobre o aumento de impostos, principalmente a Cide, que é transitória e ele vai ter de acabar usando mesmo.  Extra! Extra! O elétrico Serra confronta o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. O chanceler resolveu trazer para si um projeto por ora engavetado pelo colega de Esplanada dos Ministérios: a construção de uma hidrelétrica binacional com a Bolívia. O empreendimento, avaliado em R$ 15 bilhões, recebeu ressalvas do ministro Fernando Coelho por conta das exigências de Evo Morales de compartilhamento do controle da usina, mas com funding composto por recursos de financiamento público e privado brasileiros. Serra, no entanto, defende que o projeto seja tratado como política de Estado e inserido nos planos de integração com países vizinhos. Ele olha para o tabuleiro “diplomático energético” de forma mais ampla.  O ministro das Relações Exteriores pretende usar a usina como moeda de troca para garantir o sinal verde da Bolívia à expansão da hidrelétrica de Jirau. A ampliação depende do aumento do reservatório e do alagamento das margens do Rio Madeira no lado boliviano. Por isso, Serra já atropelou Fernando Coelho e recentemente tratou do assunto com o embaixador do Brasil em La Paz, Raymundo Magno. A estratégia é levar o projeto para ser discutido diretamente com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e levado por ele para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

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Blairo Maggi
18.05.16
ED. 5371

Um “ficha suja” a menos no governo Temer

 A nomeação de Blairo Maggi para o Ministério da Agricultura teve o empurrão de uma incrível coincidência de fatos nas esferas política e jurídica, que passou praticamente despercebida. Segundo o RR apurou, Michel Temer teria oficializado o convite a Maggi em 5 de maio, uma quinta-feira. No dia seguinte, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao STF o pedido de arquivamento do inquérito que investigava o senador no âmbito da Operação Ararath. O processo perambulava pela PGR desde maio de 2014.  Apenas dois dias úteis depois, na terça-feira, 10 de maio, o ministro Dias Toffoli acolheu o pedido do PGR e mandou para as calendas a investigação sobre a suposta participação de Maggi em um esquema de lavagem de dinheiro. Menos de 24 horas depois, o senador deixava o PR e assinava sua ficha de filiação ao PP, enquadrando-se no “sistema de cotas” do novo Gabinete. E Temer, ele próprio um presidente da República citado no “petrolão”, pôde ao menos reduzir o contingente de ministros na mira do Supremo. Já basta o trio Henrique Alves, Geddel Vieira Lima e Romero Jucá, todos envolvidos na Lava Jato.

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04.03.11
ED. 4114

Embrapa vira aríete contra sementes das multinacionais

 O governo trabalha em um projeto que pega pela raiz as grandes multinacionais da área de agrociência presentes no país, a começar por Monsanto, Bayer e Syngenta. Em jogo, a criação de uma empresa 100% nacional voltada ao desenvolvimento e a  produção de sementes, convencionais e transgênicas. O objetivo é criar uma alternativa ao oligopólio que as empresas internacionais estabeleceram no país. A companhia ficaria pendurada na Embrapa. Estão debruçados sobre o projeto o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. A proposta tem o apoio da bancada ruralista e de políticos ligados ao setor. Um dos principais interlocutores do governo tem sido o senador Blairo Maggi. O exgovernador do Mato Grosso se compromete a retomar no Congresso a antiga proposta do senador Delcídio do Amaral para a abertura de capital da Embrapa. A entrada de novos sócios, preferencialmente fundos de pensão e outros grandes investidores de capital nacional ? financiaria a criação da nova subsidiária.  Este é um daqueles projetos nos quais o governo só enxerga benefícios para todos os envolvidos. O principal objetivo é criar uma empresa capaz de concorrer e minar a primazia das multinacionais no desenvolvimento e venda de sementes, notadamente transgênicas. Hoje mais de 70% dos pedidos de patentes apreciadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) são enviados por empresas internacionais. O maior beneficiado seriam os agricultores, que passariam a ter uma nova opção para a compra de sementes. Hoje, estão praticamente na mão de três ou quatro companhias estrangeiras que estabelecem os preços do insumo e impõem draconianos reajustes anuais. O caso mais emblemático é o da Monsanto, que vive a s turras com os agricultores, principalmente nos períodos de aumento dos royalties das sementes de soja geneticamente modificadas. Entidades representativas do setor, como a Aprosoja, regularmente acionam o Ministério da Agricultura por conta da truculência com que a Monsanto conduz as negociações.  A expectativa do governo é que a nova empresa passe a arbitrar os preços das sementes transgênicas, forçando as multinacionais do setor a rever o valor dos seus royalties. Além disso, o projeto daria um novo status a  própria Embrapa, que ganharia um braço de trader com musculatura suficiente para desenvolver e comercializar sementes em outros países da América do Sul

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