Atenção!

As notícias abaixo são de edições passadas.

Para ter acesso ao nosso conteúdo exclusivo, assine o RR.

planos
19.05.17
ED. 5622

Sob medida

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que vinha se caracterizando por aparecer suado, ofegante e amarfanhado, falou ontem com a imprensa na porta da autoridade monetária, em Brasília, com o terno impecável, descansado e o rosto fresquinho feito bumbum de bebê. A exposição pública de Ilan é contracíclica.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

02.03.17
ED. 5569

BNDES asperge tristeza sobre um governo carente de contentamento

Um relatório sobre a geração de boas notícias na área econômica, com base em anotações de clipping, foi enviado para poderosas salas da Esplanada dos Ministérios. A conclusão não insinua qualquer dúvida: as notícias que emanam do BNDES são espartanas, rigorosas, sob medida para nutricionistas adeptos da dieta da inanição. O banco se vestiu de cinza quando o Ministério da Fazenda, do Dr. Meirelles e o Banco Central, do Dr. Ilan, baluartes do mau humor monetário, se esforçam para espremer do limão da ortodoxia uma limonada de medidas microeconômica e abençoar as reduções da taxa básica de juros.

O BNDES dinamitou sua ponte com o empresariado, talvez o grupo que mais decididamente tenha apoiado o presidente Michel Temer. Com a sensibilidade à flor da pele, Maria Sílvia Bastos Marques fez, na terça-feira pré-carnavalesca, uma tour de force em Brasília, com uma providencial reunião com Temer seguida de entrevista pré-combinada para divulgar o que foi dito no encontro. Os dirigentes privados, não é de hoje, reclamam que o crédito se tornou mais seletivo, burocrático e com custos mais altos, justamente quando os potenciais investidores ardem sedentos de liquidez.

A direção do banco diz que está aberta a bons projetos, mas o empresário, elevadamente endividado, operando com capacidade ociosa, com os pátios cheios de estoques e ainda com uma ponta de dúvida sobre as reformas, se ressente dos maus tratos nesse momento de calvário. Um não leva projetos porque não se sente acolhido; o outro não empresta porque não recebe projetos. Há bons argumentos para ambos os lados. O BNDES, sem dúvida, teve de limpar a casa do tsunami da gestão anterior. No entanto, parece que se empenha em demasia na cruzada contra o crédito direcionado, que precisa ser reduzido, mas sem fúria religiosa.

Caso o seu mais longevo presidente, Marcos Vianna, estivesse vivo, desempataria a questão: “Se o BNDES estiver com o caixa cheio significa que não cumpriu sua missão. Se tiver lucro maior, tem que trocar a gestão”. Não falta quem reclame que o banco, em vez de caçar empreendedores de boa cepa, preferiu adotar o discurso da opção pelo saneamento, que não cria empregos no curto prazo, só atrai empresas periféricas – que não agregam valor frente ao eleitorado – e do mesmo modo que os governantes de entes federativos vai ter de justificar a venda de ativos em condições pouco transparentes.

Talvez mais recomendável fosse a agência de fomento sair garimpando projetos de engenharia básica para congregar os empresários reclusos em torno deles. O BNDES tem R$ 100 bilhões parados em caixa, e está lá aguardando, funéreo, que algum endinheirado com um “bom projeto” o convide para empinar a pipa. Gente que normalmente não precisaria do BNDES. Maria Silvia Bastos é uma pessoa solar. Por onde passa, deixa fileiras de sorrisos. Imagina-se que ela seja detentora de segredos, que o seu timing seja diferente, que dentro das paredes envidraçados da instituição ela esteja ultimando uma reviravolta para sacudir esse banco melancólico e fomentador do desânimo. Definitivamente, não combina ver Maria Silvia comandando o órgão mais triste do país.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

06.02.17
ED. 5554

A minirreforma nas mídias sociais

A reforma microeconômica ou “minirreforma monetária” que o BC está implantando, com medidas no compulsório bancário, crédito direcionado, mudanças nas regras dos cartões de crédito etc. vai chegar às novelas de TV. Até aí, morreu Neves, porque Ilan Goldfajn já anunciou, e a TV Globo agradece encarecida. Mas a agenda da “cidadania e educação financeira” será estendida também para as redes sociais. A compreensão no BC é que hoje as redes são o veículo que melhor atinge a população em uma campanha como a pretendida. Entretanto, há problemas de comunicação a serem enfrentados: como ensinar o cidadão a reduzir o spread bancário sem culpabilizar as instituições financeiras por se apoderarem deles? E pior: como se proteger dos hackers, que podem colocar como postagem do Banco Central recomendações capazes de levar o sistema, no limite do paroxismo, a uma crise bancária? Todo cuidado é pouco com essa mídia.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

bancocentral-rr-5553
03.02.17
ED. 5553

Meta de inflação é um rio que divide o BC

O Banco Central é um coração partido quando se trata da redução da meta de inflação. Dois diretores defendem radicalmente a manutenção da meta de 4,5% pelo menos durante os próximos três anos. Um deles, inclusive, é autor de paper acadêmico sobre o assunto em parceria com ilustre professor, na qual se posiciona abertamente pró manutenção da meta. Os demais se dividem entre os hawkish (os “falcões”, radicais da política monetária) e os dovish.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, tateia com cuidado a questão. É dele a opinião de maior peso na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) programada para junho deste ano, quando será decidido, entre outros temas, o inflation target para 2019 – ou 2018, se os “falcões” atraírem Ilan para o lado negro da força. Ilan é o divisor de águas do CMN. Primeiramente, porque o BC será o operador da meta; segundo, porque os demais membros do Conselho, os ministros Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, reconhecem que Ilan entende muito mais do assunto. Até por dever de ofício, quando a reunião se aproximar ele já terá estressado o tema com os técnicos do BC, no ambiente mais abalizado para discutir o inflation target.

O lobby que ganha corpo, como sempre, é o do mercado financeiro, o mais beneficiado com a redução da meta. Mas, mesmo os “piranhas” do mercado, como diz a professora Maria da Conceição Tavares, estão parcimoniosos em relação ao target. Pedem 3% para ganhar 3,5%, com a manutenção dos intervalos de segurança. O BC projeta uma taxa de inflação de 3,4% em 2018. Uma das ideias discutidas pela autoridade monetária é reduzir em meio ponto percentual a meta, com base nas projeções de junho para a taxa de dezembro de 2017.

Se o cálculo fosse feito neste mês, quando as projeções de inflação convergem para 4,4%, o novo target seria de 3,9%. A meta mais baixa traz um potencial efeito colateral: o BC, por cautela, tenderia a reduzir o ritmo de queda da taxa de juros. As instituições financeiras agradecem. Mas do que a economia precisa no momento é exatamente de queda dos juros. Além do mais, uma diminuição brusca da meta, para 3% em 2019, ou mesmo antecipada para 2018, por exemplo, deixaria sua sustentabilidade mais frágil, na medida em que qualquer imprevisto externo ou choque nas variáveis de preços jogaria a inflação para fora do centro, suscitando nova elevação dos juros. Há ainda a questão da dominância fiscal.

Seria recomendável concluir o ajuste para, aí sim, ancorar a expectativa inflacionária em outro patamar mais consistente. E como lidar com uma inflação mais baixa do que a meta? Afinal, meta é algo a ser superado. Os agentes econômicos teriam o intervalo mais baixo, com gosto de meta, traduzindo igualmente o sucesso da política monetária. E uma oscilação pequena em torno do target não chega a ser um desarranjo, nem desancora as expectativas. O mais provável é que Ilan tope um aumento suave da meta para 3,9%, mas só a partir de 2019, conforme o calendário original do CMN. E redirecione o BC para o foco na atividade econômica e, por conseguinte, para a redução do desemprego. O lado solar da força, onde o BC há muito tempo não se faz presente.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

bancopatagonia-rr-03
03.01.17
ED. 5530

BB dança seu último tango no Banco Patagonia

O Banco do Brasil pretende vender integralmente a sua participação de 58% no bloco de controle do argentino Banco Patagonia. A direção do BB trabalha com dois modelos para a operação. O primeiro deles é uma oferta de ações na Bolsa de Buenos Aires em conjunto com os demais sócios relevantes, notadamente a família Stuart Milne, dona de aproximadamente 21% do capital.

A segunda possibilidade sobre a mesa é a venda direta da sua participação. Os espanhóis do Santander e BBVA, que têm uma expressiva presença no mercado bancário argentino, surgem como potenciais candidatos ao negócio. Procurado, o BB confirmou que, “em conjunto com alguns acionistas, avalia a possibilidade de, eventualmente, propor a realização de uma oferta pública de ações” do Banco Patagonia. Consultado sobre eventuais tratativas com o Santander e o BBVA, o banco não se pronunciou.

A venda da participação no Banco Patagonia está relacionada à necessidade do BB de melhorar os níveis de capitalização para atender às novas regras de Basileia 3. Seu índice de capital próprio é de 9,07%, segundo o balanço do terceiro trimestre. A partir de 2019, o Banco Central exigirá um patamar mínimo de 10,5%. Se não partir para a desmobilização de ativos, dificilmente o BB conseguirá atingir este piso sem um aporte do Tesouro, fato, inclusive, asseverado por recente avaliação da Fitch Ratings.

Tomando-se como base o atual valor de mercado da instituição, a participação total do Banco do Brasil equivale a algo em torno de R$ 3 bilhões. O Banco Patagonia tem o correspondente a R$ 13,2 bilhões em ativos e uma rentabilidade bastante expressiva. Os números de janeiro a setembro indicam um retorno anualizado sobre o patrimônio da ordem de 38%. Para efeito de comparação, o índice de rentabilidade do BB projetado para 2016 é de 15%.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

03.01.17
ED. 5530

Dono da Qualicorp esbanja saúde no réveillon

O sócio fundador da empresa de planos de saúde Qualicorp, José Seripieri Junior, comemorou a passagem do Ano Novo como se não houvesse outra. Júnior, como é mais conhecido, comandou uma queima de fogos na praia privê do condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, de nove minutos. Foi de tirar o fôlego!

Cada um dos condôminos locais entrou com um dízimo para fazer as festas nos céus de Angra. Entre os doadores estavam ainda o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni e o ex-presidente do Banco Safra Carlos Alberto “Bigode” Vieira. Junior foi o grande contribuidor da vaquinha fogueteira: pagou o sétuplo de cada um dos nobres vizinhos, fração correspondente às sete casas de sua propriedade no condomínio.

Todas estão à venda, pela bagatela de US$ 2 milhões, em média, cada uma. Junior deve ter rezado com fé à Iansã para que ela ajude a transformar logo seus imóveis em liquidez, proteja seu compadre Lula e espante esse encosto curitibano para bem longe. Eparrêi!

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

bancocentral-rr-30
30.12.16
ED. 5528

As variáveis que a econometria não pega

Os laboratórios de pesquisas dos grandes bancos de investimentos, independentes ou vinculados à área de research do Banco Central, em Brasília, e os nerds da academia deveriam empreender uma tour de force para testar modelos sobre as duas variáveis que podem jogar por terra a produção de cenários econômicos no Brasil. Uma delas é a crise política, um vetor nos dias de hoje completamente fora de controle. Não há econometria que consiga matematizar e capturar a dinâmica e os efeitos do Lava Jato.

Outra variável imprevisível é o impacto que as instituições “grandes demais para quebrar” – importantes empresas, estados, municípios etc. – podem ter na economia. Até há indicadores antecedentes da probabilidade de quebra, a exemplo do ocorrido com as unidades federativas, mas inexistem modelos econométricos que precisem o timing e seus efeitos macroeconômicos. O mais provável, como têm feito historicamente os economistas, é que o “too big to fail” seja sublimado dos cenários econômicos.

Haveria uma terceira variável permanentemente fora dos modelos: a hipótese do trabalhador não concordar, como um boi de orelha murcha, com certos experimentos macro e microeconômicos que lhe retiram a capacidade de pagar a escola do filho, quitar o aluguel e manter a alimentação da família. Os modelos não levam em consideração a indignação do povo.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

29.09.16
ED. 5465

Reservas cambiais ganham nova função

 O Banco Central e o BNDES estão acertando os ponteiros para utilizar parcela das reservas do país como hedge cambial. O mecanismo cambial seria restrito aos investimentos de capital estrangeiro, notadamente de infraestrutura. O governo destinaria US$ 100 bilhões para operações de hedge nos aportes de capital em projetos de economia física.  Essa medida é vista como a manifestação mais firme de estímulo aos investimentos externos em infraestrutura, ou seja, o Brasil pretende tomar riscos junto com o capital estrangeiro. A decisão também define uma antiga questão conceitual: as reservas cambiais – da ordem de US$ 376 bilhões, com um custo de financiamento elevadíssimo – devem ou não ter qualquer outra função? O hedge cambial para os investimentos estrangeiros em capital fixo é a resposta.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

30.08.16
ED. 5444

Informe

 O BC trabalha com um piso cambial informal de R$ 3,15. A partir daí, intervém.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

ilan-rr-2-04
04.08.16
ED. 5426

Ilan Goldfajn tira uma onda com Meirelles

 Henrique Meirelles é o primeiro ministro da Fazenda em décadas a colocar o galho dentro diante do presidente do Banco Central. Ilan Goldfajn deixou claro, na ata da última reunião do Copom, que é ele quem manda na política monetária. Já na política fiscal? Grosso modo, o titular do BC disse que Meirelles fizesse o seu dever de casa, pois não se sentia confortável em sinalizar com a redução da taxa de juros enquanto medidas mais robustas não forem adotadas na direção do ajuste fiscal. Meirelles já esteve sentado na cadeira de Ilan e pertenceu à dinastia rara dos comandantes do BC que tiveram status de ministro. Ele sabe o que significa o recado de “segura que o filho é teu, que o meu filho está sob meus cuidados”.  Meirelles voltou ao governo para enfeixar toda a administração da política econômica. Agora mesmo pediu para que a Secretaria do Orçamento seja transferida para sua alçada. Colocou debaixo da asa, inclusive, a gestão da Previdência Social. Quando achava que iria fazer barba, cabelo e bigode na área sob seu domínio, defrontou-se com a dura realidade: promessas poderia fazer as pencas, mas a aprovação que são elas. A PEC do Teto, tirada da cartola como solução universal, já está prevista para o primeiro trimestre de 2017, podendo ser votada apenas no segundo trimestre. A reforma da previdência é uma incógnita, até para o próprio governo. As concessões e privatizações carecem de resposta às perguntas iniciais do jornalista iniciante: O que? Onde? Quando? Como? Por que? A repatriação deve dar um caraminguá, devido a intransigências em não fazer mudanças no texto legislativo e uma comunicação inspirada nos tempos de Dilma Rousseff.  Ilan Goldfajn é um sujeito dócil. Meirelles, não. De repente pode estar enxergando que o presidente do BC é a âncora, sentado em juros absolutamente absurdos, que são vendidos como mercadoria de combate à inflação. O mercado aplaude a coerência. A outra face dos juros siderais é a insolvência do país, devido ao inchaço da dívida bruta interna que cresce na velocidade da luz – aliás, na velocidade dos juros. Para Ilan, fica fácil dizer que a insolvência à brasileira não se deve à Selic, mas, sim, aos déficits primários monumentais sob gestão da Fazenda. Meirelles diria o mesmo. Os juros não seriam causa, mas consequência. Aliás, alguém explique, neste caso, o que é causa e o que é consequência.  Dizem as najas do Planalto que a estranha intervenção do presidente interino, Michel Temer, na política do BC, afirmando que iria defender a queda dos juros, foi feita frente ao rosto escanhoado de Meirelles. Em condições de clima e temperatura diferente, o ministro da Fazenda corre o risco de encarnar um Guido Mantega soft em sua relação com Alexandre Tombini. A comparação é maldosa, pois tanto Meirelles quanto Ilan pensam muito diferente. Mas, na selva da política econômica, só há lugar para vitorioso.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

20.07.16
ED. 5415

Jurisprudência no mercador de prebendas públicas

 Enigma do mercador de prebendas públicas: se os juízes, desembargadores e ministros podem receber uma graninha para darem suas palestras sem revelar o valor, porque o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central não podem também? Há quem diga que o Judiciário está criando uma espécie de inimputabilidade branca. Segundo o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, grande patrono da medida, a divulgação de valores coloca em risco a segurança dos magistrados. Ou seja: seguindo a lógica quantitativa, quanto maior o estipêndio, maior o cuidado com a revelação das cifras. Na visão da sociedade, essa opacidade deliberada pode acabar sendo considerada um “caixa 4”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

Ilan Goldfajn
15.06.16
ED. 5390

Goldfajn dá de ombros à dominância da meta

 Se o presidente do BC, Ilan Goldfajn, inverter o sinal e topar uma meta ajustada da inflação, estará andando meio que de costas para os defensores do estado de dominância fiscal que assola a economia. E olha que é gente íntima, da sua turma. Reza o credo da dominância que a partir de certo ponto é o desajuste fiscal, com seu impacto sobre a perspectiva de solvência, quem rege as expectativas. Nessa fase, elevar as taxas de juros acaba tendo um efeito contrário do ponto de vista da política monetária, colocando mais lenha na fogueira da expectativa inflacionária. Recomenda a bula que, nesse cenário, a meta deve ser mantida ou reduzida e não ajustada para cima ou tendo o seu horizonte de tempo ampliado. O ajuste fiscal severo seria o condutor das expectativas. Os juros, inclusive, poderiam ter uma queda mais acentuada.  Ilan Goldfajn parece achar o contrário: afrouxar a meta a tornaria crível e, assim, o BC poderia aliviar nos juros, mesmo que o aperto fiscal não seja essa Coca-Cola toda. O que torna a medida mais discutível, a despeito das considerações macroeconômicas, é o dilema de Tostines criado a partir da sua aplicação: a meta não é crível porque o presidente do BC não é crível ou ela não é crível em qualquer hipótese e o presidente do BC é crível porque vai mudá-la? Se a meta é inatingível, o ex-presidente do BC Alexandre Tombini vai para o index prohibitorum das autoridades monetárias. Ilan e Armínio Fraga têm uma antiga parceria idílica com a proposta de ajuste da meta. Mas a Casa das Garças está dividida.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

10.06.16
ED. 5387

Pneumotórax

 Chamou a atenção dos presentes à posse de Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central a respiração do economista. Ilan arfava. “Parece o Darth Vader”, comentou um financista.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

fiscal
11.05.16
ED. 5366

O shampoo do Tartufo e a espuma do fiscal

 O anunciado corte de 10 ministérios no governo Michel Temer é uma “moreirice”, substantivo derivado do verbo “moreirar”. Trata-se de medida cosmética, aventada diversas vezes por Dilma Rousseff – em todas elas, a proposta foi crucificada como uma enganação. A eminência parda Wellington Moreira Franco, a quem é atribuída a feitura do hipermercado de medidas “Uma ponte para o futuro”, teria sido o mentor da estratégia de que “sendo pouco, melhor ser muito”. É uma adequação à política da prática useira e vezeira adotada por muitos pais no Natal: na falta de maiores recursos para um presente de arromba, compensa-se os filhos com um monte de bugigangas. Os ministérios de Temer já subiram, já desceram, já subiram, já desceram e pode ser que subam novamente. Tanto faz, porque o impacto no gasto público é perfunctório. Mas, pela ótica do pensamento “moreirista”, conta como uma quinquilharia a mais.  O governo Temer não vai apresentar muito mais do que aquilo formulado por Dilma – limite para gastos públicos, reforma previdenciária por idade, revisão tributária (projeto Joaquim Levy). “Uma ponte para o futuro”, elaborado como um programa para um longínquo porvir, vai se tornar uma gambiarra para o presente. Então, é preciso juntar caquinhos para que, na entrada de Temer, esse amontoado pareça um projeto épico de governo. Tudo que  parada, o RR volta atrás em tudo o que disse e ajoelha em altar para o culto do inconcluso e incumprível “Uma ponte para o futuro”. Por enquanto, Moreira vai “moreirando”. Algumas incorporações óbvias de ministérios aqui e ali, tais como Desenvolvimento Agrário e Desenvolvimento Social, para lidar com “assuntos de esquerda”, e Igualdade Racial, Direitos Humanos, Mulher e Justiça, questões que acabam desaguando no mesmo tribunal. Trocar o nome “concessão” para “privatização”, com a desmobilização efetiva de alguns ativos e entrega permanente da propriedade para os concessionários, é uma medida que não engana nem os tucanos, para quem aparentemente ela foi bolada. E retirar o status de ministro do presidente do BC é um kryptomaquiavelismo. Ah, faltou a criação de uma pasta de Moreira para Moreira, o estratego. Repita-se, portanto, o mantra: enquanto o ajuste fiscal não for ungido pela água benta do voto, ele será insuficiente. No máximo, será uma “moreirada”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

05.05.16
ED. 5362

Fora de hora

 Primeira bobagem do autodeclarado presidente Michel Temer: anunciar que trocará os presidentes do BC, do BB e da Petrobras, “um daqui a um mês, outro um pouquinho mais”. Com a declaração, ele desautoriza os atuais executivos e deixa a gestão meio acéfala. E fica sempre a dúvida se um mês pode virar dois meses, e um pouquinho mais um tempinho.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

18.03.16
ED. 5330

Tombini

 Na última quarta-feira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, garantiu a sua diretoria que se houvesse uma decisão de venda das reservas cambiais abandonaria o cargo. Mas não precisou nem se mexer na cadeira. No mesmo dia, Dilma Rousseff assegurou que as reservas não seriam usadas e confirmou que Tombini permaneceria no posto.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

17.02.16
ED. 5308

Zelotes trisca nos calcanhares de André Esteves

  O banqueiro André Esteves corre o risco de sentir saudades da Lava Jato. No lugar desta primeira experiência supostamente criminal da sua vida, entraria a Operação Zelotes, com muito mais nitroglicerina do que a antecedente, responsável pela temporada de Esteves no cárcere. A fonte do RR é um lobista que tem colaborado com a Zelotes. Segundo o informante, o balcão de interesses do ex-dono do BTG seria amplo. Nele caberiam medidas provisórias sob encomenda, incluindo setores diversos além da área bancária, facilidades para a compra do Bamerindus e um balaio de créditos podres carregados pelo Banco Central. Os procedimentos incestuosos incluiriam até o Banco Pan, uma aquisição que não se revelou um bom negócio, mas vinha indexada a um pacote de futuras oportunidades. Esteves era somente a ponta financeira dessa ramificação da Zelotes. A carta que fechava a canastra na partida seria o ex-ministro Guido Mantega, principal interlocutor, confidente e, digamos assim, facilitador do ex-todo-poderoso banqueiro.  Não é de hoje que Mantega vem sendo cozido em banho-maria pelos procuradores e policiais. Ele tem ligações com vários casos, ainda em fase de investigação. Mas, quando se fala em André Esteves, dificilmente as linhas de um e de outro deixam de estar embaraçadas. Uma dessas simbióticas operações é um fundo aparentemente prosaico criado pelo Ministério da Fazenda para investimento nos países da África, cuja exigência para sua criação era a presença do BTG como gestor. O caso está sob investigação.  Em um tempo de impunidade, no qual o limite da separação entre os interesses do setor público e do privado era extremamente flexível, as relações entre Esteves e Mantega até podiam ser compreendidas como uma assessoria informal visando à colaboração com o Estado. Sob esse prisma não haveria nada de mais na frequência exagerada de encontros entre ambos, inicialmente, em restaurantes discretos, mas depois abertamente, inclusive no badalado Fasano. Ocorre que essa licorosa versão não era verdadeira. Esteves não era um generoso assessor de Mantega. E Mantega não estava somente em busca de bons conselhos. O sumo dos interesses entre ambos é o que a Operação Zelotes está tentando espremer com suas averiguações.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

22.01.16
ED. 5293

O dia em que o Banco Central virou Geni

 O Banco Central só é autônomo quando joga a taxa de juros para cima ou faz o que o mercado quer. O comentário de véspera de Alexandre Tombini sobre as projeções do FMI foi tido como heresia. Ele sinalizou a manutenção das taxas, atirando uma boia salva vidas para que todos se socorressem. Talvez fosse melhor que a autoridade monetária fizesse como em muitas outras gestões e apostasse contra o mercado. Mesmo salvando a pele dos rentistas, levou pedrada. O BC foi também chamado de ginasiano e mentecapto. Ora, não é o departamento econômico do Banco Central que é incompetente porque não acompanhou as projeções do FMI. O Fundo, como se sabe, já errou previsões a dar com pau, e até pode fracassar nessas também. Mas o fato gerador de expectativas – números muito ruins e, afinal, o FMI tem lá sua importância para os formadores de preço – forçou o BC a se expor antes do Copom. Foi essa partitura de desarranjo econômico que levou a instituição a alterar os sinais anteriores dados através do seu relatório de inflação e da carta ao ministro da Fazenda.  Mau que o comunicado tenha sido um dia antes da reunião do anúncio da decisão do Copom. Mas não tinha jeito: foi nessa data que o Fundo divulgou seu relatório, e é nessa data que o comentário teria de ser feito. Noves fora o FMI, o BC considerou que elevar a taxa de juros nesse ambiente recessivo seria uma roleta russa. Com a política fiscal ainda frouxa, câmbio em alta e o componente inercial que segura a queda da inflação, a autoridade monetária corria o seguinte risco: jogar os juros em 14,75% e o PIB cair 3,8% neste ano; depois, na reunião do Copom, em março, subir para 15,25%, e o PIB cair mais de 4%. E neca da inflação descer. Ocorre que a Selic atual, mesmo mantida, ainda aprofundará a recessão. Portanto, há uma enorme probabilidade de os preços se retraírem com esses juros que estão aí, ou – por que não? – ainda menores. A banda de música do Focus sabe disso. Só fez chororô porque foi contrariada. E a pedra já tinha sido cantada pelo RR, nas edições de 5 e 12 de janeiro. Não custa lembrar que, no dia 6 de janeiro, o jornal Valor Econômico, porta voz qualificado do “mercado”, publicou em larga manchete de primeira página que o BC poderia dar um cavalo de pau nos juros, aumentando a Selic em somente 0,25 ponto percentual ou estacionando a taxa. A inflação, como diria Friedman, é, sem dúvida, um problema monetário. Mas os juros são que nem a saúva: destroem tudo. O BC agiu de forma gradualista e oportuna. Ponto para Tombini.  Obs: O RR acha o cúmulo do provincianismo uns homens adultos, de barba e terno e gravata, se referindo às decisões do BC como Hawkish ou Dovish, como se estivessem brincando de Wall Street.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

12.01.16
ED. 5285

Libações monetárias e obsessões perigosas

 Em um ambiente de desequilíbrio político-institucional, a autonomia preconizada para o Banco Central e o próprio regime de “expectativas racionais” – principal sustentação do inflation target – ficam parecendo a quadratura do círculo. Ao que consta, o BC “bravateiro” e dogmático funciona bem em situações de ditadura e ciclos de boom das commodities. Recomenda a sabedoria que a comunicação da autoridade econômica deve considerar que o racional precisa ser crível. A política monetária que vem sendo praticada pelo BC é o que se poderia chamar de contrafactual. Para maior efeito do discurso, seria necessário compatibilizar a história virtual com os fatos presentes. Não se trata de julgar se a autonomia do guardião da moeda é boa ou má, mas se ela é possível nas condições atuais. Ninguém defende um BC desautorizado pelo ministro da Fazenda ou pelo próprio presidente da República, mas, sim, em harmonia com as linhas gerais das políticas de governo e sintonizado com a realidade psicossocial do país.  O Federal Reserve, referência permanente do nosso complexo de vira lata, considera o emprego uma variável a ser buscada pari passu com a queda da inflação. É bem verdade que a estrutura de controle monetário dos norteamericanos é completamente diferente: existem os FEDs regionais, privados e controlados por banqueiros. Mas, no final, embrulhados os secos e molhados, tudo se reflete no nível da taxa de juros. Há vasta literatura sobre o poder de fogo dos juros elevados no combate à carestia. Genocídio, epidemias, recessões brutais e arrocho salarial também reduzem a inflação.  Exageros à parte, é sobejamente conhecida na academia a tese de que há momentos em que a teoria monetária é dominada por determinado quadro sistêmico. Um dos mais festejados artigos do papa das expectativas racionais Thomas Sargent, a “Aritmética perversa da política monetária”, teoriza sobre situações extremas, em que a política monetária se torna inócua, quando os juros acabam pressionando ou a base monetária ou o déficit fiscal. Nesse contexto, os relatórios criptografados do Copom ou mesmo o truísmo de que o BC tem sob seu controle a taxa de juros e fará o que for possível para trazer a inflação para a meta padecem de um certo autismo, na medida em que o cenário político-institucional e o ambiente social são os verdadeiros agentes das expectativas racionais. Imaginar que o BC fará o que diz a ferro e fogo, pelo menos neste momento, é semelhante a apostar no poder da Igreja de determinar o credo de toda a sociedade. É plausível que a inflação de 10,6% caia sem pirotecnias com a Selic, devido aos efeitos dolorosos da recessão e à queda do salário real. É desejável que a histeria com o repique inflacionário até certo ponto esperado – alinhamento dos preços administrados, indexação, câmbio, inércia etc – não seja aplacada com tautologias e nem combatida com a borduna da taxa de juros. É apetecível pensar que os juros serão mantidos ou mesmo reduzidos na reunião do Copom da próxima semana. É provável que o BC explique com os contorcionismos técnicos de praxe a mudança de rota. Já estaria de bom tamanho.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

16.12.15
ED. 5270

Diogo Mainardi

 Ricardo Amorim, conhecido por sua participação no programa Manhattan Connection, levou às raias da indignação a comunidade de economistas da PUC-RJ. Colocou no mesmo balaio o ex-presidente do BC Chico Lopes e o bandido Francisco Lopes, o “Nem” da Rocinha. Amorim espezinha covardemente as vozes discordantes, protegido por sua bancada televisiva. Qualquer dia, alguém muda o canal.   Em tempo: se o puquiano Gustavo Franco soubesse da maledicência antes de publicar “Antologia da Maldade”, repleto de citações do ramo, talvez arrumasse um pé de página para Amorim.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

12.11.15
ED. 5246

Novo BC

 Em meio à febre em torno da possível nomeação de Henrique Meirelles para a Fazenda, já estão sendo feitas as apostas sobre quem vai ocupar a presidência do Banco Central, no lugar de Alexandre Tombini. O economista Eduardo Loyo, atualmente no BTG, está na pole position. Loyo ocupou a diretoria de estudos especiais do BC e sempre foi tido como os quindins de Meirelles. Para todos os efeitos, Tombini tem dito aos stakeholders que pretende se aposentar.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

11.11.15
ED. 5245

Nelson Barbosa é o ministro da dissimulação

 O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, desde sempre considera que o timing do ajuste econômico é devagar, é devagar, devagarinho, como na canção do sambista lusófono Martinho da Vila. Quando do ingresso retumbante de Joaquim Levy na Fazenda, Barbosa conspirou com Lula sobre o desgaste desnecessário de tentar fazer a toque de caixa um superávit primário de quase 2% em 2015. Não havia condições políticas nem econômicas, pois a crise internacional permanecia freando o país, o “petrolão” bombando e a arrecadação já tinha embicado para baixo. Levy, com o aplauso das primeiras horas, insistiu na tese do ajuste rápido para comemorar uma recuperação da economia igualmente rápida. Foi perdendo em todas as rodadas. Barbosa ganhou na redução do primário. Depois, venceu com a controversa cláusula de abatimento, com previsão de déficit primário. O ministro do Planejamento tem trabalhado incessantemente pela criação das bandas fiscais, o que mudaria todo o balizamento do programa de estabilização de Levy.  O fato é que Barbosa acredita piamente em uma das máximas de Mario Henrique Simonsen: não se formam expectativas racionais se as premissas, racionais ou não, carecem de credibilidade. O ajuste lento, com metas razoáveis, machuca menos e é mais crível. É nesse contexto que o ministro tem comemorado intramuros o Nelson Barbosa é o ministro da dissimulação documento/programa do PMDB, “Uma Ponte para o futuro”. O arrazoado de ideias detona com a CLT, artigos da Constituição, a garantia de que as verbas da educação e saúde não ficarão à mercê de um Eduardo Cunha da vida, a relativa independência do BC, torna o superávit fiscal permanente, desindexa o salário mínimo e deixa as políticas sociais na corda bamba ao invés de institucionalizá-las.  Barbosa acha que os mandamentos do PMDB terão o efeito de reforçar a condenação de outros ajustes épicos. Não há PMDB que aprove um moinho de insatisfações desse. E o regra-três oficial Henrique Meirelles assopra na mesma direção árida, regida pela vontade dos ativos, não obstante o marketing de que trará o maná para o povo e os estados através de crédito popular e empréstimos externos. Aos poucos, segundo Barbosa, o mercado perceberá que a marolinha vai sacudindo lentamente o mar. E o câmbio, os juros e até um pouquinho de inflação vão promovendo algum ajuste. Neste cenário, os mais descrentes vão enxergar somente um deserto na economia, sem ver que a água já estará no tornozelo da população. Nelson Barbosa quer ser ministro da Fazenda deste país devagar, devagar, devagarinho. Obs: Barbosa tem convidado, com a maior discrição, economistas próximos a ele para conversar com Dilma Rousseff.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

 São cada vez maiores as chances de que o Credit Suisse assuma a gestão dos ativos do Banco Santos. O Centrus, um dos principais credores da antiga casa bancária de Edemar Cid Ferreira, já sinalizou ser favorável à proposta apresentada pelos suíços em julho. A posição do fundo de pensão do BC , inclusive, causou estremecimento nas relações com outros dois credores do Banco Santos, o Real Grandeza e o Postalis, ambos contrários à proposta do Credit Suisse. Desde a liquidação, os três fundos de pensão sempre votaram juntos. Pelo jeito, o pacto informal acabou

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

22.10.15
ED. 5232

Moreira Salles é o fiel da balança da Parnaíba Gás Natural

  O presidente do Conselho de Administração do Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles, utiliza hoje as instalações do banco mais para tratar dos seus negócios pessoais do que para qualquer outra coisa. Com a discrição que lhe é peculiar, o banqueiro está debruçado sobre uma articulação para a saída da Eneva da Parnaíba Gás Natural , empresa que controla por meio da Cambuhy Investimentos. A operação permitiria a chegada da franco-belga Engie, antiga GDF Suez. A própria Cambuhy abriria mão de parte de suas ações, passando a dividir o controle da Parnaíba com a Engie.  O ímpeto de Moreira Salles em desalojar a Eneva é proporcional à inapetência dos alemães, leia-se o Grupo E.On, em aportar novos recursos no negócio. A chegada da Engie traz a reboque a promessa de uma substancial capitalização da companhia. A injeção financeira é fundamental para a Parnaí- ba cumprir seu programa de investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão. A maior parte desta cifra se refere à exploração dos blocos na Bacia do Parnaíba, considerado o eldorado do gás natural. Moreira Salles quer reduzir a exposição da Cambuhy a um negócio de alto risco. Seus sócios na companhia de investimentos criada em 2011, com capital de US$ 1 bilhão – entre eles o ex-BC Pedro Bodin – agradecem.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

19.10.15
ED. 5229

Porta de saída

  O fechamento às pressas do Royal Bank of Canada em 2013 ainda causa burburinhos no BC. Os correntistas tiveram apenas um dia para encerrar as contas. O caso está servindo de base para mudanças em normas que tratam do encerramento de operações de bancos no país.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

14.10.15
ED. 5226

O terrorismo da dominância fiscal

Os tucanos vão dizer que é mais uma fantasia conspiratória, no entanto a teoria da dominância fiscal é em tudo parecida com as macarronadas acadêmicas grudentas que a Casa das Garças lança no ventilador. A grosso modo, a dominância fiscal se caracteriza por uma circunstância em que a fragilidade da política fiscal e o crescimento acentuado da dívida pública fazem os agentes econômicos preverem que o Banco Central chegou ao seu limite para promover uma política monetária ativa. Nesse momento, o mercado anteciparia a inflação a cada rodada de aumento de juros. Se o BC continuar o receituário clássico de subir os juros, teríamos a hiperinflação. Não há concordância em relação à tese de que o Brasil está dominado nem na PUC-RJ, bunker dos economistas emplumados.O Banco Central e a Fazenda, mesmo reconhecendo o astucioso pensamento dos defensores da dominância, discordam que a situação tenha chegado a esse ponto. Aliás, a sacada maior é ter feito desse espaguete teórico uma nova forma para excitar as expectativas do mercado. A técnica dos tucanos é jogar a pensata enlouquecidamente na mídia e, a partir daí, encurralar o governo, obrigando-o a responder overnight se estamos ou não em dominância fiscal. Diria o coro dos ingênuos: “Ó, descrente newsletter, não estariam os melhores entre os melhores da oposição querendo ajudar o ministro Joaquim Levy, descortinando a dramaticidade da situação e facilitando a aprovação das duras medidas do ajuste? Não estariam abrindo os olhos do presidente Alexandre Tombini sobre o limite do regime de metas e a urgência de bandas cambiais?” Se houvesse qualquer interesse cooperativo, ele se daria em outros foros, nos quais a oposição exerce seu papel de retaliar, dificultar e buscar o impedimento do governo. A maior disseminação da dominância provém da incansável economista Monica De Bolle, um híbrido de pavão com garça,cercada de nuvens de mídia por todos os lados. Monica tem o luxuoso auxílio intelectual de Gustavo Franco, o economista tucano mais bem aquinhoado encefalicamente. Até prova em contrário, não está nada dominado. Os economistas da oposição ignoram as reservas cambiais, acham um ajuste patrimonial desimportante e o superávit primário impossível ainda por um longo tempo. A dominância fiscal está mais para conversa fiada, com objetivo claro de desestabilizar a política econômica, fazendo terrorismo com a hiperinflação

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

02.10.15
ED. 5219

Sapatos novos na chuva

Há algo errado em um país onde os “especialistas” e o próprio presidente do Banco Central insistem que o outro lado da moeda dos gastos estratosféricos dos swaps é a valorização das reservas cambiais. Ora, o swap impacta como um morteiro fiscal a dívida bruta. E a rentabilidade das reservas atinge a dívida líquida. É como se um sapato novo fosse posto a andar na chuva. Ao sair dela, estaria todo enlameado, sujo, molhado. Moral da historia: aquele sapato todo arrasado é a dívida bruta. Outro sapato, o novinho em folha, é a dívida líquida. Só que esse conceito não é usado. Trata-se tão somente de uma “pedalada” métrica fiscal.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

22.09.15
ED. 5211

Uma ficção na fronteira de uma realidade repetida

Era noite aberta quando o engenheiro Henrique Meirelles adentrou no seu closet. A sua frente dezenas de ternos de fino corte luzidios, praticamente todos da cor cinza-chumbo, sua marca registrada. Queria escolher com calma qual deles iria vestir em sua posse. Em meio ao passar de vista, deparou-se com o costume que usou ao entrar pela primeira vez no Banco Central como presidente da instituição. Alisou a manga do paletó repleto de pensamentos. O desafio agora seria bem maior. Meirelles assumiria o Ministério da Fazenda com a responsabilidade de ancorar as expectativas de toda a nação. Tinha a palavra da presidente Dilma Rousseff de que receberia carta-branca para tomar as decisões necessárias ao ajuste. A fricção mais grave entre ambos, ocorrida no fim do governo Lula em função de um telefonema não respondido, tinha sido superada pela gravidade das circunstâncias. Meirelles gesticulou como se estivesse com uma batuta entre os dedos, regendo uma orquestra. Parte do receituário já tinha sido proposta por seu antecessor, Joaquim Levy. Outra parcela encontrava-se nos escaninhos da Fazenda pronta para ser implementada. Levy havia cumprido a tarefa de elaborar e anunciar as medidas mais desgastantes e vê-las serem torpedeadas pelos grupos de interesse e pelo Congresso Nacional. Em nove meses, tornara-se titular da “Pasta do Sacrifício”. Renunciara ao Ministério por vontade própria. Tinha chegado ao seu limite. O ex-presidente do BC se tornaria ministro com o waver das metas descumpridas em 2015. Isso também ficaria na conta de Levy. A extensão da crise econômica chegara a um ponto em que medidas antes politicamente inviáveis passaram a ser palatáveis. Todas as reformas – da Previdência, tributária, administrativa – ingressaram na agenda da estabilização. Meirelles lembrou-se da voz roufenha do padrinho. Lula tinha indicado alguns atalhos, tais como os impostos sobre heranças e doações e sobre fortunas. O futuro ministro sorriu com a ideia de que um banqueiro anunciaria medidas para taxar os ricos. Dos pobres, Levy e Alexandre Tombini já tinham se encarregado. Quanto às futuras decisões para o aumento da austeridade, que deixassem com ele. A crise engendraria uma maior tolerância dos empresários e dos políticos com Meirelles. E a mídia? Como se sabe, ele tiraria de letra. O novo ministro da Fazenda antecipava em suas elucubrações o roteiro da mudança de expectativas. Após cumprir a liturgia da posse no novo cargo e desfilar com sua voz de barítono velhas medidas como se fossem novas, Meirelles partiria para Nova York. Na Meca dos banqueiros, reuniria financistas de todas as estirpes para ser celebrado como filho pródigo e arauto da mudança. Sorriu ainda mais largo ao imaginar as manchetes do Wall Street Journal, The Economist, Financial Times, entre outros, saudando sua nomeação. Pelo menos naquele salão do Plaza Hotel o Brasil já tinha recuperado seu investment grade.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

16.09.15
ED. 5207

Ladeira acima

O Banco Central vai anunciar no fim deste mês um déficit nominal para os últimos 12 meses de 9,45% do PIB. O número está praticamente cravado. Se mudar algo, é por centésimos.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

09.09.15
ED. 5202

Serpros é um processador de prejuízos

O buraco nas contas do Serpros é muito mais embaixo. A dois meses do fim da intervenção de 180 dias decretada em maio deste ano, a direção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) já discute a possibilidade de prorrogação do regime especial. A situação no fundo de pensão dos funcionários do Serviço Federal de Processamento de Dados seria mais delicada do que supunha o próprio órgão regulador. Segundo o RR apurou, o interventor Walter de Carvalho Parente teria encontrado mais ossadas na contabilidade da fundação, incluindo novos prejuízos decorrentes de aplicações no Banco BVA, liquidado pelo BC. Apenas neste caso, as perdas, inicialmente estimadas em R$ 130 milhões, chegariam à casa dos R$ 200 milhões, ou 5% do patrimônio total do Serpros, em torno de R$ 4 bilhões. Onde tem denúncia, suspeita de irregularidade e escândalo, o Serpros está por perto. A entidade é citada na Lava Jato como um dos fundos de pensão que teria sido usado por Alberto Youssef para movimentar recursos desviados da Petrobras. O Serpros também é investigado no âmbito da CPI dos Fundos de Pensão. Os parlamentares já requisitaram à fundação todas as suas apresentações contábeis e demonstrativos de investimento referentes ao período entre 2003 e 2015. A CPI pretende ouvir também uma boa parte dos 17 ex-dirigentes e conselheiros do fundo que tiveram seus bens pessoais bloqueados por determinação da própria Previc. * Procurada, a Previc não nos retornou.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

O próximo alvo a ser desconstruído no governo Dilma Rousseff é o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Vão tentar tirá-lo do cargo de qualquer maneira. Mas quem quer afastar Tombini da autoridade monetária? A maior central de boatos do país opera ao lado da própria presidente. Tem nome, sobrenome e bigode.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

04.08.14
ED. 4927

Abu Dhabi

 O National Bank of Abu Dhabi (NBAD), que acaba de receber o imprimatur do Banco Central, tem como meta movimentar cerca de US$ 1,5 bilhão em seu primeiro ano de operação no Brasil. A maior parte desta cifra se refere a financiamentos para empresas de comércio exterior.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

06.01.14
ED. 4810

Centrus

 O Centrus, o discretíssimo fundo de pensão do BC, deverá investir algumas fichas no setor hoteleiro. Estuda, inclusive, se associar a  Accor na construção de um resort no Nordeste. Procurados, Centrus e Accor negaram a operação.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.