Atenção!

As notícias abaixo são de edições passadas.

Para ter acesso ao nosso conteúdo exclusivo, assine o RR.

planos
26.07.17
ED. 5669

Copo furado

Segundo informações filtradas da AmBev, a empresa amargou nova queda do Ebitda no segundo trimestre. O recuo em relação a igual período em 2016 deverá girar em torno dos 8% – os resultados serão apresentados amanhã. Se serve de alento, no primeiro trimestre deste ano a redução do Ebitda foi ainda mais difícil de engolir (17%). Consultada, a AmBev não se manifestou, alegando estar em período de silêncio.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

06.06.17
ED. 5634

Atingida por Palocci

A Ambev será uma das empresas atingidas pela delação de Antonio Palocci. Segundo fonte do Ministério Público, a denúncia passa pela concessão de benefícios fiscais na Amazônia.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

08.05.17
ED. 5613

Há muita espuma no market share da Ambev

Há dúvida se o avanço de market share da Ambev no primeiro trimestre é sustentável ou se a empresa simplesmente comprou mercado com ações custosas de marketing e preços. A companhia expandiu em 3,4% seu volume de vendas no período contra uma queda de 2% de todo o mercado. O resultado, porém, foi obtido com um recuo do Ebitda de 23,8%. Ou seja: a cervejeira vendeu muito mais e ganhou bem menos. A empresa atribui a queda do lucro à apreciação do real. O resultado do segundo trimestre será determinante para o tira-teima se a Ambev está realmente aumentando a produtividade ou apenas fazendo o que as empresas com o perfil monopólico fazem em situações de queda dos mercados: usar seu poder de fogo com ações agressivas, assimétricas em relação à concorrência, quase abusivas, para deslocá-las ainda mais na distância do market share. Essa prática, na maioria das vezes, visa mais as cotações em bolsa do que o avanço consistente dos resultados.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

ambev-rr-5597
11.04.17
ED. 5597

Cerveja choca

O súbito afago de Pezão à Ambev deverá ficar só na vontade. O Ministério Público do Rio já pediu à Justiça para barrar o projeto de lei do governo do Rio que dá à cervejeira R$ 650 milhões em isenções fiscais nos próximos 20 anos. Em média, são R$ 32 milhões por ano, o suficiente, por exemplo, para pagar de uma só vez as dívidas da Uerj com fornecedores (R$ 26 milhões).

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

05.04.17
ED. 5593

AmBev segura preço com rédea curta

Nada como a concorrência. Segundo relatório recém-elaborado pelo Bradesco, ao longo de 2016 a AmBev reajustou seus preços em apenas 1%. O índice ficou abaixou do aumento promovido pela Heineken (2%) – ambos bem inferiores à inflação de 2016 (6,29%). Como se não bastasse este confronto direto, que ganhou mais levedura com a venda da Brasil Kirin para os holandeses, a empresa de Jorge Paulo Lemann está segurando seus preços na tentativa de recuperar o terreno perdido em 2016. No ano passado, a AmBev amargou uma redução das vendas de 6,6% e uma queda de market share de 67,5% para 66,3%. Parte do mercado que deixou pelo caminho foi absorvida pela própria Brasil Kirin, que aumentou o volume de cerveja comercializado em 1,3%. Vale lembrar que cada pontinho percentual perdido representa mais de R$ 800 milhões de receita anual que escorrem pelo ralo.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

22.03.17
ED. 5583

Ambev de porre

A Ambev, que detém 66% de market share no país, entrou com uma representação no Cade reclamando que a Heineken vai concentrar mercado após a compra da Brasil Kirin. Non sense puro. A Heineken vai ficar com um pouquinho mais de 19%. Se continuar disparatando, a Ambev vai acabar acusando a Cervejaria Piau, do Piauí, de alcançar 0,111111% de mercado.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

heineken-rr-5574
09.03.17
ED. 5574

Heineken sobe a temperatura do mercado cervejeiro

A aquisição da Brasil Kirin é o ponto de partida do grande projeto de expansão da Heineken no mercado brasileiro, que passa por expressivos investimentos em distribuição, expansão da rede de re-venda e consolidação de ativos. A companhia adotará uma estratégia de marketing mais agressiva, focada nos pontos de venda, com o intuito de disputar espaço consumidor a consumidor. Não é para menos: cada ponto a mais de market share no setor significa uma receita anual próxima dos R$ 800 milhões.

No entanto, para matar a sede dos holandeses no mercado brasileiro só mesmo com novas aquisições. Neste caso, todos os caminhos apontam na direção da Petrópolis. A companhia é vista como uma presa enfraquecida por uma conjunção de fatores. Habituada a disputar a vice-liderança do setor, a fabricante da Itaipava ficou em uma posição difícil. Com aproximadamente 13% de share, viu a Heineken abrir uma boa distância ao saltar de 9% para 17%. Outro ingrediente nessa levedura é a Lava Jato.

O avanço das investigações sobre Walter Faria e a Petrópolis fragiliza a companhia e pressiona o empresário a deixar o negócio. Ressalte-se que os problemas fiscais de Faria vão muito além da Lava Jato. Uma eventual aquisição da Petrópolis pela Heineken criaria uma circunstância até pouco tempo inimaginável, com o surgimento de um concorrente capaz de arranhar a condição de quase monopolista da Ambev.

Até porque a cervejeira de Jorge Paulo Lemann e cia. tem contribuído para esse cenário com seus próprios erros estratégicos. Há sete anos, segundo a Nielsen, a Ambev dominava 70% das vendas de cerveja no Brasil. De lá para cá, seu market share caiu para 66%. Há controvérsias. De acordo com os dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal, sua participação não passa de 58%. No caso de compra da Petrópolis, a Heineken passaria a ser uma “Meia Ambev”, com 30% do mercado.

A Ambev corre sério risco de ver essa diferença cair ainda mais caso não resolva problemas crônicos. Segundo relatório do analista Carlos Laboy, do HSBC Securities, divulgado no dia 2 de março, a “estratégia de marketing adotada pela companhia nos últimos anos fracassou no sentido de convencer os consumidores sobre o valor e a diferença das marcas”. Na sua avaliação, a “empresa se recusa a admitir as falhas mercadológicas, se limitando a classificar a situação como temporária”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

07.03.17
ED. 5572

Uma cerveja que vale ouro

Há apenas quatro meses no cargo, a vice-presidente de marketing da Pepsico no Brasil, Daniela Cachich, tem sido intensamente cortejada por head hunters. De onde vêm os caçadores? No setor, há quem diga que a AmBev pagaria o que fosse para ter a executiva que até outubro do ano passado comandava toda a estratégia de vendas da Heineken no Brasil. Ainda mais agora que os holandeses compraram a Brasil Kirin.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

14.02.17
ED. 5560

Ambev quer o controle total de seus recipientes

Baratas, insetos, mosquitos, dejetos… Segundo uma fonte do RR, a Ambev teria criado uma força tarefa para buscar o estado da arte em como lidar com os casos de invasão dos seus recipientes. São episódios raros, sem dúvida, mas que podem ser verificados no Procon e em sites como Conjur e Reclame Aqui. Algumas das questões relevantes que fazem parte da agenda permanente são as seguintes: a contrapartida espontânea da empresa; como lidar com a exposição nos sites de busca; como tornar cada vez mais amigáveis os textos de resposta aos clientes lesados; a utilização de robôs e outras ferramentas sofisticadas para influir na internet; indenizações e aspectos jurídicos, entre outros.

O problema para a companhia não é de ordem pecuniária, pois a indenização nesses casos varia entre valores baixos, de R$ 2 mil a R$ 20 mil. O impacto na comunicação, contudo, é explosivo. Um exemplo: a notícia de ingestão de um inseto. O referido caso aconteceu no município de Timon, no Maranhão, em 2013, quando três consumidores entraram na Justiça para processar a empresa devido à existência de uma barata no fundo de uma garrafa de cerveja. Eles sentiram um gosto estranho, olharam para o fundo e encontraram o lepidóptero. Há um filme na internet sobre o episódio.

Ainda em 2013, um ano difícil para a Ambev devido ao surgimento inusual de corpos estranhos nos recipientes, dois consumidores de Bento Ferreira, bairro de Vitória (ES), também acharam uma barata em uma garrafa da cerveja Stella Artois. Na época do ajuizamento do caso, os tribunais consideravam que só os casos de ingestão dos insetos eram passíveis de indenização. O STJ deu um cavalo de pau na legislação, garantindo que a simples exposição ao risco deveria ser indenizada. Para não dizer que não falamos mais de 2013, em outubro do mesmo ano, um consumidor de Rio Claro (SP) encontrou um corpo estranho na sua Skol. O consumidor entrou em contato com a Ambev e mostrou a garrafa lacrada, mas era um sujeito boa gente e não fez boletim de ocorrência por considerar que aquele seria um “caso isolado, e a empresa iria resolver da melhor maneira”.

No ano de 2014, mais precisamente em maio, conforme pode ser constatado no site Reclame Aqui, um consumidor encontrou um dejeto em uma garrafa da marca Bohemia. Conversa ali, conversa lá, a companhia propôs como brinde dois fardinhos de cerveja. Não houve acordo e o consumidor entrou no Procon. Bem mais próximo, em 2016, uma consumidora se preparava para abrir sua garrafa de um litro da cerveja Brahma, quando identifi cou um “OTNI (Objeto Terrestre Não Identificado)” no fundo do recipiente. E tome de Procon.

Procurada, a Ambev “nega veementemente a criação de qualquer comitê dessa natureza”. A cervejaria afirma seguir “as melhores práticas e padrões de qualidade reconhecidos internacionalmente” e ressalta que a “informação é totalmente improcedente.” De toda a forma, a empresa merece ser elogiada por responder com franqueza às queixas dos consumidores relacionadas a objetos estranhos, tanto em seu SAC quanto em sites de acesso público.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

26.01.17
ED. 5547

Ambev, sempre Ambev

Falar das mazelas da Ambev parece déjà vu. Mas como não registrar o novo relatório do analista Carlos Laboy, do HSBC, detonando a cervejeira? Além dos problemas de marketing e da operação, Laboy critica a postura da empresa em não compartilhar suas iniciativas de políticas públicas. Como se sabe, responsabilidade social não é com a Ambev.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

18.01.17
ED. 5541

O cheiro de ralo da Ambev

Em relatório divulgado ontem, o HBSC detonou a Ambev, listando 15 problemas: desde a baixa diferenciação das marcas com a decisão deliberada de usar garrafas e engradados genéricos para confundir os clientes, passando por caixas sujas com o cheiro pungente de cerveja podre no assoalho dos supermercados até a falta de uma estratégia para as bebidas alcoólicas mistas gaseificadas. O analista Carlos Laboy disse que “jamais poderia ter esse tipo de preocupação com uma marca do porte da Ambev”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

ambev-rr-10
10.01.17
ED. 5535

Ambev capricha no colarinho para encobrir seus seguidos fracassos

A ordem na Ambev é seguir o modelo Temer/Meirelles e embalar algumas boas iniciativas de marketing com intenções de investimentos cacarecos para ter o maior volume de informações otimistas e sair espumando pela imprensa. Nos últimos dias, a companhia anunciou uma fábrica de cervejas especiais em BH que será aberta à visitação, deu visibilidade à sua participação no Fórum das Empresas e Direitos LGBT, lançou uma nova linha de bebidas para o público jovem (é preciso garantir o consumidor do futuro) e divulgou sua entrada no segmento de água mineral. Diriam os inebriados pela inocência: a Ambev está imbuída da sua missão de praticar a transparência como toda boa companhia aberta que se preze.

A explicação enche apenas um terço do copo. O restante estaria ligado à estratégia de comunicação, no que a cervejeira, como notória e intensa produtora de malefícios à sociedade, tornou-se uma mestra. A Ambev mimetiza os males à saúde que provoca. É para parecer coincidência, mas as good news divulgadas em série enevoam uma caravana de insucessos no ano passado.

Os resultados de junho a setembro tiveram gosto de cicuta. A geração de caixa no Brasil despencou 31,3%, a maior queda da história da companhia para um único trimestre. A margem Ebitda escorreu pia abaixo, caindo 13,3%. Seu market share cai seguidamente. A linha de montagem de notícias positivas tem como objetivo sinalizar um 2017 mais próspero. Mais do que isso: busca fazer com que a bateria de novos projetos cumpra o seu papel de lobby, desestimulando a ideia da Fazenda de cobrar uma contribuição tributária maior da empresa.

Nesse toma lá, dá cá, a boa vontade dos novos investimentos não combinaria com mais impostos. São bons os motivos, portanto, para os cervejeiros emudecerem sobre a queda de market share, resultados fi nanceiros cadentes, os questionamentos à até então deificada gestão da companhia e o mau momento do ambiente social-trabalhista por que atravessa a empresa. Que tempo ruim,que nada! Se depender do marketing da Ambev, até o sol inclemente que torra a cabeça dos brasileiros nesse verão severino foi produzido para que o consumo da “loura” aumente. A cervejeira elevou a máxima de Ricúpero ao paroxismo: “O que é bom a gente fatura; o que é ruim a gente esconde.”

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

ambev-rr-15
15.12.16
ED. 5517

Um infeliz Natal para a AmBev e todo o lobby da indústria cervejeira

O Ministério da Fazenda e a Receita Federal estão embrulhando um presente de grego para a indústria de bebidas frias. A intenção é passar a sacola no setor, ampliando consideravelmente a carga tributária, leia-se IPI e PIS/Cofins. A proposta em estudo é criar um diferencial ainda maior entre os impostos cobrados sobre refrigerantes, isotônicos e afins e sobre cervejas. A iniciativa vai contra a expectativa dos próprios fabricantes, que contavam com uma trégua após o reajuste de maio do ano passado, quando os tributos sobre bebidas frias cresceram, em média, 10%.

A estimativa do Fisco é arrecadar até 2018 um adicional entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5 bilhões sobre os valores projetados para 2016, ou seja, o equivalente a quase 10% do total de recursos que foram repatriados neste ano. A AmBev, com cerca de 67% de market share e R$ 26,3 bilhões de receita líquida no país, será inexoravelmente a mais atingida, contribuindo com algo em torno de dois terços da arrecadação tributária almejada. O aumento dos impostos deixa a líder do setor em uma sinuca de bico. Se não majorar o preço das cervejas e repassar o repique tributário para o consumidor, a AmBev perderá rentabilidade, que já é cadente. Se soltar os preços, perde mercado, uma vez que a concorrência tem corrigido seus valores em patamares inferiores.

O governo vem buscando à lupa os setores que têm possibilidade de aumentar sua participação no total de impostos. A indústria do tabaco, tradicionalmente gravada nessas circunstâncias em que é necessário reforço do caixa fiscal, deve escapar ilesa, ao menos por enquanto, devido à ineficácia do reajuste sobre a arrecadação. Explica-se: devido à confessa falência da Receita e da Polícia Federal em coibir o contrabando dos cigarros pela fronteira, a situação levou a um paradoxo, ou seja, quanto maior a mordida do Leão, maior o comércio ilegal e, consequentemente, menor o bolo tributário. Neste caso, o papel que a AmBev desempenha no setor cervejeiro é representado pela Souza Cruz, com sobras: a empresa tem 78% de participação nas vendas de cigarros. Se quisesse confrontar à vera o mais do que provável lobby das cervejeiras contra o aumento de impostos, o governo teria argumentos a granel.

A participação da cerveja nos índices de alcoolismo tem crescido exponencialmente. Entre 2000 e 2013, a população brasileira aumentou cerca de 30%, segundo dados do IBGE. Nesse período, a produção da bebida subiu 200%, passando de cinco bilhões para 15 bilhões de litros/ano. Os efeitos maléficos não ficam restritos ao fígado. O consumo de cerveja é o principal causador da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que rivaliza com a microcefalia. A cada hora nascem no Brasil três crianças portadoras da enfermidade, ou 30 mil por ano. A SAF provoca déficit de crescimento, alterações faciais e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. É considerada a maior causa de déficit intelectual prevenível no mundo. E pensar que uma lata de cerveja no Brasil chega a custar mais barato do que um refrigerante.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

14.12.16
ED. 5516

Carnaval da crise

A pouco mais de dois meses dos desfiles, vários camarotes do sambódromo carioca estão encalhados. Empresas que costumavam cair na folia, como a AmBev e a enferma Unimed-Rio, desistiram da avenida. Os preços, entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, não combinam com um PIB de 4,4% negativos.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

jorge-lemann_rr-01
01.09.16
ED. 5446

Por que Lemann diz que não faz política?

 Se estivesse em um tribunal, Jorge Paulo Lemann poderia até ser acusado de perjúrio devido à declaração de que passou a vida “fugindo da política”. Assim é se lhe parece, diria Pirandello. A escolinha de marketing do professor Lemann, especializada em autopropaganda, construiu uma interpretação de interesse pessoal para a expressão “fugir da política”. Ela está restrita a não disputar eleição ou ocupar cargo público, evitar aparições ao lado de prefeitos, governadores e parlamentares e passar ao largo de convescotes partidários. Não consta da cartilha a interferência no processo eleitoral por meio de financiamento de campanha, a articulação de uma bancada parlamentar defensora dos seus interesses e o uso do processo eleitoral como ferramenta do fortalecimento do lobby empresarial. Se o quesito ao qual não queria se referir for este último, Lemann provou mais uma vez que o sucesso e a hipocrisia caminham lado a lado em sua trajetória. Desde que foi criada, a AmBev sempre se destacou como uma peça influente no xadrez eleitoral, ao despejar ao longo do tempo centenas de milhões de reais em doações de campanha. A presença da companhia no jogo político só não é maior do que o seu empenho em encobrir tamanha participação. Ao menos é o que se depreende ao pesquisar o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  Vasculhar os números relativos às doações de campanha da cervejeira exige algum contorcionismo. No sistema eletrônico de prestação das contas eleitorais de 2014, do TSE, não há menções nominais à AmBev. O RR também pesquisou por outros termos que poderiam remeter à companhia, como “American”, “Beverage”, “Distribuidora”, “Logística”, “Cervejaria”, mas os resultados passaram longe da empresa. Consta, conforme registros na mídia, que o grupo se vale de outras razões sociais – a exemplo das subsidiárias Londrina Bebidas e CRBS S/A. Procurada pelo RR, a AmBev não se pronunciou até o fechamento da edição.  Se o objetivo da AmBev era a discrição, o uso desses biombos jamais surtiu o efeito desejado. É público que, nas eleições de 2014, a cervejeira ocupou um notável quarto lugar no ranking das doações corporativas, com R$ 41 milhões. Conforme amplamente noticiado à época, a empresa repassou aproximadamente R$ 6,7 milhões às três principais chapas que concorreram à Presidência da República. Sabe-se ainda que a AmBev desembolsou cerca de R$ 11,7 milhões que ajudaram a eleger 76 deputados federais de 19 partidos. Nem é preciso se dar a tanto trabalho. A declaração de Lemann não resiste a uma rápida consulta no Google. Ontem, por volta das 19h30, o site de buscas listava aproximadamente 173 mil resultados vinculando a AmBev ao termo “financiamento de campanha”. Lemann “foge da política”, mas se empenha em eleger a bancada do funil. Só falta dizer que os seus interesses e os de suas empresas caminham em direções distintas. Hipocrisia!

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

temer-rr-25
25.08.16
ED. 5441

A hora e a vez de Temer ser picado pela saúva

 O presidente interino, Michel Temer, já sabia o texto inteiro da missa. Mas, quando rezado de viva voz, no latim do empresariado, o impacto da burocratização nacional é ainda mais desolador. Desde sempre, o setor empresarial é refém do Estado, que, por sua vez, é refém das corporações, que se nutrem das dificuldades que elas próprias criam. Essa simbiose, contudo, está piorando cada vez mais. O mau corporativismo tem ganhado todas as pelejas disputadas. Ele está na raiz da baixa produtividade do país. É um canibal do Estado. Representa um coeficiente da inflação renitente. É a zika da ineficiência produtiva. Os potentados empresariais Carlos Alberto Sicupira, Jorge Gerdau, Luiz Carlos Trabuco e Pedro Moreira Salles, entre outros, fizeram para Michel Temer uma apresentação de como essa saúva tem corroído o Brasil.  Os casos são bastante minuciosos e impactantes. O presidente do Conselho Administrativo do Itaú-Unibanco, Pedro Moreira Salles, colaborou na exposição detalhada dos péssimos exemplos com a menção à insanidade tributária do país, que está menos no tamanho da carga do que na esquizofrenia de mudanças frenéticas dos gravames. Segundo Moreira Salles, o banco tem de estar preparado para dar conta de uma modificação na legislação de impostos a cada duas horas, em média. Esse número tem sido crescente.  O empresário Carlos Alberto (Beto) Sicupira, quarto homem mais rico do Brasil, segundo o ranking da Forbes, e um dos controladores da Ambev, informou que a companhia cervejeira tem de gerar 23 mil processos por lata ou garrafa produzida no mercado brasileiro, somente em função da mixórdia criada pela legislação do ICMS. A Ambev opera em todos os 27 estados e nos quase 5,5 mil municípios do Brasil. Nos Estados Unidos, ela também atua de ponta a ponta no território norte-americano, mas precisa gerar somente 1.300 processos por lata ou garrafa. E isto levando em consideração todos os impostos que são cobrados, e não apenas um único.  O presidente da Natura , Pedro Passos, reclamou do fluxo de processos trabalhistas, um montante superior a quatro milhões por ano. Um dado bastante estarrecedor: o fluxo se altera pouco. Ao contrário do que seria recomendável, a legislação vai se tornando mais nebulosa com o passar do tempo. E todo ano são pedidas na Justiça a criação de mais e mais Varas do Trabalho. Pedro Passos deu outro exemplo nada edificante: a fabricante de produtos de beleza gasta R$ 15 milhões por ano somente para manter sua máquina de atendimento da burocracia funcionando. Os números são grandiloquentes e bastante atualizados, mas, à primeira leitura, a sensação é de um grande déjà vu.  Consta que o presidente interino ouviu atentamente, franziu o cenho, pousou a mão sobre os joelhos e com um olhar grave fez aquilo que se esperava dele. Temer pediu sugestões dos empresários para resolver os problemas e uma maior interação junto ao governo federal para uma colaboração conjunta. Por ora, é só. Mas o filme parece muito antigo.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

talentobrasil-rr-12
12.08.16
ED. 5432

Maia serve um aperitivo do parlamentarismo branco

 Os principais empresários do país experimentaram as delícias de um semi-parlamentarismo, na última quarta-feira, em Brasília. O Instituto Talento, híbrido de centro de pesquisas e núcleo de articulação política dos dirigentes do setor privado, conduziu sua caravana para uma reunião histórica entre a nata do empresariado e o novo estamento pós-PT. As reuniões com Henrique Meirelles, na parte da manhã, e Michel Temer, à tarde, foram fartamente noticiadas. Pouco se falou, contudo, da reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, esta, sim, a grande surpresa do dia. Antes de colocar tintas mais vivas no episódio, é bom situar quem estava presente na comitiva do Instituto Talento, em ordem decrescente por vulcanização dos neurônios – avaliação por conta e risco do RR: Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Beto Sicupira (Ambev), Pedro Moreira Salles (Itaú -Unibanco), Pedro Passos (Natura), Carlos Jereissati (Jereissati Participações), Vicente Falconi (Consultoria Falconi) Josué Gomes da Silva (Coteminas), Edson Bueno (Dasa) e Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau). O empresário José Roberto Ermírio de Moraes deveria estar presente, mas, por motivos de agenda, deixou ficar para outra oportunidade. Sim, porque deverão ocorrer outros encontros, inclusive para evitar que este inicial se caracterize como um espasmo tão somente.  A primeira das novidades foi a transferência da reunião formal que estava prevista com Rodrigo Maia, na sala da presidência da Câmara dos Deputados, para um almoço descontraído em sua residência oficial. O que estava por vir seria ainda mais surpreendente. Maia recebeu os presentes ao lado do deputado Orlando Silva (PCdoB), ex-ministro dos Esportes de Dilma Rousseff. Exatos dois minutos após as mesuras de praxe, adentrou ao gramado o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), uma das vozes mais aguerridas contra a presidente que vai ser julgada pelo Senado Federal, mas também envolvido em caso de propina. O desfile dos líderes seguiu embalado e com intervalos curtos de chegada: André Moura (PSC-SE), líder do governo na Câmara; Heráclito Fortes (PSB-PI); Weverton Rocha (PDT-MA); Rubem Bueno (PPS-PR); e, pasmem, Vicente Cândido (PT-SP). O líder do PT na Câmara é assim e assado com Luiz Inácio Lula da Silva. Os empresários interpretaram sua presença no evento como uma representação do próprio Lula. Mas Maia foi quem deitou e rolou.  Jorge Gerdau, o mais escolado nas práticas de Brasília, disse em bom tom que nunca viu um presidente da Câmara dos Deputados que tivesse convidado todas as lideranças partidárias para uma reunião com empresários – algumas só faltaram porque o convite foi feito de véspera. “No máximo, chamavam uma ou duas”. Não houve conversa de pé de ouvido. Todos sem exceção fizeram uma breve exposição. Os empresários foram convocados a se fazer mais presentes em debate de mérito. Estes, por sua vez, anunciaram que entendem não ser possível reduzir a carga tributária nesse cenário e defendem a preservação das políticas sociais como premissa no ajuste fiscal. O ponto mais alto: os líderes se comprometeram a apoiar todos os projetos voltados a suspender a recessão que assola o país. Depois do almoço, a sensação dos presentes era que o clima seco de Brasília tornou-se arejado, civilizadíssimo. Pelo menos por um dia. Não entrou em pauta a tão almejada revogação de direitos constitucionais em prol da eficiência e da produtividade empresarial. O resultado já estava de bom tamanho.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

cerveja
13.07.16
ED. 5410

AmBev não é uma empresa-cidadã

 A Central Única dos Trabalhadores (CUT) pretende fazer uma campanha para retirar dos rankings das Maiores e Melhores que pululam na mídia as empresas com grande número de denúncias e condenações por práticas de assédio moral e escravismo, segundo apurou o RR. A gigantesca Ambev volta e meia aparece no top ten quando se fala de ambos os quesitos. Uma simples busca no Google revela que a cervejeira está associada direta ou indiretamente a 38.400 menções de assédio moral coletivo (dia 8/07). A tendência é que essas empresas monopólicas ou oligopólicas que escondem sua bipolaridade social através de um marketing de gestão espetacular desapareçam de rankings, ratings e índices de performance. Basta que se comece a implementar filtros de práticas sociais nocivas. O mercado de capitais também deve enquadrar a Ambev. Os índices de sustentabilidade da Bovespa (ISE) e da Dow Jones levam em consideração equilíbrio ambiental e justiça social. Não são os melhores predicados da Ambev, com toda a certeza. A cervejeira apresenta com pompa relatórios adornados e sondagens internas não auditadas, mas não revela a natureza das suas pendências na Justiça do Trabalho. Os demonstrativos dourados, da cor da cerveja, são capturados junto a população do andar de cima da companhia. São salários de R$ 11 mil a R$ 18 mil só na partida, com os trainees sendo tratados a banho de leite. Esse é o maior marketing da companhia. _____________________ Equipes de venda foram forçadas a usar chapéu de chifre, saia e batom _____________________  Valoração do capital humano, avaliação 360 graus e reuniões de feedbacks são exaustivamente mencionadas como pepitas da cultura de gestão da empresa em reportagens que invariavelmente citam o poderoso CEO, Carlos Brito, como uma demonstração do trainee que deu certo. É uma prática que surte efeito. Com uma ressalva: especialmente entre o pessoal que frequenta o site www.queroserambev.com.br. Já a turma do chão da fábrica e os que trabalham na máquina de venda da companhia, quando se pronunciam, injuriados – e com compreensível medo de fazê-lo – preferem sites como o www.euodeioambev.com.br. A empresa é contumaz denunciada em casos tétricos de assédio com uma coleção de sentenças negativas. Em Sergipe, funcionários foram obrigados a fazer flexões acima da sua capacidade física. Em fevereiro deste ano, a companhia teve recurso negado para anular na Justiça uma ação contra o procedimento de colocar deitado em caixões com galinhas enforcadas os profissionais que não cumpriram metas. Um ex-empregado da cervejeira em Minas Gerais, que teve ganho de causa no Tribunal Superior do Trabalho (TST), revelou as práticas dos capatazes da Ambev de colocarem a equipe de venda com chapéu de chifre, saia e batom.  A recorrência da companhia em um comportamento incompatível com regras salutares levou-a inclusive a firmar Termo de Ajuste de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público do Trabalho, comprometendo-se a orientar seus funcionários a evitar atitudes que possam promover o desrespeito mútuo. O TAC foi acordado em 2004. Pois bem, em 2014, o Ministério Público do Trabalho em Alagoas processou a companhia em R$ 1 milhão por infrigir humilhações aos seus funcionários. Certamente, os episódios não serão publicizados pela comunicação que propala as maravilhas da Universidade Lemann, entre outras marketadas. Duvida-se que os Marcel Telles e Vicente Falconi, síndico e mentor do andar de cima, saibam da missa a metade.  A Ambev contra-argumenta com sua versão de o filme O Porteiro da Noite, de Liana Cavani, na qual a personagem desenvolve uma dependência pelo torturador. Os profissionais, quando aceitam o trabalho, sabem da cultura competitiva, da busca pela superação. São esses que, na partida e em tese, estariam prontos para enfrentar abusos como corredor polonês, tapas nas costas e ficar de castigo em pé durante horas (caso de assédio moral coletivo julgado em 2004). Os incomodados que se mudem. Ou entrem na Justiça. São esses desertores que dão transparência a um dos pilares da lucratividade da empresa: a chibata moral. Nem tudo são orçamento base zero ou, na extremidade oposta, forçar vendedores evangélicos a fazerem demonstrações com garotas de programa para um batalhão de vendas (sentença favorável do TST). Há mais entre o céu e a terra do que a simples interpretação da Ambev como uma empresa movida à meritocracia.  O marketing da Ambev dilui no case de gestão de excelência o impacto da condição monopolística e de abuso do poder econômico. Como _____________________ Há 58 mil menções no Google associando a AmBev à escravocracia _____________________ não lembrar do programa de “fidelização com algemas” dos pontos de venda. Por conta dele, a empresa foi multada pelo Cade inicialmente em R$ 350 milhões. Depois de negociações a fatura desceu para R$ 221 milhões. Sim, existem evidências de que a cervejeira mete medo nos seus parceiros. É conhecida a política de refrigeração da companhia, já investigada pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) – acordos pelos quais a Ambev fornece freezers para varejistas com a condição de que eles os utilizem apenas para a venda de produtos da sua marca. Imagina-se que com seu poder de fogo, uma boa parte das inserções contrárias à cervejeira já tenha sido apagada dos sites de busca. Mas os registros do seu lado sinistro permanecem lá, nublando o seu lado solar. A Ambev são duas empresas. Uma é a firma premiada pelo Instituto Great Place to Work como uma das 100 melhores empresas do país para trabalhar. A outra é a que enche a internet com um total de 58.800 menções – associações diretas ou indiretas – a escravatura, segundo o Google (dia 8/07). Essa combinação de ações mefistofélicas com governança de luxo pode continuar dando sucesso econômico-financeiro. Mas a Ambev não deve mais ir para o trono das companhias que são referência. O RR encaminhou diversas perguntas à Ambev e fez vários contatos com a empresa. Porém, até 19h34, em ponto, não recebeu qualquer manifestação da companhia sobre os assuntos tratados nessa matéria.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

25.05.16
ED. 5376

Cerveja quente

 Após vender a fábrica de Cachoeiras do Macacu (RJ) para a AmBev, a Brasil Kirin está colocando mais dois ativos sobre o balcão: as unidades de Caxias (MA) e Igarassu (PE). No ano passado, não custa lembrar, a cervejeira fez uma baixa contábil de quase R$ 4 bilhões. É por essas e outras que muitos no mercado apostam que os japoneses estão arrumando a casa para deixar o Brasil. A seguinte empresa não comentou o assunto: Brasil Kirin.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

16.03.16
ED. 5328

Walter Faria prepara o trono para a filha

  Na segunda maior cervejeira do país, a palavra “sucessão” ainda é pronunciada com extrema cautela, quase aos sussurros – mesmo porque são muitas as leveduras que podem interferir na fermentação deste processo. No entanto, salta aos olhos dos executivos da companhia a rápida ascensão de Giulia Faria, filha de Walter Faria, no comando do Grupo Petrópolis. Em um espaço de tempo razoavelmente curto, a empresária de 24 anos teria ampliado seu raio de ação na gestão dos negócios, ainda que, em alguns casos, dividindo espaço com outros diretores ou com o próprio pai. Antes restrita à área de marketing, onde deu seus primeiros passos na Petrópolis há pouco mais de dois anos – hoje, todas as campanhas publicitárias passam pelo seu crivo –, Giulia estaria à frente dos planos de expansão da empresa em novos segmentos, notadamente o de cerveja premium. Walter Faria também a teria encarregado de buscar novas marcas no exterior, sobretudo nos Estados Unidos. Se o objetivo do empresário é submeter a filha a uma espécie de vestibular de gestão, deu-lhe uma prova na qual executivos bem mais experientes já fracassaram. A Petrópolis praticamente inexiste no segmento de cervejas premium, no qual a empresa acumula alguns fracassos. O mais recente foi a tentativa de uma parceria com a SABMiller para engarrafar marcas da companhia no país. No meio do caminho, a cervejaria sul-africana foi comprada pela AmBev e as negociações viraram espuma.  Gradativamente, Walter Faria também teria dividido com a herdeira a responsabilidade de capitanear a expansão territorial da Petrópolis, com foco no mercado nordestino. Ao lado do pai, Giulia Faria vem participando das negociações com prefeitos na escolha do local que abrigará a terceira fábrica da empresa na região – o Ceará é o candidato mais forte. Em dois anos, a cervejaria instalou suas duas primeiras unidades industriais no Nordeste, uma em Alagoinhas (BA) e outra em Itapissuma (PE). Aquele é um pedaço do mapa estratégico para o grupo: no ano passado, a empresa teve um crescimento na região superior a sua performance no restante do país. Em pouco mais de um ano, pulou de 9% para 15% de share, tomando mercado principalmente da Brasil Kirin.  Procurada, a Petrópolis nega que exista qualquer processo de sucessão em curso. Afirma também que Giulia segue circunscrita ao marketing. Talvez o marketing tenha engolido outras áreas da empresa, o que explicaria a constante presença da executiva em reuniões das quais não costumava participar, com distribuidores, bancos e possíveis parceiros. A escalada de Giulia Faria na gestão da Petrópolis suscita diferentes interpretações mesmo entre privilegiados espectadores do processo. Há quem diga que tudo acontece dentro do tempo natural das coisas, de acordo com os planos e o ritmo traçados por Walter Faria. Neste caso, sequer passaria pela cabeça do empresário deixar a linha de frente da gestão, mesmo porque a Petrópolis tem suas sutilezas e particularidades – caso, por exemplo, das relações comerciais com os distribuidores, um caminho cheio de atalhos e trilhas que só o patriarca sabe percorrer. Para outros, no entanto, tudo se deu de forma rápida demais. É como se Walter Faria tivesse a firme preocupação de acelerar o ciclo de maturação da herdeira, antevendo um tempo, neste momento de ciladas mil para o empresariado brasileiro, em que ele próprio possa não estar pessoalmente à frente dos negócios.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

Das salas de aula para os balcões de padaria, e destes para as prateleiras de biscoito e as bandejas de esfihas pode ser apenas um passo. A parceria entre Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz está somente esquentando os motores. Os dois maiores empreendedores da área de consumo do país pretendem transformar negócios e setores aparentemente prosaicos em mega operações. As palavras-chave são escala e marca. Esse é o perfil das aquisições estudadas. Quem pensou em nomes como Piraquê e Habib’s não estará de todo errado. Aliás, não estará nada errado. As duas empresas atiçam o apetite de Lemann e Abilio. São brands conhecidos – começar do zero não é do estilo nem de um nem de outro –, estão em todas as esquinas e vendem milhões e milhões de unidades. A fabricante de biscoitos fatura R$ 800 milhões por ano e está presente em mais de 60 mil pontos de venda só no estado do Rio. O Habib’s, por sua vez, reúne quase 400 restaurantes e soma uma receita de R$ 1 bilhão. As duas companhias têm ainda outro ponto em comum que as transforma em potenciais presas: não foram abduzidas pelo processo de consolidação em seus respectivos mercados. Ambas ainda estão nas mãos de seus fundadores, leia-se a família Colombo (Piraquê) e Alberto Saraiva (Habib’s). Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz são empresários da mesma espécie. Passam ao largo da área de concessões, da infraestrutura, da indústria pesada e, sobretudo, de negócios que tenham qualquer tipo de imbricamento com o setor público. Os dois nasceram também para consolidar. Assim será nos novos mercados em que ingressarão, na recém-descoberta área de panificação, com a compra da rede de padarias Benjamin Abrahão, ou no segmento de ensino. Os investimentos comuns neste setor devem ser creditados a Ana Maria Diniz, que deu os primeiros passos da associação – Lemann e seu sócio Beto Sicupira têm especial empatia pela filha de Abilio, que há anos milita na área de educação. Boa parte do ervanário está reservada exatamente para este mercado: os dois empresários pretendem avançar na compra de instituições de ensino médio e transformá-las em academias de excelência. Guardadas as devidas proporções, Abilio poderá se tornar uma espécie de Warren Buffett em versão doméstica, acompanhando Lemann em diversos negócios no país. Não poderia haver momento mais propício para o encontro entre estes dois potentados. Ambos sabem que o Brasil está barato e o que não falta na prateleira são ativos depreciados, ambiência sob medida para uma dupla tão líquida como essa – só na Península Abilio tem mais de R$ 10 bilhões. Consultada sobre novas aquisições, a Península limita-se a dizer que comprou a Benjamin Abrahão para expandir suas operações. Já a 3G, de Lemann, não se pronunciou. Lemann e Abilio enxergam também uma oportunidade de ouro para consolidar uma posição de liderança entre o empresariado nacional. A hora sorri para esta combinação entre a frieza de um e a vaidade de outro. Os investimentos da dupla seriam acompanhados de um discurso motivacional, elevado ao nível do marketing cívico corporativo. Lemann conhece bem do assunto, pois usou a receita com a Ambev. Seria uma sonora demonstração de confiança no Brasil no momento em que a maior parte dos empreendedores está reclusa. Ou seja: além do impacto econômico, tal injeção de ânimo teria também um bônus psicossocial.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

05.08.15
ED. 5178

Beto Sicupira dá aula na pátria educadora

 Se alguém quiser saber das ideias de Carlos Alberto Sicupira sobre educação, pode perguntar à presidente Dilma Rousseff. É isso mesmo! Sicupira, um dos Lemann Brothers, é tido por Dilma como um dos bilionários em uma mão de cinco com preocupação nacional. Não se trata, portanto, de um financista canônico. Ele é capaz, por exemplo, de desmontar sua agenda para fazer uma reunião com Roberto Mangabeira Unger e tratar do seu assunto predileto. Seu interesse por educação atravessa governos anteriores: Sicupira tinha conversas sobre o assunto com FHC e Lula. Atualmente, tem contribuído com sugestões para o Pátria Educadora. Na concepção do empresário, se não for despertada a inteligência dos jovens até os 12 anos, eles serão uma geração perdida. Sicupira acha que é um crime o que se tem feito com a educação de primeiro grau.  Se, por um lado, Beto Sicupira exerce o papel de “empresário-estadista”, por outro contribui com permanente benemerência. Seja por meio da Fundação Estudar, seja com recursos do próprio bolso, ele financia cursos de formação de estudantes brasileiros no exterior. Aliás, é surpreendente esse Beto Sicupira, que não lembra cerveja, catchup e carne moída. O empresário é um dos principais quebra- galhos do governo quando o assunto é desenrolar problemas com os burocratas do Partido Comunista Chinês. É uma espécie de bônus do peso da InBev por aquelas bandas.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.