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planos
petrobras-01-agosto-edicao
01.08.16
ED. 5423

Petrobras faz pré-venda na área de fertilizantes.

 Entre os pedregulhos deixados pelas gestões de Graça Foster e Aldemir Bendine, Pedro Parente foi garimpar um projeto abandonado que poderá render algumas centenas de milhões para o caixa da Petrobras . Segundo o RR apurou, três grandes grupos internacionais já demonstraram interesse em comprar uma participação ou mesmo o controle da futura unidade de fertilizantes nitrogenados da estatal em Três Lagoas (MS): a russa EuroChem, a chinesa CMOC e a norte-americana Mosaic. Estimativas preliminares da Petrobras indicam que a venda poderá gerar até R$ 1,5 bilhão. É mais do que o dobro do investimento necessário para a conclusão do projeto, em torno de R$ 700 milhões. As obras estão paradas desde 2014. Consultada, a Petrobras confirmou que “procura soluções para viabilizar a retomada das obras que passarão necessariamente pelo programa de parcerias e desinvestimento já em curso”.  O reinício das obras se deve única e exclusivamente à alta probabilidade de venda do ativo e ao avanço das conversações. Na própria Petrobras, a EuroChem e a CMOC são vistas como as mais fortes candidatas, por estarem montando um colar de fábricas no Brasil. Há um mês, os russos fecharam a compra da Fertilizantes Tocantins. Os chineses, por sua vez, ficaram com os negócios de fosfato e nióbio da Anglo American no país.

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pedro-parente-relatorio-21
21.07.16
ED. 5416

Parente e Petrobras são opostos que se atraem

 A Petrobras, sempre tão arredia a “estrangeiros”, está encantada com Pedro Parente. O RR apurou que, aos olhos dos empregados da estatal, ele alia o melhor de Graça Foster com o pouco que Aldemir Bendine tinha de bom. O idílio começou com a franqueza no discurso de posse. Em uma fala dura, Parente fez questão de detalhar as dificuldades da companhia e os “dolorosos desafios” que viriam pela frente. Em contraponto à aspereza da chegada, iniciou uma série de visitas às unidades operacionais. Foi a todos os edifícios da estatal no Centro do Rio e dedicou as suas quintas-feiras a conhecer instalações da Petrobras em todo o país. Suas apresentações seguem um rito quase religioso: ao fim, Parente abre o microfone para perguntas dos funcionários, feitas praticamente face a face. O executivo não se esquiva de qualquer questão. Responde até mesmo temas mais espinhosos, como benefícios trabalhistas, desinvestimentos e venda de ativos.  A comunicação interna está tão afiada que é comum encontrar comentá- rios de Pedro Parente nas notícias veiculadas no portal na intranet da companhia. O presidente da Petrobras também tem chamado a atenção pela forma como lida com rumores, burburinhos e mesmo intrigas contra ele. Assim que um assunto ganha corpo, imediatamente ele dispara um e-mail interno com uma mensagem de esclarecimento, sempre de forma clara e direta. Em um dos casos recentes, chegou a fazer menção a uma fala de Paulo Roberto Costa em sua delação premiada. Assina todos os emails como Pedro. O executivo não gosta de ser chamado de “presidente”, o que causa um enorme estranhamento entre os funcionários da estatal, historicamente condicionados a usar tal tratamento.  Desde que assumiu, o novo nº 1 da Petrobras não deu folga a diretores e gerentes executivos. A mão que bate é a que afaga. Exigiu que fosse revisado todo o plano estratégico da Petrobras, mas postergou o prazo de entrega, deixando claro que os funcioná- rios teriam tempo para “fazer um trabalho bem feito”. Para dar suporte ao redesenho do planejamento, contratou diversas empresas de consultoria. Além disso, orientou sua diretoria a organizar workshops de dois dias, sempre às sextas e aos sábados, com o objetivo de unir o alto escalão da Petrobras. No quesito “horas trabalhadas”, a comparação entre Parente e o antecessor é até covardia. Maldosamente, Aldemir Bendine foi apelidado pelos próprios funcionários de “presidente TQQ”, devido à sua agenda “parlamentar”: normalmente, só ficava na sede da estatal às terças, quartas e quintas. Do bom corporativismo de Graça Foster, Parente manteve o contato permanente com o “chão de fábrica”. Em sua gestão, Graça criou o programa “Fale com a presidente”, em que respondia mensalmente a perguntas dos funcionários. Instituiu também um café da manhã com os empregados: a cada vez, 20 trabalhadores eram sorteados para se juntar a ela no edifício sede e conversar por cerca de duas horas. No entanto, com o tempo, as estratégias de Graça para afagar os seus não resistiram ao lado ríspido, quando não grosseiro, da executiva, que não perdoava ninguém, do mais simples funcionário ao diretor. Esse risco, ao que tudo indica, não existe com Pedro Parente.

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meio-tanque
01.07.16
ED. 5402

Venda da BR Distribuidora fica no meio tanque

 A opção pela coluna do meio – dividir o controle da BR Distribuidora irmãmente com um investidor – é a saída pela tangente hoje majoritária entre os membros do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acomoda a disposição privatista do presidente da estatal, Pedro Parente, que sairia perdedor caso tentasse, a exemplo do antecessor Aldemir Bendine, vender a maior parte ou mesmo a totalidade do capital da companhia. E também vai ao encontro das ponderações do ex-presidente do Conselho da estatal e nº 1 da Vale , Murilo Ferreira, contrário à venda da empresa já, ou seja, antes de um choque de gestão capaz de valorizar o preço do ativo. No novo modelo de associação mano a mano, a gestão seria profissionalizada, o que permitiria em um valuation futuro vender parte do capital em mãos da Petrobras com um elevado prêmio pelo controle, lançando mão da golden share para algumas funções estratégicas da distribuidora.  Abrir mão de 50% das ações da BR é um caminho intermediário: a “mãe” será capitalizada sem perder a ingerência sobre uma companhia que tem, digamos assim, outros deveres relevantes além de gerar lucro na boca da mangueira de gasolina. A BR cumpre uma série de atribuições estratégicas, que vão além das suas fronteiras corporativas e muito provavelmente não seriam seguidas à risca por um investidor privado. A empresa garante o escoamento dos derivados produzidos pela Petrobras, evitando a asfixia das refinarias estatais. Abastece regiões ermas do país, das quais as concorrentes nem chegam perto devido à baixa escala. Garante o fornecimento aos governos federal, estaduais e municipais de asfalto e emulsões para rodovias de todo o país. A importância da BR chega ainda à área de defesa: a companhia integra o Sistema de Segurança Nacional, sendo responsável pelo abastecimento de combustível de todas as Forças Armadas. Antes de mexer nesse vespeiro, o presidente da Petrobras tem muita coisa para arrumar na frente. Quer trazer profissionais gabaritados do mercado para tocar a BR, mas o primeiro passo é iniciar já a mudança de todos os processos da companhia. Vai contratar o onipresente consultor Vicente Falconi, que dará o ar da sua graça em conferência na Petrobras neste fim de semana. O cartão de visita de Falconi não é uma navalha, mas uma nota fiscal.

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 O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, está decidido a realizar uma nova auditoria na Transpetro. Será a segunda devassa na subsidiária em pouco mais de um ano – a primeira, no início da gestão Aldemir Bendine, foi conduzida pelos escritórios Gibson, Dunn & Crutcher e Trench, Rossi e Watanabe. Procurada pelo RR, a Petrobras não comentou o assunto.

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aporte
12.05.16
ED. 5367

Aporte nas estatais está no topo da agenda Temer

 As capitalizações da Petrobras e da Eletrobras, com recursos do governo, já está contratada junto ao futuro ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. É consenso entre os próceres de Michel Temer que o nível de endividamento das duas empresas superou a instância corporativa e beira a irresponsabilidade cívica. Ambas as estatais têm uma participação no crescimento econômico insubstituível. E encontram-se aos frangalhos devido a um passivo que não tem solução fora da injeção de recursos públicos. A estimativa é que a Petrobras não sai do ponto em que se encontra se não for capitalizada em R$ 100 bilhões. Essa ordem de grandeza não dispensa corte de despesas e de investimentos e venda de ativos. É uma medida indispensável, conforme Armínio Fraga, que vem sendo cogitado para a presidência da Petrobras. Quando o economista se manifesta publicamente a favor de um aporte de capital na estatal, existem pelo menos três hipóteses: ou ele está com a carteira da sua gestora de recursos abarrotada de papéis da dita cuja; ou faz o seu próprio lobby para o cargo; ou exerce o hábito de ser palpiteiro. O RR considera a terceira hipótese como a mais provável.  O modelo que está sendo cogitado é um derivativo da proposta do BTG de conversão da dívida da Petrobras junto aos bancos públicos. Em um novo ambiente econômico, com um dólar na faixa de R$ 3,20, previsão da própria estatal, a regulamentação das leis que retiram a obrigatoriedade de participação em 30% nos campos do pré-sal e o fim da exigência do similar nacional, é razoável esperar que a capitalização da empresa seja acompanhada pelo acionista minoritário. No final do ano passado, ainda com Joaquim Levy na Fazenda, e no início deste ano, com Nelson Barbosa na Pasta, Aldemir Bendine bateu na porta de ambos com o mesmo pedido. Não foi atendido. A perspectiva agora é a de que a dívida pública bruta é um problema consumado, para se resolver apenas mais à frente. O débito das estatais não pode mais ser ignorado.  A capitalização da Eletrobras será menos espetaculosa, mas não menos relevante do que a da Petrobras. Há engenhosidades sendo preparadas no laboratório de Minas e Energia de Michel Temer. Elas passam fundamentalmente pela área de transmissão. As participações da Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul no setor seriam transferidas para a própria holding, mais precisamente para um novo braço da estatal: a Eletrobras Transmissão. Esta empresa já nasceria como dona do maior colar de ativos no transporte de energia elétrica do país, com participação em quase metade das linhas transmissoras em operação e em fase de implantação. Ou seja: em uma das mãos, ativos maduros, já amortizados; na outra, a garantia de receitas futuras com a entrada em cena das novas concessões. Um mix que seria ofertado ao mercado numa bandeja de prata com a abertura de capital da Eletrobras Transmissão. Por vias oblíquas, o governo captaria recursos para a empresa-mãe tocar projetos prioritários, notadamente na área de geração – a começar pela construção das usinas do Tapajós. Nesse caso, aliás, Temer já vai receber de herança o modelo e o edital para a concessão das hidrelétricas.

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 No que depender de Wellington Moreira Franco, Aldemir Bendine permanece na presidência da Petrobras. Na visão de Moreira, não será bom fazer um turnover tão rápido na estatal. Qualquer mudança ficaria para um segundo momento. Enquanto isso, Bendine seguiria dando expediente às terças, quartas e quintas, fazendo jus ao apelido de “presidente TQQ” que recebeu dos próprios funcionários da companhia.

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07.04.16
ED. 5343

Trapalhada de Bendine vai para a conta de Dilma

 Da CVM às tradings de petróleo, passando pelas instituições do mercado de capitais, por ex-conselheiros das estatais, analistas, petroleiros e desaguando no próprio Palácio do Planalto: todos, sem exceção, fizeram ácidas críticas à ausência de uma operação de comunicação decente de Aldemir Bendine enquanto a Petrobras ia sendo jantada nas bolsas e nas mídias. O vazamento sobre a improvável decisão de redução dos preços dos combustíveis, no último domingo, foi praticamente ignorado pela estatal durante quase todo o dia seguinte, abrindo espaço para uma insurreição do Conselho de Administração e um desabamento das cotações em bolsa. A ideia de reduzir os preços dos combustíveis sem dar pelota para o caixa futuro da companhia é politicamente tão desparafusada que não poderia passar sem um desmentido radical na primeira hora, sob pena da conta do disparate ser debitada a Dilma Rousseff. Ou seja: nessa versão mefistofélica, Dilma exigiria que a Petrobras, em um momento de corte de empregos e investimentos, abrisse mão da sua fonte maior de recursos só para a presidente dar uma boa notícia da redução dos preços da gasolina e nafta. Foi isso que a lerdeza da comunicação de Bendine deixou muita gente pensando. Na terça-feira, consumado o estrago, Aldemir Bendine soltou uma nota cheia de platitudes, dizendo que a Petrobras monitora permanentemente a composição dos preços e achou uma boa hora para discutir a elasticidade preço/venda. Para confirmar que a empresa opera em Marte e não no Brasil, Bendine concluiu a opereta não afirmando coisa alguma, ou seja, que não existia qualquer decisão sobre a medida. Tanta estultice acabou levando Dilma a falar. Para não dinamitar o presidente da Petrobras de imediato, ela reconheceu que existe discrepância entre os preços internos e externos e que a companhia tanto pode mudar quanto pode não mudar. Só para não variar, disse o óbvio.  A redução dos preços dos combustíveis não só afetaria o caixa como teria um impacto simbólico na mão contrária de todo o esforço de reconstrução da imagem da Petrobras, transformando-a em simulacro de uma companhia populista ao melhor estilo venezuelano.  Aldemir Bendine, por sua vez, demonstrou não ter condições técnicas e políticas de presidir a estatal. Dilma deveria retirá-lo imediatamente. Melhor deixá-lo ganhando uns bons trocados em conselhos de administração – como no caso da BRF – do que estragando a Petrobras, que não precisa de ninguém mais para piorar a sua vida.

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05.04.16
ED. 5341

Por um fio

 Suba, desça ou mantenha-se o preço do petróleo, Aldemir Bendine está por um fio na Petrobras.

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28.03.16
ED. 5335

Estranho no ninho

 Aldemir Bendine não gosta da sede da Petrobras, parece ter alguma coisa contra o Rio e não quer saber de petroleiro. O executivo despacha a maior parte do tempo de São Paulo. Foi também o maior entusiasta da mudança da diretoria para o novo prédio da empresa. E nunca apertou a mão de um funcionário em uma das operações da estatal.

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15.03.16
ED. 5327

Bendine deixa Sete Brasil a ver navios

  Carlos Lacerda dizia que Roberto Campos ia matar os pobres de fome e os ricos de raiva. Aldemir Bendine, por sua vez, vai matar os bancos tanto de fome quanto de raiva. O presidente da Petrobras não aceitou as propostas feitas até agora pelas instituições financeiras credoras da Sete Brasil. Ele descartou a recuperação judicial defendida pelo BTG. Não foi o único pleito da instituição financeira que esbarrou em Bendine. O executivo brecou também a proposta do BTG para que a Sete Brasil fosse incorporada pela própria estatal. Neste caso, a Petrobras emitiria um lote de ações especiais, que ficariam em poder dos credores. A engenharia foi recebida na petroleira com escárnio.  Aldemir Bendine já fez chegar aos acionistas e bancos que a Petrobras provavelmente precisará de apenas cinco das 28 sondas inicialmente contratadas junto à Sete Brasil. É mais uma ducha de água fria nos sócios e credores da companhia. Antes, havia a expectativa de que a Petrobras confirmaria a compra de, ao menos, dez equipamentos. Na visão dos acionistas da Sete Brasil, está claro que Bendine quer jogar o abacaxi no colo dos bancos, eximindo a estatal de qualquer responsabilidade sobre a recuperação da empresa. Procurada pelo Relatório Reservado, a seguinte empresa não retornou ou não comentou o assunto: Petrobras

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29.12.15
ED. 5277

Sob medida

 Aldemir Bendine procura um presidente para a BR como quem cata agulha em um palheiro. O RR não é headhunter, mas recomenda um nome, o do ex-presidente da própria BR, Luiz Antônio Vianna, que revolucionou a companhia em sua gestão. Um único senão em tempos de radicalidades ideológicas: Vianna serviu à BR no governo FHC. Mas está dito com clareza: serviu à BR e não aos tucanos.

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09.12.15
ED. 5265

Nota

 Aldemir Bendine foi sondado para cantar de galo em outra rinha.

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24.11.15
ED. 5254

Ponto de ebulição

 O presidente do Conselho da Petrobras, Luiz Nelson de Carvalho, conhecido pelo temperamento ameno, tem dado sinais de que sua permanência no cargo será curta. Lidar com Aldemir Bendine é um desafio para todo o Conselho.

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21.10.15
ED. 5231

Petrobras faz lobby para gasolina ir à Lua

  O presidente da Petrobras , Aldemir Bendine, e o Conselho de Administração da estatal em peso estão pressionando a alta cúpula do governo para que aceite um reajuste dos combustíveis entre 15% e 19% este ano. A linha de raciocínio é que a pancada nos preços bem acima das expectativas – o mercado e o BC trabalham com um percentual entre 7% e 9% – tem mil e uma utilidades para a companhia e para o próprio governo. A mais óbvia é permitir uma injeção direta de recursos no caixa da empresa, corrigindo a defasagem de 17% na gasolina e de 21% no diesel. O reajuste evita ainda que seja necessária alguma capitalização mágica com o dinheiro do Tesouro, algo que vem sendo dado como favas contadas por muitos analistas, não obstante as recomendações contrárias à medida na atual circunstância política, quando tudo pode virar uma pedalada fiscal.   O argumento dos dirigentes da Petrobras é que o trade off entre o reajuste dos preços dos combustíveis e o aumento da inflação será mitigado se a correção for feita ainda este ano, deixando 2016 “limpo” de pressões inflacionárias da gasolina e do diesel e resgatando as condições da empresa recorrer ao mercado de capitais. A banca tem exigido taxas acima do que oferece a Petrobras devido à empresa ter uma dívida em dólar que custa 10% ao ano e endividamento total equivalente a cinco vezes a sua geração de caixa. Apenas com reajustes de combustíveis, a estatal conseguirá reverter a projeção de um fluxo de caixa negativo no ano que vem. As demais alternativas – venda antecipada de barris do pré-sal, transferência de recursos do Tesouro etc. – são vistas como trucagens, que podem piorar a percepção sobre a companhia. O que tem incentivado a Petrobras a seguir nessa rota é a multiplicação dos ganhos que a alteração nos preços proporcionará, com um significado mais amplo do que o benefício para o caixa da estatal. Em um contexto de arrocho fiscal e déficits orçamentários, com perdas de rating soberano, o alívio do caixa e redução dos custos de captação da Petrobras afeta não apenas a percepção de risco da estatal, mas também das grandes companhias instaladas no país.   A corrida de Bendine e Cia. se justifica também como uma forma de dar um xeque-mate na Cide. Apesar de a equipe econômica descartar sempre o uso da contribuição, sabe-se que ela é regra três para a hipótese, nada improvável, de o Congresso vetar a CPMF. Se por acaso for necessária a Cide, o aumento cobiçado dos preços dos combustíveis iria para a cucuia, pois a combina- ção de ambos é explosiva para a carestia. A Cide vai direto para o cofre do Tesouro, o aumento dos combustíveis, para o cofre da estatal. Se a Petrobras vender seu peixe antes, a Cide fica fora do cardápio. É disso que se trata.   Os dirigentes da Petrobras batem na tecla que a elevação dos preços do diesel e da gasolina, neste ano e em percentuais elevados, é boa para todo mundo. Produzirá ganhos sinérgicos de arrecadação tributária, beneficiando diretamente os estados, através do maior recolhimento do ICMS. Contribuirá também para tornar o etanol competitivo, reduzindo a situação de penúria das usinas sucroalcooleiras. A mudança no patamar de preço dos combustíveis é vista na Petrobras como fundamental para equilibrar o tripé sobre o qual está montado o plano de recuperação, juntamente com a venda de ativos e o corte de custos. A BR , por exemplo, teria uma mudança imediata nas projeções do seu fluxo de caixa, aumentando de valor e tornando-se mais apetitosa para o mercado.

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Dan Conrado, ex-presidente da Previ e homem de confiança de Aldemir Bendine, é pule de dez para assumir a presidência da Gaspetro, que reúne os ativos de distribuição de gás da Petrobras. A empresa encontra-se com 49% do seu capital à venda. Conrado só entra quando a operação for fechada.

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Caso raro de boa notícia na Avenida Chile: Aldemir Bendine pretende anunciar na próxima semana a venda de 49% da Gaspetro para a Mitsui.

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25.09.15
ED. 5214

Demissões e chantagem

A decisão da Sete Brasil de demitir 25 de seus 100 funcionários da área administrativa foi recebida pelo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine como uma escancarada tentativa de chantagem. Agora mesmo é que a estatal não terá qualquer boa vontade em aprovar o plano de reestruturação da “fabricante” de sondas.

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19.08.15
ED. 5188

Bendine dedetiza cada cantinho da BR Distribuidora

Antes que algumas baratas e escorpiões do passado comecem a subir pelos ralos e infestem o IPO da BR Distribuidora, Aldemir Bendine vai dedetizar todas as tubulações e canos da companhia. Ainda nesta semana, o presidente da Petrobras anunciará um rigoroso projeto de higienização das práticas de governança na controlada. O ponto alto será a criação de uma gerência executiva de compliance, tendo como coadjuvante o fortalecimento da ouvidoria-geral da empresa. O timing para a implantação das novas medidas não está relacionado apenas aos preparativos para a abertura de capital. A pressa de Bendine em colocar o projeto na rua e divorciar a BR da gestão anterior na Petrobras é profilática. A julgar pelos fatos recentes, as chances de a Lava Jato se espalhar pela subsidiária são cada vez maiores. Há cerca de um mês, na mesma semana em que foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, a companhia afastou dois diretores supostamente envolvidos em irregularidades – um indicado pelo PT e outro ligado ao senador Fernando Collor. O próprio presidente da BR, José Lima de Andrade Neto, está na berlinda. O executivo foi acusado por um gerente da estatal de ter favorecido a UTC Engenharia, do delator Ricardo Pessoa, em três contratos no valor total de R$ 650 milhões. Por razões mais do que óbvias, a BR Distribuidora puxará a fila, mas as medidas aplicadas na companhia serão gradativamente estendidas às demais controladas do Sistema Petrobras. Atualmente, algumas das subsidiárias já dispõem de uma área própria de compliance, que também ganharão o status de gerência executiva – no organograma da companhia, um andar que só fica abaixo das diretorias. Em todos os casos, o novo gerente responderá diretamente ao presidente e ao Conselho de Administração da respectiva subsidiária. Significa dizer que cada empresa replicará o modelo adotado na própria Petrobras, onde o diretor de Governança, Risco e Conformidade da holding, João Adalberto Elek Junior, se reporta a Bendine e ao Conselho. Se, por ventura, há outros malfeitos escondidos nos escaninhos da companhia, quanto antes aparecerem e forem devidamente debelados melhor para todos. *A Petrobras não retornou ao nosso contato.

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04.08.15
ED. 5177

Repaginação da Petrobras vai muito além do compliance

A juíza Ellen Grace, integrante do comitê especial criado para acompanhar as investigações internas sobre corrupção na Petrobras, tem a discrição como sua regra de ouro. Mas fez uma pequeníssima confidência que reflete com perfeição o espírito na empresa. Para ela, sob o aspecto econômico-financeiro, os problemas são assustadores; mas do ponto de vista da comunicação interna e externa, do compliance e das práticas de governança, a companhia está ficando um lustro. Na última sexta- feira, as palavras de Ellen fizeram coro com a apresentação de Aldemir Bendine, que divulgou as novas regras para o relacionamento entre a estatal e seus mais de 13 mil fornecedores. No entanto, a cereja no sundae da governança, ainda tratada com discrição, diz respeito à liberação de pagamentos de grandes contratos a terceiros. Na época de Paulo Roberto Costa, Renato Duque e cia., bastava uma única assinatura para que bilhões fossem movimentados. Agora, a quitação de compromissos de maior monta exige a aprovação de dois diretores, além do imprimatur do próprio Conselho de Administração. Em outro front, o comando da Petrobras tem dado uma atenção maior à ouvidoria-geral. O posto vem sendo ocupado interinamente pelo engenheiro Ricardo Antônio Abreu Ianda, há 38 anos na estatal. A companhia está à procura de um novo profissional para o cargo. O antigo responsável pela área, Paulo Otto Von Sperling, foi afastado em maio deste ano. Com o advento da Lava Jato, descobriu-se que Sperling, ex-assessor de José Dirceu, era um ouvidor que ouvia mal. Em seis anos no cargo, entre as centenas de denúncias que recebeu, ele teria dado andamento a investigações em apenas duas delas. A transmutação da estatal se reflete também na comunicação institucional. Os excessos da gestão de Maria das Graças Foster deram lugar a uma postura bem mais sóbria. Em meio à fervura da Lava Jato, não há um deslize ou resposta fora do tom tanto junto à imprensa quanto nos meios de comunicação da própria companhia, sobretudo nas mídias digitais. As declarações da diretoria e do próprio presidente se tornaram raras, e, quando feitas, extremamente contidas. Aldemir Bendine toca de ouvido com o presidente do Conselho, Murilo Ferreira, responsável pela interlocução junto ao governo, notadamente Dilma Rousseff. A miríade de interlocutores e coadjuvantes que caracterizava a comunicação institucional nas gestões anteriores desapareceu. A performance do novo comando começa a agradar o espírito corporativo da estatal. Quem conhece a empresa sabe que ganhar a admiração dos funcionários é ganhar sua alma. Tudo a seu tempo. No curto prazo, o dever de casa das restrições é inevitável. Não é à toa que, no último dia 24, houve uma greve nas unidades operacionais da companhia e já se discute uma nova paralisação.

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22.07.15
ED. 5168

Efeito moral

 Aldemir Bendine considera fundamental que a Petrobras anuncie a venda de ao menos um bloco no pré-sal até o fim de outubro. A premissa é que a operação teria um enorme valor simbólico, interferindo positivamente nas expectativas do mercado e das agências de rating.

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 No que depender de Aldemir Bendine, um executivo de fora da Petrobras – portanto, à  sua imagem e semelhança – assume a presidência da BR Distribuidora e a missão de conduzir o processo de IPO. Indicado pelo ex-ministro Edison Lobão, o atual nº 1 da BR, José Andrade de Lima Neto, está por um fio. *** Bendine, aliás, lamenta com seus botões que Paulo Rogério Caffarelli não esteja mais no mercado. Recentemente contratado pela CSN, Caffarelli foi um dos principais colaboradores da gestão Bendine no BB.

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Após encontros com Dilma Rousseff e o ministro Eduardo Braga, o chamado “Japan Team” vai se reunir nos próximos dias com Aldemir Bendine. Kawasaki e Mitsubishi, entre outras empresas japonesas sócias de estaleiros no Brasil, tentam salvar o máximo possível das encomendas penduradas na Petrobras.

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03.07.15
ED. 5155

Adviser

Dan Conrado e Aldemir Bendine, que sempre foram bem próximos na época do BB, reeditaram o dueto. Além de sua nomeação como conselheiro suplente da Petrobras, o ex-presidente da Previ tem sido uma espécie de assessor informal de Bendine para a venda de ativos da estatal.

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16.06.15
ED. 5142

Petrobras inaugura a era do “menos é mais”

 É grande a possibilidade de Murilo Ferreira vir a ser mais lembrado como presidente do Conselho de Administração da Petrobras do que como presidente executivo da Vale. Nenhuma ressalva a  sua gestão a  frente da mineradora. Muito pelo contrário: entre as grandes companhias do setor, a Vale é quem tem feito o dever de casa com mais afinco. Mas o que está para ocorrer na Petrobras, sob a égide de Ferreira, vai ficar nos livros. A empresa anunciará em breve, breve, o maior plano de desinvestimento jamais realizado no setor, um pacote capaz de tornar risíveis os U$ 13 bilhões com os quais o presidente da estatal, Aldemir Bendine, brindou o mercado na sua chegada ao comando da estatal. Mas por que é Ferreira e não Bendine quem vai empunhar o cetro dessa empreitada? Simplesmente porque o protocolo está sendo seguido. Bendine, cujo bom trabalho é reconhecido, fortaleceu o Conselho de Administração no seu papel de balizador das diretrizes da companhia e tem reduzido o poder da diretoria executiva. Ferreira facilitou a liturgia, emprestando a força da sua autoridade ao cargo de presidente do Conselho. O Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2015/19 – que deverá ser um marco da competência administrativa para alguns, e um brutal banho de sangue para outros – foi embrulhado por Bendine, mas teve seus laços extremamente apertados por Ferreira, que pediu uma redução drástica dos gastos projetados. Tudo soa demasiado no projeto. As demissões em massa têm um número previsto entre 70 mil e 100 mil pessoas. Os cortes serão principalmente de funcionários terceirizados. Causa arrepio na companhia a lembrança do último empréstimo feito quase que inteiramente para pagar gastos de custeio – por pouco não foi possível quitar a folha salarial. Mas sobrará também para a prata da casa. E a reestruturação deverá eliminar muitos cargos comissionados. As desmobilizações também surpreenderão o mercado: de unidades do parque de refino a  BR Distribuidora, passando pelos ativos de gás a  participação em campos petrolíferos. As novas refinarias também vão todas para o beleléu. Os números podem chegar a US$ 100 bilhões. Procurada pelo RR, a Petrobras afirmou que ainda não há uma data definida para a divulgação do novo PNG. Consultada sobre o número de demissões e a meta para o programa de desmobilização de ativos, a estatal não quis comentar. Murilo Ferreira considera fundamental esse choque de expectativa, pois o mercado não está acreditando que o governo fará uma política de reajuste dos preços dos combustíveis alinhada com a realidade. E faz bem mesmo em não acreditar. A independência de Ferreira como presidente do Conselho da estatal tem limites bem nítidos e a ortodoxia da política econômica vai até onde doem os calos do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ou seja, até o ponto em que não existe uma pressão maior sobre a inflação. Na diretoria da companhia há quem diga, a título de chiste, que o PNG deveria ser apresentado no ainda inabitável Centro Empresarial Senado, conjunto de prédios vizinho a  sede na Av. Chile e futura casa do alto comando da Petrobras. Seria mais do que provocativo, seria simbólico o anúncio de tamanho talho na empresa ser feito fora da sua moradia histórica. Em tempo: as fontes do RR são das áreas financeira e de estratégia corporativa da própria estatal.

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28.05.15
ED. 5130

Troca de guarda

 Agora que já assentou no cargo, limpou a contabilidade da Petrobras e anunciou o balanço, Aldemir Bendine está convicto de que chegou a hora de mexer na gestão das subsidiárias do grupo.

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25.05.15
ED. 5127

Dose dupla

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, contratou uma assessoria de imprensa para cuidar da sua imagem pessoal. O serviço é pago do próprio bolso. Os 1.146 funcionários da área de comunicação da Petrobras parecem ser insuficientes para Bendine.

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12.05.15
ED. 5118

Rei do pedaço

 Mais um sinal da força de Aldemir Bendine na Petrobras: além de ter emplacado Henrique Jager na presidência da Petros, Bendine abafou o pleito das associações de funcionários da estatal de indicar um nome para a diretoria do fundo de pensão.

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06.05.15
ED. 5114

Aldemir Bendine é o artilheiro dos sonhos da Camargo Corrêa

 Aldemir Bendine pode muito bem ficar na Petrobras – na avaliação do Planalto, sua performance na divulgação do balanço foi impecável. Pode também ir para o BNDES, intenção inicial da presidente Dilma Rousseff, conforme informou o RR. Mas, talvez, o porvir de Bendine não esteja nem de um lado nem de outro da Avenida Chile e muito menos no próprio governo. O executivo do momento teria uma proposta da iniciativa privada para um ponto futuro: Bendine iria para a Camargo Corrêa com a tarefa de comandar a reconstrução de um dos maiores grupos empresariais do país. Guardadas as devidas proporções, após conduzir o processo de higienização da Petrobras, ele replicaria a missão na outra face da Lava Jato, dedicando- se a  reestruturação de uma das empreiteiras protagonistas do escândalo.  Aldemir Bendine é um craque sob os mais diversos aspectos. Em quase cinco anos na presidência do Banco do Brasil, enfrentou dois episódios espinhosos que poderiam ter lhe custado o cargo. Em 2010, Bendine foi questionado pela aquisição de um imóvel no interior de São Paulo, no valor de R$ 150 mil, pagos em dinheiro vivo. No ano passado, num caso ainda mais rumoroso, veio a  tona o empréstimo de R$ 2,7 milhões do BB a  socialite e empresária Val Marchiori, amiga pessoal do executivo. Em ambos os casos, Bendine mostrou ter o corpo fechado. O placar de momento na Petrobras marca dois a zero a favor de Bendine. Em apenas um bimestre a  frente da estatal, o executivo conseguiu fechar o valor da baixa contábil decorrente dos episódios de corrupção e apresentar o balanço de 2014. O artilheiro Bendine já prepara o próximo chute, leia-se o anúncio de um programa de investimentos mais enxuto, adequado a s circunstâncias e ao próprio processo de desmobilização de ativos da estatal. Sai de cena a versão anterior, marcada por cifras demasiadamente anabolizadas e inexequíveis, e surge, em seu lugar, um plano de negócios factível, em linha com a realidade e com o choque de gestão em curso na estatal. Trata-se de mais um movimento que tem tudo para cair no gosto do mercado. E, no placar da Petrobras, lá estará: três a zero para Bendine. Não é a  toa que a Camargo Corrêa teria uma camisa a  sua espera.

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27.04.15
ED. 5108

Sinopec ganha um bilhete premiado para o pré-sal

 O empréstimo no valor de US$ 3,5 bilhões obtido pela Petrobras junto ao Banco de Desenvolvimento da China (CDB) passa ao largo da cessão de petróleo ao país asiático, como disse o próprio presidente da estatal, Aldemir Bendine. Os chineses querem, sim, o óleo brasileiro, mas in loco. A principal contrapartida ao financiamento é a possibilidade de um avanço ainda maior dos asiáticos no pré-sal. Mesmo que informalmente, a Sinopec passará a ter o status de parceira preferencial da Petrobras tanto em novas investidas quanto nas operações já em curso. Significa dizer que a companhia chinesa sai na frente na disputa pelos ativos que poderão ser negociados pela estatal, a começar justamente pelas participações nos blocos em que os dois grupos já estão juntos.  É o caso do BMC-33. Por meio da Repsol Sinopec, os chineses detêm 35% do consórcio, mesma fatia da norueguesa Statoil – o restante está nas mãos da Petrobras. Até o momento, já foram perfurados três poços no local, com reservas estimadas em aproximadamente 1,4 bilhão de barris. Os asiáticos querem também beliscar uma participação maior no BM-S-9, na Bacia de Santos. No momento, a Sinopec detém a menor fatia do bloco: 25%. O maior pedaço pertence justamente a  Petrobras (45%). Os outros 30%, originalmente do BG Group, estão sendo herdados pela Shell. Este é um dos ativos mais importantes da estatal e, não por acaso, um dos mais cobiçados pelos chineses. O interesse maior recai sobre o campo de Sapinhoá, que hoje responde por quase 20% da produção total de petróleo no pré-sal brasileiro. O aumento da participação da Sinopec neste bloco já pagaria, com juros e correção monetária, uma parcela expressiva do empréstimo do CDB a  Petrobras.

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13.04.15
ED. 5099

“Com quem vocês pensam que estão falando?”

 Antes de tentar mudar o que os outros dizem da Petrobras, a Petrobras está decidida a mudar o que ela diz de si própria. A recém-anunciada saída de Wilson Santarosa, que, por 11 anos, regeu com mãos de titânio a Gerência de Comunicação Institucional da companhia, vai muito além de uma simples troca de maestro. A partir de agora, o repertório e o andamento da orquestra serão bem diferentes, independentemente do novo regente, Luis Fernando Nery, ex-gerente de responsabilidade social da companhia. O fato é que a saída de Santarosa vai ensejar uma reviravolta na comunicação corporativa da Petrobras. Trata-se de uma determinação que vem de cima. O próprio Aldemir Bendine chamou o assunto para si, por entender que ele está umbilicalmente ligado ao processo de reestruturação da empresa conduzido pela nova diretoria. Na avaliação de Bendine, o árduo trabalho de reconstrução da reputação institucional da estatal depende de uma postura mais proativa e veemente da própria companhia. A Petrobras não pode e não deve mais ser vista ora como um covil de ladrões, ora como uma coitadinha que soçobrou aos malfeitos de ex-dirigentes. Durante o longo período de regência de Wilson Santarosa, a comunicação institucional da Petrobras transitou entre o Pravda e os relatos de Jean Manzon na revista Cruzeiro durante a ditadura militar. A estatal ado- tou um tom predominantemente ufanista, quase marcial. Com o surgimento do “petrolão”, talvez por inércia ou pela força das próprias circunstâncias, Santarosa optou por não reagir com maior veemência, seja por meio do relacionamento com a imprensa, seja por meio da propaganda institucional. Em determinado momento, a própria direção da Petrobras deveria ter sido a primeira a atentar para o desgaste da campanha “Superando desafios”. O desafio da Petrobras agora é outro: resgatar sua autoestima. Para isso, uma das premissas da comunicação institucional da companhia seria bombardear dados e indicadores que são motivo de orgulho para a Petrobras. Seria uma espécie de inventário do poder e da força da estatal, algo, inclusive, que ela já deveria ter feito, em vez de adotar uma postura quase de autoflagelo. Afinal, qual é a companhia que, apesar dos pesares, vai investir R$ 50 bilhões neste ano, é a maior produtora em águas profundas do mundo, figura entre as 12 maiores petroleiras do planeta em reservas e capacidade de produção e ostenta índice de sucesso de descoberta em mais de 40% dos poços abertos, enquanto a taxa média internacional é de 20%? Qual é a empresa que vai aumentar sua produção de 2,5 milhões de barris para quatro milhões diários nos próximos dez anos e tem cerca de 17 bilhões de barris em reservas absolutamente comprovadas? Quem? Quem? Quem?

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09.04.15
ED. 5097

Fator Bendine

Desde que Aldemir Bendine assumiu a presidência da Petrobras, no início de fevereiro, as ações da companhia subiram 15%.

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26.03.15
ED. 5088

Petrobras volta a campo com empreiteiras da segunda divisão

 Meio que na moita, a Petrobras retomou a contratação de empreiteiras para tocar obras que só faltam gritar por socorro. Por enquanto, a estatal vai mesmo na versão “fusquinha”: construtoras do segundo ou terceiro time chamadas para disputar as licitações. São três as pequerruchas que irão inaugurar a era pós- Lava Jato: Azevedo Travassos, Encalço Engenharia e Bueno Engenharia. Nem todas estas moçoilas são virgens no que se refere a  Lava Jato. A Bueno Engenharia foi citada pelo “empresário” Mario Goes, um dos operadores de pagamento de propina a  estatal, na nona fase da investigação, chamada de ?My Way?. Pipocou em algumas páginas de jornal, mas livrou-se do alistamento no grupo das 23 empreiteiras sub judice. As três empresas foram convocadas pela Petrobras para disputar a construção do duto de 28 polegadas e 47 quilômetros que vai de Maricá, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, ao Comperj, complexo petroquímico da estatal que se encontra em estado de hibernação. Tudo indica que Aldemir Bendine quer fazer desta volta a s obras um ato político. Só isso explica a convocação a s pressas de empreiteiras acostumadas a assistir ao jogo sentadas no banco de reservas. A Petrobras marcou a abertura do envelope para o dia 24 de abril. Só que a obra está prevista para 2016. Com um pouquinho de boa vontade, a estatal poderia esperar que alguns dos titulares se redimissem nos próximos meses, de forma a contar com a participação de algumas das maiores indústrias da construção pesada. Nada contra trazer os peso-penas. Mas o certame de obras da Petrobras não é bem o espaço apropriado para a prática de justiça social ou democratização da concorrência. E qual das convidadas vai dar um preço firme? A carta convite, aliás, continua sendo a gazua para o ingresso na Petrobras, onde não se pratica a boa e velha licitação. Desde a gestão Fernando Henrique Cardoso, a estatal está livre das amarras da Lei n° 8.666. FHC brindou-a com o expediente da escolha seleta, ou seja, ela chama quem quer para participar da concorrência pelas suas obras. Foi justamente esse sistema que acordou o Cade – o órgão antitruste identificou no expediente um convite a  formação de cartel. Realmente, não há motivo no universo que impeça a combinação de preços entre os disputantes. Mas até essa questão, no momento, é menor. O importante é que a Petrobras e o país possam contar com os préstimos da elite empresarial do setor. Já demorou demais.

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25.03.15
ED. 5087

Primeira ducha de água fria da gestão Aldemir Bendine

 Primeira ducha de água fria da gestão Aldemir Bendine. Diferentemente do que estava previsto, a Petrobras não vai divulgar suas demonstrações financeiras amanhã, durante a reunião do Conselho de Administração. Os escritórios Trench, Rossi & Watanabe e Gibson, Dunn & Crutcher não concluíram a tempo o processo de auditoria nas contas da estatal.

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20.03.15
ED. 5084

Enfim, um substituto para Cerveró na BR

 Na reunião prevista para a próxima quinta-feira, dia 26 de março, o Conselho de Administração da BR Distribuidora deverá anunciar o nome de Carlos Alberto Barra Tessarollo como novo diretor financeiro da estatal. Já não era sem tempo. O cargo está vago há exatamente um ano, desde que Nestor Cerveró foi afastado por conta das investigações na Lava Jato. De lá para cá, a área financeira foi acumulada pelo próprio presidente da BR, José Lima de Andrade Neto. A escolha de Carlos Alberto Tessarollo é uma evidência de que o poder de Aldemir Bendine já começa a se espraiar pelas subsidiárias da Petrobras. Atual gerente de seguros da estatal, Tessarollo é ligado a Ivan Monteiro, executivo que Bendine trouxe consigo do BB para assumir a diretoria financeira da Petrobras. Em tempo: o novo responsável pelas finanças da BR integra também o corpo técnico da Associação Brasileira de Gerência de Riscos. Faz sentido!

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18.03.15
ED. 5082

Editora Abril tem candidato para a Petrobras

 Dependendo de onde parte a versão, o ex-presidente da Abril Mídia, Fabio Barbosa, foi simplesmente demitido ou saiu com o objetivo de se preparar para o eventual troca troca que se prenuncia na Petrobras e no BNDES. As análises combinatórias são múltiplas. Barbosa, que já foi do Conselho da estatal, poderia ir para o lugar de Aldemir Bendine. Este, por sua vez, assumiria o posto de Luciano Coutinho no banco. Numa outra configuração, o exn º 1 da Abril iria diretamente para o BNDES, em substituição a Coutinho. Só uma hipótese está descartada: Fabio Barbosa voltar para a Abril.  Ressalte-se que o próprio Lula gosta muito de Fabio Barbosa, que já esteve cotado para assumir a Fazenda e o BC em diferentes momentos da gestão petista. Por outro lado, não custa lembrar que Barbosa estava ao lado de Giancarlo Civita quando Veja publicou, no fim de semana do segundo turno das eleições, a polêmica capa “Eles sabiam de tudo”. Entre tantas interrogações, há ao menos duas certezas: as mudanças só começarão quando Bendine entregar o fatídico balanço da Petrobras; assim como é garantido que, ainda neste ano, pelo menos uma das duas presidências, a da Petrobras ou do BNDES, terá outro nome. Garantido mesmo? Bem, a esta altura, não há sequer garantia de que a presidente Dilma Rousseff irá concluir seu mandato.

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24.02.15
ED. 5066

Luciano Coutinho fica, mas não fica no BNDES

 A confirmação de Luciano Coutinho na presidência do BNDES é mais uma medida protocolar para manter a autoridade do titular do banco do que uma garantia efetiva da sua permanência. Coutinho quer sair e já comunicou sua decisão a  presidenta pelo menos duas vezes. Trata-se, contudo, da mais boa cepa do serviço publico. Atendeu a Dilma e esperará mais um tempo pela liberação. Que ninguém aposte, no entanto, em um prazo superior a um ano ou próximo disso para sua desincompatibilização. O minueto dançado entre Luciano Coutinho e Aldemir Bendine prevê passos mais rápidos. Se nenhum dos dois escorregar e cair no chão antes, Coutinho voltará para casa por volta dos festejos setembrinos. Bendine, por sua vez, iria dar as cartas no BNDES. Afinal, nem Dilma Rousseff acredita que ele tenha perfil para poucos mais de 1.400 dias de gestão da Petrobras, mais ou menos o tempo do seu mandato na Presidência da República. Dilma está convicta de que Bendine tem fragilidades para o exercício do atual cargo, mas é com ele que pode contar neste deserto de pretendentes. Pode não ser o homem certo no lugar certo, mas é o homem possível. Um craque para a  presidência da estatal ainda não foi achado; os que foram recusaram. No futuro, o anúncio de um super-executivo pode ajudar na recuperação da imagem da empresa. Ou, quem sabe, Bendine surpreende todas as expectativas. Coutinho, com certeza, é o homem certo no lugar certo, mas já deu sua cota de contribuição a  exaustão.

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12.02.15
ED. 5061

“Síndrome de Bendine” marca a sucessão no Marfrig

 Guardadas as devidas ressalvas e proporções, o Marfrig também tem seu Aldemir Bendine. Recém-escolhido para o cargo de CEO do frigorífico, Martín Secco Arias terá de suar sangue para convencer o mercado de que é o homem certo no lugar certo. A pré-estreia não foi das mais promissoras. No melhor estilo Bendine, a confirmação do seu nome já foi o suficiente para irradiar uma onda de mau humor entre os investidores, acentuar a desconfiança em relação a  companhia e jogar para baixo o valor da ação. Nos últimos 20 dias, o papel caiu 12% – no mesmo período, o Ibovespa subiu quase 1,5%. Mas por que tamanha má vontade com o substituto de Sergio Rial, que está deixando a empresa para presidir o Conselho de Administração do Santander no Brasil? Aos olhos dos fundos de private equity e demais minoritários do Marfrig, a indicação de Secco é um forte indício de que o acionista controlador, Marcos Molina, voltará a dar as cartas na gestão da empresa, dizimando o processo de profissionalização implantado nos últimos dois anos e personificado na figura de Rial. É aí que mora o perigo. Para os investidores, Marcos Molina é sinônimo de gestão ineficiente, pouca transparência, erros de estratégia, compra de ativos duvidosos e, sobretudo, aumento do passivo. Este talvez seja o ponto que mais aflige os acionistas do Marfrig. O temor é que a saída de Rial e o retorno de Molina a  linha de frente da gestão executiva coloquem em risco a reestruturação da dívida da companhia. É bem verdade que o frigorífico contou com um cafuné do BNDES. O banco adiou de junho desse ano para janeiro de 2017 o vencimento de R$ 2,5 bilhões em debêntures da empresa. Nada que desmereça a gestão de Sergio Rial, reconhecida pelo alongamento do perfil da dívida, fechamento de ativos deficitários, aumento da geração de caixa e cumprimento das metas de receita e rentabilidade. Sergio Rial e Marcos Molina sempre tiveram um relacionamento marcado por altos (poucos) e baixos (muitos). Em dois anos e meio da gestão Rial, foram muitas as divergências, a maioria delas decorrente do apetite do executivo em cortar, cortar e cortar. A percepção é que Martín Secco – que entrou para o grupo há oito anos, quando o frigorífico de sua família no Uruguai, o Tacuarembó, foi adquirido pelo Marfrig – não tem uma carapaça suficientemente dura para resistir a s interferências do empresário. Aliás, os investidores consideram sintomática a decisão anunciada pelo Marfrig de manter o frigorífico de Alegrete aberto por mais um ano – no início de janeiro, a empresa havia anunciado a desativação da unidade. Consta que Rial era o principal defensor do fechamento da operação. Será um sinal de novos tempos no Marfrig?

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 Para início de conversa, Aldemir Bendine não veio para ficar. O ex-presidente do BB assume o comando da Petrobras em caráter provisório. Dilma Rousseff estava dividida entre ele e Luciano Coutinho para ocupar temporariamente a direção da estatal. No fim, escolheu o primeiro, dado o entendimento de que Coutinho deverá ficar mais um tempo a  frente do BNDES – por sinal, em um segundo movimento, o mais provável é que o próprio Bendine seja deslocado para a presidência do banco. O substituto de Maria das Graças Foster entra em campo ciente de que não é o titular e que Dilma continuará procurando o nome certo. A princípio, o tempo de Bendine será apenas o tempo necessário para varrer as gambiarras contábeis e limpar o balanço da empresa. Sua missão é desacreditar o que já está desacreditado e reverter a lambança feita por Graça Foster ao divulgar, a  revelia do próprio governo, um arremedo de demonstrações financeiras. Caberá a Bendine apresentar um novo balanço, com critérios contábeis mais claros e dados que expressem a real situação financeira da Petrobras. Segundo informações filtradas pelo RR junto ao epicentro das decisões, o mais grave dos erros contidos no arrazoado de números apresentado por Graça Foster foi o índice adotado para a revisão do valor contábil dos ativos da estatal. Os escritórios a serviço da Petrobras identificaram 52 ativos que podem ter sido contaminados pelos malfeitos na companhia. Segundo os números divulgados, 21 desses projetos estavam subavaliados e, uma vez redimensionados, devem gerar um lucro de R$ 27 bilhões. Em contrapartida, outros 31 ativos teriam sido superapreciados, gerando um prejuízo de R$ 88 bilhões. Deste encontro de contas, a companhia chegou a  baixa potencial de R$ 61 bilhões. O mercado, no entanto, não consegue entender por que a estatal adotou o conceito de Capital Asset Pricing Model, que não leva em consideração eventuais sinergias entre os diferentes projetos e é mais comumente aplicado em processos de venda de ativos – o que, até prova em contrário, não é o caso. O RR ouviu três consultores integrantes do conselho fiscal de grandes estatais. O trio foi unânime em afirmar que a Petrobras deveria ter adotado o conceito do Custo Médio Ponderado de Capital (WAAC, na sigla em inglês). Neste caso, a taxa de desconto sobre o fluxo de caixa seria de 6,5% e não de 12%, como ocorreu. A pedido do RR, os três refizeram as contas e chegaram a  mesma conclusão: se a Petrobras tivesse usado o WAAC, o alardeado prejuízo de R$ 61 bilhões se transformaria em um lucro de R$ 46 bilhões. O índice de 12% aplicado pela Petrobras chama mais atenção se comparado aos padrões contábeis da própria estatal. A companhia costuma usar uma taxa média de 6,5% para calcular o nível de depreciação de suas instalações. O número é bem superior também ao custo médio da dívida da empresa em moeda estrangeira, 4,9% ao ano. Não é por acaso, portanto, que os indicadores divulgados por Graça tenham causado tanto assombro no governo. O próprio ministro Joaquim Levy não conseguiu esconder a perplexidade ao ser comunicado dos números. Segundo uma fonte da Fazenda, Levy teria dito a um de seus assessores: “Só se a Graça aplicou uma taxa de desconto com um ‘custo-propina’ que está apenas na cabeça dela”. Bendine terá a missão de decantar a contabilidade da estatal e mostrar ao mercado a Petrobras como ela é. Se cumprir tal missão, quem sabe o “interino” não se transforma em “permanente”?

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02.01.15
ED. 5032

Próxima parada

 Prestes a deixar o cargo, o presidente do BB, Aldemir Bendine, quer sumir do mapa para, depois, se aninhar discretamente em uma das empresas ligadas ao grupo. Se a candidatura a  Cielo não emplacar, sua segunda opção é desembarcar em uma das seguradoras do BB em associação com a Mapfre .

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