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29.09.16
ED. 5465

Cofco transforma o Brasil em epicentro da sua operação global

 O mercado brasileiro será o centro das operações da Cofco International, o braço agrícola do grupo chinês que arrematou os ativos da Noble Group e assumiu o controle integral da trading holandesa Nidera. Apesar de a Bovespa estar fora da lista de bolsas que o grupo estuda para abrir o capital da controlada, o Brasil deverá ser a sede mundial da Cofco International e beneficiário de 40% dos investimentos de US$ 3 bilhões previstos para serem feitos até 2017 no mundo. Segundo a fonte do RR, que conhece bem o plano, a maior parte dos recursos será direcionada à instalação de plantas industriais da Cofco. Nada de aquisições. Na ponta do lápis, sai mais barato importar os equipamentos da China do que comprar ativos prontos.  Será construída uma unidade de processamento de soja no Mato Grosso, a segunda no estado, o que aumentará em 60% a capacidade produtiva da companhia no país. Serão 30 milhões de toneladas de grãos por ano, um terço do que o grupo processa no mundo. A Cofco vai ainda ampliar de 15 milhões para 20 milhões de toneladas a moagem de cana de açúcar no mercado brasileiro com a instalação de sua quinta usina sucroalcooleira no estado de São Paulo.  Ainda neste ano, a operação brasileira passará a representar 15% da receita mundial de US$ 40 bilhões da Cofco International. Será um aumento de 40% no faturamento da filial. É o melhor resultado entre os 29 países onde a companhia asiática atua. Por essas e outras que os chineses escolheram Matt Jansen para ser o CEO da Cofco International. O executivo atuou aqui por sete anos e foi o principal defensor da ideia de que o Brasil se tornasse quartel general do grupo chinês. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Cofco.

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15.09.16
ED. 5455

Maggi transforma a Conab em abobrinha

 O ministro Blairo Maggi, da Agricultura, decidiu esquartejar a Conab e restringir ao mínimo sua atuação como reguladora de estoques de safras agrícolas. O plano desenhado por Maggi prevê a privatização de metade dos 92 armazéns da estatal e ainda zera os investimentos na construção de novas unidades. A Conab ficaria apenas com os armazéns em pontos considerados estratégicos.  A decisão tem enfrentado uma renhida oposição do titular da pasta do Desenvolvimento Agrário, Osmar Terra, que vocaliza interesses de pequenos e médios agricultores, preocupados com a perda de poder da Conab e a participação privada na regulação dos estoques. Blairo deverá levar a melhor na disputa porque conta com o apoio do ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil.

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09.09.16
ED. 5451

Baixa caloria

 A Aurora Alimentos decidiu jogar suas fichas nas exportações para salvar a lavoura. O grupo, um dos maiores da área agrícola do país, deverá fechar o ano com US$ 500 milhões em vendas externas, um aumento de 25% sobre o resultado de 2015. Mesmo assim, a receita total tem crescido apenas 3% neste ano, bem abaixo dos 12% de 2015. Caminha para ser o pior resultado dos últimos quatro anos.

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20.07.16
ED. 5415

Blairo Maggi veste o figurino de vendedor da Embrapatec

 Entre os “produtos” agropecuários brasileiros que o ministro Blairo Maggi pretende vender em seu tour pelo exterior, previsto para os meses de julho e agosto, há um em especial: a Embrapatec, a futura subsidiária da Embrapa voltada à comercialização de biotecnologias desenvolvidas pela estatal. A missão de Maggi é atrair grandes grupos internacionais da área de agrociência para se associar à nova empresa. Na mira, grupos como Bayer, Basf e a suíça Syngenta. O governo ainda estuda o melhor modelo para o acasalamento entre a Embrapatec e o capital privado, mas, a princípio, a intenção é oferecer ao mercado uma participação superior a 51%. Até porque esta é uma das premissas para a criação da subsidiária: permitir a “privatização” da Embrapa, por meio do seu braço comercial, sem que seja necessária a privatização da Embrapa.  O ministro Blairo Maggi tem se empenhado pessoalmente para acelerar a votação do projeto de lei que autoriza a criação da Embrapatec, encaminhado ao Congresso no último mês de maio, ainda no governo de Dilma Rousseff. Maggi articula com os líderes da bancada ruralista, em especial o deputado gaúcho Luiz Carlos Heinze, a tramitação da proposta em caráter de urgência urgentíssima. Para o governo, o grande ganho não virá da privatização em si da Embrapatec, mas, sim, da expectativa de que a própria Embrapa dependa cada vez menos do orçamento federal. Estima-se que a abertura da subsidiária e a montagem de uma estrutura comercial no exterior sejam capazes, já no primeiro ano, de triplicar o faturamento da estatal com a venda de tecnologias. Hoje, a Embrapa tem uma receita própria de apenas R$ 120 milhões por ano, que não cobre sequer 5% do seu orçamento, em torno de R$ 3 bilhões.

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05.07.16
ED. 5404

Uma esperança chinesa para os credores do Grupo João Lyra

 Surge um fiapo de esperança para os fornecedores, credores financeiros e os mais de dez mil funcionários do Grupo João Lyra, vítimas da má gestão e dos escândalos que culminaram na falência da companhia. A possível solução vem da China. Um dos maiores produtores de açúcar e etanol da Ásia e ainda sem negócios no Brasil, o Rui Feng Group tem interesse em assumir as cinco usinas do conglomerado alagoano. Para tanto, negocia com os bancos e os administradores da massa falida uma considerável redução na dívida do João Lyra, que totaliza cerca de R$ 2 bilhões – mais de metade do valor se refere aos passivos financeiros. A relação das instituições bancárias chama a atenção pela biodiversidade: entre os principais credores estão o Banco do Nordeste, o inglês Calyon, o belga Alcotra e o francês Natixis. A venda de boa parte dos 40 mil hectares em terras em Alagoas e Minas Gerais, avaliados em aproximadamente R$ 500 milhões, permitiria o pagamento dos funcionários com alguma folga. Estima-se que as dívidas trabalhistas estejam na casa dos R$ 200 milhões.  O próprio processo de falência do Grupo João Lyra é tão nebuloso quanto a trajetória final da companhia. Desde 2012, dois juízes e dois desembargadores já passaram pelo caso e se afastaram posteriormente. Três administradores da massa falida também renunciaram ao posto, em todos os casos sem maiores justificativas para a decisão. Nesse intervalo, a dívida, que começou em R$ 1 bilhão, duplicou. No mesmo período, multiplicaram-se também as denúncias contra o usineiro e ex-deputado João Lyra. O empresário está citado na Lava Jato. A Justiça investiga as sinuosas relações entre o grupo e a BR Distribuidora, sempre costuradas por Fernando Collor. As denúncias envolvem ainda um empréstimo do Banco do Brasil ao usineiro, no valor de R$ 50 milhões, que só teria se consumado graças à intervenção do ex-presidente da República. • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: João Lyra.

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 O Tiaa-Cref está gastando US$ 50 milhões na compra de propriedades rurais no Mato Grosso. O fundo norte-americano já foi acusado de adquirir terras no país de forma irregular.

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28.06.16
ED. 5399

Ministério da Agricultura espalha o gene da burocracia

 Blairo Maggi terá de desatar um nó com a maior brevidade possível, sob risco de assistir a uma fuga de recursos em um segmento do agronegócio que vem recebendo cada vez mais capital estrangeiro: a área de melhoramento genético do rebanho. As grandes empresas do setor com atuação no país – como Alta Genetics e CRV Lagoa, ambas de origem holandesa, e ABS Pecplan, de controle inglês – vêm pressionando o ministro da Agricultura para agilizar a liberação dos registros dos animais reprodutores. Caso contrário, ameaçam suspender investimentos e até rever a sua operação no mercado brasileiro. O trio Alta Genetics, CRV e ABS, por exemplo, já desembolsou mais de R$ 150 milhões no país, mas vai demorar bem mais do que o previsto para recuperar o capital investido. As empresas se tornaram as principais reféns da burocracia do Ministério da Agricultura. Uma autorização para a venda de material genético não sai com menos de quatro meses. A comparação com o mercado internacional é cruel. Nos Estados Unidos e na Europa, o tempo de “gestação” do pedido não dura mais do que 15 dias. Não por outro motivo, temendo enfrentar a mesma via crucis da Alta Genetics, da CRV Lagoa e da ABS, outros grandes grupos internacionais do setor frearam seus planos de entrar no mercado brasileiro. Entre eles, a norte-americana Genex Cooperative e a indiana Redhu Breeders.  Se as grandes multinacionais do setor, com maior poder de fogo, padecem com o infecundo Ministério da Agricultura, o que dizer, então, dos investidores nacionais. Tome-se como referência o caso do premiadíssimo touro “Relevo da Água Boa”, pertencente ao empresário Otoni Verdi, do Mato Grosso, um dos maiores criadores de gado reprodutor do Brasil. Somente na semana passada, seis meses após o protocolo do pedido, o Ministério autorizou a venda de sêmen do animal. Nesse período, cerca de 10 mil doses já coletadas e contratadas ficaram na geladeira, à espera do sinal verde das autoridades. Significa dizer que uma quantia de aproximadamente R$ 1,5 milhão mofou no freezer da burocracia.  O mercado brasileiro de melhoramento genético do rebanho deverá movimentar neste ano mais de R$ 200 milhões. À primeira vista, pode parecer pouco. Mas, há cerca de cinco anos, esse valor não chegava sequer à metade. Além disso, trata-se de um segmento que tem se mostrado imune à crise. Mesmo com o PIB ladeira abaixo, a expectativa é que o setor cresça, em média, 6% ao ano até 2020. Somente em 2016, os fazendeiros brasileiros comprarão mais de 10 milhões de doses de sêmen geneticamente melhorado.

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27.05.16
ED. 5377

Ruralistas mandam a conta do impeachment

 O setor agrícola começa a despachar para o gabinete de Michel Temer as faturas pelo apoio ao impeachment de Dilma Rousseff. A bancada ruralista do Nordeste – à frente os senadores Eunício de Oliveira (PMDB-CE) e Benedito de Lira (PP-AL) – pressiona o presidente Temer com o objetivo de arrancar a imediata sanção da Medida Provisória 707, aprovada no plenário do Senado na última semana. A MP permitirá o abatimento de grande parte das dívidas contraídas por agricultores da região da Sudene junto a bancos públicos – notadamente BB e Banco do Nordeste. Eles poderão quitar os passivos, que totalizam cerca de R$ 6 bilhões, com deságios de até 95%.  A medida beneficiará, sim, pequenos e médios produtores, mas, no meio da multidão, aliviará o calo de grandes agricultores, especialmente empresas e cooperativas de maior porte que tomaram recursos no BNDES para a compra de caminhões. O Nordeste, ressalte-se, é apenas o começo. Dois dos mais influentes representantes do setor agrícola no Congresso, os deputados Jovair Arantes (PTB-GO) e Luiz Carlos Heinze (PPRS), já articulam para que a Presidência da República encaminhe uma nova MP ao Congresso estendendo os benefícios aos ruralistas do Centro-Oeste e da Região Sul.

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29.04.16
ED. 5358

Bloco do campo

 Líder da Frente Parlamentar da Agricultura, o deputado Luis Carlos Heinze espera anunciar nos próximos dias a adesão de um grupo de 20 parlamentares ao bloco. Com isso, a bancada ruralista passará dos 200 integrantes, superando a Frente Parlamentar da Saúde, hoje a maior do Congresso. O que está em jogo é maior poder sobre a distribuição de verbas e a agenda de votação da Câmara.

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27.04.16
ED. 5356

Temer corre para apagar o nome de Caiado

 A possível indicação de Marcos Pereira, presidente do PRB, para o Ministério da Agricultura de Michel Temer atende a dois propósitos: quitar o apoio do partido ao impeachment de Dilma Rousseff e debelar um princípio de incêndio junto ao agronegócio, importante aliado da “candidatura Temer”. O incêndio em questão tem nome e sobrenome: Ronaldo Caiado. Segundo o RR apurou, em 14 de abril, dois dias antes da votação do impeachment na Câmara, Temer convidou Caiado para ocupar um super Ministério da Agricultura, unificado à Pasta do Desenvolvimento Agrário. A escolha provocou uma forte reação no setor, que se uniu contra o nome de Caiado e, tudo indica, alcançou seu intento, obrigando Temer a mudar de direção.  De acordo com uma fonte ligada à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o presidente em exercício da entidade, João Martins, teria conversado com Temer na última quarta-feira para manifestar o descontentamento do setor com a então iminente indicação de Caiado. Fundamental na votação do impeachment de Dilma Rousseff, a bancada ruralista também já atirou suas lanças contra a ida do senador para o Ministério da Agricultura. Neste caso, a insatisfação teria chegado ao pé do ouvido de Temer na voz dos deputados do PP gaúcho Luiz Carlos Heinze e Jerônimo Goergen.  Ronaldo Caiado é dose até mesmo para os grandes proprietários rurais. Há um consenso de que sua eventual indicação para o Ministério, caso Temer volte uma casa e insista no seu nome, poderá se voltar contra o próprio setor, dada a forte resistência que o senador encontra junto à mídia e mesmo a pequenos e médios agricultores. Estes últimos sempre acusaram a UDR, a casa de Caiado, de defender os interesses do andar de cima do campo. Além disso, o senador carrega a pecha de explorador de mão de obra rural. Ressalte-se, que, em 2013, quando era deputado federal, votou contra a chamada PEC do Trabalho Escravo.

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27.04.16
ED. 5356

Passaporte

A Coamo, maior cooperativa agropecuária da América Latina, com receita de R$ 11 bilhões, começa a dar forma a seu plano de internacionalização. Está criando uma trading para atuar no exterior. A japonesa Toyota Tsusho Corporation deverá se associar ao projeto.

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25.04.16
ED. 5354

Trampolim

 Dona de 40% do capital da mato-grossense SinAgro, a United Phosphorus (UPL) estaria em negociações para a compra do controle da fabricante de agroquímicos. O objetivo dos indianos seria transformar a empresa em plataforma para novas aquisições no Brasil. Procurada, a UPL nega a operação. Já a SinAgro não se pronunciou.

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18.04.16
ED. 5350

“Aviancas” se encontram à espera do embarque da Advent

 José e German Efromovich têm muitas dúvidas sobre o futuro da Avianca e uma certeza. A convicção custou caro. Foram necessários muitos milhões em perdas financeiras para finalmente concluírem que operar separadamente a Avianca Holdings e a Avianca Brasil é rasgar dinheiro. A primeira companhia tem sob o seu radar toda a América Latina, enquanto a Avianca Brasil é uma estrela isolada da constelação. Juntas deram um prejuízo líquido de US$ 150 milhões em 2015 ao grupo Sinergy. Os resultados previstos para este ano não são muito diferentes. Os irmãos Efromovich, famosos pela sagacidade nos negócios, demoraram para entender o significado da palavra sinergia. Além dos ganhos operacionais e financeiros, a fusão das duas empresas está relacionada a uma negociação de José e German com a gestora Advent para o ingresso no capital da Avianca Holdings. Os norte-americanos querem um aumento da escala da empresa para tornar-se sócia. O ponto de maior fricção entre as partes é justamente a separação dos ativos. Com a inclusão da operação brasileira, a companhia, com sede em Bogotá, aumentaria em 15% a sua receita líquida de aproximadamente US$ 5 bilhões.  Segundo a fonte do RR, a gestora de recursos argumenta que a fusão também serviria para compensar o rombo no caixa provocado pelas perdas da operação venezuelana da Avianca. A empresa reconheceu perdas de US$ 240 milhões em função da política cambial restritiva do governo de Nicolás Maduro. Até agora, as tratativas com a Advent seguem bem. A gestora entrou em 2015 no capital da LifeMiles, empresa de milhagem da Avianca, por intermédio de um fundo regional lançado há pouco mais de um ano. Essa associação é vista pelos Efromovich como o primeiro passo de uma estratégia maior de ter a Advent como sócia da companhia aérea. A parceria abriria portas para que novos investidores entrem no negócio. Em função das restrições da lei brasileira, a Avianca Holdings deverá ter 49% do capital da empresa brasileira. O restante permanecerá com José e German. Procurada pelo RR, a Avianca não comentou o assunto.

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13.04.16
ED. 5347

Amaggi troca o Brasil por outros campos

 Menos Brasil e mais mundo. Esta é a estratégia do Grupo Amaggi. O conglomerado agroindustrial comandado pelo senador Blairo Maggi e suas quatro irmãs pretende reduzir sua exposição ao risco Brasil com a venda de ativos locais e a gradativa transferência de investimentos para o exterior. Os planos do Amaggi passam pela construção de uma unidade de esmagamento de soja nos Estados Unidos e outra na Ásia, principais mercados internacionais do grupo. Hoje, a companhia tem apenas um ativo industrial fora do Brasil – uma planta de processamento na Noruega. A aposta internacional prevê também a expansão da atividade de trading, com a abertura de escritórios comerciais em locais estratégicos.  Do outro lado desta balança, a Amaggi pretende sair do negócio de energia, desfazendo-se de suas cinco usinas térmicas. Planeja também vender algumas de suas fazendas, reduzindo a produção própria de grãos. Segundo o RR apurou, com a alienação das termelétricas e de propriedades rurais, a família espera amealhar algo em torno de R$ 500 milhões, recursos que serão usados para financiar a expansão das operações internacionais. E lá se vai mais um grande grupo nacional a exportar divisas e postos de trabalho muito compreensivelmente em busca de hedge em moeda forte, acesso a crédito mais barato, busca de uma carga tributária mais palatável e redução dos custos de logística. Procurado pelo RR, o Grupo Amaggi não comentou o assunto.

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12.04.16
ED. 5346

Carne à moda árabe

 O fundo Saudi Agricultural and Liverstock (Salic), ligado à família real da Arábia Saudita, vai investir em negócios agropecuários no país atrelados a projetos de recuperação ambiental. Já há parcerias engatilhadas no Centro-Oeste. O Salic desembarcou no Brasil no fim do ano passado, ao comprar 20% do frigorífico Minerva.

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05.04.16
ED. 5341

Novo pasto

 Com o máximo de sigilo que o assunto exige, Daniel Dantas estaria providenciando a transferência do domicílio fiscal da Agropecuária Santa Bárbara para o exterior. É menos custo e menor risco. Procurada, a empresa nega. Nem poderia ser diferente.

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 Mais uma notícia negativa para a Embrapa, que convive com seguidos cortes de verba. Dilma Rousseff determinou que a ministra Kátia Abreu congele a inclusão na nova lei agrícola de aumentos anuais do orçamento da estatal. A medida era prioridade da ministra da Agricultura.

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  Há uma “erva daninha” na SLC Agrícola, dona de uma das maiores carteiras de propriedades rurais do país. É assim que o fundo inglês Valiance Asset Management tem sido visto pelo empresário Eduardo Longemann, acionista majoritário, e pelos bancos de investimento que coabitam o capital da companhia, entre eles Credit Suisse e Deutsche Bank. Detentor de 20% da SLC Landco , veículo responsável pelas principais aquisições do grupo, o private equity resolveu driblar o acordo que selou quando entrou no negócio, há três anos. Na ocasião, ficou previsto que o Valiance desembolsaria US$ 238 milhões até 2014 para ficar com 49% da SLC Landco. Até agora, investiu US$ 53 milhões, o que é confirmado pela SLC Agrícola. Segundo fontes próximas à SLC, Eduardo Longemann e os demais acionistas estariam dispostos a comprar a participação da Valiance, informação não confirmada pela empresa. O que está em jogo são os próximos passos de um dos maiores grupos agrícolas do país, com faturamento próximo de R$ 2 bilhões. O objetivo dos acionistas é evitar que o impasse engesse futuros investimentos do grupo. Ressalte-se que o momento é propício para novas investidas na compra de terras. No ano passado, o preço do hectare caiu mais de 20%.

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29.12.15
ED. 5277

Intentona

 Um grupo de empresários do setor agropecuário ligado à ministra Katia Abreu se articula para tirar Nabhan Garcia da presidência da UDR. Na prática, os dissidentes miram em Garcia para atingir seu padrinho, o senador Ronaldo Caiado.

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22.12.15
ED. 5274

Agronegócio

 O fundo de investimento francês Althelia, focado no agribusiness, desembarcou no Brasil. Em parceria com 12 proprietários rurais do Mato Grosso, está investindo cerca de R$ 50 milhões em projetos agropecuários livres de desmatamento. Trata-se da primeira investida do Althelia em toda a América Latina.

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15.12.15
ED. 5269

Terra fértil

 A operação de agribusiness descolou de vez dos demais negócios da Bayer no Brasil, incluindo a tradicional área farmacêutica. A divisão de CropScience vai fechar o ano com um crescimento de 20% em relação a 2014, rompendo, pela primeira vez, a marca dos R$ 7 bilhões. Em cinco anos, a participação do agronegócio na receita do grupo saltou de 50% para 65%. A Bayer não nos retornou.

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13.11.15
ED. 5247

Boi da cara preta

Guilherme Bumlai, filho de José Carlos Bumlai, afastou-se da Nelore MS, entidade que reúne os grandes pecuaristas do Mato Grosso do Sul e que ele próprio comandou em 2010. Talvez tenha apenas atendido à recomendação do pai de evitar qualquer exposição; talvez já não se considere um grande pecuarista – nos últimos dois anos, os Bumlai venderam mais de dois terços de seu rebanho.

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12.11.15
ED. 5246

Toyota expande seus domínios no agronegócio brasileiro

  Não por acaso, o agronegócio será um dos temas fulcrais da visita que a presidente Dilma Rousseff fará ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, na primeira semana de dezembro. Com uma produção agrícola local incapaz de atender à demanda interna, as grandes tradings japonesas têm investido cada vez mais no Brasil em busca do grão de cada dia. Que o diga a Toyota, certamente um nome que estará sobre a mesa de negociações durante a passagem de Dilma Rousseff por Tóquio. Um ano após pagar US$ 900 milhões pela NovaAgri, a Toyota Tsusho Corporation, divisão agrícola do grupo, semeia mais uma aquisição no Brasil: o nome da vez é a Cantagalo General Grains (CGG), controlada por Josué Gomes da Silva e demais herdeiros de José de Alencar. A negociação envolve a compra não apenas dos 48,5% pertencentes aos acionistas da Coteminas, mas também dos 46% compartilhados entre outros três investidores, o fundo americano Valor Grais e as brasileiras Agrícola Estreito e GFN Agrícola. Dos sócios atuais, permaneceria apenas a também nipônica Sojitz.  O que está por trás da investida é o firme propósito da Toyota de montar uma grande operação verticalizada no Brasil, aproveitando-se dos incentivos que virão dos bancos de fomento do Japão. Segundo uma fonte familiarizada com os números e movimentos do grupo no país, os japoneses estão dispostos a investir mais de US$ 1,5 bilhão em um projeto integrado que combina propriedade de terras, produção e distribuição de grãos e logística portuária. Caso a compra da Cantagalo seja sacramentada, a Toyota adicionará mais 150 mil hectares à sua base de produção no país, em sua maioria áreas utilizadas no plantio de soja, milho e algodão. Herdará também a CGG Trading, subsidiária da empresa que movimenta mais de US$ 1,2 bilhão por ano em contratos de exportação de grãos – a Sojitz responde por mais de um terço dessas operações, o que justifica a sua permanência no negócio. Além disso, os japoneses reforçarão sua posição societária no consórcio que controla o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto de Itaqui, onde desembarcaram no ano passado com a compra da NovaAgri. As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Cantagalo e NovaAgri.

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10.11.15
ED. 5244

Aviso prévio

 Os funcionários da Monsanto terão um fim de ano angustiante. É esperado para janeiro o anúncio da cota que caberá à subsidiária brasileira no pacote global de demissões da companhia, que prevê o fechamento de 2,6 mil postos de trabalho. Os eleitos vão se juntar aos 150 já degolados no mês passado, com o fechamento da CanaVialis, braço sucroalcooleiro da Monsanto no Brasil.

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10.11.15
ED. 5244

Hora errada

 Enquanto o senador Blairo Maggi pula do PR para o PMDB, o Grupo Amaggi decidiu permanecer no PSE, o “Partido dos Sem Etanol”. O Conselho vetou a construção de uma usina à base de milho no Mato Grosso. Não é hora de imobilizar US$ 150 milhões em um investimento de retorno tão incerto. A empresa não se pronunciou.

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29.10.15
ED. 5237

Bumlai se veste de Nero e taca fogo por onde passa

  No sentido figurado, já se sabe que José Carlos Bumlai, o amigo de Lula, é um personagem “incendiário”. No entanto, para um grupo de produtores de cana de açúcar do Mato Grosso do Sul, o adjetivo também pode ser aplicado sem as aspas. Agricultores da região de Dourados estão se unindo para acionar o empresário na Justiça. A Usina São Fernando, controlada por Bumlai, é acusada de ter provocado deliberadamente o incêndio ocorrido em julho de 2013 que devastou mais de 22 mil hectares de plantações de cana no município, nas proximidades da BR-463 e da MS-279. A área em questão equivale a 3% de todos os canaviais do estado. A queimada é considerada a maior da história da cidade.  Agricultores da região cobram do grupo sucroalcooleiro uma indenização pelos prejuízos. Tomando-se como base a área atingida e o preço da matéria-prima à época, as perdas são calculadas em mais de R$ 50 milhões – diga-se de passagem, um copo de caldo de cana se comparadas à dívida total da São Fernando, estimada em aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Segundo proprietários de terras da região, a Usina São Fernando, à época já em crise financeira, teria ateado fogo em seus próprios canaviais por não ter recursos em caixa para moer a matéria-prima. As chamas, no entanto, alastraram-se por fazendas de terceiros. A Polícia Civil abriu um inquérito criminal para investigar o caso. As autoridades ambientais foram mais rápidas no gatilho: o Instituto de Meio Ambiente de Dourados (Imam) multou a Usina São Fernando em R$ 490 mil.  Consultada pelo RR, a São Fernando informa que desconhece qualquer pedido de indenização. A empresa diz que, segundo “informações preliminares da Polícia Ambiental”, o incêndio “teria se originado em uma trilha de motocross, o que, confirmado, isentará a usina de responsabilidade”. A São Fernando nega também que tenha recebido uma multa do Imam e diz que não reconhece o “referido instituto como órgão fiscalizador ambiental”. A companhia afirma ainda que José Carlos Bumlai não é acionista da Usina São Fernando, ao contrário do que dizem toda a mídia e empresários do setor ouvidos pelo RR. Segundo a empresa, o controle pertence aos quatro filhos de Bumlai.

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23.09.15
ED. 5212

Embrapa sofre com a falta de irrigação

 Nem mesmo a proximidade entre a ministra da Agricultura, Katia Abreu, e a presidente Dilma Rousseff tem sido suficiente para amortecer o impacto do ajuste fiscal sobre a Embrapa. Um dos maiores centros de inovação do país, a estatal foi atingida em cheio pelos cortes no orçamento federal. A crise nas contas públicas já ceifou mais de 30% das verbas previstas para este ano, da ordem de R$ 3 bilhões. Para 2016, o ancinho vai cavar ainda mais fundo: o orçamento da Embrapa deve ficar abaixo de R$ 1,5 bilhão.  A aridez financeira já resseca alguns dos principais planos da Embrapa. O projeto de montar centros de pesquisa e representações no exterior se transformou numa semente plantada no cimento. O Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat), desenvolvido no governo Lula com o objetivo de capacitar profissionais da área de agrociência, murchou. Os investimentos na distribuição e comercialização da Cultivance, soja transgênica desenvolvida com a Basf, também estão sob risco. Na Embrapa, já se fala até mesmo na interrupção de outras parcerias com multinacionais, como Dow e Syngenta.

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05.06.15
ED. 5135

Herdeiros da Coteminas querem distância do agronegócio

 Houve um momento em que Josué Gomes da Silva esteve com um pé no Ministério do Desenvolvimento, foi apontado por muitos como o nome mais adequado para comandar o BNDES e chegou até mesmo a flertar com a Pasta da Fazenda. No entanto, as portas do governo não se abriram e Josué segue vestindo o figurino de empresário, mais precisamente o de empresário aflito e pressionado por seus próprios familiares. Ao mesmo tempo em que toureia os sucessivos prejuízos da Coteminas – R$ 250 milhões nos últimos três anos -, cabe a ele a missão de estancar de uma vez por todas as perdas do clã no agronegócio, uma infeliz inflexão estratégica dos herdeiros de José Alencar. Neste caso, ao que tudo indica, não há mesmo outra solução se não a porta de saída. Josué já estaria negociando a venda da participação da família na Cantagalo General Grains, que atua na produção e comercialização de grãos. Do outro lado da mesa, está a japonesa Sojitz. A intenção dos Alencar é vender integralmente sua participação tanto na Cantagalo quanto na subsidiária CGC Trading. Os asiáticos, ressalte-se, já são sócios minoritários das duas empresas. Na primeira, detêm apenas 5%; na trading, sua fatia é bem mais expressiva: 43%.  Josué Gomes da Silva foi o principal artífice da entrada dos Alencar no agronegócio, a partir da associação com a Agrícola Estreito, do ex-Glencore Paulo Garcez. Em tese uma decisão mais do que acertada, em função dos resultados declinantes da Coteminas e da indústria têxtil como um todo. Na prática, porém, a Cantagalo jamais teve a performance esperada: no ano passado, o prejuízo bateu nos R$ 155 milhões. Diante das seguidas perdas, a operação tem sido cada vez mais questionada dentro da própria família. Em setembro, Josué Gomes, presidente do Conselho de Administração da Cantagalo, tentou esfriar o caldeirão com uma mudança na gestão. Numa manobra interna, convenceu o próprio Paulo Garcez a deixar a presidência da companhia, dando lugar ao ex-Previ e ex-Embraer Luiz Carlos Aguiar. Dentro da empresa, o troca-troca foi interpretado como um movimento diversionista, uma tentativa de Josué de ganhar tempo para negociar a venda da participação da família para a Sojitz. A essa altura, nem o próprio empresário quer ficar no negócio. Sua prioridade absoluta neste momento é colocar a Coteminas nos trilhos. Mas essa é outra história…

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11.03.15
ED. 5077

Soros troca etanol por energia elétrica

 A Adecoagro, companhia de investimentos agrícolas controlada por George Soros, cansou de moer cana-de-açúcar e transformar seu caixa em bagaço. Com perdas em torno de US$ 100 milhões nos últimos três anos, os norte- americanos ensaiam uma drástica guinada em sua operação no Brasil. Aos poucos, a companhia vai se afastando do setor sucroalcooleiro e se aproximando cada vez mais da área de energia elétrica. Desde o ano passado, a Adecoagro procura um comprador para as suas três usinas de álcool e açúcar no país, duas no Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais. Em contrapartida, planeja a construção de mais duas unidades de cogeração de energia no país – um contrato de longo prazo com o novo controlador das destilarias asseguraria o fornecimento do bagaço de cana utilizado como matéria- prima. As próprias circunstâncias empurram a Adecoagro para uma reestruturação de seus negócios no Brasil. Ocorre com a companhia fenômeno semelhante ao registrado em outros setores da indústria – o caso mais emblemático é o segmento de alumínio. Hoje, a empresa ganha muito mais dinheiro com a venda de energia do que em seu próprio core business. No ano passado, a Adecoagro comercializou o insumo ao preço médio de R$ 680 o megawatt/ hora, uma alta de quase 170% em relação ao valor médio praticado em 2013. Enquanto a receita com etanol cresceu parcos 4%, o faturamento com a comercialização de energia avançou 90%.

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12.02.15
ED. 5061

Katia Abreu não teme pecha de “Mrs. Agrotóxico”

 A ministra Katia Abreu vai mexer num vespeiro, ou melhor, numa imensa nuvem de gafanhotos. Katia promete mover montanhas para reduzir os prazos de análise dos pedidos para a produção de agrotóxicos no Brasil. Em média, a liberação de uma licença no país demora sete anos. Na Europa, o tempo de espera não chega a três anos; nos Estados Unidos, é ainda menor: dois anos. O problema é que a ministra da Agricultura terá de tirar leite de uma pedra que sequer lhe pertence. Qualquer ação neste sentido dependerá de uma intrincada negociação política com a Anvisa, responsável pelos estudos técnicos e pela concessão das licenças. Katia Abreu terá ainda de enfrentar a reação dos ambientalistas e a acusação, líquida e certa, de que está agindo para atender ao lobby de Bayer, Basf, Syngenta, entre outros grandes grupos internacionais do setor. A ministra da Agricultura, que um dia recebeu o nada honroso título de “Motosserra de ouro”, não teme o epíteto de “Mrs. Agrotóxico”. Ela já tem um pragmático contra-argumento na ponta da língua: a importância econômica de um setor que movimenta cerca de US$ 9 bilhões, cresceu mais de 200% em uma década e fez do Brasil o maior consumidor mundial de defensivos agrícolas, a  frente dos Estados Unidos. Para Katia Abreu, tais fatos mais do que justificam a inclusão do tema em sua lista de prioridades. E quem não gostar que saia da frente do trator.

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24.11.14
ED. 5007

IPO da Embrapa ressurge do fundo da terra

 O governo pretende desencavar um projeto que já criou raízes profundas no Congresso: o IPO da Embrapa. O assunto volta a  tona com novas nuances. A abertura de capital contemplaria a oferta de apenas 30% do capital, e não mais 49%, como prevê o projeto de lei do senador Delcídio Amaral, em hibernação no Congresso Nacional desde 2008. A redução da fatia ofertada ao mercado seria uma forma de aplacar a resistência da bancada ruralista a  operação. Líderes do agronegócio sempre consideraram excessiva a possibilidade de venda de quase metade da companhia. Desde o início, o projeto de Delcídio carregou a pecha de que levaria a uma “desnacionalização branca” da Embrapa, ao abrir tamanho espaço para a participação de grupos estrangeiros na empresa. A nova proposta para a abertura de capital da Embrapa já foi objeto de conversas entre Dilma Rousseff e a senadora Kátia Abreu, virtualmente escolhida para assumir o Ministério da Agricultura. A oferta de ações da estatal viria em um momento de grande pressão sobre a Embrapa. Empresários do agronegócio e parlamentares ligados ao setor têm cobrado do governo maiores investimentos na estatal. Mesmo internamente, há pesadas críticas a medidas adotadas durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Um dos motivos de insatisfação é o desmantelamento do Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat). O projeto foi desenvolvido durante o governo Lula com o objetivo de capacitar profissionais da área de agrociência, inclusive especialistas de outros países.

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23.06.14
ED. 4897

Agroceres cultiva uma conveniente solidão societária

 São insondáveis os caminhos percorridos pela Agroceres. Os próprios executivos da fabricante de sementes se perguntam o que está por trás dos frenéticos movimentos em curso na companhia. Em fevereiro deste ano, a empresa comprou os 50% restantes da produtora de palmito Inaceres, que pertenciam a  equatoriana Inaexpo. Neste momento, negocia a aquisição do controle integral da Agroceres PIC – 49% da companhia especializada em genética suína estão nas mãos da britânica Pig Improvement Company (PIC). Esta operação é ainda mais emblemática: os dois grupos são sócios há quase 40 anos e recentemente fecharam a compra da empresa de biotecnologia Génétiporc Internacional. A princípio, a temporada de aquisições da Agroceres poderia sugerir uma forte política expansionista. No entanto, na própria companhia as apostas vão na direção contrária, algo na linha do “comprar para vender”. A família Bittencourt, proprietária da Agroceres, estaria preparando o terreno para a posterior negociação do grupo. A aquisição das participações alheias seria uma forma de evitar que eventuais arestas societárias pudessem a atrapalhar a transferência do controle. Até porque, no que diz respeito a atritos societários, já bastam os desentendimentos entre os próprios integrantes da família Bittencourt. A Agroceres é uma empresa marcada por uma tragédia familiar. É impossível falar da companhia e de seus acionistas sem citar a perda do empresário Ney Bittencourt de Araújo, encontrado morto em seu apartamento em 1996. Na ocasião, um de seus filhos chegou a ser suspeito de assassinar o pai. O clã conseguiu superar o trauma e aprumar a gestão do grupo. Tanto conseguiu que a Agroceres, dona de um faturamento anual na casa de R$ 1 bilhão, é cobiçada por alguns dos grandes players mundiais da área de agrotecnologia. A Basf e a suíça Syngenta acompanham com lupa cada movimento feito pelos controladores da companhia. Recentemente, os herdeiros de Ney de Araújo chegaram a flertar com a ideia de IPO da Agroceres, mas recuaram diante das condições adversas do mercado. Segundo interlocutores da família, entre as incógnitas que cercam o futuro da companhia, existe uma certeza: a venda do controle deixou de ser um tabu, como era nos tempos do saudoso Ney Bittencourt de Araújo.

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23.05.14
ED. 4877

Sucessão na Bayer reforça o foco no agronegócio

 Na Bayer, só se fala em sucessão presidencial. Não exatamente a de Dilma Rousseff, mas a do nº 1 do grupo no Brasil, Theo van der Loo. O clima eleitoral eclodiu com a recente indicação de Eduardo Estrada Whipple para o comando da Bayer CropScience no país. A nomeação foi interpretada na companhia como um forte indício de que o destino de van der Loo já está selado e sacramentado, assim como o de Whipple. A presidência da divisão de agronegócio seria apenas um rito de passagem para o posto mais alto do grupo no Brasil, mudança que deverá se consumar no início de 2015. Oficialmente, a Bayer nega a troca de comando no Brasil. Estranho seria o contrário. É importante ressaltar que, se permanecer no cargo ao menos até janeiro, Theo van der Loo terá cumprido quatro anos de mandato – coincidência ou não, praticamente o mesmo período que coube aos últimos presidentes da Bayer no Brasil, Horstfried Laepple e, anteriormente, Armin Burmeister. No entanto, a percepção na empresa é que este não é um processo sucessório qualquer. A dança das cadeiras deverá levar a importantes mudanças na própria estratégia de negócios do grupo no Brasil. A provável escolha de Eduardo Whipple é vista como uma sinalização de que os alemães vão aumentar sua aposta no segmento de agribusiness, em detrimento de outras áreas de atuação no país, algumas extremamente tradicionais, como a divisão de saúde. Whipple parece ser o nome talhado para comandar uma empresa cada vez mais voltada ao agronegócio. O executivo construiu boa parte de sua trajetória dentro da Bayer na divisão CropScience. Passou por operações da subsidiária nos Estados Unidos, na Colômbia e na América Central. Até o início do ano, era o diretor de marketing da unidade no Brasil. Pragmáticos, os alemães apenas dançam conforme a música. Os acordes em questão são os números de sua operação no Brasil. Na última década, a unidade de agrociência disparou como o principal negócio do grupo no país. No início dos anos 2000, a Bayer CropScience respondia por pouco mais da metade do faturamento do conglomerado. Ao fim de 2014, deverá contribuir com mais de 70% da receita da Bayer no país, estimada em R$ 7,5 bilhões. No ranking interno, quem mais tem perdido espaço é a divisão HealthCare. No intervalo de dois anos, o braço de saúde perdeu cinco pontos percentuais de participação no faturamento total da Bayer no Brasil. Coincidentemente – ou não -, a área de HealthCare é comandada diretamente pelo próprio Theo van der Loo, que acumula o cargo com a direção geral do grupo.

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31.01.14
ED. 4829

Chineses invadem as terras da Bayer no Brasil

 Há uma nuvem de gafanhotos chineses sobrevoando as lavouras da Bayer no Brasil. Os asiáticos têm se revelado uma praga para os planos de expansão do grupo no mercado brasileiro de defensivos agrícolas. A Chongqing Huapont Pharm atravessou o caminho da Bayer e está perto de fechar a compra da Biagro, fabricante de inoculantes líquidos para uso em lavouras. Os alemães vinham mantendo negociações com a empresa desde meados do ano passado. No entanto, a Chongqing teria entrado em cena com uma oferta arrasa-quarteirão. Caso a operação se confirme, será a segunda vez em um curto espaço de tempo que a Bayer perderá um ativo no Brasil para um concorrente asiático. No início deste ano, as também chinesas Langfeng e Tide Group, acompanhadas da italiana Agroventure, fecharam a aquisição da Prentiss, fabricante de defensivos sediada no Paraná. O enredo foi similar: os alemães correram, correram, mas, nos últimos metros, acabaram superados. A iminente perda da Biagro para a Chongqing Huapont vai doer fundo na Bayer. Neste caso, o que está em jogo não é apenas a operação em si, mas o que ela representa na disputa por cada hectare do mercado brasileiro de defensivos agrícolas – setor que movimenta mais de US$ 10 bilhões e cresce, na média, 14% por ano. A investida sobre a Biagro é apenas a ponta do iceberg de um projeto maior. A Chongqing promete deslanchar uma agressiva estratégia de aquisições no Brasil. Embora dominado por grandes players internacionais, como Basf, Dupont Syngenta e a própria Bayer, o setor é povoado de fabricantes de médio porte com razoável presença regional. Ressalte-se que os chineses já têm sua raiz fincada no Brasil. São sócios da Nutrichem e da CCAB Agro, neste caso em parceria com a francesa Louis Dreyfus e com um consórcio de produtores agrícolas do Centro-Oeste, de Minas Gerais e da Bahia.

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 A vice-presidência de agronegócio que o novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, quer ver criada no BNDES tem na verdade a função de emplacar um correligionário na estrutura do banco. É bem provável que vingue. Luciano Coutinho é um bom moço. Mas só para recordar, Fibria, BR Foods, Marfrig, JBS, Maggi, Copersucar…O BNDES já é quase um banco de agronegócio.

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04.03.11
ED. 4114

Embrapa vira aríete contra sementes das multinacionais

 O governo trabalha em um projeto que pega pela raiz as grandes multinacionais da área de agrociência presentes no país, a começar por Monsanto, Bayer e Syngenta. Em jogo, a criação de uma empresa 100% nacional voltada ao desenvolvimento e a  produção de sementes, convencionais e transgênicas. O objetivo é criar uma alternativa ao oligopólio que as empresas internacionais estabeleceram no país. A companhia ficaria pendurada na Embrapa. Estão debruçados sobre o projeto o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. A proposta tem o apoio da bancada ruralista e de políticos ligados ao setor. Um dos principais interlocutores do governo tem sido o senador Blairo Maggi. O exgovernador do Mato Grosso se compromete a retomar no Congresso a antiga proposta do senador Delcídio do Amaral para a abertura de capital da Embrapa. A entrada de novos sócios, preferencialmente fundos de pensão e outros grandes investidores de capital nacional ? financiaria a criação da nova subsidiária.  Este é um daqueles projetos nos quais o governo só enxerga benefícios para todos os envolvidos. O principal objetivo é criar uma empresa capaz de concorrer e minar a primazia das multinacionais no desenvolvimento e venda de sementes, notadamente transgênicas. Hoje mais de 70% dos pedidos de patentes apreciadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) são enviados por empresas internacionais. O maior beneficiado seriam os agricultores, que passariam a ter uma nova opção para a compra de sementes. Hoje, estão praticamente na mão de três ou quatro companhias estrangeiras que estabelecem os preços do insumo e impõem draconianos reajustes anuais. O caso mais emblemático é o da Monsanto, que vive a s turras com os agricultores, principalmente nos períodos de aumento dos royalties das sementes de soja geneticamente modificadas. Entidades representativas do setor, como a Aprosoja, regularmente acionam o Ministério da Agricultura por conta da truculência com que a Monsanto conduz as negociações.  A expectativa do governo é que a nova empresa passe a arbitrar os preços das sementes transgênicas, forçando as multinacionais do setor a rever o valor dos seus royalties. Além disso, o projeto daria um novo status a  própria Embrapa, que ganharia um braço de trader com musculatura suficiente para desenvolver e comercializar sementes em outros países da América do Sul

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