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 Após uma intensa exposição no noticiário policial – por conta das acusações de agressão à ex-namorada Luíza Brunet –, Lírio Parisotto quer retornar às páginas de economia. O bilhete de volta será o anúncio em sequência de novos projetos de expansão da Innova, comprada junto à Petrobras em 2014. A petroquímica iniciou entendimentos com o governo gaúcho para a ampliação da fábrica de monômero de estireno localizada no polo de Triunfo. Vai também tirar do papel o projeto de conversão da unidade de poliestireno cristal em uma planta de ABS, matéria-prima destina às indústrias de plásticos e de eletroeletrônicos, entre outras.  Os investimentos somarão cerca de R$ 500 milhões. Nos dois casos, a Innova espera contar com financiamento público por meio do Fundo Operação Empresa do Estado (Fundopem), que prevê regras especiais para o diferimento do ICMS. Aliás, o que não falta entre Parisotto e o governador gaúcho José Ivo Sartori é uma boa química. Ambos são amigos de infância.  Mais conhecido pelas brigas societárias que costuma comprar vestindo o figurino de investidor ativista – entre outros exemplos, assim foi na Usiminas e na Eternit – Parisotto tem sido forçado a abrir o caixa para tirar o atraso de investimentos da Innova. Nos últimos anos sob a gestão da Petrobras, os aportes secaram. No total, o plano estratégico de Parisotto para a empresa soma R$ 1,2 bilhão. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Innova.

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28.06.16
ED. 5399

Ministério da Agricultura espalha o gene da burocracia

 Blairo Maggi terá de desatar um nó com a maior brevidade possível, sob risco de assistir a uma fuga de recursos em um segmento do agronegócio que vem recebendo cada vez mais capital estrangeiro: a área de melhoramento genético do rebanho. As grandes empresas do setor com atuação no país – como Alta Genetics e CRV Lagoa, ambas de origem holandesa, e ABS Pecplan, de controle inglês – vêm pressionando o ministro da Agricultura para agilizar a liberação dos registros dos animais reprodutores. Caso contrário, ameaçam suspender investimentos e até rever a sua operação no mercado brasileiro. O trio Alta Genetics, CRV e ABS, por exemplo, já desembolsou mais de R$ 150 milhões no país, mas vai demorar bem mais do que o previsto para recuperar o capital investido. As empresas se tornaram as principais reféns da burocracia do Ministério da Agricultura. Uma autorização para a venda de material genético não sai com menos de quatro meses. A comparação com o mercado internacional é cruel. Nos Estados Unidos e na Europa, o tempo de “gestação” do pedido não dura mais do que 15 dias. Não por outro motivo, temendo enfrentar a mesma via crucis da Alta Genetics, da CRV Lagoa e da ABS, outros grandes grupos internacionais do setor frearam seus planos de entrar no mercado brasileiro. Entre eles, a norte-americana Genex Cooperative e a indiana Redhu Breeders.  Se as grandes multinacionais do setor, com maior poder de fogo, padecem com o infecundo Ministério da Agricultura, o que dizer, então, dos investidores nacionais. Tome-se como referência o caso do premiadíssimo touro “Relevo da Água Boa”, pertencente ao empresário Otoni Verdi, do Mato Grosso, um dos maiores criadores de gado reprodutor do Brasil. Somente na semana passada, seis meses após o protocolo do pedido, o Ministério autorizou a venda de sêmen do animal. Nesse período, cerca de 10 mil doses já coletadas e contratadas ficaram na geladeira, à espera do sinal verde das autoridades. Significa dizer que uma quantia de aproximadamente R$ 1,5 milhão mofou no freezer da burocracia.  O mercado brasileiro de melhoramento genético do rebanho deverá movimentar neste ano mais de R$ 200 milhões. À primeira vista, pode parecer pouco. Mas, há cerca de cinco anos, esse valor não chegava sequer à metade. Além disso, trata-se de um segmento que tem se mostrado imune à crise. Mesmo com o PIB ladeira abaixo, a expectativa é que o setor cresça, em média, 6% ao ano até 2020. Somente em 2016, os fazendeiros brasileiros comprarão mais de 10 milhões de doses de sêmen geneticamente melhorado.

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