05.12.17
ED. 5759

A pós-farsa do pré-candidato Luciano Huck

A declaração do ex-pré-candidato Luciano Huck de que “nunca será político” é uma fraude pré-eleitoral de um pré -projeto de governante minúsculo. O prefixo “pré” cabe como uma luva em qualquer consideração sobre Huck. É uma lorota desenxabida que ele não cogitou a disputa para a Presidência. Ou pré-cogitou, como parece mais pertinente em relação ao pré-preclaro homem público.

O que havia seriam apenas cantos de sereia, inclusive miando dentro dele mesmo. Huck fez voos peripatéticos em torno dos tucanos íntimos Aécio Neves, Armínio Fraga e seu padrasto, Andrea Calabi. Queria beber na fonte dos filósofos de bico longo. Nessa fase, o intrépido pré–pré-candidato dizia que “é hora da minha geração ocupar os espaços de poder”. E nem sequer de longe pré-negava de que era postulante a mandatário da República. Quem cala de propósito mais do que consente.

A verdade é que o entorno político do apresentador pré-pré-governante foi se turvando. Não apenas o político, mas também o afetivo, só para citar Eike Batista, Alexandre Accioly e o próprio Andrea Calabi. Talvez o maior responsável pelo recuo de cócoras tenha sido Aécio, que apoiou o pupilo na primeira hora.

A situação criminal do senador mineiro foi ficando tão ruim que ele se tornou um antiexemplo dos dividendos da política. Impossível recomendar o mano Huck a assumir o seu pré-sonho se ele, o mentor, oscilava entre a liberdade pré-incorrupta e o cárcere. Talvez o desconforto do patrão com a candidatura tenha soado mais alto. Macular tão cedo o Tintim da Rede Globo, campeão da caridade na tela de TV, não renderia resultados para ninguém.

A pós-farsa do pré-candidato Luciano Huck Macular? Pois bem, basta procurar as fotos de Huck e sua quadrilha de amigos no Google, no Instagram, no Facebook. Talvez somente em companhia da ex-pré-primeira-dama ele tenha tido mais fotos publicadas do que com a turma da pesada. Melhor esquentar o Caldeirão e aguardar que a memória coletiva se esmaeça. Por hora Huck é pré-candidato a transformar uma dimensão política pífia em um edifício de integridade pública. Que fique na TV.

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