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40  resultados para TV Globo

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16.11.20

O caldeirão eleitoral de Luciano Huck começa a ferver mansamente

Depois de um primeiro momento de recusa, a esposa de Luciano Huck, Angélica, é a principal entusiasta da candidatura do marido. Disputará o lugar de primeira dama mais bonita da história do país.

  •  Luciano Huck já não descarta mais publicamente sua candidatura. Segundo seus colaboradores mais próximos, as condições para a disputa presidencial nunca foram tão boas.
  • A reticência de Rodrigo Maia em fazer qualquer afago à candidatura de Huck é estratégica. Se apoiar o presidenciável agora, fica sem moeda de troca futuramente.
  •  Maia se considera uma opção para vice de Huck, caso a rejeição a Moro na área política se revele muito grande.
  • De qualquer forma, Huck está indexado ao DEM, a quem chama de “direita leve”. O prefeito de Salvador, ACM Neto, é um dos seus principais assessores.
  • As articulações de Huck junto ao empresariado têm uma segunda intenção: sensibilizar o PSDB em relação à sua candidatura. Como se sabe, os melhores interlocutores com o “partido da social democracia”, são os plutocratas da Faria Lima.
  • O empresariado paulista, especialmente, disputa desde já quem será mais o próximo do candidato.
  • O clã dos Diniz está empenhado até a alma em uma futura “presidência de Luciano Huck”.
  • O chanceler do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, já jogou suas fichas no apresentador-candidato.
  • Para Cardoso somente Huck tem a empatia necessária para evitar que Bolsonaro ganhe mais uma.
  • Na área da política econômica, o “candidato Huck” traz uma novidade: um teto do gasto mais alto concomitantemente à volta do regime de metas do primário. Apud Armínio Fraga, o Paulo Guedes de Huck.
  • No meio ambiente, o economista Sérgio Besserman é quem está mais próximo de Huck. Como se sabe o discurso do presidente terá a preservação ambiental como um dos pontos centrais.
  • Armínio tem grupos técnicos trabalhando para construção do programa de governo em todas as áreas.
  • Por enquanto, o banqueiro chama os trabalhos de contribuição pública. Mas para quem? Bolsonaro? É óbvio que se trata de um planejamento para o governo Huck. Armínio Fraga é explicitamente o futuro ministro da Fazenda de Huck. Terá o papel que Guedes teve de acalmar os mercados. No quesito bom senso, comparado ao atual ministro, Armínio é uma mudança da água para o vinho.
  • Huck tem conversado com seus consultores sobre as providências em relação a sua plêiade de empresas “caso” venha a ser candidato à presidência. Não dá para ter tudo.
  • A mesma questão diz respeito a sua situação profissional de apresentador exclusivo – ele e sua esposa Angélica – da TV Globo. Huck é muito bem quisto pela família Marinho. Qualquer solução em relação à Globo será para facilitar sua candidatura. Tudo dentro dos conformes.
  • Os pensadores da “campanha” de Huck consideram que o “candidato” captura eleitores de todos os segmentos, inclusive dos bolsonaristas. As elites e os antilulistas já são dados jogados.
  • E o povão? Huck é conhecido em todo o país. Uma das ideias dos seus colaboradores é que o apresentado-candidato rode o Brasil inteiro – com ênfase no Norte e Nordeste – visitando famílias nas suas casas. O frenesi com sua chegada será transformado em lives e utilizadas na campanha. O mote será “nunca um presidente foi tão amado”.

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21.09.20

Baú da Felicidade

O SBT está interessado na compra dos direitos de transmissão da F-1 no Brasil. O contrato entre a Rede Globo e a Liberty Media, dona da categoria, termina neste ano. A emissora de Silvio Santos, ressalte-se, acaba de fechar acordo para a exibição da Taça Libertadores por aproximadamente R$ 100 milhões. De uns tempos para cá, não tem faltado fôlego à empresa. Em 2019, por exemplo, o SBT ficou com 41% das verbas publicitárias do governo federal para TV. No ano anterior, essa fatia havia sido de 29,6%.

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12.08.20

“Campanha” da reeleição começa em dezembro

A concorrência de R$ 270 milhões para a contratação de agências de publicidade, anunciada pela Secom na semana passada, é apenas a ponta do iceberg. Segundo o RR apurou, o ministro da Comunicação, Fabio Faria, recebeu a missão de lançar até dezembro uma ampla campanha publicitária para propagandear as principais realizações do governo Bolsonaro em seus dois primeiros anos. O momento é considerado estratégico no Palácio do Planalto, por marcar a virada para a segunda metade do mandato e a contagem regressiva para a eleição – Jair Bolsonaro só pensa em 2022.

A ação vai envolver todos os Ministérios. Trata-se de uma guinada em relação à estratégia de comunicação do governo até então. Sob o comando de Fabio Wajngarten, a Secom optou por não renovar quase todos os contratos herdados da administração Temer. Hoje, apenas os Ministérios da Saúde, Cidadania e Desenvolvimento Social contam com agências contratadas. Observando-se o track records recente, é possível antever que parte expressiva das verbas de TV será destinada a SBT e Record. Mas, antes que alguém faça alguma ilação pelo fato de Faria ser genro de Silvio Santos, a predileção pelas duas emissoras já é um fato consumado no governo Bolsonaro muito antes da sua nomeação para o Ministério da Comunicação.

Tomando-se como base o que se viu até agora, a gestão do presidente Bolsonaro é responsável por uma das mais injustas distribuições de verbas públicas da história recente do país. Segundo relatório do TCU, a partir de dados da própria Secom, em 2019 SBT e Record ficaram, respectivamente, com 41% e de 42,6% dos recursos do governo federal para propaganda em TV. No ano anterior, as participações das duas emissoras haviam sido de 29,6% e de 31,1%.

Significa dizer que a fatia somada da dupla cresceu mais de 20 pontos percentuais em relação a 2018. Já a Globo recebeu apenas 16,3% das verbas publicitárias para TV em 2019, contra 39,1% em 2018, último ano do governo Temer. Ou seja: do ponto de vista do viés na distribuição de verbas publicitárias, Jair Bolsonaro ganha de lavada do ex-presidente Lula, que também era acusado de ter suas predileções. A julgar pela competência e perfil técnico que Faria tem demonstrado à frente do Ministério, ele deverá ser esforçar ao máximo para reduzir o mau cheiro que vem do Palácio do Planalto.

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30.07.20

Bolsonaro e Landim têm nova jogada ensaiada

A tabelinha entre Jair Bolsonaro e Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, não se limita à polêmica MP 984, que alterou as regras para a venda de direitos de transmissão do futebol. Landim tem feito gestões junto a Bolsonaro pela mudança da Lei de Acesso Condicionado (SeAC), que regula a TV paga no país. A medida pode virar pelo avesso o concorrido mercado de aquisição de eventos esportivos no país. A principal guinada seria a permissão para que empresas de telefonia celular e operadoras de TV por assinatura possam comprar os direitos de exibição de partidas de futebol.

Aprovada em 2011, a Lei de Acesso Condicionado proíbe a participação cruzada de um mesmo player na produção e na distribuição de conteúdo. Pouco depois, diante da impossibilidade de atuar nas duas pontas, entre outros motivos, a Globo foi forçada a vender sua participação na NET. Se a MP 984 embaralhou o mercado e lançou insegurança jurídica sobre contratos em vigor, ao dar ao mandante a prerrogativa de negociar suas partidas, a alteração da SeAC poderá provocar um rebuliço ainda maior. A mudança abriria as portas desse setor para fortes players estrangeiros que hoje estão fora do game.

Vivo e Claro, por exemplo, poderiam entrar pesado na aquisição dos direitos de transmissão dos principais campeonatos de futebol do país, algo atualmente restrito às emissoras de TV e às plataformas de streaming – estas, por sinal, ainda vivem em um limbo regulatório. Com a alteração da lei, quem também poderia entrar no jogo é a Sky. Ressalte-se que o ex-presidente da operadora de TV por assinatura no país Luiz Eduardo Baptista, o BAP, é o atual vice-presidente de Relações Externas do Flamengo e um dos principais conselheiros de Landim nos assuntos referentes ao tema. À frente da Sky, BAP, muitas vezes, foi um antagonista de interesses comerciais do Grupo Globo. Jair Bolsonaro e Rodolfo Landim vivem uma conveniente simbiose.

Bolsonaro tem o poder de manejar as regras do jogo e, com isso, atender a pleitos do Flamengo; Landim, por sua vez, franqueou ao presidente da República o apoio do clube mais popular do país. O cartola rubro-negro, por sinal, é um expert em se pendurar em personagens dos quais pode obter benefícios imediatos. Foi assim com Dilma Rousseff, quando ele era presidente da BR Distribuidora e ela, ministra de Minas e Energia; foi assim com Eike Batista, de quem foi um dos “cavaleiros da távola do sol eterno”. No jogo atual, a MP 984 e a mudança na SeAC são faces da mesma moeda. Nos dois casos, a possibilidade de contrariar interesses corporativos da Globo parece galvanizar a relação entre Bolsonaro e Landim. O presidente do Flamengo, ressalte-se, recusou-se a vender à emissora os direitos de transmissão dos jogos do clube no Campeonato Carioca. E ainda levou a final da competição para o SBT, hoje uma espécie de “Sistema Bolsonaro de Televisão”. Foi tudo um jogo de cartas marcadas.

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12.05.20

Um fundo de esperança para a gestão de Regina Duarte

A secretaria de Cultura, Regina Duarte, pescou uma ideia em meio ao monumental esculacho que o roqueiro Lobão lhe aplicou nas redes sociais. Calou fundo em Regina a possibilidade de liderar um ambicioso projeto que juntasse arrecadação de fundos para a classe artística, que está à míngua – inclusive, et pour cause, com casos de suicídio – e entretenimento para os que se encontram confinados. A iniciativa seria inspirada no programa Criança Esperança, da TV Globo.

Ela envolveria verbas do governo, apoio do setor privado e participação de varias mídias, notadamente televisivas. Trata-se da realização do festival brasileiro de arte e cultura. O evento duraria uma semana. Cada dia seria dedicado a uma manifestação: música, teatro, cinema, circo, poesia etc. Os recursos seriam carreados para o fundo “Artista é Esperança”, destinado a apoiar profissionais das varias artes que se encontram em dificuldades. A ideia é mesmo boa.

Mas, viabilizá-la é que são elas. Reunir os veículos televisivos – Globo, Record, SBT – em um projeto comum é uma missão que exige raro poder de galvanização. E sensibilizar os artistas de diferentes matizes políticas exige trânsito e liderança junto à classe artística, algo que, se um dia teve, Regina perdeu com a desastrada entrevista para CNN, na qual tratou a tortura como um ato trivial. Mas, o exército de Brancaleone da Cultura está debruçado sobre a ideia, estudando formas de realizá-la. Tomara que avance na intenção. A classe artística – não confundir com os superstars do setor – é uma das maiores prejudicadas com a pandemia. Como diz o Grande Lobo, as artes são a alma de uma Nação. Um projeto grandioso desses talvez, e ressalte-se a duvidança, fosse capaz de redimir em parte a barbaridade cometida pela ex-namoradinha do Brasil.

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05.05.20

Onde a crise é mais branda

A Globo está surfando no streaming. Sua plataforma Globoplay bate recordes atrás de recordes de espectadores. Efeito direto da pandemia.

A direção do SporTV já cogita em transformar reprises de jogos antigos em um produto, para ser comercializado em sistema de payperview ou via aplicativo. A audiência das transmissões tem sido avassaladora.

A canadense EA Sports, uma das maiores fabricantes de games do mundo, também apresenta os efeitos colaterais positivos da quarentena. As vendas online do Fifa 20 no Brasil duplicaram na comparação com abril do ano passado.

O Zoom, aplicativo norte-americano de conferências digitais, está voando como nunca no Brasil. Em pouco mais de um mês, o número de downloads no país cresceu mais de 15 vezes em relação ao período pré-quarentena.

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30.01.20

Um desencontro calculado entre Flamengo e Globo

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

Engana-se quem pensa que Flamengo e Globo estão em guerra. Não por ora. Existe uma boa dose de blefe no impasse em torno da venda dos direitos de transmissão do rubro-negro no Campeonato Carioca. Há indícios de que o clube e a emissora dançam um balé de passos marcados, desencontros calculados e desfecho previsível. O Flamengo voltará às telas dos canais e plataformas do Grupo Globo ainda durante o Campeonato Carioca. Tudo faz parte do show.

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, encontrou a ambiência perfeita para “pressionar” a Globo. A conquista do Brasileiro, título da Libertadores, recordes de audiência, saúde financeira em dia e um time reserva na Taça Guanabara, o primeiro turno do Carioca… Pode parecer pouco, mas este último fator tem um peso considerável na cesta de algoritmos da decisão do Clube por ainda não ter fechado o contrato com a Globo. A necessidade de colocar um sub-23 para disputar a primeira fase do Carioca deu à direção do Flamengo tempo e condições excepcionais para testar os limites do maior grupo de comunicação do país.

Com o time sub-23 e a natural queda de audiência das suas partidas, o rubro-negro ganhou margem de manobra para convencer seus próprios patrocinadores de que este é o momento adequado para uma pontual perda de exposição na mídia. É a estratégia do recuar uma casa para avançar. Na prática, a temporada do Flamengo de verdade ainda não começou. Para todos os efeitos, a Globo não deixou de transmitir nenhum jogo do time principal do rubro-negro em 2020. Daí a leitura de que, muito provavelmente, haverá um entendimento entre as duas partes antes das finais do Carioca, caso o Flamengo se classifique.

O Flamengo pede à Globo um valor muito superior à soma das cotas dos direitos de transmissão de Botafogo, Vasco e Fluminense – algo em torno de R$ 48 milhões. Sabe que está exigindo o impossível. Significa dizer que o rubro-negro teria de gerar uma audiência três, quatro até cinco vezes superior à média de seus rivais. Isso não ocorre. Consta que a Globo, por sua vez, ofereceu um valor praticamente igual ao do contrato anterior, firmado em 2016 – por volta de R$ 18 milhões. Também não soa razoável que, depois do 2019 que teve, o Flamengo aceite praticamente um congelamento do contrato. Ou seja: os dois lados colocaram sobre a mesa cartas sabendo que elas não serão aceitas de forma recíproca. É a coreografia da negociação. Haverá recuos de parte a parte.

De toda a forma, não se pode diminuir a importância desse episódio. Pela primeira vez em anos, um grande clube brasileiro inicia uma competição sem acordo com a TV. Sem acordo com a Globo. Trata-se de um comportamento que, no mínimo, cria algum nível pouco usual de insegurança para a emissora, sobretudo com as novas plataformas de streaming batendo às portas do Brasil. Talvez ainda não seja desta vez. Mas, da próxima vez que um grande clube brasileiro disser “não” à Globo, pode não ser um balão de ensaio.

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15.01.20

Red Bull, um touro entre os cordeiros do futebol

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

O duelo entre a Red Bull e os grandes grupos brasileiros de mídia – avessos a mencionar gratuitamente em seu espaço editorial marcas associadas ao esporte – promete ser um dos grandes “clássicos” da temporada. No momento, o placar está um a zero para a fabricante de energéticos. O tento em questão veio com a mudança do escudo do Bragantino, clube paulista “takeoverizado” pela empresa austríaca. Para todos os efeitos, a Red Bull apenas alinhou sua marca no Brasil ao seu padrão global – os três times de futebol controlados pela companhia, na Alemanha, Áustria, e Estados Unidos, utilizam como distintivo a própria logomarca da bebida. No entanto, no caso específico do Brasil, o expediente ganhou outra conotação, revelando-se uma engenhosa maneira de furar o bloqueio dos grupos de comunicação. Pode estar surgindo um benchmarking no futebol brasileiro.

A mídia pode até não citar nominalmente a marca Red Bull no noticiário; no entanto, ao exibir o novo distintivo do Bragantino em suas coberturas e transmissões, veículos impressos, mídias digitais e, sobretudo, emissoras de TV serão obrigados a mostrar os dois touros mais famosos do mundo, que compõem a logo do energético. A Red Bull elevou o marketing de emboscada – a exposição indevida de uma marca em um espaço que não é seu de direito – à categoria da legitimidade. Parafraseando Zagallo, a companhia já deu um vigoroso recado às empresas de comunicação: “Vocês vão ter de me engolir”. Em negociações com a Globo para fechar a venda dos direitos de transmissão das suas partidas, o grupo austríaco não baixa a guarda. Condiciona o acordo à menção do seu nome na exibição dos jogos e na cobertura jornalística da emissora.

A disposição da Red Bull para furar o bloqueio histórico da mídia brasileira é proporcional ao seu investimento no futebol brasileiro. A empresa promete aportar cerca de R$ 200 milhões no Bragantino, valor superior à receita de 11 dos 20 clubes que disputaram a Série A em 2019. Sem precisar urgentemente dos recursos da Globo, o que coloca o Red Bull Bragantino em um nível raríssimo no futebol brasileiro, a empresa/clube tem um poder de barganha considerável nesse jogo. Não chega a ser um exagero imaginar a hipótese de o time começar o Campeonato Brasileiro, em maio, sem acordo fechado com a emissora. Tampouco pensar na possibilidade da Red Bull negociar com a Turner, em tese mais aberta à ideia de mencionar letra por letra o nome da marca em suas transmissões.

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03.01.20

Jair Bolsonaro quer fazer as pazes com a Globo

Jair Bolsonaro já deu provas de que quando é necessário exerce o bom e velho pragmatismo. Na campanha eleitoral precisou de adversários calculados entre os órgãos de imprensa para fazer o contraponto aos veículos de comunicação evangélicos aliados. A toada seguiu depois das eleições. A Globo foi escolhida como “inimiga” antes mesmo de ser inimiga. Depois veio a Folha de S. Paulo, que recebeu um ataque de extrema violência, a ponto de quase ter suspensa suas assinaturas para toda a esfera de governo. Publicidade então, nem pensar. O fato é que a Folha ascendeu ao posto de inimigo figadal, e a Globo foi deslizando do “status de mídia do mal”, digamos assim, para “mídia implicante”. O RR teve informações seguras de que, se não chega a haver um namoro, não há mais a mesma inamistosidade com o grupo carioca de mídia.

Uma entrevista de Bolsonaro à TV Globo cheia de salamaleques pode ser um primeiro passo para selar as pazes. O desarmamento dos dois bicudos não começou ontem. O insistente trabalho de aproximação feito pelo vice-presidente da Globo, Paulo Tonet – superlobista em Brasília – contou valiosos pontos. Os Marinho, com seu estilo de silêncio e discrição, também colaboraram. Para a distensão somou ainda um editorial caloroso de O Globo com tema e timing corretos. A figura onipresente de Paulo Guedes também colaborou, mineiramente, para mitigar o incômodo entre as partes. João Roberto Marinho tem declarada admiração intelectual por Guedes.

Na Globo, contudo, não há percepção de que sinais concretos de simpatia emanem do Planalto. Persiste o incômodo com a diferença de tratamento na aprovação da publicidade. Com o recente noticiário mais agressivo sobre o caso Flavio Bolsonaro, o RR voltou a sua fonte para sondar se algo tinha mudado. A resposta foi que estava tudo como dantes no quartel de Abrantes. Ou seja, a disposição para o flerte persiste. Também ficou claro que um ponto de inflexão nas relações mútuas seriam as próximas eleições. Trata-se de acontecimento demasiadamente relevante para que o Palácio do Planalto e o Grupo Globo simplesmente ignorem a necessidade de entendimentos. Bem, que se deixe claro que qualquer arranjo pode ser efêmero. O Palácio do Planalto jogou em alguma ribanceira o critério de mídia técnica.

Durante todo o ano de 2019, os anúncios obedeceram à régua da maior ou menor subserviência ao governo. A Record ganhou mais
dinheiro do que em toda a história da emissora. O SBT também fez a farra. Com tamanha assimetria de tratamento, ninguém pode arriscar que as pazes durem tanto. Portanto, ao contrário dos dizeres de Tomasi di Lampedusa, é preciso garantir que mudanças foram feitas para que as coisas mudem mesmo. Com o tratamento a seco nos anúncios, a Globo dispensa carinhos. O RR acredita que
todos têm o benefício de mudar para melhor. Até mesmo Jair Bolsonaro

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03.12.19

A constante abertura do mercado nacional de comunicação

Observatório

Por Cezar Faccioli, jornalista econômico.

A abertura definitiva às “nações amigas” do mercado brasileiro de comunicações, entretenimento & mídia está em pauta, ainda que sob enorme discrição, em alguns dos principais acordos de comércio, serviços e investimento de que o Brasil participa. O tema é abordado, por exemplo, no rascunho do acordo de associação entre Mercosul e União Europeia (o qual ainda não foi posto a termo por completo), na seção temas não tarifários, especificamente no comércio de serviços. Em linhas gerais, o setor de serviços, que inclui áreas estratégicas como bancos, tecnologia de informação e empresas de mídia, deve ser liberalizado para garantir um ambiente competitivo e coibir abusos de empresas dominantes, como está escrito no texto do rascunho do acordo, divulgado pelo governo brasileiro.

As discussões em curso com os Estados Unidos, em estágio mais preliminar, mas favorecidas pela afinidade entre a Casa Branca e o Planalto, seguem cartilha semelhante. O alegado incentivo à competitividade favorece, ao menos em tese, discussões polêmicas no Congresso, como uma Lei de Meios, que estabelece restrições à concentração de propriedade de veículos de comunicação em uma mesma região. Em contrapartida, a exemplo do que aconteceu com as empresas de telecomunicações e telefonia, o esperado reforço da presença de grupos estrangeiros de primeira linha pode ser usado como argumento para eliminar restrições legais a fusões e aquisições.

No plano jurídico/regulatório interno, o que existe de mais forte no momento é a articulação das teles para derrubar o artigo 6° da lei 12.485, que as impede de produzir ou adquirir os direitos de conteúdo audiovisual. Se essa proibição cai, elas poderão investir em produção de obras audiovisuais e na compra de direitos de grandes eventos esportivos, por exemplo, como já fazem os grandes players estrangeiros como Fox, Disney/ESPN e HBO. Integração é o nome do jogo, com a combinação de conexão capaz de suportar programações de grandes volumes de dados, capacidade de produção e retenção de talentos, por muito tempo um pacote restrito a grupos locais. Na avaliação de especialistas em mercados de Entretenimento & Mídia, o interesse maior dos grandes grupos estrangeiros seria em concorrer via streaming ou acesso multiplataforma, mais do que comprar grupos locais como Globo e SBT.

As teles, em particular, querem o direito de ter canais de TV (especialmente a Claro já manifestou esse desejo) e, principalmente, poder investir na produção de conteúdo para seus serviços de streaming (Claro Vídeo, Now etc). Esses analistas não identificam, no momento, movimentação para entrarem na TV aberta, por exemplo. As emissoras de TV ainda respondem pela maior fatia da receita publicitária no Brasil, por sinal; mas o predomínio apresenta um declínio, em favor dos meios digitais. A publicidade na TV aberta foi responsável por 47% dos gastos de anunciantes em 2017 e deve cair para 42% em 2022. Já a publicidade digital saltará de 23%, em 2017, para 31% do total da publicidade em 2022, de acordo com as projeções da Price Waterhouse Coopers para o período 2018/2022. No Brasil, o gasto total em publicidade deve crescer 5,3% ao ano até 2022, mas com diferenças acentuadas entre os segmentos analisados:

● Em 2017, 37% dos gastos do consumidor com E&M foram destinados a acesso à internet. Em 2022, serão mais de 50%.
● Os gastos nas plataformas digitais apresentam crescimento mais acelerado que os demais. Esses gastos serão liderados por games, publicidade digital e OTT – vídeo na internet.
● Os segmentos que serão impactados de forma mais negativa nos próximos anos são os que concentram mais receitas nos formatos tradicionais (offline): revistas, jornais, livros e TV por assinatura.
● Apesar do crescimento acelerado do streaming de vídeo e de música, as receitas de bilheteria de cinema e shows ao vivo devem apresentar crescimento consistente nos próximos anos. De fato, a demanda por experiências compartilhadas e ao vivo se mantém no Brasil e no mundo. A combinação desses dados ajuda a explicar a necessidade de investimentos pesados em infraestrutura de rede, a importância de controlar a produção de conteúdos capazes de atrair interesse em diferentes plataformas, gerando tráfego e consequentemente receita, além da concorrência cruzada e cada dia mais intensa no segmento. O conhecimento dos mercados, particularmente das diferenças regionais, e a influência política decorrente do controle dos veículos de comunicação são trunfos importantes em favor dos players nacionais, mas enfrentam uma erosão decorrente das mudanças no ambiente político-regulatório, que apontam para uma abertura maior a novos e poderosos players externos, a julgar pelas mudanças registradas desde 2002, com a flexibilização das restrições à participação do capital estrangeiro nos serviços de TV por assinatura.

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