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41  resultados para Ambev

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29.12.17
ED. 5776

“Furo certo” é o candidato do RR para 2018

No 12 de maio, quando ainda vigorava a projeção de R$ 139 bilhões, o Relatório Reservado informou que o déficit primário em 2017 ficaria acima dos R$ 154 bilhões do ano passado. Bingo! Deu R$ 159 bilhões na cabeça. Esta foi uma das mais reveladoras bolas de cristal do RR no ano. Ao longo de 2017, a newsletter deu, em primeira mão, 2.582 informações; citou 298 corporações dos mais diversos setores, mencionou 1.122 personagens centrais na cena brasileira, entre dirigentes empresariais, políticos e autoridades. Os oráculos do RR estão sempre em alerta!

Ao longo do ano, o RR antecipou várias das fórmulas que compuseram o receituário de Michel Temer e Henrique Meirelles, seja entre medidas efetivamente adotadas, seja entre propostas que não saíram do papel: da segunda perna da repatriação à securitização de imóveis e outros ativos da União, passando pelo uso de precatórios – leia-se depósitos judiciais não sacados pelos credores há mais de dois anos – para o equilíbrio fiscal. O RR foi também a primeira publicação a revelar, em 21 de fevereiro, a disposição do presidente Temer em extinguir a Reserva Nacional do Cobre (Renca). Temer assinou embaixo o furo do RR, só que a lápis: anunciou o fim da Renca, mas não suportou as manifestações contrárias e voltou atrás em sua decisão.

Por falar em sístoles e diástoles presidenciais, em 16 de janeiro o RR informou que Michel Temer empurraria para seu sucessor a reforma da Previdência dos militares. Aliás, em algumas ocasiões ao longo de 2017, as Forças Armadas, notadamente o Exército, foram empurradas, por “aproximações sucessivas”, para o centro das crepitações político-institucionais. A Corporação, no entanto, não arredou um só milímetro do seu ponto de equilíbrio muito em função da capacidade de liderança do Comandante Eduardo Villas Bôas, não obstante suas notórias limitações decorrentes de uma doença degenerativa – informação, aliás, divulgada com exclusividade pelo RR em 13 de março.

A Lava Jato parece ter entrado em processo de fade out. Ainda assim, em 2017, o RR perscrutou os passos de seus principais protagonistas. O reino de crimes de Sérgio Cabral foi virado e revirado pelo Ministério Público, pelo Judiciário e pelas fontes da publicação. Em 1 de fevereiro, a newsletter antecipou a investida da Lava Jato e de sua consorte Calicute sobre Regis Fichtner, secretário da Casa Civil durante do governo Cabral. No dia 20 do mesmo mês, o Relatório noticiou que o MPF exumava os benefícios fiscais concedidos em sua gestão. Em 23 de outubro informou que o ex-secretário de Saúde do Rio Sergio Cortes havia revelado aos procuradores um esquema para a compra de vacinas, medicamentos e próteses, o que viria a ser amplamente divulgado pela mídia na primeira semana de novembro.

No noticiário corporativo, a publicação antecipou, em 20 de fevereiro, uma das maiores operações de M&A do país em 2017 – e, convenhamos, não foram muitas: a venda da Votorantim Siderurgia para a ArcelorMittal. A negociação seria oficialmente anunciada três dias depois. Ainda em fevereiro, o RR informou que a área de refino também entraria no plano de desmobilização de ativos da Petrobras, decisão confirmada pelo presidente da estatal, Pedro Parente, em abril. A newsletter revelou também o cheiro do ralo da AmBev: na edição de 18 de janeiro, trouxe à tona o relatório, àquela altura inédito, do analista do HSBC Carlos Laboy, listando 15 graves problemas da cervejeira: do uso de caixas sujas com odor de cerveja podre no assoalho à falta de uma estratégia para as bebidas alcoólicas.

A fama de “pé sujo” custou muito em marketing e propaganda para a empresa de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. Da economia real para a “virtualíssima”, o RR acertou em cheio, mais uma vez, na edição de 15 de setembro, quando informou que o BC e a CVM haviam criado grupos de  trabalho para acompanhar o crescimento do mercado de bitcoins no país. Ao apagar das luzes de 2017, só para não variar, mais um furo se consuma: a venda da Unidas à Locamerica, noticiada em junho. Por fim, um furo de reportagem, que vale mais pela admiração da newsletter em relação ao personagem: em 27 de janeiro, o RR informou sobre o lançamento da biografia do então presidente do Conselho do Bradesco, Lázaro Brandão.

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01.09.17
ED. 5696

Eletrobras reluz aos olhos de Jorge Paulo Lemann

Não é novidade nos corredores da Eletrobras o interesse da trinca Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira na privatização da companhia. Trata-se de um casamento de interesses quase perfeito, a despeito do mérito da venda da empresa e do modelo a ser escolhido. Lemann está para a Eletrobras assim como um ketchup para um hambúrguer. A holding de energia elétrica seria um monopólio sob medida para os seus atributos e sua consagração como empresário do setor real da economia.

A gestora 3G Radar, associada da 3G Capital, do trio Lemann/Telles/ Sicupira, já é acionista minoritária da Eletrobras. Ela está vasculhando informações sobre a estatal, produzindo relatórios e colaborando informalmente com a modelagem da operação. Um dos quadros da 3G Radar é um interlocutor constante do Ministério de Minas e Energia.

Para o governo, a atração de Jorge Paulo Lemann vai ao encontro do seu cronograma prioritário: a privatização da Eletrobras tem de sair em 2018. O megaempresário traz a grife do sucesso internacional, carrega a bandeira verde amarela, é altamente capitalizado, tem crédito no mercado, é um gerador de ebitda, tem uma tradição de reestruturação de custos e ganhos de eficiência e será bem precificado pelas bolsas. Para Lemann, quanto maior for a barafunda nos passivos, contingências, contratos etc., mais atrativo torna-se o negócio.

A contradição em termos explica-se pela assimetria de competências: o que é um problema para uns é a oportunidade para o notório desbravador de complicados M&As. E a política? E a exposição da Eletrobras nesse universo de interesses locais? Não seria nada do outro mundo.

A Ambev deu a Jorge Paulo Lemann a experiência de lidar com as bancadas regionais de parlamentares do Brasil inteiro. E a disposição do governo em criar uma corporation com controle pulverizado? Moleza para Lemann montar uma engenharia que lhe permita ter o “controle sem ter o controle”. Basta lembrar do nascimento da Imbev, a associação entre a Ambev e a belga Interbrew.

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26.07.17
ED. 5669

Copo furado

Segundo informações filtradas da AmBev, a empresa amargou nova queda do Ebitda no segundo trimestre. O recuo em relação a igual período em 2016 deverá girar em torno dos 8% – os resultados serão apresentados amanhã. Se serve de alento, no primeiro trimestre deste ano a redução do Ebitda foi ainda mais difícil de engolir (17%). Consultada, a AmBev não se manifestou, alegando estar em período de silêncio.

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06.06.17
ED. 5634

Atingida por Palocci

A Ambev será uma das empresas atingidas pela delação de Antonio Palocci. Segundo fonte do Ministério Público, a denúncia passa pela concessão de benefícios fiscais na Amazônia.

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12.05.17
ED. 5617

Ambev bancária

O Itaú está comprando startups a granel. A estratégia é parecida à da Ambev com as pequenas cervejarias premium: comprar para matar a indústria nascente antes que ela o mate.

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08.05.17
ED. 5613

Há muita espuma no market share da Ambev

Há dúvida se o avanço de market share da Ambev no primeiro trimestre é sustentável ou se a empresa simplesmente comprou mercado com ações custosas de marketing e preços. A companhia expandiu em 3,4% seu volume de vendas no período contra uma queda de 2% de todo o mercado. O resultado, porém, foi obtido com um recuo do Ebitda de 23,8%. Ou seja: a cervejeira vendeu muito mais e ganhou bem menos. A empresa atribui a queda do lucro à apreciação do real. O resultado do segundo trimestre será determinante para o tira-teima se a Ambev está realmente aumentando a produtividade ou apenas fazendo o que as empresas com o perfil monopólico fazem em situações de queda dos mercados: usar seu poder de fogo com ações agressivas, assimétricas em relação à concorrência, quase abusivas, para deslocá-las ainda mais na distância do market share. Essa prática, na maioria das vezes, visa mais as cotações em bolsa do que o avanço consistente dos resultados.

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11.04.17
ED. 5597

Cerveja choca

O súbito afago de Pezão à Ambev deverá ficar só na vontade. O Ministério Público do Rio já pediu à Justiça para barrar o projeto de lei do governo do Rio que dá à cervejeira R$ 650 milhões em isenções fiscais nos próximos 20 anos. Em média, são R$ 32 milhões por ano, o suficiente, por exemplo, para pagar de uma só vez as dívidas da Uerj com fornecedores (R$ 26 milhões).

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05.04.17
ED. 5593

AmBev segura preço com rédea curta

Nada como a concorrência. Segundo relatório recém-elaborado pelo Bradesco, ao longo de 2016 a AmBev reajustou seus preços em apenas 1%. O índice ficou abaixou do aumento promovido pela Heineken (2%) – ambos bem inferiores à inflação de 2016 (6,29%). Como se não bastasse este confronto direto, que ganhou mais levedura com a venda da Brasil Kirin para os holandeses, a empresa de Jorge Paulo Lemann está segurando seus preços na tentativa de recuperar o terreno perdido em 2016. No ano passado, a AmBev amargou uma redução das vendas de 6,6% e uma queda de market share de 67,5% para 66,3%. Parte do mercado que deixou pelo caminho foi absorvida pela própria Brasil Kirin, que aumentou o volume de cerveja comercializado em 1,3%. Vale lembrar que cada pontinho percentual perdido representa mais de R$ 800 milhões de receita anual que escorrem pelo ralo.

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22.03.17
ED. 5583

Ambev de porre

A Ambev, que detém 66% de market share no país, entrou com uma representação no Cade reclamando que a Heineken vai concentrar mercado após a compra da Brasil Kirin. Non sense puro. A Heineken vai ficar com um pouquinho mais de 19%. Se continuar disparatando, a Ambev vai acabar acusando a Cervejaria Piau, do Piauí, de alcançar 0,111111% de mercado.

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09.03.17
ED. 5574

Heineken sobe a temperatura do mercado cervejeiro

A aquisição da Brasil Kirin é o ponto de partida do grande projeto de expansão da Heineken no mercado brasileiro, que passa por expressivos investimentos em distribuição, expansão da rede de re-venda e consolidação de ativos. A companhia adotará uma estratégia de marketing mais agressiva, focada nos pontos de venda, com o intuito de disputar espaço consumidor a consumidor. Não é para menos: cada ponto a mais de market share no setor significa uma receita anual próxima dos R$ 800 milhões.

No entanto, para matar a sede dos holandeses no mercado brasileiro só mesmo com novas aquisições. Neste caso, todos os caminhos apontam na direção da Petrópolis. A companhia é vista como uma presa enfraquecida por uma conjunção de fatores. Habituada a disputar a vice-liderança do setor, a fabricante da Itaipava ficou em uma posição difícil. Com aproximadamente 13% de share, viu a Heineken abrir uma boa distância ao saltar de 9% para 17%. Outro ingrediente nessa levedura é a Lava Jato.

O avanço das investigações sobre Walter Faria e a Petrópolis fragiliza a companhia e pressiona o empresário a deixar o negócio. Ressalte-se que os problemas fiscais de Faria vão muito além da Lava Jato. Uma eventual aquisição da Petrópolis pela Heineken criaria uma circunstância até pouco tempo inimaginável, com o surgimento de um concorrente capaz de arranhar a condição de quase monopolista da Ambev.

Até porque a cervejeira de Jorge Paulo Lemann e cia. tem contribuído para esse cenário com seus próprios erros estratégicos. Há sete anos, segundo a Nielsen, a Ambev dominava 70% das vendas de cerveja no Brasil. De lá para cá, seu market share caiu para 66%. Há controvérsias. De acordo com os dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal, sua participação não passa de 58%. No caso de compra da Petrópolis, a Heineken passaria a ser uma “Meia Ambev”, com 30% do mercado.

A Ambev corre sério risco de ver essa diferença cair ainda mais caso não resolva problemas crônicos. Segundo relatório do analista Carlos Laboy, do HSBC Securities, divulgado no dia 2 de março, a “estratégia de marketing adotada pela companhia nos últimos anos fracassou no sentido de convencer os consumidores sobre o valor e a diferença das marcas”. Na sua avaliação, a “empresa se recusa a admitir as falhas mercadológicas, se limitando a classificar a situação como temporária”.

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07.03.17
ED. 5572

Uma cerveja que vale ouro

Há apenas quatro meses no cargo, a vice-presidente de marketing da Pepsico no Brasil, Daniela Cachich, tem sido intensamente cortejada por head hunters. De onde vêm os caçadores? No setor, há quem diga que a AmBev pagaria o que fosse para ter a executiva que até outubro do ano passado comandava toda a estratégia de vendas da Heineken no Brasil. Ainda mais agora que os holandeses compraram a Brasil Kirin.

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14.02.17
ED. 5560

Ambev quer o controle total de seus recipientes

Baratas, insetos, mosquitos, dejetos… Segundo uma fonte do RR, a Ambev teria criado uma força tarefa para buscar o estado da arte em como lidar com os casos de invasão dos seus recipientes. São episódios raros, sem dúvida, mas que podem ser verificados no Procon e em sites como Conjur e Reclame Aqui. Algumas das questões relevantes que fazem parte da agenda permanente são as seguintes: a contrapartida espontânea da empresa; como lidar com a exposição nos sites de busca; como tornar cada vez mais amigáveis os textos de resposta aos clientes lesados; a utilização de robôs e outras ferramentas sofisticadas para influir na internet; indenizações e aspectos jurídicos, entre outros.

O problema para a companhia não é de ordem pecuniária, pois a indenização nesses casos varia entre valores baixos, de R$ 2 mil a R$ 20 mil. O impacto na comunicação, contudo, é explosivo. Um exemplo: a notícia de ingestão de um inseto. O referido caso aconteceu no município de Timon, no Maranhão, em 2013, quando três consumidores entraram na Justiça para processar a empresa devido à existência de uma barata no fundo de uma garrafa de cerveja. Eles sentiram um gosto estranho, olharam para o fundo e encontraram o lepidóptero. Há um filme na internet sobre o episódio.

Ainda em 2013, um ano difícil para a Ambev devido ao surgimento inusual de corpos estranhos nos recipientes, dois consumidores de Bento Ferreira, bairro de Vitória (ES), também acharam uma barata em uma garrafa da cerveja Stella Artois. Na época do ajuizamento do caso, os tribunais consideravam que só os casos de ingestão dos insetos eram passíveis de indenização. O STJ deu um cavalo de pau na legislação, garantindo que a simples exposição ao risco deveria ser indenizada. Para não dizer que não falamos mais de 2013, em outubro do mesmo ano, um consumidor de Rio Claro (SP) encontrou um corpo estranho na sua Skol. O consumidor entrou em contato com a Ambev e mostrou a garrafa lacrada, mas era um sujeito boa gente e não fez boletim de ocorrência por considerar que aquele seria um “caso isolado, e a empresa iria resolver da melhor maneira”.

No ano de 2014, mais precisamente em maio, conforme pode ser constatado no site Reclame Aqui, um consumidor encontrou um dejeto em uma garrafa da marca Bohemia. Conversa ali, conversa lá, a companhia propôs como brinde dois fardinhos de cerveja. Não houve acordo e o consumidor entrou no Procon. Bem mais próximo, em 2016, uma consumidora se preparava para abrir sua garrafa de um litro da cerveja Brahma, quando identifi cou um “OTNI (Objeto Terrestre Não Identificado)” no fundo do recipiente. E tome de Procon.

Procurada, a Ambev “nega veementemente a criação de qualquer comitê dessa natureza”. A cervejaria afirma seguir “as melhores práticas e padrões de qualidade reconhecidos internacionalmente” e ressalta que a “informação é totalmente improcedente.” De toda a forma, a empresa merece ser elogiada por responder com franqueza às queixas dos consumidores relacionadas a objetos estranhos, tanto em seu SAC quanto em sites de acesso público.

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26.01.17
ED. 5547

Ambev, sempre Ambev

Falar das mazelas da Ambev parece déjà vu. Mas como não registrar o novo relatório do analista Carlos Laboy, do HSBC, detonando a cervejeira? Além dos problemas de marketing e da operação, Laboy critica a postura da empresa em não compartilhar suas iniciativas de políticas públicas. Como se sabe, responsabilidade social não é com a Ambev.

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18.01.17
ED. 5541

O cheiro de ralo da Ambev

Em relatório divulgado ontem, o HBSC detonou a Ambev, listando 15 problemas: desde a baixa diferenciação das marcas com a decisão deliberada de usar garrafas e engradados genéricos para confundir os clientes, passando por caixas sujas com o cheiro pungente de cerveja podre no assoalho dos supermercados até a falta de uma estratégia para as bebidas alcoólicas mistas gaseificadas. O analista Carlos Laboy disse que “jamais poderia ter esse tipo de preocupação com uma marca do porte da Ambev”.

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10.01.17
ED. 5535

Ambev capricha no colarinho para encobrir seus seguidos fracassos

A ordem na Ambev é seguir o modelo Temer/Meirelles e embalar algumas boas iniciativas de marketing com intenções de investimentos cacarecos para ter o maior volume de informações otimistas e sair espumando pela imprensa. Nos últimos dias, a companhia anunciou uma fábrica de cervejas especiais em BH que será aberta à visitação, deu visibilidade à sua participação no Fórum das Empresas e Direitos LGBT, lançou uma nova linha de bebidas para o público jovem (é preciso garantir o consumidor do futuro) e divulgou sua entrada no segmento de água mineral. Diriam os inebriados pela inocência: a Ambev está imbuída da sua missão de praticar a transparência como toda boa companhia aberta que se preze.

A explicação enche apenas um terço do copo. O restante estaria ligado à estratégia de comunicação, no que a cervejeira, como notória e intensa produtora de malefícios à sociedade, tornou-se uma mestra. A Ambev mimetiza os males à saúde que provoca. É para parecer coincidência, mas as good news divulgadas em série enevoam uma caravana de insucessos no ano passado.

Os resultados de junho a setembro tiveram gosto de cicuta. A geração de caixa no Brasil despencou 31,3%, a maior queda da história da companhia para um único trimestre. A margem Ebitda escorreu pia abaixo, caindo 13,3%. Seu market share cai seguidamente. A linha de montagem de notícias positivas tem como objetivo sinalizar um 2017 mais próspero. Mais do que isso: busca fazer com que a bateria de novos projetos cumpra o seu papel de lobby, desestimulando a ideia da Fazenda de cobrar uma contribuição tributária maior da empresa.

Nesse toma lá, dá cá, a boa vontade dos novos investimentos não combinaria com mais impostos. São bons os motivos, portanto, para os cervejeiros emudecerem sobre a queda de market share, resultados fi nanceiros cadentes, os questionamentos à até então deificada gestão da companhia e o mau momento do ambiente social-trabalhista por que atravessa a empresa. Que tempo ruim,que nada! Se depender do marketing da Ambev, até o sol inclemente que torra a cabeça dos brasileiros nesse verão severino foi produzido para que o consumo da “loura” aumente. A cervejeira elevou a máxima de Ricúpero ao paroxismo: “O que é bom a gente fatura; o que é ruim a gente esconde.”

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15.12.16
ED. 5517

Um infeliz Natal para a AmBev e todo o lobby da indústria cervejeira

O Ministério da Fazenda e a Receita Federal estão embrulhando um presente de grego para a indústria de bebidas frias. A intenção é passar a sacola no setor, ampliando consideravelmente a carga tributária, leia-se IPI e PIS/Cofins. A proposta em estudo é criar um diferencial ainda maior entre os impostos cobrados sobre refrigerantes, isotônicos e afins e sobre cervejas. A iniciativa vai contra a expectativa dos próprios fabricantes, que contavam com uma trégua após o reajuste de maio do ano passado, quando os tributos sobre bebidas frias cresceram, em média, 10%.

A estimativa do Fisco é arrecadar até 2018 um adicional entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5 bilhões sobre os valores projetados para 2016, ou seja, o equivalente a quase 10% do total de recursos que foram repatriados neste ano. A AmBev, com cerca de 67% de market share e R$ 26,3 bilhões de receita líquida no país, será inexoravelmente a mais atingida, contribuindo com algo em torno de dois terços da arrecadação tributária almejada. O aumento dos impostos deixa a líder do setor em uma sinuca de bico. Se não majorar o preço das cervejas e repassar o repique tributário para o consumidor, a AmBev perderá rentabilidade, que já é cadente. Se soltar os preços, perde mercado, uma vez que a concorrência tem corrigido seus valores em patamares inferiores.

O governo vem buscando à lupa os setores que têm possibilidade de aumentar sua participação no total de impostos. A indústria do tabaco, tradicionalmente gravada nessas circunstâncias em que é necessário reforço do caixa fiscal, deve escapar ilesa, ao menos por enquanto, devido à ineficácia do reajuste sobre a arrecadação. Explica-se: devido à confessa falência da Receita e da Polícia Federal em coibir o contrabando dos cigarros pela fronteira, a situação levou a um paradoxo, ou seja, quanto maior a mordida do Leão, maior o comércio ilegal e, consequentemente, menor o bolo tributário. Neste caso, o papel que a AmBev desempenha no setor cervejeiro é representado pela Souza Cruz, com sobras: a empresa tem 78% de participação nas vendas de cigarros. Se quisesse confrontar à vera o mais do que provável lobby das cervejeiras contra o aumento de impostos, o governo teria argumentos a granel.

A participação da cerveja nos índices de alcoolismo tem crescido exponencialmente. Entre 2000 e 2013, a população brasileira aumentou cerca de 30%, segundo dados do IBGE. Nesse período, a produção da bebida subiu 200%, passando de cinco bilhões para 15 bilhões de litros/ano. Os efeitos maléficos não ficam restritos ao fígado. O consumo de cerveja é o principal causador da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que rivaliza com a microcefalia. A cada hora nascem no Brasil três crianças portadoras da enfermidade, ou 30 mil por ano. A SAF provoca déficit de crescimento, alterações faciais e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. É considerada a maior causa de déficit intelectual prevenível no mundo. E pensar que uma lata de cerveja no Brasil chega a custar mais barato do que um refrigerante.

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15.12.16
ED. 5517

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: AmBev e Funcef.

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14.12.16
ED. 5516

Carnaval da crise

A pouco mais de dois meses dos desfiles, vários camarotes do sambódromo carioca estão encalhados. Empresas que costumavam cair na folia, como a AmBev e a enferma Unimed-Rio, desistiram da avenida. Os preços, entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, não combinam com um PIB de 4,4% negativos.

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27.09.16
ED. 5463

Air Products quer IBG para blindar sua posição no Brasil

 A norte-americana Air Products estaria em negociações para a compra da Indústria Brasileira de Gases (IBG). Segundo fontes familiarizadas com a operação, estima-se que o acordo alcance os R$ 300 milhões. Controlada por ex-executivos do setor capitaneados por Newton Oliveira, a companhia faturou no ano passado cerca de R$ 200 milhões. Seus contratos em carteira representam pouco mais de 3% das vendas de gases industriais do país. Em números absolutos, o índice soa modesto. No entanto, a IBG é a última empresa nacional com participação de mercado razoavelmente significativa que ainda não caiu na rede de grupos estrangeiros.  Ao fechar a aquisição, a Air Products dará dois tiros certeiros com um só disparo. Elevará sua participação de mercado para algo em torno de 15% (com R$ 1,7 bilhão em vendas anuais) e automaticamente vai tirar de circulação um ativo capaz de alterar a posição de forças do setor. Uma das preocupações dos norte-americanos é se proteger de uma eventual ofensiva da alemã Linde sobre a IBG. Neste caso, os germânicos ultrapassariam a própria Air Products e tomariam a vice-liderança do segmento, com 14%. É o possível para os “meros mortais” do setor. A Praxair, uma espécie de AmBev dos gases industriais, segue inatingível no topo do mercado, com 63% de participação. Procurada, a IBG nega a venda do controle. Já a Air Products não quis se pronunciar.  A Air Products passou recentemente por maus bocados. Condenada por formação de cartel em um processo que tragou todos os grandes grupos do setor, foi multada pelo Cade em R$ 226 milhões. Os norte-americanos ameaçaram encerrar suas operações no país caso tivessem de desembolsar esse valor, uma mordida equivalente a 20% do seu faturamento anual no mercado brasileiro. Bravata ou não, nunca se saberá ao certo, uma vez que a Air Products livrou-se da sentença do Cade, revogada pela Justiça Federal de Brasília. Sem essa espada sobre suas cabeças, os norte-americanos voltaram a focar na expansão da sua operação no Brasil, onde as vendas de gases industriais movimentam mais de R$ 5 bilhões. A Air Products é um antigo objeto de cobiça. Além de ser o fiel da balança na disputa pela vice-liderança do setor, a empresa tem 15 plantas de produção razoavelmente modernas, o que dispensa a necessidade de investimentos de maior monta. Além disso, a companhia tem uma relação de dívida líquida/patrimônio de dois para um, a menor do setor.

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01.09.16
ED. 5446

Por que Lemann diz que não faz política?

 Se estivesse em um tribunal, Jorge Paulo Lemann poderia até ser acusado de perjúrio devido à declaração de que passou a vida “fugindo da política”. Assim é se lhe parece, diria Pirandello. A escolinha de marketing do professor Lemann, especializada em autopropaganda, construiu uma interpretação de interesse pessoal para a expressão “fugir da política”. Ela está restrita a não disputar eleição ou ocupar cargo público, evitar aparições ao lado de prefeitos, governadores e parlamentares e passar ao largo de convescotes partidários. Não consta da cartilha a interferência no processo eleitoral por meio de financiamento de campanha, a articulação de uma bancada parlamentar defensora dos seus interesses e o uso do processo eleitoral como ferramenta do fortalecimento do lobby empresarial. Se o quesito ao qual não queria se referir for este último, Lemann provou mais uma vez que o sucesso e a hipocrisia caminham lado a lado em sua trajetória. Desde que foi criada, a AmBev sempre se destacou como uma peça influente no xadrez eleitoral, ao despejar ao longo do tempo centenas de milhões de reais em doações de campanha. A presença da companhia no jogo político só não é maior do que o seu empenho em encobrir tamanha participação. Ao menos é o que se depreende ao pesquisar o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  Vasculhar os números relativos às doações de campanha da cervejeira exige algum contorcionismo. No sistema eletrônico de prestação das contas eleitorais de 2014, do TSE, não há menções nominais à AmBev. O RR também pesquisou por outros termos que poderiam remeter à companhia, como “American”, “Beverage”, “Distribuidora”, “Logística”, “Cervejaria”, mas os resultados passaram longe da empresa. Consta, conforme registros na mídia, que o grupo se vale de outras razões sociais – a exemplo das subsidiárias Londrina Bebidas e CRBS S/A. Procurada pelo RR, a AmBev não se pronunciou até o fechamento da edição.  Se o objetivo da AmBev era a discrição, o uso desses biombos jamais surtiu o efeito desejado. É público que, nas eleições de 2014, a cervejeira ocupou um notável quarto lugar no ranking das doações corporativas, com R$ 41 milhões. Conforme amplamente noticiado à época, a empresa repassou aproximadamente R$ 6,7 milhões às três principais chapas que concorreram à Presidência da República. Sabe-se ainda que a AmBev desembolsou cerca de R$ 11,7 milhões que ajudaram a eleger 76 deputados federais de 19 partidos. Nem é preciso se dar a tanto trabalho. A declaração de Lemann não resiste a uma rápida consulta no Google. Ontem, por volta das 19h30, o site de buscas listava aproximadamente 173 mil resultados vinculando a AmBev ao termo “financiamento de campanha”. Lemann “foge da política”, mas se empenha em eleger a bancada do funil. Só falta dizer que os seus interesses e os de suas empresas caminham em direções distintas. Hipocrisia!

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25.08.16
ED. 5441

A hora e a vez de Temer ser picado pela saúva

 O presidente interino, Michel Temer, já sabia o texto inteiro da missa. Mas, quando rezado de viva voz, no latim do empresariado, o impacto da burocratização nacional é ainda mais desolador. Desde sempre, o setor empresarial é refém do Estado, que, por sua vez, é refém das corporações, que se nutrem das dificuldades que elas próprias criam. Essa simbiose, contudo, está piorando cada vez mais. O mau corporativismo tem ganhado todas as pelejas disputadas. Ele está na raiz da baixa produtividade do país. É um canibal do Estado. Representa um coeficiente da inflação renitente. É a zika da ineficiência produtiva. Os potentados empresariais Carlos Alberto Sicupira, Jorge Gerdau, Luiz Carlos Trabuco e Pedro Moreira Salles, entre outros, fizeram para Michel Temer uma apresentação de como essa saúva tem corroído o Brasil.  Os casos são bastante minuciosos e impactantes. O presidente do Conselho Administrativo do Itaú-Unibanco, Pedro Moreira Salles, colaborou na exposição detalhada dos péssimos exemplos com a menção à insanidade tributária do país, que está menos no tamanho da carga do que na esquizofrenia de mudanças frenéticas dos gravames. Segundo Moreira Salles, o banco tem de estar preparado para dar conta de uma modificação na legislação de impostos a cada duas horas, em média. Esse número tem sido crescente.  O empresário Carlos Alberto (Beto) Sicupira, quarto homem mais rico do Brasil, segundo o ranking da Forbes, e um dos controladores da Ambev, informou que a companhia cervejeira tem de gerar 23 mil processos por lata ou garrafa produzida no mercado brasileiro, somente em função da mixórdia criada pela legislação do ICMS. A Ambev opera em todos os 27 estados e nos quase 5,5 mil municípios do Brasil. Nos Estados Unidos, ela também atua de ponta a ponta no território norte-americano, mas precisa gerar somente 1.300 processos por lata ou garrafa. E isto levando em consideração todos os impostos que são cobrados, e não apenas um único.  O presidente da Natura , Pedro Passos, reclamou do fluxo de processos trabalhistas, um montante superior a quatro milhões por ano. Um dado bastante estarrecedor: o fluxo se altera pouco. Ao contrário do que seria recomendável, a legislação vai se tornando mais nebulosa com o passar do tempo. E todo ano são pedidas na Justiça a criação de mais e mais Varas do Trabalho. Pedro Passos deu outro exemplo nada edificante: a fabricante de produtos de beleza gasta R$ 15 milhões por ano somente para manter sua máquina de atendimento da burocracia funcionando. Os números são grandiloquentes e bastante atualizados, mas, à primeira leitura, a sensação é de um grande déjà vu.  Consta que o presidente interino ouviu atentamente, franziu o cenho, pousou a mão sobre os joelhos e com um olhar grave fez aquilo que se esperava dele. Temer pediu sugestões dos empresários para resolver os problemas e uma maior interação junto ao governo federal para uma colaboração conjunta. Por ora, é só. Mas o filme parece muito antigo.

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12.08.16
ED. 5432

Maia serve um aperitivo do parlamentarismo branco

 Os principais empresários do país experimentaram as delícias de um semi-parlamentarismo, na última quarta-feira, em Brasília. O Instituto Talento, híbrido de centro de pesquisas e núcleo de articulação política dos dirigentes do setor privado, conduziu sua caravana para uma reunião histórica entre a nata do empresariado e o novo estamento pós-PT. As reuniões com Henrique Meirelles, na parte da manhã, e Michel Temer, à tarde, foram fartamente noticiadas. Pouco se falou, contudo, da reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, esta, sim, a grande surpresa do dia. Antes de colocar tintas mais vivas no episódio, é bom situar quem estava presente na comitiva do Instituto Talento, em ordem decrescente por vulcanização dos neurônios – avaliação por conta e risco do RR: Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Beto Sicupira (Ambev), Pedro Moreira Salles (Itaú -Unibanco), Pedro Passos (Natura), Carlos Jereissati (Jereissati Participações), Vicente Falconi (Consultoria Falconi) Josué Gomes da Silva (Coteminas), Edson Bueno (Dasa) e Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau). O empresário José Roberto Ermírio de Moraes deveria estar presente, mas, por motivos de agenda, deixou ficar para outra oportunidade. Sim, porque deverão ocorrer outros encontros, inclusive para evitar que este inicial se caracterize como um espasmo tão somente.  A primeira das novidades foi a transferência da reunião formal que estava prevista com Rodrigo Maia, na sala da presidência da Câmara dos Deputados, para um almoço descontraído em sua residência oficial. O que estava por vir seria ainda mais surpreendente. Maia recebeu os presentes ao lado do deputado Orlando Silva (PCdoB), ex-ministro dos Esportes de Dilma Rousseff. Exatos dois minutos após as mesuras de praxe, adentrou ao gramado o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), uma das vozes mais aguerridas contra a presidente que vai ser julgada pelo Senado Federal, mas também envolvido em caso de propina. O desfile dos líderes seguiu embalado e com intervalos curtos de chegada: André Moura (PSC-SE), líder do governo na Câmara; Heráclito Fortes (PSB-PI); Weverton Rocha (PDT-MA); Rubem Bueno (PPS-PR); e, pasmem, Vicente Cândido (PT-SP). O líder do PT na Câmara é assim e assado com Luiz Inácio Lula da Silva. Os empresários interpretaram sua presença no evento como uma representação do próprio Lula. Mas Maia foi quem deitou e rolou.  Jorge Gerdau, o mais escolado nas práticas de Brasília, disse em bom tom que nunca viu um presidente da Câmara dos Deputados que tivesse convidado todas as lideranças partidárias para uma reunião com empresários – algumas só faltaram porque o convite foi feito de véspera. “No máximo, chamavam uma ou duas”. Não houve conversa de pé de ouvido. Todos sem exceção fizeram uma breve exposição. Os empresários foram convocados a se fazer mais presentes em debate de mérito. Estes, por sua vez, anunciaram que entendem não ser possível reduzir a carga tributária nesse cenário e defendem a preservação das políticas sociais como premissa no ajuste fiscal. O ponto mais alto: os líderes se comprometeram a apoiar todos os projetos voltados a suspender a recessão que assola o país. Depois do almoço, a sensação dos presentes era que o clima seco de Brasília tornou-se arejado, civilizadíssimo. Pelo menos por um dia. Não entrou em pauta a tão almejada revogação de direitos constitucionais em prol da eficiência e da produtividade empresarial. O resultado já estava de bom tamanho.

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02.08.16
ED. 5424

SAB Miller valeu um óbolo para Martin Barrington

Martin Barrington rasgou as duas últimas páginas do seu caderno moleskine de anotações. Na primeira folha, amarrotada com raiva, estava escrito em grafia miúda: “Memória de uma estrondosa vitória com gosto de derrota”. O que poderia ser chamado do negócio do século, Barrington, chairman e CEO da Altria – controladora da Phillip Morris e acionista da SAB Miller – lamentava como extra money lost. Desde setembro, com uma tática de concordar e discordar alternadamente do valor do negócio, vinha forçando “Paul Lemann” a bidar seus lances pela cervejeira. O pedido da Altria era de US$ 123 bilhões, ou seja, estimava o valor da companhia acima dos US$ 200 bilhões precisamente, bem mais do que o US$ 1 a mais por ação, aliás, a libra furada, que “Jorge Paul” metaforicamente jogou aos seus pés para que se abaixasse, derrotado. Dar a volta em Barrington não é pouca coisa. Foi preciso que Lemann viesse com seus homens de frente, “Albert” Sicupira e Marcel Telles, trazendo junto seu esquadrão Panzer, composto de financistas barra-pesada como Mr. Buffet, além da adesão final de Alejandro Santo Domingo, líder do clã colombiano Santo Domingo, sócio “muy amigo” no controle da SAB Miller.  “Marty” pensava no comunicado final da Altria apoiando o negócio com a AB InBev. Foi como se, no teatro, ele interpretasse o orgulhoso líder gaulês Vercingentórix depondo suas armas aos pés de Julio César. Havia uma diferença marcante entre ele e “Paul”. Se considerava um profit hunter. Já o conquistador da SAB Miller era um business shark. Por trás da grife de sucesso financeiro carregava entre outros aparelhos cirúrgicos um bisturisocial. Barrington está longe de ser um progressista, mas até para ele Paul era um exaggerated killer job. Pobre Alan Clark, CEO da SAB Miller, que certamente seria rifado por Carlos Brito, executivo símbolo da AB InBev. Na África do Sul, berço da cervejeira, as notícias eram de que o dia foi de tristeza e cantos de lamento. Um rasgo no coração seria ver a sede da SAB ser transferida de Londres para Manhattan, onde reinavam os “garotos mórmons” de “Paul Lemann”.  Barrington já tinha sido avisado que a barra era pesada. “Paul Lemann” passou anos inventando um personagem para seduzir o presidente da Brahma, Hubert Gregg, a vender a companhia. Seguiu em frente e aliciou o presidente da Fundação Antártica, Vitório De Marchi. O executivo engoliu o Conselho da Fundação, em um caso de traição clássica, permitiu que ela fosse incorporada à preço de cerveja choca e foi gastar seus muitos milhões. Com a ajuda do empresário Mauro Salles, criador do nome AmBev, “Paul”, “Albert” e Marcel foram celebrar a parceria no Palácio do Planalto.  A construção da InBev foi um movimento de xadrez típico de Lemann. Começou menor no capital, mas por dentro do bloco de controle foi se apoderando da companhia e assumindo a totalidade da gestão. Daí, para adicionar as duas vogais AB no nome da InBev, a passada, ainda que larga, foi mais fácil. “Paul Lemann” já tinha virado o Donald Trump da cerveja, com uma tropa de financistas gulliverianos a reboque. Nada mais o pararia. Quanto a “Marty”, o que mais lhe incomodou foi aquela moeda de uma libra por ação, que mais parecia um óbolo. O copo de cerveja de US$ 103 bilhões era para ter sido tomado mais cheio.

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13.07.16
ED. 5410

AmBev não é uma empresa-cidadã

 A Central Única dos Trabalhadores (CUT) pretende fazer uma campanha para retirar dos rankings das Maiores e Melhores que pululam na mídia as empresas com grande número de denúncias e condenações por práticas de assédio moral e escravismo, segundo apurou o RR. A gigantesca Ambev volta e meia aparece no top ten quando se fala de ambos os quesitos. Uma simples busca no Google revela que a cervejeira está associada direta ou indiretamente a 38.400 menções de assédio moral coletivo (dia 8/07). A tendência é que essas empresas monopólicas ou oligopólicas que escondem sua bipolaridade social através de um marketing de gestão espetacular desapareçam de rankings, ratings e índices de performance. Basta que se comece a implementar filtros de práticas sociais nocivas. O mercado de capitais também deve enquadrar a Ambev. Os índices de sustentabilidade da Bovespa (ISE) e da Dow Jones levam em consideração equilíbrio ambiental e justiça social. Não são os melhores predicados da Ambev, com toda a certeza. A cervejeira apresenta com pompa relatórios adornados e sondagens internas não auditadas, mas não revela a natureza das suas pendências na Justiça do Trabalho. Os demonstrativos dourados, da cor da cerveja, são capturados junto a população do andar de cima da companhia. São salários de R$ 11 mil a R$ 18 mil só na partida, com os trainees sendo tratados a banho de leite. Esse é o maior marketing da companhia. _____________________ Equipes de venda foram forçadas a usar chapéu de chifre, saia e batom _____________________  Valoração do capital humano, avaliação 360 graus e reuniões de feedbacks são exaustivamente mencionadas como pepitas da cultura de gestão da empresa em reportagens que invariavelmente citam o poderoso CEO, Carlos Brito, como uma demonstração do trainee que deu certo. É uma prática que surte efeito. Com uma ressalva: especialmente entre o pessoal que frequenta o site www.queroserambev.com.br. Já a turma do chão da fábrica e os que trabalham na máquina de venda da companhia, quando se pronunciam, injuriados – e com compreensível medo de fazê-lo – preferem sites como o www.euodeioambev.com.br. A empresa é contumaz denunciada em casos tétricos de assédio com uma coleção de sentenças negativas. Em Sergipe, funcionários foram obrigados a fazer flexões acima da sua capacidade física. Em fevereiro deste ano, a companhia teve recurso negado para anular na Justiça uma ação contra o procedimento de colocar deitado em caixões com galinhas enforcadas os profissionais que não cumpriram metas. Um ex-empregado da cervejeira em Minas Gerais, que teve ganho de causa no Tribunal Superior do Trabalho (TST), revelou as práticas dos capatazes da Ambev de colocarem a equipe de venda com chapéu de chifre, saia e batom.  A recorrência da companhia em um comportamento incompatível com regras salutares levou-a inclusive a firmar Termo de Ajuste de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público do Trabalho, comprometendo-se a orientar seus funcionários a evitar atitudes que possam promover o desrespeito mútuo. O TAC foi acordado em 2004. Pois bem, em 2014, o Ministério Público do Trabalho em Alagoas processou a companhia em R$ 1 milhão por infrigir humilhações aos seus funcionários. Certamente, os episódios não serão publicizados pela comunicação que propala as maravilhas da Universidade Lemann, entre outras marketadas. Duvida-se que os Marcel Telles e Vicente Falconi, síndico e mentor do andar de cima, saibam da missa a metade.  A Ambev contra-argumenta com sua versão de o filme O Porteiro da Noite, de Liana Cavani, na qual a personagem desenvolve uma dependência pelo torturador. Os profissionais, quando aceitam o trabalho, sabem da cultura competitiva, da busca pela superação. São esses que, na partida e em tese, estariam prontos para enfrentar abusos como corredor polonês, tapas nas costas e ficar de castigo em pé durante horas (caso de assédio moral coletivo julgado em 2004). Os incomodados que se mudem. Ou entrem na Justiça. São esses desertores que dão transparência a um dos pilares da lucratividade da empresa: a chibata moral. Nem tudo são orçamento base zero ou, na extremidade oposta, forçar vendedores evangélicos a fazerem demonstrações com garotas de programa para um batalhão de vendas (sentença favorável do TST). Há mais entre o céu e a terra do que a simples interpretação da Ambev como uma empresa movida à meritocracia.  O marketing da Ambev dilui no case de gestão de excelência o impacto da condição monopolística e de abuso do poder econômico. Como _____________________ Há 58 mil menções no Google associando a AmBev à escravocracia _____________________ não lembrar do programa de “fidelização com algemas” dos pontos de venda. Por conta dele, a empresa foi multada pelo Cade inicialmente em R$ 350 milhões. Depois de negociações a fatura desceu para R$ 221 milhões. Sim, existem evidências de que a cervejeira mete medo nos seus parceiros. É conhecida a política de refrigeração da companhia, já investigada pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) – acordos pelos quais a Ambev fornece freezers para varejistas com a condição de que eles os utilizem apenas para a venda de produtos da sua marca. Imagina-se que com seu poder de fogo, uma boa parte das inserções contrárias à cervejeira já tenha sido apagada dos sites de busca. Mas os registros do seu lado sinistro permanecem lá, nublando o seu lado solar. A Ambev são duas empresas. Uma é a firma premiada pelo Instituto Great Place to Work como uma das 100 melhores empresas do país para trabalhar. A outra é a que enche a internet com um total de 58.800 menções – associações diretas ou indiretas – a escravatura, segundo o Google (dia 8/07). Essa combinação de ações mefistofélicas com governança de luxo pode continuar dando sucesso econômico-financeiro. Mas a Ambev não deve mais ir para o trono das companhias que são referência. O RR encaminhou diversas perguntas à Ambev e fez vários contatos com a empresa. Porém, até 19h34, em ponto, não recebeu qualquer manifestação da companhia sobre os assuntos tratados nessa matéria.

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25.05.16
ED. 5376

Cerveja quente

 Após vender a fábrica de Cachoeiras do Macacu (RJ) para a AmBev, a Brasil Kirin está colocando mais dois ativos sobre o balcão: as unidades de Caxias (MA) e Igarassu (PE). No ano passado, não custa lembrar, a cervejeira fez uma baixa contábil de quase R$ 4 bilhões. É por essas e outras que muitos no mercado apostam que os japoneses estão arrumando a casa para deixar o Brasil. A seguinte empresa não comentou o assunto: Brasil Kirin.

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16.03.16
ED. 5328

Walter Faria prepara o trono para a filha

  Na segunda maior cervejeira do país, a palavra “sucessão” ainda é pronunciada com extrema cautela, quase aos sussurros – mesmo porque são muitas as leveduras que podem interferir na fermentação deste processo. No entanto, salta aos olhos dos executivos da companhia a rápida ascensão de Giulia Faria, filha de Walter Faria, no comando do Grupo Petrópolis. Em um espaço de tempo razoavelmente curto, a empresária de 24 anos teria ampliado seu raio de ação na gestão dos negócios, ainda que, em alguns casos, dividindo espaço com outros diretores ou com o próprio pai. Antes restrita à área de marketing, onde deu seus primeiros passos na Petrópolis há pouco mais de dois anos – hoje, todas as campanhas publicitárias passam pelo seu crivo –, Giulia estaria à frente dos planos de expansão da empresa em novos segmentos, notadamente o de cerveja premium. Walter Faria também a teria encarregado de buscar novas marcas no exterior, sobretudo nos Estados Unidos. Se o objetivo do empresário é submeter a filha a uma espécie de vestibular de gestão, deu-lhe uma prova na qual executivos bem mais experientes já fracassaram. A Petrópolis praticamente inexiste no segmento de cervejas premium, no qual a empresa acumula alguns fracassos. O mais recente foi a tentativa de uma parceria com a SABMiller para engarrafar marcas da companhia no país. No meio do caminho, a cervejaria sul-africana foi comprada pela AmBev e as negociações viraram espuma.  Gradativamente, Walter Faria também teria dividido com a herdeira a responsabilidade de capitanear a expansão territorial da Petrópolis, com foco no mercado nordestino. Ao lado do pai, Giulia Faria vem participando das negociações com prefeitos na escolha do local que abrigará a terceira fábrica da empresa na região – o Ceará é o candidato mais forte. Em dois anos, a cervejaria instalou suas duas primeiras unidades industriais no Nordeste, uma em Alagoinhas (BA) e outra em Itapissuma (PE). Aquele é um pedaço do mapa estratégico para o grupo: no ano passado, a empresa teve um crescimento na região superior a sua performance no restante do país. Em pouco mais de um ano, pulou de 9% para 15% de share, tomando mercado principalmente da Brasil Kirin.  Procurada, a Petrópolis nega que exista qualquer processo de sucessão em curso. Afirma também que Giulia segue circunscrita ao marketing. Talvez o marketing tenha engolido outras áreas da empresa, o que explicaria a constante presença da executiva em reuniões das quais não costumava participar, com distribuidores, bancos e possíveis parceiros. A escalada de Giulia Faria na gestão da Petrópolis suscita diferentes interpretações mesmo entre privilegiados espectadores do processo. Há quem diga que tudo acontece dentro do tempo natural das coisas, de acordo com os planos e o ritmo traçados por Walter Faria. Neste caso, sequer passaria pela cabeça do empresário deixar a linha de frente da gestão, mesmo porque a Petrópolis tem suas sutilezas e particularidades – caso, por exemplo, das relações comerciais com os distribuidores, um caminho cheio de atalhos e trilhas que só o patriarca sabe percorrer. Para outros, no entanto, tudo se deu de forma rápida demais. É como se Walter Faria tivesse a firme preocupação de acelerar o ciclo de maturação da herdeira, antevendo um tempo, neste momento de ciladas mil para o empresariado brasileiro, em que ele próprio possa não estar pessoalmente à frente dos negócios.

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Das salas de aula para os balcões de padaria, e destes para as prateleiras de biscoito e as bandejas de esfihas pode ser apenas um passo. A parceria entre Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz está somente esquentando os motores. Os dois maiores empreendedores da área de consumo do país pretendem transformar negócios e setores aparentemente prosaicos em mega operações. As palavras-chave são escala e marca. Esse é o perfil das aquisições estudadas. Quem pensou em nomes como Piraquê e Habib’s não estará de todo errado. Aliás, não estará nada errado. As duas empresas atiçam o apetite de Lemann e Abilio. São brands conhecidos – começar do zero não é do estilo nem de um nem de outro –, estão em todas as esquinas e vendem milhões e milhões de unidades. A fabricante de biscoitos fatura R$ 800 milhões por ano e está presente em mais de 60 mil pontos de venda só no estado do Rio. O Habib’s, por sua vez, reúne quase 400 restaurantes e soma uma receita de R$ 1 bilhão. As duas companhias têm ainda outro ponto em comum que as transforma em potenciais presas: não foram abduzidas pelo processo de consolidação em seus respectivos mercados. Ambas ainda estão nas mãos de seus fundadores, leia-se a família Colombo (Piraquê) e Alberto Saraiva (Habib’s). Jorge Paulo Lemann e Abilio Diniz são empresários da mesma espécie. Passam ao largo da área de concessões, da infraestrutura, da indústria pesada e, sobretudo, de negócios que tenham qualquer tipo de imbricamento com o setor público. Os dois nasceram também para consolidar. Assim será nos novos mercados em que ingressarão, na recém-descoberta área de panificação, com a compra da rede de padarias Benjamin Abrahão, ou no segmento de ensino. Os investimentos comuns neste setor devem ser creditados a Ana Maria Diniz, que deu os primeiros passos da associação – Lemann e seu sócio Beto Sicupira têm especial empatia pela filha de Abilio, que há anos milita na área de educação. Boa parte do ervanário está reservada exatamente para este mercado: os dois empresários pretendem avançar na compra de instituições de ensino médio e transformá-las em academias de excelência. Guardadas as devidas proporções, Abilio poderá se tornar uma espécie de Warren Buffett em versão doméstica, acompanhando Lemann em diversos negócios no país. Não poderia haver momento mais propício para o encontro entre estes dois potentados. Ambos sabem que o Brasil está barato e o que não falta na prateleira são ativos depreciados, ambiência sob medida para uma dupla tão líquida como essa – só na Península Abilio tem mais de R$ 10 bilhões. Consultada sobre novas aquisições, a Península limita-se a dizer que comprou a Benjamin Abrahão para expandir suas operações. Já a 3G, de Lemann, não se pronunciou. Lemann e Abilio enxergam também uma oportunidade de ouro para consolidar uma posição de liderança entre o empresariado nacional. A hora sorri para esta combinação entre a frieza de um e a vaidade de outro. Os investimentos da dupla seriam acompanhados de um discurso motivacional, elevado ao nível do marketing cívico corporativo. Lemann conhece bem do assunto, pois usou a receita com a Ambev. Seria uma sonora demonstração de confiança no Brasil no momento em que a maior parte dos empreendedores está reclusa. Ou seja: além do impacto econômico, tal injeção de ânimo teria também um bônus psicossocial.

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04.08.14
ED. 4927

Santander é um cartão em busca de crédito

A leseira do Santander ao contaminar suas análises econômicas com pitacos de ordem política e eleitoral não está invadindo seu core business. Menos mal. O banco prepara uma forte investida no mercado brasileiro de cartões de crédito. No varejo, o avanço se dará por meio da GetNet, credenciadora comprada no ano passado; na área corporativa, o Santander negocia com grandes grupos industriais parcerias similares a  fechada recentemente com a AmBev – distribuidores da cervejeira podem efetuar seus pagamentos usando as maquinetas de cartão. Puxa daqui, estica dali, o Santander pretende atingir 10% do setor em 2015 – hoje, detém aproximadamente 6% de market share. E de onde virão esses tão cobiçados pontos percentuais? A estratégia do Santander é avançar sobre o território do Itaú, aproveitando-se do mau momento do banco neste segmento. Um momento, aliás, que já dura mais de quatro anos. Nesse período, a participação do Rede, a credenciadora dos Setúbal, caiu de 45% para 38%. Estudos de mercado feitos pelos espanhóis mostram que este processo de erosão ainda está longe de terminar. Em tempo: em condições normais de temperatura e pressão, talvez o Santander repetisse o matreiro expediente já usado em outras ocasiões. O presidente da instituição no Brasil, Emilio Botín, iria ao Planalto comunicar os novos planos e a área de comunicação corporativa do banco faria a festa, usando o encontro com Dilma Rousseff para dar publicidade a  marca. Desta vez, no entanto, Botín vai ter de buscar outra garota-propaganda.

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21.05.14
ED. 4875

Nem Engov alivia a dor de cabeça da AmBev

A AmBev vive seu annus horribilis. Acostumada a colecionar resultados invejáveis e trabalhar com expectativas crescentemente favoráveis, a companhia já antecipa uma ressaca no seu porvir. Os motivos para essa sensação de náusea são variados: sucessivas quedas de market share, iminente perda de rentabilidade na esteira do inevitável aumento da tributação sobre o setor e o risco cada vez maior da inclusão de imagens impactantes nos rótulos de bebidas alcoólicas. Está escrito nas estrelas que as garrafas e latas de cerveja virão acompanhadas de ilustrações que remetem a desastres de carro, tetraplegia, cirrose, violência doméstica, entre outras situações que associam o consumo de bebida ao sofrimento humano. A AmBev lida com essa perspectiva de dias menos prósperos e virtuosos ainda embriagada pelos resultados positivos, além da promessa de muita espuma na Copa do Mundo. No primeiro trimestre do ano, a empresa reportou lucro de R$ 2,6 bilhões, um aumento de 9,5% sobre igual período em 2013. Parece um desempenho muito alvissareiro, mas não é, devido a  modesta base de comparação: entre janeiro e março do ano passado, os ganhos subiram apenas 1,3%. Por ser uma empresa-baleia, parece que a AmBev só faz crescer. Mais uma vez, as aparências enganam. As concorrentes no Brasil têm mordido pedacinhos da cervejeira ano após ano. No início dos anos 2000, a AmBev chegou a ter mais de 72% das vendas de cerveja em todo o país. Os adversários, contudo, foram se fortalecendo, particularmente a dupla Petrópolis/Kirin. De 2011 para cá, somente a fabricante da Itaipava comeu um ponto percentual de market share da líder do setor. Para se ter uma ideia do que representa essa canibalização, apenas entre 2011 e 2013, a fatia de mercado da AmBev recuou de 69,5% para 67,5%. Parece pouco. Nova ilusão. Cada ponto percentual perdido equivale a quase R$ 200 milhões a menos no copo. Esse horizonte bastante nublado tem piorado ainda mais o ambiente no “chão de fábrica”. O modelo de gestão e produtividade da AmBev, decantado nos MBAs da vida, é ótimo para o andar de cima, mas horrível para o pessoal da “senzala”, como os funcionários se referem a si próprios. As exigências para a geração de resultados criam um estado emocional danoso, responsável pela máxima de que quem está fora dá um dedo para entrar na AmBev, mas quem está dentro dá um braço para sair. a€ exceção, claro, dos maganos bem abonados, que só tomam a cerveja geladinha. Não é a  toa que a empresa não publica demonstrações de turnover e muito menos dos problemas de ordem médica entre seus trabalhadores. Na companhia, há quem diga, com humor sardônico, que trabalhar na Am- Bev é bom, mas faz mal a  saúde. A verdade é que a AmBev é um case de antidistributivismo que poderia muito bem ser citado por Thomas Piketty, autor de uma obra-prima sobre a concentração de renda pelos mais ricos. A divina trindade Lemann, Telles e Sicupira criou um marketing imbatível e se inebria com a fama de gestores excepcionais. Por trás de toda essa serpentina, existe muito desgaste, desgosto e até desespero por aqueles que carregam a empresa nas costas. No dia seguinte, podem nem sequer acordar empregados da companhia. Afinal, Lemann prega a seguinte visão social: “Gente é como coelho: se multiplica drasticamente. Só há uma saída: tem de cortar, cortar, cortar…”

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29.01.14
ED. 4827

Credores empurram Grupo Hermes para o balcão

A quarta geração da família Bach luta para não entrar para a história pela porta dos fundos, como responsável pelo epílogo de uma das mais longevas sagas do varejo nacional. Tarefa difícil. Quanto mais o tempo passa, menor é a margem de manobra do clã, notadamente do empresário Gustavo Bach, ex-presidente do Grupo Hermes, rede fundada pelo seu bisavô, Siegfried Haberer, há mais de 70 anos. A família estaria sendo pressionada pelos credores a se desfazer da empresa, precursora da venda por catálogos no Brasil e dona de um faturamento anual superior a R$ 2 bilhões. Os bancos estariam trabalhando pela transferência do controle a um grupo do setor ou a fundo de private equity – nos corredores da empresa o que se diz é que o BTG Pactual seria um dos candidatos. A Hermes teria uma dívida em torno de R$ 600 milhões. A companhia entrou em recuperação judicial em novembro do ano passado. Desde então, na tentativa de ganhar tempo e conquistar um voto de confiança de bancos e fornecedores, Bach se afastou da gestão executiva e anunciou a contratação da consultoria Alvarez & Marsal. As medidas, no entanto, não teriam surtido o efeito desejado. Aos olhos dos credores, a crise financeira do grupo estaria indissociavelmente vinculada a equívocos administrativos e estratégicos cometidos pela família Bach, entre os quais uma excessiva alavancagem financeira e uma desordenada política de investimentos no comércio eletrônico, leia-se o portal CompraFácil. Na tentativa de salvar os dedos, os Bach já esparramaram seus anéis sobre o balcão. Colocaram a  venda um centro de distribuição no Rio de Janeiro e o site CompraFácil. A negociação destes ativos permitiria a  família capitalizar a Hermes e evitar uma dramática solução final, leia-se a negociação do próprio controle do grupo. No entanto, nada é simples na vida dos Bach. Com o perdão do trocadilho, o CompraFácil poderia mudar seu nome para “Venda Difícil”. Nos últimos três meses, o grupo ofereceu o site a Deus e o mundo. ViaVarejo e B2W, por exemplo, olharam os números da operação e torceram o nariz. As gestões prosseguem e os Bach já teriam, inclusive, reduzido em 30% o valor pedido pelo site de comércio eletrônico. No entanto, no meio do caminho, a família ainda sofreu outro duro baque. No fim do ano passado, o CompraFácil perdeu o contrato para a venda de produtos da AmBev.

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27.01.14
ED. 4825

Comlurb quer ser um pote até aqui de PPPs

Há muito lixo sobre a mesa de Eduardo Paes. Lixo que pode virar alguns milhões de reais a mais para os cofres da Prefeitura do Rio. Paes tem planos de transformar a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) em um player importante no segmento de coleta e tratamento de resíduos, capaz de disputar contratos não apenas em outros municípios do estado, mas também na área privada, notadamente clientes corporativos. Oficialmente, a Comlurb nega o projeto. No entanto, segundo fontes próximas a  Prefeitura, a estratégia passa pelo fechamento de parcerias com empresas privadas de limpeza urbana e industrial. As PPPs permitiriam a  Comlurb buscar sócios para projetos específicos, sem que a Prefeitura precise fazer qualquer alteração no capital da companhia ou dependa de aprovação da Câmara Municipal – sempre uma caixinha de surpresas, embora Eduardo Paes tenha maioria na Casa. O modelo possibilitaria ainda que a estatal, levada a reboque por seus parceiros, participasse de licitações promovidas por empresas privadas. A estratégia de expansão da Comlurb é mais um capítulo no processo de reestruturação da empresa, uma estatal com seguidas lufadas de companhia privada. Um dos passos mais importantes nessa direção foi a nomeação de um executivo profissional para a presidência da empresa: o economista Vinícius Roriz. Com vasto currículo no mundo corporativo, Roriz trabalhou por mais de uma década na AmBev e, mais recentemente, teve uma passagem pelo Grupo EBX. Na esteira de sua chegada, a Comlurb instituiu metas de performance e mudou o regime trabalhista da maior parte de seus funcionários, que deixaram de ser servidores públicos e passaram a ter vínculo sob o regime de CLT.

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12.12.13
ED. 4797

Benchmarking

A decisão da Ambev de não aumentar os preços da cerveja no verão e de lançar uma campanha para que o comércio adote o mesmo procedimento é uma avis rara. Se outras empresas seguissem o seu exemplo e redescobrissem a velha e boa economia de mercado, o pais seria bem melhor.

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04.02.13
ED. 4581

NWalter Faria junta os cacos das mais diferentes garrafas

Parece até que Walter Faria, dono da cobiçada Petrópolis, está se preparando para um porvir longe de garrafas e engradados. Seu percurso empresarial é cada vez mais inusitado e oblíquo, com negócios que passam a léguas do mercado cervejeiro e, aparentemente, não guardam qualquer conexão ou sinergia entre si. Depois de investir no setor elétrico, com a compra de uma participação na Electra Energy, Faria está perto de fincar raiz no agronegócio. Segundo informações obtidas junto a  Imcopa, o empresário é o principal candidato a salvar a lavoura da companhia paranaense, uma das maiores produtoras de soja do Brasil. Fontes próximas a Frederico Busato Junior, controlador da empresa, afirmam que ele vem mantendo negociações com Faria. As conversas envolveriam tanto a venda de uma participação quanto a transferência integral do controle. Consultada, a Imcopa negou a operação. Walter Faria, por meio da assessoria da Petrópolis, declarou “não ter informação sobre o assunto”. Não custa lembrar que a Petrópolis mantém uma parceria com a Imcopa para a venda de soja desde 2008. Na época, circularam no setor informações de que o acordo era apenas um biombo, por trás do qual Faria teria acertado um contrato para a aquisição da empresa paranaense. a€s vezes, o tal mercado erra o santo e o milagre; a s vezes, só não acerta o horário da missa. O fato é que, hoje, a Imcopa se tornou um campo minado. Com dívidas na casa dos R$ 800 milhões, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial no início do ano. Há cerca de três anos, Busato apostou todas as suas fichas em um acordo extrajudicial com os credores, na expectativa de ganhar fôlego para recapitalizar a companhia. Desde então, no entanto, a situação se agravou. Ressalte-se que a Imcopa tem seus atrativos, a começar por dois complexos industriais no Paraná, com capacidade para esmagar mais de dois milhões de toneladas de soja por ano. Talvez uma coisa seja uma coisa e outra coisa não passe de outra coisa. No entanto, este processo de diversificação de negócios suscita a ideia de que Walter Faria está preparando o terreno para a venda da Petrópolis. Olhando-se para as atuais condições do mercado, o momento parece mais do que propício. A indústria cervejeira passa por um período de apreciação generalizada. Deve isso ao fenômeno AmBev, que puxou o valuation dos demais ativos do setor. Por sua vez, a Petrópolis nunca esteve tão valorizada e cobiçada. Passou a Kirin/Schincariol no ranking e tem feito sucessivos investimentos no aumento do parque fabril. É por essas e outras que a Heineken não sai da porta de Walter Faria.

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30.10.12
ED. 4518

Heineken e Petrópolis bebem do avesso da lógica

Em condições normais de temperatura do chope e de pressão da serpentina, tudo levaria a crer que as propaladas negociações entre a Heineken e a Petrópolis terminassem, inevitavelmente, na venda da empresa brasileira. Mas, como dizia Hitchcock, a s vezes é preciso jogar a lógica pela janela para que a imaginação prevaleça. Neste caso, as gestões entre as duas companhias podem ter um desfecho surpreendente e resultar no surgimento de um bicho inusitado, totalmente inesperado, um ornitorrinco cervejeiro. Em vez da venda da Petrópolis para a Heineken, ocorreria uma fusão entre a empresa de Walter Faria e a operação dos holandeses no Brasil. Nesta genética feita de cevada e espuma, contrariando todas as previsões a Heineken seria a parte recessiva, ou seja, o sócio minoritário. Pela sua posição no mercado brasileiro, leia-se volume de vendas, número de fábricas e até mesmo valor intangível de suas marcas, caberia a  Petrópolis ser o gene dominante. As próprias circunstâncias do mercado deveriam empurrar as duas empresas nesta direção. Hoje, é muito difícil comprar a Petrópolis. Walter Faria goza de uma situação confortável. Tem levado vantagem na disputa particular com Kirin/Schincariol pelo segundo lugar do ranking do setor. Ao mesmo tempo, conseguiu imprimir um ritmo de expansão, leia-se, principalmente, a sucessiva construção de fábricas, que só valoriza o seu ativo. Ou seja: Faria pode esperar pela proposta das propostas das propostas. Não tem pressa. Muito menos a pressa que os holandeses têm. Gigante mundial do setor, a Heineken ainda joga como time pequeno no Brasil. Tem pouco mais de 5% de market share – menos da metade da participação da cervejeira brasileira. Sua operação por estas bandas resume-se praticamente a  Kaiser, o que não é exatamente o melhor dos cartões de visita. Agora mesmo os holandeses estão envolvidos em mais uma tentativa de reanimação da combalida marca, com ações que vão de financiamento para a expansão dos distribuidores a maiores investimentos nos pontos de venda. Por estas razões, a estranha espécie eventualmente criada a partir do cruzamento da Petrópolis com a Heineken poderia, por mais incrível que pareça, acomodar os interesses de parte a parte. Walter Faria permaneceria com o controle do negócio, como sempre foi seu desejo, com o bônus de ter um sócio de altíssimo teor financeiro ao seu lado. O acordo também funcionaria como uma operação cleaner, uma limpeza na imagem institucional da Petrópolis. A associação com a Heineken daria um verniz corporativo que a cervejeira brasileira nunca teve. Além disso, Faria ainda poderia tirar onda com o discurso de mais uma vitória da empresa privada nacional. Já a Heineken, ao mandar a lógica a s favas e se deixar engolir pela Petrópolis, daria um grande salto no Brasil. Praticamente triplicaria sua participação de mercado, com mais de 17%. Nada que ameace a liderança inconteste da AmBev. Mas a nova empresa se consolidaria como a vice-líder do setor, deixando os japoneses de Itu no meio da estrada, sob um colarinho de poeira. Os holandeses manteriam um acordo para garantir a distribuição de suas marcas em situação ainda mais vantajosa. Ao mesmo tempo, a Heineken preservaria sua estratégia geoeconômica de fincar bandeira nos mercados-baleia. Mas são tão diferentes as culturas e tantas idiossincrasias, que é mais provável que sobre muita espuma e pouca cerveja nesse copo.

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28.12.11
ED. 4317

Alibaba e B2W aprontam um negócio da China com o Yahoo

De um lado, o maior conglomerado de comércio eletrônico da asia; do outro, a grande potência do setor no mercado brasileiro. A chinesa Alibaba e a B2W, controlada por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, são fortes candidatas a um enlace cibernético. As duas empresas vêm mantendo conversações conduzidas por um banco de investimentos japonês. Uma das fontes que acompanha o negócio com lupa prevê que dessas tratativas poderá surgir uma das maiores empresas de comércio eletrônico do mundo. Através de uma operação de troca de ações entre si e da alavancagem de recursos em mercado, a dupla poderá partir para uma oferta pelo Yahoo. Parece algo extravagante até para Lemann e cia., mas diziam a mesma coisa por ocasião da fusão entre AmBev e Interbrew e, posteriormente, da compra da Anheuser-Busch. Jorge Paulo Lemann estaria disposto até a se tornar minoritário para participar de um dos maiores negócios do mundo da área de internet. Para se ter uma ideia das cifras envolvidas na operação, os valores de mercado do Yahoo e da Alibaba são, respectivamente, de US$ 18,5 bilhões e de US$ 32 bilhões. A B2W vale uma ninharia se comparada aos dois mastodontes, mas a capacidade de seus acionistas de alavancarem recursos em mercado não pode ser desprezada por nenhum concorrente. Além disso, a empresa tem um valor estratégico ainda imensurável. Ela serviria de porta de entrada da Alibaba no Brasil, mercado que os chineses consideram absolutamente prioritário para ampliar suas operações fora da asia. Essa aliança sino-brasileira poderia representar a ressurreição do Yahoo, hoje visto como o patinho feio do mercado mundial de internet em razão da forte perda de share. A nova companhia indexaria os dois principais mercados emergentes e poderia concorrer com os grandes nomes do setor, como Google e Facebook. Não obstante a B2W ser o menor elo de toda a cadeia, o impacto desta operação dentro da própria empresa tem tudo para ser grandioso. Até porque a holding controladora da Americanas. com, Submarino, Shoptime e Ingresso.com atravessa um momento nada festivo. A B2W se tornou sinônimo de mau atendimento ao consumidor. Seus notórios problemas logísticos para a entrega de mercadorias a transformou em campeã de reclamações em diversos Procons estaduais, com forte impacto sobre sua imagem institucional. Ao mesmo tempo, a empresa vive um período de vacas magras. Entre janeiro e setembro deste ano, acumulou um prejuízo de R$ 60 milhões, contra um lucro de R$ 47 milhões em igual período no ano passado. Em igual intervalo, seu faturamento ficou praticamente estagnado, passando de R$ 2,9 bilhões para R$ 3,05 bilhões. Parece um dote pequeno para entrar em um casamento portentoso. Mas o que conta é que o preço do Brasil ficou caro.

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22.11.11
ED. 4291

Heineken mergulha no colarinho da Petrópolis

A espuma da venda da Schincariol para a Kirin nem sequer baixou e já há mais um negócio de alto teor alcoólico em fermentação no mercado cervejeiro. A Heineken partiu com toda a sede ao pote para a aquisição da Petrópolis, controlada pelo polêmico empresário Walter Faria. As conversações teriam sido deflagradas há cerca de um mês. A Heineken está disposta a comprar apenas metade do capital da Petrópolis, mantendo os outros 50% nas mãos de Faria. A rigor, ambos passariam a dividir o controle de uma holding ainda a ser criada – provisoriamente batizada pelos holandeses de -Cervejaria Brasil-. Todas as garrafas de Walter Faria, leia-se as marcas e as quatro fábricas da Petrópolis, seriam agrupadas neste novo engradado societário. Procurada pelo RR, a Heineken informou que -não comenta especulações de mercado-. Já a Petrópolis garantiu que -não tem qualquer intenção de negociar sua participação-. A fonte do RR, que acompanha a operação grudada a  mesa de negociações, crava um valor em torno de R$ 6,5 bilhões para a transferência de 50% da cervejeira da Região Serrana do Rio. A cifra já embute uma inflação no preço dos ativos do setor decorrente justamente da venda da Schincariol. Para efeito de comparação, trata-se de um valor próximo ao que a Kirin pagou por 100% da empresa. O eventual ágio na venda da Petrópolis tem duas fortes razões. Além de ser a segunda colocada do mercado, atrás apenas da AmBev, a empresa se tornou automaticamente a noiva mais cobiçada do setor após a venda da Schincariol. O modelo de negócio idealizado pela Heineken deve ser enxergado como uma maneira de contornar a resistência de Walter Faria a  venda integral da Petrópolis. O empresário tem a pretensão de se manter no negócio de braços dados com uma grande cervejeira internacional. No entanto, ao viver sob o mesmo teto com os holandeses, terá de se adequar a novos tempos. A Heineken inevitavelmente esquartejará a Petrópolis com o detalhismo de um anatomista. O bisturi certamente apontará para os sinuosos procedimentos da empresa – notadamente no que se refere a  sua engenharia fiscal, a s práticas trabalhistas e ao relacionamento com distribuidores. A compra da Petrópolis seria um passo fundamental para o crescimento da Heineken no Brasil. Somando-se a antiga operação da Femsa, comprada no início do ano, e a fabricante da Itaipava, os holandeses passariam a ter 19% de market share, mais do que o dobro da participação da Schin, em torno de 9%. No que depender do ímpeto da Heineken, esta diferença logo será ampliada. O grupo já sinalizou a Walter Faria o interesse em investir pesado para acelerar o plano de investimentos da Petrópolis, que prevê a construção de cinco fábricas.

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14.11.11
ED. 4286

Starbucks é o segundo prato da -Lemann Foods-

Ao contrário do que dizia o velho Marx, a s vezes a história se repete, e não necessariamente sob a forma de farsa. A compra do Burger King foi apenas o hors d?oeuvre – ainda que dos mais calóricos. Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles pretendem transformar a aquisição da rede de fast food em ponto de partida para a montagem de um sortido cardápio de ativos no setor. Guardadas as devidas proporções, trata-se de um modelo de consolidação similar ao adotado pela tríade em alguns dos seus mais emblemáticos negócios. Foi assim com a Brahma, embrião da AmBev, e com a Americanas, onde estão penduradas diversas operações no comércio eletrônico. A ideia é enfeixar sob uma mesma holding outras marcas do varejo de alimentos, criando uma espécie de -Lemann Foods-. O modelo seguirá a mesma receita do Burger King, ou seja, a compra do controle global de empresas do setor. De acordo com a fonte do RR, que costuma acompanhar com microscópio cada passo de Lemann, Sicupira e Telles, o trio já está mapeando possibilidades de aquisição nos Estados Unidos, sede das grandes redes mundiais de fast food. Segundo a mesma fonte, neste momento quem mais desperta o apetite dos ex-Garantia é a Starbucks. Lemann e cia. enxergam enorme complementaridade entre a empresa e o Burger King. O trio vislumbra a possibilidade de misturar estes ingredientes na mesma cozinha e potencializar as sinergias entre as duas redes. Um quiosque da Starbucks dentro de uma lanchonete do Burger King, por exemplo, seria uma simbiose perfeita – as duas bandeiras se alimentariam mutuamente. Ao colocar ambas as companhias sob um só guarda- chuva, Lemann, Sicupira e Telles criariam um dos mais calóricos grupo do varejo de alimentos em todo o mundo. Juntos, Burger King e Starbucks somam mais de 29 mil lojas e um faturamento anual na casa dos US$ 13 bilhões. Uma eventual investida sobre a Starbucks exigirá da 3G, empresa que reúne os investimentos de Lemann, Sicupira e Telles, um esforço financeiro maior do que foi feito na aquisição do Burger King – US$ 3,2 bilhões. Embora o número de lojas não seja tão díspare – 17 mil da Starbucks, contra 12 mil do Burger King – o faturamento da rede de cafeterias é três vezes maior. A compra dependeria ainda de um acordo com Howard Schultz. O dono da Starbucks é visto nos Estados Unidos como um empresário duro de roer em qualquer negociação, mas, até aí, empatou com Lemann. Além do mais, olhando-se para o currículo do fundador do Garantia, isso não chega a ser um problema. Quando a AmBev associou-se a  Interbrew, a cervejaria belga era maior em diversos critérios – faturamento, valor de mercado e produção. No caso do Brasil, a compra da Starbucks valeria nem tanto pelo número de lojas, que somadas as 144 da Burger King chegaria a 172, mas principalmente pela qualidade dos pontos da rede de cafeteria, concentradas em shoppings e ruas de alto consumo, localizadas em São Paulo e Rio de Janeiro. Vale também que o a Starbucks está em negociação ou tem pré-contratos fechados de, pelo menos, mais 20 pontos nobres. De posse de rede tão extensa, a 3G conseguiria reduzir custos operacionais e usar as duas marcas para atrair negócios entre si, nos moldes do que tem feito o principal concorrente, McDonald?s, que lançou o McCafé, maior do que a Starbucks.

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10.10.11
ED. 4263

Americanas arranha a fama de Lemann e cia.

Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcelo Telles estão discutindo o futuro de um de seus mais antigos e emblemáticos negócios: a Lojas Americanas. Não há meio termo sobre a mesa. O trio trabalha com duas hipóteses extremas: partir para um processo de consolidação capaz de aumentar a massa crítica e permitir a mudança do perfil operacional da rede varejista ou, então, entregar os pontos e vender a empresa. Diante da interrogação, os controladores da Lojas Americanas têm apenas uma certeza. Do jeito que está, a companhia não pode ficar. O modelo de operação das lojas físicas é considerado obsoleto e insustentável. Ao longo dos anos, a companhia tornouse um híbrido de supermercado, rede de eletroeletrônicos e loja de conveniência (leia-se a Americanas Express). É tudo sem ser nada. Para seus controladores, a empresa não consegue cumprir plenamente nenhum destes papéis. Há também uma crescente insatisfação com o sistema de gestão da Lojas Americanas. A tríade Lemann, Telles e Sicupira não consegue se enxergar na atual estrutura de administração da rede varejista. Na comparação com a AmBev, a Americanas mais parece um armarinho do Saara ou um armazém da Rua do Alho. Nos últimos meses, os acionistas majoritários da Americanas vêm se dedicando a  tarefa de dissecar a empresa e identificar suas principais fragilidades. Não obstante o aumento de 15% no lucro no primeiro semestre (R$ 105 milhões), têm encontrado mais defeitos do que virtudes. A compra da BlockBuster, por exemplo, não gerou as sinergias esperadas. A Americanas Express, formato que nasceu a partir das lojas da antiga locadora, está aquém da rentabilidade esperada. Lemann, Telles e Sicupira também estão preocupados com o descolamento entre a rede varejista e seu público tradicional. A percepção é de que a Americanas não conseguiu acompanhar as mudanças no perfil do consumidor brasileiro. As classes C e D, que sempre foram os pilares da companhia, têm buscado redes com um perfil mais sofisticado. Como se não bastassem os problemas inerentes a  sua própria operação, a Americanas ainda tem de carregar sobre as costas o peso da B2W, sua controlada. A empresa, que engloba os sites Americanas. com, Submarino, Shoptime e Ingresso.com, transformou- se na Geni do comércio eletrônico. As pedras vêm de todos os lados, notadamente dos clientes e dos investidores. A empresa virou benchmarking de maus-tratos ao consumidor e um fenômeno dos Procons de todo o Brasil. Em São Paulo, a média mensal estaria na casa das 300 reclamações. A antipatia em relação a  empresa não se resume aos consumidores. Passa também pelas Bolsas. Neste ano, sua ação caiu mais de 55%. Na comparação com janeiro de 2010, a derrocada chega a 70%. Tanta ojeriza ao papel não chega a surpreender. No ano passado, o lucro da B2W caiu a  metade. No primeiro semestre deste ano, ela teve um prejuízo de R$ 22 milhões, contra um ganho de R$ 32 milhões em igual período em 2010. A depreciação do ativo é algo que dói fundo em financistas da estirpe de Lemann, Telles e Sicupira. Desde 2007, quando a B2W passou a ser negociada na Bovespa, seu valor de mercado caiu de R$ 13 bilhões para aproximadamente R$ 2,2 bilhões. Este desempenho só alimenta ainda mais as dúvidas da trinca de investidores quanto ao futuro da Americanas. Dos bons e velhos tempos, não sobrou nem o cachorro quente.

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14.06.11
ED. 4181

Agrenco na mira da Glencore e do Noble Group

O lento processo de soerguimento da Agrenco terá novos e importantes capítulos nas próximas semanas. Além da venda de uma participação minoritária para o fundo Global Emerging Markets, que representará um aporte de até R$ 180 milhões ? ver RR ? Negócios & Finanças nº 4.093 ?, a empresa está de portas abertas para a entrada de um novo acionista. Os controladores da Agrenco, a  frente Antonio Iafelice, procuram um sócio estratégico. As negociações com a Glencore, que, há três anos, quase comprou o controle da empresa, foram retomadas. Há conversas também com o Noble Group, de Hong Kong, que tem negócios no Brasil nas áreas de soja, açúcar e álcool e mineração. Nos dois casos, a compra de uma fatia no capital da Agrenco está condicionada a  retomada das atividades industriais, notadamente a fábrica de biodiesel de Alto Araguaia (MT). Paralelamente a  procura por um novo sócio, os controladores da Agrenco preparam mudanças na gestão da companhia. A prioridade é a contratação de um novo CEO. Um dos nomes cotados é o de Guilherme Laager, ex-Vale, Varig e AmBev. A empresa vai buscar também um diretor financeiro. Entre os candidatos está Paulo Penido Pinto Marques, que deixou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na semana passada.

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25.05.11
ED. 4167

Lemann é o intruso entre Carrefour e Pão de Açúcar

Se furar a bola que está sendo jogada por Carrefour, Abílio Diniz e Casino, já existe um candidato se articulando nos bastidores para a compra dos ativos da rede francesa no Brasil. A fera atende por Jorge Paulo Lemann, que já teria dado mandato a  Goldman Sachs para estudar a operação. Lemann, nesse caso, surge como regra três, porque a preferência, no momento, é da dupla Abílio e Casino. Ainda assim, não faltam bons motivos para que o investidor entre na parada. Existem sinergias indiscutíveis com a rede de varejo do empresário, quer seja a Lojas Americanas, quer seja a operação pontocom (Submarino, Americanas. com e Shoptime). A Americanas seria, inclusive, repaginada para uma adequação a  mega-operação do Carrefour. Na condição de dono de cervejeira, para Lemann também não seria nada mau ter um ponto de venda desta magnitude. Não faltariam possibilidades de acordo com a AmBev, notadamente na área de logística. A pretensão do mais incensado financista do Brasil, no entanto, esbarra nas ambições do mais vaidoso supermercadista do planeta. O principal entusiasta da fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour é Abílio Diniz, que quer experimentar o gostinho de ser monopolista antes de entregar o bastão do grupo aos franceses. Como é sabido, o Casino, que já é acionista majoritário do Pão de Açúcar, terá o controle absoluto do capital em alguns anos, conforme reza o acordo societário existente entre ambos. Abílio parece querer, além da remuneração acertada, uma cadeira no Conselho de Administração do Carrefour. Só ficaria faltando uma medalha da Légion d?Honneur. Existem óbvias vantagens na associação entre as duas maiores redes de supermercados e hipermercados do Brasil A maior delas é a ditadura da escala. Vai ser difícil encontrar outro supermercado para comprar qualquer coisa. As operações de trade também favorecerão imensamente a formação de preços do novo monstro, sobretudo no comércio internacional com a França. A combinação entre a experiência e a união de dois dos maiores compradores do mercado europeu e a fome consumista no varejo nacional permite antever uma capacidade de arbitragem de preço nunca antes vista na história deste país. Do outro lado da balança, pesam as diferenças de cultura (no caso do Carrefour engolir Abílio Diniz) e a superposição de pontos de venda. Ou seja: em um governo que quase foi a  histeria com a demissão de três mil funcionários da Vale, qual seria a reação em assistir a  inexorável degola de milhares e milhares de empregados do Carrefour e do Pão de Açúcar? Há ainda o fator Cade. A fusão entre as duas empresas daria origem a um grupo com receita anual de R$ 66 bilhões, ou um terço das vendas do setor supermercadista no Brasil. Do ponto de vista da concentração de mercado, a compra dos ativos do Carrefour por Jorge Paulo Lemann seria muito mais palatável para os órgãos antitruste. Somando-se o faturamento dos franceses no país com as vendas das Lojas Americanas e da B2W, que reúne as operações de comércio eletrônico de Lemann, a cifra chegaria a R$ 43 bilhões. Outra razão menos explicitada contrária a  fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour é que o domínio hegemônico do capital estrangeiro em um setor no tradable representaria uma sangria crescente de divisas em um dos segmentos da economia com maior potencial de expansão. O setor supermercadista brasileiro se tornaria uma espécie de colônia da França.

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10.11.10
ED. 4045

Tribuna

Da série “Missão Impossível”, cardeais do PSDB e do DEM conversam freneticamente sobre uma AmBev dos partidos políticos.

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