24.03.15
ED. 5086

Cetip empurra a Lava Jato para dentro da Bolsa de Nova York

 Se a Lava Jato entra por uma porta, o maior acionista da Cetip sai por outra. A Intercontinental Exchange (ICE) está decidida a deixar o negócio. O motivo é a denúncia do doleiro Alberto Youssef de que a GRV, subsidiária da Cetip, subornou parlamentares do Partido Progressista (PP) para assegurar um contrato com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Desde a semana retrasada, quando as acusações de Youssef vieram a público, o clima entre os norte-americanos e o comando da antiga clearing do mercado de capitais brasileiro é de tensão. Sócia, entre outros negócios, da Bolsa de Nova York, a ICE cobra da Cetip um posicionamento mais firme em relação ao assunto. Os norte-americanos estão irritados com o comportamento passivo da direção da companhia, a começar pelo seu presidente, Gilson Finkelsztain. O próprio fundador e CEO da ICE, Jeffrey Sprecher, chamou o assunto para si. De acordo com uma fonte próxima a  Cetip, Sprecher teve uma dura conversa telefônica com Finkelsztain dois dias após o vazamento do depoimento de Youssef. Segundo o informante do RR, Sprecher exigiu que a Cetip emitisse um comunicado oficial refutando as acusações de Youssef. Até o momento, contudo, não foi feito. Na empresa, diante da inexplicável insubordinação, Finkelsztain já é visto como uma carta fora do baralho. Para todos os efeitos, tanto a ICE quanto Finkelsztain entraram em cena quando o malfeito já estava perpetrado. De acordo com Alberto Youssef, o pagamento de propina a parlamentares do PP começou antes de a GRV ter sido adquirida pela Cetip, em dezembro de 2010, e antes também de os norte- americanos comprarem 12% do capital, em julho de 2011. Finkelsztain, por sua vez, somente assumiria a presidência da Cetip em 2013. Ainda assim, os norte- americanos estão bastante apreensivos com a possibilidade de o escândalo respingar em sua própria operação nos Estados Unidos. Não é para menos. Na condição de uma das maiores acionistas da Bolsa de Nova York, tudo o que a ICE menos quer e menos pode é ter seu nome envolvido em um escândalo dessa dimensão – o que justifica a sua disposição de deixar o negócio. Mesmo porque, além dos eventuais danos a  imagem da Cetip, o episódio pode ter um impacto considerável sobre o próprio desempenho da companhia. Ressalte-se que o contrato para o registro de gravames (restrições) a financiamentos de veículos no sistema do Denatran é hoje o maior dos negócios da empresa. Responde por 40% do faturamento da companhia.

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